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quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

A confusão de bicos: porque a mamadeira não deve ser utilizada

Compartilhando um texto muito bacana sobre confusão de bicos do site Acalmma. Este texto foi escrito pela fonoaudióloga Cristiane Gomes. Acompanhem o texto, reflitam ...


É de conhecimento geral que o aleitamento materno é a estratégia que, isoladamente, possui a capacidade de evitar morbimortalidade infantil, especialmente pelas substâncias presentes no leite que favorecem a saúde geral, pelo contato entre mãe e bebê que permitem o estabelecimento e manutenção dos vínculos afetivos, pela capacidade do leite materno promover adequado crescimento e desenvolvimento da criança, dentre muitas outras vantagens.
Também é de conhecimento geral que a mãe deve amamentar seu bebê exclusivamente por 6 meses e com alimentação complementar por 2 anos ou mais e que é desaconselhável o uso de bicos artificiais, no entanto, este último tema não tem sido esclarecido à população e o uso de bicos é uma realidade impactante nos índices de aleitamento materno em nosso país, especialmente no sul do Brasil.
É importante salientar que, em geral, as gestantes já recebem mamadeiras como presentes nos chás de bebê, “no caso de haver necessidade”. Parece um ato inocente e de apoio, porém com terrível possibilidade de favorecer o desmame precoce.
Apesar do Ministério da Saúde desaconselhar o uso de bicos artificiais e o nono passo da Iniciativa Hospital Amigo da Criança indicar que não se deve oferecer bicos artificiais a crianças amamentadas, a cultura da mamadeira está arraigada e, mesmo com as ações de proteção ao aleitamento materno, especialmente por meio da NBCAL, ainda há uma falsa sensação de que os bicos artificiais são inofensivos.
Na realidade, o uso concomitante de bicos artificiais e aleitamento materno pode causar a chamada “confusão de bicos”, termo utilizado inicialmente por Neifert, Lawrence e Seacat (1995). A partir do momento em que o bebê recebe alimentação por meio de bicos artificiais, a ação das estruturas orais se modifica de tal forma que, ao retornar ao aleitamento materno, não haja condições de realizar a ordenha da mama, visto que tais estruturas sofreram mudanças de tônus, mobilidade e função.
O que decorre dessa disfunção motora oral é uma sequência de situações que, cedo ou tarde, levarão ao desmame: bebê não se alimenta o suficiente, chora, a mãe oferece complemento, por não haver estimulo mamário para a produção de leite há uma redução de seu volume, o que se torna um ciclo vicioso que termina por favorecer a alimentação exclusiva por mamadeira.
Para explicar melhor as diferenças estruturais, de tônus muscular e de função oral apresento o quadro abaixo, que mostra as diferenças básicas entre a sucção no aleitamento materno e na mamadeira:

ALEITAMENTO MATERNO

MAMADEIRA
- o peito da mãe se conforma à boca do bebê, o que nenhum outro tipo de bico permite;a boca do bebê tem que se adaptar ao bico, o que afeta a posição da língua, lábios e céu da boca;
- a língua do bebê consegue vir para fora para pegar o leite e leva-lo ao fundo da boca para a criança engolir;- Em todos os bicos, (comum ou ortodôntico) a língua do bebê vai para trás porque é empurrada pelo bico, que é rígido, e isso muda a sucção do bebê;
- o bebê faz quatro movimentos com a mandíbula (queixo): para baixo (abertura), para frente (protrusão), para baixo (fechamento) e para trás (retrusão). Esses quatro movimentos são importantes para o crescimento da face e para dar espaço na arcada dentária para o nascimento e alinhamento dos dentes;- o bebê faz apenas dois movimentos com o queixo: para baixo (abertura) e para cima (fechamento). Com apenas esses dois movimentos, o crescimento da face será direcionado para a vertical e o crescimento horizontal ficará prejudicado;
- o bebê faz pressão positiva, chamada de ordenha, ou seja, a mandíbula (queixo) massageia o peito e o leite é coletado pela língua.;- o bebê sempre faz pressão negativa (formam-se furinhos na bochecha) e isso faz com que haja uma alteração no crescimento da face, arcadas dentárias e consequente alinhamento dos dentes;
- o bebê exercita os músculos que serão responsáveis pela futura mastigação (masseteres, temporais e pterigoideos);- o bebê não exercita os músculos que serão responsáveis pela futura mastigação, mas exercita o músculo da bochecha (bucinador), que não deve ser tão exercitado e poderá provocar problemas no alinhamento dos dentes;
- os músculos da mastigação são exercitados e permitem com que o céu da boca se desenvolva corretamente, ou seja, que fique mais horizontal, favorece a respiração pelo nariz e o fechamento dos lábios;- o músculo da bochecha fará uma pressão sobre o céu da boca, que com o tempo se tornará mais alto. Esse formato mais alto dificultará a respiração pelo nariz e o fechamento dos lábios e favorece a respiração pela boca, que traz inúmeros prejuízos para a criança.

Com a leitura atenta do quadro acima, pode-se concluir que não existe compatibilidade entre o aleitamento materno e o uso da mamadeira, pois a forma de sucção é totalmente diferente.
Para evitar os problemas decorrentes dessa confusão de bicos (desmame, alterações motoras orais, alterações ortodônticas, desvios do crescimento ósseo facial, alterações de tonicidade, mobilidade e funções orais, com possibilidade de desenvolvimento de respiração oral, deglutição atípica, alterações de fala e mastigação, entre outras, as mães devem ser encorajadas, apoiadas e incentivadas a manter o aleitamento materno exclusivo até seis meses, iniciar a alimentação complementar aos 6 meses com mudanças graduais de consistências e dar continuidade ao aleitamento materno até 2 anos ou mais, não oferecer mamadeiras ou chupetas e, se houver necessidade de complementação, dar preferência à utilização do copo como método alternativo e temporário.
 Dra. Cristiane Gomes
Fonoaudióloga
CRFa 7771
 Especialista em Motricidade Orofacial (CFFa)
Mestre em Educação (UNESP – Marília)
Doutora em Pediatria (UNESP – Botucatu)
Pós-Doutorado em Saúde Coletiva (UEL – Londrina)
Docente do Centro Universitário de Maringá (CESUMAR)

domingo, 29 de abril de 2012

Uso da chupeta - por Melania Amorim





Compartilhando e fazendo a campanha anti-chupeta, com minha irmã Denise Amorim Albuquerque:

Uso da chupeta 
Departamento de Pediatria Ambulatorial e Departamento de Aleitamento Materno da SBP
A sucção é um reflexo do bebê desde o útero materno e pode ser observado através de ultrassonografias, que mostram alguns bebês chupando o dedinho. Esse reflexo é vital para o crescimento e desenvolvimento psíquico do bebê.
A criança, especialmente em seu primeiro ano de vida, tem uma necessidade fisiológica de sucção. Além da amamentação, que garante a sua sobrevivência, a sucção também promove a liberação de endorfina, um hormônio que produz um efeito de modulação da dor, do humor e da ansiedade, provocando uma sensação de prazer e bem-estar ao bebê.
A amamentação é suficiente para satisfazer o desejo básico de sucção do bebê, desde que ele esteja mamando exclusivamente no peito e a mãe o ofereça sempre que o bebê quiser. É importante enfatizar que a sucção do bebê ao mamar no seio materno é completamente diferente do sugar o bico de uma mamadeira ou chupeta. Mamar no peito é muito importante para o desenvolvimento da mandíbula e demais ossos da face, dos músculos da mastigação, da oclusão dentária e da respiração de forma adequada.

O uso da chupeta vem sendo passado de geração a geração, constituindo-se num frequente hábito cultural em nosso meio e, por seu preço reduzido, é bastante acessível a toda população.
Destacam-se como possíveis “prós” de sua utilização:

1 - trata-se de um calmante imediato do choro;
2 - alguns estudos evidenciaram possível efeito protetor contra morte súbita, desde que seja introduzida após a terceira semana de vida ou com a amamentação já estabelecida e utilizada apenas durante o sono (recomendação oficial da Academia Americana de Pediatria - AAP).
Por outro lado, temos muitos “contras” para comentar sobre a utilização da chupeta. 

1 - Inúmeros estudos mostram que a chupeta está sempre associada com um tempo menor de duração do Aleitamento Materno e que a mesma acaba por ser um indicador de dificuldades da amamentação. Este fato acabou sendo decisivo para que a Organização Mundial de Saúde (OMS) e o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) optassem como recomendação oficial de não utilizar bicos e chupetas desde o nascimento, pois o tempo de duração do aleitamento materno influi diretamente na saúde do bebê e da mãe, quanto mais tempo amamentar, mais saúde para ambos. Esta orientação é compartilhada pelo Ministério da Saúde do Brasil que desde 1990 optou pela implantação da Iniciativa Hospital Amigo da Criança, que tem como regra (nono passo - o sucesso da amamentação) a não utilização de bicos, mamadeiras e chupetas em alojamento conjunto.
2 - Com relação a acalmar, temos uma linha de psicólogos que discordam desta forma de acalmar, pois temos inúmeras maneiras de acalmar um bebê (carinho, colo, cantar, amamentar, etc.) sem a necessidade de utilização de um artifício que traz malefícios para a saúde do bebê. Orientam ainda que quando uma criança começa a introduzir o dedo na boca, temos que dar uma função para as mãos, desta forma, entrega-se brinquedos adequados para a idade para que a distração seja direcionada em outro sentido. Claro que a criança poderá levar este brinquedo à boca (mordedores, por exemplo), mas isto não leva a vícios. Portanto não “vicia” em chupeta e nem no dedo.
3 - Outros estudos apresentam efeitos prejudiciais do uso da chupeta com relação à oclusão dentária, levando à deformação na arcada dentária e problemas na mastigação, além de atrasos na linguagem oral, problemas na fala e emocionais. O risco de má oclusão dentária em crianças que utilizam chupetas pode chegar a duas vezes em relação aos que não usam.
4 - Temos ainda prejuízos respiratórios importantes, levando a uma expiração prolongada, reduzindo a saturação de oxigênio e a frequência respiratória. A respiração acaba ficando mais frequente pela boca (respiração oral), o que piora a elevação do palato (céu da boca), diminuindo o espaço aéreo dos seios da face e provocando desvio do septo nasal. A respiração oral leva à diminuição da produção da saliva, que pode aumentar o risco de cáries. Como a respiração nasal tem a função de aquecer, umidificar e purificar o ar inalado e isto não ocorre de forma adequada na respiração oral, temos maiores chances de irritações da orofaringe, laringe e pulmões, que passam a receber um ar frio, seco e não filtrado adequadamente.
5 - Outras consequências da respiração oral são: as infecções de ouvido, rinites e amigdalites.
6 - O uso de chupetas também está associado a maior chance de candidíase oral (sapinho) e verminoses, já que é quase impossível manter uma chupeta com higiene adequada.
7 - Na confecção de bicos e chupetas temos o uso de materiais possivelmente carcinogênicos (N-nitrosaminas) que ainda carecem de estudos mais aprofundados.
8 - Com relação à morte súbita, a mesma é definida como uma morte inesperada de crianças menores de 1 ano de idade, com pico entre 2 e 3 meses, que permanece inexplicada após extensa investigação, incluindo história clínica, necropsia completa e revisão do local do óbito. Portanto é uma situação em que até o momento não sabemos qual é a verdadeira causa. Existem muitas críticas sobre as metodologias utilizadas nestes estudos, o que enfraqueceria em muito e tornaria no mínimo precoce a argumentação de que a chupeta seria um possível protetor da morte súbita. Apesar de ser uma indicação oficial da AAP, esta opinião não é compartilhada por importantes órgãos como o MS (Ministério da Saúde do Brasil – área técnica da criança e do aleitamento materno), OMS, UNICEF, WABA (ONG internacional que promove a semana mundial da amamentação) e IBFAN (Rede Mundial que luta pelas leis que normatizam a propaganda de alimentos que podem prejudicar a instalação e manutenção do AM), que entendem ser necessária a realização de mais estudos sobre este assunto controverso.
9 - Por fim, vale destacar que um estudo de revisão, multidisciplinar, publicado no Jornal de Pediatria em 2009, buscou na literatura prós e contras o uso de chupeta e chegou à conclusão final de que foram encontrados mais efeitos deletérios do que benéficos. 

Desta forma, a Sociedade Brasileira de Pediatria recomenda que os pais tenham claramente esta visão de “prós e contras” do uso da chupeta, para que, junto ao seu pediatra, possam tomar uma decisão informada quanto a oferecê-la, ou não, aos seus bebês.
Bibliografia
1. Hauck FR, Omojokun OO, Siadaty MS. Do pacifiers reduce the risk of sudden infantdeath syndrome? A meta-analysis. Pediatrics. 2005;116(5). Disponível em:www.pediatrics.org/cgi/content/full/116/5/e716.
2. American Academy of Pediatrics Task Force on Sudden Infant Death Syndrome. The changing concept of sudden infant death syndrome: diagnostic coding shifts, controversies regarding the sleeping environment, and new variables to consider in reducing risk. Pediatrics. 2005;116(5):1245-55.
3. Li DK, Willinger M, Petitti DB, Odouli R, Liu L, Hoffman HJ. Use of a dummy (pacifier) during sleep and risk of sudden infant death syndrome (SIDS): population based casecontrol study. BMJ. 2006;332(7532):18-22.
4. Cates CJ. Dummies and SIDS. Low response rates generate considerable uncertainty. Disponível em:http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC1336812/?tool=pubmed.
5. Fleming PJ. Dummies and SIDS. Causality has not been established. Disponível em:http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC1336811/?tool=pubmed
6. American Academy of Pediatrics, Policy Statement. Breastfeeding and the use of human milk. Pediatrics. 2012;129:e827-e841.
7. Castilho SD, Rocha MA. Pacifier habit: history and multidisciplinary vision. J Pediatr (Rio J). 2009;85(6):480-9.
8. Menino AP, Sakima PRT, Santiago LB, Lamounier JA. Atividade muscular em diferentes métodos de alimentação do recém-nascido e sua influência no desenvolvimento da face. Rev Med Minas Gerais. 2009; 19(4 Supl 5):S11-S18.
9. World Health Organization/Unicef. Innocenti Declaration on the protection, promotion and support of breast-feeding. Meeting “Breastfeeding in the 1990s: a global initiative”. Cosponsored by the United States Agency for International Development Authority (SIDA), held at the Spedale degli Innocenti, Florence, Italy, on 30 July – 1 August, 1990.
10. World Health Organization. Evidence for the Ten Steps to Successful Breastfeeding. Division of Child Healtha and Developmentworld. Geneva: World Health Organization, 1998.
11. Lamounier JA. Promoção e incentivo ao aleitamento materno: Iniciativa Hospital Amigo da Criança. J Pediatr (Rio J). 1996;72(6):363-7.
12. Victora CG, Tomasi E, Olinto MTA, Barros FC. Use of pacifiers and breastfeeding duration. Lancet. 1993;341:404-6.
13. Victora CG, Behague DP, Barros FC, Olinto MTA, Weiderpass E. Pacifier use and short breastfeeding duration: cause, consequence, or coincidence? Pediatrics. 1997;99(3):445-53.
14. Tomasi E, Victora CG, Olinto MTA. Padrões e determinantes do uso de chupeta em crianças. J Pediatr (Rio J). 1994;7(3):167-73.
15. Barros FC, Victora CG, Tonioli Filho S, Tomasi E, Weiderpass E. Use of pacifiers is associated with decreased breast-feeding duration. Pediatrics. 1995;95(4):497-9.
16. Barros FC, Victora CG, Morris SS, Halpern R, Horta BL, Tomasi E. Breastfeeding, pacifier use and infant development at 12 months of age: a birth cohort study in Brazil. Paediatr Perinat Epidemiol. 1997;11(4):441-50.
17. Pedroso RS, Siqueira RV. Pesquisa de cistos de protozoários, larvas e ovos de helmintos em chupetas. J Pediatr (Rio J). 1997;73(1):21-5.



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quarta-feira, 18 de abril de 2012

Notícia - Funchicórea: fitoterápico para cólicas perdeu o registro da Anvisa



Tradicional para o combate da dor dos bebês, o remédio não tem eficácia comprovada

Luiza Tenente

O que você costuma fazer para aliviar a cólica do seu bebê? Se a resposta for Funchicórea, vai ter de encontrar outra alternativa. O remédio fitoterápico, que combateria a prisão de ventre e as cólicas nos primeiros meses de vida da criança, teve seu registro cancelado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), recentemente. Em 2005, a renovação do registro do Funchicórea foi indeferida, porque a empresa fabricante do produto, Laboratório Melpoejo, não havia cumprido as exigências técnicas e apresentara documentação em desacordo com as normas da época. A justificativa da Anvisa foi a falta de comprovação da eficácia e da segurança do fitoterápico. Mas o laboratório, na época, recorreu e conseguiu que ele continuasse sendo comercializado. 

A CRESCER apurou que o fitoterápico, tradição há 72 anos, finalmente, está desaparecendo das maiores redes de farmácia de São Paulo (SP). Mas, se mergulhar a chupeta no famoso pozinho não surte efeito, por que há algumas mães reclamando da decisão da Anvisa? O pediatra Marcelo Reibscheid, do Hospital e Maternidade São Luiz (SP), explica que os bebês podem até se acalmar com o fitoterápico, mas isso não significa que a cólica passou. Ele apenas se distraiu. Isso porque um dos componentes do remédio é a sacarina, um tipo de adoçante artificial, que como toda substância doce desperta aquela sensação de prazer. A mesma que você sente ao comer chocolate. “Não é recomendado que a criança consuma açúcar no primeiro ano de vida, muito menos adoçante”, alerta Reibscheid. 

Mas é claro que existem outras formas de amenizar as cólicas do bebê. O mais importante é manter a calma. “Vale lembrar que o sintoma é fisiológico e diminui após os três meses de vida", tranquiliza o pediatra. Como os sistemas digestório e neurológico ainda estão imaturos, os movimentos peristáticos (aqueles do intestino) são desordenados e causam desconforto. A seguir, algumas dicas para ajudar a diminuir o sofrimento do seu filho, sem o uso de remédios. 

Massagem 
A shantala, técnica indiana, é uma boa forma de acalmar o bebê. Você pode fazer movimentos circulares, com uma leve pressão, que também aquecerão a barriga dele. Usar óleo de bétula ou de amêndoa é outra dica para fazer a massagem ficar mais prazerosa. 

Ginástica 
O famoso exercício da bicicletinha estimula a eliminação de gases. Flexione e estique as pernas do seu filho, para que ele solte puns e arrote. 

Banho ou bolsa de água quente 

Aquecer a região dolorida é uma ótima forma de amortecer a dor. Um banho morno, duas a três vezes ao dia, é indicado pelo pediatra Marcelo para acalmar a criança. No caso da bolsa, sempre a embrulhe em uma toalha, para não queimar a barriga do bebê. 

Alimentação 

Há mitos quanto à influência da alimentação da mãe que amamenta na produção de gases da criança. “Não existem privações na dieta”, diz Reibscheid. No entanto, evite exageros e bebidas que fermentem, como as alcoólicas e as gasosas, enquanto estiver no período de aleitamento. 

Colo 

Além do carinho, você contribuirá para aquecer a barriga do bebê e aliviar a cólica. Alguns pais gostam de segurar o bebê deitado de bruços em seu antebraço. A posição também pode ajudar no alívio das dores.

quinta-feira, 22 de março de 2012

Chupeitando o seio materno - por Simone de Carvalho


google imagem
É curioso ouvir que os bebês "chupeitam" o seio materno. Essa afirmação que é antiga, um dito popular, que aparece em muitos diálogos como a justificativa em se explicar a tal fase oral do bebê. Verdade é que existem bebês que nascem com o reflexo da sucção extremamente apurados, onde seria capaz segurá-los apenas pelo dedo e eles certamente ficariam pendurados! O músculo da boca, no momento do nascimento, é o mais desenvolvido do que todos os outros do corpo do bebê. Podemos dizer que o bebê é apenas "boca" no sentido literal da palavra.

Comprovado que a força da sucção está relacionada simplesmente ao processo de sobrevivência do bebê nos primeiros meses de sua vida, muitas mães ainda confundem a importância desse comportamento em suas vidinhas. Mas claro que não é apenas nutrição física. O bebê também possui o mecanismo do choro, extremamente potente, capaz de despertar a mãe mais sonolenta do mundo. Mas, além de perceber o mundo com a boca, é comprovado também que os bebês sentem este mundo pela boca, o sentir emocional.

O toque é importante, a voz, o sentimento de acolhimento de um colo quentinho e amoroso são fundamentais para o exercício deste suprimento emocional. Mas a boca, ainda continua sendo o ponto mais importante e sensitivo de um bebê. Se a mãe compreende bem o processo da exterogestação no primeiro trimestre de vida do seu bebê, irá abandonar de vez o conceito do "chupeta+peito= chupeitar".

O mecanismo de sucção da chupeta, na verdade, não deveria ser associado ao seio materno, simplesmente porque são duas coisas completamente distintas. O seio materno nutre fisicamente, afetivamente; estabele o fortalecimento do vínculo, sacia a vontade emocional e afetiva do bebê de se sentir pertencido e amado por sua mãe. O seio materno é consolo imediato, é certeza de não abandono... O seio materno é a grande solução para o bebê que nasce e que ainda é um feto, totalmente imaturo e dependente. Sem o seio, o bebê simplesmente morreria.

A chupeta é o pacificador mecânico, do ouvido dos adultos, é um consolo vazio, sem troca, é a simples desculpa de que: a mamãe já volta, mas ás vezes nunca volta, e adormecendo, o bebê finalmente desiste de esperar. Quando impedimos o processo de evolução sadio da fase de sucção, condicionamos nossos bebês a serem dependentes e eternamente insatisfeitos. Uma vez que o bebê supre suas necessidades emocionais através da sucção afetiva, ajudamos a passarem por esta fase com êxito e evoluindo, a abandonam de vez no momento certo.

O melhor seria se pudéssemos auxiliar esta fase da sucção entendendo que não é definitivamente o fato de chupeitar o seio materno, mas o processo de maturação emocional, de formação sadia e plena e uma fase fundamental na construção de uma vida futura equilibrada e feliz.

Vamos então, permitir que a multifunção do seio materno seja exercida. Quando finalmente internalizamos o conceito, ficamos em paz e consequentemente transmitimos essa mesma paz e segurança para os nossos bebês.

Por Simone de Carvalho

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

CHUPETAS e MAMADEIRAS: malefícios comprovados

O sorriso lindo do meu filho que não chupou chupeta!
Quando estudei aleitamento materno na faculdade e, percebi o poderoso alimento que era para o bebê, seus mil e um benefícios, me apaixonei. Tive a oportunidade de visitar bancos de leite da capital, em passeios pela faculdade. Depois trabalhei na Secretária de saúde de Gravataí e, obtive a oportunidade de trabalhar no Projeto Crescer Bem. Esse projeto atendia crianças até 1 ano de vida ( faixa de risco de mortalidade da cidade). Nele pude acompanhar, informar e incentivar o aleitamento dessas crianças carentes. Desde então, sempre fui contra a tudo aquilo que prejudicasse a amamentação dos meus futuros filhos e, destes "filhos" que eu acompanhei por um tempo. Bicos e mamadeiras simplesmente são CONTRA INDICADOS, trazem malefícios a curto e médio prazo! Encontrei este artigo no site www.aleitamento.com que lista o porquê de prejudicarem a saúde do seu filho!


Embora utilizadas pela maioria das crianças, mamadeiras e chupetas podem causar inúmeros danos e serem transmissores de germes e vermes. Por isto, uma série de recomendações e normas estão sendo criadas para desencorajar o uso e controlar a publicidade destes produtos, até então inocentes símbolos da infância.

 O passo 9 para o sucesso do Aleitamento Materno adotado pela Iniciativa Hospital Amigo da Criança da OMS/UNICEF estabelece que não deve ser dado ao lactente chuquinhas ou chupetas mesmo sendo ortodônticas. O uso de bicos artificiais leva ao fenômeno "confusão de bicos", isto é, uma forma errônea de recém nascido posicionar a língua e sugar o seio, levando-o ao desmame precoce. O recém nascido (RN) nasce com o reflexo de sugar e deglutir que permite, quando bem posicionado por sua mãe, à uma pega correta dos seios, ou seja, envolvendo o mamilo e a aréola. Numa boa pega, a língua fica por baixo (no assoalho da cavidade oral) para pressionar o osso de palato, formando um movimento peristáltico, ritmado, como uma onda. Desta forma ele consegue ordenhar os ductos ou ampolas lactíferas, esvaziando os seios e satisfazendo-se. Na posição errada (má pega) o RN só abocanha o mamilo, não conseguindo esvaziar os seios, causando dor, fissuras, tensão materna, fome, choro e insatisfação do bebê.
Na mamadeira ou na chuquinha, o RN empurra a ponta da língua contra o palato para deter o fluxo do leite artificial, da água ou do soro glicosado (que são dispensáveis) e não suga, mas apenas engole passivamente o alimento.
Um estudo realizado no Rio Grande do Sul e publicado internacionalmente constata que o risco de um lactente ser desmamado era maior para os usuários dos bicos artificiais e chupetas do que para os não usuários. Além do bebê ficar viciado com uma pega inadequada, o fato dele sugar menos o peito, faz com que a sua mãe produza menos leite.
Os recém nascidos que usam chupetas geralmente sofrem de Moniliase Oral (Candidíase ou o famoso "sapinho") e as chuquinhas ou mamadeiras são veículos de contaminação, porque os líquidos ou leites artificiais podem ser preparados de forma não higiênica e atrapalham a proteção imunológica fornecido pelo Leite Materno.

 CÁRIE DE MAMADEIRA
No Brasil, 11,7% das crianças até 2 anos têm a chamada cárie de mamadeira. Segundo a odontopediatra Marcia Eduardo, especializada em tratamento de bebês, a cárie é uma doença contagiosa que pode ser passada de mãe para filho. Beijar o bebê na boca, soprar seu alimento ou limpar a chupeta com a própria saliva são hábitos pouco higiênicos, mas ainda muito comuns, que transmitem a bactéria da cárie.

 CHUPETAS SÃO "CALA A BOCA"

Nos EUA as chupetas recebem o sugestivo nome de "pacifiers", que significa "pacificadores", ou "me deixa em paz". O lactente no seu primeiro ano de vida está na fase oral do seu desenvolvimento psico-sexual e a Amamentação em livre demanda (sem horários) é capaz de suprir por si só esta necessidade de sugar, a chamada "sucção não nutritiva".
os dentes do seu filho vão ficar assim!! Bonito? saudável?
 AMAMENTAÇÃO EVITA HÁBITOS ORAIS VICIOSOS
Esta é uma das conclusões da tese de mestrado "Aleitamento, hábitos orais deletérios e má-oclusões: existe uma associação ?" da professora Júnia Maria Chein Serra Negra, de Odontopediatria da Universidade Federal de Minas Gerais. Ela investigou práticas orais de 357 crianças de 3 a 5 anos, em 4 escolas de classes sociais diferentes de Belo Horizonte, constatando a hipótese de que os lactentes que não foram aleitadas ao seio, ou o foram por curto período, desenvolvem hábitos orais viciosos.
A chupeta foi o mal hábito que mais prevaleceu, chegando a 75% dos casos. Ao mesmo tempo, 62% das crianças com respiração bucal tomaram mamadeiras por mais de 1 ano e as crianças com maus hábitos orais apresentaram 4 vezes mais a chance de desenvolver a mordida cruzada. A pesquisadora lembra ainda que, ao nascer, o recém nato tem o queixo pouco desenvolvido, (retrognatismo fisiológico) exatamente para facilitar o encaixe de sua boca no seio da mãe e que o forte movimento de sucção ao seio vai estimular o crescimento dessa estrutura, projetando-a para frente. Além disso, a amamentação implica na sincronicidade dos movimentos de sucção, deglutição e respiração, auxiliando a coordenação da respiração evitando o hábito da respiração bucal, que favorece a instalação de alergias e amigdalites.
A maior incidência de hábitos viciosos foi registrada no grupo de filhos caçulas. Segundo a professora, isto acontece pelo estímulo que recebem para manterem um comportamento infantilizado.
A Dra. Gabriela Dorothy de Carvalho, especialista em cirurgia buco-maxilo-facial e diretora do Centro de Estudos Avançados em Odontologia e Fonoaudiologia afirma que a Amamentação é a: - prevenção da "Síndrome do Respirador Bucal"; - profilaxia das patologias do aparelho respiratório; - forma de evitar a deglutição atípica; - prevenção da mal-oclusão; - profilaxia das disfunções crâneo-mandibulares; - e a melhor maneira de prevenir as dificuldades da fonação.
Excepcionalmente, quando por alguma razão médica o bebê não pode ser amamentado ou sua mãe aleitar, utilizamos copinhos ou xícaras para a administração de leite materno ordenhado.

 VEÍCULO DE TRANSMISSÃO DE ENTEROPARASITOS E COLIFORMES FECAIS
Acaba de ser publicado mais um trabalho científico (Pedroso & Siqueira, 1997) que descobriu cistos de protozoários, larvas de helmintos em chupetas. Ovos de Ascaris lumbricóides, Enterobius vermiculares, Trichuris trichiura, Taenia sp e larvas deAncylostomatídae foram encontrados em 11,63% das chupetas examinadas. Neste artigo os autores afirmam que as mães não tem conhecimento da importância da higienização e do papel que as chupetas desempenham como disseminadoras de infecções. Observam também o percentual elevado de sua utilização (na faixa etária de 4 e 5 anos são utilizados por 50 % das crianças estudadas).
Já havia relatos que a utilização de chupetas aumentam o risco de Otite Média Aguda (Niemela et cols., 1995), de episódios diarréicos infecciosos (Laborde et cols., 1993), de má oclusão dentária (Niemela et cols., 1994) e de contaminação de coliformes fecais em 49% das chupetas examinadas (Tomasi E et al, 1992) o que mais uma vez reafirma a necessidade de abolirmos seu uso.

 INMETRO REPROVA CHUPETAS
Análises laboratoriais realizadas em abril de 1996, pelo Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial indicam que estes produtos estão oferecendo riscos ao consumidor mais vulnerável. Uma dezena de marcas foram testadas em vários itens como: embalagem, material, construção e ensaios físicos (tração e fervura) e o resultado é que apenas uma marca teve aprovação em todos os quesitos. O Ministério da Indústria e Comércio junto com o Ministério da Saúde estão criando um regulamento de Certificação de Chupetas.
"Norma Brasileira de Comercialização de Alimentos para Lactentes" (CNS, 1992) deixa bem claro que os rótulos de mamadeiras, bicos e chupetas devem conter a seguinte mensagem:
"A criança amamentada ao seio não necessita de mamadeira e de bico".
 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
  • Newman J. : "Breastfeeding problems associated with the early introduction of bottles and pacifiers" J of Human Lactation 6 (2): 59-63, 1990.
  • Victora CG, Tomasi E, Olinta MTA, Barros, FC: "Use of pacifiers and breastfeeding duration" The Lancet, 341: 404-406, 1993.
  • Tomasi E, Victora CG, Olinto MT et al.: "Uso de chupetas em crianças: padrões de uso, contaminação e associação com diarréia". II Congresso Brasileiro de Epidemiologia. Programa e resumos. BH, 1992: 173.
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Prof. Marcus Renato de Carvalho - IBFAN Rio
Departamento de Pediatria da Faculdade de Medicina da UFRJ
Diretor da Clínica Interdisciplinar de Apoio a Amamentação

Autor: Dr. Marcus Renato de Carvalho
Data: 15/9/2003



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