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terça-feira, 20 de março de 2012

Voz materna acalma coração de bebês prematuros


Após o nascimento dos filhos gêmeos e prematuros, um cientista americano, sem querer, descobriu a possibilidade de evitar problemas cardiorrespiratórios dos bebês da forma mais simples: gravando a voz da mãe para os bebês ouvirem. É não é que deu certo?

Bruna Menegueço

 Shutterstock

Se você clicou nesta reportagem esperando ler mais uma pesquisa, prepare-se para descobrir também uma linda história. Há quase cinco anos, o neurocientista americano Amir Lahav se tornou pai de gêmeos prematuros nascidos com 25 semanas. Os bebês pesavam pouco mais de 500 gramas cada um. 

O nascimento dos filhos mudou não só a vida de Lahav, mas também os rumos de sua pesquisa. O cientista, que estava acostumado a trabalhar com adultos, deixou seu instinto paterno falar mais alto e procurou o chefe da Unidade de Terapia Intensiva do Hospital Brigham, em Boston, nos Estados Unidos, onde os bebês estavam internados. Perguntou a ele se poderia colocar uma gravação com a voz de sua esposa perto das crianças. A expectativa de Lahav era que o tom suave da voz da mãe melhorasse o desenvolvimento dos bebês, e o chefe concordou com a proposta. 

Em seu computador, Lahav gravou a voz de sua esposa. Na mensagem, ela pedia para seus filhos lutarem para sobreviver e serem fortes. O pai também incluiu algumasmúsicas tocadas no piano em um ritmo bem suave, imaginando que isso poderia ajudá-los a relaxar. Ele ainda modificou o som para que se assemelhasse o máximo possível aos ruídos que os bebês ouviam dentro do útero. “Nós ouvimos as ondas sonoras através do ar, os bebês estão mergulhados no líquido amniótico e ouvem o som de forma fluida, como se estivessem vivendo dentro de um caixa de som cheia de vibrações”, contou Lahav em entrevista à revista Time. 

Os gêmeos pareciam gostar das gravações e os médicos e enfermeiros da UTI ficaram intrigados. Além disso, a iniciativa se mostrou terapêutica para Lahav e sua esposa. “Não foi um ensaio clínico controlado, foi apenas um pai louco tentando fazer alguma coisa pelos seus filhos. Porque, especialmente no caso de bebês prematuros, você se sente muito impotente”, confessou Lahav à publicação. 

Após os gêmeos deixarem o hospital, o cientista foi até lá para agradecer ao chefe da UTI que o deixou fazer o experimento. O que era para ser apenas um bate-papo informal se tornou uma conversa séria sobre prematuridade e medicina neonatal. Atualmente, o objetivo dos médicos vai muito além de cuidar para que esses bebês sobrevivam. Eles buscam ajudar essas crianças a crescerem saudáveis, já que estudos têm mostrado que prematuros têm um risco maior de baixo QI e podem desenvolver doenças crônicas na vida adulta. Será que mantê-los próximos aos sons reconfortantes da voz da mãe ajudaria a diminuir a incidência desses efeitos adversos? Essa era a pergunta que Lahav gostaria de responder. 

Como parte de um acordo, o hospital construiu o primeiro estúdio de gravação profissional dentro de uma UTI do mundo. Em seguida, os cientistas começaram um estudo com 14 bebês nascidos entre 26 e 32 semanas para descobrir se eles poderiam ser beneficiados com o som da voz materna. Eles ouviam em quatro períodos do dia a gravação da voz da mãe falando, lendo ou cantando. E, para surpresa de Lahav, sim, aqueles que ouviram a voz da mãe se mostraram menos propensos a terem paradas respiratórias ou problemas cardíacos. 

Outro ponto da pesquisa foi analisar por que muitos bebês prematuros nascidos sem nenhuma lesão cerebral diagnosticada têm risco de dificuldade de aprendizagem ou problemas cognitivos e sociais durante a vida. Para Lahav, a exposição desses recém-nascidos a sons de máquinas e ruídos estranhos de uma UTI tão precocemente poderia levar a problemas comportamentais no futuro. E novamente, a voz da mãe fez diferença, em especial para bebês com mais de 33 semanas, que já processam melhor os sons. A explicação seria que ela é capaz de reduzir a liberação dos níveis de cortisol, o hormônio do estresse, da criança. 

É nesse ponto que o psicobiólogo Ricardo Monezi, pesquisador do Instituto de Medicina Comportamental da Unifesp concorda com o cientista. “A voz da mãe é a primeira música que a criança ouve, é quase um mantra e, como tal, tem plena capacidade de acalmar. Dentro do útero, o som é percebido pelo corpo todo através das vibrações, assim como uma pedra que atinge a água e gera movimentos contínuos. O mesmo acontece com o bebê prematuro na UTI ao ouvir a voz da mãe. Os benefícios atingem o corpo todo”, diz. 

O próximo desafio do cientista é iniciar um estudo rigoroso com mais de 100 bebês nascidos antes de 32 semanas. Eles serão divididos e apenas metade vai receber as gravações com a voz materna. Mais vale um alerta. Por mais tentador que isso possa parecer, Lahav desaconselha que esse procedimento com o gravador seja feito em casa, por causa do ajuste do volume do som. Agora, você mesma conversar com o seu filho sempre será um bem enorme para ele – na barriga ou nos seus braços. Aproveite esse momento!

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Noticia: Cresce número de bebês nascidos com baixo peso no país

É bom marcar o dia para seu filho nascer, não acham? Sem comentários...






ESTELITA HASS CARAZZAI
DE CURITIBA



Na contramão da melhoria dos indicadores de saúde de recém-nascidos, o índice de bebês com baixo peso ao nascer vem aumentando no Brasil nos últimos anos.
Dados preliminares do Ministério da Saúde tabulados pelaFolha mostram que, no ano passado, o índice de bebês nascidos com menos de 2,5 kg foi de 8,4%.
Há dez anos, era de 7,9% --o ideal, para a OMS (Organização Mundial da Saúde), é abaixo de 5%.
O valor é puxado por Estados mais desenvolvidos, como Minas Gerais, Rio Grande do Sul e São Paulo, onde o índice chega a 9,5%.
Nesses locais, há uma porcentagem maior de cesáreas --o que, dizem os médicos, é a principal explicação para o fenômeno.
"A cesariana programada faz a criança nascer antes do tempo ideal, com peso baixo", diz Renato Procianoy, presidente do departamento de neonatologia da Sociedade Brasileira de Pediatria.
Para o Ministério da Saúde, o aumento é "progressivo e preocupante". "Estamos criando uma geração de baixo peso, que terá muito mais chance de ter obesidade, diabetes e hipertensão", afirma Helvécio Magalhães, secretário de Atenção à Saúde.
O baixo peso ao nascer traz risco de doenças crônicas e reduz a expectativa de vida.
"Não adianta colocar na UTI neonatal. Ela dá uma falsa segurança de que vai dar conta da saúde do bebê, o que não é verdade", afirma o epidemiologista e coordenador da Pastoral da Criança, Nelson Arns Neumann.
Magalhães ressalta ainda que a UTI tem alto custo e aumenta o risco de infecções.
O governo quer estimular o parto normal e diz estar investindo no atendimento à gestante pela Rede Cegonha, programa lançado em março para ampliar a assistência a mães e bebês na rede pública de saúde.

terça-feira, 11 de outubro de 2011

PREMATUROS: MITOS E VERDADES



Veja aqui 15 afirmações comuns sobre a saúde dos nossos prematurinhos e confira se elas são verdadeiras ou falsas!

1. Todo prematuro é igual

Mito. Existem prematuros tardios e extremamente prematuros (que nascem com menos de 32 semanas). Segundo Victor Nudelman, neonatologista do hospital Albert Einstein, é possível cuidar de bebês a partir de 25 semanas, com peso próximo a 500 gramas. “A ansiedade da mãe de um bebê assim é diferente da mãe de um bebê de 34 semanas. Dependendo do grau de imaturidade, os bebês terão tempos e dificuldades completamente diferentes”, diz.
  
2. Bebês de 35 semanas são prematuros
Verdade. “Crianças que nascem antes de 37/38 semanas, por definição, são prematuros”, afirma a pediatra Heloisa Ionemoto, do Hospital Infantil Sabará.


3. A mãe não pode segurar o bebê prematuro

Mito. Segundo os médicos, as mães devem segurá-lo no colo, desde que com cuidado e sempre orientada pela equipe médica, como ressalta Jorge Huberman, neonatologista do Hospital Albert Einstein. A pediatra Heloisa lembra que há programas como o “Projeto Canguru”, no qual o contato físico entre pai/mãe e bebê prematuro ajuda no desenvolvimento. Mas vale lembrar que a incubadora é importante para manter o pequeno sempre aquecido.


4. O prematuro precisa passar mais de um mês no hospital
Depende. O risco de mortalidade e doenças específicas está inversamente relacionado à idade gestacional. “Quanto menor a idade gestacional, maior a chance de complicações. Os prematuros com mais de 34 semanas, de um modo geral, se saem muito bem, já os menores enfrentam mais dificuldades. Desta forma, estes bebês precisam de cuidados especiais que podem durar poucos dias a alguns meses, com necessidade de internação hospitalar”, esclarece Maria Otília Bianchi, neonatologista da UNICAMP.


5. Os órgãos do prematuro não estão prontos
Verdade. Principalmente os pulmões, uma vez que ele fazia a troca de ar por meio da placenta. Por isso é muito comum ele apresentar dificuldades respiratórias, o que requer ajuda para assegurar os níveis adequados de oxigênio. Nudelman alerta para a necessidade de aparelhos que forneçam alguma pressão positiva para o ar entrar e medicações que mantenham o pulmão, ainda imaturo, mais aberto.


6. O prematuro não pode ser amamentado
Mito. Ele deve ser amamentado, porém não consegue sugar, por isso, a alimentação pode ocorrer por meio de sondas. De acordo com Maria Otília, o ideal é alimentar o bebê com leite materno ordenhado, mas pode ser necessário o uso de nutrição endovenosa. “Mesmos os prematuros maiores são sonolentos, sugam vagarosamente e não ganham peso”, explica.


7. Quanto menos aparelhos ligados no bebê, melhor ele está
Verdade. Isso significa que o corpo já consegue se manter aquecido sem a necessidade da incubadora, os pulmões estão suficientemente desenvolvidos para garantir o ar necessário, ele já consegue sugar e se alimentar sem ajuda de sondas.


8. Prematuros terão problemas para o resto da vida
Mito, embora prematuros extremos tenham mais chances de apresentar alguma complicação. “Casos graves, como falta de oxigênio ao nascer, por exemplo, podem deixar sequelas e por isso precisarão de acompanhamento prolongado”, aconselha Heloisa.


9. O prematuro não pode fazer todos os exames
Mito. Huberman afirma que o acompanhamento clínico e laboratorial, além de exames de imagem para verificar o crescimento e desenvolvimento do bebê são primordiais. A prevenção de doenças acontece graças à extensa bateria de exames.


10. Ele é mais vulnerável a doenças
Verdade. Principalmente as respiratórias.


11. As vacinas do prematuro são as mesmas do calendário nacional de vacinação
Verdade***. “Mas o pediatra pode orientar de forma diferente, caso haja necessidade”, cita Huberman.


12. É impossível evitar a prematuridade
Mito. “Com um pré-natal precoce e muito bem feito, é possível detectar os indícios da prematuridade”, diz Huberman. As causas mais comuns do parto prematuro são hipertensão arterial, ruptura precoce das membranas amnióticas e infecções.


13. O desenvolvimento neurológico do bebê prematuro é diferente
Verdade. “Os prematuros ganham um descontinho, visto que consideramos a data provável para 40 semanas para avaliar as novas conquistas. Por exemplo, um bebê que nasce de 31 semanas ao completar quatro meses deve fazer o mesmo que um bebê não prematuro que completou dois meses”, conta Maria Otília. Porém, este “desconto” acaba quando se completa dois anos. A mesma regra é utilizada para peso e estatura, o que significa que ele tem um tempo a mais para buscar o que perdeu por nascer antes.


14. Os cuidados médicos devem ser diferenciados
Verdade. Heloisa aponta para a necessidade de assistência médica diferenciada e equipe multidisciplinar, principalmente para os nascidos com menos de 30 semanas. “No futuro, o pediatra poderá indicar outros profissionais, como fisioterapeutas e fonoaudiólogos, se necessário”, acrescenta Huberman.


15. O bebê prematuro precisa viver numa redoma de vidro
Mito. Após os cuidados extremos no hospital – e o ganho de peso e maturidade necessários para ir para a casa – os médicos sugerem que a família leve vida normal, sempre que possível: passeios, aleitamento materno exclusivo, contato com o mundo exterior, inclusive com outras crianças. “Manter as vacinas em dia, alimentação saudável e evitar o contato com pessoas doentes bastam”, diz Maria Otília.

Fonte: Por: Cáren Nakashima e Livia Valim em http://psicopedagogiabh.blogspot.com/ (link: http://psicopedagogiabh.blogspot.com/search/label/Beb%C3%AAs%20Prematuros)

*** Observação importante! Em relação a Hepatite B: os prematuros devem tomar 4 doses, e não somente 3, pois deve-se desconsiderar a primeira dada ainda no hospital. Leia o que diz nossa página "Vacinação" sobre essas peculiaridades...

Por Denise L. Suguitani Centeno
FONTE: http://www.prematuridade.com/2011/08/mitos-e-verdades-sobre-bebes-prematuros.html?spref=fb
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