As minhas histórias de cesárea e de parto A"normal" contadas por muitas mulheres que sofreram violência obstétrica, terrorismo puro.... Assistam, assistam, divulguem, comentem!!!
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domingo, 25 de novembro de 2012
sábado, 31 de dezembro de 2011
Analgesia Epidural - por Priscila Rezende Doula
Em sua caminhada para o parto normal, as mulheres sabem que podem contar
com a analgesia no momento em que a dor das contrações do útero no parto se
tornarem insuportaveis. Quando o cansaço ocasionado por horas e mais horas de
trabalho de parto as impede de ter uma experiência de parto tranquila ou mesmo
passa torna a cesariana uma opção, a analgesia se torna uma grande aliada,
evitando uma intervenção cirúrgica.
Eu costumo dizer que analgesia de parto boa mesmo é a presença da doula,
que vai sempre te encorajar e te avisar quando o momento da expulsão do bebê
estiver finalmente se aproximando, para que a parturiente não se submeta à
analgesia nos minutos finais. Além disso, eu acredito que a presença de um
acompanhante conhecido na hora do parto ajude a mulher a se sentir mais
confortável e, consequentemente, a sentir menos dor. A presença do amor nesse
momento é uma ótima analgesia: abraçar e beijar o marido, além de tornar as
contrações eficazes por conta da liberação de altas doses de ocitocina natural,
afasta a adrenalina, o hormônio do estresse. Fatores como o ambiente
hospitalar, ar condicionado, luzes ofuscantes, exames de toque excessivos fazem
com que a mulher entre no ciclo de tensão-medo-dor, portanto, precisamos de
alguém do nosso lado para nos trazer de volta ao clima de harmonia, ajuda a nos
concentarmos e relaxarmos.
E se, mesmo com tudo isso, eu precisar de analgesia?
Saiba que ela não é livre de riscos para você e para o seu bebê!
Encontrei essa lista de vantagens e desvantagens em um site americano, vou
traduzir para vocês:
Quais são as vantagens da anestesia epidural?
·
Permite descansar se o trabalho de parto é prolongado
·
Aliviar o desconforto do parto pode ajudar algumas mulheres a terem uma
experiência de parto mais positiva
·
Quando a epidural é administrada de forma correta, ela permite que você
permaneça alerta e continue participando ativamente do nascimento do seu filho
·
Se você precisar de uma cesariana, a epidural te permite ficar acordada
e também te proporciona um alívio efetivo da dor durante a recuperação
·
Quando todos os outros métodos de alívio da dor não estão ajudando mais,
a epidural pode ser o que você precisa para continuar trabalhando o seu parto
apesar da exaustão, irritabilidade e fadiga. A epidural te permite descansar,
relaxar, se concentrar e te dá forças para seguir em frente como um
participante ativo da sua experiência de parto
·
O uso da anestesia epidural durante o parto está sendo continuamente
aperfeiçoado e muito do seu sucesso depende do cuidado com que é administrado.
Quais são as desvantagens da anestesia peridural?
·
A analgesia epidural pode fazer com que sua pressão arteria caia de
repente. Por esta razão, a sua pressão arterial será verificada rotineiramente
para se certificar de que há fluxo de sangue adequado para o seu bebê. Se isso
acontecer, talvez você tenha que ser tratada com fluídos intravenosos,
medicamentos e oxigênio
·
Você pode ter uma dor de cabeça severa causada por vazamento de fluído
espinhal. Menos de 1% das mulheres sofrem esse efeito colateral do uso da
epidural. Se os sintomas persistirem, o tratamento é feito com uma injeção de
sangue no espaço peridural, que alivia a dor de cabeça.
·
Depois que analgesia é aplicada, você terá que se deitar alternadamente
de um lado e do outro e ter monitoramente contínuo para verificar os
baticamentos cardíacos do seu bebê. ficar deitada em uma posição pode
desacelerar o trabalho de parto ou até mesmo pará-lo.
·
Você pode ter os seguintes efeitos colaterais: tremores, zumbidos nos
ouvidos, dores na lombar, dor onde a agulha é inserida, nauseas ou dificuldade
pra urinar
·
Com a epidural, você pode não sentir os puxos involuntários, e aí terá
que fazer força sendo dirigida pelo médico para conseguir expulsar o bebê, caso
você tenha essa dificuldade, o médico provavelmente terá que administrar
ocitocina sintética, usar o fórceps ou vácuo extrator e até mesmo ter que
realizar uma cesariana
·
Durante algumas horas após o parto, você poderá sentir a parte inferior
do corpo dormente e não poderá andar sem ajuda
·
Em casos raros, poderá ter danos permanentes no nervo onde o catéter foi
introduzido
·
A maioria dos estudos sugere que os bebês terão dificuldades com
amamentação e outros estudos sugerem que o bebê pode sofrer de depressão
respiratório, ficar mal posicionado e ter sua frequencia cardíaca variando e
tudo isso, como dito anteriormente, culmina na necessidade do uso de fórceps,
vácuo extrator, cesariana e episiotomia.
Muitas mulheres que não têm o acompanhamento de uma doula acabam pedindo
analgesia no momento em que acreditam não aguentar mais e, coincidentemente,
esse é o momento em que o bebê está quase nascendo, é uma situação muito comum
a parturiente ter a analgesia aplicada e parir alguns minutos depois e acabar
perdendo a oportunidade de passar pela experiência de sentir o bebê passando
pelo canal de parto, o bebê coroando e sentir o famoso círculo de fogo. Eu
costumo perguntar para as mães que eu conheço ou acompanho o que doeu mais: a
passagem do bebê ou as contrações do trabalho de parto e elas sempre respondem
que a dor que elas sentiram na passagem do bebê foi muito menor do que as dores
das contrações que aconteceram antes.
Eu acredito que, quando a gente opta pelo parto normal, estamos tomando
para nós o parto, nós é que determinaremos o ritmo, trabalhando junto com o
bebê e com o nosso corpo e, quando optamos pela analgesia, o ritmo muda e pode
ter que ser ditado apenas pelo médico, se ele for um profissional treinado para
acompanhar os partos de forma humanizada, isso poderá não ser desrespeitoso,
mas sabemos que esses profissionais compõe a minoria.
sexta-feira, 9 de dezembro de 2011
O Lado Negro do Parto - Parte 3
CONTINUANDO A SÉRIE DE TEXTOS DA DOULA ADÈLE VALARINE!
Tudo aquilo que ninguém te contará sobre o processo.
"Para aqueles que escolheram a pílula vermelha..."
Texto publicado no Blog Opus Daimon
A geração peridural
Imagens de mulheres em trabalho de parto, em hospitais americanos dos anos 20, 30 e 40 mostram mulheres sedadas no chamado Twilight Sleep: eram administradas catecolaminas e anticonvulsivos, um coquetel de drogas que "apagava" a consciência da mulher, deixando-a em estado animal, completamente descontrolada, e sem nenhuma memória do evento. Geralmente, as mulheres eram amarradas, imobilizadas e até mesmo vendadas, para controlar seus impulsos violentos e impedir que se machucassem ou atacassem alguém. Dessa época datam os relatos de mulheres insultando os médicos, tentando arrancar-lhes os olhos com as mãos, arranhá-los e mordê-los.
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| Twilight Sleep em hospitais americanos - anos 20 e 30 |
Os familiares da mulher, que permaneciam do lado de fora da sala de parto, sequer imaginavam que lá dentro estava acontecendo um bad-tripgigantesco, e acreditavam que era o parto que fazia isso com a mulher. Aquela imagem caricata, do pai fumando, desesperado, um charuto atrás do outro, na sala de espera, ouvindo os gritos de sua mulher através da porta, e rezando para aquilo tudo acabar logo, parece dolorosamente próxima da realidade da época, que se estendeu até o final dos anos cinquenta.
As crianças nascidas dessa maneira cresceram para formar as gerações dos anos sessenta e setenta, gerações conhecidas por sua incessante busca por estados alterados de consciência, e por um profundo mal-estar e insatisfação com a realidade.
Nos anos 70, graças ao movimento hippie, uma leva de mulheres da nova geração começou a revindicar seu parto de volta. Não mais queriam a ausência de dor e de memória, não mais queriam passar por manipulações sem serem consultadas: queriam viver a experiência do parto plenamente, conscientemente. Não queriam perderseu parto.
As parteiras tradicionais, que lutavam para sobreviver em uma cultura que havia migrado para o ambiente hospitalar, lentamente voltaram a cobrar forças, e o movimento pelo parto domiciliar se iniciou, para o grande desconforto da classe médica, motivado pela insatisfação das mulheres com o atendimento médico oferecido nos hospitais até então. Fazia-se mister o lançamento de alguma estratégia que bloqueasse esse movimento de diáspora hospitalar e trouxesse as mulheres de volta.
O desenvolvimento do ultrassom e da anestesia peridural, no início dos anos oitenta, foi essa tentativa. E deu muito certo! Com as novas possibilidades que a tecnologia oferecia, como ver o bebê ainda dentro da barriga, e também estar consciente na hora do parto sem sentir dor alguma, aliadas à promessa de segurança em caso de emergência, as mulheres voltaram voando para o hospital!
E então, os anos oitenta foram o marco inicial do desenvolvimento dageração peridural, essa turminha que nasceu nas mãos da modernidade tecnológica, com mamãe acordada, sorridente e insensível às sensações do trabalho de trazer seu filho ao mundo.
Assim como o ultrassom, a peridural foi publicisada como o must-have do parto. Em pouco tempo, alastrou-se a idéia de que era impossível aguentar um parto sem peridural, só mesmo uma masoquista para tentar, e foram, mais uma vez, omitidos os efeitos colaterais que essa intervenção acarreta.
| Peridural |
Uma vez aplicada a anestesia peridural, a mulher vai perdendo as sensações do peito para baixo. Dependendo da quantidade de medicamento injetado, ela perde totalmente o controle dos músculos das pernas e da barriga, sendo assim impossível ajudar seu bebê a nascer com movimentos e com a ajuda da gravidade e da força muscular. A mulher não consegue mais parir. Quem tem de ir lá e tirar o bebê é o médico. A anestesia peridural aumenta a necessidade de fórceps e vácuo extrator no parto. Ambos são instrumentos de extração do feto, ou seja, servem para "arrancar o bebê do abrigo materno" (isso é uma tradução direta de uma expressão em francês). O uso desses instrumentos exige que se façam também outras intervenções, como a episiotomia (corte na vagina para alargar o canal do parto).
O bebê também recebe a anestesia peridural: a placenta não é capaz de bloquear a droga, como muitos acreditam. O bebê fica "grogue", perde a força e a coordenação dos músculos, assim como sua mãe. Porém, como seu fígado ainda não está maduro, seu organismo não consegue processar a toxina e liberá-la tão facilmente como o organismo adulto:enquanto a mamãe recupera da anestesia em 3 horas, em média, o bebê pode continuar bem anestesiado por 8 horas ou mais. Isso interfere bastante no trabalho de parto pois, para quem não sabia, a maior parte do trabalho de parto, quem faz é o bebê! Ele se estica, gira para lá e para cá, apóia a cabeça no colo do útero e empurra com força. É isso que faz a dilatação acontecer. As contrações servem para ajudar ele a se mexer lá dentro e empurrar. Quando a mulher faz força, ela também está ajudando o bebê a empurrar com a cabeça.
| Rotação do bebê |
| Breastcrawl |
O parto com peridural é um parto onde mãe e bebê permanecem passivos, anestesiados (numb). Em alguns casos, eles se esforçam, até muitíssimo, para fazer o parto acontecer, porém nem sempre são capazes, pela falta de controle de seus corpos, causada pela peridural. Aação interveniente do médico, para guiar e puxar o bebê de um lado, enquanto outro médico aperta a barriga da mãe para simular a força que ela não consegue fazer do outro, é essencial para o bom andamento do parto com anestesia peridural. Depois disso, o bebê tampouco consegue ser ativo para alimentar-se, sendo muitas vezes alimentado quase à força na maternidade (por sonda, mamadeira ou copinho).
Essa apatía anestesiada (numbness), essa sensação de incapacidade de fazer as coisas acontecerem por si mesmo, vira o primeiro imprintdaquele ser humano, sua marca psíquica primordial, fundamental, aquilo que ele procurará inconscientemente reproduzir ao longo de toda sua existência.
Vivemos hoje uma época em que as drogas mais usadas são aquelas que produzem um efeito similar ao da anestesia peridural: uma progressiva falta de controle muscular, associada a uma sonolência (numbness) mental. Álcool, maconha, derivados do ópio, assim como drogas farmacológicas de popularidade mais recente, como o prozac e sua família, produzem no indivíduo um efeito de letargia, como estar "dentro de uma nuvem de algodão", que se assemelha ao efeito da peridural no organismo do bebê.
É possível perguntar-nos se, realmente, um não tem nada a ver com o outro, ou se estamos criando, de maneira serial, gerações de pessoas programadas para procurar a satisfação em um estado artificial de letargia narcótica, assim como descreveu Huxley em seu Admirável Mundo Novo.
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