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domingo, 14 de junho de 2015

Fisiologia do Parto

No último encontro de gestantes, falamos sobre a Fisiologia do Parto. O tema foi conduzido pela enfermeira obstetra e também doula, Adriana de Lima Mello. Para quem não pode comparecer ou quer relembrar um pouquinho do que foi discutido, segue um resumo feito por ela com carinho para você!!

Fisiologia do Parto

por Adriana de Lima Mello
 Enfermeira Obstetra, Doula e Educadora Perinatal

O parto é um processo involuntário conduzido por partes “arcaicas” do cérebro portanto, quando uma mulher está em trabalho de parto, a parte mais ativa de seu corpo é o cérebro - primitivo, o sistema límbico: hipotálamo e a hipófise, que nós compartilhamos com todos os mamíferos. O neocórtex (parte racional de nosso cérebro) é quem é capaz de nos inibir durante este processo.

Para parir a mulher libera um coquetel de hormônios; ocitocinaresponsável pela contração uterina e ejeção de leite - HORMÔNIO DO AMOR; endorfinas responsáveis pela diminuição da sensação dolorosa; prolactina; responsável pela produção de leite; ACTH (hormônio adreno - corticotrófico) em reposta aos hormônios que o feto libera, mostrando que está pronto e desencadeando as ações hormonais do corpo materno;prostaglandinas que preparam o colo uterino e o útero para responder a ocitocina com a dilatação.

Qualquer situação que estimule a produção de hormônios da família da adrenalina, estimula a atividade do neocórtex e pode inibir o processo do parto. O que pode desencadear a produção de adrenalina?? Frio, mau humor, medo, auto piedade, conflitos situacionais, dúvidas e inseguranças, distrações, falta de privacidade, vergonha, excesso de toques, expectativas, internação precoce, preocupações, conversas excessivas (incluindo perguntas), ambiente muito iluminado, barulhento.

Podem existir dois ciclos rondando este processo de trabalho de parto e parto: 

NEGATIVO – Medo – Dor – Tensão
POSITIVO – Aceitar – Aproveitar –Relaxar


Portanto a mulher em trabalho de parto necessita do respeito a fisiologia de seu corpo, precisa ser permitida e permitir seu corpo agir. Para isso é necessário: sentir-se protegida, segura e apoiada, confortável, relaxada, estar em um ambiente aconchegante, quente, agradável com penumbra e silêncio, ter privacidade, não sentir-se observada e ter liberdade.

A dilatação e o nascimento acontecem em diversas fases e forma progressiva, é comum mulheres terem contrações que podem se manter durante horas e depois passar, podem ser incômodas ou tão fracas que você pode continuar fazendo as atividades do dia a dia, chamamos isso de “falso trabalho de parto” ou “pródomos de trabalho de parto” O importante neste momento é descansar, se alimentar, segurar a ansiedade, aproveitar os últimos momentos de barrigão e... NÃO ficar triste pois estas contrações são importantes e úteis para: a centralização do colo, o amolecimento do mesmo, a insinuação e descida do bebê na pelve materna , etc.

Podem ocorrer também: perda do tampão mucoso – secreção espessa, consistente com ou sem raias de sangue – pode acontecer no início do TP ou durante o TP. As vezes depois da perda do tampão o trabalho de parto pode demorar alguns dias para ser efetivo; rompimento da bolsa – uma grande ou pequena quantidade líquido escorre pelas pernas, um rompimento cedo da bolsa (fora de trabalho de parto) ocorre em 6 – 19% dos partos a termo ( idade gestacional maior que 37 semanas) e então 70% dessas mulheres darão a luz em até 24h e outras 30% em 48h,importante comunicar o médico e/ou sua parteira; uma dor contínua e maçante na região lombar, que pode ser causada pelas contrações uterinas ou uma diarréia, pois existe uma tendência natural de esvaziar o intestino no período que antecede o início do trabalho de parto.

O trabalho de parto se divide “didaticamente” em duas fases:

FASE LATENTE: dilatação entre 2 a 3 cm; o colo do útero mais afina do que dilata, com duração média de 8 horas em mães de primeira viagem e 5 horas em mães com mais de um parto. As contrações acontecem a cada 20 ou 30 min com duração de 20 a 30 segundos.
O que fazer neste momento?? Conversar com sua doula, obstetra ou parteira, alimentar-se, descansar, passear, enfim...aproveitar e economizar energia para a próxima etapa.

FASE ATIVA: dilatação maior ou igual a 4cm, aumentando progressivamente; o colo do útero mais dilata do que afina; com duração média 6 a 12 horas, as contrações aumentam  progressivamente até que na fase final de dilatação chegam a ter intervalos de um minuto e meio e podem durar cerca de 60 a 90 segundos.
O que fazer na fase ativa do trabalho de parto?? Ter a companhia de sua doula, familiares de seu desejo, estar em um ambiente calmo, familiar, aquecido, aconchegante, tomar uma ducha gostosa, ficar na banheira, dançar, ouvir música, se alimentar, fazer exercícios na bola, caminhar, receber massagens, gritar, enfim... o que você tiver vontade: permita o seu corpo!!!

O parto é dividido “didaticamente“ em 4 períodos:
Dilatação que é trabalho de parto, o expulsivo que inicia-se com 10 cm e presença de vontade de empurrar (puxos) e se entende até saída do bebê; a dequitação que inicia-se após o nascimento do bebê até o término do desprendimento da placenta e o período de Greenberg que é um período de recuperação e contração do útero, para que não aconteça hemorragia, se estende a 1 hora após o término do parto (saída da placenta), momento em que se procede os cuidados como medicações e sutura se necessário. Portanto como podemos ver o parto só termina quando a placenta sai.

A adrenalina que nós queríamos lá no início do trabalho de parto, agora é muito bem vinda pois, têm um papel de interação entre mãe e bebê após o parto e durante as últimas contrações antes do nascimento, seu nível de adrenalina se eleva bruscamente, é por isso que assim que se iniciam os PUXOS as mulheres ficam ALERTAS, tendem a optar pela posição vertical, cheias de energia e com uma súbita necessidade de se agarrar a alguém ou algo. Para o bebê o afluxo de noradrenalina possibilita que se adapte a privação de oxigênio, e que esteja alerta ao seio da Mãe. O bebê ativo abre os olhos e busca o contato com a Mãe, o que libera mais ocitocina, fundamental para os momentos seguintes do processo como dequitação da placenta e amamentação.

O coquetel de hormônios necessário para o nascimento está em nosso corpo e quando protegemos a fisiologia permitindo o corpo atual, percebemos o quão é importante para o nascimento, desenvolvimento do bebê e vínculos afetivos. Atualmente a rotina hospitalar atual é caracteriza por um violência ( frio, luz forte, manuseio grosseiro, isolamento). O bebê é induzido desnecessariamente a um estado estresse, que provoca a liberação de cortisol que pode prejudicar o desenvolvimento cerebral. Em contra partida no processo de nascimento fisiológico a Mãe secreta endorfinas e hoje sabemos que o bebê também, portanto logoapós o parto o cérebro dos dois estão impregnados de opiáceos e dopaminas que induzem dependência e vínculo.

Optar e se preparar para um trabalho de parto e parto ATIVOS e de forma NATURAL é ser respeitada, permitir-se fazer o que tiver vontade; ser instintiva; mudar de posições, entregar-se, assumir posições verticais que ajudam a aumentar a dimensão da pelve, a gravidade ajuda a descida do bebê, rotação interna do bebê e circulação sanguínea útero-placentária. E acima de tudo ter autonomia sobre o seu corpo e ter co-reponsabilidade no processo do nascimento de sua família.

Optar por intervenções é assumir riscos, começando pelo risco de precisar de mais de uma intervenção, o uso de hormônios sintéticos (ocitocina), medicações (anestésicos ou analgésicos) e condições de atendimento e ambiente não adequadas podem interferir e/ou interromper a rede fisiológica hormonal e a sequencia do trabalho de parto e parto. Os hormônios sintéticos causam efeitos físicos em determinadas partes do corpo, mas não comportamentais como os produzidos pelo próprio cérebro. A ocitocina materna atravessa a placenta e entra no cérebro do bebê durante o trabalho de parto, agindo para proteger as células cerebrais fetais “desligando-as” e diminuindo o consumo de oxigênio, em um momento em que os níveis de oxigênio disponíveis para o feto são NATURALMENTE baixos. A ocitocina sintética, porém, não têm a capacidade de ultrapassar a parede placentária portanto, não atingirá o organismo do bebê.

Acredite no seu corpo, dedique-se a você, leia, participe de grupo e busque os melhores profissionais e alternativas para o seu parto. VOCÊ PODE!!!


Bibliografia:

- Parto Ativo - Janet Balaskas. Ed. Ground

- WorkShop: “ Parto como escapar das armadilhas” – Michel Odent.Julho de 2011, São Paulo. Anotações pessoais: Adriana de Lima Mello

- A cientificação do Amor – Michel Odent

- Parto, aborto e puerpério – Ministério da Saúde.

Retirado do blog do Grupo Vinculo

sexta-feira, 12 de junho de 2015

As 50 intervenções desnecessárias durante a gravidez, parto e pós parto !

As 50 Intervenções Desnecessárias durante a gravidez, parto e pós-parto (por Ingrid Lotfi com supervisão técnica de Melania Amorim e Maíra Libertad)


1) Exames pré-natais não incluídos na rotina preconizada pelo Ministério da Saúde do Brasil (os exames recomendados são: grupo sanguíneo e fator Rh, sorologia para sífili...s - VDRL, hemoglobina e hematócrito para rastreamento de anemia, exame de urina tipo I, sorologia para HIV e hepatite B - AgHBs, glicemia de jejum, teste para toxoplasmose-IgM, colpocitologia oncótica se necessário).

2) Exames de efetividade discutível sem prévia discussão com a gestante sobre riscos e benefícios (p.ex. pesquisa de EGB (Estreptococcus do Grupo B)).

3) Prescrição de complexo vitamínico, sem uma indicação clara.

4) Ultrassonografias sem indicação clínica.

5) Dopplerfluxometria em gestação de baixo risco ou sem indicação clínica.

6) Ecodopplercardiografia (exame para avaliar o coração) fetal em gestação de baixo risco ou sem indicação clínica.

7) Cardiotocografia em gestação de baixo risco ou sem indicação clínica.

8) Teste oral de tolerância à glicose (TOTG) em gestação de baixo risco ou sem indicação clínica.

9) Cesariana eletiva sem indicação clínica e/ou sob falsos pretextos (ver lista das "Indicações das desnecesáreas).

10) Exames de toque antes do trabalho de parto, sem indicação clara.

11) Descolamento de membranas antes de 41 semanas de gravidez.

12) Descolamento de membranas sem prévia discussão e autorização da gestante.

13) Restringir a escolha do local de parto.

14) Desencorajar ou proibir o acompanhante/doula no parto da escolha da mulher, ou permitir a entrada de pessoas não autorizadas.

15) Internação precoce.

16) Exames de toque/remoção de rebordo de colo abusivos durante o trabalho de parto e de rotina.

17) Exames de toque/remoção de rebordo SEM o prévio consentimento da gestante.

18) Toque Retal.

19) Jejum, tricotomia (raspagem dos pêlos) e enema (lavagem intestinal).

20) Qualquer restrição à deambulação/liberdade de movimentos.

21) Estabelecer limites rígidos para a duração da fase latente, ativa e do período expulsivo.

22) Atrapalhar o processo fisiológico do parto, desconcentrando a gestante.

23) Monitoração fetal contínua ao invés de intermitente (onde o profissional ausculta o bebê de tempos em tempos com o sonar).

24) Uso rotineiro de soro com ocitocina/indução com misoprostol.

25) Uso rotineiro de analgesia de parto.

26) Oferecer ou insistir na analgesia de parto sem que a mulher a tenha solicitado.

27) Amniotomia de rotina (rompimento da bolsa).

28) Puxos precoces (treinar fazer "a" força, antes que a mulher possa sentir os puxos).

29) Puxos dirigidos ("faça força agora", "força comprida", etc).

30) Manobra de Valsalva (orientar a "trincar os dentes e fazer força").

31) Desestimular a escolha pela mulher da posição/ambiente em que quer parir.

32) Manobra de Kristeller (empurrar o fundo do útero)/pressão de qualquer intensidade no fundo uterino/"só uma ajudinha".

33) Manobra de "divulsão" perineal e/ou massagem perineal sem consentimento da mulher.

34) Episiotomia.

35) Não permitir o nascimento espontâneo.

36) Aplicar fórceps e vácuo de rotina e/ou sem autorização da mulher.

37) Sutura rotineira das lacerações.

38) Revisão instrumental do canal de parto de rotina (fórceps, vácuo extrator).

39) Cesariana intraparto sem indicação precisa e sem caráter de emergência.

40) Ligadura precoce do cordão, sem aguardar parar de pulsar.

41) Entregar um bebê vigoroso ao neonatologista para secar e aquecer, afastando-o da mãe.

42) Aspiração de rotina das vias aéreas do recém-nascido.

43) Passagem de sonda de rotina no recém-nascido, para pesquisar atresia de coanas, atresia de esôfago e ânus imperfurado.

44) Uso rotineiro de Credé (colírio de nitrato de prata).

45) Levar bebês saudáveis para o berçário.

46) Fazer qualquer procedimento com o RN sem consultar e obter autorização dos pais.

47) Não permitir o delivramento (saída da placenta) espontâneo.

48) Revisão manual da cavidade uterina de rotina, mesmo em casos de cesárea anterior.

49) Oferecer bicos, chupetas, mamadeiras, com leite artificial para o recém-nascido.

50) Aplicar vacinas sem o consentimento e autorização dos pais.

quinta-feira, 28 de agosto de 2014

DICAS DE LEITURAS

Este Post de hoje é para dar dicas de leituras sobre gestação, partos, nascer e afins:

Memorias do Homem de Vidro - Reminiscências de um Obstetra Humanista -  Ricardo Jones - O obstetra mostra no livro um modelo de médicos em colaboração com parteiras, enfermeiras e doulas, apoiando as mulheres enquanto estas reivindicam para si o poder e a majestade do parto.

Entre as orelhas - Histórias de Parto - Ricardo Jones - " O parto e seus mistérios se escondem ao olhar superficial, à analise tímida e ao investigador amedrontado."

Parto Normal ou Cesárea? O que toda mulher deve saber (e homem também) - Simone G. Diniz e Ana C. Duarte. Guia prático para usuários que expõe as evidências científicas e as opções para o atendimento ao parto.

Parto com Amor - Em casa, com parteira, na água, no hospital: Histórias de nove mulheres que vivenciaram o parto humanizado / Luciana Benatti e Marcelo Min - Relatos comoventes com fotos de extrema delicadeza e sensibilidade.

Parto Ativo - Guia prático para o parto natural - Janet Balaskas - Os exercícios apresentados neste livro, baseados no Yoga para a gravidez, vão conduzir a mulher aos seus próprios instintos naturais para o trabalho de parto e para o parto

Mulher, Parto e Psicodrama - Vitória Pamplona - Este trabalho pioneiro apresenta a possibilidade de realização de partos criativos, espontâneos e tranqüilos através de uma metodologia de preparação de gestantes que se utiliza de técnicas psicodramáticas. A quebra de tabus como o da dor e do medo do parto coloca uma nova realidade para as mulheres e oferece-lhes uma opção e uma qualidade de vida mais saudáveis. Especialmente recomendado para doulas e profissionais que assistem pré-natal e parto.

Humanizando Nascimentos e Partos, Daphne Rattner & Belkis Trench - Médicos, psicólogos, pediatras, parteiras e educadores analisam os partos e nascimentos sob uma ótica pouco comum nos dias atuais, privilegiando o aspecto humano numa sociedade dominada pela técnica.  Especialmente recomendado para doulas e profissionais que assistem pré-natal e parto.

A Doula no Parto - O papel da acompanhante de parto - Fadynha - O livro traz as informações mais importantes sobre o papel dessas mulheres e técnicas importantes para o seu trabalho. Especialmente recomendado para Doulas.

O Renascimento do parto- Michel Odent - Odent conta como foi sua experiência em assumir a direção do setor de maternidade do hospital da pequena cidade de Pithiviers em Paris.

A Cesariana - Michel Odent - Levantar questões fundamentais como: Por que o índice de cesarianas é de 10% em alguns lugares e de 50% em outros? Por que devemos adotar uma postura diferente em relação às cesarianas sem trabalho de parto, cesarianas com trabalho de parto e cesarianas de emergência? Quais são os primeiros micróbios que entram em contato com o bebê que nasce por cesariana? Quais as conseqüências a longo prazo de nascer por cesariana? O que a mãe e o bebê perdem por não terem um parto vaginal?

Shantala - Massagem para bebês - Frederic Leboyer - Shantala tornou-se um livro famoso em todo mundo, editado em inúmeros países. Além do aspecto científico, Leboyer conciliou poeticamente as explicações da técnica de massagem com a sabedoria milenar de seu uso. Um livro belo e importante para a mãe e o bebê.

Meditações para Gestantes, O guia para uma gravidez saudável, plena e feliz- Fadynha. São apresentadas diversas técnicas que promovem paz e harmonia à gestante e, conseqüentemente, ao seu filho. O livro vem acompanhado de CD com exercícios de mentalização e meditação especiais para a gestante. Ele ensina, passo a passo, a relaxar, a entrar em maior contato com a criança em formação, a conversar com o bebê e a preparar a mãe para o parto da maneira mais tranqüila e positiva. Especialmente recomendado para grávidas.

Yoga para Gestantes - Fadynha - Numa linguagem clara e inteligente, acompanhada de muitas imagens, Fadynha celebra o yoga com sabedoria e intuição, apresentando dezenas de posturas selecionadas ao longo de seus 30 anos de trabalho com gestantes. Especialmente recomendado para grávidas.

Gravidez Natural - Janet Balaskas. Um guia holístico para o seu bem-estar desde a concepção até o parto . O livro aborda de forma clara e muito bem ilustrada as emoções, nutrição, ioga e exercícios, massagem, terapias naturais e cura holística para os desconfortos da gestação. Especialmente recomendado para grávidas.

A Vida do Bebê no útero - Petter Nathanielsz - Como a alimentação e o estado emocional materno influenciam a saúde do bebê por toda a vida.

sexta-feira, 30 de agosto de 2013

Pai não é visita – orientações para pais grávidos- por Angela Rios

Estava procurando informações que falassem da participação dos pais na gestação e no parto de suas esposas, para depois montar um texto. Eis que me deparo com o texto do site "Eu Quero Parto Normal", e a medida que fui lendo me dei conta que tinha tudo o que queria apontar no texto que iria escrever, e mais um pouco ainda. Decidi compartilhar o texto e pedir para todos os homens que estão gestando...PARTICIPEM  a fundo na gestação de seus bebês, leiam, estudem, decidam junto com suas companheiras, o benefício da participação de vocês na vinda destas crianças é ESSENCIAL! Vocês são PAIS agora e tem toda alegria e toda a preocupação que a paternidade trás! Sejam calmos e solidários com suas mulheres, tentem compreender os altos e baixos, que faz parte de toda mudança física, fisiológica e emocional que elas estão passando. Suas companheiras são Rainhas da Criação, e precisam dos companheiros que lhes transmitem segurança ao lado delas! Vocês irão trazer a segurança que elas precisam em todos os momentos, na gestação, no parto e na criação de seus filhos! Meninos e meninas, leiam o texto e vejam o vídeo com depoimentos de pais!
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Por: Angela Rios
M810/0233É direito de toda mulher ter a presença de um acompanhante no parto. Esse direito é garantido por uma Lei Federal, (Lei é 11.108), datada de 07 de abril de 2005, também chamada de Lei do Acompanhante. A lei garante que a mulher tenha um acompanhante de livre escolha desde que ela entra na maternidade até a hora de sua saída.
A participação do pai no parto não é obrigatória. É um direito que pode ou não ser exercido, se for esta a preferência da parturiente e seu companheiro. Não há uma fórmula ou um padrão de comportamento determinado para que o pai esteja presente durante o trabalho de parto ou parto, porém este texto pretende esclarecer dúvidas e dar algumas orientações de como os pais podem exercer seu papel fundamental desde a gravidez até a amamentação.
As evidências científicas mostram que o apoio emocional no parto é uma medida simples que pode melhorar muito a experiência do parto, sendo associado com menor risco de solicitação de analgésicos, menos risco de cesárea ou de partos por fórceps, menor risco para a saúde do bebê, maior satisfação com o parto, menor risco de lesão do períneo, menor risco de desmame precoce e de dificuldades de maternagem no pós-parto, entre outros.
Hoje em dia, apesar das recomendações da OMS e Ministério da Saúde, muitos serviços de saúde ou profissionais dificultam ou recusam a presença do pai no parto. O acompanhante muitas vezes é visto como um problema, por que os serviços não estão preparados para recebê-lo. São comuns as justificativas de que não há espaço adequado ou a presença de mais um sujeito no ambiente do parto aumentaria os custos ou o risco de infecção, e também argumentos de que os acompanhantes podem ficar agressivos, que não entendem os procedimentos ou que atrapalham o trabalho dos profissionais.
Nenhum desses argumentos justifica-se, considerando que os hospitais deveriam adequar seus espaços e suas rotinas para incluir a presença do acompanhante desde 2005, quando foi publicada a Lei do Acompanhante. Além disso, os serviços que introduziram acompanhantes na rotina não demonstraram aumento do risco de infecções, de custos ou de casos de agressividade, além de aumentar consideravelmente a satisfação dos usuários. Se o hospital ou o médico se recusar a respeitar seu direito, consulte um advogado, e mostre que você deseja, além do respeito ao seu direito garantido por lei, melhorar o atendimento e a qualidade do serviço de saúde.

Como lidar com a dor do parto?

É comum o relato de homens sentirem-se angustiados e preocupados em evitar que a mulher sinta dor. Nesse sentido, a opção pela cesariana ou pela anestesia parece o melhor caminho. É importante entender o processo do trabalho de parto e expandir o conceito de dor quando se trata do parto. Você pode contribuir muito para que a dor torne-se mais suportável, com sua presença, suporte emocional e físico e a valorização dos esforços dela. É provável que vocês tornem-se ainda mais ligados ao passarem por esse processo. Além disso, a dor do trabalho de parto é gradativa, cíclica e acaba ao final do processo, “nasceu, passou”. Ao contrário, a recuperação de uma cirurgia como a cesariana pode ser bastante dolorosa e a mulher vai precisar de sua ajuda no pós-operatório para atividades simples como levantar-se da cama e pegar o bebê.

E se ela não quiser que eu esteja no parto?

Tente entender os motivos dela, uma conversa franca será muito importante. Porém, para algumas mulheres a presença de um homem neste momento não é desejada e você deve respeitar sua decisão, afinal o corpo é dela. Seu apoio e compreensão continuará sendo fundamental durante a gravidez e após o nascimento.

Medo de desmaiar:

Estar em uma situação desafiadora e totalmente nova sempre gera insegurança. Apesar de ser um mito comum o de que “o pai pode desmaiar”, serviços que permitem a presença do pai no parto relatam que é muito raro esse tipo de problema. Mas você pode ir se preparando para o momento, assim como a sua companheira.
• Converse com ela sobre seus anseios e dúvidas, e é importante respeitar seus limites. Se não quiser estar presente, deixe claro e procure auxiliá-la de outras formas. Se decidir ficar, permaneça apenas enquanto estiver se sentindo a vontade.
• Assista a vídeos de parto, será válido conhecer as etapas do parto normal e da cesárea previamente.
• Converse com outros pais, principalmente os que passaram por essa experiência
• Visite a maternidade com antecedência, para familiarizar-se com o espaço, as instalações e os cheiros.

Sobre a vagina:

Ainda existe em nossa sociedade o tabu de que a vagina inevitavelmente irá se romper e “estragar” com a passagem do bebê para o parto normal. Esta inclusive é a justificativa para um dos procedimentos mais comuns e violentos associados com o parto normal: a episiotomia. A episiotomia é um corte na vagina feito na hora da passagem do bebê, com o objetivo de “alargar” a passagem, após o parto é realizada a sutura deste corte. Não há base científica para a realização deste procedimento, uma vez que ele aumenta o risco de lesões e infecções genitais e piora a vida sexual, muitas vezes impedindo a penetração.
Ao final da gravidez a vulva aumenta de tamanho e a visualização da vagina de uma mulher em trabalho de parto pode impressionar ou intimidar alguns homens. Converse com sua companheira e, se for o caso, evite a visualização desta região. Para isso, basta você se posicionar ao lado dela durante o exame de toque e durante o parto.
Para manter uma boa vida sexual e preservar a anatomia sexual feminina, além de evitar procedimentos no parto como a episiotomia, também é importante que a mulher faça exercícios perineais. Esses exercícios consistem em “apertar” o musculo da vagina e devem ser feitos por todas as mulheres, independente se terão seus filhos por parto normal ou cesariana. Eles permitem melhor consciência sobre seus órgãos sexuais, melhoram a sua capacidade de ter orgasmo e previnem a incontinência urinária.

Dicas para a participação ativa do pai durante a gravidez:

Participe do pré-natal: Acompanhe sua companheira em todas as consultas e exames possíveis. Não perca a oportunidade de ouvir o coração de seu filho ou de vê-lo na ultrassonografia, estas experiências vão tornar a paternidade mais presente durante a gravidez. Participe de reuniões de grupos de gestantes e cursos de preparação para o parto. Não tenha receio de esclarecer suas dúvidas e posicionar-se como um pai presente e participativo.
Mantenha a vida sexual: Não há contra-indicação em manter relações sexuais durante a gravidez, a não ser que expressamente orientado pelo médico, em situações de risco. É comum que ocorra uma diminuição do seu apetite sexual sexual ou dela. Não se afaste, mesmo que não haja relação sexual, pode haver momentos de extrema sensualidade muito satisfatórios e enriquecedores, propiciando novas descobertas e aumentando os laços de confiança e intimidade que serão fundamentais para sua participação no parto.

Contrações regulares de 5 em 5 minutos. O trabalho de parto começou. E agora?

Mantenha a calma! Cancele os compromissos, organize a casa, releia o plano de parto e avise a equipe. Esteja presente durante todo o tempo. Claro que você pode sair para ir ao banheiro ou tomar um ar lá fora, mas volte logo, não deixe sua companheira sozinha. Apenas sua presença, seu toque, seu colo já será de grande ajuda. Conte com a doula para esclarecer dúvidas e orientar suas atitudes.
Monitore as contrações: Anote o horário do início do trabalho de parto. Será muito útil saber a frequência das contrações para determinar a hora da internação. Leve-a sozinho para a maternidade. Você se sentirá mais a vontade e ela também. Avise a família somente quando o bebê estiver quase nascendo, evitando os palpites e a ansiedade da família, sem impedir que participe da alegria do nascimento.
Seja carinhoso: Diga palavras carinhosas de amor e admiração, fale baixinho em seu ouvido. Abuse da intimidade que vocês têm para os carinhos, os abraços e beijos. Seja motivador e elogie os progressos, evite criticar ou mostrar-se impaciente com a demora do processo.
Ajude-a se movimentar: durante o trabalho de parto ela deverá caminhar e mudar de posição várias vezes. Pelo tamanho da barriga, inchaço e cansaço, muitas vezes os movimentos será mais lentos e difíceis. Ofereça apoio e força para que ela esteja ativa, mas também para que ela descanse em seu colo. Veja alguns exemplos de movimentos e exercícios:
movimentese
Faça massagens: durante as contrações, massagens da região mais baixa das costas ajudam a aliviar a dor. Faça movimentos circulares, ajuste a velocidade e a intensidade de acordo com o desejo dela. Entre as contrações descanse você também, ou massageie os ombros, nuca, braços, com o objetivo de aliviar a tensão muscular. A doula poderá ensinar outros exercícios e movimentos favoráveis ao trabalho de parto.
 massagem
Ofereça alimentos e líquidos: é importante garantir que a mulher não se desidrate durante o trabalho de parto. Esteja atento para manter um suco ou água sempre à mão, alimentos fáceis de digerir como frutas secas ou frescas, gelatina e balas também são uma boa alternativa, pois garantem suporte calórico em um período de grande gasto de energia.
Fotografar e filmar: Preocupe-se em carregar a máquina fotográfica e faça o registro deste momento de vocês. Cuidado com a exposição de partes íntimas, combine antes o que será indiscreto ou desconfortável para ela.
Participe na hora do nascimento: Nos textos e vídeos sobre parto humanizado, é comum a participação do pai ao cortar o cordão umbilical, pegar no colo e dar banho. Porém, muitos homens não se sentem seguros para isso. Vale também a mesma dica: converse, planeje, reflita e respeite seus limites. Pense que será muito especial sua participação neste momento tão simbólico, que ficará guardado para sempre na sua memória.
Após o parto: Esteja disponível para ajudar nas madrugadas, ajude-a a cochilar durante o dia, mantenha a casa organizada e silenciosa, limite as visitas à mãe a ao bebê. Essas atitudes trarão conforto físico, disposição e bom-humor para ela no pós-parto. Programe-se para estar com ela e o bebê nas primeiras semanas, se possível aproveite a licença-paternidade e as férias. O primeiro mês é especialmente cansativo e um pai dedicado faz uma enorme diferença.
Ajude na amamentação: Você ajudará muito durante a amamentação se trouxer água e alimentos para a mamãe e permitir que ela durma sempre que possível. A privação de sono dificulta a produção de leite e provoca dores e irritação. Não leve para casa latas de leite, mamadeiras, chupetas, bicos de silicone, cigarros e bebidas alcoólicas.
Saiba mais:
Assistam a esse vídeo. Muito bacana ver como os pais vivenciam o processo de gestação.
Relato dos pais na gestação e no parto:
Buscar informação sempre ajuda. Textos muito interessantes sobre a paternidade ativa podem ser encontrados na internet e em livros. Seguem algumas indicações de leitura:
Livro: Parto normal ou cesárea? O que toda mulher deve saber (e todo homem também) / Simone Grilo Diniz e Ana Cristina Duarte. – Rio de Janeiro: Editora Unesp, 2004. Disponível para venda pelo site:www.maternidadeativa.com.br
Livro: Parto com Amor. Em casa, com parteira, na água, no hospital: Histórias de nove mulheres que vivenciaram o parto humanizado / Luciana Benatti e Marcelo Min. – São Paulo: Panda Books, 2011. Disponível para venda pelo site: www.maternidadeativa.com.br

terça-feira, 27 de agosto de 2013

Texto enviado para a ex GO fofíssima de Letícia.


Segue e-mail da minha doulada Letícia de Oliveira que teve um parto natural no hospital Divina Providência. Ela largou a GO cesarista já nos 45 minutos do segundo tempo. Leiam o texto escrito por ela para a ex GO. O relato de parto dela pode ser acessado aqui.
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Dra. Ellen,
A senhora, provavelmente, não se lembra de mim, mas eu deixei seu consultório para não mais voltar com 9 meses de gestação, pois tinha uma cesária marcada para 40 semanas e eu tinha deixado clara a minha vontade de ter um parto normal. Segundo suas informações, era o tempo limite para esperar e não fazia sentido ter um bebê com 4kg ou mais de parto normal. Em um dos exames de toque reclamei de sentir um incômodo e a senhora também me disse que eu não aguentaria um parto normal. Escrevo para contar que minha filha nasceu de 41 semanas e 1 dia, de parto natural, com 4kg, sem indução, sem fórceps, sem episio, num trabalho de parto de 12 horas, sem analgesia, nem anestesia. Fico aqui pensando o momento que eu poderia ter perdido... Enfim, eu creio que a senhora não dará a mínima importância para esse meu e mail, que tanto faz o que aconteceu comigo, mas eu fiz o que meu coração pede para fazer a mais de 1 ano. Aproveito para lhe indicar o filme "O Renascimento do Parto" que está em cartaz nos cinemas, acho que é um filme para todo mundo que NASCEU.
Obrigado pelo tempo dispensado para ler esse e mail.
Letícia
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Você gestante que não esta contente com seu obstetra, não tenha medo de procurar outro profissional mais atencioso, mais humano, mesmo muito no final da gestação, sei que pode parecer complicado, mas é só dar o primeiro passo que o resto se encaminha! Eu mesma Ana Luisa, troquei de GO com quase 40 semanas, e minha filha nasceu com 41 semanas 2 dias de parto normal.
Assistam o filme Renascimento do Parto! 
Acreditem em vocês! Empoderem se dos seus partos!

quinta-feira, 30 de maio de 2013

Entrevista e relato da cesárea intra parto da Tati Brum

Duas bonequinhas!

1-      Como soube das Doulas e porque se interessou em ter este acompanhamento? Soube pela Internet. Já admirava o trabalho de uma profissional e descobri as vantagens para mãe e bebê,  ao escolher o parto normal.

2-      Como escolheu a sua doula? Por indicação.
3-      Como foi ter uma doula no parto? Excelente.

4-      Por quê decidiu ter um parto normal/ natural? Pelos benefícios ao bebê.

5-      Como foi o trabalho de parto e nascimento? Se pudesse voltar atrás,faria algo diferente? Foi intenso, mas suportável. No mesmo contexto não mudaria nada.

6-      Se tiver outro filho, pretende parir de novo e ter uma doula ao seu lado? Gostaria bastante.

7-      Como esta se sentindo depois da experiencia de parir, como esta a recuperação pós parto? Acabei não podendo realizar o meu parto normal;  mas tentei por tantas horas que Deus foi muito bom comigo ( sem tirar o mérito da minha ginecologista,  que foi incrível também), tive um excelente pós operatório.

8-      E os cuidados com o bebê e a amamentação estão seguindo bem? Sim,  tudo bem.

9-      Sua experiencia com o parto foi positiva? Ainda me questiono,  mas sei que fizemos tudo que estava ao nosso alcance. Talvez meu sedentarismo tenha atrapalhado a evolução do meu parto.

10-  Você ficou satisfeita com o trabalho da doula? Foi incansável durante as mais de 24hs. Só tenho elogios a tecer.

11-  Conte em algumas linhas como foi seu parto e ver seu bebe pela primeira vez. Se quiser deixe uma dica para as futuras mães.
Meu TP foi longo e isso me assustou um pouco.  Me diziam que estava tudo bem com a minha filha mas teve uma hora que eu não acreditei mais e precisei enfrentar o meu maior medo: a cesarea. Não foi tão ruim quanto eu imaginava;  mesmo assim sou e sempre serei a favor do PN. Talvez eu não tenha ficado com traumas pois sei que tentamos de tudo!  Me senti apoiada e cuidada. Respeitada. Pena que a minha querida doula não pode ficar comigo no bloco.  Sei teria sido mais interativo;  por exemplo , o campo ficou alto e não vi ela nascendo.  Mas tudo bem.  Quem sabe o próximo bebê não será de PN? Para Deus nada impossível. Mesmo com outra FIV irei correr dos médicos cesaristas que queriam tirar minha filha de mim com 38 semanas.  Curti intensas 40 semanas e 5 dias! Fui feliz em todas as minhas decisões!  Recomendo a Ana Luiza. Excelente profissional.


domingo, 7 de abril de 2013

Vídeo: Parto - As aventuras de um Pai!

Vídeo muito legal, feito por um pai que fala sobre parto, de como foi sua experiência, de como se informou, e como ele e sua esposa fizeram uma escolha consciente!


domingo, 17 de março de 2013

O Puerpério - por Laura Gutman

Laura Gutman é escritora e terapeuta argentina. É autora de vários livros que exploram o universo da maternidade, os vínculos familiares e as dinâmicas violentas as quais os seres humanos sofrem. Alguns desses títulos são a "A Maternidade e o encontro com a própria sombra" e  “La revolución de las madres”. Ainda não tive o prazer de lê-los por completo, só alguns capítulos traduzidos e disponibilizados em alguns grupos de maternidade. Este é um artigo escrito por ela e traduzido pela Flavia Penido que é  psicoterapeuta e educadora perinatal. Leiam!

Bê recém nascido

O Puerpério
Por Laura Gutman

(tradução livre de Flavia Penido)

Vamos considerar o puerpério como o período que transita entre o nascimento do bebe e os dois primeiros anos, ainda que emocionalmente haja um progresso evidente entre o caos dos primeiros dias –em meio a um pranto desesperado- e a capacidade de sair ao mundo com um bebe nas costas.

Para tentarmos submergirmos nas difíceis trilhas energéticas, emocionais e psicológicas do puerpério, creio necessário reconsidera a duração real deste trânsito. Refiro-me ao fato que os famosos 40 dias estipulados - já não sabemos por quem nem para que- tem a ver só com o histórico veto moral para salvar a parturiente do pedido (reclamo) sexual do varão. Mas esse tempo cronológico não significa psicologicamente um começo nem um final de nada.

Minha intenção –pela falta de um pensamento genuíno sobre o “si mesmo feminino” na situação de parto, lactação, criação e maternagem em geral- é desenvolver uma reflexão sobre o puerpério baseando-nos em situações que às vezes não são nem tanto física, nem visível, nem tão concreta, mas não por isso são menos reais. Vamos falar em definitivo do invisível, do submundo feminino, do oculto. Do que está mais além do nosso controle, mais além da razão para a mente lógica. Tentaremos nos aproximarmos da essência do lugar onde não há fronteiras, de onde começa o terreno do místico, do mistério, da inspiração e da superação do ego. Para falar do puerpério, teremos que inventar palavras, ou outorgá-las um significado transcendental.

Para nós, que já o temos transitado faz muito tempo, nos dá preguiça voltar a recordar esse lugar tão desprestigiado, com reminiscências à tristeza, sufoco e desencanto. Recordar o puerpério equivale frequentemente a reorganizar as imagens de um período confuso e sofrido, que engloba as fantasias, o parto tal como foi e não como havia querido que fosse, dores e solidões, angustias e desesperanças, o fim da inocência e o inicio de algo que dói trazer outra vez a nossa consciência.Para começar a armar o quebra-cabeça do puerpério é indispensável ter em conta que o ponto de partida é o parto, quer dizer, a primeira grande desestruturação emocional. Como descrevi no livro “maternidade e o encontro com a própria sombra ”para que se produza o parto necessitamos que o corpo físico da mãe se abra para deixar passar o corpo do bebe, permitindo uma certa “ruptura” corporal também se realiza em um plano mais sutil, que corresponde a nossa estrutura emocional. Há um algo ”que se quebra, ou que se “desestrutura” para conseguir a passagem de “ser um a ser dois”.

É uma pena que atravessamos a maioria dos partos com muito pouca consciência com respeito a este “rompimento físico e emocional”. Já que o parto é sobre tudo um corte, uma quebra, uma brecha, uma abertura forçada, igual à irrupção do vulcão (o parto) que geme desde as entranhas e que ao lançar suas partes profundas destroem necessariamente a aparente solidez, criando uma estrutura renovada.

Depois da “erupção do vulcão” nós as mulheres, encontramos com o tesouro escondido (um filho nos braços) e, além disso, com insólitas pedras que se desprendem como bolas de fogo (nossos “pedacinhos emocionais”, ou nossas partes mais desconhecidas) rodando em direção ao o infinito, ardendo em fogo e temendo destruir o que roçamos. Os “pedacinhos emocionais” vão queimando o que encontram a seu caminho. Olhamos atordoadas, sem poder crer a potência de tudo o que vibra em nosso interior. Incendiando e caindo no precipício, costumam manifestar-se no corpo do bebe (como uma planície de pasto úmido aberta e receptora). São nossas emoções ocultas que desdobram suas asas no corpo do bebe saudável e disponível.

Como um verdadeiro vulcão, nosso fogo roda por todos os vales receptores. É a sombra, expulsa do corpo.

Atravessar um parto é preparar-se para a erupção do vulcão interno, e essa experiência é tão avassaladora que requer muita preparação emocional, apoio, acompanhamento, amor, compreensão e coragem por parte da mulher e que de quem pretende assisti-la.
Todavia poucas vezes nós as mulheres encontramos o acompanhamento necessário para introduzir-nos logo nessa ferida sangrenta, aproveitando esse momento como ponto de partida para conhecer nossas renovadas estrutura emocional (geralmente bastante maltratada, por certo) e decidir o que faremos com ela.

O fato é que -com consciência ou sem ela, acordadas ou dormindo, bem acompanhadas ou sós, incineradas ou a salvo- o nascimento se produz.Lamentavelmente hoje em dia consideramos o parto e o pós-parto como uma situação puramente corporal e de domínio médico. Submetemo-nos a um tramite que com certa manipulação, anestesia para que a parturiente não seja um obstáculo, droga que permitem decidir quando e como programar a operação e uma equipe de profissionais que trabalham coordenados, possam tirar o bebe corporalmente são e felicitar-se pelo triunfo da ciência. Estas modalidades estão tão arraigadas em nossas sociedades que as mulheres nem sequer nos questionamos se fomos atrizes de nossos partos ou meras expectadoras. Se foi um ato íntimo, vivido desde a mais profunda animalidade, ou se cumprimos com o que se esperava de nós. Se foi possivel transpirar ao calor de nossas chamas ou se fomos retiradas da cena pessoal antes do tempo.

Na medida em que atravessamos situações essenciais de ruptura espiritual sem consciência, anestesiadas, dormidas, infantilizadas e assustadas...ficaremos sem ferramentas emocionais para rearmar nossos pedacinhos de chamas, permitindo que o parto seja uma verdadeira transição de alma. Frequentemente assim iniciamos o puerpério: afastadas de nós mesmas.

Anteriormente descrevíamos a metáfora do vulcão na chama, abrindo e rachando seu corpo, deixando a descoberto a lava e as pedras. Analogamente do ventre materno urge o bebe real, e também o interior desconhecido dessa mamãe, que aproveita o rompimento para correr pelas fendas que ficaram abertas. Esses aspectos ocultos encontram uma oportunidade para sair do refúgio. A sombra (quer dizer, qualquer aspecto vital que cada mulher não reconhece como próprio, a causa da dor, o desconhecimento ou o temor) utiliza a ruptura para sair de seu esconderijo e apresentar-se triunfante na superfície.

O problema para a mamãe recente é que se encontra simultaneamente com o bebe real que chora, demanda, mama, se queixa e não dorme...e ao mesmo tempo com sua própria sombra (desconhecida por definição) , inabacárvel e indefinível.
Porém concretamente com que aspectos de sua sombra se encontram? Cada ser humano tem sua personalíssima historia e obstáculos a recorrer, por tanto só um trabalho profundo de introspecção, busca pessoal, encontro com suas dores antigas e coragem poderá guiar-nos até o interior dessa mulher que sofre a traves da criança que chora.
O puerpério é uma abertura de alma. Um abismo, Uma iniciação. Se estivermos dispostas a submergirmos nas águas de nosso eu desconhecido.


 Disponibilizado aqui

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

5 PERGUNTINHAS PARA SABER SE SEU MÉDICO É “CESARISTA”

google imagem

Por Ana Cristina Duarte, parteira e Dr. Jorge Kuhn, médico obstetra.
Alguns médicos se fazem de bonzinhos e dizem que “fazem parto normal” para atrair clientes aos seus consultórios, quando na verdade eles só “assistem” partos normais de mulheres que chegam no hospital no expulsivo!
Primeiro que quem faz o parto não é o médico é a mulher, se o médico diz que “faz normal” sinal de que será cesárea na certa. =/
Depois, a grande maioria desses médicos atende por convênio é quer garantir o máximo de retorno das seguradoras então nem se preocupam com suas pacientes.
Se você pretende de fato ter um parto normal, sem riscos desnecessários para o seu bebê, seguem 5 perguntinhas básicas para verificar se o seu obstetra tá na mesma sintonia que você:

1) Doutor, quais as chances de eu ter um parto normal?

Resposta certa: 90%, pelo menos;
Resposta errada: ainda não dá pra saber, depende de como o parto vai caminhando, porque se der algum problema, não posso deixar você e seu filho morrerem, a gente só sabe na hora mesmo…

2) Doutor, quanto tempo dá pra esperar depois da bolsa romper?

Resposta certa: até 96 horas (4 dias), de acordo com o protocolo inglês, ou até 24 horas de acordo com os protolos mais conservadores, desde que o seu bebê esteja bem. Talvez a gente tenha que administrar um antibiótico se depois de 6 horas de bolsa rompida você não tiver entrado em trabalho de parto. E se você não entrar em trabalho de parto espontaneamente após esse prazo, a gente tem que induzir.
Resposta errada: 4 horas, 6 horas no máximo, senão o bebê pode pegar uma infecção mortal!!! E nem adianta induzir. Não nasceu em 6 horas, não nasce mais, pode fazer cesárea!

3) Doutor, a anestesia não dá problema no parto?

Resposta certa: ela pode atrasar um pouco o parto e aumentar a chance do uso de fórceps. Eu prefiro que a gente deixe a decisão para o mais tarde possível. E se o parto puder ser sem anestesia, melhor ainda!
Resposta errada: não! Hoje em dia a anestesia é super segura, feita bem embaixo para você poder ter todas as sensações, mas não sentir a dor. Eu mesmo só faço parto normal com anestesia, porque não gosto de ver paciente minha sofrendo…

4) Doutor, e se passar de 40 semanas?

Resposta certa: a gente vai esperando e monitorando o bem-estar do bebê, pois nunca aconteceu de um bebê ficar na barriga até a infância. Uma hora tem que nascer. Se a gente vê que lá dentro não está tão seguro, então a gente induz (estimula as contrações uterinas). Mas isso dificilmente acontece antes de entrar na 42ª semana.
Resposta errada: a gente induz quando completar 40 semanas, porque depois disso o bebê pode morrer dentro da sua barriga… ou pior… bom, senão entrou em trabalho de parto até 40 semanas, é porque não vai mais entrar. Tem que ser por cesárea mesmo.

5) Doutor, a cesárea é arriscada?

Resposta certa: veja bem, a cesárea é uma cirurgia e tem os riscos de uma cirurgia. O parto vaginal não corta seu abdômen, não há grandes perdas sangüíneas, é um processo fisiológico e de rápida recuperação. A cesárea é uma cirurgia cada vez mais segura, mas ainda assim traz 4 vezes maior taxa de mortalidade do que um parto normal.
Resposta errada: não, hoje em dia a cesárea está superdesenvolvida e quando acontece alguma coisa é muito simples corrigir. E geralmente essas histórias que a gente ouve de cesáreas que deram problema, foi por imperícia de alguém. Eu mesmo nunca tive um problema mais sério fazendo cesárea. Mesmo as hemorragias, choques e convulsões foram resolvidos com alguns procedimentos.
Agora é com você!
Retirado daqui

terça-feira, 29 de janeiro de 2013

Vídeo: Parteira Ina May Gaskin fala sobre parto natural

Fiquei conhecendo estes vídeos, com a palestra da parteira Ina May Gaskin, pelo blog Doula em Campinas e achei muito proveitoso. Como diz Ina May, os esfincteres são tímidos e não obedecem ordens, o que me faz lembrar da Mariana que ganhou o Samuel a quase 1 ano atrás. Na ultima consulta pré natal estava com 2 cm, foi para o hospital e chegou com 1 cm de dilatação,  em 30 minutos foi para 9 cm, e em seguida 10 cm, graças a conversa grosseira do plantonista, e a possibilidade de cair em uma cesárea sem necessidade. Samuel nasceu super saudável e Mariana não recebeu intervenção alguma que não quisesse, recebendo só analgesia, que nem deu tempo de fazer efeito. Confira o relato AQUI.
Assistam os vídeo e já peguem as dicas de como relaxar e aproveitar o trabalho de parto e parto.




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