Vídeo explicando a importância não só nutricional do leite materno, mas também a importância emocional do ato de amamentar!!
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segunda-feira, 2 de março de 2015
segunda-feira, 22 de setembro de 2014
Papinhas e Comidinhas Vegetarianas
Encontrei este texto com várias receitinhas vegetarianas e achei bacana compartilhar. Eu acrescento informação ou faço algumas considerações que acho pertinentes neste texto e que irão estar em cor diferente. Segue o texto:
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| Foto particular |
A criança bebe apenas leite por praticamente seis meses. Por isso, é preciso introduzir as papinhas aos poucos. O método varia entre os pediatras - alguns preferem começar com papinhas salgadas feitas com apenas um legume, enquanto outros já sugerem uma sopinha mais elaborada (exato, as orientações são variadas. Acredita se também que o melhor é não introduzir o suco de cara, por causa do volume e da quantidade baixa de nutrientes, podendo atrapalhar a amamentação se a quantidade e a frequência for grande. Acredita se também, que a batata doce é um ótimo alimento para começar a introdução alimentar, antes mesmo das frutas por conter um gosto adocicado e ter um bom valor nutritivo). Mas, no geral, eles recomendam a seguinte sequência:
1 - Escolha um dia e ofereça um suco de laranja-lima no meio da manhã, entre uma mamada e outra - e não perca por nada o rostinho de espanto que o bebê vai fazer ao experimentar o novo sabor.
2 - Comece a oferecer as papinhas de frutas depois de três, quatro dias. Escolha um horário entre as mamadas na parte da tarde, e observe se o organismo da criança reage bem.
3 - Depois de uma semana, organize o horário das mamadas (mãe que tem horário disponível, trabalha em casa ou se dedica aos cuidados do bebê, pode continuar amamentando o sempre que ele quiser) para oferecer a papinha salgada na hora do almoço. Continue com o suco e a papinha de frutas no lanche.
4 - Quando o bebê já estiver habituado é hora de dar a papinha salgada na hora do jantar também. E papinha de frutas como sobremesa nas duas refeições.
Os horários ficam assim:
Ao acordar: leite materno ou de fórmula
Meio da manhã: suco de frutas
Almoço: papinha salgada e fruta
Lanche da tarde: papinha de fruta e/ou leite
Jantar: papinha salgada e fruta
Ceia: leite materno ou de fórmula
Esses horários são apenas uma referência. Cada criança tem seu próprio ritmo.
Queridas, nada de achar que no primeiro mês de alimentação o bebe vai estar comendo de tudo e tudo. O bebê tem seu ritmo sim, e existem bebes que só se habituam a comer depois do 1 aninho. Como eu sei? Meus 2 primeiros filhos foram assim! Não queriam comer ou comiam pouco, faziam careta, mas na maioria das vezes eu ficava tranquila, o leite materno até então fornece tudo que eles precisam para crescer com saúde!
Os bebês com fórmula, geralmente, no que vejo, se adaptam e aceitam mais rápido outros alimentos.
Fonte: Revista Crescer
Abaixo, confira algumas receitas de papinhas e comidinhas selecionadas especialmente pra você, mamãe vegetariana.
Mas lembre-se, consulte sempre um pediatra!
Mas lembre-se, consulte sempre um pediatra!
Papinhas
Primeira Papinha
Papinha do Dia-a-Dia
Papinha de Beterraba, Salsa e Mandioquinha
Papinha de Cenoura com Arroz
Papinha de Alface com Batata
Papinha de Cenoura, Batata e Chuchu
Papinha de Espinafre, Abóbora e Cará
Papinha de Cenoura, Salsão, Batata e Escarola
Papinha de Inhame
Papinha de Legumes
Comidinhas e Lanches
Purês Coloridos
Cabelinho de Anjo
Arroz, Feijão e Abóbora
Arroz de Beterraba
Bolinho de Arroz Cozido
Ervilhas ao Leite
Legumes ao Forno
Nhoque de Espinafre
Croquete de Arroz
Delícia de Couve-Flor
Barco de Legumes
Batata, Cenoura, Inhame, Couve e Gema de Ovo
Macarrão com Ervilhas
Macarrão Arco-Íris
Pastéis Dourados
Purê de Acelga, Mandioquinha e Cenoura
Purê de Batata, Cenoura e Lentilha com Ovo Mexido e Espinafre
Purê de Inhame, Abóbora, Couve e Ervilha
Purê de Legumes com Arroz e Caldo de Feijão
Purê de Legumes com Cabelinho de Anjo
Torta de Grão-de-Bico
Sanduíche Borboleta
Lanche Veggie
Caldos e Sopas
Sopa de Aveia
Sopa de Feijão
Sopa de Abóbora com Espinafre
Sopa de Batata com Espinafre
Sopa de Lentilhas
Caldo de Mandioquinha
Caldo de Feijão Carioquinha
Mingaus
Mingau de Aveia com Banana
Mingau de Fubá
Mingau de Maisena
Mingau de Chocolate (o chocolate deve ser evitado o máximo possível na alimentação da criança, devendo ser oferecido, ao meu ver, pela primeira vez, somente a partir dos 2 anos e com muita moderação)
Sobremesas
Banana Amassada
Banana com Manga
Caqui com Pêra
Maçã Raspada
Mamão com Iogurte (Deve se introduzir leite e derivados somente após 1 ano, se a família tiver o hábito. Se não, não a necessidade de fazer uso destes alimentos)
Papinha de Morango
Papinha de Morango
Papinha de Pêra
Papinha de Maçã e Ameixa
Sucos
Suco de Laranja Lima
Suco de Laranja e Beterraba
Suco de Mamão Papaia
Suco de Manga e Abacaxi
Acesse o especial Crianças Vegetarianas e veja artigos, dicas, entrevistas, etc.
FONTE
quarta-feira, 27 de novembro de 2013
A MODA DO POUCO LEITE - pela Consultora Rosane Baldissera
Texto excelente da minha amiga que é Consultora Internacional de Aleitamento Materno. Concordo com tudo escrito e friso bem, o emocional da mãe, geralmente, é o principal fator para uma amamentação ser bem sucedida. Uma mãe insegura com as mamas, se achando incapaz de entender e de atender seu próprio filho, sem apoio da família, esta fadada a não conseguir amamentar seu bebe por vários motivos. O apoio da família é MUITO IMPORTANTE. Ficar em volta da mulher dizendo que ela não consegue, que tem pouco leite, que o choro do bebe é de fome, como se o choro fosse só por fome, que a fulana não amamentou, etc, NÃO AJUDA em nada. Ao invés de boicotar a mãe, deve se dar apoio, deixa-la tranquila com os afazeres domésticos e alimentação. Deixá-la se conectar com o seu bebê.
Leiam o texto da consultora!
Estou realmente bem preocupada com a quantidade de mamães que me procuram por acharem que estão produzindo pouco leite. Quando iniciei com o trabalho de consultoria em amamentação, os problemas eram fissuras, dor para amamentar, ingurgitamento, as dificuldades iniciais da amamentação, e o panorama está mudando. Mamães desesperadas, tendo que dar complemento de fórmula artificial porque seu leite está diminuindo.
Vou tentar não ser muito técnica para escrever sobre o assunto, mas acho importante essa discussão, já que virou moda o assunto!
Quase todas as mães podem produzir leite suficiente para um ou até mesmo dois bebês, desde que o bebê sugue efetivamente e mame tão frequentemente quanto queira. Isso significa que, o bebê tem que esvaziar completamente a mama para que as glândulas mamárias produzam mais leite, e as mamadas devem ser sem rigidez de horários, sempre que o bebê emitir o sinal de fome.
Mesmo quando uma mãe acha que tem pouco leite, o bebê em geral está mamando todo o leite de que necessita. A quantidade de leite que as mamas produzem é determinada pelo volume que o bebê retira; quanto mais leite o bebê retira mais se produz.
Em alguns poucos casos de mães que não conseguem produzir leite suficiente, isto se deve à falta de um adequado desenvolvimento da glândula mamária ou a distúrbio hormonal, saliento aqui que são casos raros.
Ocasionalmente, a mãe pode observar que não houve mudanças em suas mamas durante a gravidez ou nas primeiras semanas depois do parto e não conseguir retirar leite do peito nos primeiros 4-5 dias. Ela pode ser uma dentre as poucas mães que não são capazes de produzir quantidade suficiente de leite.
As mães referem uma variedade de sinais que as levam a pensar que estão produzindo pouco leite. Entretanto, existem apenas dois sinais que mostram de forma confiável que o bebê não está mamando leite suficiente. Esses dois sinais são: pouco ganho de peso (e isso também depende do biotipo de cada bebê) e eliminação de pequena quantidade de urina e concentrada (muito amarela).
Existem outros possíveis sinais que podem significar que um bebê não está mamando leite suficiente (atenção, possíveis sinais):
Um bebê que não parece satisfeito após as mamadas ou que quer mamar com muita frequência ou por tempo prolongado em cada mamada, pode estar sugando de forma ineficiente, ou seja, apresenta uma pega ruim, consequentemente não consegue obter leite facilmente, podendo apresentar pouco ganho de peso.
Se um bebê mama de forma infrequente ou se não mama à noite, a mãe pode produzir menos leite. A maioria dos bebês mama 10 a 15 vezes ou mais durante 24 horas, especialmente nas primeiras semanas. Se um bebê mama menos que 8 vezes em 24 horas ele pode não obter leite o bastante. Uma razão comum pela qual um bebê não consegue leite suficiente é quando a mãe lhe dá mamadas muito curtas. A maioria dos bebês mama de 15 a 30 minutos ou mais em cada mamada. Quando eles conseguem todo o leite que desejam eles próprios largam o peito. Se uma mãe interrompe a mamada em poucos minutos seu bebê pode não obter todo o leite de que necessita e pode querer mamar logo.
Se o bebê chora muito, a mãe pode pensar que tem pouco leite. Entretanto, há outros motivos pelos quais um bebê chora. Às vezes, os bebês parecem mais famintos que o habitual por alguns dias, possivelmente porque estão crescendo mais rápido que anteriormente. Isto é chamado de salto de crescimento e desenvolvimento. Alguns bebês choram muito porque precisam ser abraçados e carregados mais que outros. Outra razão comum para o choro é a cólica. Um bebê com cólica geralmente chora de forma contínua em certo período do dia, geralmente ao anoitecer. O bebê pode encolher suas pernas como se tivesse dor abdominal. Bebês com cólica crescem bem e o choro geralmente diminui depois dos três meses de idade.
A frequência com que bebês, adequadamente amamentados e sadios, evacuam é variável. Alguns bebês não evacuam por vários dias enquanto outros o fazem oito ou mais vezes ao dia. Entretanto, as fezes de um bebê amamentado são semi-líquidas e, quando infrequentes, geralmente são eliminadas em grande quantidade. Se um bebê evacua de maneira infrequente e as fezes são pequenas, duras, secas ou verdes o bebê pode não estar mamando todo o leite de que necessita.
Dar alimentos complementares antes de 4-6 meses, mesmo que seja água, ou o uso de chupeta, fazem com que o bebê sugue menos o peito. Mamadeiras e chupetas podem também interferir na pega do bebê ao seio. Como resultado, a mãe produz menos leite.
Também existem as razões relacionadas ao estado psicológico da mãe, e é bastante comum: falta de confiança, preocupação, estresse, cansaço. E qual mãe nunca passou por isso???
Mães preocupadas ou estressadas podem ter dificuldades de responder a seus bebês e de satisfazê-los. O estresse agudo pode reduzir temporariamente o fluxo de leite e, assim dar a impressão de que este diminuiu. Vira uma bola de neve, estresse, pouco leite, mais estresse, bebê chorando, muito mais estresse, mamadeira, menos mamadas, menos leite.....desmame precoce!
Quando a mãe se tranquiliza, e amamenta sem preocupações, deixa a natureza fluir, a amamentação acontece naturalmente. Porém, as mamães que pensam ter pouco leite precisam de ajuda e apoio de uma pessoa capacitada para superar essa dificuldade e ultrapassar mais uma barreira da amamentação.
Será que as índias tem dúvida em relação à sua capacidade de produzir leite? Claro que não, elas confiam em si mesmas!
Nutricionista Rosane Baldissera
Consultora em Amamentação – Porto Alegre/RS
Daqui: http://www.mamaebebeamamentacao.com/search/label/COMO%20AUMENTAR%20A%20PRODU%C3%87%C3%83O%20DE%20LEITE%20MATERNO
Leiam o texto da consultora!
Estou realmente bem preocupada com a quantidade de mamães que me procuram por acharem que estão produzindo pouco leite. Quando iniciei com o trabalho de consultoria em amamentação, os problemas eram fissuras, dor para amamentar, ingurgitamento, as dificuldades iniciais da amamentação, e o panorama está mudando. Mamães desesperadas, tendo que dar complemento de fórmula artificial porque seu leite está diminuindo.
Vou tentar não ser muito técnica para escrever sobre o assunto, mas acho importante essa discussão, já que virou moda o assunto!
Quase todas as mães podem produzir leite suficiente para um ou até mesmo dois bebês, desde que o bebê sugue efetivamente e mame tão frequentemente quanto queira. Isso significa que, o bebê tem que esvaziar completamente a mama para que as glândulas mamárias produzam mais leite, e as mamadas devem ser sem rigidez de horários, sempre que o bebê emitir o sinal de fome.
Mesmo quando uma mãe acha que tem pouco leite, o bebê em geral está mamando todo o leite de que necessita. A quantidade de leite que as mamas produzem é determinada pelo volume que o bebê retira; quanto mais leite o bebê retira mais se produz.
Em alguns poucos casos de mães que não conseguem produzir leite suficiente, isto se deve à falta de um adequado desenvolvimento da glândula mamária ou a distúrbio hormonal, saliento aqui que são casos raros.
Ocasionalmente, a mãe pode observar que não houve mudanças em suas mamas durante a gravidez ou nas primeiras semanas depois do parto e não conseguir retirar leite do peito nos primeiros 4-5 dias. Ela pode ser uma dentre as poucas mães que não são capazes de produzir quantidade suficiente de leite.
As mães referem uma variedade de sinais que as levam a pensar que estão produzindo pouco leite. Entretanto, existem apenas dois sinais que mostram de forma confiável que o bebê não está mamando leite suficiente. Esses dois sinais são: pouco ganho de peso (e isso também depende do biotipo de cada bebê) e eliminação de pequena quantidade de urina e concentrada (muito amarela).
Existem outros possíveis sinais que podem significar que um bebê não está mamando leite suficiente (atenção, possíveis sinais):
Um bebê que não parece satisfeito após as mamadas ou que quer mamar com muita frequência ou por tempo prolongado em cada mamada, pode estar sugando de forma ineficiente, ou seja, apresenta uma pega ruim, consequentemente não consegue obter leite facilmente, podendo apresentar pouco ganho de peso.
Se um bebê mama de forma infrequente ou se não mama à noite, a mãe pode produzir menos leite. A maioria dos bebês mama 10 a 15 vezes ou mais durante 24 horas, especialmente nas primeiras semanas. Se um bebê mama menos que 8 vezes em 24 horas ele pode não obter leite o bastante. Uma razão comum pela qual um bebê não consegue leite suficiente é quando a mãe lhe dá mamadas muito curtas. A maioria dos bebês mama de 15 a 30 minutos ou mais em cada mamada. Quando eles conseguem todo o leite que desejam eles próprios largam o peito. Se uma mãe interrompe a mamada em poucos minutos seu bebê pode não obter todo o leite de que necessita e pode querer mamar logo.
Se o bebê chora muito, a mãe pode pensar que tem pouco leite. Entretanto, há outros motivos pelos quais um bebê chora. Às vezes, os bebês parecem mais famintos que o habitual por alguns dias, possivelmente porque estão crescendo mais rápido que anteriormente. Isto é chamado de salto de crescimento e desenvolvimento. Alguns bebês choram muito porque precisam ser abraçados e carregados mais que outros. Outra razão comum para o choro é a cólica. Um bebê com cólica geralmente chora de forma contínua em certo período do dia, geralmente ao anoitecer. O bebê pode encolher suas pernas como se tivesse dor abdominal. Bebês com cólica crescem bem e o choro geralmente diminui depois dos três meses de idade.
A frequência com que bebês, adequadamente amamentados e sadios, evacuam é variável. Alguns bebês não evacuam por vários dias enquanto outros o fazem oito ou mais vezes ao dia. Entretanto, as fezes de um bebê amamentado são semi-líquidas e, quando infrequentes, geralmente são eliminadas em grande quantidade. Se um bebê evacua de maneira infrequente e as fezes são pequenas, duras, secas ou verdes o bebê pode não estar mamando todo o leite de que necessita.
Dar alimentos complementares antes de 4-6 meses, mesmo que seja água, ou o uso de chupeta, fazem com que o bebê sugue menos o peito. Mamadeiras e chupetas podem também interferir na pega do bebê ao seio. Como resultado, a mãe produz menos leite.
Também existem as razões relacionadas ao estado psicológico da mãe, e é bastante comum: falta de confiança, preocupação, estresse, cansaço. E qual mãe nunca passou por isso???
Mães preocupadas ou estressadas podem ter dificuldades de responder a seus bebês e de satisfazê-los. O estresse agudo pode reduzir temporariamente o fluxo de leite e, assim dar a impressão de que este diminuiu. Vira uma bola de neve, estresse, pouco leite, mais estresse, bebê chorando, muito mais estresse, mamadeira, menos mamadas, menos leite.....desmame precoce!
Quando a mãe se tranquiliza, e amamenta sem preocupações, deixa a natureza fluir, a amamentação acontece naturalmente. Porém, as mamães que pensam ter pouco leite precisam de ajuda e apoio de uma pessoa capacitada para superar essa dificuldade e ultrapassar mais uma barreira da amamentação.
Será que as índias tem dúvida em relação à sua capacidade de produzir leite? Claro que não, elas confiam em si mesmas!
Nutricionista Rosane Baldissera
Consultora em Amamentação – Porto Alegre/RS
Daqui: http://www.mamaebebeamamentacao.com/search/label/COMO%20AUMENTAR%20A%20PRODU%C3%87%C3%83O%20DE%20LEITE%20MATERNO
sábado, 26 de janeiro de 2013
NOTÍCIA: Amamentação exclusiva salva cerca de seis milhões de crianças no mundo a cada ano, estima OMS.
| Minha filhota com 4 meses |
Leite materno deve ser a única alimentação da criança até os seis meses de vida.
A amamentação deve ser a alimentação exclusiva da criança até os seis meses de vida, de acordo com a recomendação do Ministério da Saúde e da Organização Mundial da Saúde (OMS). Depois disso, o bebê pode começar a receber outros alimentos saudáveis, mas a orientação é que seja mantida a amamentação até os dois anos de idade ou mais, decisão que fica a critério da mãe.
Estima-se que o aleitamento materno seja capaz de diminuir em até 13% a morte de crianças menores de 5 anos em todo o mundo por causas preveníveis. Nenhuma outra estratégia isolada alcança o impacto que a amamentação tem na redução das mortes de crianças nessa faixa etária.
Segundo a OMS e o Programa das Nações Unidas para a Infância (Unicef), em torno de seis milhões de vidas de crianças estão sendo salvas no mundo, a cada ano, por causa do aumento das taxas de amamentação exclusiva.
Contudo, no Brasil, dados da II Pesquisa de Prevalência de Aleitamento Materno — realizada nas capitais brasileiras e no Distrito Federal, em 2008 — revela que somente 41% das crianças menores de seis meses de vida estavam em aleitamento materno exclusivo. As demais tinham experimentado outro alimento já nas primeiras semanas ou meses de vida.
Contudo, no Brasil, dados da II Pesquisa de Prevalência de Aleitamento Materno — realizada nas capitais brasileiras e no Distrito Federal, em 2008 — revela que somente 41% das crianças menores de seis meses de vida estavam em aleitamento materno exclusivo. As demais tinham experimentado outro alimento já nas primeiras semanas ou meses de vida.
— A amamentação é uma estratégia natural de vínculo, afeto, proteção e nutrição para a criança. O recomendado à mãe é que ela amamente seu filho até dois anos ou mais — afirma Paulo Bonilha, coordenador de Saúde da Criança do Ministério da Saúde.
Alimentação complementar
Muitos pais e mães se sentem inseguros quando chega a hora de introduzir novos alimentos à dieta das crianças que completam seis meses de idade.
— O profissional de saúde tem um papel fundamental na orientação e no auxílio à família da criança. E o sucesso da alimentação complementar depende de paciência, afeto e apoio de todos envolvidos nos cuidados da criança — afirma Patrícia Jaime, coordenadora de Alimentação e Nutrição do Ministério da Saúde.
Como destaca Patrícia Jaime, os hábitos alimentares são formados nos primeiros anos de vida. A oferta de alimentos não saudáveis contribui para o desenvolvimento um modelo de nutrição que favoreça o excesso de peso, deficiências nutricionais e diversas doenças.
Incentivo à alimentação saudável
A partir do próximo mês, o Ministério da Saúde promoverá novas ações de incentivo à alimentação saudável para crianças menores de dois anos, como parte da estratégia da Rede Cegonha, programa que busca dar assistência à mulher e ao bebê.
Por meio de oficinas de formação, o governo federal pretende capacitar mil profissionais de saúde que atuam em Unidades Básicas de Saúde (UBS) para que sejam multiplicadores de informações que incentivem, também, o aleitamento materno até o segundo ano de vida da criança.
Por meio de oficinas de formação, o governo federal pretende capacitar mil profissionais de saúde que atuam em Unidades Básicas de Saúde (UBS) para que sejam multiplicadores de informações que incentivem, também, o aleitamento materno até o segundo ano de vida da criança.
O objetivo é que o aumento da qualidade dos alimentos consumidos até os dois anos de idade — complementados com leito materno, quando possível — influenciem para a melhoria dos indicadores de saúde das crianças nesta faixa etária.
Para 2013, estão previstas 50 oficinas de capacitação de tutores em todo o território brasileiro. Os cursos vão ocorrer em todos os estados e os profissionais formados terão a responsabilidade de replicar a estratégia a outros profissionais de saúde.
segunda-feira, 13 de agosto de 2012
Vídeo: A Hora do Mamaço- 2012
Este vídeo foi uma iniciativa maravilhosa da AMS -Aleitamento Materno Solidário em comemoração a Semana Mundial de Aleitamento Materno (SMAM). São fotos de ma~es e seus bebês em vários lugares no mundo, em amamentação simultânea, no mesmo horário! Sofia aparece mamando nos 07 minutos e 53 segundos, e são 2 anos e 7 meses de amamentação continuada, que só trás benefícios para minha filha e para mim. Com muita alegria e orgulho participamos deste evento!
terça-feira, 24 de abril de 2012
Acessórios para o Aleitamento Materno
Deixo esclarecido aqui, que nenhum acessório deve ser utilizado até serem esgotadas todas as alternativas e, sem ser consultado um Consultor em Aleitamento Materno. Geralmente, os problemas com fissuras, mamas ingurgitadas, ou até mastite, se dão por desinformação, pega do bebê ao seio errada, assim como a posição em que o bebê é colocado.
O aleitamento materno (AM), embora tido como um ato natural, é um fenômeno culturalmente determinado, e precisa ser aprendido tanto pela mulher quanto pelo profissional assistente, de maneira especial o pediatra, cujos saberes devem ser sempre atualizados (OlaOlorun e Lawoyin, 2006; Araújo e Almeida, 2007).
Embora a imensa maioria das mulheres possa amamentar seu filho sem a necessidade de dispositivos especiais, o uso abusivo e desnecessário desses acessórios tem sido observado na prática clínica diária. Eles estão disponíveis há anos para auxiliar no período de lactação, e em algumas situações específicas, a sua utilização pode facilitar a manutenção do AM (Meier, 2005; Walker, 2010).
Não há dúvida que estratégias de “marketing” afetam uma tomada de decisão, especialmente influenciando as mulheres na busca por produtos inovadores que tornem o AM mais fácil e mais conveniente. No entanto, os médicos pediatras devem considerar que a utilização desses aparelhos nem sempre é desejável, e como em outras situações de assistência à saúde, a instituição de um tratamento deverá ser baseada em evidências científicas, e cada caso acompanhado para que seja determinado o momento certo de retirada da terapêutica (Helsing et al, 2009).
Vale ressaltar que o Brasil dispõe de legislação específica contemplando os alimentos para crianças de primeira infância e outros produtos de puericultura, tais como bicos, chupetas, mamadeiras e protetores de mamilo. Os pediatras precisam estar familiarizados com a Norma Brasileira de Comercialização de Alimentos para Lactentes e Crianças de Primeira Infância, Bicos, Chupetas e Mamadeiras (NBCAL) e com a Lei 11.265/2006, que são instrumentos de proteção ao AM, para adotarem uma postura ética no que diz respeito à saúde e nutrição dos lactentes (Araújo et al., 2006; Brasil, 2009).
Conchas
As conchas são dispositivos plásticos em forma de disco, com um orifício esférico central, que são colocados sobre os mamilos abaixo do sutiã, facilitando a protrusão do mamilo (Alexander et al., 1992).
O uso habitual das conchas para mulheres sem afecção nas mamas não é indicado (Walker, 2010).
O uso pré-natal não traz vantagens para a gestante, mas se houver desejo de utilização para everter mamilos planos ou invertidos, deve ser por um tempo gradualmente aumentado a partir de uma ou duas horas por dia. No pós-parto, pode ser utilizada por 30 minutos antes da mamada ou durante todo o dia, entre as mamadas. Lembrar que o estímulo dos mamilos, tanto quanto a sucção com bomba manual ou seringa plástica com o êmbolo invertido, previamente às mamadas, trazem efeito semelhante (Brasil, 2009).
É importante lembrar que a pressão mantida durante o uso das conchas pode traumatizar o mamilo (Mass, 2004). Para evitar compressão exagerada da aréola ou dos ductos, a concha não deve ser utilizada durante o sono, e o tamanho da concha precisa ser bem avaliado em relação ao do mamilo e ao do sutiã utilizado (Walker, 2010).
Na vigência de fissuras mamilares, conchas com orifícios de ventilação, para permitir circulação de ar e não-aderência do tecido mamário danificado à roupa, podem ser úteis, desde que haja correção da técnica do AM (Brent et al., 1998; Brasil, 2009; Walker, 2010).
Não é recomendado o uso de conchas para coleta de LH, pelo alto risco de contaminação bacteriana. Entretanto, o leite gotejado da mama contra-lateral durante uma mamada ou ordenha pode ser aproveitado, desde que a concha tenha sido lavada com água quente e sabão, e bem enxaguada (Walker, 2010).
Protetores flexíveis (“bicos de silicone”)
São artefatos de silicone, finos e macios, que podem ser colocados sobre a área mamilo-areolar imediatamente antes da mamada, de maneira especial para facilitar a pega (McKechnie e Eglash, 2010).
Não há evidências de que a utilização de protetores flexíveis seja segura para a manutenção da lactação, bem como para um ganho suficiente de peso do lactente, ou mesmo para a produção de volumes adequados de LH, portanto o seu uso deve ser limitado e os pacientes seguidos rigorosamente até o abandono do dispositivo. Não há suporte na literatura para o uso desse artefato em RN de termo ou próximos do termo já nos primeiros dias pós-parto (McKechnie e Eglash, 2010). Sua indicação deve ser individualizada (Lawrence, 2010).
Em casos de mamilo plano, a primeira intervenção deve ser a massagem ou a aplicação de compressas frias mamilares, para ajudá-lo a protrair, imediatamente antes das mamadas. Em se tratando de mamilos invertidos, tentar moldá-los com os dedos ou utilizar bomba de sucção, pode ajudar na sua eversão (Walker, 2010).
Nesses mamilos “difíceis“, e na situação de prematuros com sucção inefetiva ou dificuldade em manter a pega da aréola, se apesar da estimulação dos mamilos previamente à mamada e se todas as tentativas de suporte para uma pega adequada se mostrarem infrutíferas, o produto pode ser experimentado. Lembrar que o uso é temporário, por curtos períodos, na esperança de preservar o AM, enquanto o RN aprende a sugar (McKechnie e Eglash, 2010).
Antes de assentar o bico de silicone na mama, é preciso umedecer a parte interna das bordas e inverte-las, assim como parte do bico do protetor. Isso vai ajudar a puxar o mamilo para dentro do artefato ao momento da colocação na mama (Riordan e Hoover, 2010).
Se houver “confusão de bicos”, o protetor flexível pode ser utilizado associado à técnica da relactação, na vigência de baixa produção de leite, e inclusive na lactação adotiva (Gribble, 2004; Riordan e Hoover, 2010).
Suplementador
É um dispositivo para oferecer nutrição suplementar, e composto de um recipiente para armazenar LH ou fórmula infantil, e um tubo fino, que deve ser fixado no seio da mãe (Borucki, 2005; Walker, 2010).
É utilizado para a relactação, que é uma técnica efetiva para o restabelecimento da produção de leite após interrrupção temporária da lactação. O leite pode ser oferecido via suplementador, evitando-se, assim, o uso de bicos artificiais. Existem os suplementadores industrializados, mas a forma mais simples e fácil de aumentar a ingestão de calorias e estimular o neonato a sugar é oferecer o leite em um copo ou uma seringa com uma sonda nasogástrica acoplada, cuja outra extremidade é fixada na mama, com fita adesiva, próxima ao mamilo (Nascimento, 2008; Melo e Murta, 2009).
Os suplementadores podem ser uma excelente opção para nutrizes e lactentes com dificuldade na amamentação. Apesar do manuseio eventualmente difícil, a sucção ao seio é recompensada e há estímulo apropriado das mamas para aumentar a produção láctea. A transferência de leite é adequada, desde que o lactente seja capaz de manter uma sucção efetiva. Seu uso pode ser temporário, mas em algumas situações, como lactação adotiva, mamoplastia redutora, insuficiência glandular verdadeira ou no caso de problemas genéticos e neurológicos do lactente, há necessidade de emprego continuado do produto (Borucki, 2005; Guóth-Gumberger, 2008).
A indicação de seu uso deve ser precisa, e o desmame do artefato, programado e gradativo (Walker, 2010). Um seguimento constante da dupla mãe-bebê é fundamental, para avaliação das mamadas, do ganho de peso e da produção de LH (Melo e Murta, 2009; Walker, 2010).
Lanolina
A lanolina é uma cera natural, removida a partir da fervura da lã de ovelha. Por ser um ingrediente natural pode conter pesticidas e outros contaminantes, além de ser uma substância alergênica. É dita anidra, quando é pura, sem adição de água, e neste caso, considerada hipoalergênica. Há diversos estudos clínicos indicando a lanolina para a prevenção e tratamento de fissuras mamilares, embora a melhor maneira de evitar trauma mamilar seja através do posicionamento e pega corretas na amamentação (Mass, 2004).
Entre as principais causas de desmame estão a dor e o trauma mamilar. A cicatrização das fissuras mamilares é difícil por vários motivos, uma vez que o mamilo continua a ser traumatizado a cada nova mamada, e a ferida está sujeita à contaminação por microorganismos da flora cutânea materna e da flora bucal do lactente (Brent et al., 1998).
A orientação da técnica do AM e da pega correta são fundamentais para diminuir a incidência de dor mamilar. Nenhum agente tópico parece ser superior a outro no manejo dessa afecção, portanto há controvérsias na indicação de qual tratamento seria mais apropriado (Morland-Schultz e Hill, 2005; Coca e Abrão, 2008).
Em casos de lesões extensas, ou que não melhoram com ajustes no processo de amamentar, a lanolina pode ser recomendada (Brent et al., 1998; Coca e Abrão, 2008).
No entanto, não deve ser esquecido que em função dos seus elementos de defesa, da sua disponibilidade e custo zero, o próprio leite materno pode ser utilizado para tratamento do trauma mamilar (Mohammadzadeh et al., 2005), apesar de haver a possibilidade de que sejam disseminadas bactérias na ferida (Smith e Riordan, 2010).
Curativos de gel
São curativos na forma de disco a base de gel, com 3 componentes primários que são glicerina, água e poliacrilamida. Há descrição de que são produtos seguros e que são mais efetivos que o ungüento de lanolina no tratamento do trauma mamilar (Dodd & Chalmers, 2003).
Considerando que a utilização de curativos de gel aumenta a chance de infecção pelo fato de ocorrer o contato freqüente da lesão com a mucosa oral do lactente, bem como pela flora da pele da mãe, e ainda pela presença do próprio leite materno que serve como meio de cultura, sua escolha deve ser questionada. Além disso, o efeito bactericida da glicerina não é instantâneo, e também pode haver contaminação pela mão da mãe (Brent et al., 1998; Morland-Schultz & Hill, 2005).
Protetores absorventes
São artefatos indicados para absorver o excesso de leite materno. Podem ser descartáveis ou reutilizáveis. Ponderando que a prevenção do vazamento de LH em público seja importante para muitas lactantes, a utilização eventual de protetores absorventes, desde que confortáveis e macios, pode ser uma solução prática (Griffiths, 1993; Smith e Riordan, 2010).
Considera-se, no entanto que, para não manter a pele dos mamilos úmida, especialmente os artefatos descartáveis revestidos com plástico impermeável, devem ser trocados frequentemente, e nos episódios de candidíase mamilar, os absorventes reutilizáveis precisam ser fervidos diariamente (Griffiths, 1993; Bodley e Powers, 2000; Eglash et al., 2008). Além disso, o cuidado de umedecer o protetor antes da sua retirada, no caso de estar aderido à pele, deve ser tomado (Smith e Riordan, 2010).
Não é recomendado o uso de papel higiênico ou lenços de papel com a finalidade de sorver o excesso de LH, uma vez que a superfície da pele fica muito molhada. Mas vale ressaltar que a alternativa comprovadamente mais eficaz, barata e fácil de fazer em casa é a utilização de oito camadas de papel-tecido próprio para fraldas, composto por fibras de celulose, entremeadas por 12 camadas de papel higiênico de folha dupla (Griffiths, 1993).
Salienta-se no entanto, que o AM em livre demanda e a compressão mamária, por exemplo com os braços cruzados sobre as mamas, são em geral suficientes para inibir a vazão indesejada de LH (Smith e Riordan, 2010).
Sutiã
É uma peça do vestuário feminino, própria para acomodar ou sustentar a mama, e especialmente indicada no período de gestação e lactação, em função do aumento de volume do órgão (Brasil, 2009). O sutiã, apesar de não pertencer ao arsenal de artefatos para tratamento de intercorrências mamárias, está diretamente ligado à mama lactante (Smith e Riordan, 2010).
A utilização de sutiã com abertura central, para preparo dos mamilos no período pré-natal, não está indicada (Brasil, 2009; UNICEF, 2009).
O uso de sutiã não é obrigatório, apesar de que todas as nutrizes que desejem utilizá-lo precisam de modelo e tamanho adequados para acomodar corretamente as mamas (UNICEF, 2009; Smith e Riordan, 2010).
Um bom sutiã de amamentação não deve restringir o acesso do bebê ao peito. Precisa ser confortável, abranger toda a mama, sem que tecido mamário fique comprimido abaixo da borda da peça do vestuário. Um sutiã bem ajustado não deve subir nas costas, nem deixar marcas das alças nos ombros. A abertura frontal é conveniente, e pode ser especialmente útil quando se necessita amamentar em público. Para dormir, não deve ser escolhido um sutiã com aro de metal (Campbell, 2006; UNICEF, 2009; Smith e Riordan, 2010).
Na vigência de candidíase mamária, trocas freqüentes de roupas, sobretudo as íntimas, estão indicadas (Bodley e Powers, 2000; UNICEF, 2009). No caso de mastite, recomenda-se abolir o uso de sutiã, particularmente durante o sono. A escolha deve recair sobre roupas mais largas, e quando necessário, eleger um sutiã mais frouxo (Spowart et al., 2004).
Considerações Finais
O pediatra ocupa uma posição estratégica para estimular o AM e para solucionar problemas nessa área, mas o uso de dispositivos para a amamentação deve ser restringido a
ocasiões em que haja evidências aceitáveis de que eles poderão favorecer a manutenção da lactação e, que realmente, serão de grande auxilio para as nutrizes. Não pode ser desconsiderado o conflito de interesses envolvendo profissionais da saúde e fabricantes de dispositivos de auxílio ao AM, tanto na assistência à saúde como na pesquisa em amamentação (Helsing et al., 2009).
Referências Bibliográficas
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UNICEF (Fundo das Nações Unidas para a Infância). Iniciativa Hospital Amigo da Criança apostila revista, atualizada e ampliada para o cuidado integrado. Módulo 3 – Promovendo e Incentivando a Amamentação em um Hospital Amigo da Criança: Curso de 20 horas para Equipes de Maternidade. Brasília: Editora do Ministério da Saúde; 2009.
Walker M. Breast pumps and other technologies. In: Riordan J, Wambach K. Breastfeeding and human lactation. 4.ed. Boston, Jones and Bartlett Publishers, 2010. p.379-424.
Ana Luisa Muñoz Rosa
Dra. Maria Beatriz Reinert do NascimentoMédica Neonatologista e Coordenadora Técnica do Banco de Leite Humano da Maternidade Darcy Vargas - Joinville (SC)
Professora e Coordenadora da Área de Materno-Infantil do Curso de Medicina da Universidade da Região de Joinville - UNIVILLE
Doutor em Ciências (Pediatria) - Universidade de São Paulo, USP, São Paulo.
Mestre em Medicina (Pediatria) - Universidade de São Paulo, USP, São Paulo.
Consultora Internacional de Lactação (International Board Certified Lactation Consultant - International Board Certified Lactation Consultant Examiners)
Membro do Departamento Científico de Aleitamento Materno da SBP
Professora e Coordenadora da Área de Materno-Infantil do Curso de Medicina da Universidade da Região de Joinville - UNIVILLE
Doutor em Ciências (Pediatria) - Universidade de São Paulo, USP, São Paulo.
Mestre em Medicina (Pediatria) - Universidade de São Paulo, USP, São Paulo.
Consultora Internacional de Lactação (International Board Certified Lactation Consultant - International Board Certified Lactation Consultant Examiners)
Membro do Departamento Científico de Aleitamento Materno da SBP
Embora a imensa maioria das mulheres possa amamentar seu filho sem a necessidade de dispositivos especiais, o uso abusivo e desnecessário desses acessórios tem sido observado na prática clínica diária. Eles estão disponíveis há anos para auxiliar no período de lactação, e em algumas situações específicas, a sua utilização pode facilitar a manutenção do AM (Meier, 2005; Walker, 2010).
Não há dúvida que estratégias de “marketing” afetam uma tomada de decisão, especialmente influenciando as mulheres na busca por produtos inovadores que tornem o AM mais fácil e mais conveniente. No entanto, os médicos pediatras devem considerar que a utilização desses aparelhos nem sempre é desejável, e como em outras situações de assistência à saúde, a instituição de um tratamento deverá ser baseada em evidências científicas, e cada caso acompanhado para que seja determinado o momento certo de retirada da terapêutica (Helsing et al, 2009).
Vale ressaltar que o Brasil dispõe de legislação específica contemplando os alimentos para crianças de primeira infância e outros produtos de puericultura, tais como bicos, chupetas, mamadeiras e protetores de mamilo. Os pediatras precisam estar familiarizados com a Norma Brasileira de Comercialização de Alimentos para Lactentes e Crianças de Primeira Infância, Bicos, Chupetas e Mamadeiras (NBCAL) e com a Lei 11.265/2006, que são instrumentos de proteção ao AM, para adotarem uma postura ética no que diz respeito à saúde e nutrição dos lactentes (Araújo et al., 2006; Brasil, 2009).
Conchas
As conchas são dispositivos plásticos em forma de disco, com um orifício esférico central, que são colocados sobre os mamilos abaixo do sutiã, facilitando a protrusão do mamilo (Alexander et al., 1992).
O uso habitual das conchas para mulheres sem afecção nas mamas não é indicado (Walker, 2010).
O uso pré-natal não traz vantagens para a gestante, mas se houver desejo de utilização para everter mamilos planos ou invertidos, deve ser por um tempo gradualmente aumentado a partir de uma ou duas horas por dia. No pós-parto, pode ser utilizada por 30 minutos antes da mamada ou durante todo o dia, entre as mamadas. Lembrar que o estímulo dos mamilos, tanto quanto a sucção com bomba manual ou seringa plástica com o êmbolo invertido, previamente às mamadas, trazem efeito semelhante (Brasil, 2009).
É importante lembrar que a pressão mantida durante o uso das conchas pode traumatizar o mamilo (Mass, 2004). Para evitar compressão exagerada da aréola ou dos ductos, a concha não deve ser utilizada durante o sono, e o tamanho da concha precisa ser bem avaliado em relação ao do mamilo e ao do sutiã utilizado (Walker, 2010).
Na vigência de fissuras mamilares, conchas com orifícios de ventilação, para permitir circulação de ar e não-aderência do tecido mamário danificado à roupa, podem ser úteis, desde que haja correção da técnica do AM (Brent et al., 1998; Brasil, 2009; Walker, 2010).
Não é recomendado o uso de conchas para coleta de LH, pelo alto risco de contaminação bacteriana. Entretanto, o leite gotejado da mama contra-lateral durante uma mamada ou ordenha pode ser aproveitado, desde que a concha tenha sido lavada com água quente e sabão, e bem enxaguada (Walker, 2010).
Protetores flexíveis (“bicos de silicone”)
São artefatos de silicone, finos e macios, que podem ser colocados sobre a área mamilo-areolar imediatamente antes da mamada, de maneira especial para facilitar a pega (McKechnie e Eglash, 2010).
Não há evidências de que a utilização de protetores flexíveis seja segura para a manutenção da lactação, bem como para um ganho suficiente de peso do lactente, ou mesmo para a produção de volumes adequados de LH, portanto o seu uso deve ser limitado e os pacientes seguidos rigorosamente até o abandono do dispositivo. Não há suporte na literatura para o uso desse artefato em RN de termo ou próximos do termo já nos primeiros dias pós-parto (McKechnie e Eglash, 2010). Sua indicação deve ser individualizada (Lawrence, 2010).
Em casos de mamilo plano, a primeira intervenção deve ser a massagem ou a aplicação de compressas frias mamilares, para ajudá-lo a protrair, imediatamente antes das mamadas. Em se tratando de mamilos invertidos, tentar moldá-los com os dedos ou utilizar bomba de sucção, pode ajudar na sua eversão (Walker, 2010).
Nesses mamilos “difíceis“, e na situação de prematuros com sucção inefetiva ou dificuldade em manter a pega da aréola, se apesar da estimulação dos mamilos previamente à mamada e se todas as tentativas de suporte para uma pega adequada se mostrarem infrutíferas, o produto pode ser experimentado. Lembrar que o uso é temporário, por curtos períodos, na esperança de preservar o AM, enquanto o RN aprende a sugar (McKechnie e Eglash, 2010).
Antes de assentar o bico de silicone na mama, é preciso umedecer a parte interna das bordas e inverte-las, assim como parte do bico do protetor. Isso vai ajudar a puxar o mamilo para dentro do artefato ao momento da colocação na mama (Riordan e Hoover, 2010).
Se houver “confusão de bicos”, o protetor flexível pode ser utilizado associado à técnica da relactação, na vigência de baixa produção de leite, e inclusive na lactação adotiva (Gribble, 2004; Riordan e Hoover, 2010).
Suplementador
É um dispositivo para oferecer nutrição suplementar, e composto de um recipiente para armazenar LH ou fórmula infantil, e um tubo fino, que deve ser fixado no seio da mãe (Borucki, 2005; Walker, 2010).
É utilizado para a relactação, que é uma técnica efetiva para o restabelecimento da produção de leite após interrrupção temporária da lactação. O leite pode ser oferecido via suplementador, evitando-se, assim, o uso de bicos artificiais. Existem os suplementadores industrializados, mas a forma mais simples e fácil de aumentar a ingestão de calorias e estimular o neonato a sugar é oferecer o leite em um copo ou uma seringa com uma sonda nasogástrica acoplada, cuja outra extremidade é fixada na mama, com fita adesiva, próxima ao mamilo (Nascimento, 2008; Melo e Murta, 2009).
Os suplementadores podem ser uma excelente opção para nutrizes e lactentes com dificuldade na amamentação. Apesar do manuseio eventualmente difícil, a sucção ao seio é recompensada e há estímulo apropriado das mamas para aumentar a produção láctea. A transferência de leite é adequada, desde que o lactente seja capaz de manter uma sucção efetiva. Seu uso pode ser temporário, mas em algumas situações, como lactação adotiva, mamoplastia redutora, insuficiência glandular verdadeira ou no caso de problemas genéticos e neurológicos do lactente, há necessidade de emprego continuado do produto (Borucki, 2005; Guóth-Gumberger, 2008).
| Imagem: Dr. Marcus Renato |
Lanolina
A lanolina é uma cera natural, removida a partir da fervura da lã de ovelha. Por ser um ingrediente natural pode conter pesticidas e outros contaminantes, além de ser uma substância alergênica. É dita anidra, quando é pura, sem adição de água, e neste caso, considerada hipoalergênica. Há diversos estudos clínicos indicando a lanolina para a prevenção e tratamento de fissuras mamilares, embora a melhor maneira de evitar trauma mamilar seja através do posicionamento e pega corretas na amamentação (Mass, 2004).
Entre as principais causas de desmame estão a dor e o trauma mamilar. A cicatrização das fissuras mamilares é difícil por vários motivos, uma vez que o mamilo continua a ser traumatizado a cada nova mamada, e a ferida está sujeita à contaminação por microorganismos da flora cutânea materna e da flora bucal do lactente (Brent et al., 1998).
A orientação da técnica do AM e da pega correta são fundamentais para diminuir a incidência de dor mamilar. Nenhum agente tópico parece ser superior a outro no manejo dessa afecção, portanto há controvérsias na indicação de qual tratamento seria mais apropriado (Morland-Schultz e Hill, 2005; Coca e Abrão, 2008).
Em casos de lesões extensas, ou que não melhoram com ajustes no processo de amamentar, a lanolina pode ser recomendada (Brent et al., 1998; Coca e Abrão, 2008).
No entanto, não deve ser esquecido que em função dos seus elementos de defesa, da sua disponibilidade e custo zero, o próprio leite materno pode ser utilizado para tratamento do trauma mamilar (Mohammadzadeh et al., 2005), apesar de haver a possibilidade de que sejam disseminadas bactérias na ferida (Smith e Riordan, 2010).
Curativos de gel
São curativos na forma de disco a base de gel, com 3 componentes primários que são glicerina, água e poliacrilamida. Há descrição de que são produtos seguros e que são mais efetivos que o ungüento de lanolina no tratamento do trauma mamilar (Dodd & Chalmers, 2003).
Considerando que a utilização de curativos de gel aumenta a chance de infecção pelo fato de ocorrer o contato freqüente da lesão com a mucosa oral do lactente, bem como pela flora da pele da mãe, e ainda pela presença do próprio leite materno que serve como meio de cultura, sua escolha deve ser questionada. Além disso, o efeito bactericida da glicerina não é instantâneo, e também pode haver contaminação pela mão da mãe (Brent et al., 1998; Morland-Schultz & Hill, 2005).
Protetores absorventes
São artefatos indicados para absorver o excesso de leite materno. Podem ser descartáveis ou reutilizáveis. Ponderando que a prevenção do vazamento de LH em público seja importante para muitas lactantes, a utilização eventual de protetores absorventes, desde que confortáveis e macios, pode ser uma solução prática (Griffiths, 1993; Smith e Riordan, 2010).
Considera-se, no entanto que, para não manter a pele dos mamilos úmida, especialmente os artefatos descartáveis revestidos com plástico impermeável, devem ser trocados frequentemente, e nos episódios de candidíase mamilar, os absorventes reutilizáveis precisam ser fervidos diariamente (Griffiths, 1993; Bodley e Powers, 2000; Eglash et al., 2008). Além disso, o cuidado de umedecer o protetor antes da sua retirada, no caso de estar aderido à pele, deve ser tomado (Smith e Riordan, 2010).
Não é recomendado o uso de papel higiênico ou lenços de papel com a finalidade de sorver o excesso de LH, uma vez que a superfície da pele fica muito molhada. Mas vale ressaltar que a alternativa comprovadamente mais eficaz, barata e fácil de fazer em casa é a utilização de oito camadas de papel-tecido próprio para fraldas, composto por fibras de celulose, entremeadas por 12 camadas de papel higiênico de folha dupla (Griffiths, 1993).
Salienta-se no entanto, que o AM em livre demanda e a compressão mamária, por exemplo com os braços cruzados sobre as mamas, são em geral suficientes para inibir a vazão indesejada de LH (Smith e Riordan, 2010).
Sutiã
É uma peça do vestuário feminino, própria para acomodar ou sustentar a mama, e especialmente indicada no período de gestação e lactação, em função do aumento de volume do órgão (Brasil, 2009). O sutiã, apesar de não pertencer ao arsenal de artefatos para tratamento de intercorrências mamárias, está diretamente ligado à mama lactante (Smith e Riordan, 2010).
A utilização de sutiã com abertura central, para preparo dos mamilos no período pré-natal, não está indicada (Brasil, 2009; UNICEF, 2009).
O uso de sutiã não é obrigatório, apesar de que todas as nutrizes que desejem utilizá-lo precisam de modelo e tamanho adequados para acomodar corretamente as mamas (UNICEF, 2009; Smith e Riordan, 2010).
Um bom sutiã de amamentação não deve restringir o acesso do bebê ao peito. Precisa ser confortável, abranger toda a mama, sem que tecido mamário fique comprimido abaixo da borda da peça do vestuário. Um sutiã bem ajustado não deve subir nas costas, nem deixar marcas das alças nos ombros. A abertura frontal é conveniente, e pode ser especialmente útil quando se necessita amamentar em público. Para dormir, não deve ser escolhido um sutiã com aro de metal (Campbell, 2006; UNICEF, 2009; Smith e Riordan, 2010).
Na vigência de candidíase mamária, trocas freqüentes de roupas, sobretudo as íntimas, estão indicadas (Bodley e Powers, 2000; UNICEF, 2009). No caso de mastite, recomenda-se abolir o uso de sutiã, particularmente durante o sono. A escolha deve recair sobre roupas mais largas, e quando necessário, eleger um sutiã mais frouxo (Spowart et al., 2004).
Considerações Finais
O pediatra ocupa uma posição estratégica para estimular o AM e para solucionar problemas nessa área, mas o uso de dispositivos para a amamentação deve ser restringido a
ocasiões em que haja evidências aceitáveis de que eles poderão favorecer a manutenção da lactação e, que realmente, serão de grande auxilio para as nutrizes. Não pode ser desconsiderado o conflito de interesses envolvendo profissionais da saúde e fabricantes de dispositivos de auxílio ao AM, tanto na assistência à saúde como na pesquisa em amamentação (Helsing et al., 2009).
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Publicado em: 18/4/2012
quinta-feira, 29 de março de 2012
BEBÊS: INTRODUÇÃO de NOVOS ALIMENTOS são INADEQUADOS
Por: Cláudia Collucci e Marcio Pinho da Reportagem local - Folha de SP 15/09/2007
Mães alimentam errado bebês,diz pesquisa
Segundo o estudo, 54,6% de 35.173 crianças entre seis meses e um ano tinham alimentação complementar inadequada 77% das mães disseram trocar leite materno por outros tipos de leite;
OMS sugere que o leite materno seja dado até os 2 anos ou mais.
Cláudia Collucci e Marcio Pinho da Reportagem local
Mais da metade das crianças do Estado de São Paulo com idade inferior a um ano estão sendo alimentadas de forma incorreta, o que aumenta o risco de anemia e obesidade na primeira infância, revela um levantamento da Secretaria Estadual da Saúde.
A pesquisa avaliou 35.173 crianças entre seis meses e um ano entre os anos de 2003 e 2005, durante as campanhas de vacinação. Desse total, 19.205 (54,6%) apresentaram alimentação complementar inadequada após os seis meses de vida.
Segundo o estudo, 77% das mães entrevistadas disseram ter substituído o leite materno por outros tipos de leite. Tanto o Ministério da Saúde como a OMS (Organização Mundial da Saúde) recomendam que o leite materno seja dado até os dois anos de idade, junto com outros alimentos.
Porém, muitos pediatras costumam "dispensar" a amamentação a partir dos seis meses, conforme a Folha apurou. A justificativa é que a orientação da amamentação até os dois anos tem como alvo a população menos favorecida, mais sujeita à desnutrição, e não precisa ser seguida à risca por mães que possam oferecer aos filhos uma alimentação saudável.
Outro dado surpreendeu os pesquisadores: 63% das crianças estão sendo alimentadas com mingaus de leite, cereais ou farinhas, considerados muito calóricos, o que aumenta as chances de obesidade infantil. Muitas vezes, os mingaus substituem as papinhas salgadas com legumes, carnes e feijão, que são mais nutritivas.
"As pessoas pensam que criança gordinha é sinônimo de criança saudável. A mídia estimula isso. No entanto, o bebê gordinho pode caminhar para a obesidade", alerta a pediatra Graciete Viera, presidente do departamento de amamentação da SBP (Sociedade Brasileira de Pediatria).
Segundo Sônia Regina Saldiva, coordenadora da área de alimentação e nutrição da Secretaria Estadual da Saúde, a partir dos seis meses, em vez de complementar a alimentação da criança com cereais, arroz, feijão, legumes, verduras e carnes, muitas mães continuam dando ao bebê outros tipos de leite, com a adição da farinha.
"Nesta fase, a criança precisa continuar com o leite materno, e também receber alimentos que dão energia, ferro, através do feijão e da carne. Mas as mães ficam perdidas, achando que a criança não tem maturidade para comidas mais pastosas. Então, ela prioriza uma alimentação baseada em leite ou líquida demais."
Saldiva explica que, na faixa etária pesquisada, a prevalência de anemia nas crianças é, em média, de 50%. O dado foi encontrado em outras pesquisas feitas no Estado.
Para ela, o problema é mais de falta de informação do que recursos financeiros, já que a papinha salgada pode ser feita com os mesmos alimentos consumidos em casa.
Segundo o pediatra Cid Pinheiro, coordenador do serviço de pediatria do hospital São Luiz e professor da Santa Casa, as mães são orientadas a amamentar o filho no peito "o maior tempo possível".
"Além do vínculo emocional, explicamos que o leite materno tem substâncias que conferem imunidade ao organismo do bebê." Ele diz, porém, que muitas mães argumentam que conciliar amamentação com trabalho fora é impraticável.
É o caso de Ellen Belasco de Souza, 29. Após os quatro meses de licença-maternidade, ela precisou voltar ao trabalho no salão de beleza e deixar a filha Vitória aos cuidados da mãe.
O fato de só poder amamentar o bebê de manhã e à noite, contribuiu para que seu leite "secasse" já no quinto mês de aleitamento. "Quando fui mãe a primeira vez, há nove anos, não trabalhava e amamentei minha filha por oito meses."
Retirado daqui
Segundo o estudo, 54,6% de 35.173 crianças entre seis meses e um ano tinham alimentação complementar inadequada 77% das mães disseram trocar leite materno por outros tipos de leite;
OMS sugere que o leite materno seja dado até os 2 anos ou mais.
Cláudia Collucci e Marcio Pinho da Reportagem local
Mais da metade das crianças do Estado de São Paulo com idade inferior a um ano estão sendo alimentadas de forma incorreta, o que aumenta o risco de anemia e obesidade na primeira infância, revela um levantamento da Secretaria Estadual da Saúde.
A pesquisa avaliou 35.173 crianças entre seis meses e um ano entre os anos de 2003 e 2005, durante as campanhas de vacinação. Desse total, 19.205 (54,6%) apresentaram alimentação complementar inadequada após os seis meses de vida.
Segundo o estudo, 77% das mães entrevistadas disseram ter substituído o leite materno por outros tipos de leite. Tanto o Ministério da Saúde como a OMS (Organização Mundial da Saúde) recomendam que o leite materno seja dado até os dois anos de idade, junto com outros alimentos.
Porém, muitos pediatras costumam "dispensar" a amamentação a partir dos seis meses, conforme a Folha apurou. A justificativa é que a orientação da amamentação até os dois anos tem como alvo a população menos favorecida, mais sujeita à desnutrição, e não precisa ser seguida à risca por mães que possam oferecer aos filhos uma alimentação saudável.
Outro dado surpreendeu os pesquisadores: 63% das crianças estão sendo alimentadas com mingaus de leite, cereais ou farinhas, considerados muito calóricos, o que aumenta as chances de obesidade infantil. Muitas vezes, os mingaus substituem as papinhas salgadas com legumes, carnes e feijão, que são mais nutritivas.
"As pessoas pensam que criança gordinha é sinônimo de criança saudável. A mídia estimula isso. No entanto, o bebê gordinho pode caminhar para a obesidade", alerta a pediatra Graciete Viera, presidente do departamento de amamentação da SBP (Sociedade Brasileira de Pediatria).
Segundo Sônia Regina Saldiva, coordenadora da área de alimentação e nutrição da Secretaria Estadual da Saúde, a partir dos seis meses, em vez de complementar a alimentação da criança com cereais, arroz, feijão, legumes, verduras e carnes, muitas mães continuam dando ao bebê outros tipos de leite, com a adição da farinha.
"Nesta fase, a criança precisa continuar com o leite materno, e também receber alimentos que dão energia, ferro, através do feijão e da carne. Mas as mães ficam perdidas, achando que a criança não tem maturidade para comidas mais pastosas. Então, ela prioriza uma alimentação baseada em leite ou líquida demais."
Saldiva explica que, na faixa etária pesquisada, a prevalência de anemia nas crianças é, em média, de 50%. O dado foi encontrado em outras pesquisas feitas no Estado.
Para ela, o problema é mais de falta de informação do que recursos financeiros, já que a papinha salgada pode ser feita com os mesmos alimentos consumidos em casa.
Segundo o pediatra Cid Pinheiro, coordenador do serviço de pediatria do hospital São Luiz e professor da Santa Casa, as mães são orientadas a amamentar o filho no peito "o maior tempo possível".
"Além do vínculo emocional, explicamos que o leite materno tem substâncias que conferem imunidade ao organismo do bebê." Ele diz, porém, que muitas mães argumentam que conciliar amamentação com trabalho fora é impraticável.
É o caso de Ellen Belasco de Souza, 29. Após os quatro meses de licença-maternidade, ela precisou voltar ao trabalho no salão de beleza e deixar a filha Vitória aos cuidados da mãe.
O fato de só poder amamentar o bebê de manhã e à noite, contribuiu para que seu leite "secasse" já no quinto mês de aleitamento. "Quando fui mãe a primeira vez, há nove anos, não trabalhava e amamentei minha filha por oito meses."
Retirado daqui
quinta-feira, 19 de janeiro de 2012
Não existe leite materno fraco, afirma professora de nutrição
Entrevista com minha professora de faculdade, Márcia Regina Vitolo!! Ela desenvolveu uma pesquisa utilizando os 10 passos e fala dos resultados. Adoro ela!!
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| google imagem |
Márcia Regina Vitolo, da UFCSPA,
ganhou destaque nacional com pesquisa sobre amamentação
Por Guilherme Mazui | guilherme.mazui@zerohora.com.br
Um trabalho realizado pelo Núcleo de
Pesquisa em Nutrição da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto
Alegre (UFCSPA) teve reconhecimento nacional com o Prêmio Saúde na categoria
Saúde da Criança, concedido pela revista homônima, da Editora Abril.
A equipe da professora Márcia Regina Vitolo avaliou o impacto da implementação de um manual do Ministério da Saúde com 10 passos para uma alimentação saudável, voltado a crianças menores de dois anos.
O grupo levou as informações a pediatras e a outros profissionais, em 32 unidades de saúde da Capital, nas quais o número de crianças que se alimenta só de leite materno até quatro meses de vida aumentou em 15%.
O caderno Meu Filho, de Zero Hora, conversou com Márcia sobre o assunto. Confira a entrevista:
Meu Filho — Quais são as principais dicas do manual?
A equipe da professora Márcia Regina Vitolo avaliou o impacto da implementação de um manual do Ministério da Saúde com 10 passos para uma alimentação saudável, voltado a crianças menores de dois anos.
O grupo levou as informações a pediatras e a outros profissionais, em 32 unidades de saúde da Capital, nas quais o número de crianças que se alimenta só de leite materno até quatro meses de vida aumentou em 15%.
O caderno Meu Filho, de Zero Hora, conversou com Márcia sobre o assunto. Confira a entrevista:
Meu Filho — Quais são as principais dicas do manual?
Márcia Regina
Vitolo — Amamentar a criança só com leite materno até o sexto mês de vida
— enfatiza-se muito que não é necessário dar chá e água, mesmo durante o verão.
Ao iniciar a comidinha, ela deve ser composta por carne, além dos cereais e
verduras, que não devem ser liquidificados, mas só amassados para que o bebê
aprenda a mastigar. Não oferecer açúcar, biscoitos doces, gelatina,
refrigerante, salgadinho, chocolate, café ou qualquer outro alimento rico em
gordura ou açúcar para a criança com até dois anos.
MF — São dicas fáceis de se aplicar em casa?
MF — São dicas fáceis de se aplicar em casa?
Márcia — Muito
fáceis, pois o bebê não tem autonomia para buscar seus próprios alimentos. É
responsabilidade dos pais ou cuidadores oferecer alimentos saudáveis,
especialmente nos primeiros anos de vida da criança, quando as preferências
alimentares são estabelecidas.
MF — Em que os pais costumam errar na alimentação dos bebês?
MF — Em que os pais costumam errar na alimentação dos bebês?
Márcia — Um erro que
se observa com frequência é a mãe achar que seu leite é fraco ou não sustenta o
bebê. Assim, acaba utilizando outros leites. Não existe leite fraco, e a mãe
pode melhorar a técnica de amamentação deixando a criança esvaziar o peito em
cada mamada, já que o leite com mais energia e gordura sai no final da mamada.
Isso faz com que a criança sinta-se mais satisfeita e possa se alimentar em
intervalos maiores.
MF — O estudo também trata sobre o açúcar na alimentação das crianças?
MF — O estudo também trata sobre o açúcar na alimentação das crianças?
Márcia — O que mais
nos preocupa atualmente é a enorme frequência de famílias que oferecem para os
bebês alimentos com açúcar, muita gordura ou muito sal. Esses alimentos não
devem ser oferecidos pelo menos até os dois anos. A oferta de sucos, mesmo os
naturais, nos intervalos das refeições é desnecessária e muitas vezes
prejudicial, fazendo com o que o bebê perca a fome nas refeições.
MF — Que benefícios foram constatados na pesquisa?
MF — Que benefícios foram constatados na pesquisa?
Márcia — Nas
unidades em que os profissionais da saúde passaram pelo programa de
atualização, observamos em média um aumento de 15% nas crianças amamentadas
exclusivamente com leite materno até os quatro meses. Ainda houve uma redução
de 33% no risco de bebês de seis a nove meses receberem refrigerante, chocolate
e salgadinho.
segunda-feira, 9 de janeiro de 2012
Amamentação de uma prematura extrema!
Ai gente, tenho que compartilhar esta história linda, de uma bebê prematura extrema, que com o leite da mãe, sua força e seu carinho, salvaram sua filha! LEITE MATERNO ENGORDA SIM, TÁ?! Mães, não desistam, não tenham medo, vocês conseguem dar vida e saúde aos seus bebês...qual a dúvida???
quinta-feira, 5 de janeiro de 2012
Compressão da mama para ajudar o bebê extrair o leite.
Mais um texto para ajudar as mães que amamentam...
Texto de Dr. Jack Newman - Tradução de Enfª Grasielly Mariano
O propósito da compressão da mama é dar continuidade ao fluxo de leite para o bebê quando este suga sem retirar o leite – conhecida como nutrição não nutritiva. Retirar o leite da mama (Tipo de sucção: “boca bem aberta – pausa – boca fechada” – veja também os vídeos no website: www.drjacknweman.com) significa que o bebê enche sua boca com leite e se o bebê não consegue, a mamãe pode usar as compressões para ajudá-lo e manter o fluxo de leite para o bebê. As compressões simulam o reflexo de ejeção (descida do leite que as nutrizes experimentam durante a amamentação ou quando o bebê chora – embora algumas mulheres possam não sentir). A técnica pode ser útil para:
1- Bebê com dificuldade para ganhar peso
2- Cólica em bebê amamentado no peito
3- Mamadas frequentes ou longas
4- Lesões nos mamilos
5- Bloqueio de ductos ou mastite recorrentes
6- Encorajar bebê sonolento a continuar a sugar e extrair o leite.
7- Ajudar o bebê “preguiçoso” ou aquele quer apenas “chupetar” (para se acalmar). Incidentalmente os bebês respondem ao fluxo de leite.
A compressão não é necessária se tudo estiver correndo bem. Quando a amamentação está acontecendo dentro dos padrões normais a mãe deve permitir que o bebê termine a mamada em uma mama e depois deve oferecer a outra. Como saber quando o bebê já terminou de um lado? Quando ele apenas suga (sucção rápida e sem pausa) e não deglute. As compressões ajudam a extrair o leite.
Neste sentido, a aplicação de pressão funciona particularmente bem nos primeiros dias para ajudar o bebê a conseguir mais colostro. Eles não precisam de muito colostro, mas precisam de alguma quantidade. Uma boa pega e as compressões são suficientes para a extração.
Pode ser útil saber que:
1- Um bebê com uma boa pega consegue mais leite do que aquele cuja pega não está adequada. Uma pega “pobre” possibilita a extração do leite apenas quando o fluxo é rápido. Assim, muitas mães e bebês conseguem se dar bem mesmo na ocasião de uma pega “ruim”, uma vez que muitas produzem leite em abundância. Entretanto, a nutriz pode pagar o preço: Lesões no mamilo, bebê com cólica e/ou bebê que está constantemente ao seio (mas sugando apenas em uma pequena parte do tempo).
2- Nas primeiras 3-6 semanas de vida muitos bebês tendem a adormecerem enquanto mamam e o fluxo de leite é lento, não necessariamente quando eles conseguem leite suficiente, são “preguiçosos” ou querem “chupetar”. Após esta idade, eles começam a soltar o seio quando o fluxo de leite diminui. Contudo, alguns podem soltar a mama mesmo quando ainda são muito jovens (nos primeiros dias) e outros podem adormecer quando o fluxo de leite é mais lento mesmo no 3º/4º mês.
Compressão da mama – Como fazer?
1- Segure o bebê com um braço
2- Apoie o seio com a outra mão, envolvendo-o com o dedão em um lado da mama (na parte superior é mais fácil) e os outros dedos próximos à parede torácica
3- Observe o bebê mamando (veja os videos em www.nbci.ca) sem a necessidade de monitorar todas as sucções. O bebê consegue uma quantidade substancial de leite quando utiliza o tipo de sucção “boca bem aberta – pausa – fecha a boca”.
4- Quando o bebê suga sem extrair o leite, faça a compressão para aumentar a pressão interna da mama. Não deslize seus dedos pelo seio em direção ao bebê, apenas aperte e solte. Não aperte muito para não machucar e tente não alterar a forma da aréola (parte escura ao redor do mamilo). Com a compressão o bebê deve começar a sugar e extrair leite novamente com o tipo de sucção “boca bem aberta – pausa – fecha a boca”. Use a pressão enquanto o bebê suga e não extrai o leite – sucção não-nutritiva.
5- Mantenha a pressão enquanto o bebê suga sem retirar leite e então solte. Desfaça a pressão se o bebê parar de sugar ou se ele voltar a sugar sem extrair o leite. É comum que o bebê pare de sugar quando a pressão é a aliviada, mas ele volta a mamar em seguida com o maior fluxo de leite. Se o bebê não parar de sugar quando você soltar a pressão, espere um tempo para pressionar novamente.
6- A razão para aliviar a pressão é permitir que sua mão descanse e fazer com que o fluxo de leite se estabeleça novamente. O bebê, se ele pára de sugar quando você desfaz a pressão, voltará a sugar quando sentir o gosto do leite.
7- Quando a sucção recomeça, ele pratica a sucção “boca bem aberta – pausa – fecha a boca”. Se isto não acontecer, faça nova compressão.
8- Continue de um lado até que o bebê não consiga extrair mais leite, mesmo com as compressões. Você deve permitir que o bebê fique deste lado por um tempo até que você sinta o leite descer (reflexo de ejeção) e o bebê começar a sugar e retirar o leite sozinho. Se o bebê não consegue mais leite, deixe-o parar e tire-o do seio.
9- Se o bebê quer mais, ofereça o outro lado e repita o processo.
10- Você pode querer (a não ser que tenha fissuras e rachaduras nos mamilos) mudar de lado várias vezes.
11- Trabalhe para melhorar a pega do bebê
12- Lembre-se: faça a compressão apenas quando o bebê suga sem extrair leite. Espere que ele reinicie a sucção. Não pressione quando o bebê de fato tiver parado de sugar.
Por experiência, a técnica acima funciona muito bem, mas se você encontrar outra forma de fazer o bebê extrair mais leite com a sucção “boca bem aberta – pausa – fecha a boca”, utilize-a se for melhor para você e para o bebê. Contanto que não machuque as mamas e que o bebê consiga encher a boca com o leite materno, a compressão estará funcionando.
Você não precisará fazer isso sempre. À medida que a técnica da amamentação é aperfeiçoada você será capaz de deixar as coisas acontecerem naturalmente. Veja os vídeos sobre como direcionar a pega, como fazer o bebê conseguir leite e como usar as compressões em www.nbci.ca .
Grasielly Mariano – Enfermeira consultora em aleitamento materno, membro pesquisador do Núcleo de Ensino e Pesquisa em Aleitamento da Escola de Enfermagem da USP, tem formação em aleitamento materno em três países e realiza pesquisas no Canadá sob orientação do Dr. Jack Newman. E-mail: enfgrasi@lactare.com /telefone: (5511) 7761-3254.
Dr. Jack Newman, Médico pediatra canadense, consultor internacional em aleitamento materno, MD, IBLCE, fundou e dirige o Newman Breastfeeding Clinic Institute (Toronto) e é professor da Toronto University.
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