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quarta-feira, 18 de abril de 2012

Notícia - Funchicórea: fitoterápico para cólicas perdeu o registro da Anvisa



Tradicional para o combate da dor dos bebês, o remédio não tem eficácia comprovada

Luiza Tenente

O que você costuma fazer para aliviar a cólica do seu bebê? Se a resposta for Funchicórea, vai ter de encontrar outra alternativa. O remédio fitoterápico, que combateria a prisão de ventre e as cólicas nos primeiros meses de vida da criança, teve seu registro cancelado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), recentemente. Em 2005, a renovação do registro do Funchicórea foi indeferida, porque a empresa fabricante do produto, Laboratório Melpoejo, não havia cumprido as exigências técnicas e apresentara documentação em desacordo com as normas da época. A justificativa da Anvisa foi a falta de comprovação da eficácia e da segurança do fitoterápico. Mas o laboratório, na época, recorreu e conseguiu que ele continuasse sendo comercializado. 

A CRESCER apurou que o fitoterápico, tradição há 72 anos, finalmente, está desaparecendo das maiores redes de farmácia de São Paulo (SP). Mas, se mergulhar a chupeta no famoso pozinho não surte efeito, por que há algumas mães reclamando da decisão da Anvisa? O pediatra Marcelo Reibscheid, do Hospital e Maternidade São Luiz (SP), explica que os bebês podem até se acalmar com o fitoterápico, mas isso não significa que a cólica passou. Ele apenas se distraiu. Isso porque um dos componentes do remédio é a sacarina, um tipo de adoçante artificial, que como toda substância doce desperta aquela sensação de prazer. A mesma que você sente ao comer chocolate. “Não é recomendado que a criança consuma açúcar no primeiro ano de vida, muito menos adoçante”, alerta Reibscheid. 

Mas é claro que existem outras formas de amenizar as cólicas do bebê. O mais importante é manter a calma. “Vale lembrar que o sintoma é fisiológico e diminui após os três meses de vida", tranquiliza o pediatra. Como os sistemas digestório e neurológico ainda estão imaturos, os movimentos peristáticos (aqueles do intestino) são desordenados e causam desconforto. A seguir, algumas dicas para ajudar a diminuir o sofrimento do seu filho, sem o uso de remédios. 

Massagem 
A shantala, técnica indiana, é uma boa forma de acalmar o bebê. Você pode fazer movimentos circulares, com uma leve pressão, que também aquecerão a barriga dele. Usar óleo de bétula ou de amêndoa é outra dica para fazer a massagem ficar mais prazerosa. 

Ginástica 
O famoso exercício da bicicletinha estimula a eliminação de gases. Flexione e estique as pernas do seu filho, para que ele solte puns e arrote. 

Banho ou bolsa de água quente 

Aquecer a região dolorida é uma ótima forma de amortecer a dor. Um banho morno, duas a três vezes ao dia, é indicado pelo pediatra Marcelo para acalmar a criança. No caso da bolsa, sempre a embrulhe em uma toalha, para não queimar a barriga do bebê. 

Alimentação 

Há mitos quanto à influência da alimentação da mãe que amamenta na produção de gases da criança. “Não existem privações na dieta”, diz Reibscheid. No entanto, evite exageros e bebidas que fermentem, como as alcoólicas e as gasosas, enquanto estiver no período de aleitamento. 

Colo 

Além do carinho, você contribuirá para aquecer a barriga do bebê e aliviar a cólica. Alguns pais gostam de segurar o bebê deitado de bruços em seu antebraço. A posição também pode ajudar no alívio das dores.

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Educando os especialistas- Lição 4: Auto-conforto


“O que uma criança não recebe na infância raramente conseguirá oferecer na vida adulta”
- P.D. James

Eu absolutamente adoro a frase acima de P.D. James, pois destaca muito bem os problemas tão esquecidos no nosso mundo atual em relação a criação de filhos. É tão frequente que se empurre as crianças para serem independentes, que parece-se acreditar que a única maneira delas alcançarem a independência é forçá-las a tal. Se não os colocarmos de pé, como eles aprenderão a ficarem de pé sozinhos?
E a maior pressão de todas é para que as crianças regulem suas próprias emoções—ou se auto-confortem, como preferirem.

Vocês ‘especialistas’ nos dizem que, se não deixarmos nossos bebês chorarem sozinhos e se acalmarem, eles nunca aprenderão a se acalmarem. E então o que vemos são muitos pais que acreditam nessa ‘profecia’ e embarcam nessas práticas que prejudicam não somente seus bebês, mas seus pais também. Sim, porque o próprio processo de escutar seu bebê chorando, em prantos, sozinho, é tão duro, que a maneira que os pais lidam com isso é geralmente clamando por aí que eles estão agindo corretamente e que esta é a maneira de ensinar seu filho a se auto-consolar.  Mas, na verdade, o que vocês estão dizendo ao divulgar esse conselho simplesmente não é verdadeiro. Este conselho de deixar o bebê chorando sem consolo para seu próprio bem se apoia numa mentira, e isso TEM que parar.


Nada ou afunda?

O argumento do auto-conforto sempre me lembra do ditado “nade ou afunde” exceto que, nesse caso, seria “chore ou se conforte sozinho”.  Ambos argumentos são igualmente ridículos. Se você pensar com calma, o argumento "nade ou afunde" só é aplicável a quem já sabe nadar, porque alguém que não sabe nadar irá afundar toda vez que for jogado na piscina. Aprender a regular suas próprias emoções não é diferente. A menos que você já aprendeu como fazê-lo, você falhará, e é por isso que seus conselhos aos pais, propondo que lhes "ensinem" seus filhos usando estes métodos não são apenas dolorosos à família, mas não ajudam a criança a longo prazo.

Neste artigo revisaremos as evidências, as teorias e as repercussões a longo prazo do que vocês estão fazendo ao divulgar essas ‘desinformações’.

Evidências a favor do choro para auto-conforto
Devo começar mostrando evidências que alguns de vocês citam em favor dessas técnicas para ensinar regulação de emoções (eu digo “alguns” porque muitos de vocês nem se importam em citar evidências científicas para fundamentar seus argumentos, infelizmente). Thomas Anders, da Universidade da California, é um pesquisador na área de sono de bebês. Ele investigou fatores que levam ao bebê se auto-acalmar, com relação ao sono, no primeiro ano de vida. Muitas de suas pesquisas não suportam o choro sem consolo para aprender a se confortar sozinho (por exemplo, veja [1]), mas infelizmente uma parte de suas pesquisas tem sido usada dessa forma. Em um estudo que visava identificar fatores que poderiam prever a capacidade de auto-conforto no primeiro ano (adormecer sozinho, sem ajuda) ele descobriu que aumentar o tempo de resposta ao bebê (não responder ao choro imediatamente, mas esperar tempos maiores e maiores) após seu despertar aos 3 meses foi um preditor significativo de auto-conforto aos 12 meses [2].  Além desse trabalho de Anders, Karyn France da Universidade de Canterbury na Nova Zelândia examinou o uso de drogas e técnicas comportamentais para tratar de “distúrbios de sonos de bebês” (eu reluto demais com essa expressão já que implica que bebês deveriam dormir a noite toda, o que é ridículo por si só- para mais informações, veja o artigo ‘Expectativas sobre bebês- parte 1 de 2’- http://www.orkut.com/Main#CommMsgs?cmm=1122463&tid=5660783590694158978
ou no Facebook- https://www.facebook.com/note.php?note_id=282770681747348 ). Ela descobriu que os bebês de pais que os ignoravam sistematicamente (isto é, usavam o método choro) tinham mais sucesso em conseguirem que elas dormissem e parassem de chorar, e isso sugere que o sucesso vinha do fato que o bebê aprendia a se auto-confortar (refs. [3][4][5]).

Qual é o problema com essa pesquisa?  O principal método de acessar o “auto-conforto” foi simplesmente o método de extinção do choro. Na lição um (Educando os especialistas- por que o bebê chora? Razões científicas porque treinamentos de sono não são recomendados
http://www.orkut.com/Main#CommMsgs?cmm=1122463&tid=5641849622478879557
ou no Facebook- https://www.facebook.com/note.php?note_id=257385097619240 ) conversamos sobre o que significa o cessar do choro e como há outras explicações para o fato do bebê parar de chorar não ter nada a ver com ele ter aprendido a se auto-confortar. A mesma lição se aplica aqui, já que os bebês que pararam de chorar podem simplesmente estar tentando não desperdiçarem energia, e não que aprenderam a se confortarem sozinhos.
Então como podemos examinar o auto-conforto?  Temos que olhar para os comportamentos do bebê que PRECEDEM e que previnem-os de se frustarem ou chorarem, então assim saberemos que o comportamento está na verdade ajudando-os a evitarem o estado negativo de emoções (choro). Pode-se também medir os comportamentos dos pais e então examinar os comportamentos de auto-conforto da criança (ou regulação de emoções, como é chamado mais tarde em crianças mais velhas e adultas).  Felizmente pesquisadores tem feito justamente isso. Mas, antes de discutir isso, quero comentar algumas das teorias que explicariam a falácia do modelo “nade ou afunde”.


Aprendizado por observação, aprendizado guiado e neurônios espelho

A pergunta que temos que fazer a nós mesmos é: como as crianças aprendem? Se o método do ‘nada ou afunda’ fosse bem-sucedido, nós nunca teríamos que ajudar nossos filhos em suas jornadas para entender nada. Mas o fato é que precisamos ajudá-los sim!




Algumas pessoas podem argumentar que nós não estamos ensinando nossos filhos tanto assim- como por exemplo no processo de andar - e eles estão certos. Mas, isso não significa que não estamos ensinando-os nada. Em 1961, um professor chamado Albert Bandura da Universidade Stanford empreendeu uma série de experimentos incríveis, atualmente chamados de ‘Experimentos do boneco Bobo’ (um boneco gigante inflável).  Ele dividiu crianças entre 3-5 anos em grupos e os colocou para observarem um adulto interagir, de modo agressivo ou não, com esse boneco. Ele descobriu que as crianças que testemunharam um adulto agindo agressivamente (dando pancadas no boneco) tinham mais chances de agirem agressivamente também, mesmo que o comportamento não tivesse sido explicitamente ensinado a criança [6]. Esse vídeo é impressionante- http://www.youtube.com/watch?v=Pr0OTCVtHbU

Esses resultados suportam a “Teoria do Aprendizado Social”, uma teoria psicológica que afirma que a aprendizagem social ocorre por imitação até que os conceitos aprendidos sejam internalizados e completamente entendidos [7].  Então, quando se fala de auto-conforto, não precisamos ensinar os bebês explicitamente a como se confortarem, mas simplesmente modelar o comportamento para eles. Em alguns casos, fazemos justamente isso quando os acalmamos, mas esse tipo de aprendizado requer uma maturidade que somente uma criança mais velha que possa entender o comportamento em várias nuances que o auto-conforto pode incluir.

Isto nos leva ao que é chamado de ‘aprendizado andaime’ ou ‘aprendizado guiado’.  Além de simplesmente modelarmos o comportamento, o aprendizado guiado significa que estamos mostrando as crianças os comportamentos de interesse e ajudando-os a aprender como se virariam por si mesmos. Alguns pesquisadores acreditam que, quando os pais confortam seus bebês, eles estão modelando o comportamento que as crianças devem seguir para se confortarem a si mesmos [8][9].  De fato, eles argumentam que é assim que as crianças eventualmente aprendem a se confortarem sozinhas de uma maneira saudável. Mas por que, então, que isso não é internalizado nos primeiros meses? Afinal de contas, muitos de vocês especialistas argumentariam que recomendam aos pais que não deixem seus bebês chorando por um período de tempo, ou que ofereçam conforto durante o dia (enquanto que a noite seria a fase de não oferecer conforto). E então, esses períodos não seriam suficientes para modelar o comportamento para os bebês?  Para responder isso, precisamos examinar o trabalho de Lev Vygotsky.  Além de seu trabalho decisivo e fundamental sobre psicologia e cultura, Vygotsky criou o termo “zona de desenvolvimento proximal” que se refere ao que a criança é capaz de fazer sozinha e ao que ela é capaz de fazer com ajuda [10].  Isto é fundamental, já que tentar ensinar a criança alguma coisa fora de sua zona de desenvolvimento proximal significa que a criança absolutamente não a aprenderá. 
Regular as emoções é uma tarefa complexa e difícil, e é algo que muito provavelmente está longe do alcance de bebês novinhos. Crianças levam tempo para aprender a regular suas próprias emoções, e esse aprendizado ocorre em diferentes épocas para diferentes tipos de regulações. Nesse meio tempo, a aprendizagem guiada sugeriria que nós continuemos a modelar o comportamento, ao responder oaos choros dos bebês, então eles poderiam aprender a fazerem por si mesmos.

Esperar que eles aprendam isso muito cedo significa que eles não somente não irão aprender, mas que também podem nunca mais aprender apropriadamente se pararmos de modelar o comportamento a eles.

Finalmente, ‘neurônios espelho’ merecem alguma discussão aqui. Para quem não está ciente do termo, neurônios espelho se referem a neurônios no cérebro que disparam tanto quando um animal realiza um determinado ato, como quando observa outro animal (normalmente da mesma espécie) a fazer o mesmo ato. Desta forma, o neurônio imita o comportamento de outro animal como se estivesse ele próprio a realizar essa ação [11].  Eles já foram identificados em primatas e acredita-se existirem em humanos, mas até agora foram limitados a atos físicos [12]; entretanto, há hipóteses de que desempenham papéis em vários tipos de funções psicológicas, particularmente na teoria da mente (a habilidade de entender os estados mentais e emocionais dos outros)[13][14].  É bem possível que bebês utilizem neurônios espelho para aprender sobre comportamento e regulação de emoções. Mais importante ainda é que isso significaria que eles precisam testemunhar os fatos (como descritos nas teorias de aprendizado social e aprendizado guiado) para que áreas apropriadas do cérebro incorporem aquela informação para ser utilizada quando necessária. Sem esse estímulo seria irracional assumir que neurônios espelho aprenderiam o que eles deveriam aprender; afinal de contas, os pesquisadores que trabalham com neurônios espelho acreditam que eles são a chave para nossa habilidade de imitar [15], e imitação é necessária para quase todos os tipos de aprendizado.

Evidências contra a Hipótese de deixar chorar para desenvolver o auto-conforto

Evidências que responder positivamente ao filho ajuda a regulação de emoções vêm de pesquisas feitas em várias idades. Pesquisadores da Universidade de Oregon trabalharam com a primeira infância, examinando comportamentos que evidenciariam atos de auto-conforto (isto é, aqueles que ajudam a criança a evitar estados emocionais negatives) e descobriram que há várias manifestações de auto-regulação em bebês de 3 a 13.5 meses de idade. Estes atos incluiam alguns que bebês são capazes de fazerem por si mesmos (como arquear as costas para evitar estímulos negativos), mas muitos envolviam o bebê usando sua mãe como ‘tampão’ para ajudar a evitar emoções negativas [16].  Isto sugere que, durante esse período inicial de aprendizado sobre auto-regulação de emoções, bebês tem ciência de suas próprias limitações e são capazes de solicitarem ajuda para regular a negatividade.

Mais importante ainda, essas pesquisas foram feitas durante o dia e usaram uma variedade de comportamentos e jogos para induzir negatividade em bebês. Por isso, não contaram com o parâmetro usual  de ‘bebê parou de chorar e adormeceu’ como parâmetro de auto-conforto. Isto também sugere que crianças que pedem ajuda quando aflitosprecisam dessa ajuda, como os bebês que conseguiram regular suas emoções o fizeram neste estudo; é fato que nenhuma criança foi capaz de se auto-confortar durante TODAS as condições apresentadas a eles- todas precisaram de ajuda. Então, ignorar os pedidos de ajuda do seu bebê não resulta em bebês que se auto-confortam mais rapidamente- eles lidam com a situação da melhor maneira que podem-  mas simplesmente serve como evidência que o pai ou mãe não está lá para ajudá-lo quando eles solicitam.


Como discutido no meu post ‘Meu bebê também chora’ (http://www.evolutionaryparenting.com/?p=556), existem também evidências neurobiológicas de que o choro excessivo (que ocorre quando pais deixam seus bebês chorando sem consolo e sem toque) é prejudicial ao cérebro. A pesquisadora Megan Gunnar da Universidade de Minnesota pesquisou e revisou uma ampla variedade de pesquisas sobre esse fenômeno e descobriu que bebês que são deixados chorando sozinhos sem consolo demonstram uma resposta cerebral ao estresse que se desenvolve no que é chamado perfil neurológico “reativo ao estresse” [17].  Esse perfil reativo ao estresse está relacionado a falha de regulação de emoções  na criança mais velha e na vida adulta e não existe em crianças que foram confortadas quando choravam.

Então, as pesquisas neurológicas sugerem que deixar a criança chorando não somente não conduz a um comportamento de auto-conforto, mas também levam a falha no desenvolvimento de técnicas saudáveis de regulação de emoções.

Finalizando, há evidências científicas com crianças mais velhas que demonstram bem o contrário da hipótese do ‘nade ou afunde’. Primeiro, embora não se tratem de evidências conclusivas, choro excessivo (que é o que se espera ver em crianças que foram deixadas chorando sem consolo) tiveram relação com problemas de regulação de emoções mais tarde  na vida[18].  Embora essas pesquisas não tenham relacionado regulação de emoções com sensibilidade maternal, a sensibilidade abrange uma série de comportamentos maternais, sendo que nem todos pertencem a resposta positiva a aflição do bebê. Pertinente a isso, pesquisas que tentaram isolar o calor maternal e a responsividade ao estresse (os dois maiores componentes associados com “sensibilidade maternal”) descobriram que a resposta ao estresse, mas não o calor, preveu e regulação emocional em crianças de 6 a 8 anos [19].

Mais pesquisas vêm de um estudo longitudinal examinando comportamentos maternais com bebês de 6 meses e então comportamento das crianças aos 2 e 3 anos de idade [20]. Neste estudo, resposta maternal ao estresse do bebê de 6 meses, mas não resposta ao não-estresse, foi relacionado com predição de regulação de emoção e funcionamento sócio-emocional em ambos 2 e 3 anos de idade. Isso foi particularmente verdadeiro para bebês que foram considerados serem temperamentais em ambos 1 e 6 meses de idade. Esta pesquisa destaca as implicações a longo prazo do comportamento dos pais com seu filho, particularmente quando o bebê é ‘sensível’.  Foi muito visível que bebês ‘sensíveis’ tenderam a chorar mais para início de conversa [21] e então entender os efeitos do comportamento dos pais é muito significativo para essas crianças. 


Finalmente, em uma revisão maravilhosa sobre os efeitos da regulação de emoções, Judy Cassidy da Universidade de Estado de Pensilvânia revisou as pesquisas sobre ‘attachment parenting’ e regulação de emoções e descobriu que bebês que tem pais que se envolvem em práticas que promovem vínculos seguros, particularmente a resposta ao choro, tem filhos que demonstram melhor regulação de emoções que os que tiveram vínculos inseguros [22].
Em resumo, há uma grande gama de pesquisas científicas, ambas nos campos da neurologia e da psicologia, que demonstram a importância de se responder aos choros das crianças para facilitar a regulação de suas emoções. A idéia de que o bebê aprenda a se auto-confortar sem ser exposto a comportamentos de conforto de adultos é simplesmente falsa. Bebês são ‘típicos afundadores’ que não conseguem nadar se não os ensinarmos.


Conclusões

É de importância crítica ensinar apropriadamente o seu bebê como regular suas emoções e se auto-confortar. A natureza cíclica de criação (a maneira como criamos nossos filhos tem muito de como fomos criados nós mesmos por nós pais) nos mostram que comportamentos de vínculo e padrões são transmitidos de geração para geração, isto é, crianças tendem a repetir suas experiências [23]. 

Isto significa que pais que não respondem aos choros do bebê na primeira infância terão provavelmente crianças com problemas de regular suas próprias emoções negativas, o que pode contribuir com dificuldades de prover conforto aos seus próprios filhos mais tarde. É um padrão muito difícil de ser quebrado (embora obviamente não seja impossível, já que muitas pessoas que usam meios de criação exemplificados aqui o fazem porque tomaram ciência dos problemas que tinham eram resultados do modo que seus pais lhe criaram). 
Ao promover métodos que resultam em problemas sócio-culturais, vocês ‘especialistas’ estão não somente prejudicando as crianças que passam por dolorosos períodos de choro sem consolo e muito estresse, mas também prejudicam gerações futuras.

Espero que vocês aprendam com essas lições e pelo menos percebam que, mentir aos pais em suas recomendações que ignorem as necessidades de seus bebês não ajuda a ninguém. Os pais merecem ouvir a verdade quando fazem decisões tão importantes sobre como educar seus filhos, eles não podem se basear em mentiras.


Até agora discutimos substancialmente sobre choro (por que o bebê chora, o que leva ao choro, como o toque ajuda, e as mentiras sobre ignorá-lo) e agora começaremos a discutir outro tema que vocês gostam tanto- rotinas. E não somente sobre rotinas gerais que as famílias tendem a fazer (todos nós humanos no final das contas) mas os esquemas rígidos de rotinas que muitos de vocês alegam serem necessários para “ajudar” nossos filhos. Fiquem ligados …


Mais artigos da série ‘Educando os especialistas’:
Lição 1- Educando os especialistas- por que o bebê chora? Razões científicas porque treinamentos de sono não são recomendados
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Lição 2- Educando os especialistas, parte 2- quais são necessidades dos bebês? Só fisiológicas, ou emocionais também? Afinal precisa de colo ou não?
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Lição 3- Educando os especialistas, parte 3- o poder do toque, tanto para o bem como para o mal. E quanto toque afinal o bebê precisa?
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Tradução: Andréia C. K. Mortensen

Referências bibliográficas
[1] Keener MA, Zeanah CH, & Anders TF. Infant temperament, sleep organization, and nighttime parental interventions. Pediatrics (1988); 81: 762-771.
[2] Burnham MM, Goodlin-Jones BL, Gaylor EE, & Anders TF. Nighttime sleep-wake patterns and self-soothing from birth to one year of age: a longitudinal intervention study.  Journal of Child Psychology and Psychiatry (2002); 43: 713-725.
[3] France KG & Hudson SM. Management of infant sleep disturbance: A review. Clinical Psychology Review (1993); 13: 635-647.
[4] France KG & Blampied N. Modifications of systematic ignoring in the management of infant sleep disturbance: Efficacy and infant distress. Child and Family Behaviour Therapy(2005); 27: 1-16.
[5] Healey D, France FG, & Blampied N. Treating sleep disturbances in infants: What generalizes?  Behavioural Interventions (2009); 24: 23-41.
[6] Bandura A, Ross D, & Ross SA. Transmission of aggression through imitation of aggressive models.  Journal of Abnormal and Social Psychology (1961); 63: 575-582.
[7] Bandura A. Social Learning Theory.  Englewood Cliffs, NJ: Prentice Hall (1977).
[8] Gottman JM, Katz LF, & Hooven C. Parental meta-emotion philosophy and the emotional life of families: Theoretical models and preliminary data. Journal of Family Psychology (1996); 10: 243-268.
[9] Thompson RA. Emotion regulation: A theme in search of definition. Monographs of the Society for Research in Child Development (1994); 59: 25-52.
[10] Vygotsky LS. Mind in Society: Development of Higher Psychological Processes. Cambridge, MA: Harvard University Press (1980).
[11] Keysers C. Mirror neurons. Current Biology (2010); 19: R971-973.
[12] Rizzolatti G & Craighero L. The mirror neuron system. Annual Review of Neuroscience(2004); 27: 169-192.
[13] Meltzoff A. ‘Like me’: A foundation for social cognition. Developmental Science(2007); 10: 126-134.
[14] Rizzolatti G & Fabbri-Destro M. Mirror neurons: From discovery to autism. Exp Brain Res (2010); 200: 223-237.
[15] Ramachandran VS. Mirror neurons and imitation learning as the driving force behind “the great leap forward” in human evolution. http://www.edge.org/3rd_culture/ramachandran/ramachandran_p1.html  (Accessed October 28, 2011)
[16] Rothbart MK, Ziaie H, & O’Boyle CG. Self-regulation and emotion in infancy. In N. Eisenberg & R.A. Fabes (Eds.) Emotion and its regulation in early development: New directions for child development, No. 55: The Jossey-Bass education series (1992) (pp. 7-23). San Francisco: Jossey-Bass Publishers.
[17] Gunnar, M. R. Social regulation of stress in early childhood. In K. McCartney & D. Phillips (Eds.), Blackwell Handbook of Early Childhood Development (pp. 106-125). Malden: Blackwell Publishing (2006).
[18] Stifter CA & Spinrad TL.  The effect of excessive crying on the development of emotion regulation. Infancy (2002); 3: 133-152.
[19] Davidov M & Grusec JE. Untangling the links of parental responsiveness to distress and warmth to child outcomes. Child Development (2006); 77: 44-58.
[20] Leerkes EM, Blankson AN, & O’Brien M. Differential effects of maternal sensitivity to infant distress and nondistress on socio-emotional functioning. Child Development (2009); 80: 762-775.
[21] Frodi A, Bridges L, & Shonk S.  Maternal correlates of infant temperament ratings and of infant-mother attachment: A longitudinal study.  Infant Mental Health Journal(1989); 10: 273-289.
[22] Cassidy J. Emotion regulation: Influences of attachment relationships.  Monographs of the Society for Research in Child Development  (1994); 59: 228-283.
[23] Verschueren K, Dossche D, Marcoen A, Mahieu S, & Bakermans-Kranenburg M.  Attachment representations and discipline in mothers of young school children: An observation study.  Social Development (2006); 15: 659-675.

Fonte:  http://www.evolutionaryparenting.com/?p=578
Publicado em 01 de novembro de 2011, por Tracy G. Cassels.

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Três maneiras de reduzir a Angústia de Separação


A partir do momento que bebês tomam ciência do mundo ao seu redor eles começam a formar relações importantes com as pessoas em suas vidas. Eles aprendem rapidamente que certas pessoas são vitais para sua felicidade e sobrevivência. Bebês não tem a habilidade de entender como o mundo funciona, então eles não sabem o que faz essas pessoas aparecerem e desaparecerem. Quando as pessoas especiais para eles não estão a vista, eles não tem como saber que seus amados sumiram para sempre, e então eles expressam sua preocupação da maneira usual: chorando e se agarrando. Aqui algumas dicas de como ajudar seu bebê a se adaptar a situações de separação sem ansiedades.


1- Pratique separações rápidas e diárias

Durante seus dias juntos crie oportunidades de expor seu bebê a separações visuais breves, seguras e rápidas (brincar de esconder o rosto e logo reaparecer é ótimo, eles adoram!). Esse processo é particularlmente útil para bebês super grudados ou ‘high needs’, que precisam estar muito perto de você o tempo todo. Comece incentivando que seu bebê brinque com um brinquedo interessante ou outra pessoa. Quando seu bebê estiver feliz e distraído com o brinquedo ou pessoa, caminhe calmamente e lentamente para outro quarto. Assobie, cante, murmure uma canção ou fale, de modo que seu bebê sabia que você ainda está por perto, mesmo que não possa te ver. Pratique essas separações breves algumas vezes ao dia numa variedade de situações diferentes.

2- Evite a transferência de colo para colo

É muito comum passar o bebê do colo de um cuidador para outro. O problema é que cria ansiedade no bebê sair da segurança dos braços da mãe e ser fisicamente transferido para os braços de outra pessoa que lhe é menos familiar. Essa separação física é a mais extrema na mente do bebê e que mais traz ansiedade de separação.

Para reduzir as sensações físicas de ansiedade que são produzidas na transferência de um bebê dos braços de uma pessoa para outra, faça a mudança com seu bebê num lugar neutro, como o bebê brincando no chão ou sentado numa cadeirinha, cadeirão de alimentação ou bebê conforto. Peça para o cuidador sentar do lado de seu bebê e interagir com ele, enquanto isso você fala um ‘tchau’ rápido porém positivo, num tom feliz. Assim que você sair é um bom momento para o cuidador pegar seu bebê no colo.
A vantagem é que o cuidador vai ser colocado na posição de ‘salvador’ e isso pode ajudá-los nessa relação.

3- Entenda a ansiedade de separação como um sinal positivo!

É perfeitamente normal- até maravilhoso- que seu filho tenha esse bom apego e que ele/ela desejem essa proximidade contigo e sua presença constante.
Parabéns!!: isso é evidência de que o laço afetivo que você criou desde o início está seguro.
Então ignore educamente as pessoas que te dizem o oposto.

Relaxar em suas expectativas de independência certamente irá ajudar seu bebê a relaxar também e a ter menos ansiedades nas horas de separação entre vocês.

Do livro ‘No-Cry Separation Anxiety Solution: Gentle Ways to Make Good-Bye Easy from Six Months to Six Years’ de Elizabeth Pantley (Editora McGraw-Hill, 2010).
Soluções para noite sem choro 

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Bebês de muitas necessidades !!

Estava eu passando pela comunidade do orkut " Soluções para noites sem choro", e vi o tópico: " Como é o seu bebê? Precisa de muitos cuidados?". E eu pensei "Sim!!" . E como precisa... Sofia é uma criança que precisa de atenção constante, de segurança, suporte. Bem diferente do meu primeiro filho Bê. Tudo foi relativamente tranqüilo... claro que ele mamava muito, mas é assim mesmo, eu tinha que suprir as necessidades dele. Mas ele brincava por um tempo no cercadinho, me deixando respirar de vez em quando.
Sofia não! Desde que nasceu sempre foi muito exigente, era (vou explicar o ERA mais tarde) o tempo tooooodoooo no colo,  não era nem pra mamar, sim para cheirar, se sentir segura, acalentada! Tentei fazê-la dormir no berço ( Bê dormiu até o 6º mês no berço depois não quis mais, era com nós, na cama), deixando ela se acostumar com o local, coloquei rolinhos para ela se sentir mais segura... se ela dormia uma hora era muito. Tentamos no carrinho, no lado da minha cama, ai sim, dormia por umas 3 horas seguidas. Com o tempo não deu pra enrolar mais! Afff...coloquei ela comigo na cama e pronto! Dormimos até hoje (ela tem quase 1 ano, hoje) muito bem, obrigada! Até que de vez em quando ela dorme no berço, por umas 5-6 horas seguidas! Bem, Sofia ainda quer colo, maaaaassssss como está aprendendo a caminhar, nos dá a mãozinha e Ai se não levamos ela para um passeio! São gritos, berros...nossa! Comida é complicado, hora quer e hora não quer. Claro que ela não despensa o "tetão"! Enfimmmm... Sofia é a minha bebê de muitas necessidades, que eu AMOOO, demais, e daqui a pouco não vai estar mais na minha saia. Então, vou "estragá-la" bastante, assim como fiz com o meu filho e ainda faço!
Deixo pra vocês uma texto traduzido pela Dra. Andréia C.K. Mortensen, que fala exatamente sobre isso:



O que são “bebês high need "- a história de nossa bebê Hayden (Sears)


Nossos três primeiros filhos eram relativamente "fáceis". Eles dormiam bem e tinha rotinas de comer bem previsíveis. Suas necessidades eram fáceis de identificar e satisfazer. Na realidade, eu comecei a suspeitar que os pais que vinham em meu consultório pediátrico reclamando de seus bebês difíceis, que choravam muito, estavam exagerando! “Por que toda essa dificuldade com bebês?”, eu me perguntava.

COMO ELA AGIA

Então veio Hayden, nosso quarto bebê, cujo nascimento mudou nossas vidas. Nossa primeira dica que ela seria diferente veio em um ou dois dias. "Ela só quer colo," se tornou a frase frequente de Martha. Amamentar para Hayden não era somente fonte de alimento, mas de conforto. Martha se tornou uma chupeta humana. Hayden não aceitaria nenhum substituto. Ela estava constantemente no colo e no peito- e essa rotina constante se tornou muito cansativa. Os choros de Hayden não eram meros pedidos, eles eram exigencias! Amigos com boas intenções sugeriam, "Simplesmente ponha-a no berço e deixe-a chorar." Aquilo não funcionou mesmo. Sua persistência extraordinária a fez continuar chorando, chorando. Seu choro não diminuiu, pelo contrário, se intensificou. E nós não respondemos.
Hayden era excelente para nos ensinar o que precisava. "Contanto que a segurassemos, ela estaria feliz”, se tornou nosso slogan sobre como cuida-la. Se tentassemos deixa-la chorar, ela choraria mais e mais alto. Nós jogavamos o jogo ‘passe o bebê’. Quando os braços de Martha não aguentavam mais, ela vinha para os meus.
Hayden se tornou presente sempre em meus braços, no peito e nossa cama. Se tentássemos tirar uma pausa dela, ela protestaria contra qualquer babá. O slogan da vizinhança se tornou: Todo lugar que Bill e Martha vão Hayden vai atrás. Nós a apelidamos de "Bebê Velcro." Hayden nos abriu como pessoas. A virada veio quando nós fechamos os livros sobre como criar o bebê e abrimos nossos corações a nossa filha. Ao invés de ficar na defensiva com medo de mimá-la demais, nós começamos a ouvir o que Hayden estava tentando nos dizer desde o momento que saiu do ventre: "Oi, mamãe e papai! Vocês foram abençoados com um tipo diferente de bebê, e eu preciso de cuidados diferentes. Se vocês me derem esses cuidados, tudo vai ficar bem. Mas se vocês não derem, nós estaremos em longos conflitos." Logo que descartamos nossas idéias pre-concebidas de como bebês devem ser, e aceitamos a realidade que como Hayden era, nós nos entendemos muito melhor. Hayden nos ensinou que bebês não manipulam, eles comunicam.

COMO NOS SENTIMOS

Se Hayden fosse nossa primeira filha, nós teríamos concluído que era nossa completa culpa que ela não conseguia se confortar, porque éramos pais expirantes. Mas ela era nossa quarta filha, e dessa vez nós achávamos que sabíamos como cuidar de uma criança. Ainda assim, Hayden provocou que duvidássemos de nossas habilidades como pais. Nossa confidência foi defiando ao mesmo tempo que nossas energias se esgotando. Nossos sentimentos sobre Hayden eram tão erráticos como seu comportamento. Alguns dias éramos empatéticos e cuidadosos, outros dias estávamos exaustos, confusos e ressentidos das suas exigências constantes. Esses sentimentos confusos era estranhos para nós, especialmente após já ter criado tres outros “bebês fáceis”. Logo ficou óbvio que Hayden era um tipo diferente de bebê. Ela era “alimentada” de modo diferentes dos outros bebês.

O QUE FIZEMOS

Nosso desafio foi descobrir como uma mãe e pai dessa pessoa única conseguiria salvar alguma energia para nossos outros 3 filhos- e para nós mesmos.
Nosso primeiro obstáculo foi superar nosso passado profissional. Nós fomos educados na década de 60 e 70, então somos vítimas do tipo de ‘parenting’ que prevalecia na época- o medo de mimar, estragar. Nós entramos no mundo da paternidade e maternidade acreditando que era obrigatório controlar nossos filhos, senão eles nos controlariam. E havia um medo terrível de ser manipulados. Nós estávamos perdendo controle? Hayden estava nos manipulando? Consultamos livros, um exercício inútil. Nenhum livro sobre criação de bebês continha um capítulo sobre Hayden. E a maioria dos autores homens ou tinham passado da idade de criação de filhos, ou pareciam muito distantes do dia-a-dia de cuidados com bebês. Ainda assim éramos dois adultos com experiência, cujas vidas estavam sendo comandandas por um bebezinho.
Um amigo nosso psicólogo que estava nos visitando comentou sobre os choros de Hayden: "Nossa, seu choro é impressionante, ela não chora de modo bravo, como se exigisse algo, mas num modo esperançoso, como se ela soubesse que ela seria ouvida."
Hayden nos fez re-avaliar nosso trabalho como pais. Nós pensávamos que um pai ou mãe efetivos precisava estar sempre com controle da situação. Então percebemos que essa tendência era auto-derrotadora. Essa postura assume que existe um adversário na relação mãe/pai e bebê: o bebê está “determinado a te dominar”,então é melhor que eu domine primeiro. Hayden nos fez perceber que nosso papel não era de controla-la. Mas sim de cuidá-la e ajudá-la a se controlar.
Nosso trabalho como pais não era de mudar Hayden para um clone comportamental de outro bebê. Seria errado tentar mudá-la. (Quão sem graça seria esse mundo se todos os bebês agissem igual!). Seria melhor expandir nossas expectativas e aceitá-la do jeito que ela é, não do jeito que nós queríamos que ela fosse. Nosso papel como pais era como o de um jardineiro: não podemos mudar a cor da flor ou o dia de florescer, mas podemos plantar as sementes e aparar a planta de modo a florescer lindamente. Nosso papel era ajudar no comportamento de Hayden e nutrir suas qualidades especiais, então ao invés de serem defeitos esses traços temperamentais funcionariam no futuro em sua vantagem.
Onde ela deveria dormir? Ela acordava mais e mais, até que uma noite ela acordou de hora em hora. Martha disse, "Eu não me importo o que o livro diz, eu preciso dormir!!" Em seguida aconchegou Hayden do ladinho dela em nossa cama. Uma vez que descartamos a cena de um bebê que se auto-conforta dormindo sozinho no berço, todos nós dormimos juntos e felizes. Nós descobrimos que temos que ser seletivos nas pessoas que nos condoemos.
Quando discutimos nossos dilemas de como criar Hayden com nossos amigos, nós nos sentimos como se ela fosse o único bebê no mundo que não conseguia se satisfazer sozinha durante o dia ou se auto-tranquilizar durante a noite. Concluimos que ninguém poderia entender um bebê como Hayden ao menos que tivessem um bebê como Hayden. Eventualmente, Martha encontrou algumas amigas que pensavam de modo semelhante e se rodeou de amigos que nos apoiavam.
O que chamá-la? Hayden não se ajustava nas “classificações” existentes. Ela não era realmente uma bebê "inquieta, chorona", contanto que tivessemos-a no colo e atendessemos suas necessidades. "Espirituosa" era equivocado, todo mundo quer um bebê espirituoso. Ela não tinha "cólicas," porque não parecia ter dor. Nem a palavra "difícil" era realmente verdade; alguns poderiam implorar para ser diferente, mas nós achamos que segurar e ficar perto de um bebê a quem nos tornamos tão apegados não era tão difícil assim. Além disso, esses nomes eram tão negativos para essa pessoinha que parecia saber tão positivamente o que ela precisava e como obter. Não foi até muito anos depois, após conversar com dezenas de pais de bebês que também tinham uma necessidade tão grande de mamar frequentemente, de serem abraçados muito, de precisarem de muito contato humano a noite, que o termo “criança com altas necessidades” nos atingiu. Isso descreve da melhor forma esse tipo de bebê que Hayden era e o tanto de cuidado maternal/paternal que ela precisava.
No meu consultório pediatrico descobri que o termo "criança de altas necessidades" era psicologicamente correto. Quando pais totalmente exaustos chegavam no meu consultório para aconselhamento sobre seus bebês exigentes, eles já tinham recebido uma montanha de negativas: "Você dá muito colo a ela," "Deve ser seu leite," "Ela está te controlando." Todas frases tinham uma mensagem oculta de "bebê ruim e pais ruins." Eles se sentiam culpados de algum modo pelo modo que seus bebês agiam assim. Assim que eu pronunciava o diagnóstico "criança com altas necessidades," eu podia ver o alívio em suas faces. Finalmente, alguém tinha algo bom para falar do meu bebê! "Altas necessidades " soava especial, inteligente, único, e põe o foco na personalidade do bebê, aliviando pais da culpa em acreditar que seu bebê agia desse modo por causa de seu modo de ser pai ou mãe. Ainda mais, "altas necessidades" sugeria que havia algo que os pais poderiam fazer para ajudar o bebê. Ressalta a idéia de que esses bebês simplesmente precisam de mais: mais toque, mais compreensão, mais sensibilidade, mais ‘attachment parenting’.
O problema do controle. Hayden causou bem cedo que nós re-avaliassemos a questão do controle. Gradualmente descobrimos que uma criança não pode controlar seus pais, ou os pais controlarem a criança. Ainda assim os pais devem controlar as situações, porque quando não há limites, a vida em família é um desastre. Nós precisávamos estar no controle de Hayden, fornecer-lhe as "regras da casa" e então controlar seu ambiente de modo que não ficaria impossível para que ela cumprisse essas regras. O que nos ajudou a se livrar desse medo-de-estragar e medo-de-ser-manipulado foi perceber que era melhor errar pelo lado de ser reativo demais e responsivo demais do que de menos. Enquanto trabalhavamos desenvolvendo um equilíbrio de respostas apropriadas, haviam vezes que respondiamos muito tarde, e outras vezes que respondíamos rápido demais. Mas sentimos que na dúvida, era melhor sempre responder. Crianças que são talvez mimadas um pouco (como muitos primogênitos geralmente são), vão desenvolver uma imagem saudável e confiar em seus pais. Com essa base é mais fácil recuar um pouco enquanto tenta-se criar um balanço saudável entre as necessidades dos pais e as da criança. O filho de pais que respondem pouco desenvolvem uma imagem pobre de baixa estima, e uma distância se cria entre pais e filho. Essa situação é difícil de consertar. Eu nunca tinha ouvido pais em meu consultório pediátrico dizerem que eles desejavam que não tivessem que dar tanto colo ao bebê. Na verdade, a maioria, se pudessem voltar no tempo, teriam dado mais colo a eles.
Nós não estavamos preparados para a criança com opinião fortíssima que encontraríamos em Hayden. Nossos outros filhos mais velhos tinham respondido bem a dicas verbais, mas Hayden parecia não nos ouvir. Então, ao invés de repetir constantemente "não, não toque " (o que era fútil), nós a ensinamos que na casa toda existiam os pontos “sim, toque”, e “não, toque”. Nosso trabalho era fazer os locais "sim, toque" mais acessíveis a ela que os locais proibidos, então ela poderia aprender a se controlar. Hayden conseguia operar seus controles internos num ambiente que tinha ordem e estrutura em certo ponto (cada casa faz isso de modo diferente). Quando ela teve oportunidade de se comportar apropriadamente independente de infinitos nãos de nossa parte, ela começaria a ter um senso de seus próprios controles internos.
Nossas necessidades x suas necessidades. Na metade do primeiro ano de Hayden percebemos que ser pais de um bebê de altas necessidades poderia ter um efeito "para melhor ou para pior " na relação marido-mulher. Facilmente as coisas saiam do controle. Uma criança de altas necessidades pode facilmente dominar a casa. Havia épocas em que Martha se arriscou se “queimar” de tanto se doar. Um aviso de um incêndio vindo era Martha dizendo: "Não tenho nem tempo para um banho, Hayden precisa tanto de mim." Para sanidade de Martha, e no final das contas para sanidade da família toda, eu tinha que lembra-la, "O que Hayden precisa mais é de uma mãe feliz e descansada." Não era suficiente somente orar. Além de dedicar-se intensamente na casa e com as outras crianças, eu pegaria Hayden e cuidaria dela quando podia. Eu levaria ela para um passeio assim Hayden poderia ficar longe das vistas e mente de Martha por um tempo.
Ter uma criança de altas necessidades nos ajudou amadurecer a comunicação um com o outro. Houve sempre o dilema "suas necessidades ou nossas necessidades ". Nós tivemos que roubar tempo para nós mesmo, percebendo que mesmo o melhores pais ou mães pode ser minado se o casamento falha. Vi quão importante era para Martha que validassem suas atitudes de mãe. Eu sempre oferecia-lhe frases como "Você sabe melhor que ninguém”, mas também quando a vi esgotando suas energias sentia que tinha que intervir e ajudar. Eu me intrigava quando é que teria minha esposa de volta, mas percebi que não poderíamos voltar essa fita. Eu era um adulto, e Hayden passaria nesse estágio somente uma vez.
O pagamento. Hayden cresceu de uma criança de “altas necessidades” e uma adolescente super energética, e se formou na faculdade de (adivinhe) drama. Sua vida como bebê está em nosso livro THE FUSSY BABY. Ela as vezes abre esse livro e mostra a seus amigos, "Essa sou eu." Na noite de formatura enquanto pousava para foto, parecia tão adulta em seu vestido longo. Eu murmurei a Martha, "Bebês de alta necessidade completam," e essa mulher adolescente-adulta piscou para papai. Enquanto eu a escoltava pelo corredor para seu baile de formatura, nossas mentes e corações se encheram de lembranças daquelas cenas incontáveis de cansaço dos tempos de bebê e infância. Enquanto eu entrava na igreja de braços dados com meu “Bebê chorão” para transferí-la para o homem dos seus sonhos, percebi que essa mulhere madura e talentosa iria agora doar a seu companheiro e seus filhos o estilo de cuidado que nós tínhamos lhe dado. Martha e eu olhamos um para outro e pensamos, "Foi um caminho longo e difícil, anos com esse bebê no colo, peito, em nossa cama, muitos confrontos de disciplina, e esses anos todos de paternidade e maternidade com muito apego produziram uma pessoa confiante, misericordiosa, carinhosa. Valeu a pena.”

Retirado de : http://solucoes.multiply.com/journal/item/34

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