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quarta-feira, 6 de abril de 2011

Tipos de partos e suas vantagens




NORMAL
A analgesia do parto normal é suficiente para dar alívio à dor sem tirar a mulher do comando da situação.
Os obstetras mais atualizados procuram fazer partos naturais sem intervenções. Mas nem sempre isso é possível. Quando se torna necessário usar soro, anestésicos e fórceps, a mulher faz o que se convencionou chamar de parto normal. Se o trabalho de parto estacionar por algum motivo, aplica-se soro com ocitocina sintética par dar ritmo às contrações. É um recurso que evita o sofrimento fetal. Claro que cada parto é diferente, por isso as condutas dos médicos são muito diversas.
A analgesia do parto normal, chamada de duplo bloqueio, é um avanço da medicina. Trata-se da associação da anestesia peridural com a ráqui, o que é suficiente para dar alicio à dor sem tirar a mulher do comando do trabalho de parto. Muitos obstetras só aplicam a analgesia da parturiente. Mas a aplicação pode ser feita precocemente ou mais tardiamente, dependendo de cada caso. “Existe o risco de a analgesia retardar o período expulsivo”, diz o obstetra Jorge Kuhn. Mas há também vantagens. As mulheres que sentem dor de maneira intensa podem se beneficiar da analgesia. A dor faz o colo do útero ficar tenso. Em vez de aumentar ainda mais, ele pode parar a progressão da dilatação. Nesse caso a analgesia dá alívio á paciente e incentivo para que ela prossiga com o trabalho de parto.
Da mesma forma, o uso de instrumentos para a retirada do bebê não pode ser descartado. Tudo depende da evolução do parto. Para trabalhos que estão indo bem e por algum motivo param de evoluir, o fórceps baixo pode ser um recurso para evitar que a criança permaneça numa situação que não lhe é favorável. Outra possibilidade é usar o vácuo extrator, campânula de plástico em forma de sino, que, uma vez encostada na cabeça do bebê, forma uma espécie de vácuo, trazendo-o mais facilmente para o canal do parto.

NATURAL
A mulher que se prepara bem tem condições de vivenciar o parto sem precisar de intervenções.
É aquele que ocorre naturalmente, sem intervenções dos médicos ou de medicamentos. Pode ser feito no hospital, na casa da parturiente ou em casas de parto. Considerando o modelo ideal, esse tipo está ganhando a adesão de médicos e gestantes. “A mulher que se prepara física e emocionalmente para o dia do nascimento, que sente confiança no obstetra e recebe o apoio do marido ou de outra pessoa tem melhores condições de vivenciar o trabalho de parto sem precisar de analgésicos nem outras intervenções, como corte do períneo ou episiotomia”, diz a doutora Ana Cristina Duarte.
O ginecologista e obstetra Eduardo de Souza, da Unifesp, vai além: “Não se deve fazer o corte do períneo de forma sistemática, mas sim quando for necessário”.
Quando a mulher controla a chamada “força final” auxiliada pelo obstetra - que protege o períneo com as mãos na hora da expulsão, evitando que ele distenda demais -, poderá ter pequenas lacerações naturais, melhores do que a episiotomia. Em muitos casos, a parturiente nem chega a ter lacerações. Para evitar que ocorram, os médicos recomendam às gestantes exercitar o períneo, musculatura esquecida durante boa parte da vida. “Fazendo o movimento de parar o xixi 20 vezes durante a noite e 20 vezes durante o dia, já se tem um bom resultado. Outro fator importante é o controle do peso durante a gestação. Bebês menores têm mais facilidade para passar pelo canal do parto”, alerta o obstetra Marcos Tadeu Garcia. Segundo ele, o ideal é a mulher ganhar de 9 a 12 quilos.
NA ÁGUA
A criança respira pela primeira vez no meio líquido e sai dali lentamente. É muito tranqüilo para o bebê.
No Brasil, pouquíssimas mulheres te a chance de vivenciar o parto na água. O obstetra carioca Francisco Vilela é um dos raros médicos brasileiros que acompanham esse método.
Nesta entrevista ele conta como é a experiência de mães e bebês:
Quais os benefícios desse parto?
Francisco Vilela - Ele é menos doloroso para a mulher e menos traumático para a criança. A água propicia um relaxamento tão grande que às vezes o parto estaciona.
Diminui a duração do trabalho de parto?
FV - Sim, a água reduz muito o tempo do parto. No primeiro filho, é comum o procedimento durar de 10 a 12 horas. Dentro da água, a mulher chega a ter o bebê em 6 ou 7 horas. O período expulsivo também é muito melhor, já que a água relaxa bastante a musculatura.
Porque o parto na água não é incentivado?
FV - Existe ainda muita resistência das maternidades para a instalação de banheiras. Além disso, os obstetras estão acostumados a realizar intervenções.
É possível fazer a analgesia na água?
FV - Sim, mas é preciso proteger o cateter com plástico. A intensidade da dor varia muito para cada pessoa, mas eu diria que dentro da água é mais difícil a mulher pedir analgesia.
Qual é a reação do bebê na água?
FV - A criança quase não chora, fica ligada ao cordão umbilical, respira pela primeira vez dentro da água e sai lentamente do meio líquido. A mamãe a segura no colo, e o cordão vai parando de pulsar. Isso demora de 8 a 12 minutos. É um processo bem mais tranqüilo para o bebê.
CÓCORAS
Agachada, a mulher se beneficia da ação da gravidade e de menor compressão dos vasos sanguíneos maternos.
Pesquisas científicas comprovam que ter o bebê na posição de cócoras é favorável à mulher e ao bebê. O obstetra e professor da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) Hugo sabatino é um dos precursores do parto de cócoras aqui no Brasil e prova sua tese por meio de pesquisas efetuadas no Grupo de Parto alternativo da Unicamp, onde todos os anos cerca de 100 mulheres vivenciam a experiência do parto de cócoras. Nesta entrevista, ele explica os benefícios desse tipo de procedimento.
Quais as vantagens da posição de cócoras?
Hugo Sabatino - Agachada, a mulher se beneficia de várias formas. Para começar, existe maior ação da gravidade e menos compressão dos vasos sanguíneos maternos. Isso é comprovado por várias pesquisas, algumas realizadas na Unicamp. E não é só. A mulher respira melhor e tem contrações mais efetivas durante o trabalho de parto e no período expulsivo. Há também fatores importantes para ela, como a menor sensação dolorosa e maior produção de endorfinas, os anestésicos naturais.
É verdade que o parto de cócoras é mais rápido?
HS - Sim, porque as contrações do útero são mais efetivas e a pressão vaginal menor, facilitando a saída da criança pelo canal do parto. No procedimento convencional, o período dura em média de 30 a 60 minutos em mulheres que nunca deram à luz antes. Na posição de cócoras, o período expulsivo dura em torno de 15 a 30 minutos e, mesmo que leve mais tempo, há menos riscos de complicação para o bebê.
Quais as vantagens para a criança?
HS - As pesquisas comparativas feitas na Unicamp provaram que as crianças nascidas de partos tradicionais (na posição horizontal ou deitada) tiveram sete vezes mais depressão do que as nascidas de partos de cócoras. Isso se justifica por uma série de fatores. A posição de cócoras materna faz com que o bebê nasça em melhores condições. Os resultados dos testes de Apgar - que avaliam os reflexos da criança ao nascer - são superiores. E os nenês apresentam também maior nível de hormônio do amor. Em outras palavras, eles chegam ao mundo de maneira muito mais humana.

CESÁREA
É preciso que haja uma soma de fatores e avaliação muito criteriosa para que seja necessária a cirurgia.
Originalmente uma cirurgia de resgate do bebê, esse tipo de parto passou a ser adotado com muita freqüência no Brasil. “As justificativas dos médicos nem sempre são claras. É muito difícil saber se a mulher precisará de cesárea, a menos que ela entre em trabalho de parto e o obstetra tenha paciência para acompanhar a evolução”, afirma a doutora Ana Cristina Duarte. De maneira geral, a cesariana pode ser necessária quando o feto é grande, quando está numa posição ruim e se durante o trabalho de parto não ocorreu nenhuma alteração dessa posição. Pode acontecer também a desproporção entre o tamanho do bebê e o da bacia da mãe. Nesse caso a criança não conseguirá passar. “A idade da gestante, hipertensão e diabetes não são por si só indicações de cesárea. É preciso que haja uma soma de fatores e avaliação muito criteriosa, porque, mesmo nos casos de doenças prévias, é possível induzir o parto normal”, diz o obstetra Eduardo de Souza.
Como é a cesárea

Primeiro faz-se a raspagem na região da incisão. Em seguida, a gestante é levada para o centro cirúrgico acompanhada pelo marido ou por outra pessoa da família. A mulher senta na posição de Buda ( com as pernas cruzadas uma sobre a outra) para receber a anestesia peridural ou a ráqui, aplicada da espinha dorsal. Sob o efeito do anestésico, ela é coberta com panos esterilizados. Apenas o local da incisão fica à vista do obstetra. Faz-se, então, assepsia do abdômen e dos genitais e coloca-se uma sonda na bexiga. O obstetra corta a pele, o tecido gorduroso, que tem de 3 a 6 centímetros de espessura, uma outra camada chamada aponeurose, o músculo, o peritônio parietal, o peritôneo visceral e o útero propriamente dito. Em seguida retira o bebê e corta o cordão umbilical imediatamente. O nenê é entregue ao neonatologista para ser aspirado e avaliado.
Enquanto isso ocorre à saída espontânea da placenta. A criança é mostrada para a mamãe por alguns minutos. A seguir o obstetra costura camada por camada do corte. Cada uma é fechada com um tipo diferente de costura. Como a posição é horizontal é incômoda, o bebê, que poderia mamar, dificilmente consegue faze-lo. Tudo isso ocorre em aproximadamente 1 hora. Quando a cirurgia termina, a mamãe é levada para uma sala de recuperação, onde fica de 1 a 3 horas, até redobrar os movimentos das pernas. Aos poucos, passado o efeito da anestesia, algo que acontece entre 10 e 12 horas, ela poderá se levantar. A permanência na maternidade é em média de dois a três dias.
Avalie os riscos

Os especialistas são unânimes em afirmar que todo parto envolve riscos para a mão e o filho. No parto natural r normal, os riscos de complicação são bem menores do que na cesárea, considerada uma cirurgia de médio porte. A mulher que se submete à cesariana pode ter infecção, queda da pressão, hemorragias e complicações relativas à anestesia. Após o parto, há ainda outros riscos de complicação como embolia (obstrução de uma artéria ou veia por coágulo de sanguíneo) e flebites (inflamação de veias superficiais). Para que se tenha idéia, “o risco de morte da mãe é de 4 a 40 vezes menor no parto normal. Já o de morte do bebê é 10 vezes menor do que na cesárea”, informa o obstetra Jorge Kuhn. E mais: na segunda e na terceira cesárea, a anatomia do útero se modifica por causa das cicatrizes que se formam. Por isso aumenta bastante o risco de hemorragia. Há também mais chance de ocorrer aderência, o que pode provocar a dor crônica na região da cicatriz do corte.



Fonte: http://www.anike.com.br/parto.html

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Parto e via de nascimento

O nascimento do bebê
Dr. Jean Carl Silva
Ginecologista e Obstetra

“O parto proporciona emoção plena do exercício da maternidade à mulher” (REFERÊNCIA)
Parto normal


O trabalho de parto varia de grávida para grávida, geralmente, começa a partir da 37ª semana de gestação, nessa época, o feto mede cerca de 50 cm de comprimento e pesa em média entre 3 e 3,5 kg. O início do trabalho de parto as vezes é de difícil identificação. Os indícios de que a grávida está chegando ao trabalho de parto são:
  • Perda de uma geléia com um pouco de sangue, o tampão mucoso, que pode ocorrer no dia, ou dias antes do parto.
  • Sensação de endurecimento da barriga, são as contrações abdominais, normalmente ocorrem 2 a 3 contrações a cada 10 minutos, durando de 30 a 45 segundos, cada. Geralmente se iniciam de forma indolor e com freqüência irregular, mas com o tempo se tornam dolorosas e regulares.
  • Ruptura da bolsa - perda de líquido em grande quantidade, normalmente sem cheiro ou cor. Nem sempre há o rompimento da bolsa antes da chegada à maternidade, a mesma se rompe com a evolução do trabalho de parto.
Ao surgimento de um ou mais desses sinais, a mulher deverá avisar o seu obstetra, e/ou procurar um pronto atendimento. Prodromos de trabalho de parto são contrações levemente dolorosas e irregulares que podem ou não evoluir para o trabalho de parto, a observação por um período maior, ou uma caminhada de 2 horas, pode determinar se irá ou evoluir para trabalho de parto, com contrações mais dolorosas e seguidas ou se as contrações irão desaparecer.

O trabalho de parto normal se inicia com contrações de 2 à 3 em 10 minutos e dilatação de 3 ou mais centímetros. A gestante em trabalho de parto é internada, é realizada a tricotomia, ou raspagem dos pelos na região onde se fará a epísiotomia ou a cesariana, se necessária.  O trabalho de parto pode ser dividido em quatro períodos ou estágios bem definidos:
1º período – Dilatação

Este período inicia-se com as contrações do útero, com freqüência e intensidade que aumentam com o avanço do processo. O tempo médio do parto na sua fase ativa é de cerca de um centímetro por hora, até completar os 10 centímetros.

Neste período a saúde fetal é acompanhada pela ausculta do coração fetal, no pré-parto. O suporte emocional a gestante neste período é fundamental, reduzindo a dor, facilitando o parto normal.

A analgesia de parto pode ser instalada já no início do processo, alem de medidas posturais. A correção das contrações, aumentando sua freqüência e duração pode ser necessária, sendo utilizado o “soro”.
2º período – Nascimento

Com a dilatação completa o bebê estará passando pelo canal vaginal, e as contrações continuarão fortes e freqüentes, uma vontade de fazer força, chamada de “puxos”, irá iniciar. A pressão da cabeça do bebê sobre a vagina irá dar a sensação de evacuação eminente.

Neste momento a gestante é levada para a mesa de parto, a posição mais utilizada é a verticalizada ao máximo, com as pernas dobradas e flexionadas o máximo possível, aumentando assim o tamanho da bacia. O período de expulsão pode durar de alguns minutos até 20 ou 30 minutos dependendo da situação.

A respiração da gestante neste período é de extrema importância, respirando entre as contrações, e respirando 3 vezes e mantendo o pulmão cheio para fazer a força necessária para o nascimento do bebê.

A espísiotomia é realizada somente quando necessário, é feita anestesia local e cortada para a passagem do bebê, que é aspirado e colocado no colo da mãe, onde é cortado o cordão umbilical, secado, aquecido e colocado para mamar. Este é um momento inesquecível da vida de um casal.
3º período – Desprendimento da placenta

Com uma sensação sememlhante ao nascimento, porém em escala bem inferior, ocorre a saída da placenta, que pode demorar até 30 min.
4º período - Primeira hora.
Nesta primeira hora depois do parto observa-se principalmente a contração uterina e o sangramento vaginal. A paciente para a recuperação e permanece lá por 4 à 6 horas, sendo depois levada para o quarto.
Alívio para as contrações
Quando o trabalho de parto começa a incomodar, a grávida precisa de posições variadas que tragam alívio e conforto.
Dicas úteis
  • As posições de conforto devem ser iniciadas assim que as contrações incomodarem.
  • Água morna é uma grande amiga da grávida porque alivia a dor e relaxa. Em casa, coloque toalhas dobradas sobre o chão do box, caso queira se ajoelhar ou sentar.
  • Sempre que a contração vier, mantenha a respiração calma.
  • As posições que provocam mais incômodo do que alívio devem ser evitadas. Posição boa é aquela que conforta.
  • Dá para relaxar até mesmo no centro obstétrico. Se for possível, improvise com a maca, lençóis, travesseiros.
Cesariana
Dr. Jean Carl Silva
Ginecologista e Obstetra

``Ao contrário da maioria das especialidades médicas, a obstetrícia trata de acompanhar a fisiologia. Intervenções médicas pretendem prevenir ou corrigir processos patológicos, e não aperfeiçoar a fisiologia. ” Professor Treffers, 1993.
Os motivos para optar por uma cesariana devem ser, essencialmente, clínicos. A razão mais freqüente é a desproporção do tamanho do bebê em relação à bacia da mulher, algumas vezes detectada quando o parto progride normalmente.
Na cesariana a anestesia será a peridural ou a raquianestesia (em alguns casos a geral é necessária). A gestante tomará soro e uma sonda será introduzida através da uretra na bexiga, para esvaziá-la.

Você não poderá acompanhar a cirurgia, já que um pano será colocado na parte superior do seu corpo, impedindo sua visão.Um corte horizontal será feito acima dos pêlos púbicos, ao alcançar o bebê, o cirurgião irá tirá-lo realizando uma pressão no fundo do útero, a placenta será removida em seguida. O corte será fechado em camadas, o procedimento todo, leva em torno de uma hora.
É importante saber que como uma cirurgia, a recuperação em uma cesariana é lenta, e requer a internação por alguns dias. A paciente da cesariana tem um pouco mais de dor no pós-parto e será difícil rir, ficar em pé ...


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