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quinta-feira, 28 de agosto de 2014

DICAS DE LEITURAS

Este Post de hoje é para dar dicas de leituras sobre gestação, partos, nascer e afins:

Memorias do Homem de Vidro - Reminiscências de um Obstetra Humanista -  Ricardo Jones - O obstetra mostra no livro um modelo de médicos em colaboração com parteiras, enfermeiras e doulas, apoiando as mulheres enquanto estas reivindicam para si o poder e a majestade do parto.

Entre as orelhas - Histórias de Parto - Ricardo Jones - " O parto e seus mistérios se escondem ao olhar superficial, à analise tímida e ao investigador amedrontado."

Parto Normal ou Cesárea? O que toda mulher deve saber (e homem também) - Simone G. Diniz e Ana C. Duarte. Guia prático para usuários que expõe as evidências científicas e as opções para o atendimento ao parto.

Parto com Amor - Em casa, com parteira, na água, no hospital: Histórias de nove mulheres que vivenciaram o parto humanizado / Luciana Benatti e Marcelo Min - Relatos comoventes com fotos de extrema delicadeza e sensibilidade.

Parto Ativo - Guia prático para o parto natural - Janet Balaskas - Os exercícios apresentados neste livro, baseados no Yoga para a gravidez, vão conduzir a mulher aos seus próprios instintos naturais para o trabalho de parto e para o parto

Mulher, Parto e Psicodrama - Vitória Pamplona - Este trabalho pioneiro apresenta a possibilidade de realização de partos criativos, espontâneos e tranqüilos através de uma metodologia de preparação de gestantes que se utiliza de técnicas psicodramáticas. A quebra de tabus como o da dor e do medo do parto coloca uma nova realidade para as mulheres e oferece-lhes uma opção e uma qualidade de vida mais saudáveis. Especialmente recomendado para doulas e profissionais que assistem pré-natal e parto.

Humanizando Nascimentos e Partos, Daphne Rattner & Belkis Trench - Médicos, psicólogos, pediatras, parteiras e educadores analisam os partos e nascimentos sob uma ótica pouco comum nos dias atuais, privilegiando o aspecto humano numa sociedade dominada pela técnica.  Especialmente recomendado para doulas e profissionais que assistem pré-natal e parto.

A Doula no Parto - O papel da acompanhante de parto - Fadynha - O livro traz as informações mais importantes sobre o papel dessas mulheres e técnicas importantes para o seu trabalho. Especialmente recomendado para Doulas.

O Renascimento do parto- Michel Odent - Odent conta como foi sua experiência em assumir a direção do setor de maternidade do hospital da pequena cidade de Pithiviers em Paris.

A Cesariana - Michel Odent - Levantar questões fundamentais como: Por que o índice de cesarianas é de 10% em alguns lugares e de 50% em outros? Por que devemos adotar uma postura diferente em relação às cesarianas sem trabalho de parto, cesarianas com trabalho de parto e cesarianas de emergência? Quais são os primeiros micróbios que entram em contato com o bebê que nasce por cesariana? Quais as conseqüências a longo prazo de nascer por cesariana? O que a mãe e o bebê perdem por não terem um parto vaginal?

Shantala - Massagem para bebês - Frederic Leboyer - Shantala tornou-se um livro famoso em todo mundo, editado em inúmeros países. Além do aspecto científico, Leboyer conciliou poeticamente as explicações da técnica de massagem com a sabedoria milenar de seu uso. Um livro belo e importante para a mãe e o bebê.

Meditações para Gestantes, O guia para uma gravidez saudável, plena e feliz- Fadynha. São apresentadas diversas técnicas que promovem paz e harmonia à gestante e, conseqüentemente, ao seu filho. O livro vem acompanhado de CD com exercícios de mentalização e meditação especiais para a gestante. Ele ensina, passo a passo, a relaxar, a entrar em maior contato com a criança em formação, a conversar com o bebê e a preparar a mãe para o parto da maneira mais tranqüila e positiva. Especialmente recomendado para grávidas.

Yoga para Gestantes - Fadynha - Numa linguagem clara e inteligente, acompanhada de muitas imagens, Fadynha celebra o yoga com sabedoria e intuição, apresentando dezenas de posturas selecionadas ao longo de seus 30 anos de trabalho com gestantes. Especialmente recomendado para grávidas.

Gravidez Natural - Janet Balaskas. Um guia holístico para o seu bem-estar desde a concepção até o parto . O livro aborda de forma clara e muito bem ilustrada as emoções, nutrição, ioga e exercícios, massagem, terapias naturais e cura holística para os desconfortos da gestação. Especialmente recomendado para grávidas.

A Vida do Bebê no útero - Petter Nathanielsz - Como a alimentação e o estado emocional materno influenciam a saúde do bebê por toda a vida.

segunda-feira, 7 de julho de 2014

Dúvidas sobre o parto normal? Leia a entrevista com o médico obstetra Mauro Casanova - por Você Saudável

Foto: Mais Você
Uma ótima entrevista, feita por Você Saudável. Acompanhem!!
________________________________________________________________O Espaço Você Saudável entrevistou o médico Mauro Casanova, coordenador da equipe de obstetrícia e do curso para gestantes do Hospital e Maternidade Santa Isabel, em Jaboticabal, para esclarecer algumas informações que são usadas como justificativas para a realização de parto cesáreo, mas que não tem evidência científica para o caso. Mauro Casanova é um defensor do parto normal humanizado e encoraja mulheres para serem protagonistas e assumirem o papel de destaque durante a chegada do bebê.
Espaço Você Saudável – A gestante que opta pelo parto normal terá que sentir todas as dores, sem contar com ajuda medicamentosa para amenizá-las?
Infelizmente, o próprio nome diz: trabalho de parto. Há um grande desconforto com cólicas e endurecimento do útero. Existem os métodos não farmacológicos (como massagens, acupuntura, aromaterapia, posicionamento livre com apoio, banhos de chuveiro, exercícios na bola, banheira de imersão, entre outros) e farmacológicos para aliviar a dor do parto. Primeiro esgotamos os métodos não farmacológicos,  mas não sendo suficiente entramos com a segunda opção que é a analgesia. A Organização Mundial de Saúde (OMS) recomenda que os métodos não-farmacológicos devam estar disponíveis e privilegiados em relação aos métodos farmacológicos, por terem menor risco. É muito importante que seja discutido com a gestante ainda no pré-natal todos estes métodos, para que ela defina no seu Plano de Parto quais gostaria de utilizar em seu trabalho de parto.
Espaço Você Saudável – A cesárea dói menos que o parto normal?
Pode até ser que sim. Cada pessoa tem um limiar de dor, a sensação dolorosa é algo particular e varia de pessoa para pessoa. O mais importante para ser tranquilo no parto é abrir a porta para o parto. Deste momento em diante tudo fica mais fácil, lembrar que o trabalho de parto é doloroso sim mas quando nasce o bebê passam todas as dores. Já na cesariana, o desconforto pode ficar por dias ou até mesmo anos pois tem grandes chances de formação de aderências, de uma cicatrizarão não adequada, pois trata-se de uma cirurgia com o corte de terminações nervosas, vasos e estruturas do corpo. Mas o corpo humano é sábio, no momento que uma série de neurosubstâncias são liberadas na cascata dolorosa, outras tantas substâncias anestésicas e relaxantes naturais também são produzidas.  Ao mesmo tempo que o corpo produz a dor também produz substâncias que a tornam mais tolerável.
Espaço Você Saudável – Se pelo parto normal o bebê demora a nascer, isso pode gerar complicações na saúde da mãe e do próprio bebê?
Jamais, a não ser que exista uma complicação de risco de vida com indicação de realizar uma cesariana. Vai acontecer o momento certo do nascimento, o bebê sabe o seu momento de ser expulso, essa conquista pelo canal do parto é muito importante para o amadurecimento do bebê, seu crescimento como indivíduo. Quanto à mãe, ela sabe o momento certo de realizar a expulsão, de deixar acontecer o abaulamento do perineo naturalmente.
Espaço Você Saudável – O tamanho da bacia da mãe pode impedir o parto normal?
Existem quatro tipos de bacias.  A mais comum das mulheres é a chamada ginecoide. Sim, pode existir um impedimento dessa passagem, o que nós obstetras chamamos de desproporção cefalo pélvica. Mas existem meios de identificar a situação antes ou durante o trabalho de parto.
Espaço Você Saudável – O cordão umbilical enrolado no pescoço do bebê é evidência para desistir do parto normal?
De jeito nenhum, enrolado no pescoço ou no braço, nunca deve ser indicação de cesariana. Infelizmente muitos obstetras ainda usam esse argumento para justificar uma cesariana.
Espaço Você Saudável – A partir da 41a semana de  gestação, o que fazer se a futura mamãe não entrou em trabalho de parto?
Atingindo essa idade gestacional, confirmada pela data da última mesntruação ou ultrassom de primeiro trimestre, a gestante passará por consulta na referida data das 41 semanas. Muito casos, a gestante da saúde suplementar já está em acompanhamento semanal ou, em alguns casos, consultas diários. O médico avalia a vitalidade fetal, se o feto está em condições boas; o colo uterino, se está em condições favoráveis para indução do parto normal através do índice de Bishop; e se já existe ou não atividade uterina. Se estiver de acordo as indicações e as condições favoráveis listadas acima, nós seguimos o protocolo para indução de parto. Caso a gestante não queira indução e prefira aguardar as 42 semanas, gestação prolongada, respeitamos e avaliamos diariamente a vitalidade fetal. Em nosso protocolo em nenhum momento deixamos de estimular o parto normal. Porém deixamos a gestante livre e bem informada sobre todas as possibilidades.
Espaço Você Saudável – Se o bebê estiver sentado ou atravessado é motivo para parto cesáreo?
Não, existe o que chamamos em obstétrica de versão externa, um pouco deixado de lado por conta dos riscos existentes, mas é uma prática que tem motivado muitos obstetras a resgatar. A polêmica do parto pélvico sempre será motivo de discussão, mas temos vários estudos que demonstram as condições para realizar um parto pélvico, com riscos de mortalidade e morbidade iguais ao parto cefálico.
Espaço Você Saudável – Se a mulher já tiver realizado cesárea ou alguma cirurgia no útero ela está impedida de ter um filho por parto normal?
Somente se a incisão no útero for longitudinal, ou uma cesariana há menos de um ano, nesse depende muito do engajamento da equipe e da gestante.  É outro ponto polêmico, mas todas as atuais evidências científicas nos mostram que não existe necessidade de uma cesariana após uma cesariana anterior ou mais.
Espaço Você Saudável – Quando a episiotomia (corte para ampliar o canal do parto) é indicada ?
Atualmente, estamos em uma grande discussão sobre a episiotomia, corte realizado para ampliar o canal do parto. Na verdade, se verificarmos a história da episiotomia ela nunca foi indicada de rotina. O que vem acontecendo desde o século XVIII é o uso rotineiro do procedimento. Porém, todas as evidências nos mostram que não há necessidade do tal “pic” na vagina e que devemos selecionar muito bem os casos necessários para não torná-lo de rotina, seguindo recomendação da própria OMS. Sabe-se que os bebês nascem muito bem sem episiotomia, e não há necessidade de realizá-la rotineiramente. Vale esclarecer que: a episiotomia não protege o assoalho pélvico materno, não protege contra incontinência urinária ou fecal e, tampouco, contra o prolapso genital, associando-se com redução da força muscular do assoalho pélvico em relação aos casos de lacerações perineais espontâneas. A perda sanguínea é mais volumosa (em torno de 800ml contra 500ml no parto vaginal espontâneo), utiliza-se uma maior quantidade de fios para sutura e há mais dor perineal quando realizada a episiotomia. A episiotomia é uma laceração perineal de segundo grau, e quando ela não é realizada pode não ocorrer alguma laceração ou surgirem lacerações anteriores, de primeiro ou segundo grau, mas de melhor prognóstico. A episiotomia aumenta a chance de dor no pós-parto e dispareunia (dor durante a relação sexual). A episiotomia pode cursar com complicações como edema, deiscência, infecção (até fasciíte necrosante) e hematoma. O ideal é que a taxa de episiotomia seja inferior a 30%, o que já é realidade em muitos países europeus. Já em nosso país, a situação é ainda mais crítica, porque o procedimento é realizado em cerca de 94% dos partos vaginais.
Espaço Você Saudável – Quando é indicada a aplicação de ocitocina (hormônio para aumentar a contração uterina)?
Se possível nunca, mas infelizmente é realizado quase que rotineiramente a instalação do soro glicosado com ocitocina. A ocitocina é um hormônio sintético cuja finalidade é potencializar a contração uterina, aumentando sua intensidade e frequência. O problema é que ela é mal utilizada, usada em mulheres que já estão em trabalho de parto com contrações efetivas, sem necessidade do seu uso. A sua aplicação nessas situações potencializa em muito a dor e aumenta a chance de complicações como hipertonia uterina (quando o útero contrai e não relaxa) e taquissistolia (número excessivo de contrações), complicações estas que podem levar ao sofrimento fetal. O uso da ocitocina deve ser criterioso, com indicação precisa (indução do trabalho de parto,  parada da progressão durante o trabalho de parto por diminuição substancial das contrações) e deve ser sempre informado para a gestante.
Espaço Você Saudável – A falta de dilatação durante o trabalho de parto é uma  indicação para gestante fazer o parto cesáreo?
A grande maioria das gestantes consegue parir nessa situação (falta de dilatação ou parada de dilatação), cerca de 80%. A falta de dilatação não é uma indicação de cesariana, existem meios de estimular o trabalho de parto normal.Devemos sempre lembrar das causas que podem nos levar a realizar uma cesariana desnecessária nessa situação, como: diagnóstico incorreto do trabalho de parto, admissão hospitalar precoce e, com isso, aumento dos riscos da administração de ocitocina, analgésicos e peridurais com consequente aumento de distocia e iatrogenia, restrição ao leito (o que torna o trabalho de parto mais lento), monitoramento eletrônico continuo fetal.
Medidas que estamos adotando para prevenção de cesarianas desnecessárias:
- maior integração entre equipe (médicos e enfermeiros),
- iniciar amadurecimento cervical com prostaglandinas e uso posterior de ocitocina se houver necessidade,
- apoio emocional continuo com doulas, quando disponível e, cumprir com a Lei do acompanhante,
- uso de medidas alternativas no controle da dor (banhos mornos, deambulação, apoio físico e emocional) deve ser preferido à anestesia peridural,
- evitar posicionar parturiente muito cedo em posição de decúbito dorsal, bem como, evitar solicitar à mesma que realize o puxo precocemente no segundo estágio do parto (medidas que só exaure a paciente e contribui para prolongar o período expulsivo),
- incentivo a realizar um plano de parto,
- revisar os prontuários e reavaliar a indicação de cesariana, para não cometer mesmos erros.
Espaço Você Saudável – O parto normal humanizado no hospital necessita de instalação física adequada?
Um centro de parto normal é um espaço onde a mulher recebe assistência totalmente natural, sem intervenções cirúrgicas e não medicamentosas.
Parto normal humanizado também é monitorado, mas a mulher grávida é mais protagonista. É aquele que deixa a natureza agir e a mulher é a principal atuante, sem muita intervenção dos médicos. Queremos que este tipo seja mais utilizado porque é melhor para a saúde do bebê. Precisamos sim de algumas instalações mais humanas, um local mais aconchegante, não tão hospitalar, como por exemplo, uma parede de coloração mais suave, uma plotagem, camas confortáveis, banheira e, etc, mas principalmente, uma equipe também engajada desde a recepção do hospital.
Espaço Você Saudável – Qual é a melhor posição para o parto normal humanizado?
A que a parturiente se sentir confortável, seja qual ela for devemos respeitar. Mas infelizmente não é o que acontece nas maternidades do nosso país.
Espaço Você Saudável – Qual o papel do pai no hora do parto normal humanizado?
Além de ser um direito por Lei, desde 2005, o pai deve participar deste momento que é único e mágico. O carinho do pai, o seu consolo ao segurar a mão da mulher, fazer massagens ou incentivar podem ser cruciais no desempenho da mãe. A participação ou não do pai no nascimento do filho tem de ser um assunto conversado no decurso da gravidez. Eu acredito que o pai participativo torna o parto mais fácil e a mulher sente-se mais segura. Para não tornar a situação embaraçosa o homem deve ficar à cabeceira da cama, para apoiar a mulher e não ter que visualizar diretamente o parto. Se for um pai que encara a situação com mais descontração pode até cortar o cordão umbilical. Estes momentos são inesquecíveis e fortalecem os laços, entre pai, mãe e filho, e entre o casal.
Espaço Você Saudável – O que fazer logo que o bebê nasce?
Entregar para quem é de direito, a família. É neste primeiro momento que a mãe inicia o contato pele a pele, imediatamente, por no mínimo uma hora após o nascimento. É uma das grandes vantagens sobre o binômio mãe e bebê, atuando na regulação térmica, estabilidade cardio-respiratória, estabelecimento do vínculo, início da amamentação e colonização bacteriana, vantagens que só conseguimos com o parto normal. As nossas grávidas são estimuladas a realizar o plano de parto, onde é listado todos os desejos do casal na hora do nascimento. Nosso hospital tem um engajamento e também com o cumprimento dos passos da Iniciativa  Hospital Amigo da Criança, que são:
- aspiração de vias áreas não rotineira, selecionados os casos;
- nitrato de prata, ainda rotina por se tratar de uma recomendação do decreto lei 9713/77. O que temos evitado é a utilização do nitrato de prata na primeira hora de vida, para não irritar o olho do bebê e, com isso, evitar o contato olho no olho entre mãe e seu bebê;
- lavagem gástrica: abolido no hospital, apenas recomendado seu uso em casos muito selecionados;
- estímulo a amamentação ou pelo menos o reconhecimento com o seio materno;
- vestir o bebê  mais tardiamente possível e sempre após a primeira hora do nascimento, para prolongar o contato pele a pele.
Espaço Você Saudável – Como deve ser o primeiro contato da mãe com o filho?
De preferência em um ambiente tranquilo e aconchegante. Após passar nove meses sonhando com o rostinho do bebê, o maior desejo e pegar no colo assim que ele nasce, o toque, contato olho a olho e amamentação.  O primeiro contato entre mãe e bebê é fundamental para estabelecer o vínculo afetivo entre os dois. Eles se reconhecem e inicia o maior vínculo afetivo, com isso desenvolve o sentimento de proteção, segurança e amor.

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Documentário O Renascimento do Parto fala sobre informação, hormônios do amor e opções de parto!

Em entrevista exclusiva à Crescer, a co-autora do longa Érica de Paula afirma que a mulher tem o direito de escolher de que forma vai ter o seu bebê 

Por Carol Patrocinio

Érica de Paula, co-autora do documentário
Érica de Paula é psicóloga, doula e acupunturista especializada em atender gestantes. A paixão pelo mundo da maternidade tomou proporções tão grandes que, ao sugerir uma pauta sobre o assunto para o programa de TV do marido Eduardo Chauvet, em uma emissora de Brasília, o casal resolveu fazer um documentário que acabou tornando-se o longa mais esperado para os interessados da área – O Renascimento do Parto (assista ao trailer aqui) - com estreia programada para março de 2012. “Já prevemos pelo menos dois filmes pela frente, para conseguirmos dar ao assunto a profundidade que ele merece”, acrescenta Érica. 

Em entrevista à Crescer, Érica fala mais sobre o documentário, que conta com depoimentos de grandes nomes da área de saúde, como Michel Odent (um dos precursores do movimento de parto fisiológico no mundo e a primeira pessoa a colocar uma piscina de parto dentro de uma maternidade), e de quem passou por diversas experiências de parto, como o ator Márcio Garcia, 41, e sua mulher, Andréa Santa Rosa, 33, que passou por “uma cesariana, um parto normal hospitalar com intervenções e um parto totalmente fisiológico, natural e domiciliar” para ter os filhos Pedro, 8, Nina, 5, e Felipe, 2. 

Crescer: Por que surgiu a ideia de fazer esse longa?
Érica de Paula:
 Para promover um maior conhecimento da população em geral a respeito dos aspectos fisiológicos, emocionais, culturais e financeiros que estão por trás do parto e nascimento. Tenho observado com espanto o quanto as mulheres são desinformadas quando se trata do parto (ou seja, de uma coisa que acontecerá com o corpo delas), deixando todas as decisões na mão do profissional médico, sem nenhum questionamento mais aprofundado, e se deixando levar por grandes mitos que cercam o assunto. 

Crescer: Você acredita que a situação atual do país, em número de cesáreas, pode ser transformada? Como?
E.P.:
 Acredito no poder da informação, principalmente se essa informação vem corroborada com os dados científicos. Hoje, temos a nosso favor a Organização Mundial de Saúde (que preconiza no máximo 15% de cesarianas), o Ministério da Saúde (que possui diversas políticas públicas a favor do parto normal) e todas as evidências científicas, que provam de forma cada vez mais contundente o quanto é melhor para mães e bebês respeitar aquilo que é fisiológico. Portanto, acredito que, ao promover uma maior conscientização sobre o tema, podemos sim contribuir com a transformação da realidade obstétrica do país. 

Crescer: Muitas mulheres dizem entender os prejuízos da cesárea eletiva e ainda assim fazem essa opção. Você acha que isso deveria ser coibido? Existe um projeto, nos EUA, para criminalizar a cesárea eletiva. Qual sua opinião sobre isso?
E.P.:
 É um assunto polêmico que envolve muitas variáveis. Poder escolher o parto é uma situação muito nova na história da humanidade. Em muitos países (sobretudo nos desenvolvidos), ainda hoje praticamente não existe essa escolha. Há lugares em que a cultura entende que normal é o parto vaginal, e a cesariana é vista como uma cirurgia de emergência, um procedimento para salvar vidas quando algo foge do fisiológico e entra no patológico. Eu sou a favor da escolha consciente. Acredito que a mulher tem o direito de escolher de que forma vai ter o seu bebê, uma vez que isso se dará no corpo dela. Mas isso deveria ser feito de forma consciente, ou seja, levando-se em consideração todos os prós e contras dessa decisão. Infelizmente, não é isso que vemos acontecer no Brasil. E se, diante de todas as informações, ainda assim a mulher optar pela cesariana, sou a favor da cirurgia feita em trabalho de parto, ou seja, após os primeiros sinais dados pelo corpo de que o bebê estaria pronto para nascer. 

Crescer: No filme fala-se muito sobre os “hormônios do amor”. Pode explicar melhor sobre isso?
E.P.:
 Durante o trabalho de parto, a mulher libera um coquetel de hormônios que denominamos hormônios do amor. Isso se deve ao fato de que o principal hormônio do parto, a ocitocina, está presente em outras manifestações de amor, como orgasmo, ejaculação e ejeção de leite. No parto, além de serem responsáveis pelas contrações e todo o processo fisiológico do nascimento, esses hormônios estão profundamente relacionados ao vínculo mãe-bebê. Além disso, esses hormônios atravessam a barreira placentária e são de suma importância para o bebê, não apenas no momento do nascimento, mas no futuro.
Por outro lado, apesar de os hormônios serem importantes, não é isso que define o amor e os cuidados maternos. Não queremos que as mulheres que passaram por uma cesariana ou tiveram seus filhos por meio de intervenções se sintam acusadas de serem menos mães ou de não amarem seus filhos. Não é disso que se trata o filme. Não estamos abordando casos individuais, mas o futuro de uma civilização inteira nascida sem os hormônios do amor. 

Crescer: O que você diria às mulheres que sentem medo do parto natural?
E.P.:
 Digo que é normal termos medo daquilo que não conhecemos. Estamos acostumadas a ter o controle de tudo, e a possibilidade de vivenciar um momento onde precisamos literalmente perder o controle e nos entregar parece realmente algo assustador. Mas, se conseguirmos ultrapassar a barreira do medo, podemos vivenciar uma experiência de absoluta plenitude. É importante ressaltar que grande parte do medo que as mulheres sentem do parto está baseado em mitos (do tipo: minha vagina vai alargar) ou em procedimentos que não são fisiológicos e são feitos de forma inadequada pelos profissionais (por exemplo, a episiotomia, corte na vagina feito sem indicação em mais de 90% dos casos). Por isso, defendemos que não basta o parto ser vaginal, mas sim humanizado, respeitando aquilo que é fisiológico. 


   *Fonte: Revista Crescer

terça-feira, 8 de novembro de 2011

O papel do pediatra no nascimento humanizado


Texto maravilhoso!!

Por Douglas N. Gomes*

O trabalho do pediatra está completamente inserido no momento do bem nascer. Seu papel é importante para garantir a preservação do que a natureza reserva para mães e bebês no nascimento. Cabe a esse profissional evitar as interferências causadas por procedimentos desnecessários ou inoportunos no nascimento.
Entre as suas atribuições primordiais está a de garantir um contato íntimo, pele a pele, da mãe com o bebê após o nascimento. Além satisfazer a vontade da maioria das mães de ver e tocar seu bebê logo após o parto, esse contato também é a melhor forma de proporcionar o equilíbrio da temperatura e dos sinais vitais do bebê, fato que já foi provado por pesquisas científicas desde 1995.
Hoje sabe-se que quando é garantido um ambiente aquecido e com pouca luz quase todo recém-nascido olha demoradamente os olhos de sua mãe, muitas vezes não chora e se adapta com mais tranquilidade ao novo ambiente menos quente, mais barulhento e com maior força de gravidade do que o uterino.
Está cientificamente comprovado que os bebês que mamam na primeira hora de vida têm maior possibilidade de estender seu período de amamentação exclusiva, chegando com mais facilidade ao ideal recomendado pela Organização Mundial da Saúde de alimentar os bebês exclusivamente ao seio até os seis meses de vida e manter a amamentação, junto com alimentos complementares, até dois anos ou mais.
A essência da assistência humanizada ao parto e ao recém-nascido está em atender da melhor forma possível as necessidades de saúde das famílias nesse momento tão especial da vida. E, ao mesmo tempo, não ceder ao interesse do sistema médico de oferecer recursos tecnológicos muitas vezes desnecessários ou inoportunos para a investigação de doenças e problemas de saúde. Na base da filosofia humanizada está o entendimento da saúde como o bem estar e a felicidade das pessoas. Não apenas como a ausência de doenças.
Se por um lado é certo que evitar, identificar e tratar doenças ou problemas do corpo, da mente e da vida social das famílias fazem parte do papel do médico pediatra, por outro ainda são poucos os profissionais que conseguem identificar as reais necessidades de saúde das famílias durante o parto, o nascimento e a infância.
Para isso, o pediatra precisa ter uma escuta qualificada para questões não médicas e por vezes muito determinantes da saúde dos bebês e das crianças como a história de vida do casal e de suas famílias, as qualificações individuais dos pais para lidar com mudanças ou com situações diversas da vida, a resiliência de cada um, o entendimento que as famílias têm do processo de nascimento e parto, o entendimento individual do processo saúde-doença, a rede de apoio familiar do casal e até os conflitos na relação do casal, que não raro se refletem em problemas para a criança, como por exemplo na dificuldade de amamentação.
Faz parte do atendimento humanizado ao recém-nascido não realizar movimentos intempestivos, que causam choro ou desconforto, em suas primeiras horas de vida. O bebê deve ser manuseado com suavidade e leveza. Algumas ações que refletem essa manipulação delicada e suave são:
• movimentar lenta e delicadamente o bebê após sua saída do canal de parto para conduzi-lo ao colo da mãe;
• enxugar delicadamente com panos preaquecidos a parte de trás do corpo do bebê, que não está em contato direto com a pele da mãe;
• enxugar apenas tocando, sem esfregar a pele do bebê;
• trocar os panos preaquecidos que envolvem o bebê, a qualquer momento, se ficarem úmidos ou encharcados de líquido;
• dar atenção especial ao rosto do bebê, limpando suavemente eventuais resíduos de líquido ou sangue;
• encontrar uma posição mais confortável para o bebê sobre o ventre ou o peito da mãe caso ele chore ou mostre algum desconforto;
• não deixar em nenhum momento o bebê desenrolado ou com partes do corpo descobertas ou expostas ao frio;
• se o bebê nascer na água, aquecê-lo com a própria água morna da banheira, derramando-a suavemente sobre as costas dele;
• aguardar o bebê dar sinais de que quer mamar para posicioná-lo próximo à aréola do seio materno, dando a ele a oportunidade de se movimentar para buscar e abocanhar o peito;
• não interromper o contato pele a pele do bebê com a mãe por motivos banais como a necessidade de mudança de posição da mulher para os procedimentos finais do parto;
• realizar os procedimentos de rotina, como pesar e medir o bebê, apenas depois que ele terminar de mamar ou após o final da primeira hora de vida, se não tiver mamado;
• pesar o bebê enrolado em panos preaquecidos para não expô-lo ao frio;
• fazer o primeiro exame pediátrico com o bebê em ambiente aquecido, com enrolamento parcial, em posição organizada (com os membros agrupados) e com contenção facilitada pelo pai ou familiar;
• dar o primeiro banho do bebê no quarto, enrolado em panos e em posição vertical (dentro do balde) para que ele relaxe e até durma, se quiser;
• oferecer ao casal a possibilidade segura de aplicar vacinas e realizar procedimentos dolorosos no bebê somente após estar acertada a amamentação;
• ouvir os pais e explicar detalhadamente todos os procedimentos e exames necessários para o bebê e sugerir soluções práticas para sua realização;
• dar suporte e resolver todos os problemas relacionados ao manejo da amamentação exclusiva;
• fazer visitas médicas complementares (hospitalares ou em casa, no caso de parto domiciliar), se necessário, para garantir os cuidados adequados e individualizados para cada bebê, de acordo com suas necessidades e os problemas diagnosticados.
Alguns diferenciais do pediatra humanizado:
• disponibilidade para estar presente no momento do parto;
• abertura para ouvir e acolher os questionamentos dos pais com relação à própria conduta, aos procedimentos do hospital ou da equipe;
• assertividade para proteger o bebê de rotinas hospitalares desnecessárias que impeçam um nascimento natural e impossibilitem a amamentação precoce;
• disponibilidade para atender chamados durante o período pós-parto;
• acolher as demandas e vontades do casal quanto a todos os cuidados e procedimentos que serão dispensados ao bebê durante sua estada no hospital;
• oferecer alternativas domiciliares de tratamento após a alta para problemas como dificuldades na amamentação, banho de luz para tratamento de icterícia, além de consultas em casa para pais que assim desejarem nas primeiras semanas de vida;
• disponibilidade para responder a todas as ligações dos pais, sem demora, seja de bebês com poucos dias vida ou de crianças maiores;
• utilizar os diversos meios de comunicação disponíveis como e-mail, programas de troca de mensagens instantâneas e torpedos para agilizar a comunicação com os pais;
• disponibilidade para conversar com pediatras de prontos-socorros onde seus pacientes porventura estejam sendo atendidos em casos de urgência para avaliar em conjunto as condutas médicas que estão sendo tomadas;
• disponibilidade para visitar, quantas vezes necessário, os bebês que precisarem de internação com o objetivo de acompanhar as condutas propostas e sugerir mudanças, além de esclarecer as dúvidas da família e dar suporte emocional aos pais.
- – - – - – - – - – -
* O autor é médico pediatra e faz parte da equipe de profissionais da Casa Moara.

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Linha Purpura e parto!

Então gente, eu adorei  o texto da minha querida Fisio Doula Renata. Muito bom ter esta informação!! Leiam...


Durante a gestação o corpo da mulher se modifica, se pigmenta e algumas linhas se formam...
Uma das linhas mais conhecidas é a linha nigra, aquela linha escura que aparece no abdome da maioria das gestantes devido alterações hormonais e que depois some... 
Mas agora conhecemos uma outra linha, menos perceptível (por estar mais escondida) mas com uma função maravilhosa: indicar indiretamente a evolução do trabalho de parto! Sim!!! O corpo consegue expressar qual o nível de descida do bebê e dilatação do colo através de uma linha que aparece no bumbum: a linha purpura!! Não é demais?????
Eu já havia notado a linha purpura em gestantes, mas nunca me atentei para ela... nem imaginava porque ela existia!!!
A linha purpura foi descrita e estudada apenas por parteiras cujos estudos já são meio antigos (1990 e 1998) e este ano voltou a ser comentada através da tese de livre docência da Dra. Nádia Zanon Narchi, que resolveu usar a linha purpura como método auxiliar de avaliação de fase ativa do trabalho de parto! Ela percebeu que a linha vai aumentando de acordo com a evolução da dilatação, e sua coloração vai mudando de acordo com a descida do bebê! Isso, além de ser um sinal de que a natureza realmente é sábia, facilita e torna o atendimento à gestante menos constrangedor e doloroso, já que acaba diminuindo a frequência dos toques vaginais! Bacana né?
E agora.... com vocês,  a nossa querida (e bem-vinda!!!!) linha purpura!!  


 Ah! A tese completa da Dra Zanon, vocês conseguem aqui! 

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