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terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Pensamento da posição


Retirado do blog Doula em Pensamento.



Aqui é um estudo sobre posições favoráveis ao parto. Estudo baseado no livro A Doula no Parto, de Fadynha. Bom para compreender o funcionamento do corpo no parto e como auxiliá-lo.
boa leitura.

Sentar no vaso sanitário:
bom para descomprimir o assoalho pélvico.

Balanço:
na cadeira de balanço, na bola de pilates e ao mesmo tempo receber massagem nas costas.

Compressa na lombar:
bolsa térmica com suporte de velcro.

Rolo na lombar:
de madeira ou garrafa de água mineral com gelo.

Contrapressão:
pressão bem forte com o punho ou palma da mão na lombar durante as contrações.

Dupla compressão:
palmas posicionadas nas laterais dos quadris.

Massageadores:
em toda as costas.

Puxo com o rebozo:
pano para a parturiente se agarrar ou se pendurar  para direcionar o puxo.
(puxo: vontade de fazer força de expulsão do bebê)

Sentada na bola:
na descida do bebê sentar na bola de pilates para massagear o assoalho pélvico.

Sentada ao contrário na cadeira:
para relaxar e aliviar a dor.

Semi-deitada:
na cama com as costas em almofadas.
nem deitada, nem sentada com as pernas semi-flexionadas.
a doula pode fazer do-in no meio da testa.

Deitada de lado com perna elevada:
bom para fazer com que o bebê se posicione corretamente dentro da barriga da mãe e proporcionar a mãe relaxamento.

Deitada de barriga para cima  sobre rebozo:
a doula passa o rebozo aberto nas costas da parturiente e balança o quadril de um lado para outro.
eleva o quadril.
descanso da coluna.

Peito no chão com rebozo:
a parturiente fica de quatro, peito no chão, rebozo sob a barriga da gestante e o puxa, deixando-a com as nádegas bem elevadas.
aliviar a dor na barriga e rotação do bebê.

De joelho no peito:
ficar de quatro sentando sobre os pés enquanto alonga os braços à frente, peito encostado no chão.   

Quatro apoios:
manobra de Gaskin (parteira americana Iná May Gaskin).= facilitar a rotação do bebê que está com distócia de ombro.
distócia de ombro = dificuldade da passagem do ombro da criança após a passagem de sua cabeça pela sínfise púbica.
sínfise púbica = articulação semimóvel que une o púbis formando a bacia, que é composta pelo sacro e cóccix e dois ossos do quadril, que por sua vez, cada osso, é composto por três ossos compactados: ílioísquio e o osso púbico.          

De cócoras no colo:  
a parturiente senta de frente, no colo da doula, abraçando-a. durante a contração a doula separa bem os joelhos e deixa a nádegas da grávida descer, ficando de cócoras no ar, com os pés fora do chão.
no intervalo das contraçãoes a doula fecha as pernas e a parturiente volta à posição inicial.
posição boa para relaxar e abrir a bacia de modo que facilita a descida do bebê.

De cócoras com o apoio do marido e duas doulas:
marido de pé segurando as axilas, as doulas com seus braços entrelaçados atrás das costas e com as outras mãos pressionando o quadril.
facilita a descida do bebê e proporciona conforto emocional.

Cócoras sustentada alta:
a parturiente acocorada com suas axilas apoiadas.
doula sentada na cama.
pode também segurar no pescoço da doula.
posição boa para alongar e facilitar a descida do bebê.

De cócoras:
essa posição já abre 4cm de passagem para o bebê, de acordo com o obstetra Cláudio Paciornick

Borboleta:
balançar as pernas durante as contrações.
proporciona relaxamento dos ligamentos pélvicos, provocando uma dilatação mais rápida.
intensifica as contrações.

Andar de patos:
estimular o trabalho de parto, abertura pélvica e descida do bebê.

Namaskar:
parturiente agachada dando as mãos para a doula, projeta o peso para um lado e depois para o outro.
proporciona abertura pélvica e estímulo às contrações.

Rotação pélvica:
rotação durante as contrações, bambolê.
facilita a descida, auxilia no encaixe do bebê e alivia a dor lombar.

Andar abraçada ao companheiro:
ajuda na progressão do parto e dá apoio físico e emocional.

Em pé com apoio:
a parturiente relaxa totalmente apoiada na doula, fazendo um balancinho com o corpo como numa dança.
a doula massagea a lombar enquanto isso.
relaxa, alivia e auxilia na descida do bebê.

Caminhar :
é bom , muito bom, para encaixar o bebê.

sábado, 26 de novembro de 2011

Noticia: Experiência do parto "mudou minha vida", diz atriz global


Bruna Luz nasceu no último dia 25 de parto normal. Foto: Daniel Delmiro /AgNews
Bruna Luz nasceu no último dia 25 de parto normal
Foto: Daniel Delmiro /AgNews

A atriz Carolinie Figueiredo deu a luz na madrugada da última sexta-feira (25) à sua primeira filha, Bruna Luz, fruto do relacionamento com Guga Coelho. Neste sábado, a atriz comentou no Twitter sobre o nascimento da filha: "estou tão feliz. Essa experiência mudou minha vida", disse.
Para Carolinie, a yoga ajudou no parto, que foi natural e sem anestesia: "(a yoga foi) responsável por me fazer descobrir que nós mulheres somos capazes de dar a luz. Que temos força, que a natureza sabe agir quando deixamos fluir. E que a dor também é prazer."
A atriz falou ainda de sua recuperação e as primeiras impressões sobre a filha: "Eu pari e duas horas depois fui tomar um banho delicioso, sozinha. E Bruna Luz é tão esperta. Só é bravinha pra pegar o mama."

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Nasce filha de Dado Dolabella. Parto de Ana Flor foi em casa, na banheira!

'Foi um momento mágico e lindo', disse o ator ao EGO. Bebê é a primeira filha do ator e cantor, que já é pai de João Valentim e Eduardo.

Dado Dolabella e a namorada grávida Juliana Wolter apões estreia de peça em Angra dos Reis (Foto: Thyago Andrade/ Photo Rio News)
Dado Dolabella e Juliana Wolter: pais de Ana Flor
(Foto: Thyago Andrade/ Photo Rio News)Floresceu no jardim de Dado Dolabella. É que nasceu Ana Flor, primeira filha do ator e cantor com a produtora musical Juliana Wolter - ele já é pai de João Valentim e Eduardo.

A bebê nasceu na quarta-feira, 25, às 15h50, pesando 3,400 kg de parto normal, em casa, numa banheira. Juliana teve o acompanhamento de uma doula (profissional que orienta o parto natural), um pediatra e uma parteira. Dado ficou ao seu lado, abraçando Juliana durante o parto.
"Foi um momento mágico e lindo. Foi perfeito. Se eu pudesse voltar atrás, queria que os outros filhos nascessem desse jeito", disse Dado Dolabella ao EGO.
O ator contou que depois de ter tido filho, Juliana agia como se nada houvesse acontecido. A produtora subiu e desceu as escadas do apartamento do casal no Leblon, na Zona Sul do Rio e foi preparar um suco para eles beberem.

A ideia de ter Ana Flor de parto domiciliar foi inspirada pela atriz Danielle Suzuki. Foi ela quem contou para o ator as maravilhas do parto natural.
"A Danielle disse que era mágico e eu comecei a curtir o fato da minha filha nascer em casa. Fora isso, o nascimento de meus outros dois filhos no hospital, de parto cesárea, me traumatizaram muito. A mãe fica longe do filho, só vê a criança depois. Nada a ver. O que um bebê recém nascido precisa é unicamente do calor da mãe e de tê-la próxima dele", disse.
Cordão umbilical não é cortado de imediato
Dado disse que quando a mãe dá à luz, a temperatura do corpo da mulher aumenta três graus justamente para ela aquecer o bebê. Em casa, o cordão umbilical não é cortado imediatamente como acontecesse no hospital e ele ainda fica preso à criança durante duas horas.
" Esse tempo é o suficiente para ela receber todos os nutrientes do sangue da mãe e isso é riquíssimo para a crianças", disse Dado.
Dado filmou todo o parto. O nome da filha, Ana Flor, foi uma homenagem à irmã de seu padrasto, Ana, que morreu de câncer esse ano. E Flor é 'lindo de se ouvir', disse ele.
"Não tem explicação para definir esse momento. Se pudesse, repetia tudo de novo."

sábado, 15 de outubro de 2011

Nove em cada dez partos feitos por planos de saúde são cesáreas!


Brasil ainda não sabe como reduzir o número de cesáreas. Tentativas feitas até agora foram em vão. Número de partos feitos desse modo só cresce no país
Publicado em 15/10/2011 | POLLIANNA MILAN

Marco André Lima/Gazeta do Povo / Halline teve a primeira filha por cesárea e a outra por parto normal: o envolvimento no segundo parto foi bem maior
Halline teve a primeira filha por cesárea e a outra por parto normal: o envolvimento no segundo parto foi bem maior
As mulheres com plano de saúde ajudam a elevar o índice de cesáreas no Brasil. O país tem uma das maiores taxas de parto cesariano do mundo, com atualmente 45%. Enquanto no Sistema Único de Saúde (SUS) 40% dos nascimentos são via cesáreas, na saúde suplementar este índice mais do que dobra, chegando a 90%.
Desde 2005, quando se descobriu que as mulheres com plano de saúde em quase sua totalidade faziam cesarianas, o governo federal e as entidades médicas se uniram para pressionar as operadoras a reduzir as taxas. Passados seis anos, pouca coisa mudou e, o pior, o Brasil até agora não sabe ao certo em qual frente deve trabalhar para reverter a situação, já que os fatores de escolha pelo parto cesáreo são múltiplos.
Mitos
Conheça algumas crenças sobre o parto normal que não são comprovadas pela Medicina:
Há muita perda de sangue
Na realidade, na cesariana se perde muito mais sangue.
A dor é muito forte
Na hora da cirurgia da cesárea a mulher não sente dor devido à anestesia, mas a recuperação é bem mais complicada e dolorida.
O bebê se machuca
Pelo contrário: a passagem pelo canal vaginal ajuda a criança a expelir os últimos líquidos, inclusive do pulmão, e isso evita a síndrome de angústia respiratória.
A relação é pior
Na cesárea, muitas vezes, o bebê vai para a incubadora. Segundo médicos, isso é extremamente prejudicial na relação da mãe com o filho. No parto normal o bebê é colocado imediatamente no peito da mãe para criar o vínculo maternal.
Reduz a libido
Ao contrário do que se acredita, o parto normal não diminui a libido.
Levantamento
Dinheiro gasto com cesarianas poderia ir para outras áreas
O Ministério da Saúde tem pesquisas que mostram o quanto de dinheiro foi usado desnecessariamente com cesarianas, mas os dados são internos e não podem ser divulgados à imprensa. A economista Tabi Thuler Santos, do Centro de Desenvolvimento e Planejamento Regional de Minas Gerais, defendeu recentemente uma dissertação onde trabalhou o tema Evidências de indução de demanda por parto cesáreo no Brasil e chegou à conclusão de que “há dinheiro gasto com cesáreas que poderia ser usado para investimento em outras áreas”. O custo de um parto normal pelo Sistema Único de Saúde é de R$ 291 e a cesariana custa cerca de R$ 402. O valor, no privado, pode variar conforme a operadora do plano.
“A cesariana é um procedimento cirúrgico que às vezes demanda UTI e antibióticos: é um problema de saúde e econômico”, diz. Tabi revisou a literatura e chegou a dois dados interessantes: o primeiro é a crença (errada) de que a mulher que tem o primeiro parto de cesariana precisa fazer os outros do mesmo modo. “Um estudo de São Paulo de 2002 revelou que 95% das mulheres com mais de um parto fizeram cesariana no segundo ou nos outros porque já haviam passado uma vez pela cirurgia”, diz. Outro dado, de 2009 (Rio de Janeiro), é de que apenas 37% das cesáreas no período foram uma escolha exclusiva da mulher, ou seja, a interferência do médico é grande.
O outro lado
Plano de saúde adere à campanha
A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) lançou uma campanha intitulada Parto Normal está no meu plano com o intuito de incentivar as mulheres com planos de saúde a não optar pela cesariana. A reportagem entrou em contato com a Associação Brasileira de Medicina de Grupo (Abramge), com a Federação Nacional de Saúde Suplementar (Fenasaúde) e a União Nacional das Instituições de Autogestão em Saúde (Unidas) para saber qual o posicionamento das operadoras de planos de saúde sobre os altos índices de cesarianas na saúde suplementar. A única que atendeu à reportagem foi a Unidas.
Por e-mail, ela respondeu que faz pesquisas (está na 12ª edição) para verificar a adesão à cesariana e que tem percebido as altas taxas, por isso aderiu à campanha da ANS. Sobre os motivos das altas taxas, afirmou que é um problema cultural e o fato de os riscos da cesariana não serem levados em conta. A presidente da Unidas, Denise Rodrigues Eloi de Brito, ressalta que não há culpados pelas altas taxas de cesariana, afinal, “hoje o custo dela é equivalente ao do parto normal e, às vezes, até maior.”
A ideia de que parto era algo para ser feito nos hospitais foi copiada dos Estados Unidos, mas lá as taxas de cesarianas chegam a 27%, bem inferiores ao Brasil. A Organização Mundial da Saúde (OMS) sugere uma taxa de parto cesáreo de 25% para cada país. Com o intuito de acabar com as altas taxas, o Conselho Federal de Medicina (CFM), a Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febras­­go), a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) e outras entidades médicas fizeram uma pesquisa com 3 mil médicos para tentar mapear as motivações pela escolha da cesariana e, assim, combatê-las. A pesquisa só será divulgada em novembro, mas, em entrevista, as entidades já adiantam alguns fatores observados.
Motivos
A questão mais óbvia desta diferença é que as atendidas pelos planos de saúde podem escolher livremente o parto que querem ter, e elas preferem o cesáreo por diversos fatores: pela comodidade, pela falsa ideia de que dói menos (na verdade, a recuperação da cesariana é bem mais dolorida), por medo de o parto normal machucar o bebê (se for feito corretamente, é inverídico) e, atualmente, pela violência urbana e a possibilidade de não haver vagas nas maternidades.
“Nas grandes cidades, mulheres e médicos têm preferido marcar a cesárea para evitar a surpresa de um parto normal na madrugada, colocando em risco o médico, a parturiente e o bebê, pois podem ser assaltados no trajeto até a maternidade”, ex­­plica a médica Lucila Nagata, membro da comissão de mortalidade materna da Federação Brasileira das Associa­­ções de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo). Além disso, o agendamento acaba sendo a garantia de que a mulher vai ter o filho no lugar escolhido previamente.

Indução

A grande reclamação das mu­­­lheres, porém, é de que os médicos induzem ao parto cesáreo. Elas dizem que os médicos fazem isso devido à cesariana ser mais cômoda para eles, afinal, este parto dura cerca de duas horas enquanto um parto normal pode durar 12 horas.

“Sempre quis ter normal, cheguei a entrar em trabalho de parto e o médico, no hospital, me disse que eu não tinha dilatação. Ele me pegou em um momento de fragilidade e afirmou que teria de ser cesárea pelo bem do bebê. Acabei cedendo, mas foi frustrante”, afirma a farmacêutica Halline Queiroz, que tem duas meninas, a Julia e a Laura.

A Julia nasceu de cesariana e a Laura de parto normal. “Na segunda vez, mudei de médico e ele me provou que o parto normal era possível. Ele derrubou o mito de que mulher que tem o primeiro filho de cesárea vai ter de fazer cesariana sempre”, conta.

Prematuridade aumenta e bebês vão para UTIs

O problema da escolha pela cesariana é cultural, segundo a gerente-geral de regulação assistencial da Agência Nacional de Saúde Suplementar, Marta Oliveira. Para ela, não basta pressionar os planos de saúde para reduzir as taxas, “a mulher precisa aceitar o parto normal.”

Marta chama a atenção para o fato de as cesarianas serem literalmente agendadas, ou seja, a mulher nem chega a entrar em trabalho de parto e o bebê, por isso, acaba nascendo imaturo (com o pulmão ainda com líquido). “Se tivéssemos 90% de partos cesáreos e estivesse tudo bem, sem problemas. A questão é que temos a prematuridade aumentando e muitos bebês ficando em UTIs. Este tipo de consequência nos preocupa”, diz.

terça-feira, 26 de julho de 2011

Medicalização do parto e doula

Texto ótimo da Elis de Souza Freitas, explicando claramente o porquê de ser tão importante a gestante estar acompanhada da doula durante o trabalho de parto. Como a doula presta este suporte, na nossa realidade hospitalar, muitas vezes cruel! Leiam e comentem!



Historicamente, o parto passou por muitas modificações ao longo dos tempos, em decorrência da medicalização e dos avanços tecnológicos, e consequentemente com a evolução da medicina. A evolução que trouxe a queda da morbi-mortalidade materna e infantil trouxe também a transformação da parturiente a paciente sujeita a um pacote completo de intervenções médicas.
O parto, que antes era realizado no ambiente domiciliar por mulheres, parteiras ou comadres, passou então a ser comandado por homens em instituições hospitalares e visto como algo terrivelmente perigoso, um evento patológico e que necessita de equipe técnica e instrumentação cirúrgica para assistência. O homem foi, então, dominando o parto com o avançar da medicina, trazendo alívio das dores e salvando vidas em perigo.
A parturiente que tinha total domínio de seu corpo e suas vontades no seu próprio ambiente, passou então a ficar a mercê de comandos médicos, imobilizada, sem direito a movimentação, alimentação, sem direito a sentir a própria dor, a escolher seus acompanhantes, a ficar na posição que se sentir melhor, e muitas vezes sem direito de não ser mutilada.
O bebê que antes ia direto para o seio materno ainda com o cordão pulsando, passou então a ser tratado como um ser em perigo, cortado do seu elo umbilical às pressas, aspirado, sacudido e levado para longe da mãe para avaliação, coleta de dados, injeções e largado em um berço frio em meio a muitos outros.
Enquanto em alguns países, o médico só atua em casos graves, atualmente, o cenário brasileiro beira os 80% de partos cirúrgicos em instituições hospitalares particulares. A nossa média nacional de partos normais é de 60%, sendo a maioria deste percentil de partos repletos de práticas desnecessárias usadas indiscriminadamente. Em alguns países, inclusive, o parto só é hospitalar quando há necessidade, em casos em que a gravidez é considerada de risco, e para os casos de gravidez dentro da normalidade incentiva-se o parto domiciliar, por apresentar menor custo e menor risco de contrair infecções.
Para contribuir com este cenário atual brasileiro, a mídia faz uma propagação maciça de imagens de partos sofridos, onde muitas vezes o desfecho é a morte da mãe ou do bebê, de onde se extrai ainda mais a imagem de que parto é sempre sinônimo de sofrimento e perigo constante, de tragédias.
Com o avançar da medicina, das técnicas cirúrgicas, dos medicamentos, e diante de todo o exposto anteriormente, poucas mulheres se encorajam a enfrentar o trabalho de parto, e com isto perdem seu mais importante rito de passagem. Perdem uma maternidade mais consciente desde o início em que se deixam levar por resultados dados por aparelhos, quando poderiam deixar aflorar a intuição feminina e se conectar com o próprio corpo. Muitas não percebem que o parto é delas, que a elas lhes foi dado este poder e que elas deveriam ser as protagonistas do evento mais importante das suas vidas, ao invés de delegar este acontecimento aos médicos.
Hoje em dia, muitas mulheres optam pela cesárea por medo da dor do parto, por medo das humilhações com as intervenções, medo de ser mutilada, por achar muito demorado e por serem enganadas por seus médicos. As poucas instituições que praticam o parto normal regularmente - geralmente trata-se de instituições públicas -, o praticam de maneira desumana, com episiotomias, analgesias, induções e muitas vezes com muitos maus-tratos, fazendo com que esta opção fique apenas para as que não dispõem de cobertura de um plano de saúde.

Muitas das que desejam um parto normal, acabam sendo ludibriadas por seus médicos com falsas justificativas, e induzidas a fazerem o parto cirúrgico sob alegações infundadas. Muitas dessas alegações são: cordão umbilical enrolado no pescoço, grau de maturidade da placenta, pouco ou muito líquido amniótico, posição fetal, gestação prolongada, bebês muito grandes (macrossomia), prematuridade, diabetes gestacional, entre outras. Acabam confiando em quem deveria realmente atender seus pedidos e não se informam sobre as reais indicações para uma cesária, que quando bem indicada tem efeitos benéficos, que salvam vidas.

Apenas uma pequena parcela de mulheres realmente luta e se empodera para ter seu tão sonhado parto normal humanizado, buscando informações sobre os tipos de parto, sobre as possibilidades, sobre seus limites reais, confrontando seus médicos e indo em busca de outros que as atendam e respeitem de verdade os seus desejos. E é aí que descobrem o que é uma doula e para quê ela serve. Aprendem o real sentido da palavra doula, que é a mulher que serve, oferecendo apoio afetivo, físico, emocional e informativo para as gestantes.
O que poucos percebem é que a doula, além do atendimento particular, poderia ser muito útil em hospitais públicos, onde ainda se pratica e incentiva bastante o parto normal. Seus serviços seriam úteis tanto para as parturientes em trabalho de parto, que teriam suas dores amenizadas sem o uso de métodos farmacológicos, como para a instituição, que teria uma visível diminuição de gastos economizando material médico-hospitalar.
Ela entra em cena para atender as necessidades da mulher que pari, deixando-a mais a vontade em meio ao ambiente hospitalar e a pessoas desconhecidas, que geralmente criam um certo medo e ansiedade na hora do parto. A doula, então, pode trazer-lhes mais conforto com massagens, com palavras de incentivo, colocando o pai para participar ativamente junto à mãe, satisfazendo as vontades da mulher, fazendo-a sentir-se acolhida, colocando uma música, deixando o ambiente aquecido, com poucas luzes, fazendo uso da água quente seja com banhos de imersão ou chuveirada, informando a parturiente sobre as melhores posições e ensinando técnicas de respiração e relaxamento, utilizando bola suíça, cromoterapia, auriculoterapia, moxabustão, todas as técnicas naturais possíveis para passar segurança e tranquilidade para a mulher trazer seu filho ao mundo de forma saudável, ativa e consciente, evitando assim o uso de analgésicos, de cortes desnecessários, do uso de fórceps, de medicamentos para indução, diminuindo as taxas de cesárias, a duração do trabalho de parto e das internações após o parto.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

GOMES, Solange S. Vivências maternas sobre a participação da doula no parto. São Leopoldo, Unisinos, 2005.
VARGENS, Octavio; SEIBERT, Sabrina; et al. Medicalização x Humanização: O cuidado ao parto na história. UERJ, 2005.
http://birthdoulasofpittsburgh.com/


Elis de Souza Freitas é farmacêutica e mãe, tem 29 anos, vive em Imbituba (SC), e realizou esse trabalho como monografia de conclusão do Curso Online de Formação de Doulas Parto. Julho 2011. Contato: ELIS.FREITAS@GMAIL.COM

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