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sexta-feira, 10 de agosto de 2012

AMAMENTAR É ÓTIMO, MAS ÀS VEZES NÃO É FÁCIL NÃO

Encontrei este texto muito informativo, que tenta explicar porque muitas mães tem dificuldades em amamentar no comecinho. Digo as gestantes que devem sempre ler e se informar também sobre a amamentação, e que se a dificuldade for grande que busquem um conselheiro em amamentação mais próximo delas. Em Gravataí atento as mães que tem esta dificuldade (entre em contato aqui), além de orientar minhas doulandas. Em Porto Alegre indico a Mamãe e Bebê com a consultora Rosane Baldissera. Não deixem de pedir ajuda de um profissional antes de desistirem, ou seguirem conselhos errôneos de familiares! Lembrem-se, cada bebê é diferente, existem bebês que vão querer mamar a cada hora, ou a cada 3 horas, é importante que se verifique se não há algo incomodando o bebê antes de dar-lhe o peito!
Segue o texto...
Sofia mamando- 4 meses

 "Estamos na Semana Mundial de Amamentação. Isto mostra que a amamentação
é um tema tão importante que a ele é dedicado não apenas um dia, mas toda uma
semana. As campanhas na mídia nos mostram que amamentar é excelente para a saúde
do bebê, além de ser bom para o bolso dos pais por não custar nada. É também bom
para a saúde da mãe pois previne contra doenças como o câncer, ajuda a perder excesso
de peso.

 Porque então tantas mulheres não conseguem amamentar, mesmo sabendo das
vantagens da amamentação? A resposta é complexa, cada caso é único, mas vamos
tentar pensar algumas pistas e para entender a questão precisamos saber que a
amamentação depende de dois hormônios: a prolactina e a ocitocina. O organismo
materno fabrica prolactina pela estimulação da mama na sucção do bebê ou na retirada
com bomba ou ordenha manual.  Assim, quanto mais o bebê mama ou quanto mais é
retirado o leite, mais é fabricado.  A ocitocina é fabricada pela hipófise, uma glândula
localizada no cérebro e que funciona tanto melhor quanto mais tranquila e confiante se
encontra a mulher. Se não há uma boa produção destes dois hormônios, a amamentação
não funciona.

 Colocar o bebê para sugar já tem sua ciência e é nisso que a amamentação às
vezes enrasca: se o bebê não pega a mama da forma correta, facilmente o bico do peito
vai ter fissuras (rachaduras) que são dolorosas e fazem a mãe desistir.  E qual a forma 
correta do bebê abocanhar a mama? Ele deve ser segurado de frente para a mamãe,
barriga do bebê encostada na barriga da mamãe e deve abocanhar quase toda a aréola,
isto é, a parte mais escura da mama.  Se ele faz isto, o bico do peito fica no céu da boca
do bebê, seus lábios ficam virados para fora e ele  fica com o narizinho e o queijo
encostados na mama. A mãe não deve pensar que ele não está respirando: se ele está
sugando é porque está respirando, em geral pela outra narina que a mãe não está vendo.
Se o bebê não estivesse respirando não sugaria e tiraria a boca do peito a toda hora.
Portanto, a mãe não deve ficar com o dedo indicador puxando a mama no sentido
contrário pois se fizer isto desencaixa a pega correta, tira o bico do peito do céu da boca
do bebê  e  ele  começa a morder o bico, o que fará a tal rachadura dolorosa. Se a pega
está correta, o peito não dói.  Se está doendo é porque o bebê não está pegando de forma
correta.

 Bem, a pega correta é importante, mas, às vezes o bebê está pegando de forma
correta e o leite não está saindo porque não está havendo produção de ocitocina que
depende da calma, da tranqüilidade, do desejo de amamentar, da confiança de que é
capaz de fazê-lo. E aí é que está a dificuldade! Onde está a calma no pós-parto? Pós parto é um   período difícil:diferentemente da gravidez, tempo em que as mudanças são
lentas, as do pós-parto são bruscas. A barriga esvazia-se, não voltando, contudo, ao que
era antes da gravidez e sim ficando ainda aumentada e flácida. Pode haver uma cicatriz
de um parto cirúrgico ou de um parto vaginal com corte ou laceração do períneo. Há
grandes mudanças hormonais. A mulher está perdendo, pela vagina, os lóquios, uma
secreção sanguinolenta, parecida com a menstruação. O sono está interrompido pela
amamentação, e há o cansaço natural das tarefas dos cuidados com o bebê e a casa.
Pode haver excesso de visitas que cansam a mulher. Portanto, procure estabelecer com
os amigos e parentes horários para visitas e escolha horários nos quais o pai do bebê
possa estar para atender às visitas, se você  precisar atender ao bebê. Procure ter com
você alguém que lhe ajude nos serviços domésticos como lavar, passar, cozinhar para
que você possa estar  mais descansada para o bebê. Escolha, se possível, alguém com
quem você tenha um bom relacionamento e que respeite seu jeito de fazer as coisas,
principalmente seu jeito de cuidar de seu bebê e que a incentive e não critique. 

 E principalmente, a mãe ainda não aprendeu a compreender os diferentes choros
do bebê e acha que sempre que ele chora é porque está com fome. E pensar isto tira sua
segurança na sua capacidade de amamentar.

Quando o profissional de saúde diz a você que o bebê deve ser amamentado em
livre demanda você pode perguntar “O que é livre demanda?” Muitas vezes o
profissional responde: sempre que o bebê tiver fome ou sempre que o bebê quiser. E
você daí deduz que é sempre que o bebê chorar. Ou talvez até o profissional tenha dito
que você deve amamentar sempre que o bebê chorar. Na realidade, livre demanda
significa não ter horários rígidos para mamada, mas não significa dar o peito a cada vez
que o bebê chorar.

 Queridas mamães: o bebê chora por diversas razões  que não são fome. A
digestão do leite materno se faz mais ou menos em duas horas. Por isso, se  faz menos de
duas horas que ele acabou de mamar, você tem que verificar outras  razões para o choro
antes de dar de novo o peito. 

   Comece pelas razões mais simples de verificar: 
1 - calor: o bebê fica suado no rosto, no pescoço e fica vermelhinho e até um pouco
quente, parecendo que tem um pouco de febre. Neste caso, coloque uma roupinha mais
leve, ou dê-lhe um banho morno. 
2 - frio: suas mãozinhas, pés e nariz ficam frios. Agasalhe-o. 
3 - cólica: ele chora um choro que começa e para um pouco e logo recomeça, e, em
geral encolhe e estica as pernas e empina a barriga. Para cólica o melhor é calor local,
seja pelo contato barriga a barriga, seja colocando uma fraldinha morna sobre a barriga
do bebê. Também é muito bom fazer massagens no sentido dos ponteiros do relógio na
barriga do bebê.
4 - fraldas sujas: troque a fralda. 
5 – vontade de ser embalado: não se espante e não pense que se você embalar o bebê ele
vai ficar manhoso. Até os dois ou três meses o bebê precisa que você o embale,
suavemente pois durante nove meses ele esteve em meio líquido, em seu útero e era
constantemente embalado, mesmo quando você estava imóvel, só o seu respirar já fazia
o diafragma empurrar o útero e embalar o bebê. Depois dos três meses, você deve ir
parando de embalá-lo no colo e começar a estimulá-lo a rolar em uma superfície
forrada, pode ser o chão forrado com um edredon. 
6 – dor de ouvido: o bebê muitas vezes leva a mão ao ouvido. Se você suspeitar de dor
de ouvido, leve-o ao pediatra, não procure tratar com receitas caseiras.
7 – verifique se não tem nada na roupa incomodando  o bebê. Retire as etiquetas da
roupa pois costumam arranhar a pele do bebê.  
8 – se o bebê estiver dormindo e começar a resmungar, não o pegue logo para dar de
mamar: às vezes quando passa de uma fase para outra do sono, o bebê choraminga  e
depois cala-se e volta a dormir. Espere para ver se ele vai realmente acordar e chorar de
fome.
 Se você verificou todas as causas e não encontrou nenhuma dessas e já fazem
cerca de duas horas que ele acabou de mamar, pode oferecer-lhe o peito.  
Queridas mamães: amamentar não é fácil, precisa de ajuda e apoio. Assim, se apesar das
dicas você estiver tendo dificuldades na amamentação, procure auxílio. Pode nos
telefonar: 21-22656344 (Vitória) ou 21-22370309 (Aline). Alguns Postos de Saúde e
algumas maternidades do SUS têm grupos de apoio à amamentação. No Rio de Janeiro 
o Instituto Fernandes Figueira tem excelente atendimento inclusive sábados e domingos.
O endereço é Av. Rui Barbosa, 16.  e o telefone é 21-25541700. Há um excelente site
de amamentação: www.aleitamento.com Existe também o grupo de auto ajuda Amigas
do Peito e você pode encontrar onde funciona o grupo mais perto de você consultando o
 E tem também o Disque Amamentação: 21-22857779

 Se apesar de todas as ajudas você não conseguiu amamentar o tempo que
queria, não se sinta culpada: você tentou. Se for dar a mamadeira ou leite no copinho,
sempre que puder seja você mesma a dá-lo e faça-o com o bebê aconchegado a você 
para que ele sinta seu carinho e amor que são a coisa mais importante para ele se
desenvolver bem, saudável e feliz. " 


segunda-feira, 24 de outubro de 2011

10 Maiores erros que as mães que querem amamentar cometem!

MINHA BEBE E EU!


Muito interessante o artigo disponibilizado pelo GVA - Grupo Virtual de Amamentação. Vou fazer um adendo num dos itens no qual não concordo, e o GVA também já se pronunciou sobre o 10º item. O restante do artigo esta muito bem escrito, e vai 
auxiliar muitas mulheres que querem amamentar seus bebês! Leiam e comentem!

Para algumas mulheres, parece que amamentar é simples, claro e óbvio. Mas para outras, cada dia de amamentação é uma vitória, cada gota de leite materno é uma batalha e o ato por si só é carregado de imagens de falhas, tristeza e toneladas de lágrimas e frustações.

A mãe Laila, que tem uma menina mais nova e um menino mais velho, disse que cometeu um erro tremendo com seu filho ao ordenhar LM e colocar numa mamadeira para seu marido oferecê-lo. Rapidamente ele preferiu as mamadeiras, e então ela teve que ordenhar por todo um ano para que ele tomasse LM, pois rejeitou o seio.

Há algumas poucas razões que impedem a mulher realmente de amamentar, mas a vasta maioria é capaz de fazê-lo sim com sucesso. O problema é que muitas pessoas não sabem muito do ato de amamentar, acham que é natural e acontecerá facilmente ou que alguém lhes ensinará no hospital. Até existem alguns profissionais da saúde que ajudam, mas os segredos e erros ninguém ensina, ao menos que você leia alguns livros sobre o tema.
Seguem então 10 maiores erros da amamentação:
  1. Não pedir ajuda:  Amamentar é natural e é a maneira mais básica do seu bebê se alimentar, mas não é fácil para muitas mulheres. Consultoras de lactação existem por uma razão. Se você não pode pagar uma, então peça ajuda de amigas que já amamentaram. Elas podem dar dicas de como aumentar a produção de LM, como tratar seios doloridos, como se certificar de que o bebê está mamando suficiente, e todas outras dúvidas que você tem. Elas já passaram por isso também.
2. Assumir que você não tem leite suficiente:   Seus seios foram feitos para amamentar seu bebê. Não fique paranóica e desista porque parece que seu bebê está com muita fome. Bebês tem fome, muita fome! Seu trabalho principal é mamar. E mamar. E mamar. 

3. Ter medo de amamentar em publico:  Não se preocupe com o povo que adora julgar e falar asneiras que não gosta de mães que amamentam em público. Se isso te incomoda mesmo, use um paninho para se cobrir. Mas não assuma que eles- e seu orgulho e julgamentos - estão certos.
Eles não estão. Você está. Tenha confiança nisso.

4. Achar que não pode amamentar porque trabalha fora:  Eu tive sorte de amamentar ambos meus filhos por 1 ano e 2 anos e meio quando estava em casa com eles, mas muitas mães que trabalham fora conseguem continuar amamentando, ordenhando LM com auxílio de bombas, estocando e o cuidador (a) oferecendo ao bebê Dá certo com muitas mulheres, e isto é feito em vários lugares do mundo. 

5. Desejo de ‘incluir’ o pai:  Certamente que você deve incluir o pai! Deixe-o segurar o bebê e trazê-lo para você amamentar. Mas somente a mãe pode fazer leite materno e LM é a melhor coisa para o bebê. Não caia na armadilha da mamadeira porque o pai quer ‘fazer parte de tudo’. Sua produção de LM vai diminuir e você pode ter não conseguir amamentar.

6. Não ensinar seu marido: Só porque o pai não pode amamentar, não significa que ele não pode ser parte. Meu marido anotava o tempo que nosso bebê mamava, dormia, o xixi e coco e isso nos ajudou nas consultas com o pediatra. E também me ajudou a lembrar qual peito que foi o último que o bebê mamou quando estava muito exausta e sonolenta.


7. Se deixar influenciar por ‘bullying’: Há muitas pessoas negativas em todo lugar. Vão te falar que seu bebê está muito velho para amamentar (com 7 meses!!), que seu bebê não está no percentile 99th então ela está passando fome, que amamentar é obceno e que seus peitos vão cair, etc, etc. Não ouça! Para que amamentação dê certo, você tem que amamentar e amamentar frequentemente, em livre demanda. Os outros vão dizer o que querem. Seu trabalho é ignorá-los.

8. Esquecer que é benéfico para você, também: Bebês não são os únicos que ganham com a amamentação, mães também podem emagrecer mais rapidamente e ganham alguma proteção contra câncer de mama, ovário, cervical e osteoporose mais tarde na vida. Todo mundo ganha!

9. Amamentar conforme o relógio: O relógio não lhe diz quando o bebê está satisfeito. Quem diz isso é o bebê! Eu cometi o erro de amamentar com hora marcada e isso resultou em produção insuficiente de leite com meu primeiro bebê. Isto me forçou tomar compostos, a acordar a noite para ordenhar LM e outras medidas para tentar consertar os problemas na produção de LM que eu mesma criei no começo. É fácil de evitar, simplesmente não olhe para o relógio.

10. Dar LA cedo demais: se você der LA muito cedo, sua produção de LM vai diminuir. Nas 6 primeiras semanas, tente não desistir de amamentar, é cedo demais. Após isso seu suprimento de leite estará melhor estabelecido e você poderá escolher o que fazer. Ignorem o que esta escrito aqui, pois a mãe que esta amamentando e o bebê que recebe o leite da mãe, não precisaram de leite artificial em momento algum!!

Quais foram seus maiores erros?
Fonte http://thestir.cafemom.com/baby/122534/10_biggest_mistakes_breastfeeding_moms 
Por Sasha Brown-Worsham em 11 de julho de 2011
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Pessoal, este artigo foi traduzido diretamente do site acima, mas como esclarecimentos, o GVA não apoia que após as 6 semanas se ofereça LA e não assume que não haveria problema algum. Pelo contrário, sabemos que confusão de bicos podem acontecer a qualquer momento.

O GVA apoia a amamentação exclusiva por 6 meses que tem benefícios para mãe e para o bebê.
http://www.orkut.com/Main#CommMsgs?cmm=52101&tid=5537881731396696901
Efeito protetor da amamentação exclusiva por 6 meses- artigo na íntegra

http://www.orkut.com/Main#CommMsgs?cmm=52101&tid=5580224808945613637
Amamentação exclusiva reduz risco de obesidade

http://www.orkut.com/Main#CommMsgs?cmm=52101&tid=5634735838081743685&na=4
Amamentação exclusiva reduz risco de asma

Outro erro que aqui no GVA observamos muito é ter pediatras que não apoiam a amamentação orientando as mães. Claro, se o pediatra é do tipo que acha mais fácil dar mamadeira, que desmama deliberadamente e precocemente, a amamentação está fadada ao insucesso, mesmo que a mãe deseje amamentar.

Sem uma rede de apoio e um profissional da saúde que entenda de manejo de amamentação, a situação é muito difícil. Por isso orientamos que as mães pesquisem e entrevistem pediatras, peçam indicações de pediatras ‘amigos do peito’, perguntem quanto tempo os bebês que eles atendem amamentam em média, etc.

Tradução  e comentários finais de Andréia C. K. Mortensen

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

HIPERLACTAÇÃO - Quando muito leite é um problema


Às vezes uma mãe produz mais leite do que o bebê precisa e isso pode tornar as mamadas estressantes e desconfortáveis para o bebê e para a mãe.
A maioria dos bebês de mães que têm leite em excesso ganham peso mais rápido que o normal. Isso não é um problema, a não ser que haja outras dificuldades por causa do excesso de leite.
Alguns bebês cuja mãe tem excesso de leite não mamam o suficiente porque eles têm dificuldades em controlar o forte fluxo e não conseguem se alimentar com facilidade.

Quando uma mãe produz mais leite que o necessário podemos observar alguns dos seguintes comportamentos do bebê: 
• Bebê chora muito e geralmente é irritadiço ou inquieto;
• Às vezes, o bebê pode sufocar, se asfixiar, cuspir ou tossir durante a mamada;
• O bebê parece querer morder ou pendurar-se no bico do peito durante a mamada;
• O leite jorra quando o bebê larga o peito. Especialmente no começo da mamada;
• A mãe pode ter o bico do peito dolorido;
• O bebê pode se contorcer e às vezes grita;
• A mamada parece uma batalha, o bebê pega e larga o peito o tempo todo;
• As mamadas podem ter uma duração curta às vezes de 5 ou 10 minutos no total;
• O bebê parece ter uma relação de amor/ódio com o peito;
• O bebê pode arrotar ou ter gases com freqüência entre as mamadas, com tendência a regurgitar com frequência;
• O bebê pode ter as fezes verdes, moles ou espumosas;
• O peito da mãe está cheio a maior parte do tempo;
• A mãe pode ter frequentemente os canais obstruídos, que pode se transformar em mastite.


Se algum destes comportamentos te parece familiar, pode ser que você tenha uma produção abundante de leite, que pode causar um reflexo de ejeção muito forte e/ou desequilíbrio na produção do leite ralo e do leite gordo.
O comportamento descrito acima pode muitas vezes ser diagnosticado como intolerância à lactose, à proteína de leite, refluxo ou hipertonicidade. Felizmente a produção da maioria das mães superprodutoras se equilibra por volta do terceiro mês de aleitamento. 

Por que isso acontece?

Existem várias razões para que uma mãe produza leite em excesso. Algumas mães produzem muito leite desde o começo. Em alguns outros casos, a abundância é o resultado de maus conselhos. Isto parece acontecer especialmente se a mãe ordenha uma certa quantidade de leite antes da mamada para relaxar o fluxo, para que a mamada seja mais confortável para o bebê. Isto ajuda no começo, mas termina em um problema crônico. 

Uma outra causa pode ser de passar ao segundo peito antes que o bebê tenha terminado o primeiro. Isto acontece quando a mãe amamenta um tempo contado em cada peito ou quando ela tenta achar um peito que o bebê aceite melhor. Os seios de algumas mães são muito sensíveis à estimulação, e trocar de lado várias vezes sem antes acabar com o leite de cada um dos peitos pode resultar em uma superprodução de leite nos dois peitos.

Problemas de superprodução são geralmente criados por maus conselhos. A mãe pode ter sido aconselhada de dar de mamar por alguns minutos de cada lado do peito ou que o bebê deve mamar dos dois peitos a cada mamada. Para uma mãe com superprodução de leite, o bebe se satisfaz tão rápido em um peito que ela acha que tem que tirá-lo mais cedo de um peito para que ele possa ainda mamar no segundo peito. Ele é então tirado do peito antes de mamar o leite gordo, e se enche com o primeiro leite do segundo peito. Grande quantidade de alimento de baixo teor calórico cria um ciclo vicioso: o ventre do bebê parece inchado e desconfortável por causa da alimentação, e ele ainda tem fome, porque não mamou leite gordo suficiente para se satisfazer. Então o bebê chora para que seja alimentado de novo, e a mãe conclui que ela não esta tendo uma quantidade suficiente de leite para alimentá-lo, pois ele nunca está satisfeito.

O primeiro leite tem uma grande quantidade de lactose, um açúcar normal e necessário que em grandes quantidades causa gases e desconforto, freqüentemente com fezes espumosas, líquidas ou verdes.


Após um certo tempo, a lactose pode irritar o tecido dos intestinos, causando uma intolerância secundária à lactose e possivelmente pequenos sangramentos nas fezes que podem ser diagnosticados erroneamente como intolerância alimentar. 
Ajustando o aleitamento para aumentar a quantidade de gordura que o bebe recebe (terminando o peito antes de mudar de lado) geralmente corrige o problema.

Estratégias para abaixar a produção de leite.

Mudar a maneira de amamentar pode reduzir a quantidade de leite produzido e a quantidade de lactose recebida, aumentando ao mesmo tempo a quantidade de gordura produzida. As mães com superprodução produzem quantidade de leite suficiente em cada peito para uma mamada completa. Uma estratégia é alimentar o bebê com um só peito de cada vez. Se o bebê quer mamar de novo duas horas depois, veja como ele reage ao oferecer o mesmo peito de novo. Nas duas horas seguintes ofereça-lhe somente o outro lado. Os peitos devem assim gradualmente moderar a produção de leite, uma vez que este está sendo mamado com menos freqüência. 

Se estiver desconfortável com o peito que não esta aleitando antes do momento da troca de lado, tirar ou ordenhar um pouco de leite, somente o suficiente para aliviar o desconforto. Não ordenhe muito,pois isto arriscaria estimular o peito a produzir mais leite. Compressas frias –folhas de repolhos geladas ou um saco de ervilhas congeladas – ajudam a aliviar o desconforto e reduz o inchaço de peitos cheios.


Para verificar se a estratégia de alimentar com um só peito por um período prolongado está funcionando veja se o bebê esta mais calmo e parece satisfeito entre as mamadas, também se as fezes se tornaram menos aguadas e mais amarelas. Também verificar se o bebê se engasga, se asfixia e cospe menos durante as mamadas significa que fluxo de estará mais fraco. 

Se achar que o bebê ainda esta tendo dificuldades após 7 dias alimentando-o de um peito de cada vez, aumente o período em que amamenta de um só lado (2 ou 3 mamadas e mesmo mais). Mas é melhor aumentar o período de aleitamento de um só lado devagar e com cuidado, pois alimentando de um só lado por um período muito prolongado pode levar a uma redução de produção muito drástica. 

Se depois de tentar estas técnicas, a alimentação não melhorar de maneira significativa, pode ser necessário tomar medidas mais enérgicas para reduzir a produção de leite. Uma conselheira de aleitamento pode te informar e seu médico pode ajudar a gerar sua superprodução com a utilização de medicação e ervas. Em certas situações um tratamento de 4 a 7 dias com um contraceptivo de baixa dose, que contêm estrógeno e progesterona, pode ser usado para reduzir a produção em um nível mais apropriado. Chá de artemísia tem ajudado a reduzir a produção de algumas mães, assim como o uso de pseudoefedrina.


Estratégias para reduzir a força do reflexo de ejeção.

Quando uma mãe produz um grande volume de leite, o reflexo de ejeção pode ser forte. Todo este leite saindo ao mesmo tempo pode ser mais do que um bebê pode engolir. É como se tentar beber água em posição deitada com uma mangueira aberta a fundo. Além de cuspir, engasgar, e tossir quando o leite chega, o bebê pode tentar controlar o leite puxando o peito e pegar só o bico do peito. Ou ele pode simplesmente dar uma pausa esperando que o fluxo se reduza, o que dá uma sensação de “mordida”. O bebê pode também gritar e se contorcer.

Existem algumas estratégias que podem ajudar a controlar um reflexo de ejeção muito forte sem aumentar a produção de leite. 

A- Colocar o bebê numa posição mais vertical de maneira que a cabeça esteja mais alta que o peito, isto o permitira de controlar melhor as mamadas. 

B- Posicione-se de maneira mais recostada com o bebe por cima. Nesta posição o leite tem que subir para sair o que reduzira a força do fluxo. 

C- A posição de tesoura com a ponta do peito entre o polegar e o dedo médio, ajuda a reduzir o fluxo. 

D- Amamentar o bebê quando ele estiver acordando. Ele vai sugar mais devagar se ele ainda estiver sonolento.

E- Se o bebê começar a cuspir ou engasgar, tire ele do peito e deixe o excesso de leite cair em uma toalha ou pano. Reposicione-o quando a força da ejeção tiver terminado. 

F- Amamentar deitada de lado é mais suave, pois o leite flui em posição horizontal sem a força da gravidade e o bebe pode deixar o leite excedente cair no lugar de engolir tudo. Faça de maneira que o peito que amamenta fique contra o colchão e não apontando para baixo aumentando assim a força do fluxo.


G- Alguns bebês sofrem com o reflexo de ejeção muito forte de suas mães mamando só um pouco de cada vez, parando e recomeçando freqüentemente. Isto é bom e permita a ele de ir e vir ao peito conforme for a necessidade dele, se assegurando de oferecer ao seu bebe o mesmo peito a cada corridinha de maneira que ele possa ter o creme no final.

H- Amamentá-lo antes que ele esteja com muita fome vai evitar que ele sugue de maneira muito agressiva, Uma sugada mais forte pode causar um reflexo de ejeção ainda mais forte o que dificultara ainda mais a mamada.

I- Embora a maioria dos bebes aleitados não precisem muito de arrotar, as mães que têm grande quantidade de leite vêem seus bebês engolirem ar durante a mamada e terem gases por causa do excesso de lactose. Arrotar freqüentemente pode minimizar os problemas causados por engolir ar. ---> Lembre-se de voltar com o bebê ao primeiro peito ao invés de trocá-lo de peito apos o arroto. 

Resumo  

1. Aleitar em um só peito de cada mamada, continuando a oferecer o mesmo lado por pelo menos 2 horas até a próxima mamada completa.

• Gradualmente aumentar o período de 2 horas em um só peito se necessário

2. Se o outro peito estiver insuportavelmente cheio antes de chegar a hora de trocar de lado, tirar um pouco de leite para aliviar a pressão.

3. Coloque compressas frias para aliviar o desconforto.

4. Dê de mamar antes que ele esteja afamado para evitar que sugue com força.

5. Tente outras posições de aleitamento :

• recostada
• deitada de lado 

6. Use a posição de tesoura com a ponta do peito entre o polegar e o dedo médio pode ajudar a moderar a força de saída do leite.

7. Se o bebê cuspir ou engasgar tire-o do peito deixe o excesso de leite cair em uma toalha e recoloque-o no mesmo peito uma vez que o fluxo diminuir.

8. Deixar o bebe ir e vir ao peito de acordo com a vontade dele.

9. Faça o bebê arrotar com freqüência se ele tem gases.

10. Algumas ervas ou drogas podem ajudar a reduzir a produção de leite.

FONTE: GVA – Grupo Virtual de Amamentação/ORKUT

terça-feira, 23 de agosto de 2011

Como reconhecer um profissional de saúde que não apoia a amamentação


google imagem

Todos os profissionais de saúde dizem apoiar a amamentação. Mas muitos apenas apoiam enquanto corre bem, e outros nem isso. Mal surge algum problema com a amamentação — ou em qualquer outro aspecto da vida da nova mãe —, muitos aconselham o desmame ou a utilização de suplementos. Apresentamos a seguir uma lista parcial de pistas que podem ajudá-la a descobrir se um profissional de saúde apoia a amamentação, pelo menos o suficiente para, no caso de ocorrer algum problema, se esforçar por ajudá-la a continuar a amamentar.
Um profissional de saúde que não apoia a amamentação:
1. Oferece-lhe amostras ou publicidade de leite artificial. Estas amostras e publicidade induzem à utilização do produto e a sua distribuição chama-se marketing. Não existem provas de que uma determinada marca de leite seja melhor ou pior que outra para um bebé normal. A literatura, os CD’s ou vídeos que acompanham as amostras são modos de subtilmente (e não tão subtilmente) minar a amamentação e louvar o leite artificial. Se não acredita, pergunte a si mesma porque é que as marcas de leite artificial andam a utilizar tácticas agressivas para que o seu médico ou hospital lhe ofereça a literatura e as amostras deles e não as de outras marcas? Não deveria também perguntar a si mesma porque é que o profissional de saúde não publicita a amamentação?
2. Diz-lhe que a amamentação e o mamadeira são essencialmente a mesma coisa. A maior parte dos bebés alimentados com mamadeira crescem saudáveis e seguros e nem todos os bebés amamentados crescem saudáveis e seguros. Mas isto não significa que a amamentação e mamadeira sejam essencialmente o mesmo. O leite artificial é uma versão rudimentar daquilo que se conhecia sobre o leite materno vários anos atrás, e esse conhecimento por sua vez é uma aproximação também rudimentar a qualquer coisa que não cessa de nos surpreender e de que só agora começamos a ter alguma ideia. Por exemplo, sabemos há muito que o ADH e o ARA são importantes para o desenvolvimento do cérebro do bebé, mas foram precisos anos para se conseguir adicioná-los ao leite artificial, sem que isso signifique que tenham o mesmo papel, pois a absorção a partir do leite artificial é diferente da absorção a partir do leite materno. As várias diferenças têm importantes consequências para a saúde. Muitos elementos do leite materno não se encontram no leite artificial, embora saibamos há muitos anos da sua importância para o bebé — por exemplo, anticorpos e células que protegem o bebé contra infecções, factores de crescimento que ajudam o sistema imunitário, o cérebro e outros órgãos a desenvolver-se. Amamentar não é o mesmo que alimentar com mamadeira, estabelece uma relação completamente diferente entre a mãe e o bebé. Pode-se ter tido a infelicidade de não conseguir amamentar (embora na maioria dos casos os problemas possam ser evitados), mas dar a entender que isso não tem importância é condescendência e um erro crasso. 
3. Diz-lhe que o leite da marca x é melhor. Normalmente isto significa que está a ser influenciado pelo representante dessa marca. Pode significar que os seus próprios filhos toleraram melhor essa marca do que outras. Significa que tem ideias preconcebidas e infundadas.
4. Diz-lhe que não é necessário amamentar o bebé logo após o nascimento, pois a mãe está ou estará cansada e, de qualquer modo, muitas vezes o bebé não está interessado. Não é necessário, mas frequentemente é muito útil (consulte os folhetos #1 Breastfeeding—Starting Out Right [Amamentação-Começar Bem]e #1b The Importance of Skin to Skin Contact [A Importância do Contacto da Pele com Pele]). Os bebés podem mamar enquanto a mãe estiver deitada ou a dormir, embora a maioria das mães não queira dormir num momento como este. Os bebés nem sempre mostram interesse em alimentar-se de imediato, mas isso não é razão para os impedir de ter essa oportunidade. Muitos bebés começam a mamar nas duas primeiras horas após o parto e essa é a altura mais favorável para um bom começo, mas não o poderão fazer se forem separados da mãe. Se tiver a impressão de que a pesagem do bebé, as gotas oculares e a injecção de vitamina K têm prioridade sobre o estabelecimento da amamentação, pode duvidar do empenhamento de alguém em relação à amamentação.
5. Diz-lhe que a confusão entre bico de silicone e mamilo é coisa que não existe e que deve começar cedo a dar a mamadeira ao bebé para garantir que ele aceita bem a o bico. Porque deverá começar a dar mamadeira cedo se afinal não existe confusão entre o bico e mamilo? Argumentar que não há provas da existência dessa confusão é colocar o carro à frente dos bois. Será preciso provar, isso sim, que são inofensivos os bicos, que nenhum mamífero utilizou antes do homem, e que mesmo este só começou a utilizar mais correntemente no final do século XIX. Mas não está provado que o bico seja inofensivo para a amamentação. O profissional de saúde que parte do princípio de que o bico é inofensiva está a olhar para o mundo como se a alimentação com mamadeira, e não a amamentação, fosse o método fisiologicamente normal de alimentar bebés. Convém acrescentar que o facto de nem todos os bebés que utilizam tetinas – ou até talvez nem sequer muitos – terem problemas com a amamentação não significa que a utilização precoce de bicos não provoque problemas a alguns bebés. Muitas vezes é uma combinação de fatores, um dos quais pode ser a utilização de uma tetina, que dá mau resultado.
6. Diz-lhe que tem de parar de amamentar porque você ou o bebé está doente, ou porque você vai tomar medicamentos ou vai realizar um exame médico. Existem situações ocasionais, raras, em que a amamentação não pode continuar, mas muitas vezes os profissionais de saúde assumem simplesmente que a mãe não pode continuar a amamentar e estão muitíssimas vezes errados. O profissional de saúde que apoia a amamentação fará todos os esforços para descobrir como evitar a interrupção da amamentação (a informação nas páginas brancas do Compendium of Pharmaceutical Specialties azul e o PDR não são boas referências – segundo estes, todas as drogas são contra-indicadas, pois a indústria farmacêutica está mais interessada em livrar-se de responsabilidades do que em proteger os interesses das mães e dos bebés). Quando uma mãe precisa de tomar um medicamento, o profissional de saúde tentará usar medicamentos que não impeçam a mãe de amamentar. (Na realidade, muito poucos medicamentos requerem que a mãe pare de amamentar). É extremamente invulgar haver apenas um medicamento que possa ser usado para um determinado problema. Se a primeira escolha do profissional de saúde for um medicamento que exija que a amamentação seja interrompida, tem o direito de pôr em questão se ele ou ela realmente pensou na importância da amamentação.
7. Fica surpreendido por saber que o seu bebé de seis meses ainda mama. Muitos profissionais de saúde acreditam que os bebés devem continuar com leite artificial durante pelo menos nove meses e até mesmo doze meses (e, agora que as empresas de leite artificial vendem leite para crianças até aos dezoito meses e mesmo até aos três anos, em breve alguns profissionais de saúde estarão a aconselhar as mães a usar leite artificial durante três anos), mas ao mesmo tempo parecem acreditar que o leite materno e a amamentação não são necessários, podendo mesmo ser prejudiciais se continuados por mais de seis meses. Porque será a imitação melhor que o original? Não deverá perguntar a si mesma o que implica esta linha de pensamento? Em muitas partes do mundo, a amamentação até aos dois ou três anos de idade é comum e normal, embora, graças ao bom marketing do leite artificial, isso seja cada vez menos comum.
8. Diz-lhe que o leite materno não possui valor nutritivo após o bebé ter seis meses ou mais. Mesmo que isto fosse verdade, a amamentação continuava a ter valor. A amamentação é uma interação única entre duas pessoas apaixonadas, mesmo sem o leite. Mas aquilo não é verdade. O leite materno continua a ser leite, com gordura, proteínas, calorias, vitaminas e tudo o resto, e os anticorpos e outros elementos que protegem o bebé das infecções continuam presentes, alguns em maiores quantidades do que quando o bebé era mais novo. Quem lhe disser aquilo, não sabe nada sobre amamentação.
9. Diz-lhe que nunca deve permitir que o bebé adormeça enquanto mama. Porque não? Não há problema se um bebé também conseguir adormecer sem mamar, mas uma das vantagens da amamentação é oferecer-lhe um modo prático de o adormecer quando ele está cansado. É exactamente o que têm feito as mães de todo o mundo desde o início da era dos mamíferos. Um dos maiores prazeres da maternidade é adormecer uma criança nos braços, sentindo o calor que liberta à medida que o sono a vence. Um dos prazeres da amamentação, quer para a mãe quer provavelmente para o bebé, é ele adormecer ao peito.
10. Diz-lhe que não deve ficar no hospital para amamentar o bebé doente pois é importante que fique a descansar em casa. É importante que descanse e o hospital que apoie a amamentação fará com que possa descansar enquanto estiver no hospital para amamentar o bebé. Os bebés doentes não precisam menos de ser amamentados que um bebé saudável, precisam mais.
11. Não tenta ajudá-la caso esteja a ter problemas com a amamentação. Muitos problemas podem ser evitados ou tratados e a maior parte das vezes a resposta aos problemas da amamentação é não utilizar o leite artificial. Infelizmente, muitos profissionais de saúde, particularmente os médicos e ainda mais os pediatras, não sabem como ajudar. Mas existe ajuda. Insista em obtê-la. “Não precisa de amamentar para ser uma boa mãe” é verdade, mas não é resposta a um problema de amamentação.
Dúvidas? (416) 813-5757 (opção 3)
ou drjacknewman@sympatico.ca
ou o livro Dr. Jack Newman’s Guide to Breastfeeding (chamado The Ultimate Breastfeeding Book of Answers nos E.U.A.)
Folheto #18. Como reconhecer um profissional de saúde que não apoia a amamentação .
Revisto em Janeiro de 2005
Escrito por Jack Newman, Médico, F.R.C.P.C. © 2005
Este documento pode ser copiado e distribuído sem autorização, com a condição de não ser usado em nenhum contexto em que o código O.M.S. sobre marketing de substitutos de leite materno seja violado.

domingo, 31 de julho de 2011

Amamentar bebês após 1 ano!

google imagem
Outro texto maravilhoso do Dr. González. Eu não tenho a capacidade de sequer pensar, cogitar a ideia, de tirar minha filha antes de 1 ano do peito, quem dirá mais de 1 ano (ela esta com 1 ano e 6 meses)!! Penso que o leite materno é o porto seguro da mãe e do bebê, dá segurança nutricional e afetiva, e quem pode amamentar por mais de 1 ano (todas podemos é só adaptar a rotina), deve seguir em frente e ir até 2 anos, mais se quiser! Nutricional por que? O bebe já deveria estar comendo! Meninas, na minha experiência e o que acompanho com relato e outras mães, não é bem assim. O seu filho ou filha, ainda passa por experiências intensas, e muitas vezes, no início assustadoras. Ele pode não querer comer nesta fase, consequentemente só querendo peito. O que vai alimentá-lo então? O seu leite!!
Vamos citar uma gripe, uma dor de dente ou então ele se machucou, pela dor ele pode vir a recusar comida, e o seu leite vai suprir por este curto período a necessidade alimentar dele. Claro que não estou falando que a criança não comerá nada nestes episódios, mas vai sim, diminuir bastante o ingere. Por isso não podemos nos cobrar se de repente ela não comeu bem no almoço e quis mamar, mas depois comeu um pouco mais na janta. Se a criança estiver engordando o pouco que seja neste período, brincando,ativa, não é o momento de pensarmos bobagem. Afetiva? Sim, quem não quer o colinho da mamãe quando se machuca de alguma maneira? Eu adorava receber mimos da minha quando ficava gripada, chás, ser tapada com o cobertor, receber um cafuné. É bom colo de mãe. Mas agora sou eu que faço isso com meus filhotes. As vezes fujo e agarro minha mãe, dou um abraço ou peço colo. Bom gente, leiam o texto que foi disponibilizado no facebook, e vejam como encorajar as mulheres que querem amamentar além de 1 ano de idade. Apoiem elas!!

 Por Carlos González*

As mães que continuam amamentando após um ano enfrentam muitos problemas, sobretudo devido às críticas de quem crê que isso “não é normal” e as ameaçam com todo tipo de doenças e catástrofes.
 Na realidade, não se conhece qual é a idade “natural” do desmame no ser humano. Cada cultura tem a esse respeito seus próprios costumes, apesar de que nenhuma desmama tão cedo quanto a cultura ocidental do século XX. A antropóloga norte-americana Katherine Dettwyler (1) abordou a questão a partir da zoologia comparada, generalizando uma hipotética idade para o desmame no ser humano a partir dos dados referentes a outros primatas, a partir de vários parâmetros que se correlacionam de forma mais ou menos exata com a amamentação:

a) Segundo o peso do nascimento.
 Costuma-se dizer que os mamíferos se desmamam quando triplicam o peso do nascimento. Isso só é válido para os animais pequenos; os animais de tamanho parecido com o nosso se desmamam após quadruplicar o peso do nascimento, o que seria aproximadamente aos dois anos e meio.

b) Segundo o peso do adulto.
 Muitos mamíferos se desmamam ao alcançar aproximadamente a terça parte do peso do adulto. Como em nossa espécie o homem adulto é maior, isso representaria um desmame mais tardio: os meninos com sete anos (ao alcançar os 23 kg), e as meninas um pouco antes dos seis anos (com 19 kg).

c) Segundo o peso da mãe.
 Os pesquisadores Harvey e Clutton-Brock constataram que, em um grande número de primatas, a idade do desmame em dias é igual ao peso de uma fêmea adulta em gramas multiplicado por 2,71. Aplicando essa fórmula a uma mãe de 55 quilos, corresponderia a desmamar aos três anos e quatro meses.

d) Segundo a duração da gestação.
 A relação entre a duração da amamentação e a duração da gestação é muito variável entre os primatas, mas parece ter relação com o tamanho dos indivíduos. Nos macacos pequenos, essa relação costuma ser inferior a dois; mas entre nossos parentes mais próximos (em parentesco e tamanho), a relação é de 6,4 para o chimpanzé e de 6,18 para o gorila. Se assumirmos que para o ser humano essa relação deverá ser também superior a 6, o resultado é um mínimo de quatro anos e meio de amamentação.

e) Segundo a dentição.
 O desmame pode acontecer em muitos primatas quando ocorre a erupção do primeiro molar permanente, o que corresponderia aos 6 anos do ser humano.

Em conclusão, Dettwyler supõe que a idade normal do desmame no ser humano é entre os dois anos e meio e os sete anos.

No congresso espanhol de grupos de mães, ocorrido no ano de 2001 em Zaragoza, realizamos uma pesquisa para averiguar qual era a duração da amamentação entre as mães participantes, e que vantagens e desvantagens encontravam as mães que amamentam bebês após um ano.
Trata-se de uma amostra altamente selecionada (mães com suficiente interesse e meios econômicos para participar do evento), e que de modo algum representa a sociedade espanhola. Mas nos permite afirmar que a amamentação depois de um ano existe, ainda que seja em um grupo pequeno.
 Responderam ao questionário 95 mães que juntas têm 174 filhos. Trabalham fora de casa 74, e 78 haviam amamentado mais de um ano. Somente 15 mães haviam praticado amamentação tandem (ou seja, amamentado dois filhos de idades diferentes ao mesmo tempo). Portanto, não é preciso ser dona de casa para amamentar por mais de 1 ano.

O resultado foi o seguinte:

Formação - total - Amamentaram por mais de 1 ano

Graduação - 31 - 30
Cursos seqüenciais/tecnólogo - 32 - 22
Curso técnico - 17 - 14
Ensino médio - 13 - 10
Ensino fundamental - 2 - 1

Isso contrasta com a situação tradicional de algumas décadas, em que apenas as mães pobres de zonas rurais amamentavam após 1 ano de idade. É precisamente entre as mães mais cultas e informadas que se recupera a prática da amamentação.
 No momento da entrevista, 109 bebês haviam sido desmamados, com uma idade média de 19,1 meses, enquanto que 65 seguiam mamando, com una idade média de 20,9 meses. Ou seja, que já superaram a média e continuam mamando, o que fará com que a média global aumente muito quando ocorrer o desmame dessas 65 crianças.
 A comparação entre os filhos de uma mesma mãe mostra também um incremento progressivo na duração da amamentação. Entre 20 mães com três filhos ou mais, a duração média da amamentação do primeiro filho foi de 12,8 meses. Do segundo filho, um (50 meses) ainda mamava, e os demais haviam sido desmamados com uma idade média de 19,3 meses. Do terceiro filho, 13 seguiam mamando (idade média de 25,9 meses) e 7 estavam desmamados (com média de idade de 29,3 meses). Podemos dizer que a amamentação prolongada foi tão satisfatória para essas mães, que repetiram e aumentaram a dose com os demais filhos. Com certeza, também há mães que não tiveram uma experiência satisfatória na amamentação, e é provável que estas mães não participem de congressos de amamentação.

Responderam da seguinte forma à pergunta de se as pessoas relacionadas apoiaram ou criticaram a amamentação (pergunta feita a todas as mães, incluindo as que desmamaram antes de 1 ano de idade):

quem - apóiam - criticam

Marido ou companheiro - 77 - 6
Amigas ou vizinhas - 47 - 53
Mãe ou sogra - 44 - 39
parteira - 27 - 6
Outros parentes - 22 - 43
pediatra - 15 - 36
enfermeiras - 6 - 19
Médico ou GO - 5 - 9
Outros - 29 - 14

Considerando que cada mãe pode ter vários amigos ou vários pediatras, alguns grupos apareciam ao mesmo tempo aprovando e criticando. Observamos que o papel dos profissionais de saúde é em geral negativo, salvo no caso das parteiras. E, em todo caso, parecem influenciar menos, tanto para o bem como para o mal, que parentes e amigas. Como se nos mantivéssemos à margem.

Destaque muito positivo para o papel do marido, que quase nunca critica e que é a pessoa que mais aprova. Duvidamos que isto reflita um grande interesse pela amamentação entre os maridos espanhóis em geral, e achamos que , na verdade,aconteceu uma seleção natural: o apoio incondicional do marido é quase imprescindível para que uma mãe consiga amamentar, desfrutar da sua experiência, envolver-se num grupo de apoio e participar de um congresso sobre amamentação.

Por último, perguntamos o que foi mais agradável e o que foi mais desagradável ao amamentar bebês maiores de 1 ano:

O que é mais agradável ao amamentar bebês maiores de 1 ano:
 Contato físico, olhar, vínculo - 36
Relação especial, amor, algo teu - 34
Felicidade materna, realização pessoal - 20
Comodidade e liberdade - 14
O melhor alimento - 12
Bebê feliz - 10
Consolo ou calma para o bebê - 8
É algo natural - 3
Mais saudável para o bebê - 6
Carinho - 1

O que é mais desagradável ao amamentar bebês maiores de 1 ano:

Críticas de outras pessoas - 33
Nada - 14
Mamadas noturnas - 10
Pedir muito quando a mãe não deseja - 4
Difícil de conciliar com irmãos maiores - 4
Mordidas - 4
Desmame - 4
Falta de informação profissional e de apoio social - 4
Dependência - 4
Sensação de que não vai deixar de mamar - 2
Não poder sair de noite - 2
Dificuldade para conciliar com inquietudes maternas - 2
Desinformação (medo absurdo) - 1
Problemas mamários (mastites, rachaduras) - 1
Angústia - 1

Conforme era esperado, essas mães encontram muito mais satisfações que problemas (de outro modo, não o teriam feito). Entre as vantagens se dá muito mais importância aos aspectos afetivos e psicológicos que à nutrição e à saúde física; enquanto que entre os inconvenientes destacam-se as críticas recebidas de outras pessoas, e um grande número de mães espontaneamente afirmam que não houve nada desagradável em sua experiência.

  Portanto, a amamentação após uma ano de idade do bebê é uma realidade entre algumas mulheres espanholas, sobretudo de classe média-alta, e parece que a prática está crescendo. É preciso que nós profissionais de saúde adotemos um papel mais efetivo de apoio às mães que amamentam, e que contribuamos na educação da população para que estas mães recebam o respeito que merecem.

(1) Stuart-Macadam P, Dettwyler K. Breastfeeding. Biocultural perspectives. Aldine de Gruyter, New York, 1995

Tradução: Fernanda Mainier
Revisão: Luciana Freitas
Via: Amamentação com Desmame Natural - Portugal

Original em espanhol:
http://www.dardemamar.com/Lactancia_prolongada_por_Carlos_Gonzalez.pdf

*médico pediatra, pai de 3 filhos amamentados até depois dos 2 anos, fundador e presidente da Asociación Pro Lactancia Materna. Livros da sua autoria: "Manual Práctico do Aleitamento Materno" e "Bésame Mucho" (já publicados em Portugal), "Mi niño no me come" e "Un regalo para toda la vida". 
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