Mostrando postagens com marcador dor do parto. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador dor do parto. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 7 de julho de 2014

Dúvidas sobre o parto normal? Leia a entrevista com o médico obstetra Mauro Casanova - por Você Saudável

Foto: Mais Você
Uma ótima entrevista, feita por Você Saudável. Acompanhem!!
________________________________________________________________O Espaço Você Saudável entrevistou o médico Mauro Casanova, coordenador da equipe de obstetrícia e do curso para gestantes do Hospital e Maternidade Santa Isabel, em Jaboticabal, para esclarecer algumas informações que são usadas como justificativas para a realização de parto cesáreo, mas que não tem evidência científica para o caso. Mauro Casanova é um defensor do parto normal humanizado e encoraja mulheres para serem protagonistas e assumirem o papel de destaque durante a chegada do bebê.
Espaço Você Saudável – A gestante que opta pelo parto normal terá que sentir todas as dores, sem contar com ajuda medicamentosa para amenizá-las?
Infelizmente, o próprio nome diz: trabalho de parto. Há um grande desconforto com cólicas e endurecimento do útero. Existem os métodos não farmacológicos (como massagens, acupuntura, aromaterapia, posicionamento livre com apoio, banhos de chuveiro, exercícios na bola, banheira de imersão, entre outros) e farmacológicos para aliviar a dor do parto. Primeiro esgotamos os métodos não farmacológicos,  mas não sendo suficiente entramos com a segunda opção que é a analgesia. A Organização Mundial de Saúde (OMS) recomenda que os métodos não-farmacológicos devam estar disponíveis e privilegiados em relação aos métodos farmacológicos, por terem menor risco. É muito importante que seja discutido com a gestante ainda no pré-natal todos estes métodos, para que ela defina no seu Plano de Parto quais gostaria de utilizar em seu trabalho de parto.
Espaço Você Saudável – A cesárea dói menos que o parto normal?
Pode até ser que sim. Cada pessoa tem um limiar de dor, a sensação dolorosa é algo particular e varia de pessoa para pessoa. O mais importante para ser tranquilo no parto é abrir a porta para o parto. Deste momento em diante tudo fica mais fácil, lembrar que o trabalho de parto é doloroso sim mas quando nasce o bebê passam todas as dores. Já na cesariana, o desconforto pode ficar por dias ou até mesmo anos pois tem grandes chances de formação de aderências, de uma cicatrizarão não adequada, pois trata-se de uma cirurgia com o corte de terminações nervosas, vasos e estruturas do corpo. Mas o corpo humano é sábio, no momento que uma série de neurosubstâncias são liberadas na cascata dolorosa, outras tantas substâncias anestésicas e relaxantes naturais também são produzidas.  Ao mesmo tempo que o corpo produz a dor também produz substâncias que a tornam mais tolerável.
Espaço Você Saudável – Se pelo parto normal o bebê demora a nascer, isso pode gerar complicações na saúde da mãe e do próprio bebê?
Jamais, a não ser que exista uma complicação de risco de vida com indicação de realizar uma cesariana. Vai acontecer o momento certo do nascimento, o bebê sabe o seu momento de ser expulso, essa conquista pelo canal do parto é muito importante para o amadurecimento do bebê, seu crescimento como indivíduo. Quanto à mãe, ela sabe o momento certo de realizar a expulsão, de deixar acontecer o abaulamento do perineo naturalmente.
Espaço Você Saudável – O tamanho da bacia da mãe pode impedir o parto normal?
Existem quatro tipos de bacias.  A mais comum das mulheres é a chamada ginecoide. Sim, pode existir um impedimento dessa passagem, o que nós obstetras chamamos de desproporção cefalo pélvica. Mas existem meios de identificar a situação antes ou durante o trabalho de parto.
Espaço Você Saudável – O cordão umbilical enrolado no pescoço do bebê é evidência para desistir do parto normal?
De jeito nenhum, enrolado no pescoço ou no braço, nunca deve ser indicação de cesariana. Infelizmente muitos obstetras ainda usam esse argumento para justificar uma cesariana.
Espaço Você Saudável – A partir da 41a semana de  gestação, o que fazer se a futura mamãe não entrou em trabalho de parto?
Atingindo essa idade gestacional, confirmada pela data da última mesntruação ou ultrassom de primeiro trimestre, a gestante passará por consulta na referida data das 41 semanas. Muito casos, a gestante da saúde suplementar já está em acompanhamento semanal ou, em alguns casos, consultas diários. O médico avalia a vitalidade fetal, se o feto está em condições boas; o colo uterino, se está em condições favoráveis para indução do parto normal através do índice de Bishop; e se já existe ou não atividade uterina. Se estiver de acordo as indicações e as condições favoráveis listadas acima, nós seguimos o protocolo para indução de parto. Caso a gestante não queira indução e prefira aguardar as 42 semanas, gestação prolongada, respeitamos e avaliamos diariamente a vitalidade fetal. Em nosso protocolo em nenhum momento deixamos de estimular o parto normal. Porém deixamos a gestante livre e bem informada sobre todas as possibilidades.
Espaço Você Saudável – Se o bebê estiver sentado ou atravessado é motivo para parto cesáreo?
Não, existe o que chamamos em obstétrica de versão externa, um pouco deixado de lado por conta dos riscos existentes, mas é uma prática que tem motivado muitos obstetras a resgatar. A polêmica do parto pélvico sempre será motivo de discussão, mas temos vários estudos que demonstram as condições para realizar um parto pélvico, com riscos de mortalidade e morbidade iguais ao parto cefálico.
Espaço Você Saudável – Se a mulher já tiver realizado cesárea ou alguma cirurgia no útero ela está impedida de ter um filho por parto normal?
Somente se a incisão no útero for longitudinal, ou uma cesariana há menos de um ano, nesse depende muito do engajamento da equipe e da gestante.  É outro ponto polêmico, mas todas as atuais evidências científicas nos mostram que não existe necessidade de uma cesariana após uma cesariana anterior ou mais.
Espaço Você Saudável – Quando a episiotomia (corte para ampliar o canal do parto) é indicada ?
Atualmente, estamos em uma grande discussão sobre a episiotomia, corte realizado para ampliar o canal do parto. Na verdade, se verificarmos a história da episiotomia ela nunca foi indicada de rotina. O que vem acontecendo desde o século XVIII é o uso rotineiro do procedimento. Porém, todas as evidências nos mostram que não há necessidade do tal “pic” na vagina e que devemos selecionar muito bem os casos necessários para não torná-lo de rotina, seguindo recomendação da própria OMS. Sabe-se que os bebês nascem muito bem sem episiotomia, e não há necessidade de realizá-la rotineiramente. Vale esclarecer que: a episiotomia não protege o assoalho pélvico materno, não protege contra incontinência urinária ou fecal e, tampouco, contra o prolapso genital, associando-se com redução da força muscular do assoalho pélvico em relação aos casos de lacerações perineais espontâneas. A perda sanguínea é mais volumosa (em torno de 800ml contra 500ml no parto vaginal espontâneo), utiliza-se uma maior quantidade de fios para sutura e há mais dor perineal quando realizada a episiotomia. A episiotomia é uma laceração perineal de segundo grau, e quando ela não é realizada pode não ocorrer alguma laceração ou surgirem lacerações anteriores, de primeiro ou segundo grau, mas de melhor prognóstico. A episiotomia aumenta a chance de dor no pós-parto e dispareunia (dor durante a relação sexual). A episiotomia pode cursar com complicações como edema, deiscência, infecção (até fasciíte necrosante) e hematoma. O ideal é que a taxa de episiotomia seja inferior a 30%, o que já é realidade em muitos países europeus. Já em nosso país, a situação é ainda mais crítica, porque o procedimento é realizado em cerca de 94% dos partos vaginais.
Espaço Você Saudável – Quando é indicada a aplicação de ocitocina (hormônio para aumentar a contração uterina)?
Se possível nunca, mas infelizmente é realizado quase que rotineiramente a instalação do soro glicosado com ocitocina. A ocitocina é um hormônio sintético cuja finalidade é potencializar a contração uterina, aumentando sua intensidade e frequência. O problema é que ela é mal utilizada, usada em mulheres que já estão em trabalho de parto com contrações efetivas, sem necessidade do seu uso. A sua aplicação nessas situações potencializa em muito a dor e aumenta a chance de complicações como hipertonia uterina (quando o útero contrai e não relaxa) e taquissistolia (número excessivo de contrações), complicações estas que podem levar ao sofrimento fetal. O uso da ocitocina deve ser criterioso, com indicação precisa (indução do trabalho de parto,  parada da progressão durante o trabalho de parto por diminuição substancial das contrações) e deve ser sempre informado para a gestante.
Espaço Você Saudável – A falta de dilatação durante o trabalho de parto é uma  indicação para gestante fazer o parto cesáreo?
A grande maioria das gestantes consegue parir nessa situação (falta de dilatação ou parada de dilatação), cerca de 80%. A falta de dilatação não é uma indicação de cesariana, existem meios de estimular o trabalho de parto normal.Devemos sempre lembrar das causas que podem nos levar a realizar uma cesariana desnecessária nessa situação, como: diagnóstico incorreto do trabalho de parto, admissão hospitalar precoce e, com isso, aumento dos riscos da administração de ocitocina, analgésicos e peridurais com consequente aumento de distocia e iatrogenia, restrição ao leito (o que torna o trabalho de parto mais lento), monitoramento eletrônico continuo fetal.
Medidas que estamos adotando para prevenção de cesarianas desnecessárias:
- maior integração entre equipe (médicos e enfermeiros),
- iniciar amadurecimento cervical com prostaglandinas e uso posterior de ocitocina se houver necessidade,
- apoio emocional continuo com doulas, quando disponível e, cumprir com a Lei do acompanhante,
- uso de medidas alternativas no controle da dor (banhos mornos, deambulação, apoio físico e emocional) deve ser preferido à anestesia peridural,
- evitar posicionar parturiente muito cedo em posição de decúbito dorsal, bem como, evitar solicitar à mesma que realize o puxo precocemente no segundo estágio do parto (medidas que só exaure a paciente e contribui para prolongar o período expulsivo),
- incentivo a realizar um plano de parto,
- revisar os prontuários e reavaliar a indicação de cesariana, para não cometer mesmos erros.
Espaço Você Saudável – O parto normal humanizado no hospital necessita de instalação física adequada?
Um centro de parto normal é um espaço onde a mulher recebe assistência totalmente natural, sem intervenções cirúrgicas e não medicamentosas.
Parto normal humanizado também é monitorado, mas a mulher grávida é mais protagonista. É aquele que deixa a natureza agir e a mulher é a principal atuante, sem muita intervenção dos médicos. Queremos que este tipo seja mais utilizado porque é melhor para a saúde do bebê. Precisamos sim de algumas instalações mais humanas, um local mais aconchegante, não tão hospitalar, como por exemplo, uma parede de coloração mais suave, uma plotagem, camas confortáveis, banheira e, etc, mas principalmente, uma equipe também engajada desde a recepção do hospital.
Espaço Você Saudável – Qual é a melhor posição para o parto normal humanizado?
A que a parturiente se sentir confortável, seja qual ela for devemos respeitar. Mas infelizmente não é o que acontece nas maternidades do nosso país.
Espaço Você Saudável – Qual o papel do pai no hora do parto normal humanizado?
Além de ser um direito por Lei, desde 2005, o pai deve participar deste momento que é único e mágico. O carinho do pai, o seu consolo ao segurar a mão da mulher, fazer massagens ou incentivar podem ser cruciais no desempenho da mãe. A participação ou não do pai no nascimento do filho tem de ser um assunto conversado no decurso da gravidez. Eu acredito que o pai participativo torna o parto mais fácil e a mulher sente-se mais segura. Para não tornar a situação embaraçosa o homem deve ficar à cabeceira da cama, para apoiar a mulher e não ter que visualizar diretamente o parto. Se for um pai que encara a situação com mais descontração pode até cortar o cordão umbilical. Estes momentos são inesquecíveis e fortalecem os laços, entre pai, mãe e filho, e entre o casal.
Espaço Você Saudável – O que fazer logo que o bebê nasce?
Entregar para quem é de direito, a família. É neste primeiro momento que a mãe inicia o contato pele a pele, imediatamente, por no mínimo uma hora após o nascimento. É uma das grandes vantagens sobre o binômio mãe e bebê, atuando na regulação térmica, estabilidade cardio-respiratória, estabelecimento do vínculo, início da amamentação e colonização bacteriana, vantagens que só conseguimos com o parto normal. As nossas grávidas são estimuladas a realizar o plano de parto, onde é listado todos os desejos do casal na hora do nascimento. Nosso hospital tem um engajamento e também com o cumprimento dos passos da Iniciativa  Hospital Amigo da Criança, que são:
- aspiração de vias áreas não rotineira, selecionados os casos;
- nitrato de prata, ainda rotina por se tratar de uma recomendação do decreto lei 9713/77. O que temos evitado é a utilização do nitrato de prata na primeira hora de vida, para não irritar o olho do bebê e, com isso, evitar o contato olho no olho entre mãe e seu bebê;
- lavagem gástrica: abolido no hospital, apenas recomendado seu uso em casos muito selecionados;
- estímulo a amamentação ou pelo menos o reconhecimento com o seio materno;
- vestir o bebê  mais tardiamente possível e sempre após a primeira hora do nascimento, para prolongar o contato pele a pele.
Espaço Você Saudável – Como deve ser o primeiro contato da mãe com o filho?
De preferência em um ambiente tranquilo e aconchegante. Após passar nove meses sonhando com o rostinho do bebê, o maior desejo e pegar no colo assim que ele nasce, o toque, contato olho a olho e amamentação.  O primeiro contato entre mãe e bebê é fundamental para estabelecer o vínculo afetivo entre os dois. Eles se reconhecem e inicia o maior vínculo afetivo, com isso desenvolve o sentimento de proteção, segurança e amor.

quarta-feira, 13 de junho de 2012

O parto normal e a montanha russa

Texto fantástico!! Para quem quer saber como vai ser o trabalho de parto, leiam!!!
google imagem


Tem gente que acha loucura sentir dor para parir.

Muitas coisas na vida são mais loucas e as pessoas fazem. E sem que haja bem estar algum em jogo.

Pense no seu parto como se fosse um passeio de montanha russa. Essa foi a melhor metafora que encontrei!

Imagine a sua gestação como uma daquelas filas enormes em dia de excursão de escola no Hopi Hari. No verão. Você ali esperando aquela fila se deslocado devagar... muito devagar. Você cansada, os pés doendo. Você vê gente com medo, apreensiva. Gente empolgada que descreve como vai ser para quem nunca andou. E você ali. Sem saber o que esperar. Você também escuta alguns: você é louca! Andar nisso aí??? Nunca!!! Você não viu aquela montanha russa lá em Ximbiquinha do Sudoeste que quebrou e matou todo mundo? E o pior foram os que ficaram mutilados pro resto da vida!

Você faz ouvido mouco e continua ali. Avançando devagarinho. Não tem pra onde ir, é tarde pra pular fora, as grades que separam a fila são altas, só dá pra seguir em frente.

Aí você vê quem está saindo, gente meio tonta, com uma expressão que você não entende, cambaleando, passando mal. E você pensa: onde é que eu fui me meter?
Quando você está chegando perto o cansaço está maior, você tem que ficar encostada quase o tempo todo. Ai, não chega nunca. Pra melhorar no finalzinho ainda tem uma baita escada pra subir na plataforma de embarque. Bem que podia ter uma escadazinha rolante aqui...

Você chega na ultima parte da fila. De repente parece que toda aquela morosidade foi embora. A fila anda muito mais rápido agora. Ou será que você é quem acha isso porque a hora de embarcar está se aproximando?

Subir as escadas exige um esforço extra. Parece que seu peso aumentou uns quinze quilos. Você não sabe se é o calor, o tempo de pé, ou se foi aquele combo gigante de hamburguer fritas e balde de refrigerante que estão pesando.

Mas você sobe, um degrau de cada vez. E o topo vai se aproximando.

É quando você avista: tem uma saída de emergência lá em cima. Saída estratégica pela esquerda. Acho que é nessa que eu vou! Mas aí você pensa. Já vim até aqui... e se for tudo o que dizem mesmo? Como é que eu vou saber?

Que o destino decida então: vou jogar uma moeda. Se der cara eu vou. Cara! Melhor de três então. Cara de novo. Ai, ai...

Continua avançando. Ah, se aquela mocinha desmilinguida embarcar, eu vou também. Se ela consegue eu também. Ela embarca.

Ok, acho que vou. a não ser é claro que chova. Se não for totalmente seguro não vou. E eu acho que estou vendo uma nuvenzinha lá longe. Se o carrinho que vier for vermelho também não! Vermelho me dá um azar! E eu não vou arriscar.

Sua vez está chegando, você já vai chegar na plataforma. Uma moça amarela bem na sua frente, sai correndo pela saída de emergência. Você se estica e consegue enxergá-la lá embaixo, na saída da lojinha... tem alguma coisa na mão, mas o olhar parece meio distante.

Eu vou! Não quero ficar imaginando como teria sido.

Chega a sua vez. O coração sobe na boca. O fôlego fica suspenso alguns instantes. Mas você respira fundo e sobe no carrinho. E pensa: ainda bem que não era um vermelho!
A viagem começa devagarinho. Tec tec tec. O carrinho vai subindo devagar. Tranquilo. Não é tudo aquilo! Que povo medroso! Dá até pra tirar a mão. Ainda bem que não desisti!

A brisa no rosto. A paisagem tão linda. Ainda bem que fui forte!

Sobe, sobe, sobe. Puxa, mas que alto... dá uma vertigem de leve...

De repente você se vê no final da subida. C******, que altura, ai, eu vou morrer. Me deixa descer, me deixa sair daqui. F***** da P*** daquela professora que yoga que disse que eu não ia me arrepender. Se estivesse aqui agora, eu matava!!!
Será que aquela doula ia fazer muita diferença segurando aqui a minha mão??? Bando de louca... ah, eu mato se eu sair viva daqui!

E a minha prima, aquela V*** que me convenceu a vir. Vai ser legal, você vai ver, você vai querer ir de novo. Ai, eu mato, eu mato. Cadê ela? Porque não está aqui? Duvido que quando ela andou foi nessa tão alta, aposto que foi na menor!!!

E vem a descida. O looping, uma subidinha, curva, mais curva, outra curva. Você já não está vendo nada direito, está meio tonta, parece meio fora de si. Tem mais gente gritando, ou será que é você mesma? Está doendo tudo, esse bate bate no carrinho vai doer ainda mais amanhã. Vai parecer que fui atropelada... Você nem sabe mais se está de ponta cabeça. Dá medo de olhar. Você espia, fecha o olho de novo. Nào quero nem ver. Não vou olhar. Se eu olhar é pior!

Vai chegando no final. O carrinho desacelera. Você está meio abobada, Grogue. Alguem ajuda a descer. Você nem vê quem é. Podia ser o Brad Pitt e você não ia nem notar. Seu cabelo está parecendo uma piaçava depois da faxina, mas você esqueceu de prendê-lo. E agora nem lembra mais que tem cabelo. Mas tem alguma coisa diferente. Algo a mais em você. Vim, vi e venci. Sou praticamente um Julio Cesar!
Suas pernas cambaleiam um pouco, mas você anda. A brisa bate e aos poucos você se recobra. Levanta a cabeça e sorri.

Era só isso? Porque tive tanto medo?

Vou pra fila de novo!

Quem já andou de montanha russa sabe do que estou falando. Quem passou por um trabalho de parto também.

E você, já andou de montanha russa?

Katia Barga, mora em São Paulo, Brazil, é instrutora de yoga e mãe da Sarah, de 1 ano e 2 meses. Para saber mais sobre seu trabalho clique http://www.babyyoga.com.br


Retirado daqui

sábado, 31 de dezembro de 2011

Analgesia Epidural - por Priscila Rezende Doula




Em sua caminhada para o parto normal, as mulheres sabem que podem contar com a analgesia no momento em que a dor das contrações do útero no parto se tornarem insuportaveis. Quando o cansaço ocasionado por horas e mais horas de trabalho de parto as impede de ter uma experiência de parto tranquila ou mesmo passa torna a cesariana uma opção, a analgesia se torna uma grande aliada, evitando uma intervenção cirúrgica.
Eu costumo dizer que analgesia de parto boa mesmo é a presença da doula, que vai sempre te encorajar e te avisar quando o momento da expulsão do bebê estiver finalmente se aproximando, para que a parturiente não se submeta à analgesia nos minutos finais. Além disso, eu acredito que a presença de um acompanhante conhecido na hora do parto ajude a mulher a se sentir mais confortável e, consequentemente, a sentir menos dor. A presença do amor nesse momento é uma ótima analgesia: abraçar e beijar o marido, além de tornar as contrações eficazes por conta da liberação de altas doses de ocitocina natural, afasta a adrenalina, o hormônio do estresse. Fatores como o ambiente hospitalar, ar condicionado, luzes ofuscantes, exames de toque excessivos fazem com que a mulher entre no ciclo de tensão-medo-dor, portanto, precisamos de alguém do nosso lado para nos trazer de volta ao clima de harmonia, ajuda a nos concentarmos e relaxarmos.
E se, mesmo com tudo isso, eu precisar de analgesia?
Saiba que ela não é livre de riscos para você e para o seu bebê! Encontrei essa lista de vantagens e desvantagens em um site americano, vou traduzir para vocês:

Quais são as vantagens da anestesia epidural?

·                     Permite descansar se o trabalho de parto é prolongado
·                     Aliviar o desconforto do parto pode ajudar algumas mulheres a terem uma experiência de parto mais positiva
·                     Quando a epidural é administrada de forma correta, ela permite que você permaneça alerta e continue participando ativamente do nascimento do seu filho
·                     Se você precisar de uma cesariana, a epidural te permite ficar acordada e também te proporciona um alívio efetivo da dor durante a recuperação
·                     Quando todos os outros métodos de alívio da dor não estão ajudando mais, a epidural pode ser o que você precisa para continuar trabalhando o seu parto apesar da exaustão, irritabilidade e fadiga. A epidural te permite descansar, relaxar, se concentrar e te dá forças para seguir em frente como um participante ativo da sua experiência de parto
·                     O uso da anestesia epidural durante o parto está sendo continuamente aperfeiçoado e muito do seu sucesso depende do cuidado com que é administrado.

Quais são as desvantagens da anestesia peridural?

·                     A analgesia epidural pode fazer com que sua pressão arteria caia de repente. Por esta razão, a sua pressão arterial será verificada rotineiramente para se certificar de que há fluxo de sangue adequado para o seu bebê. Se isso acontecer, talvez você tenha que ser tratada com fluídos intravenosos, medicamentos e oxigênio
·                     Você pode ter uma dor de cabeça severa causada por vazamento de fluído espinhal. Menos de 1% das mulheres sofrem esse efeito colateral do uso da epidural. Se os sintomas persistirem, o tratamento é feito com uma injeção de sangue no espaço peridural, que alivia a dor de cabeça.
·                     Depois que analgesia é aplicada, você terá que se deitar alternadamente de um lado e do outro e ter monitoramente contínuo para verificar os baticamentos cardíacos do seu bebê. ficar deitada em uma posição pode desacelerar o trabalho de parto ou até mesmo pará-lo.
·                     Você pode ter os seguintes efeitos colaterais: tremores, zumbidos nos ouvidos, dores na lombar, dor onde a agulha é inserida, nauseas ou dificuldade pra urinar
·                     Com a epidural, você pode não sentir os puxos involuntários, e aí terá que fazer força sendo dirigida pelo médico para conseguir expulsar o bebê, caso você tenha essa dificuldade, o médico provavelmente terá que administrar ocitocina sintética, usar o fórceps ou vácuo extrator e até mesmo ter que realizar uma cesariana
·                     Durante algumas horas após o parto, você poderá sentir a parte inferior do corpo dormente e não poderá andar sem ajuda
·                     Em casos raros, poderá ter danos permanentes no nervo onde o catéter foi introduzido
·                     A maioria dos estudos sugere que os bebês terão dificuldades com amamentação e outros estudos sugerem que o bebê pode sofrer de depressão respiratório, ficar mal posicionado e ter sua frequencia cardíaca variando e tudo isso, como dito anteriormente, culmina na necessidade do uso de fórceps, vácuo extrator, cesariana e episiotomia.

Muitas mulheres que não têm o acompanhamento de uma doula acabam pedindo analgesia no momento em que acreditam não aguentar mais e, coincidentemente, esse é o momento em que o bebê está quase nascendo, é uma situação muito comum a parturiente ter a analgesia aplicada e parir alguns minutos depois e acabar perdendo a oportunidade de passar pela experiência de sentir o bebê passando pelo canal de parto, o bebê coroando e sentir o famoso círculo de fogo. Eu costumo perguntar para as mães que eu conheço ou acompanho o que doeu mais: a passagem do bebê ou as contrações do trabalho de parto e elas sempre respondem que a dor que elas sentiram na passagem do bebê foi muito menor do que as dores das contrações que aconteceram antes.
Eu acredito que, quando a gente opta pelo parto normal, estamos tomando para nós o parto, nós é que determinaremos o ritmo, trabalhando junto com o bebê e com o nosso corpo e, quando optamos pela analgesia, o ritmo muda e pode ter que ser ditado apenas pelo médico, se ele for um profissional treinado para acompanhar os partos de forma humanizada, isso poderá não ser desrespeitoso, mas sabemos que esses profissionais compõe a minoria.
  

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

O Lado Negro do Parto - Parte 3


CONTINUANDO A SÉRIE DE TEXTOS DA DOULA ADÈLE VALARINE!


Tudo aquilo que ninguém te contará sobre o processo.


"Para aqueles que escolheram a pílula vermelha..."
Texto publicado no Blog Opus Daimon

 A geração peridural

 

A anestesia durante o parto foi usada pela primeira vez pela rainha Victória, no século XIX. Obviamente, a anestesia usada por ela foi top de linha para a época (anestesia geral com clorofórmio), e não estava disponível para qualquer um(a). No sir! O uso da anestesia no parto só começou a se generalizar no início do século XX, sobretudo entre a primeira e a segunda guerras mundiais: as mulheres, e com mais ênfase as mulheres do movimento feminista, exigíam o direito de parir sem dor, e de fazer uso de todas as tecnologias existentes que permitissem isso. E ai dos homens que tentassem impedí-las!

Imagens de mulheres em trabalho de parto, em hospitais americanos dos anos 20, 30 e 40 mostram mulheres sedadas no chamado Twilight Sleep: eram administradas catecolaminas e anticonvulsivos, um coquetel de drogas que "apagava" a consciência da mulher, deixando-a em estado animal, completamente descontrolada, e sem nenhuma memória do evento. Geralmente, as mulheres eram amarradas, imobilizadas e até mesmo vendadas, para controlar seus impulsos violentos e impedir que se machucassem ou atacassem alguém. Dessa época datam os relatos de mulheres insultando os médicos, tentando arrancar-lhes os olhos com as mãos, arranhá-los e mordê-los.

Twilight Sleep em hospitais americanos - anos 20 e 30
   
Os familiares da mulher, que permaneciam do lado de fora da sala de parto, sequer imaginavam que lá dentro estava acontecendo um bad-tripgigantesco, e acreditavam que era o parto que fazia isso com a mulher. Aquela imagem caricata, do pai fumando, desesperado, um charuto atrás do outro, na sala de espera, ouvindo os gritos de sua mulher através da porta, e rezando para aquilo tudo acabar logo, parece dolorosamente próxima da realidade da época, que se estendeu até o final dos anos cinquenta.

As crianças nascidas dessa maneira cresceram para formar as gerações dos anos sessenta e setenta, gerações conhecidas por sua incessante busca por estados alterados de consciência, e por um profundo mal-estar e insatisfação com a realidade. 

Nos anos 70, graças ao movimento hippie, uma leva de mulheres da nova geração começou a revindicar seu parto de volta. Não mais queriam a ausência de dor e de memória, não mais queriam passar por manipulações sem serem consultadas: queriam viver a experiência do parto plenamente, conscientemente. Não queriam perderseu parto.

As parteiras tradicionais, que lutavam para sobreviver em uma cultura que havia migrado para o ambiente hospitalar, lentamente voltaram a cobrar forças, e o movimento pelo parto domiciliar se iniciou, para o grande desconforto da classe médica, motivado pela insatisfação das mulheres com o atendimento médico oferecido nos hospitais até então. Fazia-se mister o lançamento de alguma estratégia que bloqueasse esse movimento de diáspora hospitalar e trouxesse as mulheres de volta.

O desenvolvimento do ultrassom e da anestesia peridural, no início dos anos oitenta, foi essa tentativa. E deu muito certo! Com as novas possibilidades que a tecnologia oferecia, como ver o bebê ainda dentro da barriga, e também estar consciente na hora do parto sem sentir dor alguma, aliadas à promessa de segurança em caso de emergência, as mulheres voltaram voando para o hospital!

E então, os anos oitenta foram o marco inicial do desenvolvimento dageração peridural, essa turminha que nasceu nas mãos da modernidade tecnológica, com mamãe acordada, sorridente e insensível às sensações do trabalho de trazer seu filho ao mundo. 


Assim como o ultrassom, a peridural foi publicisada como o must-have do parto. Em pouco tempo, alastrou-se a idéia de que era impossível aguentar um parto sem peridural, só mesmo uma masoquista para tentar, e foram, mais uma vez, omitidos os efeitos colaterais que essa intervenção acarreta.

Peridural
Sim, porque a peridural é umaintervenção médica sobre umprocesso fisiológico, e não é das menores! Tudo se inicia com uma picadinha, só que é uma picadinha dentro da sua coluna, ou seja, dentro do seu sistema nervoso periférico. Só aí, já encontramos diversos riscos, entre eles aquele risco bobinho, banal, a tal da falha humana... Se seu médico não tiver competência para introduzir aquela agulha exatamente ali, no lugar certinho, ou se você se mexer um pouquinho durante o processo, você corre o risco de ficar paralizada. E acontece! Claro que a paralisia geral é rara, mas existem pessoas que ficam sentindo formigamentos e dores, que ficam com metade do corpo paralizado, ou às vezes só uma perna, e isso por até meses após o parto!

Uma vez aplicada a anestesia peridural, a mulher vai perdendo as sensações do peito para baixo. Dependendo da quantidade de medicamento injetado, ela perde totalmente o controle dos músculos das pernas e da barriga, sendo assim impossível ajudar seu bebê a nascer com movimentos e com a ajuda da gravidade e da força muscular. A mulher não consegue mais parir. Quem tem de ir lá e tirar o bebê é o médico. A anestesia peridural aumenta a necessidade de fórceps e vácuo extrator no parto. Ambos são instrumentos de extração do feto, ou seja, servem para "arrancar o bebê do abrigo materno" (isso é uma tradução direta de uma expressão em francês). O uso desses instrumentos exige que se façam também outras intervenções, como a episiotomia (corte na vagina para alargar o canal do parto).

Não raro, a peridural é aplicada e, poucos minutos depois, o trabalho de parto começa a falhar. Os movimentos do útero perdem sua coordenação, devido ao efeito da peridural, e se transformam emcontrações ineficazes. Daí a necessidade de se controlar e aumentar artificialmente essas contrações. A ocitocina sintética é usada com muita frequencia em mulheres que fizeram uso de peridural.

O bebê também recebe a anestesia peridural: a placenta não é capaz de bloquear a droga, como muitos acreditam. O bebê fica "grogue", perde a força e a coordenação dos músculos, assim como sua mãe. Porém, como seu fígado ainda não está maduro, seu organismo não consegue processar a toxina e liberá-la tão facilmente como o organismo adulto:enquanto a mamãe recupera da anestesia em 3 horas, em média, o bebê pode continuar bem anestesiado por 8 horas ou mais. Isso interfere bastante no trabalho de parto pois, para quem não sabia, a maior parte do trabalho de parto, quem faz é o bebê! Ele se estica, gira para lá e para cá, apóia a cabeça no colo do útero e empurra com força. É isso que faz a dilatação acontecer. As contrações servem para ajudar ele a se mexer lá dentro e empurrar. Quando a mulher faz força, ela também está ajudando o bebê a empurrar com a cabeça.

Rotação do bebê
Quando o bebê está grogue, ele tampouco consegue fazer o seu devidamente. Não importa quanta ocitocina sintética se coloque na veia da mamãe, ou quão intensas sejam as contrações, ele não consegue fazer o movimento de rotação necessário para passar pela pelve de sua mãe.  E, quanto mais tempo ele fica sendo espremido sem conseguir sair de lá, mais dificil fica a sua oxigenação, afinal tudo se esmaga lá dentro durante as contrações, inclusive o cordão umbilical. Bebês que recebem o combo peridural + ocitocina sintética têm mais chances de entrar em sofrimento fetal, que é indicação para uma cesariana de emergência.

Breastcrawl
Uma vez terminado o parto, o bebê nascido sob efeito de peridural tem mais um desafio. Seu reflexo natural de se arrastar até o seio de sua mãe e sugar, conhecido comobreastcrawl, não pode ser satisfeito, afinal, ele está sem controle de seu corpo e só vai "acordar" mesmo daqui a várias horas. A mãe pode colocá-lo no peito, enfiar o mamilo lá no fundo da goela dele, mas ele não vai saber o que fazer, pois vai estar sobrecarregado de estímulos, e sem poder agir. A peridural atrapalha a amamentação, muitas vezes impedindo que o bebê se alimente na primeira hora após o parto, e em alguns casos, comprometendo para sempre a amamentação.

O parto com peridural é um parto onde mãe e bebê permanecem passivos, anestesiados (numb). Em alguns casos, eles se esforçam, até muitíssimo, para fazer o parto acontecer, porém nem sempre são capazes, pela falta de controle de seus corpos, causada pela peridural. Aação interveniente do médico, para guiar e puxar o bebê de um lado, enquanto outro médico aperta a barriga da mãe para simular a força que ela não consegue fazer do outro, é essencial para o bom andamento do parto com anestesia peridural. Depois disso, o bebê tampouco consegue ser ativo para alimentar-se, sendo muitas vezes alimentado quase à força na maternidade (por sonda, mamadeira ou copinho).

Essa apatía anestesiada (numbness), essa sensação de incapacidade de fazer as coisas acontecerem por si mesmo, vira o primeiro imprintdaquele ser humano, sua marca psíquica primordial, fundamental, aquilo que ele procurará inconscientemente reproduzir ao longo de toda sua existência.

Vivemos hoje uma época em que as drogas mais usadas são aquelas que produzem um efeito similar ao da anestesia peridural: uma progressiva falta de controle muscular, associada a uma sonolência (numbness) mental. Álcool, maconha, derivados do ópio, assim como drogas farmacológicas de popularidade mais recente, como o prozac e sua família, produzem no indivíduo um efeito de letargia, como estar "dentro de uma nuvem de algodão", que se assemelha ao efeito da peridural no organismo do bebê.

É possível perguntar-nos se, realmente, um não tem nada a ver com o outro, ou se estamos criando, de maneira serial, gerações de pessoas programadas para procurar a satisfação em um estado artificial de letargia narcótica, assim como descreveu Huxley em seu Admirável Mundo Novo.

Daqui

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

TODAS as mulheres grávidas sabem dançar!

Doulandas e futuras doulandas!! A Doula aqui vai botar todo mundo a dançar durante o TP!!! Reboletion!!
Todo mundo igual a ela, o prazer de dançar leva a dor embora! Bora ir treinando!

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Dor do parto oferece vantagens, afirma especialista


google imagem


A dor do parto tem uma série de efeitos benéficos para a mulher e para o bebê que são anulados quando a paciente opta por dar à luz com anestesia epidural, embora a técnica seja útil e imprescindível em alguns casos.
É o que afirma Denish Walsh, obstetra e professor da Universidade de Nottingham, em artigo publicado na revista "Evidence Based Midwifery" no qual explica que a dor é um rito de transição que ajuda a regular o parto.
Segundo Walsh, além de contribuir claramente com a fisiologia do parto, ajuda a fortalecer o vínculo entre a mãe e o filho e prepara a mulher para as responsabilidades da maternidade.
Sem menosprezar o valor da anestesia epidural, que pode ser fundamental em alguns casos, o professor aponta que seu uso aumentou muito nos últimos 20 anos, apesar da disponibilidade de outras alternativas menos invasivas contra a dor.
Entre as vantagens de optar por um parto natural, além de razões médicas, está o prazer desse rito fisiológico que culmina com o nascimento do bebê, junto ao fato de que a própria dor induz à liberação de endorfinas, que dão uma sensação de euforia e bem-estar, destaca o especialista.
Walsh afirma que alguns estudos demonstraram que a anestesia epidural aumenta a probabilidade de ter que induzir as contrações com tratamentos hormonais e é mais frequente o uso de fórceps para ajudar a saída do bebê.
No Reino Unido, o uso da anestesia aumentou 17%, entre 1989 e 1990, e 33%, de 2007 para 2008.
O professor recomenda ao Serviço Nacional de Saúde (NHS, na sigla em inglês) outras alternativas de alívio à dor como ioga, massagem e tratamentos em piscinas.

sábado, 1 de outubro de 2011


Analgesia, sim ou não?


Muitas gestantes tem medo da dor e algumas decidem já na gravidez que vão pedir analgesia durante o trabalho de parto, eu não recomendo, sempre incentivo a continuar naturalmente porque a mulher é capaz de parir e lidar com essa '' dor '' de uma maneira diferente, não se focar nessa sensação, e apenas lembrar que o bebê já vai nascer e tudo acaba.


Mas também não sou contra, um trabalho de parto muito rápido, ou uma bolsa rota por muito tempo, uma mãe muito cansada, as vezes a analgesia pode até ajudar. Mas a opção pela analgesia deve ser da mãe, ela precisa ter certeza, e antes de escolher deve tentar todas as maneiras naturais de alívio como ex: banheira, chuveiro, bolsa térmica, massagem, visualização, respiração, posições diferentes, bola suíça, concentração, aromaterapia etc.

Resumo de uma revisão sistemática da Cochrane:
''A analgesia peridural fornece alívio da dor mais significativo que outras formas de analgesia não peridural. No entanto, as mulheres que receberam peridural apresentaram aumento da duração do segundo estágio do parto, aumento da necessidade de utilização de ocitocina e aumento do risco de parto instrumental. A duração do primeiro estágio do parto foi maior no grupo que recebeu peridural, porém essa diferença não foi estatisticamente significante. O aumento relativo na duração do trabalho de parto não pareceu afetar adversamente os desfechos perinatais avaliados nesta revisão. É necessário aplicar na prática este achado de alteração da dinâmica do parto. Deve ser uma decisão clínica se o aumento da duração do período expulsivo representa um prolongamento indicando parto instrumental. AS EVIDÊNCIAS APRESENTADAS NESTA REVISÃO DEVEM SER DISPONÍVEIS PARA AS MULHERES CONSIDERANDO ALÍVIO DA DOR NO TRABALHO DE PARTO. A decisão de receber uma peridural deve portanto ser tomada de comum acordo da mulher com o seu provedor.''

Após a analgesia a mulher não pode ficar muito anestesiada, e surge uma certa pressa em tirar o bebê, e consequentemente o útero contrai menos o que resulta muitas vezes em ocitocina. Muitos obstetras também preferem que a paciente não caminhe ou se movimento, resultando em um parto na posição tradicional ( deitada) que é a menos recomendada. Como a mulher pode perder a vontade de empurrar, o parto pode acabar com uso do fórceps.
Lembre-se que para receber analgesia a paciente é levada aoCentro Cirúrgico e o parto ocorre lá mesmo!

Por isso converse com o seu marido durante a gestação, pensem nos prós e contras, para que no momento vocês não tenham dúvidas. Estudos internacionais mostram que investir numa doula no parto pode diminuir em 60% os pedidos de analgesia!!!!

Doula

segunda-feira, 25 de julho de 2011

A minha dor do parto...

Minha princesa!
Então, conversando com uma gestante e lendo um livro "Guia da Doula Parto" (organizado pela Adriana Nogueira da ONG Amigas do Parto), pensei muito nesta "dor", em como explica-la, ou exemplifica-la... se é que é possível.... Depois que tudo passou, minha filha nasceu, em seguida a dor parou. Um tempo depois em casa, senti muita dor de barriga (nunca havia sentido), de me torcer. No mesmo momento percebi que a dor era muito parecida com a qual senti no parto. No mesmo momento comecei a rir...achei graça de mim mesma!! Eu estava com medo desta dor?! Não acreditei!
Me veio na cabeça o quão importante cada palavra é, no momento do parto!! Quando estava em pródromos, mesmo na noite em que nasceu minha menina, o meu GO me aterrorizou, dizendo que ia doer muuuuiiitoooo mesmo! Pensei na hora "como ele sabe, ele não é mulher!". E não sabe mesmo!!! Homem não sabe e nunca vai saber de um processo único da mulher (por mais que tentemos explicar). Mas estas palavras me deixaram insegura e aumentaram esta "dor" além da realidade.
Conversando com esta gestante (Inês por favor me liga) percebi como esta dor é uma lenda (não mito, lenda). Por que temer algo que não conhecemos? Não conhecemos o novo trabalho, como será, mas vamos em frente e aceitamos. Não conhecemos direito a pessoa amada, mas vamos em frente no relacionamento, sabendo que não será fácil. Não conhecemos o gosto de uma comida exótica, mas experimentamos. Por que não experimentar? Como saber se existe esta "dor" e, se dói de verdade? EXPERIMENTANDO!!
Enquanto conversava com esta gestante, percebi o quão AMIGA esta dor nos é! Sim esta "dor" é nossa amiga! Nossa Conselheira, nosso Guia, na viagem transcendental que é o nascimento dos nossos filhos. Ela massageia o nosso corpo e o nosso filho, nos preparando para o nascimento, para que este momento seja o mais prazeroso e positivo possível.
Escolher em não experimentar esta "dor", é por em risco a sua vida e a do seu bebê, e o pior...não fazer esta belíssima viagem transcendental, que é parte fundamental no processo de nascimento e maternidade. Nesta viagem nós mulheres fazemos novas descobertas e adquirimos novos conhecimentos, cruciais nesta nova etapa da vida.
Ah! Mas quero deixar bem claro aqui, que para muitas mulheres, esta "imensa dor" (aff!), não passa de uma cólicasinha ou pressão na pelves. Isso mesmo meninas, vocês estão com medo sem necessidade!!! Vocês não sabem o que vão sentir e SE vão sentir.
Hoje agradeço e tenho saudade do que senti no dia do nascimento da minha menina!! Foi uma massagem na alma! Sentir a cada momento ela chegar cada vez mais perto, não tem explicação. E vou ser sincera...gostaria de poder sentir esta "dor" novamente. Mas desta vez, sem GO me pressionando, enfermeiras "trovando" no corredor, luz acesa...enfim o mais tranquila e calma possível, quero senti-la bem quietinha...só EU e ELA!

Esta é a dica que deixo pra vocês mamães, que estão com seus anjinhos de Luz em seus ventres: EXPERIMENTEM!!! Não se enganem em não sentir dor depois, na recuperação pós cirúrgica. Esta é minha mensagem para vocês meninas, um pouco de mim, só para vocês, DEUSAS!
Um lembrete:


Qualquer dúvida me mandem um e-mail!
Sintam se beijadas!
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...

MundoBrasileiro