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terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Vídeo de um parto prazeroso e poderoso....Lindo demais!

 Conheci a Lívia por acaso (ou não) no facebook, devido a 1 foto que achei no google, e não sabia que era dela...enfim adicionamos uma a outra. Agora ela disponibilizou seu vídeo onde mostra seu parto e o nascimento, encantador, de seu filho Thales. Como não admirar uma mulher que vai, aos poucos, se entregando ao processo de parir, se permitindo ter prazer neste momento... Vídeo inspirador para todas as mulheres...

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Entrevista com Ina May Gaskin



" Descobrimos que as coisas fluem mais facilmente no parto se a mãe consegue rir. É meio engraçado, sabe, a bolsa de água se rompe em locais e momentos inconvenientes. A pessoa tem que relaxar um pouco e pensar “ok, parir é assim”. Entenda que não havia TV naquela época, como hoje, em que se pode assistir a um parto a qualquer hora do dia ou da noite, onde geralmente você vê uma peridural ou cesárea, mas você não verá o bebê realmente saindo porque eles embaçam a imagem, não é? É difícil ver a parte mais interessante, desculpa, censurado, não podemos dizer, porque o bebê está saindo de um lugar tão socialmente destruído que não se pode ver. Então, mostram uma incisão porque é aceitável ver o corte, o sangue espirrando, as mãos cavucando para tirar o bebê, mas não podemos ver um bebê nascendo naturalmente. Acredito que, se as pessoas pudessem ver o que nós parteiras vemos o tempo todo, as mulheres não teriam tanto medo, porque na verdade é algo muitas vezes bonito. 

Você também pode observar algo que jamais verá nos livros médicos: a expressão no rosto da mulher pode dizer se ela tem ou não uma laceração, vocês já ouviram falar disso? Eu aprendi isso observando os primeiros 50 partos, porque tive o privilégio de estar com pessoas que não ficaram aborrecidas comigo ou sentiram-se invadidas se eu realmente as observasse no momento do parto. E claro que pude fazer isso porque, se a mulher tem um bebê dentro de um ônibus escolar, não importa se no meio do inverno ou num verão muito quente, ela ficará nua, começará a tirar a roupa uma vez que, quando você está parindo, é uma sensação horrível ter tecido encostando na sua pele, a não ser que você esteja num lugar congelante, o que não era o caso. Então, eu podia ver o que estava acontecendo, podia observar a mulher inteira e aprendi que muito está relacionado com o humor dela e outras coisas que não estão em livro algum. 

Por exemplo, houve uma mulher que era uma amiga e que estava tendo seu primeiro filho. Ela foi a minha quadragésima segunda e mais da metade delas era de primíparas, como ela. Então, ela entrou em trabalho de parto e chegou a 8 cm relativamente rápido e pensei “que ótimo, vou ver este bebê nascendo antes da minha viagem à tarde” e depois as coisas passaram a caminhar mais devagar. Nós tínhamos estado rindo, brincando, divertindo-nos, porque quando a mulher está tendo dores, contrações, o que eu chamava “rushes”, já que não gostava muito dessas palavras, uma vez que nem todo o mundo tinha dor ou sensações que elas chamariam de “dor. Eu não tive. Você também não? (perguntando a alguém da produção). Eu gostei! Então o que você faz? Algumas mulheres dizem “é a pior coisa que já senti na vida” e outras pessoas falam “isso não é ruim, é até excitante”. Tínhamos os dois tipos e também algumas que nem sabiam o que estava acontecendo, nem imaginavam que estavam em trabalho de parto.

Neste caso particular, lá estava essa mulher e subitamente o ambiente ficou silencioso e me perguntei se o bebê iria nascer. Perguntei se poderia checar a dilatação novamente e ela concordou, então examinei e ela estava somente com 4 cm! Ela não fez nada que eu tivesse visto que pudesse mudar as coisas, nunca soube que alguém podia “desdilatar” o cérvix, nunca li isso num livro e àquela altura, eu já havia lido muitos livros médicos. Eu disse a ela “sei que seu cérvix pode abrir, porque já abriu. Tenho certeza absoluta de que você estava com 8 cm, mas observei que você não está mais rindo das nossas piadas bobas e é a única diferença que posso notar no seu comportamento. Então por que você não começa a rir de novo para ver se isso vai consertar as coisas?” Ela também tossia e eu já tinha reparado em como era a tosse dela antes e agora, quando ela tossia era bem fraquinha, como se estivesse fazendo um esforço para não ativar algo mais profundo. Aí ela começou a rir novamente e adivinhe: teve o bebê. Aprendicom isso algo muito importante: o trabalho de parto pode regredir em mulheres. Eu meio que sabia que isso poderia acontecer com animais porque lembro da minha tia contando casos. Aqui, se as crianças queriam ver o nascimento de um potrinho, era a única ocasião em que permitíamos que tomassem refrigerante, porque assim ingeriam cafeína e ficavam acordados a noite toda. Quando iam dormir, a égua dava a luz. É assim, as mamíferas não querem ser observadas, o cérebro não gosta de ser observado quando estamos permitindo que algo grande saia do nosso corpo. É por isso que banheiros públicos costumam oferecer privacidade em cada vaso sanitário.

Então fui para a cama cheia de livros médicos para ver se não os tinha lido cuidadosamente. Fui a uma biblioteca médica para ver se isso havia sido publicado e não havia nada a respeito. Finalmente, fui falar pessoalmente com um monte de enfermeiras e parteiras e todas as que tinham alguma experiência estavam familiares com o fato de que, algumas vezes, examinam a paciente, anotam no prontuário uma dilatação X e depois quando reexaminam descobrem que a dilatação diminuiu. Perguntei se elas não escreviam isso e a resposta foi “os médicos sempre dizem que cometemos um erro, que fizemos o toque errado da primeira vez”. Os médicos com quem conversei também não sabiam a respeito disso. Pensei “se isso acontece, por que não está registrado em livros?

Descobri que os médicos não sabiam disso porque eles não checam a dilatação com tanta freqüência quanto as enfermeiras e, quando eles viam alguma anotação neste sentido, deduziam que havia sido uma falha da enfermagem. Assim, claro que não será registrado em livro algum, já que enfermeiras não podem colocar num livro algo que vá contra o que dizem os médicos, porque eles ganham mais. Entenderam? É assim que informação importante é deixada de fora dos livros. Eu penso que isso é muito importante. 
Veja o que foi preciso para consertar esta situação: ao invés de dizer que a moça teve um padrão disfuncional de trabalho de parto, eu pensei “hum... o cérvix já estava dilatado antes, como o comportamento dela difere do que era quando havia maior dilatação? Ela estava rindo e contando piada, isso a fez dilatar e depois ela teve medo porque começou a sentir que seria a maior liberação de fezes da vida dela (é assim que a mulher se sente no período expulsivo: como se fosse evacuar uma melancia). E o que fazer? Aliviar o medo e aí ela abre novamente.

Há uma outra situação levemente similar. Assisti a um casal, quando ainda estávamos na caravana, que era brilhante. Sabe o que faziam para aliviar a dor das contrações? Beijavam-se. E isso a fazia sentir bem relaxada, como se pode imaginar. Pensei “que criativo! Como não pensei nisso antes?” E eles pareciam bem, como se não estivessem preocupados com nada, que é exatamente o que se deseja. Dois anos depois, estávamos aqui com uma mulher que já havia tido 2 bebês anteriormente e que estava muito amedrontada. Era uma mulher bem pequena, assim como o marido. Ambos pareciam secos, frágeis, apavorados, com pupilas muito pequenas, aterrorizados. Pensei “este bebê nascerá de qualquer forma, isso não está impedindo o trabalho de parto, mas ela vai lacerar”, porque ela estava rígida de pavor.

Aí lembrei do outro casal e disse (esperei até que ela não estivesse tendo uma contração): “Linda, eu tive uma idéia. Por que você não tenta beijar o Richard durante a próxima contração? Vamos ver o que acontece.” A esta altura, ela provavelmente teria feito qualquer coisa que eu sugerisse, menos entrar no carro e ir ao hospital, porque seria uma viagem bem desconfortável na estrada de terra e ninguém queria isso. 

Então ela fechou os olhos, colocou os lábios bem juntos, ele fez o mesmo e simplesmente encostaram os lábios um no outro. Pensei “minha nossa, eles não sabem como beijar”. Mas, claro, a regra é não criticar uma mulher em trabalho de parto, porque é a pior coisa que se pode fazer. Então, esperei até acabar a contração, ela abrir os olhos e estar pronta para receber mais informação e sugeri que tentassem de novo, desta vez, “Linda, coma boca aberta”. Não me importava o que Richard faria, só queria que ela abrisse a boca porque já tinha reparado que quando a mulher dá a luz de boca aberta, com a mandíbula relaxada, a probabilidade de laceração no períneo é muito menor e a maioria das mulheres não tinha laceração, então eu nem tinha aprendido a dar pontos ainda.

Ela fez isso e adivinhe: o bebê estava no períneo, um bebê maior do que os outros que ela já tinha tido e o períneo estava intacto. Vinte e cinco anos depois ela escreveu uma estória para mim e disse que o casamento havia tido problemas, a vida sexual era morna, embora houvesse amor entre eles e ela disse que aquele parto consertou tudo no casamento por causa do beijo. 

Ela diz que agora recomenda às filhas, que estão tendo bebês “não esqueçam de beijar”. Se estão no hospital, as pessoas vão sentir-se envergonhadas fazendo isso, mas eu digo que é mágico porque se um casal se beija no hospital, pode até aborrecer algumas enfermeiras, mas o que acontece é que as chatas vão embora, incapazes de suportar e aparecem as simpáticas. Se o casal está junto há tempo suficiente para ter um filho, tenho certeza de que a lei permite o beijo. Pode deixar as pessoas desconfortáveis, mas quem se importa? Se ajuda a parir seu filho e salvar pontos no períneo, pode ser uma coisa muito boa.

Nós não sabíamos muito a respeito de hormônios nos anos 70, exceto pelo fato de conhecermos os processos, sem saber que hormônios estavam envolvidos. Trabalhei empiricamente, em coisas que sabia serem verdadeiras através de experiências pessoais e pelo que podia observar.

Sabia, depois de ter amamentado meu primeiro bebê que havia relação entre estímulo no mamilo e contração uterina. Sabia disso e não precisava saber que havia ocitocina sendo produzida. Agora se sabe que a glândula ptuitária produz ocitocina, numa forma melhor e mais segura do que aquela que vem do vidrinho, que não é derivada de humanos. Seria muito difícil estimular a produção excessiva de ocitocina, porque para fazer isso, haveria dor. Você não estimularia o mamilo a ponto de produzir tanta ocitocina e levar a uma ruptura uterina, o que pode ocorrer quando ela é obtida por injeção ou infusão intravenosa. Por isso é que é necessário regular a dose de ocitocina cuidadosamente e pessoas diferentes têm tolerância diferente.

Então, se quisermos estimular um trabalho de parto, podemos usar estimulação dos seios, claro. Sabíamos disso e também que, se quiséssemos a contração do útero após o parto, a melhor coisa é ter o bebê nos braços, perto do seio, estando ele sugando ou não. A simples presença do bebê ao seio estimula a produção de ocitocina. Isso economiza nos custos, é de graça, obtido da fábrica química materna. 

O que não sabíamos é que nosso corpo produz opiáceos. Você sabia disso? Endorfinas. Especialistas em medicina esportiva sabem bem disso: se há um atleta machucado que está em campo, está jogando bem e ficando empolgado com isso, é preciso que haja alguém observando cuidadosamente de fora se aquela pessoa não está se machucando sem perceber. Contagiado pela excitação do jogo, é possível sofrer uma contusão sem notar. Aprendemos a usar a endorfina a nosso favor, o que pode ser feito através da risada, expressões de amor, porque ocitocina e endorfinas trabalham bem juntos. Ocitocina e catecolaminas (adrenalina) são antagonistas e é este que vai atravancar o parto.

Agora chegamos ao que eu chamo de a trava do esfíncter, algo nunca falado por aqui, mas eu te digo que se você viajar ao redor do país num ônibus escolar, você precisa ter seu próprio vaso com você, especialmente se tem filhos pequenos. Imagina se a cada vez que alguém precisa urinar, você vai parar a caravana toda? Acho que não. Então você está fora de casa e diariamente tem que lidar com as excreções do dia. Você acaba ficando mais familiarizado com o processo excretório do que morando numa casa onde há banheiro do lado de dentro. Você não sabe tanto a respeito de fezes comparado com alguém que não foi criado desta mesma maneira.

O que então é que possibilitava as mulheres a dar a luz e todas as parteiras serem o tipo de pessoas que permitem tal processo? Porque há pessoas que são tão tensas que um bebê não consegue nascer na presença delas, sabia disso? Há pessoas que, se entrarem no quarto, todas as mulheres em trabalho de parto travarão. Por quê? Porque elas não sentem bem, mas de uma forma tão forte que praticamente nenhuma mulher consegue ficar em trabalho de perto na presença delas. 

Trouxe uma mulher certa vez a um hospital e o médico, que era totalmente contrário ao parto domiciliar, praticamente a estuprou com os dedos, fazendo um toque vaginal e levou-a de 7 cm (eu havia checado) para 4 cm de dilatação, porque ele foi tão bruto com ela. Entre estupro e o ato prazeroso de fazer amor, não há diferença no tamanho do órgão envolvido. Não tem nada a ver com tamanho, mas com a ferocidade no ato. 

Então, um exame vaginal delicado não parará um trabalho de parto, pode até encorajar, por outro lado, um exame bruto e ruim, por exemplo se é uma mulher fazendo o toque, tentando provar que ela não é lésbica, isso seria suficiente. Almeja-se gentileza. 

Pensei em como explicar isso e lembrei “esfíncter”. Sabemos que temos o esfíncter anal e o esfíncter vesical. Por que não chamamos o cérvix de esfíncter? Ele age como um. O que é um esfíncter? Uma abertura de um órgão que tem capacidade de contração e de encher-se com alguma coisa e aí ele se contrai e aquele esfíncter que se mantém fechado sem se exaurir, porque é parte do sistema muscular involuntário, pode abrir-se e obliterar-se, o que está no órgão sai e depois ele se fecha novamente. Por que não chamamos o cérvix de esfíncter? Não sei o porquê, mas é um músculo circular, que não obedece a mais comandos que a bexiga ou o reto.

Você não pode dizer a alguém “quero que você evacue exatamente às 09:00 e, se não conseguir, estará em maus lençóis.” Isso ajuda? Acho que não! Freud reclamou disso, ele achava que as crianças estavam com problemas se não evacuassem precisamente na hora certa. Mas eu digo que, se ele tomasse conta daquelas crianças todos os dias, elas teriam-no ensinado uma coisa e ele relaxaria, se tivesse tomado conta dos próprios filhos. Porque o que as crianças normalmente fazem aos 2 anos (qualquer pessoa que já teve filhos pode me corrigir): elas ficam quietinhas num canto, com as costas viradas para você e aí sim é a hora de sentá-los no penico e fazer disso uma experiência prazerosa para elas. Se elas não se divertem lá, aquele esfíncter ficará mais “tímido”. Esfíncteres são tímidos, isso é importante. E eles não obedecem a ordens. Se seu dono está assustado, humilhado, eles travam-se , rapidamente. 

Tenho que agredecer ao meu marido por me dizer coisas que eu não saberia se não fosse por ele. Segundo ele, se há um bando de homens num banheiro público, todos lado a lado de frente para os urinóis, de forma que um possa ver o outro e todos estão urinando, quando de repente alguma coisa chega e os assusta, eles todos param involuntariamente. Não é interessante? Esfíncter travado. Ninguém nunca disse que isso é errado. Eu poderia! Dr. Wynne, que é o médico de quem falei, que retirou o bebê prematuro, estava certa vez em Washington, DC, num banheiro público num congresso. Todos estavam urinando quando de repente entram vários policiais do serviço secreto e, no meio deles, Henry Kissinger e aí: todos pararam.

Estamos falando de gotas de urina, então não deveríamos nos surpreender quando, no trabalho de parto, a cabeça de um bebê de 9 ou 10 libras pára de descer. Esta é uma forma de proteção da natureza porque a mãe tem todo o seu equipamento sensório bem aguçado na hora do parto. O olfato, a audição, a visão, é tudo mais aguçado que o normal e isso é para que ela sabia onde encontrar um lugar seguro para dar a luz, já que ela estará temporariamente incapacitada de levantar e sair dali, enquanto o bebê estiver saindo pelo canal de parto. É por isso que às vezes ela progride ao ponto de a cabeça do bebê já estar visível e, se há perigo, na maioria das vezes com os mamíferos (já houve tempos em que não tínhamos armas nem paredes à nossa volta nos protegendo dos predadores), há parada de progressão. 

Nós podemos repetir para convencer a mente de que o hospital é um lugar seguro, mas pode ser que o animal dentro de você não perceba da mesma maneira. Talvez o cheiro não seja adequado, o som de alguém chorando no quarto ao lado incomode e pronto: isso é suficiente para reverter seu trabalho de parto. E pode acontecer até no caminho, indo para o hospital ou com a primeira picada da agulha no braço. O fato de algumas pessoas tolerarem isso e permanecerem em trabalho de parto não significa que todas consigam. É isso que chamo de trava do esfíncter. Basicamente, se você não consegue evacuar com um bando de gente olhando, pode ser difícil ter um filho neste tipo de ambiente. Então, superamos isso em hospitais com peridurais e infusões de ocitocina, né? Mas isso não significa que seu corpo está relaxado e aceitando tudo como se estivesse numa situação em que a mãe se sente segura, como no seu próprio quarto, em casa."

Traduzido por Flávia Mandic

Fonte: GPM - Gestação, Parto e Maternagem

domingo, 11 de dezembro de 2011

Quando o bebê nasce…


globo
A gravidez chegou… as vezes sorrateira, de surpresa. As vezes planejada. Começamos essa viagem rumo à recepção de nosso querido bebê. Muitas vezes a ansiedade já toma conta logo no ínício… conto ou não conto para as pessoas que convivem comigo? E o meu chefe? O que vai pensar? Meu filho mais velho vai ficar com ciúmes? Vão me julgar inconsequente? Será que será saudável? Parto normal ou cesárea?
Todas essas dúvidas, e mais algumas centenas delas povoam nossamente durante o inebriante mergulho de nove meses em que estamos nos preparando para receber nosso bebê em nossos braços.
E imaginamos milhares de vezes este momento. O momento de olhar para seu rostinho, de pegá-lo, abraçá-lo, aninhá-lo… Um momento imaginado, vivido, sentido em toda sua extensão mesmo antes de acontecer.
E é para ser um momento especial. Um momento da família que se forma ou que aumenta.
A maioria de nós, não imagina a dinâmica de um parto, e por isso romantizamos o momento, vendo o bebê nascer e vir diretamente para nosso colo, sentir seu cheirinho, tocar sua pele macia… Eu pelo menos sempre imaginei este momento assim. Mas como a maioria das artimanhas que nosso imaginário cria, em muito mais do que 90% dos nascimentos este momento fica apenas no imaginário das mamães…
Por isso, uma mulher que vai atrás de informações baseadas em evidências científicas, tem condição de negociar com o pediatra antes do parto, o que ela deseja e o que não deseja de intervenções em seu bebê.
É claro que a maioria dos pediatras tem que seguir o protocolo dos hospitais. Protocolos ultrapassados, que realizam intervenções de rotina nos recém-nascidos (assim como nas gestantes) e os tratam todos iguais, sem respeitar as individualidades de cada momento de nascimento e de cada bebê.
Você conhece todas as intervenções que seu filho sofreu ou vai sofrer no hospital?
Sabe para que serve cada uma delas?
Sabe a indicação de cada uma?
Vou tentar colocar todas aqui. Se alguém souber de alguma coisa que não está aqui, ou quiser corrigir algo que eu escrevi, por favor nos escreva:mulheresempoderadas@yahoo.com.br
Manobra de Kristeller -  É quando o anestesista ou um enfermeiro, durante o período expulsivo empurra com força a barriga da mulher (o fundo do útero) para que o bebê “saia mais rápido”.
Essa manobra é proibida em alguns países e não é recomendada pela OMS, pois além de ser uma violência com mãe e bebê, pode prejudicar o assoalho pélvico, o períneo, causar inversão uterina, ruptura uterina, e uma série e complicações no parto e pós-parto, podendo inclusive causar a morte materna ou fetal.  NÃO É INDICADA em caso algum!

Forceps ou Vácuo Extrator –São instrumentos usados para ajudar na retirada do bebê, quando a mãe já está cansada e não consegue sozinha fazer o expulsivo.
Indicado apenas quando há evidência de sofrimento fetal por expulsivo muito prolongado. Entretanto há expulsivos demorados, que não há necessidade de uso de fórceps ou vácuo. Mudar de posição por exemplo, ajuda muito a saída do bebê. Entretanto, novamente com intuito de “apressar” o parto, é usado rotineiramente no Brasil.







Fórceps                                                                                                                        Vácuo Extrator
Aspiração -  bebês nascidos de parto normal, que estejam bem, não precisam ser aspirados! Ao passar pelo canal de parto, os pulmõpes do bebê são massageados, provocando a expulsão natural dos líquidos.
Entretanto 100% dos bebês nascidos em hospital são aspirados com a sonda, como parte de protocolo hospitalar. A sonda é um tubo de plástico enorme que é introduzido até o estômago do bebê. É indicado para bebês que nascem de cesárea, justamente porque não recebem essa “massagem” durante a passagem pelo canal de parto.
Colírio de Nitrato de Prata – Outro protocolo ridículo. É um colírio que se pinga em 100% dos bebês nascidos em hospital como rotina. Na maioria dos casos causa conjuntivite química, que aparece apenas quando o bebê vai pra casa. A única indicação é para bebês que nascem de parto vaginal cuja mãe seja portadora de gonorréia – que geralmente é detectado no pré-natal né gente?
Então alguém me explica, pelo amor de Deus, porque mães saudáveis que tem seu filho via vaginal e porque bebês nascidos de cesárea também recebem esse colírio? Alguém aí já experimentou pingar uma gotinha do colírio pra ver o quanto arde?
 Vitamina K - A vitamina K via injeção na coxa é feita no berçário, mas pode tomada via oral que funciona do mesmo jeito. É importante pra prevenir hemorragias no bebê. Quando tomada via oral, deve ser repetida mais duas vezes depois que o bebê vai pra casa.
Tem outras intervenções mais leves, como medir o bebê por exemplo. O bebê que estava ali, enroladinho dentro da barriga, de repente é esticado, sem maiores cerimônias para ser medido. Custa esperar um ou dois dias?? Custa?? Ahhhhh depois de alguns dias o bebezinho vai crescer muito né??
 Dextro – exame de glicemia para bebês que são considerados grande! No hospital em que a Catharina nasceu, ela foi salva deste exame graças à neonatologista. Ela nasceu com 3,900 e o protocolo do hospital pregava que bebês que nascem acima de 3,700 devem ser picados para exame de glicemia a intervalos determinados pelo protocolo.
 Banho de luz – É indicado apenas quando o bebê nasce com icterícia (geralmente bebês prematurinhos) num grau muito alto. Uma icterícia leve pode (e deve) ser tratada com banho de sol pela manhã e com o próprio aleitamento materno. Não é necessário separar o bebê da mãe!
Separação e introdução de fórmulas – Na maioria dos hospitais em nosso país, os bebês assim que nascem dão um cheirinho na mamãe e já vão para o berçário para sofrerem todas as intervenções, banho, etc. A desculpa é sempre de que a mãe precisa descansar (realmente precisamos – mas é aí que o acompanhante entra, outra lei que não é cumprida) – O pior da separação, é a introdução de fórmulas enquanto os bebês estão no berçário, prejudicando o aleitamento materno e a saúde do bebê. O Ministério da Saúde e a Organização Mundial da Saúde enfatizam cada vez mais a importância do contato pele a pele assim que o bebê nasce, e a amamentação imediata. É importante informação e empoderamento para fazer valer esse direito de mãe e bebê.
Então mulheres, informem-se! Eu fico muito triste de saber que meus dois primeiros filhos passaram por muitas dessas intervenções desnecessariamente. Eu não tinha essas informações. Mas quando as tive, não permiti que minha caçula sofresse nenhuma delas! Catharina nasceu no hospital sim, mas conseguimos fazer valer nosso direito. Contamos com uma equipe humanizada.
Então quando eu ouço alguém falar que é muito caro pagar um parto humanizado, eu nem respondo. Eu também achava caro antes de ter minha própria experiência. HOJE eu sei que vale cada centavo!

Catharina que nasceu com quase 4 kg em hospital, de parto natural vertical com equipe humanizada. Não sofreu NENHUMA intervenção!

O parto roubado e a Rede Cegonha - por Claudia Rodrigues



O ano chega ao final com uma promessa política promissora na humanização da saúde. Na última segunda-feira a presidenta Dilma Rousseff lançou em Belo Horizonte a Rede Cegonha, um conjunto de medidas que pretende garantir a todas as brasileiras, via SUS, atendimento seguro e humanizado da fecundação aos dois anos do bebê.
A previsão é de que R$ 9,397 bilhões sejam investidos no programa até 2014. É claro que parte desse montante vai para o maquinário, exames, ambulâncias, os vale-táxis e vale-ônibus, resta saber se o governo vai dar conta do maior desafio, que é transformar uma cultura violenta e tecnocrática de atendimento ao parto, nascimento e cuidados com o bebê em uma cultura de humanização e respeito aos corpos da mulher e do bebê.
Essa cultura violenta está tão arraigada na sociedade, que as mulheres de maneira geral não conseguem pensar, refletir e exigir certos direitos perdidos ao longo da história tecnocrática de atendimento ao parto. A praxe de atendimento ao parto vinda da assistência é repleta de incivilidades e infrações, desumanidades e abusos. A realidade é que os obstetras saem das universidades com a orientação de praticar episiotomia de rotina (corte no períneo), assistem partos sentados ou em pé confortavelmente enquanto a mulher é obrigada a ficar deitada numa maca com as pernas presas para o alto, o que dificulta a expulsão do bebê. Os profissionais da obstetrícia são erroneamente doutrinados a esperar não mais do que 8 horas para que a dilatação do colo uterino ocorra, o que acaba levando-os a utilizar uma manobra arcaica, o kristeller (pressão sobre o ventre da mulher) entre outros aceleradores do parto desnecessários e sabidamente prejudiciais diante de evoluções naturais, em processos normais de parto, que podem ser demorados sem que haja qualquer comprometimento da saúde da mãe do bebê. Eles acreditam piamente que estão fazendo o que deve ser feito, estudaram para isso, para prestar uma assistência tecnicista e já há alguns anos sem base em evidências.
A RAMA, Rede de Apoio a Maternidade Ativa – apoiada pela Rehuna, Rede de Humanização do Nascimento e várias outras redes e ONGs feministas, além de blogs e pessoas físicas que trabalham em prol dos direitos das mulheres-, elaborou uma Moção especialmente voltada ao atendimento do parto e nascimento. A Moção foi encaminhada à Rede Cegonha.
Essas redes são feitas de gente que também estudou para isso, mas sob outro paradigma e sob as mais recentes evidências. Se o SUS via Rede Cegonha pretende humanizar o atendimento ao parto, ao nascimento e aos primeiros dois anos das crianças, vai precisar abrir os olhos e apurar os ouvidos para os poucos obstetras que praticam o atendimento humanizado, parteiras, enfermeiras obstetras, doulas, terapeutas, fisioterapeutas, psicólogas e outras profissionais que sabem mais o que fazer diante de uma parturiente amedrontada do que reprimi-la, prender seus membros, fazer piadas ou simplesmente deixá-la sozinha por horas a fio.
Comprar equipamentos, distribuir vales para que a gestante possa se locomover, garantir vagas para mulheres em trabalho de parto é extremamente necessário, mais complexo é reformular as cabeças e as atitudes dos profissionais que desaprenderam a prestar uma assistência humanizada às mulheres durante o parto. A assistência ao parto desumanizou-se ao longo dos anos, o ritual familiar e amoroso de recepção ao bebê virou uma espécie de plantão médico de emergência, quando se sabe que emergências não são praxe; parir e nascer, de maneira geral e na maioria dos casos, é uma ato fisiológico, delicado, que exige cuidados humanos, mas é essencialmente natural, exige apoio, carinho, delicadezas e respeito, muito respeito a um momento que para ser belo como merece, exige dedicação e compromisso apenas com o relógio interno da mulher.
Quando assistido com cautela, paciência, ausculta, massagens, em ambiente acolhedor escolhido pela parturiente, com suporte de doulas o parto é, segundo evidências, mais seguro e até mais rápido. Pressão, métodos arcaicos de suporte, pressa, inabilidade para trabalhar o corpo em trabalho de parto, falta de liberdade de movimentação para as parturientes atrasa o processo e, muitas vezes, como atestam os índices, leva a experiências traumáticas, dolorosas ou cesarianas.
O feminismo não se encerra no parto, mas começou aí. Nos bastidores da cirurgia que chegou para salvar vidas de mulheres e de crianças que não davam conta de salvarem-se na luta pela sobrevivência, reside uma das maiores representações de machismo na vida das mulheres: a cesariana agendada, desnecessária.
O ritual do parto foi durante grande parte da história uma resistência feminina, ele representava uma prova de capacidade feminina inigualável; a mulher afastava-se de todos aos primeiros sinais de trabalho de parto para o fundo de um campo, uma floresta, armava o “ninho” e paria. Voltava para a vida social provando que ela e o filhote haviam dado conta da luta pela sobrevivência e assim eram aceitos e celebrados.
Aos poucos, conforme crescia a solidariedade entre as mulheres, o evento transformou-se num dos poucos redutos sociais de poder feminino e a mulher passou a receber suporte de outras mulheres para parir. O trabalho de parto e especialmente o momento da expulsão eram protegidos dos olhos dos homens. O parto era a maçonaria das mulheres. No segundo livro de Pentateuco, o Êxodos, tem uma passagem que demonstra o grande poder das mulheres sobre o parto.
A ordem do faraó era para que as parteiras sacrificassem todos os filhos de mulheres hebréias. Elas desobedeceram e diante do faraó deram como única desculpa o fato de que as mulheres hebréias não eram como as egípcias, tinham partos muito rápidos e antes mesmo das parteiras chegarem, as hebréias já haviam dado à luz. Não foram punidas e a ordem se desfez no ar.
A história das gregas, especialmente da mulher ateniense, se passou no lar; era considerada menor, não tinha direito público e casava-se ainda adolescente com homens na faixa dos 30 anos que exerciam a função tanto de maridos quanto de tutores jurídicos. A principal função da mulher era parir filhos homens, as meninas podiam ser sacrificadas a mando do marido, mas a prática médica hipocrática era voltada essencialmente para a guerra, luxações, feridas, fraturas, cirurgias e dietética. O saber empírico sobre o parto continuou com as mulheres, os homens não viam ainda poder algum ali para ser tomado e a assistência ao parto continuou à margem da prática médica.
O primeiro programa formal de treinamento de parteiras foi no séc V A.C, iniciado por Hipócrates, mas a profissão de parteira não chegou nem perto da medicina, até porque as mulheres não podiam freqüentar escolas médicas, mesmo quando eram reconhecidamente “iatpouiaai”, médicas-parteiras experientes em casos complicados.
As práticas de apoio social feminino foram mantidas durante quase todo o século XIX, mesmo quando as famílias abastadas começaram a contratar os serviços médicos.
Enquanto se manteve domiciliar, a colaboração das mulheres, a parceria entre parteira e doutor preservou o parto como evento essencialmente feminino, sendo o médico mais uma figura para fazer recomendações e cuidar da saúde da mulher e do bebê no pós-parto.
Lentamente, dentro de um processo político e econômico focado no tecnicismo, a mulher foi entregando também o corpo fisiológico paridor, feminino ao homem, começou a duvidar da sabedoria empírica de suas ancestrais e principalmente a acreditar no próprio corpo como falho, uma máquina que poderia emperrar a qualquer momento, uma máquina que necessitava da intervenção masculina. Bacia estreita é até hoje uma das desculpas mais estapafúrdias para justificar a cesariana, quando se sabe que o problema não é bacia da mulher, mas a maneira como o bebê encaixa a cabeça e a tensão da mulher, muitas vezes pela pressão externa e falta de liberdade para caminhar e escolher a posição mais confortável.
Hoje se sabe que se a mulher ficar agachada ou de quatro, o bebê encontrará 28% menos resistência para reencaixar-se corretamente e existe uma infinidade de exercícios para que a gestante relaxe, ceda e o bebê se acomode melhor. Mas como isso pode ocorrer se ao chegarem às maternidades, públicas ou privadas, as mulheres são deitadas, imobilizadas, se a assistência não sabe o que pode fazer para ajudar as parturientes a relaxar?
A Rede Cegonha tem um trabalho imenso a fazer com a assistência porque se os profissionais aprenderem a fazer um trabalho melhor, a cultura pró-cesariana que se instalou na sociedade vai acabar mudando também. O SUS tem nas mãos a responsabilidade e a oportunidade de oferecer um serviço melhor do que o particular e dos convênios.
O corpo social feminino capaz de parir passou a ser manipulado e monopolizado pelos homens como uma barganha no mesmo momento em que a mulher ganhou espaço político na sociedade. Na história brasileira houve na década de 1940, em vários estados do Brasil, uma caça às parteiras, às bruxas da assistência ao parto. Foi um processo complicado, absolutamente não tratado do ponto de vista psíquico masculino e literalmente o nascimento virou uma espécie de estupro sagrado. Curiosamente a cesariana agendada acabou sendo considerada uma espécie de direito da mulher, a libertação de uma condição feminina “ruim” por ser diferente do corpo masculino. Algo como “se os homens não podem parir, então nós também não queremos parir”.
Para obter o filho, o falo de seu sagrado pênis, o homem cortou, puxou, empurrou e criou instrumentos e técnicas que hoje ainda custam a ser derrubadas nas melhores maternidades do país, como kristeller, episiotomia, raspagem de pelos, jejuns degradantes, abandonos, piadas e outras ações vindas da inconsciência tabulada por sofrimentos psíquicos masculinos até hoje não resolvidos em muitos homens, em muitos pais, em profissionais. O parto passou a ser visto como algo degradante, feio, sujo, menor e tratado assim inclusive pelas próprias mulheres.
A mulher foi literalmente deitada para parir, passou a ter pernas braços amarrados, ainda que essa posição, em decúbito dorsal, esteja longe de facilitar a descida e a expulsão do bebê, cause mais dor e sofrimentos desnecessários e prejudiciais à mulher e ao bebê. Infinitas teses comprovam a ineficácia e o risco dessa posição, mas ela se mantém nas maternidades públicas ou privadas e hoje já não importa se a assistência vem de homens ou de mulheres porque as repetições são assim, vão ficando mecânicas, é difícil questionar e mais difícil ainda mudar as atitudes.
A cesariana surgiu como uma válvula de escape para essa visão distorcida do momento do nascimento e não tardou para que as próprias mulheres passassem a ver a cirurgia como uma saída mais digna, menos violenta, menos sofrida. Especialmente no Brasil, a cirurgia que deveria servir para salvar vidas, transformou-se em uma opção e assim elevaram-se os números de nascimentos de bebês prematuros com problemas cardiorrespiratórios, mulheres com problemas de vínculos e de amamentação com seus bebês e embora tenhamos números sobre uma maior segurança para mães e bebês que passam por um parto natural, está difícil dobrar a assistência, fazer com que ela se curve diante do ritual do nascimento baseada em evidências, com paciência, em atendimentos que não devem priorizar o tempo da linha de montagem hospitalar, mas a necessidade das mulheres de receber um atendimento cuidadoso, carinhoso, estimulante, encorajador.
A Rede Cegonha se ministrada por profissionais cesaristas, vaidosos que não querem alongar o olhar sobre as evidências atuais, pode virar apenas mais uma piada nos hospitais públicos e mais uma maneira de eternizar o atendimento cesarista bonzinho, educadinho, comum no sistema privado corporativista.
Bem levado, bem tocado com pulso firme e dando voz às mulheres e aos profissionais pioneiros da humanização, a Rede Cegonha pode servir como modelo a ser copiado pelo sistema privado em todo o território nacional.
Cláudia Rodrigues, jornalista, terapeuta reichiana, autora de Bebês de Mamães mais que Perfeitas, 2008. Centauro Editora. Blog:http://buenaleche-buenaleche.blogspot.com

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Recém-nascidos ficam estressados quando colocados no berço, diz estudo

Leiam com atenção...


Pesquisa revela que o batimento cardíaco dos bebês dobra quando eles são separados da mãe logo após o parto


Nádia Mariano
 Shutterstock
Depois do parto, o bebê é levado para o berçário para receber os primeiros cuidados e para que a mãe possa descansar. Essa é uma prática comum, no entanto, uma pesquisa feita por uma universidade sul-africana afirma que isso eleva - e muito - os níveis de estresse do bebê. 

Isso porque, de acordo com os pesquisadores, quando são separados das mães e colocados no berço, a frequência cardíaca dos bebês aumenta em até 176%. Para chegar a essa conclusão eles monitoraram os batimentos cardíacos de bebês com até 2 dias de vida. E uma das descobertas (que a gente já suspeitava, claro) é que o contato com a pele da mãe acalma os bebês e ainda influencia na amamentação. “A amamentação na primeira hora de vida estimula a produção de leite e aumenta o vínculo entre mãe e filho”, diz Clery Gallacci, médica responsável pelos berçários setoriais do Hospital e Maternidade Santa Joana(SP). 

Mas ainda que esse contato seja importate, a mãe também pode - e deve - descansar. Não é preciso estar ao lado do recém-nascido todo o tempo e vale lembrar, principalmente, que dormir na cama dos pais não é recomendado. “É claro que o bebê prefere o colo da mãe ao berço, mas é muito importante que ele tenha o seu espaço, que durma sozinho, para evitar riscos”, completa Clery. Nota: não concordo com esta parte. Sim a mãe deve descansar, e sim o bebê pode dormir na cama com a mãe desde que sejam seguidas as regras de segurança!

ALGUMA DÚVIDA????

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Documentário O Renascimento do Parto fala sobre informação, hormônios do amor e opções de parto!

Em entrevista exclusiva à Crescer, a co-autora do longa Érica de Paula afirma que a mulher tem o direito de escolher de que forma vai ter o seu bebê 

Por Carol Patrocinio

Érica de Paula, co-autora do documentário
Érica de Paula é psicóloga, doula e acupunturista especializada em atender gestantes. A paixão pelo mundo da maternidade tomou proporções tão grandes que, ao sugerir uma pauta sobre o assunto para o programa de TV do marido Eduardo Chauvet, em uma emissora de Brasília, o casal resolveu fazer um documentário que acabou tornando-se o longa mais esperado para os interessados da área – O Renascimento do Parto (assista ao trailer aqui) - com estreia programada para março de 2012. “Já prevemos pelo menos dois filmes pela frente, para conseguirmos dar ao assunto a profundidade que ele merece”, acrescenta Érica. 

Em entrevista à Crescer, Érica fala mais sobre o documentário, que conta com depoimentos de grandes nomes da área de saúde, como Michel Odent (um dos precursores do movimento de parto fisiológico no mundo e a primeira pessoa a colocar uma piscina de parto dentro de uma maternidade), e de quem passou por diversas experiências de parto, como o ator Márcio Garcia, 41, e sua mulher, Andréa Santa Rosa, 33, que passou por “uma cesariana, um parto normal hospitalar com intervenções e um parto totalmente fisiológico, natural e domiciliar” para ter os filhos Pedro, 8, Nina, 5, e Felipe, 2. 

Crescer: Por que surgiu a ideia de fazer esse longa?
Érica de Paula:
 Para promover um maior conhecimento da população em geral a respeito dos aspectos fisiológicos, emocionais, culturais e financeiros que estão por trás do parto e nascimento. Tenho observado com espanto o quanto as mulheres são desinformadas quando se trata do parto (ou seja, de uma coisa que acontecerá com o corpo delas), deixando todas as decisões na mão do profissional médico, sem nenhum questionamento mais aprofundado, e se deixando levar por grandes mitos que cercam o assunto. 

Crescer: Você acredita que a situação atual do país, em número de cesáreas, pode ser transformada? Como?
E.P.:
 Acredito no poder da informação, principalmente se essa informação vem corroborada com os dados científicos. Hoje, temos a nosso favor a Organização Mundial de Saúde (que preconiza no máximo 15% de cesarianas), o Ministério da Saúde (que possui diversas políticas públicas a favor do parto normal) e todas as evidências científicas, que provam de forma cada vez mais contundente o quanto é melhor para mães e bebês respeitar aquilo que é fisiológico. Portanto, acredito que, ao promover uma maior conscientização sobre o tema, podemos sim contribuir com a transformação da realidade obstétrica do país. 

Crescer: Muitas mulheres dizem entender os prejuízos da cesárea eletiva e ainda assim fazem essa opção. Você acha que isso deveria ser coibido? Existe um projeto, nos EUA, para criminalizar a cesárea eletiva. Qual sua opinião sobre isso?
E.P.:
 É um assunto polêmico que envolve muitas variáveis. Poder escolher o parto é uma situação muito nova na história da humanidade. Em muitos países (sobretudo nos desenvolvidos), ainda hoje praticamente não existe essa escolha. Há lugares em que a cultura entende que normal é o parto vaginal, e a cesariana é vista como uma cirurgia de emergência, um procedimento para salvar vidas quando algo foge do fisiológico e entra no patológico. Eu sou a favor da escolha consciente. Acredito que a mulher tem o direito de escolher de que forma vai ter o seu bebê, uma vez que isso se dará no corpo dela. Mas isso deveria ser feito de forma consciente, ou seja, levando-se em consideração todos os prós e contras dessa decisão. Infelizmente, não é isso que vemos acontecer no Brasil. E se, diante de todas as informações, ainda assim a mulher optar pela cesariana, sou a favor da cirurgia feita em trabalho de parto, ou seja, após os primeiros sinais dados pelo corpo de que o bebê estaria pronto para nascer. 

Crescer: No filme fala-se muito sobre os “hormônios do amor”. Pode explicar melhor sobre isso?
E.P.:
 Durante o trabalho de parto, a mulher libera um coquetel de hormônios que denominamos hormônios do amor. Isso se deve ao fato de que o principal hormônio do parto, a ocitocina, está presente em outras manifestações de amor, como orgasmo, ejaculação e ejeção de leite. No parto, além de serem responsáveis pelas contrações e todo o processo fisiológico do nascimento, esses hormônios estão profundamente relacionados ao vínculo mãe-bebê. Além disso, esses hormônios atravessam a barreira placentária e são de suma importância para o bebê, não apenas no momento do nascimento, mas no futuro.
Por outro lado, apesar de os hormônios serem importantes, não é isso que define o amor e os cuidados maternos. Não queremos que as mulheres que passaram por uma cesariana ou tiveram seus filhos por meio de intervenções se sintam acusadas de serem menos mães ou de não amarem seus filhos. Não é disso que se trata o filme. Não estamos abordando casos individuais, mas o futuro de uma civilização inteira nascida sem os hormônios do amor. 

Crescer: O que você diria às mulheres que sentem medo do parto natural?
E.P.:
 Digo que é normal termos medo daquilo que não conhecemos. Estamos acostumadas a ter o controle de tudo, e a possibilidade de vivenciar um momento onde precisamos literalmente perder o controle e nos entregar parece realmente algo assustador. Mas, se conseguirmos ultrapassar a barreira do medo, podemos vivenciar uma experiência de absoluta plenitude. É importante ressaltar que grande parte do medo que as mulheres sentem do parto está baseado em mitos (do tipo: minha vagina vai alargar) ou em procedimentos que não são fisiológicos e são feitos de forma inadequada pelos profissionais (por exemplo, a episiotomia, corte na vagina feito sem indicação em mais de 90% dos casos). Por isso, defendemos que não basta o parto ser vaginal, mas sim humanizado, respeitando aquilo que é fisiológico. 


   *Fonte: Revista Crescer
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