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sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Novas diretrizes para o diagnóstico da alergia à proteína do leite de vaca

Entrevista exclusiva à revista CRESCER, o especialista em alergia e pneumologia pediátrica Alessandro Fiocchi, professor da Universidade de Milão, na Itália, alerta sobre a importância do diagnóstico e tratamento corretos da alergia comum em bebês e crianças.

Pode ser um pedaço de bolo, um iogurte ou até o cheiro do leite sendo fervido no fogão. Se o seu filho sofre de alergia à proteína do leite de vaca, você vai notar alguns sintomas após ele ter contato com o alimento. Mas do surgimento dos primeiros sinais de alergia ao diagnóstico em si, pode-se levar até quatro meses. Isso porque os sintomas podem levar minutos, horas e até mesmo dias para aparecer. Tanta demora pode trazer problemas ao desenvolvimento do bebê. Para alertar os pais sobre essa doença, que atinge 1 a cada 20 bebês no mundo, CRESCER conversou com o especialista em alergia e pneumologia pediátrica Alessandro Fiocchi, professor da Universidade de Milão, na Itália, que está no Brasil para participar do II Simpósio Internacional de Alergia Alimentar. Nessa entrevista exclusiva, ele fala sobre as novas diretrizes para o diagnóstico, de acordo com a Organização Mundial de Alergia. 

CRESCER: Quais são as novas diretrizes para diagnosticar a alergia à proteína do leite de vaca (APLV)? O Brasil vai adotá-las? 
ALESSANDRO FIOCCHI: A partir de agora, quando a criança apresentar sintomas de alergia, o primeiro passo continua sendo analisar toda a história do paciente. É importante dizer ao médico qual foi a dose do alimento, quais são os sintomas apresentados e em quanto tempo eles aparecem após a ingestão do alimento suspeito. Então, são feitos os exames cutâneo e o sanguíneo. Se a suspeita for confirmada, é essencial realizar o teste de provocação oral para fechar o diagnóstico, ou seja, oferecer o alimento à criança e analisar a reação. Isso só deve ser feito em hospitais com estrutura para emergências, no caso de reação grave. Em asmáticos, o exame só pode acontecer próximo a uma unidade semi-intensiva, com o paciente já com acesso venoso. No Brasil, a prática do teste de provocação oral já é conhecida e será adotada. 

C: Quais são os principais sintomas que os pais devem prestar atenção? 
A. F.: São problemas cutâneos, como urticária, eczemas e dermatites, gastrointestinais, como vômitos, cólicas, diarréia e também respiratórios, como anafilaxia, dificuldade para respirar, asma, bronquite e o fechamento da garganta, impedindo a respiração. Eles podem acontecer ao mesmo tempo. A longo prazo, a criança pode sofrer retardo no desenvolvimento, como baixo peso e estatura. 

C: Em qual idade os primeiros sintomas costumam aparecer? 
A.F.:
 No primeiro ano de vida do bebê. A grande maioria acontece após a criança ter contato direto com o leite de vaca. Mas existem casos em que o bebê desenvolveu alergia durante a amamentação devido à alimentação da mãe que incluía leite de vaca. 

C: Qual é o tratamento mais indicado? 
A.F.:
 Quando diagnosticado, o tratamento é a eliminação do leite e todos os seus derivados da dieta da criança. Para substituí-lo sem perdas nutricionais, a melhor escolha são os leites hidrolisados, vendidos em farmácias. Na maioria dos casos, a APLV desaparece naturalmente. A grande maioria dos alérgicos passa a tolerar o leite de vaca por volta dos 5 anos, mas existem casos em que o problema continua até a fase adulta.

C: Existe alguma forma de prevenção? 
A.F.: Os cuidados devem começar ainda na gravidez. Incluir alimentos ricos em vitamina A, D ácido fólico na dieta ajudam a prevenir alergias no bebê. Novos estudos mostram que a restrição de alimentos como peixe, ovo e amendoim não previne nenhum tipo de alergia no feto. Após o nascimento, a amamentação é a melhor forma de evitar problemas. Se possível, amamente a criança até os 6 meses de forma exclusiva. Se não puder, ofereça fórmulas (leite em pó) específicas para bebês de acordo com a faixa etária. O leite de vaca entra na alimentação somente a partir do primeiro ano completo.

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Mais sobre alergia à proteína do leite de vaca e intolerância a lactose



Por que a alergia ao leite é maior na infância?

A alergia surge basicamente devido a dois fatores: predisposição genética (do pai ou da mãe) e introdução de alimentos potencialmente alergênicos antes dos seis meses de vida.
Quando nascem, os bebês têm um sistema imunológico imaturo e dependem muito dos anticorpos do leite da mãe. O sistema digestivo não está preparado para substâncias que não venham do leite da mãe. O fator principal que causa a alergia é a introdução precoce na alimentação de substâncias que causam alergias.

Quais são os sintomas da alergia ao leite ?
Diagnosticar alergia às proteínas dos alimentos requer muitas análises por parte dos médicos. A alergia pode ocorrer em mais de um alimento e os sintomas são os mais diversos. Isto torna difícil distinguir se os sintomas são devidos à alergia ao alimento ou a outros problemas.

Os sintomas da alergia podem ser classificados em seis tipos:
Geralmente, mais de um sistema do corpo estão envolvidos nas reações alérgicas. Os sintomas gastrointestinais são os mais comuns. Como pode ser observado, as reações realmente são muito diversas, dependendo de cada caso. Os sintomas da alergia podem surgir imediatamente ou até várias horas ou dias após a ingestão do alimento.
Tipo 1 – Os sintomas iniciam dentro de 45 minutos da ingestão de pequenas quantidades do alimento, causando principalmente problemas na pele, eczema e urticária. Pode também apresentar problemas respiratórios (nariz escorrendo, chiado etc.) ou gastrointestinais (vômito e diarréia). Estas crianças normalmente têm concentração de IgE elevada.
Tipo 2 – Os sintomas iniciam diversas horas após a ingestão, Apresentando, principalmente,sintomas de vômito e diarréia.
Tipo 3 – Os sintomas aparecem depois de 20 horas, ou até mesmo dias, após a ingestão,incluindo diarréia, com ou sem reações respiratórias ou na pele.

A alergia que se manifesta rapidamente tende a ser facilmente diagnosticada e é detectada no teste da pele. Por outro lado, a alergia que se manifesta muito depois da ingestão não é facilmente diagnosticada e tende a produzir doenças crônicas que. às vezes, não são relacionadas facilmente com sua causa.
O diagnóstico preciso, feito por um profissional, é essencial para que a causa seja determinada.

Qual é o tratamento para a alergia ao leite?
Quando uma criança apresenta sintomas de alergia a proteínas do leite, pode-se tomar diversas decisões, dependendo da gravidade do caso. Em crianças com poucos meses de vida, é muito difícil tomar decisões mais arriscadas (como experimentar outros alimentos), devido ao grande risco de problemas mais graves. Se a criança estiver apresentando alergia ao leite materno é possível, sob supervisão médica, retirar todos os alimentos que contêm leite (leite, queijos, iogurte, etc.) da alimentação da mãe. Isto em razão de alguns segmentos de proteínas que tem sítios alergênicos ativos poderem estar passando para o leite materno. Neste caso, deve-se complementar a alimentação da mãe com produtos ricos em cálcio, em proteínas de boa qualidade, em vitaminas etc., para evitar outros problemas. Durante a gestação, não é necessário que a mãe faça restrição da dieta devido a possíveis problemas alérgicos futuros.
Quando a alergia for diagnosticada, o alimento que a está causando deve ser eliminado da alimentação da criança. É importante observar que, em alguns casos, a própria mãe pode estar consumindo as proteínas com sítios alergênicos, e passando-os para o próprio leite. Neste caso, deve-se eliminar estes produtos da alimentação da mãe. Esta é uma decisão muito séria e não deve ser tomada sem que haja uma certeza da causa do problema, pois o leite é um excelente alimento para as mães em lactação.
Se o leite de vaca na alimentação da mãe for o problema, a mãe deve ler os rótulos dos alimentos, pois mesmo uma pequena quantidade de proteínas do leite pode causar problemas. Produtos como margarina, biscoitos, produtos de confeitarias, carne processada (salame, cachorro quente) etc., podem conter leite. Se não houver melhoras, outras causas do problema devem ser investigadas pelo pediatra.
É importante que todos os sintomas e os alimentos consumidos sejam registrados em um livro próprio, incluindo a hora da ingestão e do aparecimento dos sintomas, para auxiliar os médicos na identificação dos alimentos envolvidos na alergia.
Se a retirada dos alimentos à base de leite da alimentação da mãe que está amamentando não resolver o problema, deve-se então tomar outras providências. Se a criança for muito nova, deve-se passar para um formulado onde todas as proteínas foram extensivamente hidrolisadas. Existem diversos produtos no mercado, incluindo o Alfare (Nestlé), Pregestimil (Mead Johnson), e Nutramigen (Mead Johnson), que são considerados hipoalergênicos (baixa probabilidade de provocar alergias), e podem ser encontrados em muitas farmácias. Entretanto, eles têm custo elevado e gosto desagradável. Mas têm grande probabilidade de resolver o problema de alergia na maioria dos casos.

A alergia ao leite pode ser prevenida ou postergada?

Em crianças com mais de cerca de 2 anos, se o pediatra recomendar,
pode-se experimentar alguns alimentos por alguns dias, observando os sintomas com muito cuidado para evitar problemas mais graves. Se os sintomas aparecerem, deve-se interromper imediatamente a alimentação com estes produtos. A ordem que normalmente é usada é a seguinte:
- Primeiro, trocar o leite de vaca por leite de cabra, pois o leite de cabra apresenta uns dois ou três sítios alergênicos diferentes do leite de vaca. Se, por sorte, a reação alérgica for contra um destes sítios o problema está resolvido. As chances de sucesso são de cerca de 10%.
- Se o leite de cabra não resolver, tentar, então, o leite de soja. Este apresenta diferenças quando comparado ao leite de cabra e as chances da alergia acabar são maiores, estando em torno de 50 %. Neste caso, deve-se usar leite de soja enriquecido ou complementar a alimentação com sais minerais e vitaminas. O leite de soja pode ser uma opção para ser usada em crianças com reações alérgicas mediadas pela IgE, mas não pelas outras reações alérgicas.
- Caso o leite de soja não resolva o problema, pode-se tentar formulados de proteínas parcialmente hidrolisadas (Nan-HA, por exemplo), devido ao seu menor custo em relação aos formulados com proteínas extensivamente hidrolisadas. A alergenicidade do formulado com proteína parcialmente hidrolisada varia e, em muitos casos, as reações alérgicas podem não ser evitadas. Desta forma, os formulados com proteínas parcialmente hidrolisadas não deve ser experimentado em crianças de alto risco, com idade até de 12 meses, apresentando alergia à proteínas do leite. Alguns formulados com proteínas parcialmente hidrolisadas contêm lactose, devendo ser evitados por crianças com intolerância à lactose. Deve-se tomar muito cuidado com formulados com proteínas parcialmente hidrolisadas, pois vários casos de choque anafilático já ocorreram nos EUA com esse produto.
- Quando todos os produtos anteriores apresentarem problemas, pode-se usar os formulados com proteínas extensivamente hidrolisadas, pois eles apresentam poucos problemas de alergia, e têm sido usados com sucesso na maioria dos casos de alergia a proteínas.
- Finalmente, pode-se usar um formulado contendo um complexo de aminoácidos, que é recomendado para os casos extremos de alergia (Neocate).

Quais são os perigos de remover o leite de vaca da dieta?
A eliminação do leite e outros produtos de laticínios da dieta pode resultar em nutrição inadequada, a menos que substitutos apropriados sejam utilizados. Cerca de 70 % do cálcio da alimentação humana vêm do leite e de derivados. Além disso, o leite também contribui com proteínas de ótima qualidade, diversas vitaminas e energia.
As crianças geralmente deixam de ser alérgicas ao leite até cerca de seis anos. Neste caso, os produtos de laticínios devem ser tentativamente reintroduzidos na dieta a cada 6-12 meses, sob supervisão médica, para reduzir ao mínimo possível as restrições alimentares.

O leite pasteurizado homogeneizado é mais alergênico do que o leite cru?
Parece que não. As crianças com alergia às proteínas do leite de vaca mediadas por IgE apresentam a mesma reação ao leite cru e ao leite pasteurizado, homogeneizado ou não.

A alergia às proteínas pode desaparecer?
A maioria das crianças deixa de ser alérgicas ao leite: cerca de 60 % aos quatro anos e cerca de 80 % aos seis anos. Alguns pacientes podem ter as reações alérgicas por toda a vida. Se o leite for excluído da dieta por dois a três anos, a criança então tem cerca de 80 % de chances de tolerar leite em pequenas quantidades.
As crianças que ficam alérgicas após os três anos de vida têm a tendência de se manter alérgicas por mais tempo. Estudo tem sugerido que, aproximadamente, um terço das crianças e adultos perde a condição de alérgicos após evitarem os produtos de laticínios que causam a alergia por dois ou três anos. Entretanto, os pacientes com hipersensibilidade a amendoim, nozes, peixes e crustáceos raramente perdem sua condição de alérgicos. Além disso, estes quatro alimentos é que causam a maioria das reações alérgicas que podem causar a morte por choque anafilático.
O tempo necessário para a alergia desaparecer depende da severidade da reação inicial. As crianças que apresentaram sintomas de reações sistêmicas geralmente deixam de ser alérgicas depois daquelas que apresentavam sintomas de urticária em volta da boca.

Como a alergia pode ser diagnosticada?
A alergia pode ser diagnosticada por intermédio de diversos testes, incluindo os seguintes:
1. Teste de supressão: Suspensão do leite de vaca da alimentação e observação do desaparecimento dos sintomas. Se após a reintrodução do leite ocorrer o reaparecimento dos sintomas, o problema é de alergia.
2. Teste de provocação cutânea: Consiste em colocar pequenas gotas de leite diluído em água no antebraço ou nas costas e fazer um pequeno arranhão com uma agulha (esterilizada) na pele através da gota, verificando a reação ocorrida. Este procedimento deve ser realizado por um médico especializado. A reação de inchaço e de brilho depois de 15 minutos indica que o paciente é alérgico ao leite. Este método tem sido usado para testar se alguns alimentos (leite de vaca, leite de cabra) e formulados (proteínas de soja, hidrolisado de proteínas, hidrolisado de caseína) apresentam reações alérgicas na pele. O controle negativo é feito com solução salina e o controle positivo é feito com histamina. O tamanho da reação com a histamina normalmente é de 5 mm.
Este teste é mais barato do que o teste do sangue e pode ser feito no gabinete do médico. Entretanto, o teste da pele pode apresentar resultados errôneos quando realizado em crianças com menos de 18 meses.
3. Teste de sangue (RAST, ou RadioAllergoSorbent): Uma pequena amostra de sangue é retirada e enviada para um laboratório especializado. Porém, este teste não é perfeito, pois pode apresentar resultados falsos positivos e falsos negativos. Entretanto ele não causa riscos maiores para a criança e seria apropriado para crianças com história na família de reações alérgicas que podem causar choque anafilático.
Somente as reações ao leite que ocorrem após poucos minutos podem ser diagnosticadas com a da análise de sangue ou teste na pele, porque estes testes detectam a IgE que está envolvida na reação imediata. Cerca de 60% das reações ao leite são do tipo de reação tardia e, talvez, não apresentem resultados positivos nas análises de sangue ou pele.

Quais são os alimentos que podem causar alergia com mais freqüência?
O leite, ovo, crustáceos, peixes, nozes, trigo, frutas cítricas e amendoim são os alimentos que causam a maioria dos problemas de alergia. A alergia ao leite pode começar em qualquer idade, mas é mais comum em crianças com problemas de alergia na família. Felizmente, a alergia na maioria das crianças tende a diminuir ou desaparecer dos quatro aos seis anos.

Quais são os tipos de alimentos que uma criança comprovadamente alérgica pode consumir?
Antes de começar a oferecer à criança alérgica qualquer alimento diferente, é recomendável, por razões de segurança, que seja testada a antigenicidade do alimento. Pode-se utilizar um dos testes utilizados para determinar se o alimento pode causar alergias. Um formulado é chamado de “hipoalergênico” quando não causa sintomas alérgicos em pelo menos 90% de crianças comprovadamente alérgicas às proteínas do leite. Normalmente os seguintes tipos de fórmulas hipoalergênicas são utilizados:
1) Fórmulas com caseína e proteínas do soro hidrolisadas;
2) Fórmulas com outras proteínas hidrolisadas (carne e soja);
3) Fórmula com proteína de soja;
4) Fórmulas com carne de frango triturada;
5) Fórmula completa com aminoácidos misturados.
As fórmulas baseadas em caseína extensivamente hidrolisadas têm sido utilizadas por mais de 40 anos. Nestes formulados, a fonte de nitrogênio está presente na forma de peptídeos e aminoácidos livres. Eles apresentam baixas reações clínicas de alergia, têm sabor desagradável e são caros.

Os formulados com proteínas do soro extensivamente hidrolisadas são relativamente mais novos, sua fonte de nitrogênio são peptídeos e são mais palatáveis do que as formulas com caseína hidrolisada.
Os formulados com proteínas parcialmente hidrolisadas podem ser menos alergênicos do que o leite de vaca (menor percentual de alergia em uma mesma população), mas contêm polipeptídeos que podem causar sintomas de alergia em cerca de 50% das crianças que apresentam alergia às proteínas do leite.
Portanto, elas não são recomendadas para essas crianças.

Quais são os sintomas da intolerância à lactose?
Os sintomas mais comuns da intolerância à lactose são náusea, dores abdominais, diarréia ácida e abundante, gases e desconforto. A severidade dos sintomas depende da quantidade ingerida e da quantidade de lactose que cada pessoa pode tolerar. Apesar de os problemas não serem perigosos, eles podem ser bastante desconfortáveis.

Quais são os tipos de intolerância à lactose?
Existem dois tipos básicos de intolerância à lactose: a genética e a adquirida. A intolerância genética é maior em determinadas raças de seres humanos. Assim, são intolerantes genéticos à lactose cerca de 90% dos asiáticos (chineses, japoneses, filipinos, coreanos etc.), 75% dos negros, árabes, judeus, gregos cipriotas, esquimós, índios e cerca de 15 % dos europeus. A intolerância genética, entretanto, só aparece após alguns anos de vida, dois a três anos, por exemplo, apesar de haver raras exceções. Crianças de qualquer raça com menos de um ano, normalmente, são tolerantes à lactose. A intolerância aparece depois.

A intolerância adquirida ocorre quando houver fatores que possam causar doenças digestivas que promovem inchaço
das vilosidades do intestino, que escondem a lactase e não deixam que ela exerça a sua função de hidrolisar a lactose. Neste caso, os mesmos sintomas de diarréia abundante e gasosa também ocorrerão. O inchaço das vilosidades pode ocorrer devido, por exemplo, à ingestão de alimentos contaminados (intoxicação, por exemplo), diarréia infecciosa, doença celíaca e parasitas, que poderão causar irritação do intestino. As crianças, cujos intestinos são ainda delicados, são especialmente vulneráveis à intolerância adquirida.
Entretanto, quando o problema inicial for resolvido (irritação das vilosidades), a pessoa deixa de ser intolerante à lactose, pois a enzima poderá continuar a exercer normalmente a sua função. Nos casos de intolerância adquirida, o leite e outros alimentos que tenham lactose devem ser removidos da alimentação até a normalização do intestino. Afortunadamente, todos os bebes voltam a ser tolerantes à lactose após a cura do problema original.
A intolerância adquirida à lactose é, portanto, reersível, enquanto que a intolerância genética é irreversível.
Outro tipo de intolerância é aquele decorrente de cirurgias, quando, por exemplo, uma parte do intestino é removida. Neste caso, a quantidade de lactase no intestino pode se tornar insuficiente para hidrolisar a lactose, mesmo se, anteriormente à operação, a pessoa era tolerante à lactose.

Como se pode diagnosticar a intolerância à lactose?
A intolerância à lactose pode ser diagnosticada por diversos testes, incluindo:
1. O teste de tolerância, que consiste em fornecer lactose pura ao paciente e a concentração de glicose no sangue é monitorada por duas horas. Se a pessoa for tolerante à lactose a concentração de glicose no sangue aumenta, e se for intolerante ela aumenta muito pouco ou não aumenta. Este teste não é usado em crianças muito novas, pois a grande carga de lactose pode causar diarréia e desidratação, acarretando problemas sérios.
2. A monitoração da quantidade de hidrogênio nos gases exalados pela respiração, após a ingestão da lactose. O hidrogênio é produzido pela fermentação da lactose pelas bactérias quando ela chega ao intestino grosso, onde não deveria chegar. O hidrogênio é absorvido pelo intestino, transportado pela corrente sangüínea até os pulmões e, então, exalado pelo ar que sai. Se o paciente consumir leite, por exemplo, e se a concentração de hidrogênio do ar exalado aumentar, isto indica que a lactose não foi propriamente digerida. Este teste não é usado em crianças muito novas, pois a grande carga de lactose pode causar diarréia e desidratação. Alguns medicamentos e alimentos, além de cigarro, podem interferir neste teste.
3. O teste da acidez das fezes é realizado para se determinar se a lactose chegou ao intestino grosso, o que produz ácido lático e outros ácidos que acidificam as fezes. Este teste é útil em crianças muito novas e pode fornecer alguma idéia se a criança é intolerante à lactose.

Quanto tempo leva para aparecerem os sintomas da intolerância à lactose?
Os sintomas podem levar de alguns minutos até muitas horas para aparecer. A peristaltase, ou seja, o movimento muscular que empurra o alimento ao longo do estômago pode influenciar o tempo para o aparecimento dos sintomas.

Como tratar a intolerância à lactose?
Felizmente, a intolerância à lactose é muito fácil de ser contornada. Nenhum tratamento existe para aumentar a capacidade de produzir lactase, mas os sintomas podem ser controlados pela dieta. Crianças muito novas que são intolerantes não devem comer alimentos com lactose. Mas a maioria dos jovens e dos adultos não precisa evitar a lactose completamente.
As pessoas diferem nas quantidades de lactose que podem ingerir: alguns podem tomar um copo de leite sem problemas, mas não podem tomar dois copos. Outros podem consumir queijos curados, mas não podem consumir queijos frescos. O controle da dieta para as pessoas intolerantes depende de se experimentar os limites que cada um suporta, usando a tentativa e erro.
Para aquelas pessoas que reagem a pouca quantidade de lactose, é possível encontrar no mercado leite cuja lactose foi hidrolisada na indústria, antes de ser comercializado. Já existe no mercado brasileiro leite UHT hidrolisado, ou com baixo teor de lactose, sendo produzido por diversas empresas. Este tipo de leite é semelhante ao leite UHT, com sabor normal, contendo todos os nutrientes do leite, apesar de ser um pouco mais doce. Já existe também o leite hidrolisado em pó. O leite hidrolisado pode ser usado para fazer iogurte, bolos, pudins etc. e não causará problemas de intolerância.
Um desenvolvimento recente são pastilhas mastigáveis contendo lactase, que ajudam as pessoas a digerir alimentos sólidos contendo lactose. Três a seis tabletes são ingeridos antes da ingestão do produto contendo lactose.

O que é a lactose “escondida”?
A lactose pode ser ingrediente de diversos alimentos, e as pessoas que apresentam tolerância muito baixa à lactose podem apresentar os sintomas, mesmo quando ingerirem quantidades muito baixa. Deve-se ler com atenção os rótulos dos alimentos, incluindo os ingredientes. Preste atenção em subprodutos do leite, incluindo, soro, leite em pó etc.

Eu tenho intolerância à lactose, eu deveria desistir dos produtos de laticínios?
Certamente não. Além de não ser necessário, não é uma boa idéia. Adultos e crianças precisam dos nutrientes do leite para se manter saudáveis. Existem diversos meios de você se alimentar de produtos de laticínios sem apresentar os desconfortos da intolerância. Tente descobrir seu próprio nível de intolerância à lactose. Experimente beber pequenas quantidades de leite de uma vez e, então, beba mais vezes durante o dia. Beba o leite com outros alimentos e não com o estômago vazio. O leite integral é melhor tolerado porque ele é digerido mais lentamente do que o leite desnatado. Produtos como o iogurte e queijos curados podem ser melhor tolerados. Experimente o leite hidrolisado.


Texto:
Sebastião Cesar Cardoso Brandão, Engenheiro Químico, Ph.D. Laticínios
Colaboração:
Milede Abdo Lacerda Matedi, Médica Pediatra
Maria das Graças Lacerda Oliveira Cardoso, Econ. Dom., Especialista em Saúde Pública

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Alergia ao leite de vaca e ao materno também??

  Decidi postar sobre ao assunto após encontrar uma amiga querida, que não via a anos. Ela me disse que sua bebezinha, de 5 meses, tinha alergia à proteína do leite de vaca e que tinha que comprar leite especial recomendado pela pediatra. Me disse com muito pesar, que ainda tinha leite e que estava tentando secá-lo. 



O leite materno, sem dúvida, é a melhor opção para a alimentação de lactentes. É o melhor alimento para o lactente até pelo menos aos seis meses de vida, não sendo necessária nem a suplementação com outros alimentos. Depois, pode-se introduzir alimentos apropriados para a idade, sólidos ou líquidos, com a continuação do aleitamento materno.
As vantagens do aleitamento materno são indiscutíveis, incluindo as imunológicas, nutricionais, fisiológicas, odontológicas, e psicológicas.


Alergia a proteína do leite de vaca




A alergia às proteínas envolve princípios completamente diferentes da intolerância à lactose. Não existe alergia à lactose, pois, sendo um açúcar, a lactose não apresenta alergenicidade. Diversas proteínas podem causar alergia, incluindo as do leite, do ovo, do trigo e do amendoim, dentre outras. Entretanto as proteínas do leite e as do ovo são as que causam maiores problemas às crianças de pouca idade.
Nas proteínas do leite existem mais de 30 sítios alergênicos, que podem causar problemas. O que ocorre na alergia é a produção de grandes quantidades de imunoglobulinas contra os sítios alergênicos, causando reações as mais diversas.
No caso da alergia, é muito difícil mudar os sítios ativos das proteínas, tornando-os inativos. A melhor forma é eliminar da alimentação as proteínas que contêm os sítios alergênicos ativos. Em alguns casos, ocorre também o que se chama de alergia cruzada, ou seja, os sítios alergênicos ocorrem também em proteínas de outros alimentos, além do leite de vaca.
A alergia verdadeira é uma reação envolvendo o sistema imunológico do corpo, com formação de anticorpos nas células brancas do sangue. O sistema imunológico combate os invasores estranhos ao corpo usando os anticorpos. Quando esses invasores são bactérias e vírus perigosos, a resposta imunológica é necessária e desejável. No caso da alergia às proteínas do leite, por outro lado, a resposta imunológica seria desnecessária, além de causar diversos problemas.

www.nutraceutica.com.br/crescerbem/Leite.htm




Alergia a proteínas do leite de vaca - Consenso


Em lactentes, deve-se priorizar a manutenção do aleitamento materno exclusivo até seis meses com introdução da alimentação complementar posterior a esta idade. Nessas condições, caso identificada uma alergia alimentar isolada ou múltipla, submete-se a mãe a dieta de exclusão com orientação nutricional adequada para ela e para a criança por ocasião da introdução dos alimentos complementares.

A utilização de fórmulas consideradas hipoalergênicas em situações de alergia à proteína do leite de vaca onde houve a interrupção do aleitamento materno é a alternativa preconizada. Segundo a Academia Americana de Pediatria (AAP), para ser considerada hipoalergênica, tal fórmula não deve causar reações alérgicas em até 90% das crianças com alergia ao leite de vaca, comprovação esta realizada em testes de provocação duplo-cego controlados com placebo, em estudos prospectivos e randomizados. Neste sentido, não são recomendadas as fórmulas parcialmente hidrolisadas, por conterem proteínas intactas do leite de vaca e, portanto, potencial alergênico; os preparados à base de soja em apresentações líquidas ou em pó (por não atenderem recomendações nutricionais para faixa etária e gênero e por não conterem proteínas isoladas e purificadas), assim como os produtos à base de leite de cabra, ovelha e outros mamíferos (pela similaridade antigênica).

As fórmulas atualmente disponíveis no mercado adequadas para crianças menores de um ano e que podem ter indicação no manejo dietético da alergia às proteínas do leite de vaca são:

1) fórmulas à base de proteína isolada de soja, com proteínas purificadas e suplementadas para atingir as recomendações nutricionais do lactente;

2) fórmulas e dietas à base de proteína extensamente hidrolisada (hidrolisados protéicos), compostas por peptídeos, sobretudo, e aminoácidos obtidos por hidrólise enzimática e/ou térmica ou por ultrafiltragem;

3) dietas à base de aminoácidos, as únicas consideradas não alergênicas.

As fórmulas à base de proteína isolada de soja não são recomendadas na terapia nutricional de crianças com alergia às proteínas do leite de vaca, tanto pela Sociedade Européia de Alergologia Pediátrica e Imunologia Clínica (ESPACI) quanto pela Sociedade Européia de Gastroenterologia, Hepatologia e Nutrição Pediátrica (ESPGHAN). A Academia Americana de Pediatria (AAP) sugere considerar tal fórmula nas alergias mediadas por IgE.

As fórmulas à base de proteína de soja apresentam algumas diferenças em sua composição quando comparadas a fórmulas poliméricas à base de leite de vaca: maior conteúdo protéico (2,45 a 3,1g/100 kcal) devido ao menor valor biológico de suas proteínas, são isentas de lactose, contêm fitatos (cerca de 1 a 2%) e oligossacarídeos que interferem na absorção do cálcio, fósforo, zinco e ferro (os níveis de cálcio e fósforo, por exemplo, são superiores em 20% às fórmulas com proteína do leite de vaca), contêm glicopeptídeos da soja interferem no metabolismo do iodo, conteúdo mais elevado de alumínio e presença de fitoestrógenos (isoflavonas, genisteína e daidzeína). O National Toxicology Program of US Department of Health and Human Services (http://cerhr.niehs.nih.gov/chemicals/genistein-soy/genistein/genistein-eval.html), nos Estados Unidos, realizou recentemente reunião de especialistas e concluiu que a possibilidade de eventos adversos a longo prazo ou discretos sobre o desenvolvimento ou reprodução humana não pode ser descartada, isso porque embora eventos dessa natureza não tenham sido descritos após mais de 40 anos do uso de fórmulas naquele país este assunto nunca foi estudado de forma adequada.
Nas hipersensibilidades não mediadas por IgE e manifestadas como colites, enterocolites ou esofagites, o risco de sensibilização simultânea à soja pode chegar a 60%, não sendo, portanto, rotineiramente recomendado o seu uso, exceto em formas clínicas leves ou nas fases mais tardias de tratamento em algumas situações, após, no mínimo, seis a oito semanas de uso de dietas à base de proteína extensamente hidrolisada ou à base de aminoácidos.

Por apresentarem eficácia em 80 a 90% dos casos, as dietas à base de proteína extensamente hidrolisada (hidrolisados protéicos) são recomendadas, especialmente nas formas não mediadas por IgE, por todas essas sociedades científicas internacionais americanas e européias, incluindo a Academia Americana de Alergia, Asma e Imunologia (AAAAI) e o Colégio Americano de Alergia, Asma e Imunologia (ACAAI). Apenas uma pequena proporção de crianças, entre 5% e 10%, também demonstrarão alergia a tais dietas, e podem apresentar reações alérgicas em resposta à presença de resíduos alergênicos.

Crianças com persistência dos sintomas em uso de dieta extensamente hidrolisada (alergia ao hidrolisado protéico) ou síndrome de má absorção grave com intenso comprometimento da condição nutricional (escore z de peso para a estatura inferior a 2 desvios-padrão) são consideradas prioritárias para o uso das fórmulas à base de aminoácidos. Após a recuperação do quadro e da função intestinal, poder-se-á cogitar a possibilidade de substituição pelas fórmulas extensivamente hidrolisadas.

A introdução dos alimentos complementares para a criança com alergia ao leite de vaca deve ser parcimoniosa, com período de observação mínimo de 15 dias após introdução de cada alimento, especialmente aqueles contendo proteínas, e seguir a preconização proposta pela Sociedade Brasileira de Pediatria para crianças saudáveis evitando-se restrições desnecessárias que podem comprometer o estado nutricional.

Evolução
O tempo de duração da dieta de exclusão tem como variáveis a idade do paciente ao iniciar o tratamento e sua adesão a esse, os mecanismos envolvidos e as manifestações apresentadas e o histórico familiar para alergia. Admite-se que a maioria das crianças desenvolverá tolerância clínica nos primeiros três anos, embora este percentual possa ser variável. Para a alergia ao leite de vaca, preconiza-se que a dieta de exclusão seja, no mínimo, de seis a doze meses. Crianças com colite alérgica, diagnosticada antes dos seis meses de idade, podem vir a tolerar a reintrodução do alimento seis a oito meses após a dieta de exclusão. Recomenda-se postergar a exposição ao alimento, quando as reações envolvidas são mediadas por IgE. A tolerância clínica ocorre para a maioria dos alimentos exceto para o amendoim, nozes e frutos do mar, que geralmente persistem durante toda a vida do indivíduo.

Fórmulas infantis à base de proteína isolada de soja para menores de 1 ano: 

aptamil soja 1 e 2, Enfamil ProSobee Premium, Isomil, Nan Soy, Nursoy


Fórmulas e dietas extensamente hidrolisadas para lactentes: 

Alfaré: proteínas do soro de leite extensamente hidrolisadas (peptídeos 80%) + 20 % aminoácidos livres

Pregestimil Premium: 100% caseína hidrolisada (40% peptídeos e 60% de aminoácidos)

Pregomin: proteínas de colágeno (40%) e soja (40%) extensamente hidrolisadas e 20% aminoácidos livres

Dieta à base de aminoácidos para lactentes: 

AminoMed: 100% aminoácidos livres

Neocate: 100% aminoácidos livres

Fórmulas para crianças acima de 1 ano
Extensamente hidrolisadas: 

Peptamem Júnior: 100% proteínas do soro de leite hidrolisadas

Fórmula de aminoácidos: 

Vivonex Pediatric Sachê: 100% aminoácidos livres

Esquema da Sociedade Brasileira de Pediatria para bebês abaixo de 2 anos com suspeita de alergia à leite de vaca:

- para bebês amamentados: 

Em lactentes, deve-se priorizar a manutenção do aleitamento materno exclusivo até seis meses com introdução da alimentação complementar posterior a esta idade. Nessas condições, caso identificada uma alergia alimentar isolada ou múltipla, submete-se a mãe a dieta de exclusão com orientação nutricional adequada para ela e para a criança por ocasião da introdução dos alimentos complementares.

- para bebês não amamentados:


Fonte: Consenso Brasileiro sobre Alergia Alimentar: 2007, Documento conjunto elaborado pela Sociedade Brasileira de Pediatria e Associação Brasileira de Alergia e Imunopatologia
http://www.sbai.org.br/revistas/vol304/ART%202-08%20-%20Consenso%20Brasileiro%20sobre%20Alergia%20Alimentar%20-%202007.pdf
Síntese feita por Luciana Freitas da comunidade no orkut  'Meu filho é alergico à leite'




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