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segunda-feira, 26 de setembro de 2022

Preciso de um Plano de Amamentação?

Antes de tudo, quero dizer que é maravilhoso estar por aqui novamente!! Espero que gostem dos assuntos que vou trazer para este canal. Não deixem de comentar, quero conhecer cada uma de vocês! Beijos!


Além do Plano de Parto, eu preciso de um Plano de Amamentação?


Sim! Na minha experiência com o auxílio prestado a amamentação, na grande maioria dos hospitais, não se dá o devido suporte para a puérperas, no quesito amamentação, enquanto estão dentro da instituição.

É um aperta daqui, "não tem colostro" dali, "ele tem que mamar, mãezinha" acolá, e o real suporte NÃO ACONTECE!

Parece até que muitos profissionais acham que auxiliar a posicionar o bebê, ensinar a mãe a estimular a abertura da boca da criança ou até mesmo ensinar uma massagem e ordenha, é um favor.

NÃO É UM FAVOR! Faz parte da assistência no Puerpério. Sim, o tão esquecido e negligenciado Puerpério.

Os profissionais devem entender de amamentação para prestar o suporte básico a essa puérpera. Ou então a instituição deve se abrir a parcerias com Consultoras/es em Lactação.

Portanto, não custa nada acrescentar uns itens no plano de parto, e colocar o que gostaria e o que não gostaria de receber no suporte com a amamentação.








Se precisar de ajuda com amamentação é só me chamar! 🥰🙏🏻

AnaLu Muñoz 💋
🤰🏼  Educadora Perinatal
🤱🏾 Consultora em Amamentação
👶 Consultora em Desmame Gradual

quinta-feira, 26 de maio de 2016

Cursos Online e E-books MATERNA

E- BOOK  DE ALIMENTAÇÃO NA GESTAÇÃO E AMAMENTAÇÃO



E-book elaborado por uma Nutricionista Materno infantil, com informações atualizadas e evidenciadas. Este material oferece uma noção de como deve ser, em um aspecto geral, a alimentação na gestação e amamentação. Ele é informativo e não dispensa o acompanhamento de um Nutricionista.


Quem tiver interesse em adquirir o e-book deve mandar mensagem para o email: maternaespacodeacolhimento@gmail.com . Fazer pix no valor de 49 reais e enviar o comprovante. 

Assim que isso for feito o e-book será enviado para o seu e-mail.


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E-BOOK DE PREPARAÇÃO PARA O PARTO CONSCIENTE

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E-book de excelente qualidade, que passa informações atualizadas e de acordo com a Organização Mundial da Saúde, baseada em evidências cientificas. Neste material são abordados temas como aspectos psicológicos da gestação e parto, fisiologia do parto, posições e técnicas de alivio da dor, dicas de alimentação, dias para um pós parto tranquilo e amamentação, alguns passos para o sucesso. 


Foi elaborado por AnaLu Muñoz, Doula e Educadora perinatal e Terapeuta holística.


Interessados em adquirir o E- book devem entrar em contato pelo e-  mail: maternaespacodeacolhimento@gmail.com, fazer PIX no valor de 75 reais e enviar o comprovante. O envio do e-book será no mesmo dia.


Quaisquer dúvidas entrar em contato!

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domingo, 14 de junho de 2015

Fisiologia do Parto

No último encontro de gestantes, falamos sobre a Fisiologia do Parto. O tema foi conduzido pela enfermeira obstetra e também doula, Adriana de Lima Mello. Para quem não pode comparecer ou quer relembrar um pouquinho do que foi discutido, segue um resumo feito por ela com carinho para você!!

Fisiologia do Parto

por Adriana de Lima Mello
 Enfermeira Obstetra, Doula e Educadora Perinatal

O parto é um processo involuntário conduzido por partes “arcaicas” do cérebro portanto, quando uma mulher está em trabalho de parto, a parte mais ativa de seu corpo é o cérebro - primitivo, o sistema límbico: hipotálamo e a hipófise, que nós compartilhamos com todos os mamíferos. O neocórtex (parte racional de nosso cérebro) é quem é capaz de nos inibir durante este processo.

Para parir a mulher libera um coquetel de hormônios; ocitocinaresponsável pela contração uterina e ejeção de leite - HORMÔNIO DO AMOR; endorfinas responsáveis pela diminuição da sensação dolorosa; prolactina; responsável pela produção de leite; ACTH (hormônio adreno - corticotrófico) em reposta aos hormônios que o feto libera, mostrando que está pronto e desencadeando as ações hormonais do corpo materno;prostaglandinas que preparam o colo uterino e o útero para responder a ocitocina com a dilatação.

Qualquer situação que estimule a produção de hormônios da família da adrenalina, estimula a atividade do neocórtex e pode inibir o processo do parto. O que pode desencadear a produção de adrenalina?? Frio, mau humor, medo, auto piedade, conflitos situacionais, dúvidas e inseguranças, distrações, falta de privacidade, vergonha, excesso de toques, expectativas, internação precoce, preocupações, conversas excessivas (incluindo perguntas), ambiente muito iluminado, barulhento.

Podem existir dois ciclos rondando este processo de trabalho de parto e parto: 

NEGATIVO – Medo – Dor – Tensão
POSITIVO – Aceitar – Aproveitar –Relaxar


Portanto a mulher em trabalho de parto necessita do respeito a fisiologia de seu corpo, precisa ser permitida e permitir seu corpo agir. Para isso é necessário: sentir-se protegida, segura e apoiada, confortável, relaxada, estar em um ambiente aconchegante, quente, agradável com penumbra e silêncio, ter privacidade, não sentir-se observada e ter liberdade.

A dilatação e o nascimento acontecem em diversas fases e forma progressiva, é comum mulheres terem contrações que podem se manter durante horas e depois passar, podem ser incômodas ou tão fracas que você pode continuar fazendo as atividades do dia a dia, chamamos isso de “falso trabalho de parto” ou “pródomos de trabalho de parto” O importante neste momento é descansar, se alimentar, segurar a ansiedade, aproveitar os últimos momentos de barrigão e... NÃO ficar triste pois estas contrações são importantes e úteis para: a centralização do colo, o amolecimento do mesmo, a insinuação e descida do bebê na pelve materna , etc.

Podem ocorrer também: perda do tampão mucoso – secreção espessa, consistente com ou sem raias de sangue – pode acontecer no início do TP ou durante o TP. As vezes depois da perda do tampão o trabalho de parto pode demorar alguns dias para ser efetivo; rompimento da bolsa – uma grande ou pequena quantidade líquido escorre pelas pernas, um rompimento cedo da bolsa (fora de trabalho de parto) ocorre em 6 – 19% dos partos a termo ( idade gestacional maior que 37 semanas) e então 70% dessas mulheres darão a luz em até 24h e outras 30% em 48h,importante comunicar o médico e/ou sua parteira; uma dor contínua e maçante na região lombar, que pode ser causada pelas contrações uterinas ou uma diarréia, pois existe uma tendência natural de esvaziar o intestino no período que antecede o início do trabalho de parto.

O trabalho de parto se divide “didaticamente” em duas fases:

FASE LATENTE: dilatação entre 2 a 3 cm; o colo do útero mais afina do que dilata, com duração média de 8 horas em mães de primeira viagem e 5 horas em mães com mais de um parto. As contrações acontecem a cada 20 ou 30 min com duração de 20 a 30 segundos.
O que fazer neste momento?? Conversar com sua doula, obstetra ou parteira, alimentar-se, descansar, passear, enfim...aproveitar e economizar energia para a próxima etapa.

FASE ATIVA: dilatação maior ou igual a 4cm, aumentando progressivamente; o colo do útero mais dilata do que afina; com duração média 6 a 12 horas, as contrações aumentam  progressivamente até que na fase final de dilatação chegam a ter intervalos de um minuto e meio e podem durar cerca de 60 a 90 segundos.
O que fazer na fase ativa do trabalho de parto?? Ter a companhia de sua doula, familiares de seu desejo, estar em um ambiente calmo, familiar, aquecido, aconchegante, tomar uma ducha gostosa, ficar na banheira, dançar, ouvir música, se alimentar, fazer exercícios na bola, caminhar, receber massagens, gritar, enfim... o que você tiver vontade: permita o seu corpo!!!

O parto é dividido “didaticamente“ em 4 períodos:
Dilatação que é trabalho de parto, o expulsivo que inicia-se com 10 cm e presença de vontade de empurrar (puxos) e se entende até saída do bebê; a dequitação que inicia-se após o nascimento do bebê até o término do desprendimento da placenta e o período de Greenberg que é um período de recuperação e contração do útero, para que não aconteça hemorragia, se estende a 1 hora após o término do parto (saída da placenta), momento em que se procede os cuidados como medicações e sutura se necessário. Portanto como podemos ver o parto só termina quando a placenta sai.

A adrenalina que nós queríamos lá no início do trabalho de parto, agora é muito bem vinda pois, têm um papel de interação entre mãe e bebê após o parto e durante as últimas contrações antes do nascimento, seu nível de adrenalina se eleva bruscamente, é por isso que assim que se iniciam os PUXOS as mulheres ficam ALERTAS, tendem a optar pela posição vertical, cheias de energia e com uma súbita necessidade de se agarrar a alguém ou algo. Para o bebê o afluxo de noradrenalina possibilita que se adapte a privação de oxigênio, e que esteja alerta ao seio da Mãe. O bebê ativo abre os olhos e busca o contato com a Mãe, o que libera mais ocitocina, fundamental para os momentos seguintes do processo como dequitação da placenta e amamentação.

O coquetel de hormônios necessário para o nascimento está em nosso corpo e quando protegemos a fisiologia permitindo o corpo atual, percebemos o quão é importante para o nascimento, desenvolvimento do bebê e vínculos afetivos. Atualmente a rotina hospitalar atual é caracteriza por um violência ( frio, luz forte, manuseio grosseiro, isolamento). O bebê é induzido desnecessariamente a um estado estresse, que provoca a liberação de cortisol que pode prejudicar o desenvolvimento cerebral. Em contra partida no processo de nascimento fisiológico a Mãe secreta endorfinas e hoje sabemos que o bebê também, portanto logoapós o parto o cérebro dos dois estão impregnados de opiáceos e dopaminas que induzem dependência e vínculo.

Optar e se preparar para um trabalho de parto e parto ATIVOS e de forma NATURAL é ser respeitada, permitir-se fazer o que tiver vontade; ser instintiva; mudar de posições, entregar-se, assumir posições verticais que ajudam a aumentar a dimensão da pelve, a gravidade ajuda a descida do bebê, rotação interna do bebê e circulação sanguínea útero-placentária. E acima de tudo ter autonomia sobre o seu corpo e ter co-reponsabilidade no processo do nascimento de sua família.

Optar por intervenções é assumir riscos, começando pelo risco de precisar de mais de uma intervenção, o uso de hormônios sintéticos (ocitocina), medicações (anestésicos ou analgésicos) e condições de atendimento e ambiente não adequadas podem interferir e/ou interromper a rede fisiológica hormonal e a sequencia do trabalho de parto e parto. Os hormônios sintéticos causam efeitos físicos em determinadas partes do corpo, mas não comportamentais como os produzidos pelo próprio cérebro. A ocitocina materna atravessa a placenta e entra no cérebro do bebê durante o trabalho de parto, agindo para proteger as células cerebrais fetais “desligando-as” e diminuindo o consumo de oxigênio, em um momento em que os níveis de oxigênio disponíveis para o feto são NATURALMENTE baixos. A ocitocina sintética, porém, não têm a capacidade de ultrapassar a parede placentária portanto, não atingirá o organismo do bebê.

Acredite no seu corpo, dedique-se a você, leia, participe de grupo e busque os melhores profissionais e alternativas para o seu parto. VOCÊ PODE!!!


Bibliografia:

- Parto Ativo - Janet Balaskas. Ed. Ground

- WorkShop: “ Parto como escapar das armadilhas” – Michel Odent.Julho de 2011, São Paulo. Anotações pessoais: Adriana de Lima Mello

- A cientificação do Amor – Michel Odent

- Parto, aborto e puerpério – Ministério da Saúde.

Retirado do blog do Grupo Vinculo

domingo, 24 de maio de 2015

Relato do parto humanizado da Cíntia pela doula



Cíntia entrou em contato comigo através do meu e-mail em outubro de 2014, me dizendo que acompanhava meu Blog, A Doula Nutri, e queria uma consulta nutricional, pois estava grávida e queria se alimentar melhor. E também saber como funcionava o acompanhamento como doula. Marcamos nossos primeiro encontro em minha casa e ali ela deixou claro que gostaria de ser respeitada em seu parto e que a médica que a acompanhava na gestação não parceia em prol do parto normal. Dei indicações de obstetras humanizados para que ela entrasse em contato.

Foi um pouco difícil, mas ela conseguiu marcar uma primeira consulta com a Dra Karla Browers, e ficou radiante de conseguir um profissional humanizado, pois as alternativas da nossa cidade não estavam boas. Durante o pré natal passei todas as informações atualizadas, sobre fisiologia do parto, emoções durante o parto, passei visualizações, informações sobre aleitamento materno, enfim, tudo que fosse necessário para deixar Cíntia segura de si e de suas decisões. Também elaboramos o plano de parto, que é um documento no qual se coloca todos os desejos do casal no trabalho de parto, parto e pós parto, juntamente com os cuidados com recém nascido. Papai Éder participou dos encontros e sempre apoiou a mulher nas decisões.

Cíntia teve que ficar de repouso uns dias, pois tinha dilatação e algumas contrações, não estava no tempo ainda do JP nascer. Com o repouso ficou tudo bem e JP esperou ainda a doula voltar das férias para começarmos os trabalhos. No dia 04/03 fui a casa deles para fazermos um ritualzinho para se despedir da barriga. Fiz a Eco de doula, que nada mais é que uma pintura intuitiva do bebê. Massageei as costas e pés da Cíntia e rolou um escalda pés gostoso. Dia 06 fecharia as 40 semanas e estavam todos ansiosos.

Dia 08 pela madrugada, Cíntia me manda um wats dizendo que havia começado. Cheguei  na casa deles lá pelas 9 hs, as contrações estavam entre 7 minutos, durando as vezes mais, as vezes menos que 1 minuto. Ela estava lidando bem com o desconforto das contrações e muito ansiosa para ver seu bebê. Assim como o papai, que sempre a incentivou. Durante o tempo que ficamos em casa, Cíntia foi para o chuveiro, se agachava, usava a bola, comeu, tentou dormir.






Pelas 15 hs com contrações ritmadas, de 5 em 5 minutos, e com a dor incomodando, saímos para o Hospital Mãe de Deus. Durante o trajeto elas espaçaram um pouco. Quando chegamos ao hospital entrei junto com ela no CO, enquando Éder aguardava a avaliação da Cíntia. Foi avaliada e estava com 3 cm, o que a desanimou um pouco, mas pedi que ela mantivesse o foco, que agora era o momento de se entregar. Papai foi fazer a internação já que a Dra pediu para ela ficar, morávamos em outra cidade.

Cíntia foi acomodada na sala de parto, ficou do jeito que se sentiu mais comoda, de top e calcinha. Depois de respondidas todas as perguntas, pedimos a bola e podemos ficar tranquilas, trabalhando. Logo papai chegou e começou a apoiar sua mulher em cada contração.

Tempinho depois Dra Karla chegou e fez um exame de toque, 6 cm de dilatação! O que deu  um animo em todos! Cíntia ia pra bola, caminhava, voltava pra bola. Dra Karla pediu que preparassem o chuveiro na sala de exames e Cíntia foi relaxar na água quente. Ficou bastante tempo no chuveiro recebendo apoio do marido. Durante o trabalho de parto recebeu 3 doses de antibiótico para a bactéria streptococcus B, isso a deixava incomodada, pois tinha que manter a veia e cuidar, não tendo muita liberdade para se posicionar.




A noite foi feito outro exame de toque que constatou 8 cm de dilatação, mas Cíntia já estava exausta. Não conseguia, relaxar, dormir e qualquer coisa a irritava. Então ela pediu analgesia. A lembramos que ela não queria, conforme estava no plano de parto, mas ela insistiu. Foi combinado que ela tentaríamos mais um pouco, mudamos posição, chuveiro, mas nada a fazia relaxar. Foi feito novo exame e estavam os mesmos 8 cm. O anestesista foi chamado, e a Dra Karla a lembrou que uma intervenção levava a outras. Ela deu o “ok” para continuar, foi dada a analgesia e aplicado ocitocina. Ela conseguiu descansar bastante, dormiu.

Acordou renovada e disposta a trazer seu filho. Foi para bola, para banqueta, e um tempo depois 9-10cm, um rebordo atrapalhando, que a Dra Karla ajudou a sair dali. JP continuava alto, então tínhamos que fazer ele descer. Bola, banqueta, banqueta, faz força na contração, muda de posição e o menino começou a descer. Cíntia teve que ser guiada, pois não sabia onde fazer a força, devido analgesia. Decidiu que iria ficar sentada na maca, ali ficou, força, relaxa, força, relaxa... Dra Karla sugeriu de fazer episiotomia para a cabeça sair e Cíntia deu seu consentimento.



Mais força e JP nasceu, as 5:14 do dia 09/03, pesando 3580 gramas e medindo 50 cm, bochechudo como a doula tinha intuído! Foi posto direto no colo da mãe, pele a pele e acarinhado pelo pai, chorando gostoso. Depois levado para avaliação, não foi posto colírio de nitrato de prata (Cíntia havia feito exame de gonorreia para não haver a possibilidade de aplicarem “preventivamente” o colírio) e nem aspirado, como constava no plano de parto. Em seguida voltou para o colo da mamãe, foi posto ao seio, mas ele só deu umas lambidas. Foi para o colo do papai. Depois veio um pouquinho com a doula babona, para mamãe descansar.




Quero agradecer a Cíntia e Éder por esta maravilhosa volta as doulagens. Foi intenso, cansativo, compensador e lindo. JP é um anjo lindo! Muito amor e leitinho para vocês. Contem comigo sempre que precisarem.

Gratidão a Dra Karla pelo respeito que teve com a Cíntia em todos os momentos.


Gratidão ao Universo por esta missão maravilhosa!

segunda-feira, 6 de outubro de 2014

Relato de parto domiciliar da Analu e nascimento do Joaquim

Colocar as primeiras palavras sobre um evento que mudou minha vida totalmente, é emocionante demais. Colocar cada palavra aqui vai ser um misto de alegria e saudade, mas também lembranças tristes e de superação. Vou começar pelo comecinho, quando vi as 2 listras no teste de farmácia e minha vida deu uma guinada de 180 graus. Fiquei radiante ao ver o positivo pois estava saindo de um luto, uma perda de 7 meses. Na verdade engravidei na época que estaria parindo meu outro filho, a emoção bateu forte. Logo fizemos uma ecografia e la estava o embriãozinho de +/- 6 semanas, e tudo estava indo bem. Não sei bem em que momento me perdi... cai em depressão profunda (ai já começavam os ensinamentos que eu tinha que aprender, profundos e transformadores), foram dias tristes, de muito sofrimento e aprendizado, mas por causa do amor da minha família e apoio de amigos, fui conseguindo sair aos poucos dessa. Logo tudo se normalizou, a felicidade e amor imperavam em minha casa.Os manos eram só alegria e entusiasmo, loucos para conhecer o irmão!

Assim que foi possível voltei a praticar Yoga e assim foi quase toda a gestação. A prática me acalmava, me dava equilíbrio e tranquilidade, e me fez adquirir um pouco mais de autoconhecimento. Fui fundamental na minha gestação.


Depois de muito pensar, avaliar as opções que tínhamos, tomamos nossa decisão quanto a equipe. Começamos o pré natal com o obstetra Ricardo Jones e com a enfermeira Neusa Jones, ambos se mostraram muito atenciosos e logo falamos de nossa intensão de realizar o parto em casa. Dados os valores, saímos de lá decididos a levantar este dinheiro. Minha doula já estava eleita desde a gestação anterior, seria minha amiga querida Juliana Pena, a qual temos uma relação muito sincera, verdadeira. 

Cheguei em casa depois da consulta pensando em várias formas de juntar a grana. Comecei a tentar vender meus produtos mais e mais. Tive a ideia da vakinha com doações espontâneas a causa, fiz 2 rifas, tive ajuda de amigas com mais rifas e promoções. Embora com muitas pessoas ajudando, e eu economizando daqui e dali, não teria conseguido a grana sem a ajuda de pessoas mais que especiais e que AGRADEÇO ETERNAMENTE! Vocês moram no meu coração! TODOS que nos auxiliaram de alguma forma são muito especiais para mim!

Em novembro decidi fazer o Chá de Bençãos do Joaquim. Convidei minhas "douladas" queridas e amigas com seus companheiros, além de é claro, minha doula. A energia do dia era maravilhosa, me senti mimada, paparicada e amada por todos. Depois Juliana, minha doula fez um ritualzinho, onde cada pessoa abençoava a mim e ao Kim. Foi emocionante demais. Depois todas as mulheres fizeram um circulo em minha volta, depositando toda energia ancestral. Realmente foi um dia maravilhoso!

Circulo de mulheres

Depois do comecinho difícil, o final foi um pouco angustiante e triste devido meu marido ter ido trabalhar em outra cidade por 3 meses (mesmo ele viajando para casa todos os dias, mal nos falávamos e o estresse era grande, pouco conseguíamos nos conectar), além das reformas que apareceram de última hora e que deveriam ser feitas. E tinha o calor aqui do Sul de 50 graus que tornavam os dias cansativos e desgastantes. Mas vamos lá! Tínhamos que seguir e me obriguei a me acalmar e concentrar na chegada do pequeno, no meio de toda a bagunça. E assim coloquei uma rotina de ouvir musicas que me tocavam a alma, dançar muito, rebolar na bola, ler partos, ver partos, meditar, me recolher em mim mesma, me ouvir... Meu marido e eu fizemos uma aula de Yoga juntos para resgatar nossa intimidade, nossa conexão e foi uma delicia.

Yoga




Nas consultas com Ric e Zeza tudo corria bem e se encaminhava tranquilamente! Com 36 semanas, na Lua Cheia, senti muitas contrações, cheguei a pensar que Joaquim viria ali (até a avisei minha doula e meu obstetra), e meus planos de parir em casa iriam por terra (parto domiciliar a partir de 38 semanas disse meu obstetra, senão seria no hospital), mas não passou de um ensaio do pequeno e tudo se acalmou depois. Quando estava com 39 semanas comecei a sentir contrações novamente. Elas vinham a cada 2 – 1 hora, e as vezes menos. Mas eu tinha colocado na minha cabeça que até resolver tudo, reforma, marido e calor, eu não iria parir. Queria estar segura e tranquila. E assim foi, depois que a reforma acabou, meu marido não precisava mais ir a outra cidade, e o calor tava dando uma trégua (continuava quente, mas já dava pra ficar na rua) as contrações começaram a vir a cada 1 hora, baixando para 30 minutos.

Fazendo um bolinho delicia!

Bê extravasando a ansiedade

Nós!

Fiquei assim por 10 dias, em pródromos, me preparando. Dia 17 de fevereiro, começou a sair o tampão, comemorei!! Fui fazer um bolo com minha filha Sofia, enquanto Bê comemorava no xbox, rs, e depois tirei fotinhos da barriga me despedindo. No dia 18 recebo a notícia da minha doula de que uma amiga minha, Andrea (que também tinha como equipe Zeza, Ric e Ju) estava em trabalho de parto! Eu vibrei de alegria por ela, tínhamos DPPs perto e tínhamos medo de entrar juntas em trabalho de parto, mas o Universo trabalha por meios incríveis, é sábio!

O tampão...

Dia 19 pela manhã saiu o resto do tampão, e eu fiquei aguardando, ansiosa, notícias da Andrea, como ela estava, se já havia parido. Meu cachorro Marley ficou grudado em mim o tempo todo, sabendo o que viria. E neste mesmo dia, na hora do nosso cafezão noturno, as contrações que já estavam a cada 30 minutos, diminuíram de intervalo e ficaram mais doloridas. Então, Ju me avisou por mensagem que Andréa havia parido e que estava indo para casa descansar, e que se mudasse algo que eu a avisasse. Parecia que era só isso que faltava para Joaquim decidir vir de uma vez. Sincronia perfeita! 

Cada contração vinha dolorida e o intervalo estava entre 20- 15 minutos, as vezes menos. Fiquei com pena de avisar minha doula que arressem havia chegado em casa, mas meu marido pensou que fosse melhor e avisou. E eu fui tomar um banho demorado e barulhento, vocalizando e me agachando muito. Meus filhos, Bernardo e Sofia, não conseguiam dormir devido os mantras da mamãe, rs, mas depois de um tempinho caíram no sono. Não consigo colocar horários aqui, mas creio que já era perto das 23 hs. Meu marido foi organizando as coisas, arrumando o quarto, inflando a banheira e esquentando a água. Ele estava entusiasmado, e se eu tinha dúvidas que o parto ia engrenar dessa vez, ele tinha certeza!

Meu altar!

Meu cantinho pronto!



 Me lembro de estar no chuveiro quando minha doula chegou. E depois de um tempo sai do chuveiro e fui para o quarto, que estava lindo com rosas vermelhas e a meia luz, a banheira já inflada e meu marido enchendo ela. Me perdi no tempo, me perdi em mim mesma... Cada contração era uma alegria! Poder viver o trabalho de parto na minha casa me deixava em paz, segura! Fui, me soltei, me despi, me entreguei aquele momento como nunca imaginei que conseguiria fazer.  Meu quarto vibrava AMOR e PAZ. Senti a presença de todas mulheres, minhas ancestrais ali, foi mágico, poderoso! Chamava meu filho em vários momentos, me lembro do meu marido em alguns momentos comigo, de mãos dadas, em outros minha doula me massageando, me oferecendo florais, me dando conforto, me lembrando que eu estava muito bem ... 

Apoio, carinho...

Mãos maravilhosas e água relaxante...


Me lembro em um momento que comecei a sentir vontade de fazer cocô, uma pressão e pensei “esta próximo!” ...Viveria mil vezes, mil vezes este momento, tudo igual, sem mudar nada ... Não sei quando, Ricardo e Zeza foram avisados, e ouvi que eles estavam chegando. Pela primeira vez temi, pensei “ e se eu não estivesse tão avançada, e se estivesse no começo ainda, e se eu travasse?”. Neste momento senti que as contrações aumentaram de intensidade, estavam diferentes, mas não tinha me dado conta do porquê.

Ric e Zeza chegam ... 9 cm!                                 

Fui para a banheira, sai da banheira, e nada estava bom. Claro que passou pela cabeça que uma analgesia naquele momento seria uma boa, rs, mas sabia que logo acabaria. Bateu o momento desespero “o que faço? Pra onde corro? Que posição?” e então Ric e Zeza chegam. Falei qualquer coisa do tipo "Ai Zeza, não consigo" ou "não estou aguentando" e ela me encoraja dizendo palavras de apoio. Ric pede para eu deitar , escuta o coraçãozinho do Joaquim (batia vigorosamente) e então ocorre o primeiro e único exame de toque.... 9 cm!!! Um rebordinho só! Por isso a sensação de perdida, por isso as contrações mudaram. Eu estava no expulsivo! Zeza  junto com a Juliana me apoiavam e encorajavam. Soube que Ric estava lá, porque ele as vezes falava algo, se não nem ia me lembrar dele ali, rs (O Homem de Vidro). Mas ele já estava filmando e fotografando tudinho! Fui para a bola, depois sentei na banqueta de parto, e ali percebi que Joaquim estava descendo. As contrações eram muito intensas, mas eu vocalizava, não tinha como não faze-lo. Decidi ir para a piscina e lá fiquei.


Joaquim estava descendo...

Água, ótimo para diminuir o desconforto!

Cada contração era mais um pouco perto do meu filho. Nisso já estávamos com o Sol raiando, trazendo boas novas. Meus filhos acordaram, foram me ver e ficaram quietinhos na sala assistindo TV, aguardando o maninho chegar. E depois de mais ou menos 1 hora, coloco a mão e sinto os cabelos do Kim... Não acreditei, ele realmente estava chegando. Meu marido já estava na piscina me segurando por trás. Juliana ao meu lado segurando minha mão! Aquela mão...como me marcou, como me fortaleceu a energia da Ju naquele momento. Me lembro que em um momento ela soltou minha mão e eu imediatamente a chamei de volta, era como se uma conexão tivesse se desfeito, como se eu recebesse energia através das mãos da minha doula. Foi muito interessante sentir isso. E tenho certeza que nossas ancestrais estavam através dela me dando a energia que tanto precisava!

As contrações que vinham agora eram poderosas, fortes, doloridas, e eu era só um instrumento de passagem do meu bebê, força eu nem fazia, era somente o poder das contrações ali. Senti a cabeça coroando, aos poucos abrindo passagem, a ardência era grande, até que a cabeça saiu... Nem acreditei! Momentos depois mais uma contração poderosa, e pensei “será que eu serei boa mãe para esta criança?” e ai sai o corpinho do Kim com força para a água, direto para as mãos da minha parteira querida. Agarrei minha cria não acreditando que ele estava ali, nos meus braços, dando um chorinho gostoso. A emoção era grande, Bê e Fifi vieram conhecer o maninho, deslumbrados! Escuto meu marido e doula chorando, emocionados. Papai fazia uns carinhos no filhote. E ali na água ficamos um tempinho nos namorando, nos reconhecendo... Meu corpo todo vibrava, era como se eu estivesse em um mundo paralelo, perfeito, ideal! A dúvida se dissipou da minha mente, era para ser assim, para estarmos todos ali, eu era a MÃE daquela criança. Nós teríamos nossas batalhas para enfrentar, mas seria assim, juntos, com Fé e força.

Bebê coroando...
Em meus braços... Meu presentinho!

Perfeito!

Maninhos babando
Depois fui para a cama e a placenta nasceu logo em seguida. Joaquim ficou ainda um tempinho ligado a ela para depois o papai cortar o cordão, que  estava limpinho! Todo sangue estava com seu dono. Agradeci a árvore da vida por ter nutrido meu filho por 41 semanas e 1 dia. Zeza teve que dar uns pontinhos na laceração que tive. Fiquei um pouco chateada, mas depois aceitei. Depois tivemos a deliciosa surpresa, o mocinho havia nascido com 4140 gramas e 53 cm, enorme!!! Kim quis mamar depois de um tempinho e mamou bastante. Então avisamos a vovó Maria que veio correndo ver o neto recém nascido, estava babando e feliz por tudo ter dado certo.

Papai desligando Kim da placenta

Árvore da Vida

Mamando

Vovó corujando
Com tudo calmo Ric e Zeza se despediram e foram atender outro parto. A fome bateu e pedi para Ju fazer uma batida nutritiva para mim, que estava muito gostosa. Joaquim caiu no sono gostoso. Mais tarde Ju também se despede e ficamos nós 5 lá, juntinhos, o amor estava no ar embriagando a todos. Quando me senti capaz fui tomar um banho revigorante e fiquei pensando em tudo que tinha acontecido. Era real, o sonho aconteceu!

Equipe maravilhosa, fundamental!

Juliana, nossa doula amada!

Até hoje, 7 meses depois, me lembro da atmosfera da minha casa, do que senti, do que vivi! Sou grata ao Universo por ter tido a oportunidade de viver um parto pleno, respeitoso e amoroso. Desejo tudo o que vivi a todas as mulheres. Parir é lindo, transformador, embriagante. E tudo que estou vivendo hoje é fruto deste momento, e me foi dada a oportunidade de fazer transformações internas profundas, para me tornar um Ser pleno, mais feliz e mais capaz.

Nossos 3 anjos!
  
AMOR!!!!

Gratidão Roberto por estar ao meu lado, sempre tendo da minha capacidade ancestral de parir, e por me dar tanta segurança neste momento. TE AMO demais!!

Gratidão a minha mãe por me incentivar e apoiar nas dificuldades, e por acreditar na minha minha capacidade e na capacidade de todas as mulheres de parir.

Gratidão aos meus filhotes por estarem comigo na chegada do irmão e me darem tanto amor.

Gratidão a minha doula querida que sempre acreditou que minha capacidade de parir era nata e que meu filho nasceria sim em casa, do jeito que eu sonhava! Gratidão por ser esta ponte de ligação com minhas ancestrais! Te amo minha irmã!

Gratidão a Zeza pelas suas mãos e energia e Ric por ser de vidro me deixando a vontade, vocês foram essenciais para que tudo terminasse com segurança.

Gratidão à todos vocês que me ajudaram a concretizar este sonho, seja com as doações ou com as palavras de apoio e incentivo.

Quem quiser assistir a esta história, deixo o vídeo que construí com fotos tiradas pelo meu marido, pela minha doula, e com fotos e vídeo do meu obstetra de "vidro" Ricardo Jones!


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