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quinta-feira, 3 de outubro de 2013

Parto Domiciliar Planejado: algumas coisas que talvez você não saiba - por Ana Cristina Duarte

ANA CRISTINA DUARTE, OBSTETRIZ PELA USP E INSTRUTORA EM CAPACITAÇÃO DE DOULAS, É COORDENADORA DO GRUPO DE APOIO À MATERNIDADE ATIVA (GAMA).


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Vejo muita gente dando palpite sobre parto domiciliar, especialmente profissionais de saúde, onde demonstram claramente que não fazem a menor ideia do que estão falando. Ouviram um pássaro cantar e já vão falando que é o Galo da Serra, sem nunca terem nem ouvido esse canto, muito menos visto a espécie. Achei por bem enumerar alguns fatos sobre o parto domiciliar planejado (PDP) que podem derrubar alguns mitos.


1) Qual gestante pode ter um PDP?
Gestantes saudáveis, com pré natal sem intercorrências, com um bebê único, posicionado, com mais de 37 semanas, com trabalho de parto espontâneo (não induzido)

2) Até onde vai o PDP? Ou até quando a gestante não pode mais mudar de ideia?
Vai até onde estiver seguro e sem intercorrência ou sem suspeita de possível intercorrência. Batimentos cardíacos fetais normais, mãe em boas condições. A qualquer sinal de possível intercorrência, a opção de retaguarda será acionada e o parto passa a ser hospitalar. A gestante pode mudar de ideia a qualquer momento e ir para o hospital para analgesia ou o que mais quiser.

3) Como se sabe que está tudo bem?
Através dos controles periódicos dos batimentos cardíacos do bebê e dos sinais vitais maternos, o que ocorre durante todo o trabalho de parto.

4) Como esteriliza a casa ou o quarto para o parto?
Isso não existe, nem no hospital, nem em casa. O que se faz no hospital é a limpeza da sala entre um parto e outro com materiais de limpeza, mas a única coisa que é esterilizada no hospital é o que entra em contato com o parto em sim, com as cavidades, cortes, etc. Em casa é a mesma coisa, o que for entrar em contato com "aberturas corporais" estará esterilizado. A questão que preocupa na contaminação hospitalar é o contato da gestante com virus e bactérias que causam doenças e que sempre estão presentes em ambientes hospitalares. Em casa essas bactérias não existem, não houve cirurgias anteriores, tratamento de doentes, nada disso. 

5) Mas e o pós-parto? Como fica a bagunça do parto? Quem cuida do bebê?
Após parto a equipe limpa toda a casa e elimina todos os vestígios do atendimento, materiais com sangue, restos, etc.. Com relação ao bebê, assim como no hospital, após ser examinado e vestido, ele fica sob cuidados dos pais em alojamento conjunto, o mesmo ocorre em casa. Os profissionais farão as visitas pós-parto e estão de prontidão para uma visita imediata durante toda a semana posterior ao parto.

6) Quem é o profissional que atende esses PDP?
Enfermeiras obstetras, obstetrizes e médicos podem atender esses partos. Doulas não podem atender partos, elas podem dar assistência emocional, apoio, mas não atendem os partos. As equipes são compostas pelo menos de um profissional desses anterioremente citados, podendo chegar a três profissionais, sendo que todos são capacitados para o atendimento de emergências obstétricas e reanimação neonatal

7) Quais procedimentos podem ser feitos num PDP?
Nenhum procedimento. Para acelerar, induzir, usar fórceps, etc, a gestante é levada ao hospital.

8) O que esses médicos/enfermeiras/obstetrizes levam para o atendimento em casa?
Todo o material estéril (agulhas, seringas, campo estéril para sutura, agulha de sutura, anestésico local, material de sutura, luvas, antisséptico, etc).
Todo o material de reanimação neonatal (tapete aquecido, ambu, máscara, cilindro de oxigênio, material de aspiração, material de transferência, etc).
Todo o material para emergência pós-parto materna (soro, material de punção venosa, drogas anti-hemorrágicas, etc).

9) Tem ambulância na porta?
Não, nenhum país que tem atendimento de parto domiciliar tem ambulância na porta. Essa é apenas mais uma lenda urbana sobre parto em casa.

10) E se acontecer alguma coisa?
Vamos separar o que seria esse "alguma coisa", para facilitar.

a) Com o bebê: se precisar de reanimação, reanima-se em casa, como numa sala de parto qualquer, com ventilação positiva. São as mesmas técnicas e materiais. Mas e se for tão grave que precisar adrenalina? Bebês saudáveis, de pré natal saudável, em partos naturais de termo sem intervenção não necessitam adrenalina. Olhe retrospectivamente para todos os casos de adrenalina e você verá que eram partos prematuros, ou bebês doentes, ou partos absurdamente medicalizados. Se ele tiver alguma malformação inesperada e grave, ele será mantido sob ventilação e transferido para um hospital com UTI neonatal, tal qual se faz em qualquer hospital ou cidade onde não existe UTI neonatal.

b) Com o parto: se for parto pélvico de surpresa, deixa-se nascer com as técnicas normais de parto pélvico; se for distócia de ombros, resolve-se igualmente com as mesmas manobras hospitalares; se precisa de fórceps é porque já era um parto complicado, transfere-se ao longo do parto; se os batimentos não forem bons, transfere-se; se houver mecônio em baixa quantidade e batimentos normais, aguarda-se o parto; se houver muito mecônio ou batimentos anormais, transfere-se.

c) No pós parto: se houver hemorragia, corrige-se com ocitocina, ergotrate e reposição de líquido; placenta retida, transfere-se para remoção no hospital; atonia uterina não é uma entidade de partos normais sem medicalização, mas em tese tranfere-se também. Se houver laceração, os três profissionais têm autorização, técnica e material para suturar sob anestesia local em casa.

11) E dá tempo de resolver?
Os estudos internacionais sobre PDP com equipe experiente mostram que o risco de mortalidade/morbidade não muda em casa ou no hospital e que o PDP é uma opção segura para gestantes de baixo risco. Isso não quer dizer que nada pode acontecer. Mesmo em países com baixíssima taxa de mortalidade, cerca de 1 a cada 500 bebês não viverá fora do útero. E isso poderá acontecer em casa, no hospital, no Brasil, na Dinamarca, nos Estados Unidos.

12) Mas estar no hospital não faz tudo ser bem mais rápido?
Na prática e em geral não. Tirando raras exceções, uma cesariana "de emergência" vai ocorrer num prazo aproximado de 30 minutos, às vezes até 1 hora, às vezes mais. A maioria dos hospitais brasileiros não possui anestesista de plantão, ou não há um disponível e livre o dia todo, nem mesmo uma sala de cesariana pronta e reservada. A idéia de que o hospital é um lugar onde tudo está pronto e disponível é irreal e mora mais no imaginário popular do que no bloco cirúrgico.

Mais informações sobre PDP:


quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

Parto Domiciliar Planejado: algumas coisas que talvez você não saiba - por Ana Cristina Duarte

ANA CRISTINA DUARTE, OBSTETRIZ PELA USP E INSTRUTORA EM CAPACITAÇÃO DE DOULAS, É COORDENADORA DO GRUPO DE APOIO À MATERNIDADE ATIVA (GAMA).

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Vejo muita gente dando palpite sobre parto domiciliar, especialmente profissionais de saúde, onde demonstram claramente que não fazem a menor ideia do que estão falando. Ouviram um pássaro cantar e já vão falando que é o Galo da Serra, sem nunca terem nem ouvido esse canto, muito menos visto a espécie. Achei por bem enumerar alguns fatos sobre o parto domiciliar planejado (PDP) que podem derrubar alguns mitos.


1) Qual gestante pode ter um PDP?
Gestantes saudáveis, com pré natal sem intercorrências, com um bebê único, posicionado, com mais de 37 semanas, com trabalho de parto espontâneo (não induzido)

2) Até onde vai o PDP? Ou até quando a gestante não pode mais mudar de ideia?
Vai até onde estiver seguro e sem intercorrência ou sem suspeita de possível intercorrência. Batimentos cardíacos fetais normais, mãe em boas condições. A qualquer sinal de possível intercorrência, a opção de retaguarda será acionada e o parto passa a ser hospitalar. A gestante pode mudar de ideia a qualquer momento e ir para o hospital para analgesia ou o que mais quiser.

3) Como se sabe que está tudo bem?
Através dos controles periódicos dos batimentos cardíacos do bebê e dos sinais vitais maternos, o que ocorre durante todo o trabalho de parto.

4) Como esteriliza a casa ou o quarto para o parto?
Isso não existe, nem no hospital, nem em casa. O que se faz no hospital é a limpeza da sala entre um parto e outro com materiais de limpeza, mas a única coisa que é esterilizada no hospital é o que entra em contato com o parto em sim, com as cavidades, cortes, etc. Em casa é a mesma coisa, o que for entrar em contato com "aberturas corporais" estará esterilizado. A questão que preocupa na contaminação hospitalar é o contato da gestante com virus e bactérias que causam doenças e que sempre estão presentes em ambientes hospitalares. Em casa essas bactérias não existem, não houve cirurgias anteriores, tratamento de doentes, nada disso. 

5) Mas e o pós-parto? Como fica a bagunça do parto? Quem cuida do bebê?
Após parto a equipe limpa toda a casa e elimina todos os vestígios do atendimento, materiais com sangue, restos, etc.. Com relação ao bebê, assim como no hospital, após ser examinado e vestido, ele fica sob cuidados dos pais em alojamento conjunto, o mesmo ocorre em casa. Os profissionais farão as visitas pós-parto e estão de prontidão para uma visita imediata durante toda a semana posterior ao parto.

6) Quem é o profissional que atende esses PDP?
Enfermeiras obstetras, obstetrizes e médicos podem atender esses partos. Doulas não podem atender partos, elas podem dar assistência emocional, apoio, mas não atendem os partos. As equipes são compostas pelo menos de um profissional desses anterioremente citados, podendo chegar a três profissionais, sendo que todos são capacitados para o atendimento de emergências obstétricas e reanimação neonatal

7) Quais procedimentos podem ser feitos num PDP?
Nenhum procedimento. Para acelerar, induzir, usar fórceps, etc, a gestante é levada ao hospital.

8) O que esses médicos/enfermeiras/obstetrizes levam para o atendimento em casa?
Todo o material estéril (agulhas, seringas, campo estéril para sutura, agulha de sutura, anestésico local, material de sutura, luvas, antisséptico, etc).
Todo o material de reanimação neonatal (tapete aquecido, ambu, máscara, cilindro de oxigênio, material de aspiração, material de transferência, etc).
Todo o material para emergência pós-parto materna (soro, material de punção venosa, drogas anti-hemorrágicas, etc).

9) Tem ambulância na porta?
Não, nenhum país que tem atendimento de parto domiciliar tem ambulância na porta. Essa é apenas mais uma lenda urbana sobre parto em casa.

10) E se acontecer alguma coisa?
Vamos separar o que seria esse "alguma coisa", para facilitar.

a) Com o bebê: se precisar de reanimação, reanima-se em casa, como numa sala de parto qualquer, com ventilação positiva. São as mesmas técnicas e materiais. Mas e se for tão grave que precisar adrenalina? Bebês saudáveis, de pré natal saudável, em partos naturais de termo sem intervenção não necessitam adrenalina. Olhe retrospectivamente para todos os casos de adrenalina e você verá que eram partos prematuros, ou bebês doentes, ou partos absurdamente medicalizados. Se ele tiver alguma malformação inesperada e grave, ele será mantido sob ventilação e transferido para um hospital com UTI neonatal, tal qual se faz em qualquer hospital ou cidade onde não existe UTI neonatal.

b) Com o parto: se for parto pélvico de surpresa, deixa-se nascer com as técnicas normais de parto pélvico; se for distócia de ombros, resolve-se igualmente com as mesmas manobras hospitalares; se precisa de fórceps é porque já era um parto complicado, transfere-se ao longo do parto; se os batimentos não forem bons, transfere-se; se houver mecônio em baixa quantidade e batimentos normais, aguarda-se o parto; se houver muito mecônio ou batimentos anormais, transfere-se.

c) No pós parto: se houver hemorragia, corrige-se com ocitocina, ergotrate e reposição de líquido; placenta retida, transfere-se para remoção no hospital; atonia uterina não é uma entidade de partos normais sem medicalização, mas em tese tranfere-se também. Se houver laceração, os três profissionais têm autorização, técnica e material para suturar sob anestesia local em casa.

11) E dá tempo de resolver?
Os estudos internacionais sobre PDP com equipe experiente mostram que o risco de mortalidade/morbidade não muda em casa ou no hospital e que o PDP é uma opção segura para gestantes de baixo risco. Isso não quer dizer que nada pode acontecer. Mesmo em países com baixíssima taxa de mortalidade, cerca de 1 a cada 500 bebês não viverá fora do útero. E isso poderá acontecer em casa, no hospital, no Brasil, na Dinamarca, nos Estados Unidos.

12) Mas estar no hospital não faz tudo ser bem mais rápido?
Na prática e em geral não. Tirando raras exceções, uma cesariana "de emergência" vai ocorrer num prazo aproximado de 30 minutos, às vezes até 1 hora, às vezes mais. A maioria dos hospitais brasileiros não possui anestesista de plantão, ou não há um disponível e livre o dia todo, nem mesmo uma sala de cesariana pronta e reservada. A idéia de que o hospital é um lugar onde tudo está pronto e disponível é irreal e mora mais no imaginário popular do que no bloco cirúrgico.

Mais informações sobre PDP:


quarta-feira, 16 de maio de 2012

Das dores - por Ana Cris Duarte (parteira)

Texto ótimo escrito pela parteira Ana Cris! TODAS as mulheres deveriam ler, grávidas ou não!

PESSOAL - TP DA SEGUNDA GESTAÇÃO


Eu acho que qualquer convera sobre parto (e qualquer realidade), deveria começar com: “você tem direito a analgesia de parto quanto e quando você solicitar. tudo bem? tranquila? agora vamos falar sobre dor do parto?” 
Nossa sociedade e a maioria das sociedades ocidentais fazem grande alarde sobre a dor do parto, insistindo que é praticamente insuportável. existem até comparações feitas por anestesistas (via de regra homens), dizendo que a dor do parto se assemelha à dor de arrancar um dedo. acho incrível que alguém possa comparar dores, para começar. a não ser que a pessoa tenha parido e tenha tido um dedo arrancado, essa comparação é, antes de tudo, uma piada de mal gosto, tanto do ponto de vista das mulheres quanto dos mutilados sem um dedo. 
a dor do parto se assemelha à dor de dar à luz e a nenhuma outra. ela pode ser insuportável para umas e perfeitamente manejável para outras. não tem como saber antes de experimentar a sensação. mas antes que você enlouqueça e contrate um anestesista no dia em que seu noivo te peça em casamento, vão aqui algumas dicas para tranquilizar seu coração:
1. as contrações começam fracas e curtas, com a sensação de uma cólica em geral leve, que começa fraca, tem um pico mais forte e fica fraca novamente, até desaparecer. isso dura por volta de 30 segundos no início. elas vão ficando mais fortes, mais longas e mais frequentes à medida que o parto evolui. o máximo a que elas chegarão será numa frequência de uma a cada três ou quatro minutos. vão durar até 60 a 90 segundos. e nos intervalos você poderá respirar, descansar e até dormir.
2. as dores que em geral conhecemos são as dores negativas de algo que não está certo, um dente inflamado, um ligamento distendido, uma pancada, uma queimadura. a dor do parto é diferente de todas as outras porque ela vai te trazer um bebê, seu filho. a sensação dessa dor é portanto positiva, a não ser que chegue a níveis muito fortes da metade para o fim.
3. embora em geral estejamos acostumados a ligar o termo “dor” com “sofrimento”, a verdade é que nem toda dor é sofrida. quando fazemos um exercício mais puxado e no dia seguinte sentimos dores musculares do esforço, não tomamos medicamentos nem nos sentimos sofredoras, pelo contrário, enchemo-nos de orgulho. a dor do parto também pode ser vivenciada da mesma forma.
4. a parte mais intensa é a da dilatação. quando o bebê começa a descer pelo canal de parto, a tal “passagem”, em geral a dor é substituída por uma incrível sensação de pressão e uma vontade incontrolável de fazer força. para a maioria das mulheres, o nascimento em si, a passagem do bebê, é bem mais fácil de lidar do que a fase da dilatação em si.
5. para as mulheres que desejam um parto sem dor, a analgesia peridural é uma opção disponível a partir do momento em que a mulher deseje não sentir mais dor. quanto mais tarde se usa a anestesia, menos ela atrapalha o parto. mas lembre-se que é melhor um parto atrapalhado por analgesia do que uma cesariana porque você acha que
não vai dar conta. no entanto a analgesia de parto é longa, o anestesista precisa estar presente o tempo todo, o que faz com que em algumas cidades e em alguns hospitais ela não seja uma opção para as mulheres. quanto melhor a equipe de anestesistas, melhor a disponibilidade para quem precisa do recurso.
6. não existe muito cedo nem muito tarde para se solicitar analgesia de parto. o procedimento leva cerca de dez a quinze minutos para ser feito e pode durar até muitas horas, de acordo com a conveniência da parturiente.
7. a anestesia de parto não passa para o bebê, ela fica restrita ao espaço da coluna vertebral onde é aplicada. no entanto ela pode provocar vasodilatação, baixa pressão arterial e reflexos desses problemas na placenta e na oxigenação do bebê. portanto ela não é isenta de riscos. no entanto a anestesia da cesariana é ainda mais forte e também pode dar os mesmos problemas, com frequência ainda mais elevada, dada a quantidade maior de anestésicos que é aplicada.
8. antes do recurso da analgesia, existe outros bastante eficientes que ajudam a diminuir a sensação de dor, como as massagens localizadas, bolsas de água quente, banhos de chuveiro e de imersão em água à temperatura do corpo. uma doula experiente também pode ser de grande ajuda, oferecendo dicas de conforto, massagens eficazes e palavras de apoio que são como bálsamo para uma mulher determinada a um parto natural.
9. as equipes que trabalham com parto natural e analgesia se necessário relatam taxas de cesariana de 10 a 15%, e taxas de analegesia nos partos normais entre 5 e 30%. em outras palavras, mesmo que as drogas estejam disponíveis, a maioria das mulheres consegue lidar bem com as contrações do parto e acabam não necessitando do
recurso.
10. as sensações naturais do parto provocam a produção de uma incrível cascata de “hormônios do bem”, que afetam igualmente a mãe e o bebê. abrir mão desse coquetel de hormônios é perder a oportunidade de uma experiência transcendental incrível, inédita e só replicável no próximo parto. não deixe de conhecer essa sensação e de testar os seus limites. experimente, conheça seus recursos e acima de tudo, escolha uma boa equipe para te auxiliar nesse processo.


domingo, 6 de maio de 2012

Eu preciso de uma Doula se eu tenho uma parteira?


Texto muito bom! Leiam...
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(Tradução livre do texto “Do I need a doula if I have a midwife?” do site Spinning Babies)
Nas primeiras horas da noite, uma mulher trabalha para trazer à luz o seu bebê. Seu coração já está aberto e seu corpo está se abrindo. Ela sabe que seu corpo foi projetado para este milagre. Ela só precisa de um lugar em que ela se sinta segura e de pessoas a quem ela possa confiar a tarefa de prestar atenção aos detalhes. Ela sabe que terá que abrir mão de estar alerta aos detalhes para permitir que seu trabalho de parto progrida.
O cheiro de seu companheiro é, em si, reconfortante. Seu companheiro representa a história de quem ela vem sendo. Ela quer que ele assista ao parto, para fazer parte do evento que funda quem ela se tornará.
Ela escolheu uma parteira por sua paciência com o processo natural de nascimento. Sua parteira também sabe como lidar com complicações comuns e conhece os sinais que significam a necessidade de transferência para outro cuidador, como um médico de família ou obstetra. Sua parteira não só acredita na “normalidade” do parto em geral, mas também é capaz de avaliar e validar que seu trabalho de parto está correndo bem.
No início do trabalho de parto, o conforto proporcionado por seu companheiro é suficiente. Em trabalho de parto ativo, a presença da parteira é reconfortante para ela e seu parceiro. No entanto, enquanto o céu clareia, o trabalho de parto torna-se ainda mais intenso.
Nossa mulher em trabalho de parto percebe seu companheiro afastando-se um pouco dela. Isso acontece quando ela mergulha mais fundo no trabalho de parto, naquele lugar primitivo para onde seu parceiro não consegue segui-la. A parteira, também, parece distante por um momento. Ah, lá está ela! Trazendo seus instrumentos para mais perto. (…) Ela ouve, então, a parteira rasgando o pacote de papel que mantém as luvas estéreis.
Uma contração cobre-a, sacudindo-a em direção ao seu interior. Espere! Ela quase não consegue vencê-la. E imagina se vai conseguir ultrapassá-la ou se a contração vai submergi-la. Ela, então, sente um toque quente em seu ombro, ouve seu nome falado amavelmente. A doula está lá. Sim, é isso mesmo, mulheres dão à luz e é assim mesmo.
Agora ela sabe que será capaz também. Uma contração em seguida vem. A doula está cara a cara com ela, falando em ritmo calmo. Seu parceiro vê como a transição pode ser suportada e se aproxima, confiante novamente.
De repente vem essa força poderosa de dentro dela, o desejo de empurrar. A parteira fala. Sua voz leva-a por esta transformação quase esmagadora. A parteira mostra-lhe como respirar de forma a evitar uma laceração e levar oxigênio para seu pequeno, apenas alguns centímetros ainda dentro de seu corpo. A doula lembra a ela que seu corpo é capaz de dar à luz.
Nos dias que se seguirão, ela espera compartilhar reflexões do nascimento com a sua parteira. Ela está ansiosa por ouvir a opinião da parteira sobre seu trabalho de parto e obter alguns detalhes. Ela busca a parteira para ouvir sobre sua força de parideira e dos altos e baixos do seu trabalho de parto. O que a parteira diz parece validar a sua iniciação no mistério que é o parto.
Ela também vai falar com sua doula, provavelmente várias vezes, sobre o parto. Mesmo a doula tendo estado lá, recontar o parto juntas insere a história na trama do tecido de sua nova maternidade. Ela vê o rosto da doula se iluminar de admiração e celebração, o que permite que ela saiba que ela conseguiu se tornar uma mãe de forma vitoriosa. Sua doula é uma parceira que compartilha de sua comunhão.
Eu sou uma parteira que também foi uma doula durante muitos anos. Os papéis podem sobrepor-se. Ambos celebram a força e a glória das mulheres parindo, mas os papéis são diferentes.
A doula está preocupada com a experiência emocional da mãe em primeiro lugar. A parteira deve estar preocupada com a segurança e a saúde da mãe e seu bebê em primeiro lugar. A doula é uma parceira, como uma nova amiga com experiência em partos. Quando o parto ocorre em um hospital, a doula pode ser a única pessoa que objetivamente se encontra com a mulher durante a gestação, mantém-se ao seu lado durante o parto e passa momentos com ela após o bebê ter nascido.
Parto é pessoal. Confiança é uma estrada íntima em direção a uma função fisiológica. Podemos confiar no nascimento não apenas em razão de uma vantagem estatística, mas porque o vivemos em um equilíbrio entre a fisiologia e nosso mundo relacional, com pessoas que amamos e com quem mantemos uma comunhão. Paz em ambos os lados, fisiológica e no campo das relações, requer o equilíbrio entre ambos. A doula tem como objetivo eliminar os obstáculos à paz, enquanto a parteira mantém-se atenta aos obstáculos do parto.
A parteira é um papel antigo renovado para os tempos modernos. A doula é um papel moderno refletindo os tempos antigos.
Retirado daqui

domingo, 22 de janeiro de 2012

Estudo: Parto domiciliar com parteira é tão seguro quanto parto hospitalar.


Tradução livre feita por mim (Priscila Rezende) da reportagem que está aqui.

Por Amanda Gardner, HealthDay

Ter seu bebê em casa com uma parteira profissional (certificada) é tão seguro quando um convencional parto hospitalar
Na verdade, partos domiciliares planejados desse tipo podem ter uma menor taxa de complicações, diz estudo publicado dia 15 de Setembro pelo CMAJ (Canadian Medical Association Journal).
Mesmo que o estudo tenha sido realizado no Canadá, onde o trabalho das obstetrizes são mais aceitos do que em outros países, os resultados podem contribuir para a controvérsa discussão que há nos Estados Unidos e em outros lugares.
A Universidade Americana de Obstetrícia e Ginecologia é contra os partos domiciliares, assim como certas organizações existentes na Austrália e na Nova Zelândia. Mais organizações na Grã-Bretanha são favoráveis e as províncias canadenses estão em transição para esse modelo de assistência obstétrica prestado por parteiras, diz estudo de autoria de Patricia Janssen, diretora do programa de mestrado em Saúde Pública da Universidade de British Columbia.
Janssen, uma enfermeira que tem treinamento para atuar como parteira porém sem não tem certificação, diz: "As pessoas que atuam como parteiras independentes não têm sua atuação necessariamente regulamentada (nos Estados Unidos) dependendo do Estado no qual você estiver, então talvez não haja garantia de que elas tenham treinamento em nível adequado ou um diploma ou algo do tipo. E elas talvez não sejam monitoradas e regulamentadas por uma Universidade.
A controvérsia resultou em uma falta de regulamentação clara e requisitos de licenciamento nos Estados Unidos, disse o Dr. Marjorie Greenfield, professor associado de obstetrícia e ginecologia dos Hospitais de Caso University Medical Center, em Cleveland.
De acordo com Greenfield, a Associação Nacional de Parteiras Profissionais Certificadas possui um processo de certificação, mas muitos Estados não reconhecem isso. Se você é uma mulher que quer ter um parto domiciliar, como você determina se essa pessoa tem as qualificações apropriadas?" ela disse.
Os autores do novo estudo comparou três grupos diferentes de nascimentos planejados em British Columbia desde o início de 2000 até o final de 2004: partos domiciliares assistidos por parteiras (parteiras são registradas no Canadá), partos hospitalares assistidos pelo mesmo grupo de parteiras registradas e partos hospitalares assistidos por médicos. No total, o estudo incluiu cerca de 13.000 nascimentos.

A taxa de mortalidade por 1.000 nascimentos foi de:
  • 0,35 no grupo de partos domiciliares;
  • 0,57 nos partos hospitalares assistidos por parteiras;
  • 0,64 entre aqueles assistidos por médicos,

de acordo com o estudo.

Mulheres que pariram em casa foram as menos propensas a precisar de intervenções ou a ter problemas como laceração perineal ou hemorragia. Esses bebês também foram os menos propensos a precisar de oxigênio ou ressuscitação, segundo o estudo.
Os autores reconhecem que "auto-seleção" poderia ter distorcido os resultados do estudo, em que as mulheres que preferem partos em casa tendem a ser mais saudáveis e de outra forma mais aptas a terem um parto domiciliar.
Janssem disse que espera que "este artigo irá ter um grande impacto nos Estados Unidos". Mas há o definitivo estabelecimento do preconceito contra os partos domiciliares. E a questão é emocionalmente carregada.
"Há um problema político e econômico sobre como controlar o local no qual o parto acontece, mas há também uma crença profunda pelos médicos de que não é seguro ter seu bebê em casa", disse Greenfield."Médicos vêem apenas os pacientes de partos domiciliares que têm alguma complicação, mas não vêem os bebês lindos e fabulosos em casa que podem amamentar melhor ou que tem menos infecções hospitalares. Pode haver benefícios médicos", acrescentou.
"A prática das parteiras (obstetrícia) precisa ser regulamentada. Não pode ser sob radar, porque assim seria perigoso", Greenfield disse. "Tem que haver um processo de regulamentação e um processo de licenciamento (para proteger) as mulheres que escolherão o parto domiciliar de qualquer maneira."

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Parto Humanizado - programa Mulheres/ 2009

Este programa é de 2009, e nele participa minha queridíssima Luzinete (Luz) Rocha, com o marido e o filhote lindoooo. Estão também a parteira Priscila Colacioppo e temos os depoimentos de Katia Barga, Renata Budoia. Muito bom para tirar duvidas, e aprender sobre o cenário de partos e nascimentos que o Brasil se encontra.

quinta-feira, 5 de maio de 2011

Dia 05 de Maio- Dia Mundial da Parteira

SEJAM ABENÇOADAS
Todas as Parteiras Tradicionais de todos os lugares do mundo que honram o saber milenar das nossas ancestrais e preservam na sua prática as plantas, as rezas, os quatro elementos, o Sagrado feminino,a natureza, a vida.
Sejam abençoadas as mãos que recebem o Ser que nasce, mãos que curam, que acalentam, mãos firmes e seguras em todos os bons momentos e nos momentos de aflição. Mãos experientes que tocam, que acolhem, que abençoam.
Sejam abençoadas as Parteiras Tradicionais das localidades mais longínquas que na solidão seguem salvando vidas sem sequer questionar a informação que não chega, o apoio que nunca teve, o reconhecimento que o sistema jamais priorizou, a indiferença dos dados estatísticos com cada vida que ela amorosamente recebe e cada mulher que ela solidariamente ajuda no sagrado momento de dar a luz. Estas Parteiras seguem cumprindo sua missão de guerreira da paz sem se importar com a discriminação dos arrogantes doutores e autoridades com o preconceito da elite falida e confusa. Desde o princípio da humanidade as parteiras sempre existiram e sempre existirão, queiram as autoridades ou não.
Sejam abençoadas as Parteiras Tradicionais urbanas que enfrentam todo tipo de dificuldade para cumprir seu Dom sua profissão de partejar fora dos hospitais distante da doença e do tecnicismo garantindo a naturalidade do parir e nascer com segurança e respeito. Nas cidades, nos grandes centros urbanos as Parteiras Tradicionais sentem-se discriminadas como se fossem antiquadas, ultrapassadas porque fazem a ponte entre o antigo e o moderno, porque acreditam na simplicidade exuberante do parir e do nascer, porque sabem esperar e confiam na capacidade do corpo feminino. Porque confiam na luz, no Ser superior porque realizam o sagrado ato de humildade diante do protagonismo feminino com segurança com respeito com amor incondicional.
Abençoamos nossas aprendizes de parteira que dedicadamente confiam que é possível parir e nascer de forma natural espontânea. Que se entregam completamente nesse conhecimento sagrado da experiência de sua mestra Parteira e assim se preparam para no futuro próximo assumir nossos lugares e garantir a continuidade desta prática milenar preservando a cultura do partejar a tradição das ancestrais ofertando aos céticos tecnicistas a possibilidade de rever o lidar com a vida honrando quem veio antes de nós e respeitando quem ainda hoje acredita e faz a diferença na selva de concreto das grandes cidades fria dura e indiferente.
Abençoamos nossos afilhados e afilhadas recebidos e acolhidos pelas nossas mãos ao nascer.
Que em cada oração seja lembrada a Parteira que lhe recebeu nesta vida, a Parteira que lhe ajudou parir.
Esta missão de Parteira está de comum acordo com a divindade, integrada com os anjos e arcanjos disseminando luz. Verdadeiras mensageiras da PAZ.
Suely Carvalho
Parteira Tradicional
CAIS do Parto
Rede Nacional de Parteiras Tradicionais.

Brasil, 05 de maio de 2011

quarta-feira, 23 de março de 2011

Fusão do curso de Obstetrícia da USP significa fim da profissão!!

ESTA NOTÍCIA É O FIM DO MUNDO!!!! QUANTA BALELA! LEIAM E COMENTEM, POR FAVOR.


Entre as conclusões do relatório que sugeriu o fechamento de 330 das atuais 1.020 vagas do campus Leste da Universidade de São Paulo (USP) causou maior polêmica a possível fusão do curso de Obstetrícia com Enfermagem. Para professores, alunos e formados, a decisão significaria o fim da profissão responsável pelo acompanhamento de partos de baixo risco e diminuição das cesarianas no País, já que o curso é o único do Brasil.

O relatório feito por um grupo de trabalho chefiado pelo ex-reitor e criador da USP Leste, Adolpho Melfi, reconhece a "função social" do curso, mas sugere que as 60 vagas atuais migrem para a Escola de Enfermagem da universidade, que fica em Pinheiros. A "fusão" dos cursos resolveria o problema da falta de reconhecimento do profissional por um órgão que o certifique.
A questão foi reforçada por comunicado da direção da unidade que admite buscar ajustes para "adequar algumas disciplinas de modo a contemplar o estudo do ser humano com conteúdos gerais, mais próximos aos cursos de enfermagem tradicionais, o que poderá levar à mudança na sua denominação".
Fundado em 2005, o curso focado no cuidado da gestante e auxílio em partos naturais esperava respaldo do Conselho Federal de Enfermagem (Cofen) para certificar os profissionais, mas não conseguiu. Apenas alguns formandos, após batalhas judiciais, conseguiram um documento da regional de São Paulo que dá uma certificação provisória. "Não é picuinha. Simplesmente este profissional não existe para a gente, nós representamos os enfermeiros. Por que não pedem para o CRM (Conselho Regional de Medicina) uma certificação?", diz o assessor legislativo do Cofen, Luiz Gustavo Muglia.
Para ele, a Obstetrícia deveria permanecer como especialização possível para profissionais da área de saúde, inclusive enfermeiros.

Protesto em frente à reitoria

Indignados, estudantes e docentes farão amanhã em frente à reitoria da USP, no Butantã, um ato para mostrar a importância social da profissão e esperam conseguir apoio dos colegas de outros cursos. Entre os dados mais importantes estão a recomendação da Organização Mundial de Saúde (OMS) de que apenas 15% dos partos realmente precisam de cesáreas, enquanto no Brasil a média é de 45% no sistema público de saúde e chega a 90% na rede particular. "O profissional que acompanha o parto de baixo risco certamente influenciaria neste porcentual", diz a aluna do 3º ano Nathalia Rudel.
"É mais um profissional para compor a equipe que trabalha pela saúde da gestante", defende Ana Cristina Duarte. Formada pela primeira turma do curso, ela é uma das que conseguiram por liminar a certificação e trabalha como obstetriz tanto em partos em casa quanto em hospitais. "Só trabalho sozinha em partos baixo risco, no restante formamos uma equipe de profissionais que tem feito sucesso na maior parte do mundo desenvolvido", diz.

domingo, 3 de outubro de 2010

Encontro debate parto domiciliar no SUS


Brasília - A inclusão do parto domiciliar assistido por parteiras no Sistema Único de Saúde (SUS) será discutida até sexta-feira (13), em Brasília, por profissionais de saúde, parteiras, gestores do serviço público, representantes de organizações não governamentais e pesquisadores de 15 estados brasileiros. Eles participam do Encontro Nacional de Parteiras Tradicionais: Inclusão e Melhoria da Qualidade da Assistência ao PartoDomiciliar no Sistema Único de Saúde.
De acordo com a subsecretária nacional de Promoção e Defesa dos Direitos Humanos, Lena Peres, a partir do reconhecimento do SUS, as parteiras poderão ser cadastradas, receber qualificação para orientar as mães sobre os cuidados com os bebê e ter acesso a materiais como luvas e álcool e transporte no caso de complicações no parto, além de ter fichas de identificação para facilitar o registro civil. Elas também buscam o direito à remuneração e aposentadoria.
É comum encontrar parteiras no interior dos estados do Norte e Nordeste do país, em geral, em regiões pouco urbanizadas. Elas costumam passar vários dias na casa da parturiente até que a mulher se recupere depois do nascimento do filho.
É a parteira que cuida da mãe, do bebê e dos afazeres domésticos. A maioria não cobra pelo serviço, mas a família dá uma contribuição, que costuma ser pequena por se tratar de regiões pobres.
Segundo a consultora de temas ligados à saúde da mulher, Nubia Melo, o nascimento domiciliar assistido por parteira já é responsabilidade do SUS, mas os acordos assinados neste sentido têm pouco efeito prático. “Nos locais onde elas atuam a realidade é de abandono, exclusão e atuação isolada. Obviamente esse isolamento aumenta o risco pois a mulher que ela assiste é a que tem menos acesso ao pré-natal”, disse.
Além do isolamento, muitas sofrem com o preconceito de profissionais de saúde, como relata Edite Maria da Silva, moradora de Palmares (Pernambuco) e parteira há 44 anos.
"Cada vez somos mais desprezadas por médicos e chefes de saúde que dizem para a mulher não fazer partotradicional porque a criança pode estar numa posição errada para nascer. Mas, em quatro décadas, já peguei menino até pelo bumbum e ele e a mãe passaram bem. O médico também não pode subir o morro, acompanhar a mulher e acudi-la de madrugada enquanto nós fazemos o que precisar colocando amor e conhecimento nas mãos para pegar a criança."
A dificuldade de integração entre o trabalho feito pelas parteiras e a estrutura de saúde pública também foi citada como um dos motivos para a necessidade de que a profissão seja reconhecida pelo SUS. "Parteiras são barradas em maternidades quando querem acompanhar a mulher ou pedir materiais, mas elas são as verdadeiras profissionais de saúde da floresta porque são formadas lá e têm mas experiência do que quem possui a teoria", afirmou Edna Brandão, da tribo Shanenawa (Acre), coordenadora de uma organização de mulheres indígenas.
Apesar de depender de um conhecimento tradicional, normalmente repassado de mãe parteira para as filhas, o trabalho destas mulheres é, às vezes, a única alternativa de apoio às gestantes. Ainda hoje, cerca de 30% dos partos feitos no país são domiciliares, informa a subsecretária de direitos humanos.
Segundo ela, a alta porcentagem se deve ao fato de que as parteiras vêm se modernizando, com o incentivo aos exames pré-natal que garantem um parto mais seguro e atuando também nas casas de parto de centros urbanos.





Por: Agência Brasil
Publicado em 10/08/2010, 09:10
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