Mostrando postagens com marcador melania amorim. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador melania amorim. Mostrar todas as postagens

domingo, 23 de outubro de 2011

Revista Crescer: Espere seu bebê querer nascer



Alguns estados americanos estão criando regras para que o parto cesárea não seja mais feito antes das 39 semanas. Saiba por que é importante entrar em trabalho de parto e veja quais são os riscos de agendar a data da cesárea - para você e para o seu filho também

Ana Paula Pontes e Isis Coelho

Sim! Alguns dias fazem muita diferença na vida do bebê. É claro que existem exceções quando a gestação passa das 39 semanas ou, então, quando há realmente um motivo médico para que uma cesárea seja feita. No entanto, o aumento exponencial do número de cesáreas eletivas (aquelas realizadas sem nenhuma necessidade), tendo como consequência bebês com problemas, tem engatilhado uma série de alertas dos médicos sobre essa irresponsabilidade – no Brasil e no exterior.
Nos Estados Unidos, segundo noticiou a Time, hospitais na Georgia, Flórida e Ohio vêm discutindo sobre o parto cirúrgico feito antes de 39 semanas. No Texas, por exemplo, para limitar os partos antes dessa época, uma legislação começou a entrar em vigor no dia 1o deste mês. Mas será que esse é mesmo o melhor caminho?
Para Alexandre Pupo Nogueira, ginecologista e obstetra do Hospital Sírio-Libanês (SP), esse tipo de lei significa um descrédito total da medicina. “Não deveria ter uma norma, e sim moral de todos os médicos. É ensinado em qualquer faculdade de medicina os aspectos fisiológicos do bebê na gravidez (e os riscos de ele nascer fora da hora). Então qualquer cesárea agendada sem razão e que resulte em alguma situação com o bebê é passível de processo”, diz. E reforça: “O que acontece é que, na maioria das vezes, por conveniência de algumas mães e médicos sempre há uma justificativa, mesmo que errada.”
Segundo Eduardo Zlotnik, ginecologista e obstetra do Hospital Albert Einstein (SP), apesar do viés desse tipo de ação dos hospitais americanos ser mais no sentido de proteção e responsabilidade legal, a consequência é boa para o bebê. “Criou-se uma cultura de que o bebê está pronto com 37 semanas, porque para fins de trabalhos científicos não consideramos prematuro a partir dessa época. Só que o momento ideal de ele nascer é quando a mulher entra em trabalho de parto, nunca antes disso”, reforça Alexandre.



Tem que esperar, sim!

Logo na primeira consulta com o obstetra, você fica sabendo em qual provável semana seu bebê vai nascer, certo? E aí já começa a planejar o enxoval, a calcular de que signo ele vai ser, ver se o aniversário dele será perto de algum feriado... Até aí, tudo bem. O problema é que muitas mulheres acabam usando essa estimativa para agendar a data do parto e fazer a chamada cesárea eletiva. Com medo do parto normal, por falta de orientação profissional ou até mesmo por comodidade, a data do nascimento, muitas vezes, acaba sendo decidida previamente. E, se por um lado isso ajuda a família a organizar a chegada do bebê, por outro, a data fixa pode levar ao parto antes do tempo ideal porque não se pode descartar um possível erro no cálculo gestacional.
“É importante esperar que a mulher entre em trabalho de parto pois isso indica a maturidade do bebê e evita maiores complicações tanto para a mãe quanto para a criança”, afirma Wladimir Taborda, doutor em medicina pela Universidade Federal de São Paulo, colunista da CRESCER e autor de A Bíblia da Gravidez (CMS Editora). Se o parto for antes da hora, a criança pode desenvolver problemas respiratórios e, até mesmo, ter de passar alguns dias em uma UTI neonatal para compensar o período em que deveria ter ficado no útero.
Uma recente pesquisa mostra consequências ainda mais graves. Conduzido por cientistas da March of Dimes Foundation, organização não governamental norte-americana que encabeça diversas campanhas contra o nascimento prematuro nos Estados Unidos, o estudo analisou 46 milhões de partos. Os pesquisadores concluíram que o risco de morte é maior para os que nascem antes da 39ª semana em comparação com aqueles que chegam até o final da gestação. A taxa de mortalidade infantil foi de 3,9 para cada mil bebês nascidos vivos a partir da 37ª semana, e de 1,9 para na 40ª semana. Como você viu, mesmo que ele não seja prematuro (ou seja, nasça antes da 37ª semana), não significa que esteja pronto. E, como a cesárea é uma cirurgia, a mãe também corre riscos, como infecção, laceração acidental de algum órgão abdominal, trombose, embolia pulmonar ou hemorragia.
Ninguém está dizendo para se deixar de fazer cesáreas. Esse é um procedimento que salva vidas mas, segundo especialistas, só deve acontecer raramente (veja o quadro) . Em casos de diabetes gestacional ou problemas de pressão arterial, o médico também precisa avaliar. Caso vocês cheguem à conclusão que a cesárea é mesmo necessária, espere pelo menos o seu bebê indicar que quer nascer. O ideal é aguardar pelas contrações (que podem acontecer até a 42ª semana), sempre com acompanhamento do obstetra.
Quando a mulher entra em trabalho de parto, o bebê passa por uma preparação para nascer que começa com as contrações uterinas. Elas funcionam como um alerta para a criança, que passa a liberar substâncias para o amadurecimento final do próprio organismo, como o hormônio corticoide, que age no pulmão – se você estiver em trabalho de parto e for preciso uma cesárea de emergência, a criança já vai estar com o organismo mais pronto. Além disso, o seu corpo também estará mais preparado para amamentar graças a hormônios liberados no trabalho de parto. A segunda etapa ocorre no parto. Quando o bebê passa pelo canal vaginal, os pulmões dele sofrem uma compressão que ajuda a eliminar líquidos e fluídos que possam causar algum desconforto respiratório posterior. É por tudo isso que não vale a pena agendar uma cesárea.
Se você ficou aflita porque agendou o parto do seu bebê ou se estava pensando nessa possibilidade, tente manter a calma: você ainda tem tempo. A primeira atitude é conversar com seu companheiro e com o médico que acompanha você. Diga que deseja esperar pelo trabalho de parto. Como você viu, desde que suas condições de saúde e do bebê estejam normais, não há motivo para desistir. E aproveite para discutir com ele sobre o tipo de parto. Se você não ficar convencida que ele vai tentar o parto normal, veja se não é o caso de procurar a opinião de outro especialista ou até trocar de médico. “Bons profissionais estimulam uma segunda opinião e, inclusive, essa pode ser uma prática saudável para ajudar a diminuir a incidência de cesáreas eletivas no país”, afirma Taborda.

A CESÁREA É INDICADA QUANDO...

• Há sofrimento fetal ou o bebê tem problemas de crescimento.
• Há placenta prévia (quando essa se interpõe entre o bebê e o colo do útero) ou deslocamento prematuro de placenta.
• Existe uma obstrução vaginal (tumor).
• A mãe tem herpes genital e a lesão está ativa até um mês antes do parto.
• Em casos de gestações múltiplas (não é regra).
• A abertura da mãe for pequena para o tamanho do bebê. (Nota: depois que a mulher dilatou os 10 cm da para se ter a noção se há desproporção céfalo pélvica, não antes disso!)
• A criança está na posição atravessada ou deitada e não foi possível virá-la para a correta.

Por que tantas cesáreas?

O Brasil, infelizmente, é campeão nesse ranking. Enquanto para a Organização Mundial da Saúde o índice aceitável seria 15%, dados do Ministério da Saúde mostram que no Sistema Público de Saúde ela representa 37% dos partos, e pasme: em alguns dos hospitais mais renomados de São Paulo, o número pode ultrapassar a casa dos 90%, segundo dados do Sistema de Informações de Nascidos Vivos da Prefeitura de São Paulo. São multifatoriais as causas que justificam esses altos números.
É verdade que existem casos de mulheres que já chegam na primeira consulta dizendo que não querem tentar parto normal porque ouviu da prima de um amigo que uma mulher teve muita dor durante o parto normal. “O médico não pode se calar diante dessa situação. É preciso conversar com o casal e mostrar que muitos dos temores são infundáveis, e isso deve acontecer durante todo o pré-natal”, afirma Eduardo Souza, obstetra, da Universidade Federal de São Paulo. Mas não se pode dizer que as gestantes são as únicas responsáveis por essa situação.
Os estudos, aliás, contradizem essa percepção. Eles mostram que o parto natural faz parte dos planos da maioria no início da gestação, mas elas acabam desistindo da ideia por falta de informação ou desestímulo do médico que a acompanha ou familiares. Luciana Ivanike Isolani, 30 anos, conta que durante sua primeira gestação nem cogitou a possibilidade de tentar o parto normal. “O médico me desencorajou durante todo o pré-natal dizendo que eu não teria dilatação suficiente. Me senti completamente incapaz.”
Um motivo que explica esse grande número de cesáreas é que esse é um procedimento em que os médicos se sentem no controle da situação, justamente por ser uma cirurgia. “Os profissionais se sentem mais seguros”, afirma Gene Declercq, professor doutor do Departamento de Ciências da Saúde Comunitária da Universidade de Boston (EUA). Outro aspecto é a praticidade, tanto para as mães quanto para os obstetras. O médico consegue se organizar para fazer mais de um parto em um só dia, e não ficar horas acompanhando um único trabalho de parto. “Não é raro que a operação aconteça em dias úteis e em horário comercial, o que reforça a comodidade do agendamento. É comum ocorrer picos de cesáreas em vésperas de feriado”, afirma Maria Esther Vilela, obstetra, coordenadora do Departamento de Saúde da Mulher do Ministério da Saúde.
E ainda tem um dos pontos mais polêmicos, o fator financeiro. “Por ser uma cirurgia, a cesárea gera um custo maior e, consequentemente, paga melhor”, afirma Souza. A Agência Nacional de Saúde Suplementar afirmou à CRESCER que o fator cultural, ou seja, a mulher não querer o parto normal, é o determinante para o cenário atual, e não apenas a remuneração dos médicos. Mas, com a data agendada, o especialista tem outra vantagem: ele não precisa perder as consultas do consultório.
Para mudar esse cenário, nos últimos anos a humanização dos partos passou a ser discutida por diferentes setores da sociedade. De acordo com Declercq, para que seja realmente significativa, a mudança deve ir além de questões estruturais. “Colocar fotos bonitas na parede e melhorar a cortina do quarto não é suficiente para definir a humanização do parto. É preciso que os profissionais transformem suas práticas, respeitando as decisões da mulher, as encorajando e interferindo somente quando necessário.” Para que você faça a melhor escolha, informação e confiança no seu médico é que vão fazer a diferença. Não queira nada menos que o melhor para você e para o seu bebê.

BENEFÍCIO DO PARTO NORMAL PARA A MÃE

Você já conhece vários motivos, não é? Uma pesquisa norte-americana revelou mais um: mulheres que entram em trabalho de parto e têm os bebês pelo método natural se sentem mais seguras e tranquilas do que as que fazem cesárea.

Outras fontes: A Bíblia da Gravidez (CMS Editora); Arthur Habib, anestesista do Hospital São luiz (SP); Melania Amorim, professora de ginecologia e obstetrícia da Universidade Federal de Campina Grande (PB).; Martha Oliveira, gerente geral de regulação assistencial da Agência Nacional de Saúde Suplementar 

Fonte

Retirado daqui

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

A Dra Melania Amorim fala sobre a humanização do parto



Melania Amorim é formada em medicina pela UFPB, com residência médica em Ginecologia, Obstetrícia e Saúde Materno Infantil pelo IMI de Pernambuco. Doutora em Tocoginecologia pela Universidade Estadual de Campinas e com vários artigos publicados em revistas internacionais, além de autora de livros referentes ao assunto. É professora adjunta na Universidade Federal de Campina Grande e atualmente trabalha na disseminação do parto humanizado na cidade de Campina Grande. Portal Celino Neto a convidou para uma entrevista esclarecedora sobre o assunto.

 CN – Iniciaremos com a clássica pergunta. O que é parto humanizado?

Melania Amorim – O termo "parto humanizado" tem múltiplos significados, mas refere-se basicamente a uma nova filosofia de assistência ao parto, em que se privilegia a autonomia e o protagonismo da mulher neste momento tão importante para a sua vida e a sua família, que é o nascimento de um bebê. "Parto humanizado" não é uma técnica ou um método, é antes uma concepção filosófica. Além do resgate do protagonismo feminino no parto, o que se propõe é reduzir as taxas de cesariana que atingem taxas assombrosas em nosso país e, inclusive, em nossa cidade, evitar a excessiva medicalização do parto e manter normal o que é normal, ou seja, não intervir no processo que é fisiológico, exceto se houver evidências sólidas corrobrando a necessidade de intervenção.

CN – Existe diferença entre o parto humanizado e os outros?

Melania Amorim – Sim. Na assistência humanizada, evitam-se procedimentos desnecessários e somente são realizadas intervenções cuja efetividade e segurança tenha sido demonstrada por estudos científicos bem conduzidos, seguindo os postulados do que costumamos denominar "Medicina Baseada em Evidências". Práticas ultrapassadas como jejum, tricotomia (raspagem dos pelos) e enteróclise (lavagem intestinal) não devem ser adotadas. Deve-se permitir e encorajar que a mulher assuma a posição que desejar durante o trabalho de parto. A presença do acompanhante deve ser estimulada, sabe-se que as mulheres se sentem mais seguras e confortáveis quando acompanhadas por alguém de sua família ou de seu grupo de amigas. A presença do acompanhante resulta em menor dor para a parturiente e reduz as intervenções desnecessárias. Estimulam-se as posições não-supina para o parto e deve ser evitado o parto na posição convencional, de litotomia (popularmente conhecida como de "frango assado"). São usados métodos não-farmacológicos para alívio da dor, e analgesia é realizada em casos selecionados, caso a parturiente solicite. Evita-se a episiotomia de rotina, isto é, o "corte" no períneo que teoricamente se acreditava facilitar a saída do bebê, porém hoje em dia se sabe que não é necessário de rotina... e pode ser prejudicial. Imediatamente depois do parto o bebê deve ser colocado nos braços da mãe, aquecido e secado em seu colo, estimulando-se a amamentação na primeira meia hora de vida. Mas em todos os momentos se deve considerar as características e expectativas daquela parturiente.

CN – Em Campina Grande os hospitais e serviços de saúde já estão preparados para esse tipo de intervenção?

Melania Amorim – O maior preparo deve ser dos profissionais de saúde. Não há necessidade de equipamentos ou técnicas especiais para se humanizar a assistência ao parto..., é antes uma questão de paradigma. De forma geral, a maioria dos hospitais que atendem parturientes pelo SUS peca, aqui, por não contar com suítes PPP (pré-parto, parto e puerpério) individuais, preservando a privacidade das parturientes, e tampouco contam com camas ou cadeiras especiais para parto. Mas todos esses equipamentos são relativamente fáceis de conseguir, o Ministério da Saúde tem todo o interesse em favorecer a humanização da assistência ao parto e os hospitais interessados podem preparar projetos de reforma e encaminhá-los ao Ministério. As equipes trabalhando com assistência ao parto devem ser interdisciplinares, com presença de outros profissionais além do médico: enfermeiras, fisioterapeutas, psicólogas, doulas, e todos esses profissionais devem ser sensibilizados e capacitados para prestar assistência humanizada.

CN – Que os benefícios o parto humanizado traz para as mulheres e para os filhos?

Melania Amorim - Além de parâmetros subjetivos, como maior satisfação das parturientes, uma assistência humanizada e baseada em evidências ao parto reduz as taxas de cesárea, reduz as complicações maternas, reduz significativamente as taxas de episiotomia e de sangramento pós-parto, favorece o início precoce da amamentação e sua manutenção nos seis primeiros meses de vida, reduz os riscos da prematuridade iatrogência por cesarianas eletivas desnecessárias e reduz o tempo de internação hospitalar. Além disso, em longo prazo, reduz a mortalidade materna e perinatal.

CN - No geral todas as mulheres podem se beneficiar desse processo?

Melania Amorim – Sim. É possível se prestar assistência humanizada mesmo no parto das gestantes de alto-risco. Durante todo o tempo em que desenvolvemos as nossas atividades no ISEA, incluímos tanto mulheres de baixo como de alto-risco, incluindo casos de pré-eclâmpsia grave que, em sua maioria, puderam ter parto normal.

CN – Você acha que o fato de Gisele Bundchen ter optado por pelo parto humanizado influenciou outras mulheres a procurar o procedimento?

Melania Amorim – Gisele Bundchen tem contribuído para chamar a atenção para essa possibilidade, que deve ser um direito de TODA mulher. Mas um movimento de humanização da assistência ao parto já vem se consolidando no Brasil há alguns anos, com a contribuição importante da Rede de Humanização do Parto e Nascimento (ReHUNA) e da ONG "Parto do Princípio", por exemplo. Muitas mulheres estão se conscientizando da importância do parto humanizado e o movimento já conta com vitórias consideráveis, dentre as quais a exigência do cumprimento da Lei do Acompanhante.

CN – Recentemente você ministrou cursos sobre o tema na USP e em São Carlos. Quais os resultados desse simpósio para disseminação do parto humanizado?

Melania Amorim - O impacto foi extremamente favorável, permitindo o diálogo entre usuárias, profissionais de saúde e entidades médicas. Em São Carlos, o evento foi patrocinado pela Unimed e na USP foi de responsabilidade da Escola de Saúde Pública. A presença das usuárias marcou fortemente ambos os eventos, a diferença entre ambos foi que o evento de São Carlos deu maior ênfase ao parto para as mulheres de classe média, assistidas pelos convênios, enquanto o evento da USP foi mais voltado para as usuárias do SUS.

CN - Por parte do governo federal ou estadual, existem campanhas de incentivo para opção desse parto?

Melania Amorim – O governo federal, através do Ministério da Saúde, tem investido fortemente na humanização do parto, inclusive desde 2001 temos a publicação da Norma Técnica do MS para assistência humanizada ao pré-natal, parto e puerpério. Mas aqui em Campina Grande, infelizmente, não notamos grande interesse do governo municipal. O Projeto de Humanização da Assistência ao Parto que desenvolvemos no ISEA é totalmente voluntário, baseia-se na boa-vontade de uma equipe interdisciplinar que trabalha por Amor, tentando sensibilizar os profissionais de saúde e propiciar atendimento digno às parturientes. Mas não conta com o apoio oficial nem na direção da Maternidade nem da Prefeitura. Não dispomos de verbas e enfrentamos muita resistência, inclusive com essa reforma da maternidade que vem se arrastando estamos com dificuldade para retomar as atividades do Projeto no ISEA. Já fizemos contato com a diretoria da FAP, no entanto, e a ideia é de concentrar nossas atividades por lá, esperando que o ISEA nos permita retornar em algum momento.

CN – Qual o ambiente mais propício para a realização desse procedimento, já que existem várias formas de humanizar o parto?

Melania Amorim – O ambiente somos nós que fazemos, nossa equipe dispõe já de todo o arsenal necessário, o que é muito pouco: cadeira de parto, banquetas, bolas, piscinas... Encontrando acolhimento, dá para humanizar a assistência ao parto em qualquer maternidade. É preciso, no entanto que os gestores sejam sensíveis e se disponham a seguir este novo paradigma.

CN – Fale sobre o projeto do parto humanizado em Campina Grande.

Melania Amorim - O projeto teve início em julho de 2007, quando uma pequena equipe de voluntários, composto por mim, como obstetra, por enfermeiras, fisioterapeutas, doulas e estudantes de Medicina começaram suas atividades no ISEA, na forma de plantões semanais. O ISEA NÃO tem uma estrutura como a recomendada pelo MS para assistência humanizada, porém com boa-vontade e muito amor conseguimos resultados impressionantes até junho de 2009, quando as atividades foram temporariamente suspensas por conta da reforma naquela instituição: foram 200 partos assistidos, com apenas 7,5% de cesárea, nenhuma episiotomia, início do aleitamento na sala de parto e elevado grau de satisfação das parturientes. Os vídeos do Projeto estão disponíveis no Youtube.



Fonte
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...

MundoBrasileiro