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segunda-feira, 7 de julho de 2014

Dúvidas sobre o parto normal? Leia a entrevista com o médico obstetra Mauro Casanova - por Você Saudável

Foto: Mais Você
Uma ótima entrevista, feita por Você Saudável. Acompanhem!!
________________________________________________________________O Espaço Você Saudável entrevistou o médico Mauro Casanova, coordenador da equipe de obstetrícia e do curso para gestantes do Hospital e Maternidade Santa Isabel, em Jaboticabal, para esclarecer algumas informações que são usadas como justificativas para a realização de parto cesáreo, mas que não tem evidência científica para o caso. Mauro Casanova é um defensor do parto normal humanizado e encoraja mulheres para serem protagonistas e assumirem o papel de destaque durante a chegada do bebê.
Espaço Você Saudável – A gestante que opta pelo parto normal terá que sentir todas as dores, sem contar com ajuda medicamentosa para amenizá-las?
Infelizmente, o próprio nome diz: trabalho de parto. Há um grande desconforto com cólicas e endurecimento do útero. Existem os métodos não farmacológicos (como massagens, acupuntura, aromaterapia, posicionamento livre com apoio, banhos de chuveiro, exercícios na bola, banheira de imersão, entre outros) e farmacológicos para aliviar a dor do parto. Primeiro esgotamos os métodos não farmacológicos,  mas não sendo suficiente entramos com a segunda opção que é a analgesia. A Organização Mundial de Saúde (OMS) recomenda que os métodos não-farmacológicos devam estar disponíveis e privilegiados em relação aos métodos farmacológicos, por terem menor risco. É muito importante que seja discutido com a gestante ainda no pré-natal todos estes métodos, para que ela defina no seu Plano de Parto quais gostaria de utilizar em seu trabalho de parto.
Espaço Você Saudável – A cesárea dói menos que o parto normal?
Pode até ser que sim. Cada pessoa tem um limiar de dor, a sensação dolorosa é algo particular e varia de pessoa para pessoa. O mais importante para ser tranquilo no parto é abrir a porta para o parto. Deste momento em diante tudo fica mais fácil, lembrar que o trabalho de parto é doloroso sim mas quando nasce o bebê passam todas as dores. Já na cesariana, o desconforto pode ficar por dias ou até mesmo anos pois tem grandes chances de formação de aderências, de uma cicatrizarão não adequada, pois trata-se de uma cirurgia com o corte de terminações nervosas, vasos e estruturas do corpo. Mas o corpo humano é sábio, no momento que uma série de neurosubstâncias são liberadas na cascata dolorosa, outras tantas substâncias anestésicas e relaxantes naturais também são produzidas.  Ao mesmo tempo que o corpo produz a dor também produz substâncias que a tornam mais tolerável.
Espaço Você Saudável – Se pelo parto normal o bebê demora a nascer, isso pode gerar complicações na saúde da mãe e do próprio bebê?
Jamais, a não ser que exista uma complicação de risco de vida com indicação de realizar uma cesariana. Vai acontecer o momento certo do nascimento, o bebê sabe o seu momento de ser expulso, essa conquista pelo canal do parto é muito importante para o amadurecimento do bebê, seu crescimento como indivíduo. Quanto à mãe, ela sabe o momento certo de realizar a expulsão, de deixar acontecer o abaulamento do perineo naturalmente.
Espaço Você Saudável – O tamanho da bacia da mãe pode impedir o parto normal?
Existem quatro tipos de bacias.  A mais comum das mulheres é a chamada ginecoide. Sim, pode existir um impedimento dessa passagem, o que nós obstetras chamamos de desproporção cefalo pélvica. Mas existem meios de identificar a situação antes ou durante o trabalho de parto.
Espaço Você Saudável – O cordão umbilical enrolado no pescoço do bebê é evidência para desistir do parto normal?
De jeito nenhum, enrolado no pescoço ou no braço, nunca deve ser indicação de cesariana. Infelizmente muitos obstetras ainda usam esse argumento para justificar uma cesariana.
Espaço Você Saudável – A partir da 41a semana de  gestação, o que fazer se a futura mamãe não entrou em trabalho de parto?
Atingindo essa idade gestacional, confirmada pela data da última mesntruação ou ultrassom de primeiro trimestre, a gestante passará por consulta na referida data das 41 semanas. Muito casos, a gestante da saúde suplementar já está em acompanhamento semanal ou, em alguns casos, consultas diários. O médico avalia a vitalidade fetal, se o feto está em condições boas; o colo uterino, se está em condições favoráveis para indução do parto normal através do índice de Bishop; e se já existe ou não atividade uterina. Se estiver de acordo as indicações e as condições favoráveis listadas acima, nós seguimos o protocolo para indução de parto. Caso a gestante não queira indução e prefira aguardar as 42 semanas, gestação prolongada, respeitamos e avaliamos diariamente a vitalidade fetal. Em nosso protocolo em nenhum momento deixamos de estimular o parto normal. Porém deixamos a gestante livre e bem informada sobre todas as possibilidades.
Espaço Você Saudável – Se o bebê estiver sentado ou atravessado é motivo para parto cesáreo?
Não, existe o que chamamos em obstétrica de versão externa, um pouco deixado de lado por conta dos riscos existentes, mas é uma prática que tem motivado muitos obstetras a resgatar. A polêmica do parto pélvico sempre será motivo de discussão, mas temos vários estudos que demonstram as condições para realizar um parto pélvico, com riscos de mortalidade e morbidade iguais ao parto cefálico.
Espaço Você Saudável – Se a mulher já tiver realizado cesárea ou alguma cirurgia no útero ela está impedida de ter um filho por parto normal?
Somente se a incisão no útero for longitudinal, ou uma cesariana há menos de um ano, nesse depende muito do engajamento da equipe e da gestante.  É outro ponto polêmico, mas todas as atuais evidências científicas nos mostram que não existe necessidade de uma cesariana após uma cesariana anterior ou mais.
Espaço Você Saudável – Quando a episiotomia (corte para ampliar o canal do parto) é indicada ?
Atualmente, estamos em uma grande discussão sobre a episiotomia, corte realizado para ampliar o canal do parto. Na verdade, se verificarmos a história da episiotomia ela nunca foi indicada de rotina. O que vem acontecendo desde o século XVIII é o uso rotineiro do procedimento. Porém, todas as evidências nos mostram que não há necessidade do tal “pic” na vagina e que devemos selecionar muito bem os casos necessários para não torná-lo de rotina, seguindo recomendação da própria OMS. Sabe-se que os bebês nascem muito bem sem episiotomia, e não há necessidade de realizá-la rotineiramente. Vale esclarecer que: a episiotomia não protege o assoalho pélvico materno, não protege contra incontinência urinária ou fecal e, tampouco, contra o prolapso genital, associando-se com redução da força muscular do assoalho pélvico em relação aos casos de lacerações perineais espontâneas. A perda sanguínea é mais volumosa (em torno de 800ml contra 500ml no parto vaginal espontâneo), utiliza-se uma maior quantidade de fios para sutura e há mais dor perineal quando realizada a episiotomia. A episiotomia é uma laceração perineal de segundo grau, e quando ela não é realizada pode não ocorrer alguma laceração ou surgirem lacerações anteriores, de primeiro ou segundo grau, mas de melhor prognóstico. A episiotomia aumenta a chance de dor no pós-parto e dispareunia (dor durante a relação sexual). A episiotomia pode cursar com complicações como edema, deiscência, infecção (até fasciíte necrosante) e hematoma. O ideal é que a taxa de episiotomia seja inferior a 30%, o que já é realidade em muitos países europeus. Já em nosso país, a situação é ainda mais crítica, porque o procedimento é realizado em cerca de 94% dos partos vaginais.
Espaço Você Saudável – Quando é indicada a aplicação de ocitocina (hormônio para aumentar a contração uterina)?
Se possível nunca, mas infelizmente é realizado quase que rotineiramente a instalação do soro glicosado com ocitocina. A ocitocina é um hormônio sintético cuja finalidade é potencializar a contração uterina, aumentando sua intensidade e frequência. O problema é que ela é mal utilizada, usada em mulheres que já estão em trabalho de parto com contrações efetivas, sem necessidade do seu uso. A sua aplicação nessas situações potencializa em muito a dor e aumenta a chance de complicações como hipertonia uterina (quando o útero contrai e não relaxa) e taquissistolia (número excessivo de contrações), complicações estas que podem levar ao sofrimento fetal. O uso da ocitocina deve ser criterioso, com indicação precisa (indução do trabalho de parto,  parada da progressão durante o trabalho de parto por diminuição substancial das contrações) e deve ser sempre informado para a gestante.
Espaço Você Saudável – A falta de dilatação durante o trabalho de parto é uma  indicação para gestante fazer o parto cesáreo?
A grande maioria das gestantes consegue parir nessa situação (falta de dilatação ou parada de dilatação), cerca de 80%. A falta de dilatação não é uma indicação de cesariana, existem meios de estimular o trabalho de parto normal.Devemos sempre lembrar das causas que podem nos levar a realizar uma cesariana desnecessária nessa situação, como: diagnóstico incorreto do trabalho de parto, admissão hospitalar precoce e, com isso, aumento dos riscos da administração de ocitocina, analgésicos e peridurais com consequente aumento de distocia e iatrogenia, restrição ao leito (o que torna o trabalho de parto mais lento), monitoramento eletrônico continuo fetal.
Medidas que estamos adotando para prevenção de cesarianas desnecessárias:
- maior integração entre equipe (médicos e enfermeiros),
- iniciar amadurecimento cervical com prostaglandinas e uso posterior de ocitocina se houver necessidade,
- apoio emocional continuo com doulas, quando disponível e, cumprir com a Lei do acompanhante,
- uso de medidas alternativas no controle da dor (banhos mornos, deambulação, apoio físico e emocional) deve ser preferido à anestesia peridural,
- evitar posicionar parturiente muito cedo em posição de decúbito dorsal, bem como, evitar solicitar à mesma que realize o puxo precocemente no segundo estágio do parto (medidas que só exaure a paciente e contribui para prolongar o período expulsivo),
- incentivo a realizar um plano de parto,
- revisar os prontuários e reavaliar a indicação de cesariana, para não cometer mesmos erros.
Espaço Você Saudável – O parto normal humanizado no hospital necessita de instalação física adequada?
Um centro de parto normal é um espaço onde a mulher recebe assistência totalmente natural, sem intervenções cirúrgicas e não medicamentosas.
Parto normal humanizado também é monitorado, mas a mulher grávida é mais protagonista. É aquele que deixa a natureza agir e a mulher é a principal atuante, sem muita intervenção dos médicos. Queremos que este tipo seja mais utilizado porque é melhor para a saúde do bebê. Precisamos sim de algumas instalações mais humanas, um local mais aconchegante, não tão hospitalar, como por exemplo, uma parede de coloração mais suave, uma plotagem, camas confortáveis, banheira e, etc, mas principalmente, uma equipe também engajada desde a recepção do hospital.
Espaço Você Saudável – Qual é a melhor posição para o parto normal humanizado?
A que a parturiente se sentir confortável, seja qual ela for devemos respeitar. Mas infelizmente não é o que acontece nas maternidades do nosso país.
Espaço Você Saudável – Qual o papel do pai no hora do parto normal humanizado?
Além de ser um direito por Lei, desde 2005, o pai deve participar deste momento que é único e mágico. O carinho do pai, o seu consolo ao segurar a mão da mulher, fazer massagens ou incentivar podem ser cruciais no desempenho da mãe. A participação ou não do pai no nascimento do filho tem de ser um assunto conversado no decurso da gravidez. Eu acredito que o pai participativo torna o parto mais fácil e a mulher sente-se mais segura. Para não tornar a situação embaraçosa o homem deve ficar à cabeceira da cama, para apoiar a mulher e não ter que visualizar diretamente o parto. Se for um pai que encara a situação com mais descontração pode até cortar o cordão umbilical. Estes momentos são inesquecíveis e fortalecem os laços, entre pai, mãe e filho, e entre o casal.
Espaço Você Saudável – O que fazer logo que o bebê nasce?
Entregar para quem é de direito, a família. É neste primeiro momento que a mãe inicia o contato pele a pele, imediatamente, por no mínimo uma hora após o nascimento. É uma das grandes vantagens sobre o binômio mãe e bebê, atuando na regulação térmica, estabilidade cardio-respiratória, estabelecimento do vínculo, início da amamentação e colonização bacteriana, vantagens que só conseguimos com o parto normal. As nossas grávidas são estimuladas a realizar o plano de parto, onde é listado todos os desejos do casal na hora do nascimento. Nosso hospital tem um engajamento e também com o cumprimento dos passos da Iniciativa  Hospital Amigo da Criança, que são:
- aspiração de vias áreas não rotineira, selecionados os casos;
- nitrato de prata, ainda rotina por se tratar de uma recomendação do decreto lei 9713/77. O que temos evitado é a utilização do nitrato de prata na primeira hora de vida, para não irritar o olho do bebê e, com isso, evitar o contato olho no olho entre mãe e seu bebê;
- lavagem gástrica: abolido no hospital, apenas recomendado seu uso em casos muito selecionados;
- estímulo a amamentação ou pelo menos o reconhecimento com o seio materno;
- vestir o bebê  mais tardiamente possível e sempre após a primeira hora do nascimento, para prolongar o contato pele a pele.
Espaço Você Saudável – Como deve ser o primeiro contato da mãe com o filho?
De preferência em um ambiente tranquilo e aconchegante. Após passar nove meses sonhando com o rostinho do bebê, o maior desejo e pegar no colo assim que ele nasce, o toque, contato olho a olho e amamentação.  O primeiro contato entre mãe e bebê é fundamental para estabelecer o vínculo afetivo entre os dois. Eles se reconhecem e inicia o maior vínculo afetivo, com isso desenvolve o sentimento de proteção, segurança e amor.

quinta-feira, 30 de maio de 2013

Entrevista e relato da cesárea intra parto da Tati Brum

Duas bonequinhas!

1-      Como soube das Doulas e porque se interessou em ter este acompanhamento? Soube pela Internet. Já admirava o trabalho de uma profissional e descobri as vantagens para mãe e bebê,  ao escolher o parto normal.

2-      Como escolheu a sua doula? Por indicação.
3-      Como foi ter uma doula no parto? Excelente.

4-      Por quê decidiu ter um parto normal/ natural? Pelos benefícios ao bebê.

5-      Como foi o trabalho de parto e nascimento? Se pudesse voltar atrás,faria algo diferente? Foi intenso, mas suportável. No mesmo contexto não mudaria nada.

6-      Se tiver outro filho, pretende parir de novo e ter uma doula ao seu lado? Gostaria bastante.

7-      Como esta se sentindo depois da experiencia de parir, como esta a recuperação pós parto? Acabei não podendo realizar o meu parto normal;  mas tentei por tantas horas que Deus foi muito bom comigo ( sem tirar o mérito da minha ginecologista,  que foi incrível também), tive um excelente pós operatório.

8-      E os cuidados com o bebê e a amamentação estão seguindo bem? Sim,  tudo bem.

9-      Sua experiencia com o parto foi positiva? Ainda me questiono,  mas sei que fizemos tudo que estava ao nosso alcance. Talvez meu sedentarismo tenha atrapalhado a evolução do meu parto.

10-  Você ficou satisfeita com o trabalho da doula? Foi incansável durante as mais de 24hs. Só tenho elogios a tecer.

11-  Conte em algumas linhas como foi seu parto e ver seu bebe pela primeira vez. Se quiser deixe uma dica para as futuras mães.
Meu TP foi longo e isso me assustou um pouco.  Me diziam que estava tudo bem com a minha filha mas teve uma hora que eu não acreditei mais e precisei enfrentar o meu maior medo: a cesarea. Não foi tão ruim quanto eu imaginava;  mesmo assim sou e sempre serei a favor do PN. Talvez eu não tenha ficado com traumas pois sei que tentamos de tudo!  Me senti apoiada e cuidada. Respeitada. Pena que a minha querida doula não pode ficar comigo no bloco.  Sei teria sido mais interativo;  por exemplo , o campo ficou alto e não vi ela nascendo.  Mas tudo bem.  Quem sabe o próximo bebê não será de PN? Para Deus nada impossível. Mesmo com outra FIV irei correr dos médicos cesaristas que queriam tirar minha filha de mim com 38 semanas.  Curti intensas 40 semanas e 5 dias! Fui feliz em todas as minhas decisões!  Recomendo a Ana Luiza. Excelente profissional.


quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Vídeo: da Maternidade EU ESPERO...

quarta-feira, 13 de junho de 2012

O parto normal e a montanha russa

Texto fantástico!! Para quem quer saber como vai ser o trabalho de parto, leiam!!!
google imagem


Tem gente que acha loucura sentir dor para parir.

Muitas coisas na vida são mais loucas e as pessoas fazem. E sem que haja bem estar algum em jogo.

Pense no seu parto como se fosse um passeio de montanha russa. Essa foi a melhor metafora que encontrei!

Imagine a sua gestação como uma daquelas filas enormes em dia de excursão de escola no Hopi Hari. No verão. Você ali esperando aquela fila se deslocado devagar... muito devagar. Você cansada, os pés doendo. Você vê gente com medo, apreensiva. Gente empolgada que descreve como vai ser para quem nunca andou. E você ali. Sem saber o que esperar. Você também escuta alguns: você é louca! Andar nisso aí??? Nunca!!! Você não viu aquela montanha russa lá em Ximbiquinha do Sudoeste que quebrou e matou todo mundo? E o pior foram os que ficaram mutilados pro resto da vida!

Você faz ouvido mouco e continua ali. Avançando devagarinho. Não tem pra onde ir, é tarde pra pular fora, as grades que separam a fila são altas, só dá pra seguir em frente.

Aí você vê quem está saindo, gente meio tonta, com uma expressão que você não entende, cambaleando, passando mal. E você pensa: onde é que eu fui me meter?
Quando você está chegando perto o cansaço está maior, você tem que ficar encostada quase o tempo todo. Ai, não chega nunca. Pra melhorar no finalzinho ainda tem uma baita escada pra subir na plataforma de embarque. Bem que podia ter uma escadazinha rolante aqui...

Você chega na ultima parte da fila. De repente parece que toda aquela morosidade foi embora. A fila anda muito mais rápido agora. Ou será que você é quem acha isso porque a hora de embarcar está se aproximando?

Subir as escadas exige um esforço extra. Parece que seu peso aumentou uns quinze quilos. Você não sabe se é o calor, o tempo de pé, ou se foi aquele combo gigante de hamburguer fritas e balde de refrigerante que estão pesando.

Mas você sobe, um degrau de cada vez. E o topo vai se aproximando.

É quando você avista: tem uma saída de emergência lá em cima. Saída estratégica pela esquerda. Acho que é nessa que eu vou! Mas aí você pensa. Já vim até aqui... e se for tudo o que dizem mesmo? Como é que eu vou saber?

Que o destino decida então: vou jogar uma moeda. Se der cara eu vou. Cara! Melhor de três então. Cara de novo. Ai, ai...

Continua avançando. Ah, se aquela mocinha desmilinguida embarcar, eu vou também. Se ela consegue eu também. Ela embarca.

Ok, acho que vou. a não ser é claro que chova. Se não for totalmente seguro não vou. E eu acho que estou vendo uma nuvenzinha lá longe. Se o carrinho que vier for vermelho também não! Vermelho me dá um azar! E eu não vou arriscar.

Sua vez está chegando, você já vai chegar na plataforma. Uma moça amarela bem na sua frente, sai correndo pela saída de emergência. Você se estica e consegue enxergá-la lá embaixo, na saída da lojinha... tem alguma coisa na mão, mas o olhar parece meio distante.

Eu vou! Não quero ficar imaginando como teria sido.

Chega a sua vez. O coração sobe na boca. O fôlego fica suspenso alguns instantes. Mas você respira fundo e sobe no carrinho. E pensa: ainda bem que não era um vermelho!
A viagem começa devagarinho. Tec tec tec. O carrinho vai subindo devagar. Tranquilo. Não é tudo aquilo! Que povo medroso! Dá até pra tirar a mão. Ainda bem que não desisti!

A brisa no rosto. A paisagem tão linda. Ainda bem que fui forte!

Sobe, sobe, sobe. Puxa, mas que alto... dá uma vertigem de leve...

De repente você se vê no final da subida. C******, que altura, ai, eu vou morrer. Me deixa descer, me deixa sair daqui. F***** da P*** daquela professora que yoga que disse que eu não ia me arrepender. Se estivesse aqui agora, eu matava!!!
Será que aquela doula ia fazer muita diferença segurando aqui a minha mão??? Bando de louca... ah, eu mato se eu sair viva daqui!

E a minha prima, aquela V*** que me convenceu a vir. Vai ser legal, você vai ver, você vai querer ir de novo. Ai, eu mato, eu mato. Cadê ela? Porque não está aqui? Duvido que quando ela andou foi nessa tão alta, aposto que foi na menor!!!

E vem a descida. O looping, uma subidinha, curva, mais curva, outra curva. Você já não está vendo nada direito, está meio tonta, parece meio fora de si. Tem mais gente gritando, ou será que é você mesma? Está doendo tudo, esse bate bate no carrinho vai doer ainda mais amanhã. Vai parecer que fui atropelada... Você nem sabe mais se está de ponta cabeça. Dá medo de olhar. Você espia, fecha o olho de novo. Nào quero nem ver. Não vou olhar. Se eu olhar é pior!

Vai chegando no final. O carrinho desacelera. Você está meio abobada, Grogue. Alguem ajuda a descer. Você nem vê quem é. Podia ser o Brad Pitt e você não ia nem notar. Seu cabelo está parecendo uma piaçava depois da faxina, mas você esqueceu de prendê-lo. E agora nem lembra mais que tem cabelo. Mas tem alguma coisa diferente. Algo a mais em você. Vim, vi e venci. Sou praticamente um Julio Cesar!
Suas pernas cambaleiam um pouco, mas você anda. A brisa bate e aos poucos você se recobra. Levanta a cabeça e sorri.

Era só isso? Porque tive tanto medo?

Vou pra fila de novo!

Quem já andou de montanha russa sabe do que estou falando. Quem passou por um trabalho de parto também.

E você, já andou de montanha russa?

Katia Barga, mora em São Paulo, Brazil, é instrutora de yoga e mãe da Sarah, de 1 ano e 2 meses. Para saber mais sobre seu trabalho clique http://www.babyyoga.com.br


Retirado daqui

segunda-feira, 16 de abril de 2012

Carta da Nona Lua – O parto tem seu próprio tempo


mandala journey

por Flávia Penido em 09/05/2010

Sinto que você está chegando, meu corpo vem me dando seus sinais. Foram nove meses de comunhão, dias melhores, outros piores, agora chegam ao fim. Quem venha com o tempo, que venha com a lua, que venha! Já te aguardo, te pressinto. Confesso para ti, somente para ti, confesso que já me sinto ansiosa pela sua chegada. Meu corpo todo sente o seu peso, e já está tão difícil mover quanto ficar quieta.
Respiro fundo e suspiro, nascer é tempo sem hora.Aguardo você sentir-se pronto, pronto para respirar por si só. Saiba que eu mesma já me sinto inteiramente pronta. Durante os nove meses eu estive ocupada, sim, eu sei. Também durante nove meses eu me acostumei à sua presença em mim. Tive bastante chance de me preparar, a mente teve seu tempo de absorver as mudanças que trará para minha família. Sinta-se desejado e amado, meu bebê, por todos nós. Desejo-te.
Pressa? Não eu não tenho pressa, para que andar depressa? Quero que venha, mas que venha na sua hora. Não existe hora marcada, não marquei na agenda. Sem nenhum compromisso, que seja pelo nosso desejo mútuo.
Quando meu corpo e você estiverem em trabalho parto, vamos nos repartir, você vai partir para uma nova jornada, é uma viagem intensa, procure a luz, procure o caminho que te ofereço em meu corpo.Não tema essa viagem, porque estou sempre contigo. Despeço-me da barriga linda e grande, você se despede do interior do meu corpo. Mas nos encontramos aqui deste lado, em uma nova e longa aventura. Começa em um grande deleite. Sinta o amor que confirmo ao colocar minhas mãos em meu ventre, sinta o calor que emana. Este calor destas mãos você vai sentir aqui fora. Pode vir, garanto que estou aqui.
Sem pressa para essa viagem, criança, sem pressa. Venha surfando em onda esplêndida, venha no ritmo que imprimimos juntas, somente nós duas. Você e eu temos todo o tempo, todo o espaço para essa caminhada. Temos bola, temos água, temos de tudo! O tempo e espaço do parto é nosso, só nosso. É o meu parto e o seu nascimento. A dinâmica será somente nossa e sem artifícios exteriores, creia em mim, eu lhe prometo que será nossa e de mais ninguém. Como estou tão segura? Por que desta vez eu fiz as escolhas que me aprazem desde o começo, ouvindo meu mais intimo desejo! Sim, você já sabe disto, eu ouvi os meus medos e procurei sua cura, procurei sanar suas carências.Impedi também que medos alheios me assombrassem.Cá estou pronta para a entrega. Ninguém vai precisar nos ajudar nessa viagem de partida e de chegada. Você pode ouvir a calma e potente batida do meu coração. Então, prepara-se e dê o sinal! Venha na lua que te escolher e venha com vontade de me ver, olhe para a luz!

Tempo e Espaço
O Parto tem seu próprio tempo
Tempo frugal
Tempo sem pressa
Tempo que se acha
Tempo que se dá
Tempo que procria
Tempo que se cria
Tempo que se cri- ança
Tempo que se cansa
Tempo que se dança
Tempo que deságua
Tempo sem mágoa
Tempo que demora
É tempo sem hora…
O parto tem seu próprio espaço
Espaço sem lugar
Espaço de esperar
Espaço que se faz
Espaço que se abre
Espaço que se tem
Espaço que contém
Espaço que se dança
Espaço que se água
Espaço que se bola
Espaço que rebola
Espaço que se embola
Espaço de ir embora
É espaço de ir, em boa hora
Tempo sem drama
Espaço de trama
Hora de criança
Lugar de mulher
Autora: Flávia Penido

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Distocia Emocional


Muito interessante o texto!!  Isso mostra o quanto temos que preparar uma gestante, ajudá-la a superar medos e emoções, que vão complicar a hora do parir e do nascer. E também, que nós temos que nos preparar também! Encontrei o texto no blog da minha amiga/doula Aline Amorim, mas foi traduzido e apresentado pela minha outra amiga/doula Renata Olah. Leiam...

google imagem

O assunto de hoje não é muito falado, mas quando presente no trabalho de parto de uma mulher pode atrasar e bloquear todo processo, impossibilitando a mulher de parir. Esse bloqueio é causado pela DISTÓCIA EMOCIONAL!

Só encontrei textos em espanhol sobre o tema, então pedi para minha querida doula-doulanda Mirian Kedma para traduzir os textos para vocês!!! Então aí vai nossa contribuição:

Denomina-se distocia o parto trabalhoso ou difícil. Considera-se distocia emocional o stress materno, o medo, cansaço e dor excessiva durante o parto.

Há uma série de fatores que podem predispor a gestante à distocia emocional:
  • Partos anteriores difíceis;
  • Experiências traumáticas prévias ou atuais (por exemplo, abusos físicos ou sexuais);
  • Múltiplas hospitalizações anteriores;
  • Desestruturação familiar;
  • Consumo de substâncias psicoativas;
  • Fatores culturais: vergonha extrema produzida pela nudez, ou pela presença de um homem ou por outros comportamentos contrários às expectativas culturais da mulher;
  • Barreiras idiomáticas ou impossibilidade para entender que está acontecendo ao seu redor;
  • Morte da mãe da mulher (principalmente, se ocorreu durante a infância);
  • Crenças pessoais sobre o parto: lesões durante o nascimento de alguém próximo, história traumática em relacionamento com o próprio nascimento, etc.

A ansiedade da mulher traduz-se em um aumento dos hormônios do estresse, que influeciam diretamente as contrações uterinas, diminuindo-as e aumentando os hormônios que produzirão estresse fetal. Desta maneira o fornecimento de oxigênio através da placenta é reduzido, e cresce o risco de desaceleração cardíaca fetal. Tudo isto, contribui para intensificar o estresse materno, o desânimo e a necessidade de apoio. Esta série de acontecimentos implica uma fase prodrômica longa, lenta e dolorosa.




Por outro lado, o aumento fisiológico dos hormônios do estresse (catecolaminas), quando a mulher se encontra perto do final do parto, provoca o reflexo de expulsão fetal, que acelera o nascimento. Nestes momentos, a mulher pode sentir, por alguns instantes, pânico, angústia ou euforia, emoções que são a resposta normal ao aumento das catecolaminas e à proximidade do nascimento.

Para evitar o estresse materno, a mulher deve ser encorajada a:
  • Explorar, durante a gravidez, os possíveis medos, emoções e sentimentos em relacionamento com o nascimento;
  • Aprender técnicas de relaxamento;
  • Conhecer, durante a gravidez, a equipe e o local onde vai ocorrer o nascimento;
  • Elaborar um plano de parto e ter a oportunidade de discutí-lo com a pessoa ou a equipe que a acompanhará durante o processo;
  • Expressar as suas emoções durante o parto.

Fonte original: Infermeira Virtual

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

A importância de aguardar o trabalho de parto ativo em casa!


Mulher em trabalho de parto vocalizando!
Ótimo texto escrito pela Cris de Melo, que é Doula em Florianópolis! Leiam e reflitam!!...


Todo mundo sabe que o trabalho de parto é um momento intenso, de várias sensações diferentes, de pensamentos confusos onde a mulher precisa de muita concentração no seu corpo e no bebê.
Esse é o dia em que um bebê nasce, mas além disso nasce uma mãe, uma nova mulher e o parto nada mais é do que um ritual de passagem, onde a mulher precisava ser protegida e respeitada.


Mas quem já pariu no hospital, sabe que isso não funciona nesse ambiente, onde pessoas estranhas entram e saem da sala, você não tem privacidade, por estar no hospital você sente que o relógio está correndo e que você precisa parir logo, a equipe começa a ficar ansiosa e a pressão aumenta. Por isso cada vez mais  mulheres optam por partos domiciliares, e onde não existem parteiras ou equipes que atendam ao parto em casa, acabam existindo os partos desassistidos, sem um profissional qualificado para atender um parto.


Mas existem também as pessoas que não se sentem seguras para parir em casa, e preferem ter no hospital, mas existem maneiras de diminuir o tempo nesse ambiente hostil.


Se eu não quero ter meu bebê em casa, que opção tenho?
Saiba que é seguro aguardar em casa as suas contrações ficarem com intervalos próximos e regulados, desde que a sua gestação seja de baixo risco, sem que precise ter um monitoramento contínuo como no caso de mulheres com pré-eclâmpsia, pressão alta, etc.


Não vá para a maternidade na primeira contração, se o bebê estiver se movimentando bem, fique em casa e mantenha a sua rotina, não pare tudo porque  as contrações começaram. Lembre-se que você pode comer e beber quando quiser, e se sentir que as contrações estão mais fortes, procure posições e exercícios que aliviam os desconfortos delas. Se a dor começar a aparecer, vá para o chuveiro e relaxe, concentre-se no seu corpo, preste atenção na sua respiração, ela é fundamental para aliviar a dor e mandar oxigênio para o bebê.

 O seu instinto é muito poderoso
 e ele pode alertar inclusive quando alguma coisa está errada, concentre-se no que ele está pedindo, visualize seu bebê chegando, seu corpo se abrindo e deixe-se levar.


O momento recomendado para seguir para o hospital é quando as contrações ficarem em intervalos regulados de 3 em 3 minutos por 1 hora, durando entre 30 e 60 segundos e/ou quando você começar a sentir vontade de fazer força durante as contrações, se a bolsa romper no trabalho de parto ou se sentir que as contrações estão muito fortes. Esses são sinais de que o bebê logo vai nascer!


 Se seu trabalho evolui mais rápido, você poderá sentir inclusive a descida do bebê pelo canal, seu corpo fará força sem que você faça, e em breve sentirá uma ardência na vagina e pressão no ânus. Esses são sinais de que o bebê está coroando.

Se o bebê parar de se mexer ou perder sangue em grande quantidade, é melhor procurar seu médico ou o pronto socorro para exames, pois são sinais de atenção.
Para aguardar o trabalho ativo em casa é ainda mais fácil com a presença de uma Doula, que sabe reconhecer quando o trabalho de parto está normal, quando tem algo que merece mais atenção e quando o bebê está para nascer. Na minha experiência como Téc. Enfermagem e Doula, já acompanhei partos longos, partos que começaram já no hospital, outros que começaram em casa, mas os mais fáceis sempre são os que as mulheres se sentem seguras de esperar em casa, prestando atenção no próprio corpo.
Inclusive por pouco alguns desses bebês não nasceram em casa em partos domiciliares não planejados, totalmente sem querer.


Na minha opinião o melhor momento de seguir para o hospital é no final do trabalho de parto ativo e início da fase de transição, é o que faço com as minhas parturientes, chegando sempre com uma dilatação avançada, a menos que elas queiram seguir para a maternidade antes. Entender a fisiologia do corpo no parto, das fases do trabalho de parto faz tudo ficar mais fácil.


Informe-se, prepare-se e uma boa hora!!


Cris De Melo
Doula!

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Benefícios de se movimentar durante o trabalho de parto



Compartilho uma matéria da Crescer. Não são só Doulas que falam em movimentar-se, em respeitar o ritmo do corpo...

Estudos indicam que exercícios fisioterápicos ajudam na dilatação vaginal, facilitam o parto normal e diminuem a dor da gestante


Daniella Cornachione


Movimentar-se antes de dar à luz pode ajudar - e muito - o processo. Foi o que concluíram pesquisadores australianos após avaliar 21 estudos produzidos ao redor do mundo com mais de 3 mil mulheres. Aqui no Brasil, Eliane Bio, fisioterapeuta, chegou às mesmas conclusões ao acompanhar 132 gestantes em trabalho de parto. 

O estudo australiano, publicado na biblioteca The Cochrane Collaboration, diz que andar, sentar e ficar de pé pode ajudar que o parto aconteça mais rápido. As mulheres avaliadas que se movimentaram conseguiram reduzir o tempo do primeiro estágio do trabalho de parto e precisaram menos de anestesia epidural.

Os pesquisadores concluíram ainda que a movimentação não traz riscos à saúde da mãe ou do bebê.
Exercícios acompanhados por um fisioterapeuta 
A pesquisadora brasileira Eliane Bio, fisioterapeuta, coordenou um estudo sobre o tema com 132 mulheres no Hospital Universitário da Universidade de São Paulo.

Eliane Bio dividiu o grupo em duas partes: 62 gestantes foram acompanhadas por ela durante o trabalho de parto, e o restante não contou com a presença de um fisioterapeuta. As mulheres selecionadas tinham um feto único, estavam na primeira gravidez e não apresentavam nenhuma patologia.

As gestantes que fizeram exercícios não precisaram de analgésicos e diminuíram em média 6 horas o tempo de trabalho de parto. Ainda dentro do grupo acompanhado por Eliane, as mulheres que necessitaram de anestesia o fizeram bem perto do nascimento. "Isso facilita a percepção do períneo e como fazer a força correta para o bebê nascer, evitando o uso de fórceps", explica a fisioterapeuta.

De acordo com Eliane, a intervenção do fisioterapeuta já é tida como benéfica à gestante. "A pesquisa surgiu da necessidade de se demonstrar cientificamente uma experiência clínica de 30 anos, acompanhando grávidas na clínica particular, junto com obstetras que preconizam o parto normal", diz. O objetivo do acompanhamento, diz, é tornar o processo mais confortável, resgatando o prazer do parto.

Mesmo sem a companhia de um fisioterapeuta, a gestante pode e deve se movimentar. "A Organização Mundial da Saúde preconiza desde 1996, que a parturiente (gestante) não fique deitada, imóvel no leito e que seja estimulada a andar ou ter a liberdade de adotar a posição que preferir", diz Eliane.

Aléssio Calil Mathias, ginecologista e obstetra, concorda que a movimentação durante o trabalho de parto ajude o processo. Além de "trabalhar o colo do útero" e diminuir a dor, o médico diz que os exercícios aumentam a sensação de prazer e ajudam o fator psicológico. "Ao se concentrar nos gestos, a mulher desvia a atenção da dor", diz Aléssio.

O obstetra ainda recomenda que as gestantes que estejam se sentindo bem durante o trabalho de parto se movimentem mesmo sem a orientação de um fisioterapeuta.

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

As necessidades básicas da parturiente

google imagem

Algumas condições externas que devem ser respeitadas para o bom procedimento de um parto ativo.

Um parto normal acontece sozinho, guiado pelo próprio corpo. Rompimento da bolsa, dilatações, contrações são ações involuntárias do corpo, que acontecem devido a informações enviadas pelo cérebro. E como o cérebro envia informações ao corpo? Através dos hormônios.
O trabalho, portanto, pode ser compreendido fisiologicamente como uma cadeia sutil de hormônios, que vão acionando um ao outro e conduzindo ao parto/nascimento. Quem comanda todo esse processo é a estrutura primitiva do cérebro, chamada de “sistema límbico” e composta pelo hipotálamo e hipófise. São as estruturas que temos em comum com os cérebros de todos os outros mamíferos. Durante o trabalho de parto, como em qualquer outra experiência sexual, as inibições que podem acontecer no processo provêm da outra parte do cérebro, a mais moderna, denominada córtex ou neo-córtex. Muito desenvolvida nos seres humanos, essa parte do cérebro correspondente a atividade intelectual e racional.
O obstetra Michel Odent identificou fatores que estimulam a atividade do neo-cortex, e que devem ser evitadas para permitir que o cérebro primitivo funcione sem impedimentos e assim favorecer o trabalho de parto. Essas são necessidades básicas muito simples, mas fundamental que sejam respeitadas. São elas:
LUZ: luzes fortes estimulam o neo-cortex, e isso é já bem claro aos técnicos que realizam eletro encefalogramas. Um parto que ocorre na penumbra, portanto, tende a ser facilitado.
LINGUAGEM: A linguagem racional é um processo intelectual comandado pelo neo-cortex. Portanto, perguntar à mulher durante o trabalho de parto qual é o seu número de telefone ou a que horas fez xixi, por exemplo, obriga que ela raciocine, acionando o neo-cortex e consequentemente atrapalhando a ação do cérebro primitivo e o trabalho de parto. Melhor não recorrer à linguagem verbal a uma mulher em trabalho de parto.
PRIVACIDADE: todos sabemos que quando nos sentimos observados temos a tendência de corrigir nossa postura, e isso representa acionar o neo-cortex. Quanto maior privacidade, melhor para que o trabalho de parto proceda bem. Odent inclusive chama atenção para a posição onde a parteira/ doula/ médico se encontra no momento do parto (na frente ou atrás da mulher), e para as fotografias e filmagens nesse momento.
NECESSIDADE DE SENTIR-SE AO SEGURO: A adrenalina aciona um estado de alerta que inibe a liberação dos hormônios necessários ao parto. Todas as situações em que a mulher se sente em risco liberam adrenalina vão dificultar o parto. A presença de pessoas com quem a mulher se sinta segura, portanto, é fundamental para facilitar o trabalho.
FOME E ADRENALINA: O medo faz aumentar o nível de adrenalina, mas a fome também. Depois de comer todos ficamos mais calmos. A TEMPERATURAtambém influencia na taxa de adrenalina: um ambiente frio tende a aumentar a taxa de adrenalina. A mulher em trabalho pode comer se sentir necessidade, e os que estão acompanhando o parto devem cuidar para que o ambiente esteja bem aquecido.
Um parto ativo será beneficiado se essas necessidades básicas da parturienteforem respeitadas.
É importante lembrar que o cérebro reconhece apenas os hormônios produzidos pelo próprio corpo. Hormônios sintéticos não produzem os mesmos efeitos, e podem atrapalhar a delicada seqüência entre eles.


Fonte: http://guiadobebe.uol.com.br/as-necessidades-basicas-da-parturiente/
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