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terça-feira, 28 de julho de 2015

Relato de parto da Thays

Thays foi minha doulanda, e depois de 3 anos conseguiu relatar seu parto. Assistida por péssimo profissional, o "obstetra" Derly Fofonca, humilhou e submeteu ela a diversas intervenções que não foram autorizadas. Leiam o relato:


Era 6:38 da manhã, eu estava de bobeira na cama, estava cedo, frio e a preguiça não deixava nem abrir os olhos direito.
De repente aquela colicazinha veio.
Meus pensamentos voaram: “Ué o que foi isto?!?!?”
Continuei deitada na cama.... 15 minutos depois mais uma colicazinha..... “Ai meu Deus”
Levantei fui caminhar na sala.....mais 15 minutos e outra colicazinha... “É hoje!!!!”
O sorriso estampou meu rosto de orelha a orelha.
O marido foi atrás de mim saber o que foi “É hoje, já põe as coisas no carro.” eu disse
Era uma mistura de ansiedade, medo, felicidade, amor.... Difícil explicar o que estava sentindo, mas era muito bom...
Meia hora mais tarde, as contrações tomaram ritmo de 5 em 5 minutos.
Caminhei, rebolei, agachei, fazia tudo àquilo que o meu corpo mandava, estava literalmente me abrindo para uma nova era...

La pelas 8:30 liguei para minha Doula AnaLu, “Aninha é hoje, vem para ca”
Também liguei para a minha medica Dra Ana Claudia Codesso (mais uma Ana na minha vida)“ Dra Ana, contrações de 5 em 5 mas bem curtinhas ta, então acho que vai demorar”
Continuei no mesmo ritmo, quando a AnaLu chegou eu estava de quatro na sala e estava sentindo que tudo estava diferente.
Comecei a vocalizar, não conseguia mais segurar, era uma vontade de gritar “Aaaaaahhhhhh”
A cada contração, vinha lá de dentro do meu ser um grito, que não podia ser parado.
Logo a caminhada, agachada, rebolada, os gritos, as massagens, nada aliviavam aquela dor. Perguntei a AnaLu “Que horas vamos no hospital” E com toda aquela calma do mundo ela respondeu “A hora que você quiser”.“Então vamos porque a coisa apertou”. Ela me deu um sorriso e disse “Tu já estas diferente, as contrações estão de 3 em 3 minutos, vamos la”.

No carro, fui no banco de trás, tentando ficar sentada (que posição horrível) era de quatro que aliviava, AnaLu foi fazendo massagens em minhas costas. Nossa como ficar em um local pequeno e quase sem possibilidades de movimento foi ruim, a dor aumentou e com ela veio o medo. Tadinha da AnaLu fiquei pensando que ela iria ficar surda, eu vocalizava muito alto no carro, mas era meu primitivo falando, ela dizia “Não te preocupas a Doula agüenta”.

No trajeto tentávamos ligar para a Dra Ana, mas o telefone dela não estava pegando! Eu só pensava “Respira, calma.....” Faltando pouco para chegar ao hospital, começou a vontade de fazer força “Ai meu Deus, esta guria vai nascer no carro” AnaLu só falava “Calma, respira, deixa as contrações virem”
Eu tinha vontade de chorar, mas as lagrimas não saiam, era uma mistura de sentimentos e também o medo de não saber o que vinha pela frente.
Chegamos ao hospital, fui direto para a avaliação “Já esta com 8 centímetros, colo apagado e ela já esta aqui” disse a enfermeira, com um belo sorriso.
No corredor indo para uma sala, encontramos o plantonista, a enfermeira passou as informações para ele, e ele perguntou “É cesárea?” Eu gritei “NÃO”
Quando cheguei a sala de parto, AnaLu e o meu marido apareceram logo em seguida.

Colocaram-me deitada numa maca, o plantonista me avaliou “Já esta com 10, vamos romper a bolsa” “Não quero” eu disse “Deixa ela romper sozinha”, mas foi em vão. Ele enfiou a comadre embaixo de mim e estourou a bolsa.
As dores pioraram e eu só dizia “Quero anestesia, não aguento” ficar deitada, deixava tudo pior.
Fui levada para outra sala, agora na maca pude ficar semi-deitada.
“Põe as pernas nas perneiras, mãezinha” Falou a enfermeira. Eu disse “Não quero” e o plantonista revidou “Tu não é índia para ganhar de cócoras”
Naquele instante meu mundo desabou, entendi que aquele plantonista era o tipo de “medico” de quem eu fugi a gravidez inteira. Ele era mais um que não sabe tratar as mulheres com respeito na hora mais preciosa e sensível delas.
Contra minha vontade colocaram minhas pernas “naquilo”.
Tentava respirar, tentava me ajeitar, tudo estava errado, não foi assim que imaginei, e não era assim que deveria ser.
Logo apareceu uma enfermeira tentando pegar minhas digitais para o cadastro do hospital, acho que ela entendeu que não era a hora certa quando ela pegou minha mão e ganhou meu olhar fuzilador!!!
Na outra mão, outra enfermeira me colocando um acesso com soro, eu dizia “ Precisa mesmo disto?” e ela “Sim”.
Aquele acesso caiu da minha mão direita DUAS vezes. Então colocaram na esquerda, com uma fita bem firme.
Naquela altura as contrações eram insuportáveis, e a minha vocalização estava no auge até que o plantonista me mandou calar a boca “Tu ta fazendo escândalo, fica quieta”.
“Meus Deus, o que faço? Senhor só me da forças” eu implorava em pensamento.
AnaLu e o marido, cada um de uma lado. AnaLu com aquela mão leve e suave era a minha fortaleza que não me deixava desabar e desistir, hora com a mão no meu ombro, hora colocando aquele paninho gelado na testa. Como um simples pano molhado e gelado teve tanto impacto naquele momento.
Agora foi a hora de fazer força, e o plantonista me explicou como fazer. “Queixo no peito, segura a respiração e faz força para baixo, segura nestas barras e “puxa” para trás.
Mas como a Thays sempre foi delicada (hahah), tentava fazer tudo aquilo, mas teimava em puxar as barras para cima, e como elas são só encaixadas, saiam nas minhas mãos, as enfermeiras pegavam, colocavam novamente e eu tirava. Ate que eu desisti de segurar aquilo e me agarrei as barras das perneiras.
“Olha aqui paizinho” disse o plantonista “Já da para ver os cabelinhos”. E lá vai o marido olhar!!!!
Logo em seguida veio “Tu ta fazendo força errado, assim não da”
Eu tentava não olhar para o plantonista, mas eis que sinto umas picadas. Fui obrigada a olhar e la estava ele segurando uma seringa. “Não quero episio” Falei bem certa de que ele estava me dando anestesia local.
“Vamos ver” disse ele em tom irônico.
Novamente ele disse “Assim não adianta, vou ter que .....” Não consegui entender o que ele falou, ele se levantou deu dois passos para traz e pegou das mãos da enfermeira um utensílio. Eu sabia o que era um fórceps, mas não acreditava que era tão grande. Quando ele veio na minha direção, eu só fechei os olhos, virei a cabeça de lado. Não lembro se só pensei ou se falei “Deus me ajuda”

Não lembro de sentir o ferro entrando, mas lembro muito bem de sentir saindo e junto levando minha filha, pequena e indefesa. Nada bom.
Colocou ela em cima de mim, toda ensangüentada, não pude ver seu rosto, estava de costas.Ela logo chorou e eu dei graças por ter terminado aquele horror, ilusão minha.

Ela nasceu as 12:40 da manhã, com lindos 2.730Kg e 49,5 cm, uma bonequinha.
Ao piscar os olhos “Cadê minha filha?” eu perguntei a AnaLu e ela respondeu “calma teu marido ta junto dela”. Eu tremia tanto, era tanta adrenalina correndo em minhas veias, que eu não conseguia nem respirar direito.

Logo a enfermeira a trouxe, toda enroladinha. E pôs no meu colo, pedi ajuda a AnaLu para me ajudar a segura-la, a tremedeira estava forte, tinha medo de deixar cair.

Tiramos uma foto. Outra enfermeira abriu minha roupa e fez a minha pequena Giulia colocar a boca no meu seio e lógico ela nem abriu a boca, não sabia de quem era aquilo. Ficou ali comigo uns 5-10 minutos e logo levaram para dar banho.E o plantonista ainda estava lá, me costurando, ele fez a episio, foram 7 pontos. Quando ele terminou, falou a frase de ouro “Vou tirar a placenta” e eu ainda tentei e rebati “Não da para esperar ela sair naturalmente?” mal terminei a frase ele puxou e ali veio uma ultima e dolorosa contração.

AnaLu ainda me disse “Olha a placenta” eu não estava com animo para nada, eu estava me sentindo num show de horrores, sabendo que tudo aquilo não deveria ser daquele jeito. Mas olhei, mentalmente agradeci por ela ter nutrido minha filha.
Graças aos céus aquele plantonista sumiu da minha vista. E minha princesa veio finalmente para ficar comigo. Ela estava dormindo, eu penso que quase hibernando, para ela também foi sofrido e doloroso, sentir tudo que sentimos, não foi fácil. Então ela assim permaneceu até que fomos para o quarto as 19h. La estava minha mãe e a AnaLu, consegui tomar banho, com ajuda da enfermeira, aqueles pontos "ui", enquanto Giulia era paparicada pela nova Vovó.
Consegui sentar na poltrona e ela veio, cheia de fome, se agarrou no seio e lá ficou mamando, as vezes abria os olhos, ficamos assim quase uma hora, nos reconhecendo. Tínhamos que nos reconectar. Não foi fácil amamentar, mas eu sabia que era necessário, era somente aquilo que Giulia precisava. Meu calor, meu colo, meu seio, meu leite, meu cheiro.

E assim terminamos a primeira de muitas aventuras.
Agradeço de todo o coração a AnaLu por estar comigo me dando forças. Ao meu marido e parceiro por acreditar na minha força. E a Deus por sempre saber o que eu preciso passar. Nunca nada é por acaso.
Hoje a minha razão de viver completa 3 anos. E eu acabei virando DOULA, para principalmente passar informações de qualidade às pessoas, dar apoio emocional e físico.

Nada nunca é por acaso, eu precisei passar por tudo aquilo. Hoje agradeço a Deus, por colocar em meu caminho as pessoas certas e no tempo certo.





sexta-feira, 27 de março de 2015

Relato de parto normal da Cíntia- nascimento do João Pedro



Minha gravidez do JP sempre foi muito tranquila, descobrimos por volta de 7 semanas, desde então comecei a ler e me informar sobre tudo que rodeia o mundo da maternidade. Já havia lido sobre parto humanizado, mas somente quando me vi grávida que resolvi pesquisar mais, e fui percebendo que é bem difícil aqui no RS encontrar bons profissionais que atuem nessa área.
Iniciei meu acompanhamento com uma GO e tive que trocar porque a minha DPP compreendia o período de férias dela. Fui fazendo meu pré-natal com uma segunda GO, porém não me sentia confortável, certa vez comentei com ela sobre o que eu havia lido de não haver corte do períneo, o bebê vir direto para o meu colo, não ser aspirado e etc, basicamente ela riu da minha cara e disse que isso era um modismo que a criança nasce cheia de secreção e precisa daquilo.
Continuei o acompanhamento mas ciente que não seria ela a minha GO escolhida, pois acabaria caindo numa "desnecesarea". A essa altura já havia lido sobre doulas e decidi que precisava de uma para me acompanhar e me auxiliar até mesmo na busca de um GO que não fosse cesarista. Googleando por ai, encontrei uma doula da minha cidade, e resolvi fazer contato, foi quando conheci minha querida Analu, marcamos para conversar e a grata surpresa é que ela morava super perto da minha casa.
Avisei então via email a GO que havia encontrado uma doula para me acompanhar, o que ela respondeu com um seco "ok". Tive certeza que estava com a profissional errada. Junto com a ajuda da Analu iniciava  minha busca pelo GO que fosse realizar meu parto, tentei com alguns profissionais que foram as indicadas, mas as agendas estavam lotadas. Tentei consultar com a GO que era da minha mãe, mas ela não atendia mais gestantes, já estava pensando em continuar o acompanhamento com a GO cesarista que por sinal já tinha pedido para agendar  o parto no moinhos, e na hora acabar indo para o o Dom João Becker, hospital da minha cidade, que estava montando um novo CO humanizado e ser atendida pelo plantonista mesmo. Até que uma noite depois de muito rezar e chorar, pensando que meus desejos não seriam respeitados resolvi apelar e abordar de uma maneira nada convencional uma das GOs que antes me haviam sido indicadas.  Na cara dura implorei por uma consulta, já que a agenda dela é lotada. Deus ouviu minhas preces, e conheci a outra mulher que seria essencial no meu parto, a dra. Karla Simons, ela me agendou uma consulta, sabia que agora sim conseguiria fazer meu parto de forma respeitosa.
Nessa época meu ritmo de trabalho estava intenso, o site para qual trabalho estava virando para Amazon, e fiquei várias noites sem dormir, trabalhando na virada, sobre muito stress e eu já por volta das 30 semanas. Na minha primeira consulta com a Karla, tive uma supresa estava com 1 cm de dilatação e ela me pediu repouso. Por duas semanas fiquei afastada do trabalho e mesmo após as duas semanas, meu gestor achou melhor que eu continuasse trabalhando somente remota. De certa forma isso acabou quebrando o ritmo intenso em que eu vinha e acabei não fazendo exercícios aos quais havia me proposto a fazer, como pilates e ioga.
Conforme ia chegando perto das 40 semanas a ansiedade ia aumentando, as pessoas que tinham mais ou menos o tempo que eu de gestação já tinham ganho de cesárea, e eu estava morrendo de medo dele não chegar nas 42 e ter que induzir.
Completei as 40 semanas dia 06 de março, um dia antes minha doula esteve aqui e nos despedimos do barrigão com uma bela pintura e um delicioso escalda pés. Parecia que as horas e os dias não passavam e eu queria me manter ocupada, mas não achava jeito. Sábado fui fazer as unhas dos pés que eu já não conseguia fazer a muito tempo, e deixei as das mãos para eu mesma fazer no domingo. Quando o maridão chegou pedi para sairmos para dar uma caminhada e espairecer um pouco. Fomos ao shopping comi um frango frito com bastante pimenta. Combinamos de domingo sair passar o dia em algum lugar legal porque ficar em casa à espera do JP estava me deixando doida. Dormi assim que chegamos devia ser umas 23:00, as 01:00 do dia 08 domingo, acordei sem sono, depois de muito revirar-me na cama fui no banheiro e o tampão que já vinha saindo aos poucos a algumas semanas saiu com sangue. Nesse momento tive certeza estava começando. Voltei a deitar e comecei a ter contrações elas estavam em intervalos curtos hora de 5 hora de 3 mas não muito doloridas, avisei o marido que levantou e me chamou para um banho, curtimos o barrigão no banho, e depois fui arrumar as coisinhas do bebê, porque sabia que assim que as contrações estivessem bem fortes não conseguiria fazer. Fomos dormir por volta das 4:00, entao mandei mensagem para minha doula que por acaso estava acordada em meio a mamada do seu bebê e respondeu. Combinamos de pela manhã ela vir para cá se as contrações continuassem. Deitei e o sono não vinha, a ansiedade era muito grande e cada vez que estava quase pegando no sono vinha uma contração, rezei, contei carneirinhos e nada!!! Até que as 8:00 não aguentei mais ficar deitada sem dormir e levantamos, avisei a dra. Karla que estávamos em preparação e que achava que ele chegaria hoje. As 09:00 a Ana chegou fomos para a bola e as contrações estavam controladas, tomamos chimarrão, comemos, usamos óleos, só não dava para caminhar o sol estava muito forte. As 15:00 a pelas minhas expressões de dor a Ana sugeriu que fôssemos para o hospital e assim fomos. Chegando ao hospital tive uma contração no saguão, logo um segurança ofereceu a cadeira de rodas, fala sério!!!!!? Havia combinado com a Karla que ao chegar lá a plantonista me examinaria e entraria em contato com ela. Quando a plantonista me examinou veio o balde de água fria estava somente com 3 cm de dilatação. Mesmo assim fui para a sala de parto, a minha GO já havia me falado que não havia chuveiro e que eu teria que ir para outra sala para usar o chuveiro, mas optei pelo mãe de Deus porque poderia ficar com a minha doula e o meu esposo durante o TP. Fui logo tirando a roupa colocando o roupão e fui fazer o antibiótico devido ao streptococus positivo. Pedimos a bola para as enfermeiras. Ficamos ali um tempo na bola e assim que a minha GO chegou fizemos um exame e estava com 6cm. Da bola fui para o chuveiro  e o meu marido maravilhoso ficou lá comigo, enquanto as contrações vinham e eu vocalizava e o Dinho me acalmava. Lá pelas onze novo exame de toque e eu estava com 8cm. Nesse ponto o cansaço e a exaustão de uma noite não dormida começaram a pesar. Não era a dor que trazia o problema era a vontade incontrolável de tirar uma soneca, que não era conseguida devido as contrações nesse ponto comecei a pedir, a implorar por analgesia, embora meu plano de parto deixasse bem claro que eu não iria fazer. Meu marido, minha doula e minha GO tentaram me engambelar a todo custo, sugeriam posições, inclusive posições em que eu pudesse tirar uma soneca nos intervalos, trouxeram a banqueta, fui pro chuveiro, recebi massagem com óleo da Ana, mas nada aplacava minha imensa vontade de descansar. Minha única vontade era dormir e eu sentia que aquilo estava me travando e eu não conseguia mais relaxar durante as contrações. Implorei analgesia, comecei a pensar de onde veio essa ideia louca de querer parto normal, ainda mais natural, podia ter continuado com a go cesarista e aquilo já teria acabado. Duas horas depois a Karla fez um novo exame de toque e como eu havia imaginado não estava dilatando mais. A Karla então cedeu ao meu apelo, e chamaram o anestesista, ah!!! O bom anestesista! Lá pelas 01:00 do dia 09 tomei a peridural e a dor cessou. Óbvio eu sabia que uma intervenção levaria a outra, que eu teria que receber um pouco de oxitocina, que não saberia como fazer as forças certas e etc, mas eu não queria nem saber, só queria dormir. Assim que a anestesia fez efeito dormi. Foi um soninho tão bom!! Assim que acordei começamos de novo: bola, banqueta, posições na cama... A bolsa rompeu, fui para 9 e 10, mas tinha um rebordo e o bebê estava alto, fiz muita força, fiz número dois alguma vezes, estava muito difícil o bebê descer e eu não sabia onde fazer a força. Estávamos todos cansados, eu principalmente. Meu bebê começou a coroar, força, muita força, troca de posição, mas estava muito difícil sem conseguir fazer a força certa, tivemos que fazer episiotomia porque não aguentava mais, uma intervenção leva a outra, e as 05:14 depois de mais de 24 hrs em TP, meu João Pedro chegou ao mundo, escorregou quentinho e veio direto para o meu colo lindo, calmo, tranquilo. Falei para ele: "chora filho, chora filho" e ele chorou um chorinho lindo, lindo. Tão gostoso! Meu maridão que ficou o tempo todo ao meu lado, cortou o cordão e acompanhou para fazer a pesagem, e demais procedimentos. Nasceu com 3580 kg e 50,5 cm. Ele não foi aspirado, nem recebeu colírio. Assim ele voltou ao meu colo minha Doula foi me ajudar a dar de mama. Estava pegando meu peito e sugando mas senti o mundo girar e sabia que podia desmaiar, pedi para pegarem ele pois fiquei com medo de deixar-lo cair. Logo depois na recuperação quando fiquei melhor coloquei ele no peito e ele sugou!!! Mamou e mamou!!! Não tenho palavras para agradecer a Ana e a Karla! Duas mulheres abençoadas que acima de tudo respeitam a mulher e suas vontades. Todo esse episódio de pedir anestesia e tudo mais me ensinou muito, principalmente a ver que nem tudo está no nosso controle, me ensinou a ter humildade!
A dra Karla, só posso dizer que gostaria que existissem mais profissionais como ela, será que consegues te multiplicar? É tão difícil encontrar profissionais que se importam somente com a mulher e não com seus próprios interesses, te recomendaria 1001 vezes.
A Ana, me ensinou muitas coisas, principalmente a acreditar em mim, sempre apontando caminhos, trazendo soluções, fostes essencial para mim Ana!! Se não tivesse te conhecido provavelmente seria tudo bem diferente. Eu não teria ido atrás da Karla, não teria insistido em me empoderar. És uma mulher iluminada!!!! Gratidão amada!
E o que dizer do meu marido "doulo"? Se eu já te amava antes te amo ainda mais! Meu amor renasceu de uma forma nova depois dessa experiência linda pela qual passamos juntos! Obrigado pela mão, pelo apoio, pelo amor, zelo incondicional, quem dera todas as mulheres tivessem um maridão como eu tenho! Te amo muito, obrigado por estar ao meu lado e por ser um pedacinho daquele lindo pedacinho de nós! Me deste o maior presente! Te amo infinitamente!

Por último e mais importante a Deus! Que fez as coisas a seu tempo, sempre conforme a vontade dele é sempre tão perfeito!!!!




domingo, 12 de fevereiro de 2012

Relato de Parto da Mariana pela Doula


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Mariana e eu nos conhecemos a mais ou menos 6 anos. Fomos colegas na prefeitura e ambas cursávamos Nutrição na época. Quando Mari anunciou a gravidez, fiquei muito feliz! Pois ela foi uma da pessoas que mais me deu força na gestação do Bernardo (não planejada), e desde então sempre mantivemos contato.
Com 34 semanas, se não me engano, Mariana entrou em contato comigo, para falar da escolha pelo parto normal, e que foi graças as informações que disponibilizo no blog, que ela desistiu da cesárea agendada. Conversamos sobre a GO dela, dos desejos que ela tinha em relação ao parto, e disse que a Dra. se mostrou bem atenciosa ao seu desejo. Combinamos então, de nos encontramos para falarmos um pouco mais sobre o meu trabalho. No dia que nos encontramos, conversamos a tarde toda, e ela me disse que era “fraca” para lidar com a dor, e que tinha medo de não conseguir supera-la. Tranquilizei - a, olhamos alguns videos e documentarios, e ficamos de nos falar. Ela iria falar com o marido, e comunicar a GO que tinha uma doula.
Quando nos encontramos de novo, Mariana contou que a GO adorou saber que ela tinha uma doula, e mandou pedir para que ajudasse o Samuel a descer, isso por volta das 36 semanas. Ele já estava encaixado. Disse também que a médica sairia de férias dia 12/ 02, e deu opções se a Mari quisesse que o parto acontecesse com ela, que poderia induzir, já que estava com 2 dedos, ou fazer cesárea. Mas Mari não topou. Nesse dia deixei a bola suiça com ela, mostrei alguns exercícios, e conversamos sobre o plano de parto. Também notei o quão cansada Mari estava, mas também, a mulher não para um segundo!!! Sempre trabalhando!
Fomos em busca de outros GO’s que atendecem o plano dela, para ela não precisar pagar por fora. Mas todos que encontravamos iriam sair ou sairam de férias. Nesta semana, na ultima consulta (acho que foi terça), a GO indicou seu colega obstetra para a Mari. Fiquei receosa, pois não ouvi coisas boas deste GO. Mari só sabia que teria o Samuel do jeito que ela se preparou, nada mais, mas dava uma insegurança pensar em ficar sem suporte.
Haviamos combinado de nos encontrar mais uma vez, pois o tampão estava saindo, e combinariamos mais algumas coisas, pensei e fazer faria uma massagem, a relaxaria bastante e talvez conseguiria conversar com o pai do Samuel (ele tb não para!). Mas não conseguiamos.
Dia 10/02, aniversário do meu afilhado, eu não estava muito bem, e resolvi descansar depois do almoço, pois senti que a Mariana (com quase 40 semanas) me chamaria para dar noticias! Dito e feito. Mariana me ligou as 16 hs preocupada com o pouco sangue que estava saindo. Tentei tranquiliza-la e disse que era normal perder um pouco de sangue, mas se quisesse falar com o GO para se tranquilizar, que o fizesse. Liguei para ela depois, ela disse que o médico aconselhou ela a ir no hospital fazer uma avaliação, mas que não iria, porque eu já tinha dito a ela que era normal, e que ficou tranquila assim. Disse para ela me ligar se notasse alguma evolução, e as contrações.
Alguns minutos depois ela me ligou dizendo que estava com muita vontade de fazer coco, e que as colicas vinham a cada 5 minutos. Perguntei se ela queria que fosse até ela (moramos bem perto), e ela disse que não, mas foi um não com duvida, e disse que logo estaria com ela. Aconselhei a  ir para o chuveiro e tentar relaxar com a água.  Peguei minha roupa, coloquei mais alguns coisas que faltavam na minha malinha de doula, tomei um banho e fui. Cheguei na casa dela pelas 16: 30 hs, e a acompanhei no banho, a água realmente estava deixando ela mais relaxada. Começamos a controlar as contrações. Achei muito rapido a evolução, pois as contrações estavam com intervalo de 3 minutos, com duração de 1 minuto, pouco mais.  Não sei dizer quanto tempo ficamos no chuveiro, mas foi bastante.

Mari caminhando
Perguntei a Mari se ela queria sair do chuveiro, para eu massagear a lombar e os pés, ela concordou. Mari suportava muito bem as dores, e dizia que doia na hora, mas que depois era como se tivesse tirado a dor com a mão. Ela foi ótima, ficou firme, e acalmava a familia que estava nervosa e pediam que fosse ao hospital, mas ela dizia que não estava na hora.
Depois de mais um tempo chamou o marido, para ele se arrumar e colocarem as coisas no carro. Todo o tempo Mari rebolava, ia para bola e, eu fazendo massagem na lombar, e nos ombros. Teve um momento que as contrações se expaçaram, mas logo voltavam ao ritmo de antes, intervalo de 2-3 minutos, com duração de 1 minuto.

indo para o hospital
Saimos para o Hospital Moinhos de Vento pelas 20 hs. Mariana quis ir na frente, e atras fomos  eu e a mãe dela. Quando vinha uma contração eu massageava um ponto de do-in, entre as sombrancelhas, que relaxa bastante. Chegamos em 20 minutos, fomos a maternidade mas só pode entrar o Alex, pai do Samuel, que estava bem nervoso, rs.
Ficamos nós duas, vó e doula sem noticias por 1 hora, quando resolveram nos deixar passar para a sala de espera (enorme por sinal), e de lá poderiamos ver o Samuel depois. Creio que já era 21:30 neste momento. Resolvi ligar para o Alex e perguntar como a Mari estava, e aflito me respondeu que ela havia entrado na sala de avaliação, mas que não tinham deixado ele entrar ainda. Depois de alguns interminaveis minutos, liguei novamente e a mesma resposta.
Lá pelas 22:20 Alex me liga e diz para eu descer um andar e ir ver a Mari, finalmente  o médico havia autorizado. Cheguei lá coloquei os pró- pés, e fui para a salinha. Estavam com ela o Alex e o Dr. , que disse que ela ja estava com 9 dedos de dilatação. Pediu que quando viesse uma contração que ela ajudasse, e pelo que entendi, ele estava tirando um rebordo, que estava dificultando a passagem. Logo vieram os puxos um atrás do outro. O Dr. foi buscar o anestesista, e Mariana não sabia se queria ou não. Estava cansada, mas seu semblante era sereno. Mari disse que o médico queria colocar ocitocina, mas ela não quis, e ele acatou. Aconselhei a Mari a ficar em pé, e se acocorar durante as contrações, para ver se o Samuel descia um pouco mais. Ele logo iria coroar.
Logo chega o médico com o anestesista, que se apresentou e pediu para eles, Mari e Alex, irem a sala de parto. Perguntei a enfermeira se podia ir junto e ela disse que não (normas absurdas do hospital). Sai e fiquei na salinha de fora. Liguei para a vó do Samuel, e disse para ela ficar comigo, que Mariana já estava pronta e era questão de pouco tempo para o bebê nascer. Em seguida chegaram os pais do Alex e aguardaram conosco.
Pelas 23:20 hs, Alex ligou e deu a noticia que tanto esperavamos. Samuel havia nascido!! Corremos para o andar de cima para conhece-lo. O pai todo babão, trouxe o embrulinho lindo de viver. Lindo, um anjo! Samuel ficou ali no berçário, recebendo as intervenções de rotina, e o banho. Alex não desgrudava, conversava e beijava o amado filho. Depois de 1 hora o anjinho foi para a mãe.

Samuel recém nascido
Soubemos depois que não havia quarto disponível, e que não poderíamos vê-los onde estavam. Os pais do Alex foram para casa. Tempo depois Alex decidiu ir para casa, nos levar e comer algo. Não pude ver Samuel e Mari ainda, mas assim que forem para casa, vou afofar o pitoco da doula, e abraçar e conversar com minha amiga.

Mais tarde, Mari me ligou para contar como foi, e disse que o médico, nao colocou ocitocina, nem fez episio, mas que ela precisou de uns pontinhos. Que deixou o cordao pulsar alguns segundos e o pai o cortou. Que recebeu a analgesia, mas que nem era preciso, pois logo em seguida Samuel estava nascendo. Disse com muita satisfação, que recebeu um ótimo atendimento e que foi respeitada pelo médico e pela equipe. Me agradeceu pelo apoio, e me disse que havia doido, mas depois que o Samuel nasceu, se sentiu em plenitude. E que ele estava mamando muito bem. Ela também comentou, que o médico dela insistiu para enfermeira me deixar entrar na sala de parto, mas a enfermeira disse que não podia fazê-lo, devido as normas do hospital. Aff!


Como fiquei feliz em ouvir isso! Não tem preço poder auxiliar uma mulher a passar com tranquilidade o nascimento de seu filho, e o seu desabrochar como mãe.
Agradeço demais a Mariana e ao Alex, por terem me dado a oportunidade de acompanhar esse momento unico na vida de um casal. Mari, minha amiga, foste ótima, tens uma força incrivel e em momento algum se deu por vencida.  Alex, obrigada por tudo, também foste ótimo, e deu muito apoio a Mariana.


Samuel mamando, dia 13/02




Doula Feliz!


Doula feliz, feliz!  


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