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segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Entrevista- O gauche do parto humanizado no Rio Grande do Sul


Foto: Ramiro Furquim/Sul21

Cláudia Rodrigues
Especial para o Sul21

Autor de Memórias de um Homem de Vidro – Reminiscências de um Obstetra Humanista, já na 3ª edição, esse obstetra gaúcho é o único médico em Porto Alegre que assiste partos domiciliares. Respeitado internacionalmente por grandes nomes da humanização, como Michel Odent, Robbie Davis-Floyd e Debra Pascali-Bonaro, ele dá cursos e palestras em Portugal, Uruguai, México e nas capitais brasileiras que estão à frente do movimento pela humanização do parto e do nascimento.
Filho de um funcionário da CEEE e de uma funcionária da GE que deixou de trabalhar para formar família, Ricardo Herbert Jones nasceu em novembro de 1959 no Hospital Moinhos de Vento, em Porto Alegre. A família Jones chegou a morar em São Leopoldo para facilitar o trajeto do pai, que trabalhava nessa cidade, mas voltou para Porto Alegre quando Ricardo estava com 6 anos. Foi criado no bairro Menino Deus no tempo em que as pessoas colocavam cadeiras na calçada nos finais de tarde de verão. Atravessava a praça para ir à Escola Estadual Presidente Roosevelt, andava solto, sem medo de nada. Um de seus maiores prazeres era sentir o cheiro da comida que a própria mãe estava a preparar quando ele voltava do colégio. O último ano do 2º grau acumulou com o cursinho pré-vestibular Mauá e não deu outra: entrou na já disputada medicina da UFRGS em 1977, aos 17 anos.
Sul21 – Os cursos de medicina têm fama de serem divertidos, ainda que se estude muito os estudantes saem, tem as patotas, como todos os cursos. Como foi essa fase para o Sr.?
Ricardo Jones – Não tive isso, fui pai aos 22 anos e adorei descobrir a paternidade tão cedo. Para mim a faculdade era uma referência profissional, de formação e já no segundo ano eu estava trabalhando, fazia muitos plantões. Nunca fui de festas, políticas, o tempo em que não estava estudando e trabalhando, ficava em casa, eu era pai, sempre brinquei muito com meus filhos. Apesar de a paternidade ter surgido em minha vida de forma prematura, eu jamais me senti prejudicado por esta extemporaneidade. Ser pai muito jovem foi o grande estímulo que tive para me dedicar à minha grande paixão: o trabalho com o feminino e o nascimento humano, os meus filhos foram o motor do meu crescimento.
Sul21 – Os teus filhos nasceram de parto normal…
Ricardo Jones - Sim, os dois, Lucas nasceu em 1982 e Isabel em 1985, ambos de parto normal, isso não era uma questão, nunca imaginamos, Zeza e eu, uma cesariana. A opção pelo parto normal, na época, não estava relacionada com um ativismo consciente, mas apenas com a ideia de que “essa era a forma normal de ter um filho”. Temo que os pais que estão tendo seus filhos hoje sofram com uma imagem pervertida dessa situação: o “normal” passa a ser planejar uma grande cirurgia abdominal para a extração de um bebê. E isso me parece uma tragédia, visto que é um modelo estético-cultural que favorece instituições e corporações, mas que sacrifica o bem estar de mães e bebês.
Clique aqui para ler a matéria completa!


Retirado daqui

terça-feira, 29 de novembro de 2011

Humanização no parto devolve protagonismo à mulher


Esta é uma notícia de 2009, mas é sempre bom ler, e ter o ponto de vista de profissionais que trabalham a anos na Humanização do Parto e Nascimento. 

google imagem
O 1º Encontro de Humanização do Parto em Sorocaba, realizado pelo Movimento de Apoio a Humanização do Parto em Sorocaba(Mahp) no auditório do campus Sorocaba no dia 29/9, abordou a protagonização da mulher no momento do parto. O chamado "parto humanizado" critica o uso de tecnologias e procedimentos desnecessários em partos de baixo risco e ainda defende que o nascimento aconteça da maneira mais natural possível.
Membro do Colegiado Nacional da Rede pela Humanização do Parto e Nascimento (Rehuna) e mais quatro instituições internacionais, o ginecologista, obstetra e homeopata Ricardo Herbert Jones afirma que o maior objetivo da humanização é devolver o parto à mulher. “Independente de classe social, a mulher no Brasil não tem autonomia, não tem protagonismo no próprio parto”, revela Jones, que trabalha com a perspectiva humanística desde 1986.
Também participaram do encontro a enfermeira obstetra Priscila Maria Colacioppo, que há sete anos atende partos domiciliares pela ONG Primaluz e a ginecologista Mariana Simões, pioneira na humanização do parto hospitalar em Campinas. “O parto hoje é tirado da mulher. Temos que mudar essa visão, passar a ver que faz parte do processo natural e fisiológico dela. Faz parte do ciclo feminino”, destaca Mariana.
Para Jones, a obstetrícia no Brasil é atrasada em relação aos países europeus, do ponto de vista conceitual. “Um bom hospital de São Paulo vai ter a mesma estrutura de um hospital de Nova Iorque ou de um europeu. Mas, o debate brasileiro é atrasado, centrado na figura do médico, no hospital e nas doenças”, destaca. O ginecologista explica que esse atraso é reflexo de anos da prática de um modelo importado dos Estados Unidos, onde o parto está centrado na figura do médico e não da gestante. “A paciente é tratada como coisa, como objeto inanimado, que não tem voz, não tem vez, não tem opinião e não pode decidir sua própria história”, fala.
A principal causa para isso acontecer é que os médicos veem as gestantes como doentes, incapazes de decidir pelo melhor. Como os médicos são treinados para o uso de tecnologia, eles acabam desviando o olhar da fisiologia e prestando demasiada atenção à patologia. Na realidade, segundo Jones e Colacioppo, a parturiente possui sim a capacidade de escolher o melhor para ela e o bebê, mas ainda é preciso se informar. “A mulher tem capacidade para escolher o que é melhor para o parto dela, mas o sistema não permite muitas escolhas, deixando-as impostas às normas hospitalares. Porém, o correto seria deixá-la no comando. O médico não faz o parto, ele assiste e auxilia”, diz Mariana.
Para os defensores do nascimento natural, o parto ideal é o que tem a atenção humanizada, que precisa de um tripé para funcionar adequadamente. O primeiro pilar – e o mais importante, segundo Jones – é a restituição do protagonismo do parto pela mulher. Em segundo lugar é preciso ter uma atenção integrativa e holística do nascimento, que possui aspectos psicológicos, espirituais e emocionais. Por último, a vinculação da medicina baseada somente em evidências, e não somente em procedimentos de rotina, fecha o ideal para o parto humanizado.
Jones explica que a humanização no nascimento não significa a desvalorização total do uso da tecnologia. Pelo contrário, a humanização é uma síntese de dois paradigmas: de um lado a tecnocracia e de outro o naturalismo. “É possível unir os dois, mesmo porque a tecnologia sempre é bem vinda, mas somente quando é necessária”, finaliza.

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Dia do Bebê e Mamaço foram ótimos!

Espelho D'água- Redenção
Ontem aconteceu no Parcão de Porto Alegre, o Dia do Bebê. Um evento que contou com muitas atividades, para pais e crianças. 
No Espaço Humaniza, tínhamos as meninas do Flor do Sul, bonecas didáticas. Conheci, finalmente a Jane e sua filha Andressa, queridíssimas e poderosas! Ali  no espaço ocorreu o Mamaço, com mães e bebês lindos, que tive o prazer de conhecer. Falamos sobre o aleitamento materno, de como parece ser complicado no inicio, mas também como se resolve naturalmente, tendo apoio e orientação. Falamos do vínculo através do ato de amamentar, e de como passa rápido este momento, e que por isso devemos nos dar a oportunidade de amamenta-los e de ficar juntinhas com eles por este tempo. Cansa, com certeza, mas VALE MUITO A PENA!
Mamaço

Andréa e Inácio
Lá também ocorreu demonstração de parto natural, banho de balde, shantala entre muitas outras coisas, tudo para informar melhor os pais e futuros pais. Revi muitas pessoas maravilhosas, minhas colegas de curso de Capacitação de Doulas, Melissa e Sônia, a Doula Zezé. Revi colegas do aleitamento materno, a Rosane Nutricionista e conselheira, da Consultoria Mamãe e Bebê. 


minhas companheiras de missão!














Participamos da passeata dos bebês, e que calor hem?! Espero que todos os bebês estavam de protetor solar. Foi linda a passeata. Depois meus pequenos, marido e eu fomos fazer o teste do dedinho, para anemia.
No dia do bebê também ocorreu apresentação teatral, brincadeiras, estavam sendo realizados o teste da orelhinha e visão (com doacao de oculos), verificação de pressão, glicose, vacinas, massagem para bebes e mamães, coleta de leite, doação de sangue e muitos outros.
 também o e foi dada muita informação e orientação as famílias. Pela manha estava cheio o Espelho d'água, muita gente participando deste evento maravilhoso!


Passeata do bebê!








Maridão e as crianças

Ana A Doula Nutri
Mãe do Bê e da Fifi

terça-feira, 8 de novembro de 2011

O papel do pediatra no nascimento humanizado


Texto maravilhoso!!

Por Douglas N. Gomes*

O trabalho do pediatra está completamente inserido no momento do bem nascer. Seu papel é importante para garantir a preservação do que a natureza reserva para mães e bebês no nascimento. Cabe a esse profissional evitar as interferências causadas por procedimentos desnecessários ou inoportunos no nascimento.
Entre as suas atribuições primordiais está a de garantir um contato íntimo, pele a pele, da mãe com o bebê após o nascimento. Além satisfazer a vontade da maioria das mães de ver e tocar seu bebê logo após o parto, esse contato também é a melhor forma de proporcionar o equilíbrio da temperatura e dos sinais vitais do bebê, fato que já foi provado por pesquisas científicas desde 1995.
Hoje sabe-se que quando é garantido um ambiente aquecido e com pouca luz quase todo recém-nascido olha demoradamente os olhos de sua mãe, muitas vezes não chora e se adapta com mais tranquilidade ao novo ambiente menos quente, mais barulhento e com maior força de gravidade do que o uterino.
Está cientificamente comprovado que os bebês que mamam na primeira hora de vida têm maior possibilidade de estender seu período de amamentação exclusiva, chegando com mais facilidade ao ideal recomendado pela Organização Mundial da Saúde de alimentar os bebês exclusivamente ao seio até os seis meses de vida e manter a amamentação, junto com alimentos complementares, até dois anos ou mais.
A essência da assistência humanizada ao parto e ao recém-nascido está em atender da melhor forma possível as necessidades de saúde das famílias nesse momento tão especial da vida. E, ao mesmo tempo, não ceder ao interesse do sistema médico de oferecer recursos tecnológicos muitas vezes desnecessários ou inoportunos para a investigação de doenças e problemas de saúde. Na base da filosofia humanizada está o entendimento da saúde como o bem estar e a felicidade das pessoas. Não apenas como a ausência de doenças.
Se por um lado é certo que evitar, identificar e tratar doenças ou problemas do corpo, da mente e da vida social das famílias fazem parte do papel do médico pediatra, por outro ainda são poucos os profissionais que conseguem identificar as reais necessidades de saúde das famílias durante o parto, o nascimento e a infância.
Para isso, o pediatra precisa ter uma escuta qualificada para questões não médicas e por vezes muito determinantes da saúde dos bebês e das crianças como a história de vida do casal e de suas famílias, as qualificações individuais dos pais para lidar com mudanças ou com situações diversas da vida, a resiliência de cada um, o entendimento que as famílias têm do processo de nascimento e parto, o entendimento individual do processo saúde-doença, a rede de apoio familiar do casal e até os conflitos na relação do casal, que não raro se refletem em problemas para a criança, como por exemplo na dificuldade de amamentação.
Faz parte do atendimento humanizado ao recém-nascido não realizar movimentos intempestivos, que causam choro ou desconforto, em suas primeiras horas de vida. O bebê deve ser manuseado com suavidade e leveza. Algumas ações que refletem essa manipulação delicada e suave são:
• movimentar lenta e delicadamente o bebê após sua saída do canal de parto para conduzi-lo ao colo da mãe;
• enxugar delicadamente com panos preaquecidos a parte de trás do corpo do bebê, que não está em contato direto com a pele da mãe;
• enxugar apenas tocando, sem esfregar a pele do bebê;
• trocar os panos preaquecidos que envolvem o bebê, a qualquer momento, se ficarem úmidos ou encharcados de líquido;
• dar atenção especial ao rosto do bebê, limpando suavemente eventuais resíduos de líquido ou sangue;
• encontrar uma posição mais confortável para o bebê sobre o ventre ou o peito da mãe caso ele chore ou mostre algum desconforto;
• não deixar em nenhum momento o bebê desenrolado ou com partes do corpo descobertas ou expostas ao frio;
• se o bebê nascer na água, aquecê-lo com a própria água morna da banheira, derramando-a suavemente sobre as costas dele;
• aguardar o bebê dar sinais de que quer mamar para posicioná-lo próximo à aréola do seio materno, dando a ele a oportunidade de se movimentar para buscar e abocanhar o peito;
• não interromper o contato pele a pele do bebê com a mãe por motivos banais como a necessidade de mudança de posição da mulher para os procedimentos finais do parto;
• realizar os procedimentos de rotina, como pesar e medir o bebê, apenas depois que ele terminar de mamar ou após o final da primeira hora de vida, se não tiver mamado;
• pesar o bebê enrolado em panos preaquecidos para não expô-lo ao frio;
• fazer o primeiro exame pediátrico com o bebê em ambiente aquecido, com enrolamento parcial, em posição organizada (com os membros agrupados) e com contenção facilitada pelo pai ou familiar;
• dar o primeiro banho do bebê no quarto, enrolado em panos e em posição vertical (dentro do balde) para que ele relaxe e até durma, se quiser;
• oferecer ao casal a possibilidade segura de aplicar vacinas e realizar procedimentos dolorosos no bebê somente após estar acertada a amamentação;
• ouvir os pais e explicar detalhadamente todos os procedimentos e exames necessários para o bebê e sugerir soluções práticas para sua realização;
• dar suporte e resolver todos os problemas relacionados ao manejo da amamentação exclusiva;
• fazer visitas médicas complementares (hospitalares ou em casa, no caso de parto domiciliar), se necessário, para garantir os cuidados adequados e individualizados para cada bebê, de acordo com suas necessidades e os problemas diagnosticados.
Alguns diferenciais do pediatra humanizado:
• disponibilidade para estar presente no momento do parto;
• abertura para ouvir e acolher os questionamentos dos pais com relação à própria conduta, aos procedimentos do hospital ou da equipe;
• assertividade para proteger o bebê de rotinas hospitalares desnecessárias que impeçam um nascimento natural e impossibilitem a amamentação precoce;
• disponibilidade para atender chamados durante o período pós-parto;
• acolher as demandas e vontades do casal quanto a todos os cuidados e procedimentos que serão dispensados ao bebê durante sua estada no hospital;
• oferecer alternativas domiciliares de tratamento após a alta para problemas como dificuldades na amamentação, banho de luz para tratamento de icterícia, além de consultas em casa para pais que assim desejarem nas primeiras semanas de vida;
• disponibilidade para responder a todas as ligações dos pais, sem demora, seja de bebês com poucos dias vida ou de crianças maiores;
• utilizar os diversos meios de comunicação disponíveis como e-mail, programas de troca de mensagens instantâneas e torpedos para agilizar a comunicação com os pais;
• disponibilidade para conversar com pediatras de prontos-socorros onde seus pacientes porventura estejam sendo atendidos em casos de urgência para avaliar em conjunto as condutas médicas que estão sendo tomadas;
• disponibilidade para visitar, quantas vezes necessário, os bebês que precisarem de internação com o objetivo de acompanhar as condutas propostas e sugerir mudanças, além de esclarecer as dúvidas da família e dar suporte emocional aos pais.
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* O autor é médico pediatra e faz parte da equipe de profissionais da Casa Moara.

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Nasce filha de Dado Dolabella. Parto de Ana Flor foi em casa, na banheira!

'Foi um momento mágico e lindo', disse o ator ao EGO. Bebê é a primeira filha do ator e cantor, que já é pai de João Valentim e Eduardo.

Dado Dolabella e a namorada grávida Juliana Wolter apões estreia de peça em Angra dos Reis (Foto: Thyago Andrade/ Photo Rio News)
Dado Dolabella e Juliana Wolter: pais de Ana Flor
(Foto: Thyago Andrade/ Photo Rio News)Floresceu no jardim de Dado Dolabella. É que nasceu Ana Flor, primeira filha do ator e cantor com a produtora musical Juliana Wolter - ele já é pai de João Valentim e Eduardo.

A bebê nasceu na quarta-feira, 25, às 15h50, pesando 3,400 kg de parto normal, em casa, numa banheira. Juliana teve o acompanhamento de uma doula (profissional que orienta o parto natural), um pediatra e uma parteira. Dado ficou ao seu lado, abraçando Juliana durante o parto.
"Foi um momento mágico e lindo. Foi perfeito. Se eu pudesse voltar atrás, queria que os outros filhos nascessem desse jeito", disse Dado Dolabella ao EGO.
O ator contou que depois de ter tido filho, Juliana agia como se nada houvesse acontecido. A produtora subiu e desceu as escadas do apartamento do casal no Leblon, na Zona Sul do Rio e foi preparar um suco para eles beberem.

A ideia de ter Ana Flor de parto domiciliar foi inspirada pela atriz Danielle Suzuki. Foi ela quem contou para o ator as maravilhas do parto natural.
"A Danielle disse que era mágico e eu comecei a curtir o fato da minha filha nascer em casa. Fora isso, o nascimento de meus outros dois filhos no hospital, de parto cesárea, me traumatizaram muito. A mãe fica longe do filho, só vê a criança depois. Nada a ver. O que um bebê recém nascido precisa é unicamente do calor da mãe e de tê-la próxima dele", disse.
Cordão umbilical não é cortado de imediato
Dado disse que quando a mãe dá à luz, a temperatura do corpo da mulher aumenta três graus justamente para ela aquecer o bebê. Em casa, o cordão umbilical não é cortado imediatamente como acontecesse no hospital e ele ainda fica preso à criança durante duas horas.
" Esse tempo é o suficiente para ela receber todos os nutrientes do sangue da mãe e isso é riquíssimo para a crianças", disse Dado.
Dado filmou todo o parto. O nome da filha, Ana Flor, foi uma homenagem à irmã de seu padrasto, Ana, que morreu de câncer esse ano. E Flor é 'lindo de se ouvir', disse ele.
"Não tem explicação para definir esse momento. Se pudesse, repetia tudo de novo."

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

O Renascimento do Parto - documentário

Começando o dia maravilhada com este vídeo!! Saudades do meu queridíssimo Ricardo Jones, da maravilhosa Heloísa Lessa e o do incrível Michel Odent! Sabias palavras de Marcio Garcia. Faço das palavras da Nutricionista Andréa Garcia, mulher de Márcio Garcia, as minhas palavras. Tento todo dia superar a dor de cair numa cesárea sem necessidade (meu filho não tinha prazo de validade), mas a cicatriz que esta no meu corpo não me deixa esquecer... Meu filho se lembra do abandono que sentiu quando nasceu, e chora quando vê as fotos. Aos profissionais que dizem que Humanizar não é romantizar o parto...DESCORDO! O parto é AMOR, e o romantismo naturalmente vai existir!!


sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Condutas no atendimento ao recém-nascido - Mais um quadro de violência alienada

Texto muito bem escrito pela Fisioterapeuta Angela Rios.  Vamos prestar atenção no depois que o bebe nascer, deixar claro os seus desejos, escrevam seus planos de parto sim, se informem. Muitas coisas feitas nos recém nascidos são desnecessárias!! Leiam o texto...


Em muitos hospitais, nossos bebês ainda hoje são submetidos a procedimentos rotineiros violentos e desnecessários e na maioria das vezes as mães nem sabem disso! Estas condutas vão contra todas as evidências científicas e contra o que é recomendado pela Organização Mundial da Saúde.

Por quê? Por pura falta de senso crítico? Por falta de conhecimento? Por preguiça de questionar as rotinas e padrões? Me desculpem os médicos (profissão pela qual tenho profunda admiração, mas que muitas vezes é manchada pelos maus profissionais) mas rotinas como estas são simplesmente criminosas.

E que as futuras mamães fiquem atentas, pois os cuidados com o seu filho podem começar antes mesmo do nascimento, questionando ao médico que irá receber a criança sobre os procedimentos que são feitos e quais as indicações das mesmas. Eu fiz isso na minha gravidez, a após o parto meu filho não foi submetido à nenhum procedimento desnecessário, mamou na primeira hora e ficou comigo em alojamento conjunto.

As recomendações da OMS para o atendimento ao recém nascido de baixo risco são:



"Imediatamente após o nascimento, deve-se verificar o estado
do recém-nascido. Isto é uma parte integral da assistência ao
parto normal, e a Organização Mundial da Saúde enfatiza a
importância de uma abordagem unificada à assistência materna
e neonatal (OMS 1994c). Os cuidados imediatos consistem em
verificar a permeabilidade das vias aéreas, tomar providências
para a manutenção da temperatura corporal, clampear e cortar
o cordão e colocar o bebê ao seio o mais cedo possível." -
(Maternidade Segura. Guia Prático. OMS, 1996)


Estou lendo (devorando!) a tese de doutorado de Carmen Simone Grilo Diniz "Entre a técnica e os direitos humanos: possibilidades e limites da humanização da assistência ao parto". A autora tem a habilidade de colocar os conceitos de forma clara e discutir as evidências de forma científica e tocante ao mesmo tempo. Até o momento vários trechos me emocionaram, mas este, em especial, senti a necessidade de colocar aqui.

"(...)
Na década de setenta se consolida uma crítica ao tratamento ao recém-nascido e um questionamente às rotinas de assistência, que tinham como pressuposto a necessidade de um conjunto de intervenções de rotina, que se mostraram desnecessárias e potencialmente dolorosas e perigosas.
Além das repercussões do uso de drogas e outras intervenções na mãe, entre outras rotinas tínhamos, no momento do parto, vários procedimentos agressivos ao bebê, como luzes fortes e o aparelho de ar condicionado ligado, forçando o bebê a um choque térmico entre o ambiente intracorporal de cerca de 36 graus e o meio externo. O bebê tinha o cordão clampeado imediatamente, levando a uma supressão súbita de oxigênio e à respiração forçada e dolorosa, era pendurado pelos pés e não raramente, recebia um tapa para atestar sua vitalidade. 
Depois disso, era separado da mãe e levado por outros profissionais, e de rotina, mesmo que estivesse respirando perfeitamente, passava por uma “reanimação” que incluía uma sonda introduzida até o estômago, sofria ainda instilação de gotas profiláticas nos olhos que além de dolorosas, deixavam o recém-nascido com a visão nublada por várias horas ou dias.
O bebê era de rotina separado da mãe para observação por um período variável de algumas horas a um dia ou mais, em um berçário (hoje propõe-se a extinção dos bercários para bebês normais), lugar onde ficava instalado durante toda a estada no hospital. O contato com a mãe era regulado, e em muitas instituições restritos a alguns dos horários das mamadas, pois em outros horários, a criança era alimentada com leite em pó.
Até a década de oitenta, com a permissão dos serviços, era comum que todas as mães recebessem no hospital a visita de uma representante das companhias de leite em pó, vestidas como enfermeiras, que davam latas de leite para os primeiros dias do bebê como amostra. Como não havia orientação sobre amamentação, houve uma tendência generalizada de desmame precoce, com conseqüências catastróficas para a saúde e mortalidade infantis. Os estudos mostraram que os bebês alimentados por mamadeiras em condições de pobreza tinham um risco até 25 vezes maior de morrer no primeiro ano de vida que um bebê amamentado ao seio (UNICEF/WHO/UNESCO, 1989)."

Fonte 

quinta-feira, 23 de junho de 2011

Olá Dr. obstetra, quer sair da Matrix? Nós temos a pílula vermelha!

Gente, simplesmente fantástico este texto, a comparação de Matrix é incrível. O queridíssimo Dr. Ric Jones gosta de fazer este tipo de comparação, com todos nós. Parece que estamos envolvido, presos na Matrix, muitos sem perceber ou até acomodados com esta situação. Já outros, assim como Neo, que mesmo não sabendo o que iria enfrentar, decidiu tomar a pílula vermelha, e enfrentar a realidade! Como o Dr. Ric Jones mesmo fala em seu Livro, Memórias de um Homem de Vidro (leiam é fantástico), o caminho da humanização do nascimento, é um caminho sem volta! Não tem como depois de você sair da Matrix, e ver a realidade, querer voltar para a fantasia. Leiam o texto...
Há um mês começamos reuniões do movimento pela humanização do parto com grupos de profissionais e ativistas para discutir o modelo de assistência obstétrica em Sorocaba.

Da nossa primeira reunião, saíram algumas estratégias e concluímos que é necessário sim trabalhar as mulheres, para que elas tomem as rédeas de sua gestação e parto, e sejam protagonistas de sua história, mas que precisamos também ter um suporte em hospital para as mulheres que não querem ou não podem pagar um parto domiciliar.
Por isso, através das obstetrizes que fazem parte do nosso grupo, convidamos obstetras e residentes de obstetrícia para participarem de um bate-papo e apresentar nosso grupo e nossa proposta de um modelo de assistência diferenciado.
Este bate-papo aconteceu na ultima quarta-feira, dia 08 de junho às 19:00.
No bate papo um obstetra e duas residentes  como convidados foram recebidos pelo nosso grupo (duas obstetrizes, uma parteira, uma doula, uma fonoaudióloga especialista em amamentação, duas mães que pariram naturalmente e um querido neonatologista). Contávamos com a presença de uma querida obstetra mas um bebê deu o ar da graça e ela teve que acompanhar uma paciente.
Me senti como se estivessemos no filme Matrix. Aliás, já escrevi aqui sobre a Matrix Obstétrica. E me senti como se oferecessemos a pílula vermelha a esses profissionais, que aprenderam um modelo de assistência obstétrica que os prepara apenas para emergências e para tomar decisões em momento de intercorrências. Um modelo de assistência repleto de intervenções e que não leva em consideração a fisiologia do parto e do binômio mãe-bebê.
Partindo do princípio que uma gestação normal não é doença, um parto deveria acontecer naturalmente e sem intercorrências, o que não justifica protocolos de emergência com todas as pacientes, que ao serem internadas recebem todo um pacote de intervenções desnecessárias. Invervenções essas, que apenas aumentam os riscos de complicações. Intervenções que muitas vezes são não recomendadas, e que muitas vezes são até mesmo proibidas (como a Manobra de Kristeller) pelos órgãos que regulamentam a saúde pública em nosso país.
Quando Morpheus entregou as duas pílulas para Neo, qual a escolha Neo teve que fazer? Ele estava diante de dois caminhos: o do conhecimento da realidade, da verdade (em relação ao parto, o caminho das evidências científicas), representado pela pílula vermelha ou o caminho da ilusão, da ignorância (neste caso, o caminho dos protocolos intervencionistas descabidos), representado pela pílula azul.
 E foi exatamente isso o que apresentamos aos nossos convidados. A possibilidade de descobrir um novo modelo de assistência às gestantes, modelo esse que é recomendado pelo Ministério da Saúde e pela Organização Mundial da Saúde e que é praticado em muitos países da Europa e América do Norte e em algumas cidades do Brasil.
 Diferentemente do filme em que Neo, o convidado, é obrigado a se decidir entre a pílula vermelha e a  pílula azul no mesmo momento, nossos convidados saíram da reunião com informação e ciência de que é possível fazer diferente. De que há mulheres que desejam ter um parto diferente, natural e humanizado. De que há mulheres que saíram da Matrix e hoje são protagonistas de sua feminilidade. Saíram da reunião com um mundo de possibilidades à frente.
Fonte: http://mulheresempoderadas.wordpress.com/2011/06/10/ola-dr-obstetra-quer-sair-da-matrix-nos-temos-a-pilula-vermelha/

quinta-feira, 9 de junho de 2011

Promova a humanização do atendimento ao parto: Modelo de carta para apresentar às maternidades

Esta carta constitui um modelo do que pode ser enviado aos centros de parto (hospitais, maternidades, casas de parto) por enfermeiras obstetras e qualquer outro profissional objetivando promover um serviço atualizado com os padroes da OMS, das evidências científicas e dos direitos das mulheres. Por um parto e nascimento humanizados e respeitados. O texto abaixo pode ser alterado conforme as necessidades e situaçoes particulares.
Imo. Sr.
Diretor Geral da Maternidade ... 

Carta aberta a todos os funcionários
NESTA
 

Objeto: Humanizacao do atendimento ao parto e nascimento 

Prezado Diretor Geral,
 

Durante meu período de estágio extra-curricular na Maternidade ... de ..., efetivado no ano de ..., tive a oportunidade de conhecer bem todos os aspectos dos trabalhos e serviços prestados por esta reconhecida Maternidade.
A oportunidade desta experiência foi decisiva para a definição de meu Trabalho de Conclusão do Curso ..., que versou sobre ... . Cumpre ressaltar, que continuo a me especializar no tema, ... (desta vez através de um curso a distância (trilíngue), sobre capacitação de profissionais para atendimento domiciliar à mulher no pré-parto, parto e pós parto, promovido pela ONG Amigas do Parto.)
Através dos contatos do referido curso, me surpreendi com os relatos de colegas do mundo afora sobre o tema PARTO, inclusive negativamente, pois constatei que o nosso país é o campeão mundial de cesáreas, ao contrário da Holanda, onde esse índice não chega a 10%, e 1/3 (um terço) dos partos são domiciliares, sendo que, os partos de baixo risco são atendidos por parteiras, portanto, dentro do indicado pela OMS (Organização Mundial da Saúde), que estipula no máximo 10 a 15% de cesáreas.
Na Maternidade ..., temos o inverso, pois dados estatísticos fornecidos pela própria maternidade, do mês de março/2008, indicam o percentual de 40% de cesáreas. Serve de questionamento: o que está acontecendo para esses índices estarem tão elevados?
Acredito na capacidade dos profissionais que aí trabalham. Mas creio que muitas coisas podem e devem melhorar. Durante esse tempo estudando e conhecendo a realidade de diversos lugares, assisti e ouvi relatos de partos que me deixaram muito otimista, a mudança já está se operando, pois diversas mulheres começam a encarar o parto como algo natural, estando mais confiantes em si, e assim optam por métodos não farmacológicos para alívio da dor e procuram por atendimento mais individualizado.
No meu ponto de vista, a Maternidade ... carece de uma estrutura física adequada para o trabalho de parto, visto que as parturientes não têm privacidade, bem como seus acompanhantes. Muitas vezes, os gritos de uma mulher influenciam no trabalho de parto da outra e não raras vezes causam medo e angústia.
A própria OMS enfatiza deambular durante o trabalho de parto, porém a MCD não oferece estrutura para isso, pois quem entra no centro obstétrico não pode ficar andando pelos corredores, onde, ao mesmo tempo, o número de parturientes pode chegar a sete, e só há dois banheiros (parturientes + acompanhantes), portanto, não há como ficar à vontade no chuveiro.
Então, a estrutura física deveria ser realmente modificada.
Há diversas literaturas mostrando que o contato da mãe e bebê (pele a pele) no nascimento é de grande importância para ambos e que o berço aquecido, assim como a avaliação imediata do pediatra é na grande maioria das vezes desnecessária, ou seja, basta apenas olhar e perceber que está tudo bem.
Da mesma forma, o cordão umbilical não precisa ser cortado no momento do nascimento, mas assim que para de pulsar, pois o bebê já não precisa mais do sangue materno para sobreviver a partir deste momento e acredito que não devamos ter pressa para ver o bebê chorar ou gemer, pois talvez ele não queira fazer isso e atentar para este momento é respeitar o desejo do recém nascido.
O mais importante e necessário, segundo a literatura e os debates que vem ocorrendo em minha especialização, é o contato da mãe com o bebê, é o calor que os aproxima, ambos estão ansiosos para se tocarem, se enxergarem pela primeira vez, mas esse direito parece ser negado na MCD.
Com relação aos profissionais da MCD, muitos desconhecem sua verdadeira importância dentro da maternidade, que vai muito além de puncionar as veias, limpar e arrumar sala de parto, verificar os batimentos cardíacos fetais, que são importantes, mas não mais que o apoio psicológico, o encorajamento, a massagem, o estar ao lado da mulher são fundamentais, por isso, acredito que deva haver capacitações obrigatórias e constantes a todos os funcionários para que estejam atualizados e motivados para realizar seu trabalho.
Outra questão que merece ser trabalhada é a posição do parto. Vejo que na Carmela Dutra a posição que as mulheres parem é semi-sentada, ou quase deitadas, no entanto, através de muitas leituras e pela própria experiência, vejo que a posição mais interessante e mais fundamentada para parir é a posição de cócoras, visto que nesta posição o bebê está a favor da gravidade.
Tal posição é a que as índias costumam parir, e ressalte-se, traz muitos benefícios para mãe e bebê, com muita literatura a comprovar este argumento, neste sentido. Sugiro a aquisição de uma cadeira para parto de cócoras, como também, existem outras possibilidades, e a mulher deve ser encorajada a parir seu filho como se sinta melhor, seja na posição genupeitoral, de cócoras, de quatro e outras mais.
Acredito que esta pequena colaboração possa ajudar a tornar os trabalhos da MCD mais humanizados e quero dizer de minha disponibilidade em ajudar para que essas melhorias aconteçam, pois acredito no potencial desta maternidade, que funciona há 53 anos e já proporcionou a milhares de mães darem a luz aos seus filhos.
 
Cordialmente
 
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(Patrícia Sulsbach
E mail: 
patrícia.sulsbach@hotmail.com)

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