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sexta-feira, 12 de junho de 2015

As 50 intervenções desnecessárias durante a gravidez, parto e pós parto !

As 50 Intervenções Desnecessárias durante a gravidez, parto e pós-parto (por Ingrid Lotfi com supervisão técnica de Melania Amorim e Maíra Libertad)


1) Exames pré-natais não incluídos na rotina preconizada pelo Ministério da Saúde do Brasil (os exames recomendados são: grupo sanguíneo e fator Rh, sorologia para sífili...s - VDRL, hemoglobina e hematócrito para rastreamento de anemia, exame de urina tipo I, sorologia para HIV e hepatite B - AgHBs, glicemia de jejum, teste para toxoplasmose-IgM, colpocitologia oncótica se necessário).

2) Exames de efetividade discutível sem prévia discussão com a gestante sobre riscos e benefícios (p.ex. pesquisa de EGB (Estreptococcus do Grupo B)).

3) Prescrição de complexo vitamínico, sem uma indicação clara.

4) Ultrassonografias sem indicação clínica.

5) Dopplerfluxometria em gestação de baixo risco ou sem indicação clínica.

6) Ecodopplercardiografia (exame para avaliar o coração) fetal em gestação de baixo risco ou sem indicação clínica.

7) Cardiotocografia em gestação de baixo risco ou sem indicação clínica.

8) Teste oral de tolerância à glicose (TOTG) em gestação de baixo risco ou sem indicação clínica.

9) Cesariana eletiva sem indicação clínica e/ou sob falsos pretextos (ver lista das "Indicações das desnecesáreas).

10) Exames de toque antes do trabalho de parto, sem indicação clara.

11) Descolamento de membranas antes de 41 semanas de gravidez.

12) Descolamento de membranas sem prévia discussão e autorização da gestante.

13) Restringir a escolha do local de parto.

14) Desencorajar ou proibir o acompanhante/doula no parto da escolha da mulher, ou permitir a entrada de pessoas não autorizadas.

15) Internação precoce.

16) Exames de toque/remoção de rebordo de colo abusivos durante o trabalho de parto e de rotina.

17) Exames de toque/remoção de rebordo SEM o prévio consentimento da gestante.

18) Toque Retal.

19) Jejum, tricotomia (raspagem dos pêlos) e enema (lavagem intestinal).

20) Qualquer restrição à deambulação/liberdade de movimentos.

21) Estabelecer limites rígidos para a duração da fase latente, ativa e do período expulsivo.

22) Atrapalhar o processo fisiológico do parto, desconcentrando a gestante.

23) Monitoração fetal contínua ao invés de intermitente (onde o profissional ausculta o bebê de tempos em tempos com o sonar).

24) Uso rotineiro de soro com ocitocina/indução com misoprostol.

25) Uso rotineiro de analgesia de parto.

26) Oferecer ou insistir na analgesia de parto sem que a mulher a tenha solicitado.

27) Amniotomia de rotina (rompimento da bolsa).

28) Puxos precoces (treinar fazer "a" força, antes que a mulher possa sentir os puxos).

29) Puxos dirigidos ("faça força agora", "força comprida", etc).

30) Manobra de Valsalva (orientar a "trincar os dentes e fazer força").

31) Desestimular a escolha pela mulher da posição/ambiente em que quer parir.

32) Manobra de Kristeller (empurrar o fundo do útero)/pressão de qualquer intensidade no fundo uterino/"só uma ajudinha".

33) Manobra de "divulsão" perineal e/ou massagem perineal sem consentimento da mulher.

34) Episiotomia.

35) Não permitir o nascimento espontâneo.

36) Aplicar fórceps e vácuo de rotina e/ou sem autorização da mulher.

37) Sutura rotineira das lacerações.

38) Revisão instrumental do canal de parto de rotina (fórceps, vácuo extrator).

39) Cesariana intraparto sem indicação precisa e sem caráter de emergência.

40) Ligadura precoce do cordão, sem aguardar parar de pulsar.

41) Entregar um bebê vigoroso ao neonatologista para secar e aquecer, afastando-o da mãe.

42) Aspiração de rotina das vias aéreas do recém-nascido.

43) Passagem de sonda de rotina no recém-nascido, para pesquisar atresia de coanas, atresia de esôfago e ânus imperfurado.

44) Uso rotineiro de Credé (colírio de nitrato de prata).

45) Levar bebês saudáveis para o berçário.

46) Fazer qualquer procedimento com o RN sem consultar e obter autorização dos pais.

47) Não permitir o delivramento (saída da placenta) espontâneo.

48) Revisão manual da cavidade uterina de rotina, mesmo em casos de cesárea anterior.

49) Oferecer bicos, chupetas, mamadeiras, com leite artificial para o recém-nascido.

50) Aplicar vacinas sem o consentimento e autorização dos pais.

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Compartilhando- Desabafo de um obstetra

"Quero, antes de tudo, manifestar meu apoio ao colega Marcos Augusto Bastos Dias. E repudiar a hipocrisia, não apenas do CRM-RJ, mas de todos os CRM's Brasil afora. Nessa disputa envolvendo assistencia ao trabalho de parto e nascimento, não existe nenhuma pureza dentro dos conselhos. Os augustos, quase divinos conselheiros - encastelados em sua ética parcial - não estão assim tão interessados nos sujeitos principais do parto: a mulher, o bebê, a família. Estão ali para proteger o poder e os privilégios da categoria que representam - importantíssima, sim, mas nem por isso proprietária da fisiologia humana. Fazem uma balbúrdia quando se trata de compartilhar a assistência com outra categoria - obstetrizes e enfermeiros obstetras - e outros modelos de assistência - ainda que comprovadamente eficazes e seguros em vários outros países do mundo. Mas se calam, ou se acomodam em inúmeras outras situações, flagrantemente ilegais, absurdamente anti-éticas, ou explícitamente desumanas... 

1) Um médico, obstetra, professor-doutor, tutor de residência (talvez conselheiro em seu estado) que chega no plantão da maternidade, onde mulheres foram ganhar seus bebês, e assim se pronuncia: "Como está o nosso Vietnã? Nossa Faixa de Gaza!!" Porque ele vai para o plantão como quem vai para uma guerra; as parturientes e seus familiares são o inimigo a ser vencido; ele está ali para matar ou morrer; para arrancar sangue; para dominar, para impor seu ponto de vista. Sua postura e suas condutas frente às mulheres, no decorrer do dia, são um desdobramento de seu "carinhoso" bom dia. Nossas maternidades estão aborrotadas de profissionais desse tipo, que vão trabalhar sem gostar do que fazem, e que descontam suas raivas nas mulheres que vão lá parir. O que os CRM's fizeram daquele estudo que mostra que cerca de 25% das mulheres são violentadas dentro das maternidades, na hora do parto? O que tem feito nossos CRM's, tão "preocupados" com a ética, contra médicos obstetra, anestesistas, pediatras (não todos, claro - mas muitos, muitos!!), que sistematicamente agridem mulheres nas mesas de cirurgia - principalmente quando são negras, obesas e pobres? Tem levantado a voz, pelo menos? Alguém foi punido, por isso? Ou isso é tão inerente à prática, que não vale a pena discutir?

2) E as cesarianas eletivas com 37 e 38 semanas, nas melhores maternidades do país - naquelas com imensos saguões de granito e manobrista? O que tem sido feito com esses profissionais, geralmente gente muito fina! profissionais muito conceituados em suas cidades e seus estados! o que tem sido feito com os profissionais que indicam e executam essas cesarianas? não sei de onde sai tanta indicação: o líquido secou, o nenê não estava respirando, o cordão estava enrolado no pescoço, o nenê era muito grande, HbsAg +, estreptococus B positivo (essa é de rir - ou chorar!). Porque a mentira foi normalizada em nossos pré-natais. A mentira e a arte de aterrorizar. Há uns meses, minha irmã me ligou de Maceió, onde mora, desesperada. Estava com 39 semanas de gestação, já tivera um parto normal anterior e aguardava tranquilamente o trabalho de parto. Mas "inventou" de fazer um ultra-som; a ultrassonografista falou que tinha que ser cesariana porque o cordão estava enrolado no pescoço. Falei para ela que ficasse tranquila; quatro dias depois nasceu o bebê, com uma circular de cordão, em perfeitas condições. Quantas outras mulheres não tiveram a sorte de ter quem as tranquilizasse? e quantas outras "excelentes" ultrassonografistas, pelo Brasil afora, não fazem outras tantas brilhantes indicações como esta? Isso não configura um quadro de imperícia? Isso não é anti-ético? O que os CRM's tem feito nestas situações? Alguém foi chamado, pelo menos para uma advertência? E quando algum desses bebês afoitamente retirado com 37 semanas (porque o fim de semana, ou o feriado prolongado estava próximo, ou porque havia um risco iminente de nascimento por parto normal), por "azar", teve uma membrana hialina, ou uma taquipnéia mais severa, e teve que ir para uma UTI neonatal, e teve que ficar entubado lá, um ou dois dias, alguém questionou a conduta desse profissional de condutas tão ilibadas? Será que os diretores clínicos das nossas maternidades privadas investigam esses casos? No final, mãe e bebê e família retornam muito felizes para suas casas... Intercorrências benignas, não é!Ainda agradecem o profissional, que "salvou" o bebê. É verdade que, às vezes não dá prá salvar... Os CRM investigam isso? Ou isso também é intercorrência benigna?

3) Existe maternidade pública no Brasil, onde o médico plantonista não avalia puérpera na enfermaria, porque na enfermaria não tem ar condicionado - ninguém merece aquele calor, né gente!. Levem os prontuários para eles, no conforto médico, onde o ar condicionado mantém uma temperatura civilizada - 18-20 graus, né gente! Por outro lado, ar condicionado de bloco cirúrgico-obstétrico tem que ser 16 graus, né gente! Para vestir capote cirúrgico, tem que abaixar a temperatura. "Senão, não dá para trabalhar!" A paciente (mãezinha, ou filhinha), de camisola, ou despida, que se vire! Ninguém pergunta se a temperatura está adequada para ela. Alguém se preocupa com isso? Ah! sim, claro, o pediatra, quando que o bebê nasce...

4) E as cesarianas para ligadura!! A lei do planejamento familiar já está bem velhinha! Mas até hoje tem mulher com dois ou três partos normais que entra na maternidade às 9:00 e às 10:30 é levada para o bloco cirúrgico para uma cesariana de urgência por sofrimento fetal agudo (com BCF de 140), ou distócia (distócia? teve tempo de ter distócia?), e na cesariana "ganha" a ligadura... Ou entra na maternidade com diagnóstico de pre-eclâmpsia (com PA de 150/100) e é encaminhada direto para o bloco, para cesariana de urgência + ligadura. Curiosamente, todas as outras medidas de PA situam-se em torno de 100/70; mais curioso ainda, a única medida anormal foi a medida da admissão, tomada pelo médico; curiosíssimo: talvez ele nem tenham colocado o esfigmomanômetro no braço da gestante... Como é mesmo o nome disso? Não entendo muito de lei! Falsidade ideológica? Será que cabe aqui? A Lei de Planejamento Familiar estabelece algumas penas... Tem algum CRM no Brasil preocupado com essa prática? Comuníssima ainda nos grotões... Claro, ainda tem o cachê do médico: mil reais prá fazer a ligadura...

5) E os "esquemas" de plantão? Tem três pediatras de plantão. Na prática, só tem um, porque eles rodam. "Tem que contratar mais pediatra" fala uma pediatra absolutamente sobrecarregada, "porque não estou dando conta do serviço!". Os outros dois estão nos seus consultórios... / "Não dá para fazer analgesia peridual nas pacientes em trabalho de parto, porque não tem gente suficiente" fala o anestesista de plantão. O outro anestesista, também de plantão, não está... (onde está?). E assim, por diante... Cadê os CRM's?? Cadê os nobres conselheiros?

6) "Período de dilatação, prá mim, dura 6 horas; período expulsivo, 30 minutos. Mais que isso, é cesariana" Ou Kristeller. Porque, depois que vai para a litotomia, tem que nascer em 15 minutos. “Isso! Cuidado mãe! (ela subindo na litotomia) Vamo buta o pezinho aqui mãe, pro menino nascer rápido! Força para o menino sair taqui. Mãe, presta atenção, tá fazendo errado. Peraí!! Puxa isso aqui. Vamo butá o campo. Vai nascer! Agora mãe, quando vier a dor, é prá você ajudá. Puxa, tá certo, na hora da dor. Puxa.! Tá descendo? Força, confiança. Fecha a boca. Vai mãe vamo, vamo vai vai vai mãezinha, vai, vai. Ela tá muito desesperada (não aguento) Oh m~e, presta atenção. Vc tá com desespero, mas sem necessidade (mas dói demais) (eu tô tentando). Aquela hora achei que ia nascer lá (gemidos). Bota o pezinho, isso. Ajuda mãe! Ajuda aí. Vai força, vai força, puxa o ferro. Vai mãe, vai mãe, espreme, tá vindo, tá nascendo. Vá mãe, vá, VAI. Força!!! (oh gente!) (tá dando agonia) Presta atenção, mãe, presta atenção, vamo lá (Oh meu deus) Desça o bumbum, desça, desça mais. Vá mãezinha, isso! Muito bem (Ah meu deus). Desce na contração, sobe. (Oh gente!) (OH senhor) Tá chegando, vamo mãe, bota o pezinho prá cima e puxa o ferro, vamo vai va va va maezinha, empurra o pé. Vá mãe vá. É que as contrações dela são poucas. (doi demais gente) Força, vá, força, va (grito). (gente!) respira, puxa o ar pelo nariz (não aguento mais não). (meu pai!) (não não) Empurra, vá vai nascer. Vamos vamos (grito) Você tá segurando. Não mae tenha calma, deixa descer mais. Força Raimunda, vá. Vamos raimunda. Não devagar, de uma vez só. Sobe ela. Tô dexando rodar. Nasceu pronto. Respire mamãe. Nasceu! pronto " Essa gritaria toda durou quinze minutos. De fato nasceu. Tinha que nascer em 15 minutos? O BCF estava ótimo e a parturiente tinha dois partos normais prévios. Essa é a assistência padrão de período expulsivo no país inteiro.

E o que os CRM's fazem, então com esse bullying sistemático nos períodos expulsivos das mulheres brasileiras (na hora de fazer você não gritou assim), com essa gritaria (parece que estamos tocando vaca!), com esse estímulo irracional ao puxo dirigido (Será que ninguém nunca viu o que o Caldeiro-Barcia já havia mostrado em 1979?), com essas multidões penduradas nos períneos das mulheres (Força, mãezinha!)? Claro que os CRM's não fazem nada... . A fazer algo, teriam que reconhecer que MÉDICO(a) OBSTETRA NÃO SABE ASSISTIR UM PARTO NORMAL EUTÓCICO. Mas isso é demais... Porque na sequencia teriam que reconhecer que outros profissionais - não médicos, e uns poucos médicos - sabem o que eles não sabem; e que tem muito a aprender com esses outros. E que talvez as CASAS DE PARTO possam ser locais mais adequados para o nascimento, e que a obstetriz e o enfermeiro obstetra, são tão capazes quanto eles na assistência ao parto. E isso eles não parecem dispostos a fazer. 

Isso é um desabafo, absolutamente pessoal...

Edson Borges de Souza
Médico Obstetra - Belo Horizonte"

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Entrevista- O gauche do parto humanizado no Rio Grande do Sul


Foto: Ramiro Furquim/Sul21

Cláudia Rodrigues
Especial para o Sul21

Autor de Memórias de um Homem de Vidro – Reminiscências de um Obstetra Humanista, já na 3ª edição, esse obstetra gaúcho é o único médico em Porto Alegre que assiste partos domiciliares. Respeitado internacionalmente por grandes nomes da humanização, como Michel Odent, Robbie Davis-Floyd e Debra Pascali-Bonaro, ele dá cursos e palestras em Portugal, Uruguai, México e nas capitais brasileiras que estão à frente do movimento pela humanização do parto e do nascimento.
Filho de um funcionário da CEEE e de uma funcionária da GE que deixou de trabalhar para formar família, Ricardo Herbert Jones nasceu em novembro de 1959 no Hospital Moinhos de Vento, em Porto Alegre. A família Jones chegou a morar em São Leopoldo para facilitar o trajeto do pai, que trabalhava nessa cidade, mas voltou para Porto Alegre quando Ricardo estava com 6 anos. Foi criado no bairro Menino Deus no tempo em que as pessoas colocavam cadeiras na calçada nos finais de tarde de verão. Atravessava a praça para ir à Escola Estadual Presidente Roosevelt, andava solto, sem medo de nada. Um de seus maiores prazeres era sentir o cheiro da comida que a própria mãe estava a preparar quando ele voltava do colégio. O último ano do 2º grau acumulou com o cursinho pré-vestibular Mauá e não deu outra: entrou na já disputada medicina da UFRGS em 1977, aos 17 anos.
Sul21 – Os cursos de medicina têm fama de serem divertidos, ainda que se estude muito os estudantes saem, tem as patotas, como todos os cursos. Como foi essa fase para o Sr.?
Ricardo Jones – Não tive isso, fui pai aos 22 anos e adorei descobrir a paternidade tão cedo. Para mim a faculdade era uma referência profissional, de formação e já no segundo ano eu estava trabalhando, fazia muitos plantões. Nunca fui de festas, políticas, o tempo em que não estava estudando e trabalhando, ficava em casa, eu era pai, sempre brinquei muito com meus filhos. Apesar de a paternidade ter surgido em minha vida de forma prematura, eu jamais me senti prejudicado por esta extemporaneidade. Ser pai muito jovem foi o grande estímulo que tive para me dedicar à minha grande paixão: o trabalho com o feminino e o nascimento humano, os meus filhos foram o motor do meu crescimento.
Sul21 – Os teus filhos nasceram de parto normal…
Ricardo Jones - Sim, os dois, Lucas nasceu em 1982 e Isabel em 1985, ambos de parto normal, isso não era uma questão, nunca imaginamos, Zeza e eu, uma cesariana. A opção pelo parto normal, na época, não estava relacionada com um ativismo consciente, mas apenas com a ideia de que “essa era a forma normal de ter um filho”. Temo que os pais que estão tendo seus filhos hoje sofram com uma imagem pervertida dessa situação: o “normal” passa a ser planejar uma grande cirurgia abdominal para a extração de um bebê. E isso me parece uma tragédia, visto que é um modelo estético-cultural que favorece instituições e corporações, mas que sacrifica o bem estar de mães e bebês.
Clique aqui para ler a matéria completa!


Retirado daqui

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Quanto custa uma Doula??

ADORO ESTE TEXTO, PORTANTO, AI VAI ELE NOVAMENTE!





Eu sempre falo que a pergunta deve ser outra, quanto custa não ter uma. E custa muito.

Pode custar o desespero nas últimas semanas da gestação, o sentimento da falta de apoio. Lembrem-se, gravidíssimas são emotivas por excelência - e ser taxada de aberração por desejar o natural é cruel.

Pode faltar o apoio simples para trocar o médico cesarista. Pode faltar alguém que didaticamente lhe ajude com os medos específicos do parto, um ombro amigo que não vai tentar lhe convencer que o corpo é defeituoso.

Pode custar uma ida precipitada à maternidade, que invariavelmente recairá numa série de intervenções - dolorosas, humilhantes e desnecessárias.
Pode faltar em TP alguém experiente, e que possibilite ao pai curtir o momento sem se preocupar em ser responsável. Pode faltar alguém com lide suficiente para lhe lembrar de comer e beber. Alguma sugestão de respiração, massagens, posições e exercícios nas contrações e expulsivo. Pode faltar alguém para lhe dar um ânimo de confiança.

Pode faltar alguém com tato e confiança na amamentação.
As doulas tem a inteligência emocional desenvolvida: sabem o que falar e como, no momento mais vulnerável de nossas vidas. Dão a segurança para que os papais possam curtir o momento sem pressões. É um bicho multi-uso: ajuda a vencer os medos da gravidez, serve de ombro amigo, ajuda a compreender os processos próprios do parto, cronometra contrações, atende o celular, prepara algo para comer. 

Sugere posições para alívio de dor e também para acelerar algum ponto. Um guia do desconhecido. Diminui estatisticamente as necessidades de analgesia, fórceps e cesáreas - vai menosprezar isso? 

E o dinheiro?
 É pouco. Com certeza, dá-se sempre um jeito de pagar. Não é absolutamente tão caro quanto você imagina, e valeria a pena mesmo que custasse o quádruplo. Passe nesse meu post sobre enxoval e reveja seus conceitos do que é realmente importante.

Se você colocar no papel quanto custariam os desdobramentos de uma cesárea e uma amamentação falida, dá muito e MUITO mais do que o custo da doula - sem contar no aspecto psicológico de viver a experiência mais marcante de uma mulher com plenitude.
A pergunta é: posso não ter doula e ter um belíssimo parto natural? Claro que pode, é tudo uma questão de respeito e conhecimento. 

Ter doula durante o TP é uma escolha - por exemplo numa casa de parto boa com acompanhante carinhoso ou domiciliar com certas parteiras. Agora num hospitalar, ainda mais no Brasil, acho totalmente improvável - não recomendo em hipótese alguma. Sou da opinião que se vc acha que está em 'dúvida' se quererá uma doula, pegue. Nunca vi nenhuma se arrependendo de ter.

Não caia na besteira de achar que acompanhante fará esse papel: o mais normal é tal pessoa não querer que a parturiente 'sofra', ficam com pena, ou simplesmente se apavoram com o parto. Não é por mal, simplesmente é a falta da segurança e experiência.


Dydy, Enfª Obstetra & Doula
Fonte:http://fisiodoula.blogspot.com

terça-feira, 29 de novembro de 2011

Humanização no parto devolve protagonismo à mulher


Esta é uma notícia de 2009, mas é sempre bom ler, e ter o ponto de vista de profissionais que trabalham a anos na Humanização do Parto e Nascimento. 

google imagem
1º Encontro de Humanização do Parto em Sorocaba, realizado pelo Movimento de Apoio a Humanização do Parto em Sorocaba(Mahp) no auditório do campus Sorocaba no dia 29/9, abordou a protagonização da mulher no momento do parto. O chamado "parto humanizado" critica o uso de tecnologias e procedimentos desnecessários em partos de baixo risco e ainda defende que o nascimento aconteça da maneira mais natural possível.
Membro do Colegiado Nacional da Rede pela Humanização do Parto e Nascimento (Rehuna) e mais quatro instituições internacionais, o ginecologista, obstetra e homeopata Ricardo Herbert Jones afirma que o maior objetivo da humanização é devolver o parto à mulher. “Independente de classe social, a mulher no Brasil não tem autonomia, não tem protagonismo no próprio parto”, revela Jones, que trabalha com a perspectiva humanística desde 1986.
Também participaram do encontro a enfermeira obstetra Priscila Maria Colacioppo, que há sete anos atende partos domiciliares pela ONG Primaluz e a ginecologista Mariana Simões, pioneira na humanização do parto hospitalar em Campinas. “O parto hoje é tirado da mulher. Temos que mudar essa visão, passar a ver que faz parte do processo natural e fisiológico dela. Faz parte do ciclo feminino”, destaca Mariana.
Para Jones, a obstetrícia no Brasil é atrasada em relação aos países europeus, do ponto de vista conceitual. “Um bom hospital de São Paulo vai ter a mesma estrutura de um hospital de Nova Iorque ou de um europeu. Mas, o debate brasileiro é atrasado, centrado na figura do médico, no hospital e nas doenças”, destaca. O ginecologista explica que esse atraso é reflexo de anos da prática de um modelo importado dos Estados Unidos, onde o parto está centrado na figura do médico e não da gestante. “A paciente é tratada como coisa, como objeto inanimado, que não tem voz, não tem vez, não tem opinião e não pode decidir sua própria história”, fala.
A principal causa para isso acontecer é que os médicos veem as gestantes como doentes, incapazes de decidir pelo melhor. Como os médicos são treinados para o uso de tecnologia, eles acabam desviando o olhar da fisiologia e prestando demasiada atenção à patologia. Na realidade, segundo Jones e Colacioppo, a parturiente possui sim a capacidade de escolher o melhor para ela e o bebê, mas ainda é preciso se informar. “A mulher tem capacidade para escolher o que é melhor para o parto dela, mas o sistema não permite muitas escolhas, deixando-as impostas às normas hospitalares. Porém, o correto seria deixá-la no comando. O médico não faz o parto, ele assiste e auxilia”, diz Mariana.
Para os defensores do nascimento natural, o parto ideal é o que tem a atenção humanizada, que precisa de um tripé para funcionar adequadamente. O primeiro pilar – e o mais importante, segundo Jones – é a restituição do protagonismo do parto pela mulher. Em segundo lugar é preciso ter uma atenção integrativa e holística do nascimento, que possui aspectos psicológicos, espirituais e emocionais. Por último, a vinculação da medicina baseada somente em evidências, e não somente em procedimentos de rotina, fecha o ideal para o parto humanizado.
Jones explica que a humanização no nascimento não significa a desvalorização total do uso da tecnologia. Pelo contrário, a humanização é uma síntese de dois paradigmas: de um lado a tecnocracia e de outro o naturalismo. “É possível unir os dois, mesmo porque a tecnologia sempre é bem vinda, mas somente quando é necessária”, finaliza.

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Dia do Bebê e Mamaço foram ótimos!

Espelho D'água- Redenção
Ontem aconteceu no Parcão de Porto Alegre, o Dia do Bebê. Um evento que contou com muitas atividades, para pais e crianças. 
No Espaço Humaniza, tínhamos as meninas do Flor do Sul, bonecas didáticas. Conheci, finalmente a Jane e sua filha Andressa, queridíssimas e poderosas! Ali  no espaço ocorreu o Mamaço, com mães e bebês lindos, que tive o prazer de conhecer. Falamos sobre o aleitamento materno, de como parece ser complicado no inicio, mas também como se resolve naturalmente, tendo apoio e orientação. Falamos do vínculo através do ato de amamentar, e de como passa rápido este momento, e que por isso devemos nos dar a oportunidade de amamenta-los e de ficar juntinhas com eles por este tempo. Cansa, com certeza, mas VALE MUITO A PENA!
Mamaço

Andréa e Inácio
Lá também ocorreu demonstração de parto natural, banho de balde, shantala entre muitas outras coisas, tudo para informar melhor os pais e futuros pais. Revi muitas pessoas maravilhosas, minhas colegas de curso de Capacitação de Doulas, Melissa e Sônia, a Doula Zezé. Revi colegas do aleitamento materno, a Rosane Nutricionista e conselheira, da Consultoria Mamãe e Bebê. 


minhas companheiras de missão!














Participamos da passeata dos bebês, e que calor hem?! Espero que todos os bebês estavam de protetor solar. Foi linda a passeata. Depois meus pequenos, marido e eu fomos fazer o teste do dedinho, para anemia.
No dia do bebê também ocorreu apresentação teatral, brincadeiras, estavam sendo realizados o teste da orelhinha e visão (com doacao de oculos), verificação de pressão, glicose, vacinas, massagem para bebes e mamães, coleta de leite, doação de sangue e muitos outros.
 também o e foi dada muita informação e orientação as famílias. Pela manha estava cheio o Espelho d'água, muita gente participando deste evento maravilhoso!


Passeata do bebê!








Maridão e as crianças

Ana A Doula Nutri
Mãe do Bê e da Fifi

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Documentário O Renascimento do Parto fala sobre informação, hormônios do amor e opções de parto!

Em entrevista exclusiva à Crescer, a co-autora do longa Érica de Paula afirma que a mulher tem o direito de escolher de que forma vai ter o seu bebê 

Por Carol Patrocinio

Érica de Paula, co-autora do documentário
Érica de Paula é psicóloga, doula e acupunturista especializada em atender gestantes. A paixão pelo mundo da maternidade tomou proporções tão grandes que, ao sugerir uma pauta sobre o assunto para o programa de TV do marido Eduardo Chauvet, em uma emissora de Brasília, o casal resolveu fazer um documentário que acabou tornando-se o longa mais esperado para os interessados da área – O Renascimento do Parto (assista ao trailer aqui) - com estreia programada para março de 2012. “Já prevemos pelo menos dois filmes pela frente, para conseguirmos dar ao assunto a profundidade que ele merece”, acrescenta Érica. 

Em entrevista à Crescer, Érica fala mais sobre o documentário, que conta com depoimentos de grandes nomes da área de saúde, como Michel Odent (um dos precursores do movimento de parto fisiológico no mundo e a primeira pessoa a colocar uma piscina de parto dentro de uma maternidade), e de quem passou por diversas experiências de parto, como o ator Márcio Garcia, 41, e sua mulher, Andréa Santa Rosa, 33, que passou por “uma cesariana, um parto normal hospitalar com intervenções e um parto totalmente fisiológico, natural e domiciliar” para ter os filhos Pedro, 8, Nina, 5, e Felipe, 2. 

Crescer: Por que surgiu a ideia de fazer esse longa?
Érica de Paula:
 Para promover um maior conhecimento da população em geral a respeito dos aspectos fisiológicos, emocionais, culturais e financeiros que estão por trás do parto e nascimento. Tenho observado com espanto o quanto as mulheres são desinformadas quando se trata do parto (ou seja, de uma coisa que acontecerá com o corpo delas), deixando todas as decisões na mão do profissional médico, sem nenhum questionamento mais aprofundado, e se deixando levar por grandes mitos que cercam o assunto. 

Crescer: Você acredita que a situação atual do país, em número de cesáreas, pode ser transformada? Como?
E.P.:
 Acredito no poder da informação, principalmente se essa informação vem corroborada com os dados científicos. Hoje, temos a nosso favor a Organização Mundial de Saúde (que preconiza no máximo 15% de cesarianas), o Ministério da Saúde (que possui diversas políticas públicas a favor do parto normal) e todas as evidências científicas, que provam de forma cada vez mais contundente o quanto é melhor para mães e bebês respeitar aquilo que é fisiológico. Portanto, acredito que, ao promover uma maior conscientização sobre o tema, podemos sim contribuir com a transformação da realidade obstétrica do país. 

Crescer: Muitas mulheres dizem entender os prejuízos da cesárea eletiva e ainda assim fazem essa opção. Você acha que isso deveria ser coibido? Existe um projeto, nos EUA, para criminalizar a cesárea eletiva. Qual sua opinião sobre isso?
E.P.:
 É um assunto polêmico que envolve muitas variáveis. Poder escolher o parto é uma situação muito nova na história da humanidade. Em muitos países (sobretudo nos desenvolvidos), ainda hoje praticamente não existe essa escolha. Há lugares em que a cultura entende que normal é o parto vaginal, e a cesariana é vista como uma cirurgia de emergência, um procedimento para salvar vidas quando algo foge do fisiológico e entra no patológico. Eu sou a favor da escolha consciente. Acredito que a mulher tem o direito de escolher de que forma vai ter o seu bebê, uma vez que isso se dará no corpo dela. Mas isso deveria ser feito de forma consciente, ou seja, levando-se em consideração todos os prós e contras dessa decisão. Infelizmente, não é isso que vemos acontecer no Brasil. E se, diante de todas as informações, ainda assim a mulher optar pela cesariana, sou a favor da cirurgia feita em trabalho de parto, ou seja, após os primeiros sinais dados pelo corpo de que o bebê estaria pronto para nascer. 

Crescer: No filme fala-se muito sobre os “hormônios do amor”. Pode explicar melhor sobre isso?
E.P.:
 Durante o trabalho de parto, a mulher libera um coquetel de hormônios que denominamos hormônios do amor. Isso se deve ao fato de que o principal hormônio do parto, a ocitocina, está presente em outras manifestações de amor, como orgasmo, ejaculação e ejeção de leite. No parto, além de serem responsáveis pelas contrações e todo o processo fisiológico do nascimento, esses hormônios estão profundamente relacionados ao vínculo mãe-bebê. Além disso, esses hormônios atravessam a barreira placentária e são de suma importância para o bebê, não apenas no momento do nascimento, mas no futuro.
Por outro lado, apesar de os hormônios serem importantes, não é isso que define o amor e os cuidados maternos. Não queremos que as mulheres que passaram por uma cesariana ou tiveram seus filhos por meio de intervenções se sintam acusadas de serem menos mães ou de não amarem seus filhos. Não é disso que se trata o filme. Não estamos abordando casos individuais, mas o futuro de uma civilização inteira nascida sem os hormônios do amor. 

Crescer: O que você diria às mulheres que sentem medo do parto natural?
E.P.:
 Digo que é normal termos medo daquilo que não conhecemos. Estamos acostumadas a ter o controle de tudo, e a possibilidade de vivenciar um momento onde precisamos literalmente perder o controle e nos entregar parece realmente algo assustador. Mas, se conseguirmos ultrapassar a barreira do medo, podemos vivenciar uma experiência de absoluta plenitude. É importante ressaltar que grande parte do medo que as mulheres sentem do parto está baseado em mitos (do tipo: minha vagina vai alargar) ou em procedimentos que não são fisiológicos e são feitos de forma inadequada pelos profissionais (por exemplo, a episiotomia, corte na vagina feito sem indicação em mais de 90% dos casos). Por isso, defendemos que não basta o parto ser vaginal, mas sim humanizado, respeitando aquilo que é fisiológico. 


   *Fonte: Revista Crescer

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Parto Domiciliar: baixo risco que vale a pena- por Kalu Brum

Texto que esclarece muito bem que parto domiciliar, observando as condições de saúde da gestante, é muuuuito tranquilo e sem riscos! A jornalista e Doula,  Kalu Brum esclarece vários pontos errados, de uma matéria que saiu na Revista Veja. Leiam com a mente aberta, ok?!


Há exatos 4 anos e 7 meses Miguel nascia nesta casa, em uma área rural de Nova Lima, localizada a 15 minutos de Belo Horizonte. Minha opção pelo parto domiciliar foi a mais acertada, uma vez que era uma gestante de baixo risco, bebê cefálico etc.
Como sabemos as condições para um parto tranqüilo são as mesmas que necessitamos para o ato sexual: baixa luz, não observação, massagem, ambiente quente, liberdade de movimento, expressão, alimentar-se, beber água.
O parto domiciliar continua sendo uma opção segura que tem feito a cabeça de muitas mulheres, fartas do machismo de um parto hospitalar medicocentrista que leva o Brasil a vergonhosa taxa de 80% de cesarianas na rede privada. Por que um conselho médico resolve ir a uma revista de grande circulação comprar divulgar uma matéria desaconselhando o parto domiciliar? Certamente porque o número de mulheres que  procuram esta modalidade de parto tem crescido, afetando os bolsos e os brios dos senhores do parto. “Assumir riscos alegando uma medicina humanizada é uma involução. A medicina bem feita vai da relação entre médico, gestante e equipe envolvida. E é desse relacionamento que se dá a humanização do parto”Silvana Maria Figueiredo Morandini, obstetra conselheira do Cremesp.
Alguém poderia explicar a essa Dra. que humanização significa protagonismo da mulher no parto. E essa relação  médico, gestante e equipe envolvida, em 80% das mulheres usuárias de plano de saúde leva a uma cesárea desnecessária. Ou será que ao comprar planos de saúde ganhamos doenças como circular de cordão, bacia estreita, pressão alta, falta de dilatação? Ou será que as letras miúdas do contrato não avisam que as práticas obstétricas não serão baseadas em evidências científicas?
E quando é que vão explicar que parto em casa não é debaixo da árvore adubada? Os lençóis são limpos e a  equipe que presta assistência segue regras de higiene e condutas muito efetivas como diminuir o risco de infecção por excesso de toques, por exemplo. E com menos intervenções os riscos de problemas caem consideravelmente.
Alguém podia avisar que os casos de parada de progressão, queda do batimento cardíaco, são causados quase sempre por ocitocina sintética, excesso de anestésico? Que as práticas hiospitalares são medieis (quem já viu um Kristeller e episiotomia que o diga). Ou seja, a maneira de estar seguro, dentro de uma medicina baseada em evidência científica é dentro de casa, com uma equipe estruturada. A chance de dar certo é de 99,9% dos casos. E temos lhe dizer que se você cair na lacuna da estatística, se estiver em casa ou no hospital o fim será o mesmo. Ou será que bebês não morrem em hospitais? Alguém avisou esses médicos que cesáreas repersentam 3 vezes mais riscos para mãe e bebê?
Ninguém avisou esses doutores que a equipe que atende a partos domiciliares precisa ter um treinamento para os primeiros socorros e que a mesma assistência que uma criança teria em um ambiente hospitalar recebe em casa ou na transferência até a chegada ao hospital?
De acordo com Eduardo Souza, obstetra e coordenador científico de ginecologia e obstetrícia do Hospital São Luiz, o parto normal tem índices de complicação relativamente baixos. “As chances de complicar são de, em média, 1%. O problema é que uma vez que acontece uma complicação, mulher e criança estão expostas a riscos que podem ser graves”, diz.
E os riscos da cesárea que na rede pública a mulher temn 80% de chance de ser vítima? Ou seja, combate-se a possibilidade de 1% de complicações e não se olha para os 80% que geram milhões de gastos, com UTIs, infecções neonatais etc?
Riscos  apresentados pela revistinha:
Retenção placentária (Em parto natural? Raríssimo e no caso, é possível uma transferência sem complicação)
Ruptura de colo (Sem o uso de ocitocina? Mais arriscado morrer de infecção hospital)
Atonia uterina, quando o útero não se contrai de maneira regular (isso é detectável durante o trabalho de parto, o que levaria a equipe a optar por uma transferência)
Laceração de partes frágeis do corpo, que podem levar a hematoma anal e na bexiga (a episiotomia é uma laceração de quarto grau. E a queda de bexiga geralmente causada pela força dirigida devido a anestesia ou a contratura irregular do útero pela ocitocina sintética)
Falta de oxigenação (geralmente causada pela ocitocina, anestesia, Kristeller, posição deitada).
Todas essas intercorrências são causadas por profissionais despreparados, intervencionistas e apoiados pela instituição hospitalar.
Quer ler evidencia científica sobre Parto Domiciliar? Aqui tem. A revistinha apresenta um fragmento de pesquisa para direcionar os leitores de acordo com o desejo dos anunciantes.
De acordo com Antônio Júlio de Sales Barbosa, obstetra do Hospital Santa Catarina, hoje já é possível que o parto seja feito de formas mais humanizadas dentro dos hospitais. Ah, é mesmo? Cite o nome de 5 centros obstétricos decentes? Geralmente as equipes humanizadas, as mesmas que atendem a partos domiciliares são as que realizam partos humanizados em hospitais, a despeito das regras das instituições. Quero ver chegar e parir naturalmente (principalmente na rede privada).
Em alguns centros há salas preparadas especialmente para isso, com treinamento adequado da equipe e maior respeito às necessidades e vontades da gestante. “É ela quem escolhe a posição em que deseja dar à luz ou mesmo se quer ou não tomar anestesia no parto normal. Cada vez mais estamos nos preparando para que a mulher tenha voz ativa.”Ah é? Jura? Quem? Só os médicos que realizam partos domiciliares. A grande maioria nem espera a mulher entrar em Trabalho de Parto. Queria saber se dos 80% das cesáreas, quantas foram realizadas em mulheres em Trabalho de Parto Ativo?
Em casa: Segundo as defensoras do parto domiciliar, existe maior conforto em se dar à luz em casa, onde o ambiente é familiar e é possível ter parentes ao redor. Alto lá! Nunca ouvi ninguém escolher um parto domiciliar por isso. A gente sabe que quanto menos gente melhor.
No hospital: A presença de familiares também é permitida dentro dos hospitais, em número limitado. Em algumas instituições já existem quartos adaptados para o parto. Nesses lugares, a decoração é pensada para que o ambiente se assemelhe a um quarto domiciliar. “Antigamente a única opção era ir para uma sala cirúrgica, dessas que se vê na televisão. Mas hoje já existe o que chamamos de labor delivery room, uma sala própria onde ela fica do início do trabalho de parto até depois de dar à luz”, diz Antonio Julio de Sales Barbosa, obstetra do Hospital Santa Catarina. Nossa, sério? Que nos hospitais nem são usadas. Aliás, o Santa Catarina tem quantos % de partos normais?
Em casa: Quando dá à luz em casa, a mulher tem total liberdade para escolher a posição em que quer ter seu filho. Como não há limitação estrutural do hospital, ela é livre para decidir entre dentro da água, de cócoras, de lado ou deitada. Exatamente, e principalmente: respeitada em sua escolha.
No hospital: Quanto mais especializado em parto o hospital, mais infraestrutura ele terá. Isso significa que maternidades, por exemplo, já possuem estrutura suficiente para que a mulher consiga escolher como quer dar à luz. Há desde camas adaptadas para diversas posições, como banheiras em tamanhos adequados para que o obstetra consiga trabalhar. Mas que médicos esperam a mulher entrar em trabalho de parto? Que dirá parto na água?
Em casa: Com o menor uso de medicamentos e de intervenções consideradas desnecessárias, a mulher poderia ainda ter mais controle e uma participação mais ativa no processo do parto, além de ter uma recuperação física mais rápida. Exato, e uma equipe que respeita, apóia e sabe a importância disso.
No hospital: “Nada é feito de maneira obrigatória, a mulher toma anestesia somente quando autoriza ou a solicita”, diz Eduardo Souza, obstetra e coordenador científico de Ginecologia e Obstetrícia do Hospital São Luiz. De acordo com o especialista, a gestante pode ainda optar pela presença de doulas, acompanhantes especializadas em técnicas não-medicamentosas para o controle da dor. MENTIRA! A maioria dos médicos não aceita doula, a maioria nem espera a mulher em trabalho de parto, a maioria não acredita em parto sem anestesia, ocitocina. Isso sim é perigoso.
Fonte: Revista VEJA
Do Blog Mamiferas
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