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domingo, 1 de setembro de 2013

E agora? A doula precisa de uma doula no parto?



Esta pergunta me fazem direto... "Mas tu não precisa né?" "Tu sabe tudo que tem que fazer na hora!" "Ah, tu estas preparada, não precisa de doula"...E assim vai. Bom, eu Ana Luisa, doula a 3 anos, PRECISO sim de uma doula, justamente por saber da importância que o meu trabalho, que o nosso trabalho reflete na experiência de parto dos casais. Ter uma mulher contigo, que tu confia, que sabe todos os teus segredos, os teus medos e monstros, ao teu lado te mostrando a direção, te lembrando da capacidade que tens de completar este caminho, NÃO TEM PREÇO! Não só de valor em dinheiro, o que é muito importante a valorização deste atendimento, mas também em valores emocionais, espirituais!
Fátima Bernardes erroneamente disse que o pai poderia substituir uma doula! NÃO!! Não pode, marido e doula não são concorrentes, ou um não é menos necessário que o outro. O marido vai trazer uma intimidade, uma segurança, um conforto. A doula trás suporte, guia, acolhe, encoraja, fica tranquila sabendo que tudo esta indo como tem que ser. E ela transmite isso ao marido também, que pode curtir a chegada de seu filho com muito mais calma e tranquilidade!
Eu posso idealizar muitas coisas na hora, e não ser nada daquilo que eu esperava. Eu me sentiria perdida, sem saber como lidar com a situação e junto o marido ficaria assim! A doula é o "NORTE" da gestante na hora do parto, alguém que já passou por isso, na maioria das vezes, e sabe como te manter focada e tranquila.
Eu na verdade não tenho palavras para descrever o que minhas doulas representam para mim... São mulheres sábias, experientes, com trajetórias de vida diferentes, intuitivas, carinhosas, tranquilas...ah, não tem adjetivo que rotule...talvez AMOR! Mulheres que doam este amor para outras mulheres!
Todas mulheres deveriam ter o suporte de uma doula. "Mas Ana é muito caro, não é?" . Não, não é! A doula desenvolve um trabalho de acompanhamento continuo desde o primeiro encontro com a gestante, buscando dar informações que deixem a gestante e o pai tranquilos com suas decisões, e desta forma empoderados, focados. Este suporte continuo acontece por encontroas antes do trabalho de parto, onde ocorre uma preparação para o mesmo, tanto da mulher quanto do homem. E continua virtualmente, através de redes sociais, trocas de e-mail ou até vídeo. Na hora do parto a doula fica ao lado do casal sem descanso, guiando e zelando deste momento mágico. O trabalho de parto mais o parto pode demorar 24 horas ou mais, e a doula fica ali junto o tempo todo! Longe da família e abrindo mão de outros compromissos. E depois do nascimento ainda fica mais 1 ou 2 horas orientando o casal com cuidados do bebê e amamentação, fazendo mais tarde ainda uma visita domiciliar pós parto.
Então, vocês sabendo disso tudo ainda acham caro o que as doulas cobram? Gente, as doulas facilitam o pagamento, não é por isso que vocês precisam abrir mão de alguém tão essencial na hora que vocês mais precisam!! 
Caraaaaa... uma das minhas doulas, a Juliana, me disse que esta louca para ver o meu poder em ação, que vai ser lindo me ver parir! Ela ACREDITA em mim, como EU não vou acreditar???? Meu marido acredita em mim, como EU não vou acreditar??? 



Ter uma doula ao seu lado é ESSENCIAL!!!!


terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Pensamento do momento...

To adorando os pensamentos!! Parabéns a Fabiolla Duarte...


no momento do parto, elimine seu inimigo.
adrenalina não combina com ocitocina.
elimine o frio, elimine o que te causa medo, elimine quem te observa.

sentir-se observada é observar-se através do outro.

não se assista, não convide, não seja auto-invasiva.
mamíferos não liberam ocitocina na presença da adrenalina.

ocitocina é o mais importante hormônio do parto.
é hormônio da contração, é hormônio da dequitação da placenta, é hormônio da amamentação.
é o hormônio do amor.

relaxe.
é preciso movimento no relaxamento.
é preciso relaxamento no movimento.
no adormecimento do corpo feminino mora a menor adrenalina.
na escuridão mora a melatonina.
dê a luz na escuridão. o neo-córtex mora na luz da razão.

dar a luz é ativar o cérebro arcaico.
seja primitiva, esteja protegida.
a parteira é a mãe arquetípica.

parteira tricoteira é a parteira zen.
movimentos silenciosos, movimentos repetitivos são os movimentos do momento.
estados emocionais são contagiantes.
nada de perguntas, não seja acordada.

coma se tiver fome.
beba se tiver sede.

doula.
a melhor doula é a doula desnecessária.
receba a companhia silenciosa da silenciosa feminina.

viva o coquetel do amor.
logo após o parto, o maior pico de ocitocina de sua vida.
maior do que no parto.
maior do que no orgasmo.
maior do que na amamentação.

bebê recém nascido precisa de mãe aquecida.
para a dequitação da placenta sinta-se quente, sinta-se no ninho, seja protegida.
não se deve interferir no instinto mamífero de proteção da cria.

parto é coisa de bicho.
quem é bicho pari.
deixa o bicho fêmea acordar em você

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Sou uma Mãe Xiita! E você?

Gente, tenho que compartilhar com vocês este texto, que foi compartilhado no  facebook (santo face!), pela Fabiana Araujo Guerra!! Neste texto estão todas as indagações que faço, todas minhas preocupações, e foi escrito de uma forma tão entendível, que achei lindo demais! Segue o texto...



Eu bem xiita, dando mamazinho pro meu Bê com 2 anos de idade!

Do blog Mamãe Antenada
Mães Xiitas

Sempre que ouço falar em amamentação prolongada por 2 anos ou mais, exclusiva por até 6 meses ou mais, escuto também das "mães xiitas", defensoras do aleitamento, ortodoxas.
Claro que vem também a história de ser mais mãe ou menos mãe.Me vem à cabeça uma imagem terrível de mães em trincheiras batalhando pela verdade, batalhando entre si...

Eu confesso que tô mais para xiita. Explico.

Vivemos, nós mulheres em especial, numa sociedade que produz efeitos imediatos sobre o comportamento: a mídia de forma geral dita regras de conduta, dita tendência, dita modismos, dita posicionamentos, desde a cesárea da cantora x ao parto domiciliar da esposa do ator Y. É uma cultura do aqui, do agora, onde temos que responder pelo imediatismo e acima de tudo pela aquisição (assunto pra outro post).

Uma cultura que exige que a mulher desempenhe papéis diversos, que a cobra por isso, mas que não garante que sua natureza seja respeitada, que não permite que se expresse no auge de sua feminilidade: parir e nutrir seus filhos!

Uma sociedade que mecanizou o nascimento pela cesárea e que está mecanizando o aleitamento pela mamadeira.

Então, nesse absurdo contexto neo liberal, porque seria diferente com a maternidade?

Engana-se quem não acredita que a maternidade é um produto lucrativo para o mercado capital.

Engana-se quem não compreende que incapacitar a mulher dá lucro.

Veja bem:
vende-se enxovais carissímos com muito mais do que o necessário para um bebê

vende-se quartos de bebês e apetrechos muito além do preciso para as demandas de um bebê

vende-se roupinhas e mais roupinhas - ate os bizarros saltos altos para bebês !!!

vende-se kits de mamadeira

vende-se esterlizadores de mamadeiras

vende-se escovinhas para mamadeiras

vende-se bicos para água, para leite, para líquidos engrossados

vende-se prendedores de chupetas

vende-se chupetas 0-6 meses

vende-se chupetas 6-24 meses

vende-se aparelhos para dentes

vende-se leite artificial (de tipos e qualidades variadas)

vende-se mais leite artificial para 1+, 2+, 6+ e etc

vende-se carrinhos e mais carrinhos de passeio

vende-se consultas e mais consultas à pediatras

vende-se suplementos, complementos, vitaminas e medicamentos.

Mas sabe o que não se vende? Leite materno não dá lucro.
Aleitamento prolongado não dá lucro.

Não vende mamadeira, chupeta, não vende!

Parir e nutrir no Brasil se reduziu a um vasto mercado para bebês em mega stores lotadas, em maternidades 5 estrelas.

E daí quando vc toma conhecimento disso tudo, quando finalmente a verdade te acerta duro na cachola e você descobre que o mercado capital é mais cruel do que imaginamos, não tem jeito de não militar, de não querer abrir os olhos de tantas mulheres que são convencidas de que são incapazes de parir e nutrir seus filhos, que se ferem acreditando que são incapazes, que falharam.

Realmente não são menos mães. São mães conduzidas socialmente de forma incoerente e cruel.

Leite fraco, pouco leite, insuficiente, peito caído, dor, romantizar o aleitamento, crucificar o aleitamento. No fim o resultado é um só: desmame precoce.

Hoje em dia não basta querer. Tem que querer muito. Muito mesmo.

Porque quando você descobre uma gravidez, já sabe que terá cumes altissímos para escalar se quiser um parto normal. Natural? Domiciliar?Tem que virar mãe -leoa, xiita e se preparar para desafiar saberes consagrados socialmente como inabaláveis.

Amamentar sem sair do consultório do pediatra com receita para leite artificial? Amamentar sem ouvir que teu leite é fraco, que seu bebê chora de fome? Tem que ter muito peito para desafiar a lógica do fracasso!E sabe porque? Porque não gira a roda da fortuna.

É uma realidade triste. Por isso, precisamos ser firmes em nossos propósitos, nos fortalecer, buscar informação de qualidade, ler, questionar e buscar coletivos que afinem com nosso jeito de encarar as coisas...

Se depender da TV, da mídia e de opiniões enraizadas e ensimesmadas, parir e nutrir continuará sendo mérito de meia dúzia de mulheres taxadas mundo afora de naturebas e xiitas...

É nesse mundo que você quer que teu filho/a cresça?
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