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quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

Vídeo: Os primeiros mil dias das crinaças

José Martins Filho, pediatra, reforça a importância do afeto e do vínculo para o desenvolvimento psíquico-emocional de uma criança. Ele discute a atual licença-maternidade no Brasil e defende uma mudança na legislação que permita à mãe ficar mais próxima de seu filho nos primeiros anos de vida, sem que tenha que abrir mão do trabalho.



sexta-feira, 5 de outubro de 2012

DEZ RAZÕES PARA DORMIR PERTO DE SEUS FILHOS


Por Jan Hunt, Psicóloga Diretora do “The Natural Child Project”
1. Uma família que dorme unida tira vantagem da facilidade com que um bebê pode ser amamentado, pois não é necessário buscar o bebê em outro quarto para amamentá-lo. Uma mãe que amamenta em uma “cama familiar” pode alimentar seu filho facilmente sem estar totalmente desperta e assim não deixa de obter o repouso de que necessita. Assim, dormir em família incentiva as mães a prolongarem a amamentação e todos os seus inumeráveis benefícios por mais tempo.
 2. Falhas respiratórias são normais nos primeiros meses de vida e se não forem evitadas ou cuidadas podem causar a “síndrome da morte súbita infantil” (SMSI). Pesquisas recentes sugerem que dormir acompanhado pode ajudar a evitar essa triste ocorrência de duas maneiras. Primeiro, pequisas recentes mostraram que a respiração da mãe dá importantes pistas para o filho lembrar de puxar o ar depois de uma expiração, evitando assim a ocorrência da SMSI. Segundo, mesmo que esse sistema falhe, a mãe está próxima para ajudar, acordando a criança. Uma mãe que amamenta tem com seu filho ciclos de sono e sonhos coordenados, o que a torna altamente sensível ao bebê. Se estiverem dormindo próximos, ela acorda automaticamente se houver uma falha respiratória mais longa. Mas se o bebê estiver sozinho, esta intervenção salvadora não será possível.
 3. Em geral se considera a sufocação como um risco de se dormir em família. Mas esse risco só existe em duas situações: um bebê dormindo em um colchão de água, que o impede de se erguer quando necessário, e pais muito intoxicados com álcool ou drogas para atender a criança. É evidente que uma criança que sufoque por qualquer motivo (uma fita do pijama que se enrole no pescoço, vômitos durante o sono ou crises de asma) tem muito mais facilidade em acordar seus pais se estiver dormindo perto deles do que se estiver dormindo em outro quarto.
 4. Qualquer perigo noturno é reduzido, se a criança tiver um adulto próximo. Crianças e bebês morrem em incêndios  sofrem abuso sexual de parentes em visita, caem da cama, são atacados por animais de estimação, sufocam com vômito e podem ser feridos ou morrer de vários modos que poderiam ser evitados por um pai ou uma mãe próximos.
 5. Em geral se tem a impressão errada de que dormir em família facilita o abuso sexual da criança por um dos pais. Mas a verdade é o oposto. É bem menos provável que os pais que criam profundos laços afetivos com seus filhos permanecendo próximos e disponíveis tanto de noite como de dia, tenham atitudes agressivas de qualquer tipo contra as crianças que eles amam e cuidam. Por outro lado o fato de uma criança dormir sozinha jamais foi uma boa proteção contra um pai ou uma mãe com intenção de abusar sexualmente, e pode mesmo facilitar a manutenção do segredo de um dos pais.
 6. O sono em conjunto também pode evitar a agressão da criança ajudando toda a família a obter o repouso necessário, principalmente quando a criança está sendo amamentada. A criança não precisa sofrer desnecessariamente nem chorar para chamar sua mãe, e a mãe pode amamentar semi-desperta. Toda a família acorda descansada, sem os ressentimentos das noites perturbadas pelo choro do bebê. É mais fácil um pai ou uma mãe exaustos agredirem o filho do que se estiverem descansados e tiverem compartilhado o sono tranqüilo da criança durante toda a noite.
 7. O choro é um sinal que a natureza inventou para perturbar os pais, de modo que as necessidades da criança sejam atendidas. Mas o choro prolongado cria tensão para toda a família. Quanto antes as necessidades do bebê forem atendidas, mais tempo o bebê e toda a família poderão repousar, e mais energia terão no dia seguinte. Uma mãe que dorme junto do bebê pode utilizar as reações instintivas que uma mãe tem ao primeiro soluço de seu filho, e com isso evitar a necessidade de choro forte que é tão desconfortável para o bebê quanto para os outros membros da família.
 8. Um sentimento profundo de amor e confiança costuma se desenvolver entre irmãos que dormem próximos, diminuindo a rivalidade entre os irmãos durante o dia. Irmãos que compartilham tanto a noite quanto o dia têm mais oportunidade de construir um relacionamento profundo e duradouro. Bebês e crianças que são separados de outros membros da família durante o dia (pais que trabalham, irmãos que vão à escola) podem se refazer parcialmente dessas ausências e restabelecer vínculos emocionais importantes passando a noite juntos, além do agradável início de manhã em família que em geral não seria aproveitado em outra situação. É claro que trabalhar em casa e desescolarizar podem reduzir as separações e aprofundar os laços familiares durante o dia, assim como o dormir em conjunto faz à noite.
 9. Pesquisas sobre adultos em coma mostraram que a presença de outra pessoa no quarto melhora significativamente a freqüência e o ritmo dos batimentos do coração e a pressão arterial. Parece razoável supor que crianças e bebês também desfrutem desses benefícios à saúde dormindo com outras pessoas no quarto.
 10. Uma criança que é igualmente cuidada de noite e de dia recebe confirmação constante de amor e apoio, em vez de precisar lidar com medo, raiva e sentimento de abandono noite após noite. Crianças que se sentiram seguras dia e noite ao lado de uma mãe ou de um pai amoroso irão se tornar adultos que lidam melhor com as tensões inevitáveis da vida. Como John Holt assinalou com eloquência  ter o sentimento de amor e segurança no início da vida, em vez de “estragar com mimos” uma criança, é como “dinheiro no banco”: um fundo de confiança, auto-estima e segurança interior a que a criança pode recorrer para enfrentar os desafios da vida.
 Fonte: GVA

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

O que é a motricidade livre?


TEXTO MUITO INTERESSANTE!!

imagem daqui

Muito cedo, Emmi Pikler pressentiu que o recém nascido, para adquirir, manter, ou abandonar diferentes posições do corpo, mudar de postura ou se locomover livremente, ou ainda para aprender a se levantar e andar, não tem nenhuma necessidade de qualquer intervenção de um adulto. A criança passiva se torna uma pessoa ativa independentemente da ajuda de um adulto. A pesquisadora Emmi Pikler até duvida que esta ajuda possa acelerar o desenvolvimento do bebê.
______ A experiência de Emmi Pikler
Suas idéias se fundamentam não apenas em suas experiências profissionais, mas também sobre as idéias de seu marido que era « pedagogo progressista ». Com o nascimento de seu primeiro filho, no inicio dos anos 30, ela decide não deixar de acompanhar o seu desenvolvimento, e respeitar o seu ritmo individual. Assegura assim, desde cedo, a possibilidade a seu filho de tomar iniciativas, de se movimentar livremente de brincar de acordo com a sua vontade. Como mãe, jamais coloca a criança em uma postura que ela não seja capaz de adquirir ou de manter sozinha. Ela e o marido não exigem da criança que faça movimentos diversos, e se abstém de exercer uma influência direta sobre o seu desenvolvimento motor.
Em contra partida, eles criam condições que lhes permitiam viver em serenidade e harmonia, assegurando à criança o espaço necessário para os seus movimentos livres, indo inclusive além do que conheciam na época: eles cuidam para que as roupas que o bebê usava não atrapalhem o decorrer de suas atividades; e que os brinquedos oferecidos, possam ser manipulados sem a ajuda de quem quer que seja; e que os mesmos possam lhe oferecer experiências adequadas, enfim eles cuidavam para que a criança se sinta envolvida de cuidados afetuosos de seus pais, podendo experimentar todas as atividades e conhecer o mundo por si próprio.
______ O respeito do Ritmo próprio de cada criança
Naturalmente, o que motivou Emmi Pikler de experimentar suas idéias, foi o fato de estar convencida de quão justa era sua hipótese: ela acreditava que nas circunstâncias descritas acima, a criança que segue seu ritmo próprio e faz suas próprias descobertas é capaz de aprender melhor a sentar-se, ficar de pé, caminhar, brincar, falar, refletir, etc... do que aquela criança que é forçada a atingir diferentes estágios do desenvolvimento que nós adultos julgamos corresponder a sua idade.
Tendo o desenvolvimento de seu filho correspondido, em todos os domínios, às expectativas do seu marido e as suas próprias, Emmi Pikler, de retorno à Hungria, torna-se pediatra de famílias e encoraja nesse mesmo espírito, durante vários anos, a educação de mais de 100 recém-nascidos.
______ A confiança na capacidade de desenvolvimento de seus filhos
Aconselhando os pais de forma madura e refletida e bastante detalhada, suas idéias fundadas em observações regulares e continuas, os ajuda, antes de qualquer coisa, a ter confiança na capacidade de desenvolvimento de seus filhos. Tendo em conta as necessidades da criança, eles conseguem organizar cuidadosamente um modo de vida tranqüilo e harmonioso, respeitando seu ritmo de sono e repouso, estabelecendo um regime alimentar equilibrado e simples, definido pelo apetite da criança. Eles determinam também quanto tempo a criança pode ficar ao ar livre, tanto no inverno como no verão.
______ Criar um espaço adequado para as descobertas
Eles não interferem nem em seus movimentos, nem nas brincadeiras, não forçam as crianças a fazerem exercícios, mas deixam a disposição da criança um lugar adequado para suas descobertas, mesmo em habitações pequenas. As melhores ocasiões de estarem com seus filhos, são oferecidas essencialmente, pelas refeições, trocas, banho e cuidados de higiene.
Durante o decorrer de suas atividades, os pais tomam cuidado de não apressar e de levar em conta a necessidade e as reações de seus filhos, mesmo que a participação da criança torne mais lenta as atividades rotineiras: eles podiam aproveitar para saborear o que acontecia entre eles.
______ os benefícios de uma “organização” maior da vida do adulto
Emmi Pickler constatou, em seus anos de experiência que as crianças sentiam-se naturalmente felizes, curiosas, vivas e ativas, quando tratadas dessa forma. E que seu desenvolvimento decorria harmoniosamente e também que suas relações tanto com os pais quanto com outras pessoas era muito bom. Quanto aos pais, eles também estavam contentes. Mesmo que o sistema de educação proposto pela Dra. exigisse deles uma reflexão e uma organização maior de suas vidas e de seu ambiente para de fato oferecer à criança a possibilidade de se sentir em segurança, os pais aceitavam de praticar seus conselhos e ficavam satisfeitos de seus papéis.
Eles estavam bem convencidos dos benefícios dessas idéias e constatavam que seus filhos adquiriam experiências interessantes, sem suas intervenções, no curso de suas atividades independentes: eles não achavam que para ser bons pais, eles deviam estar sempre próximos de seus filhos, nem que eles eram obrigados a fazer sempre coisas com eles.
As crianças que ficam entretidas com suas atividades independentes não exigem de seus pais uma permanência constante, ou que eles participem de suas atividades, pois não se sentem impotentes sem eles. E os pais, constatam o valor da atividade serena e independente de seus filhos sem sentirem-se culpados de estarem fazendo outra atividade de seu interesse, ficando sempre, é claro, a vista e a disposição. Eles não se sentem escravos de seus filhos e não se consideram como mais um de seus jogos. Ao contrário eles encontram prazer em observar o seu desenvolvimento, sentem-se felizes em sua companhia e na relação com eles.
Eles esperam ansiosos o momento de se encontrarem, e mesmo que a criança deseje prolongar seus momentos de brincadeira, os pais não consideram isso como agressividade ou um comportamento inapropriado.
As « crianças Pickler » crescem há algum tempo e provam, por suas vidas, seus trabalhos e como pais, o que é mais importante, que a ajuda que seus pais receberam foi muito benéfica. 

Luciana Lima


Retirado daqui
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