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quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Sete razões para não marcar o seu parto



Compreendo a opção pela cesárea; entendo de onde vem o receio de parir um bebê, sei da falta de informação e de apoio (do médico, da família, da sociedade) ao parto normal e me conformei com a visão vigente de que a via cirúrgica é uma alternativa aceitável. O que não entendo e não vou aceitar nunca é a banalização das cirurgias agendadas sem indicação, às vezes com 36 semanas, como no caso de uma amiga virtual de Facebook, que revelou seu desespero ao saber que sua cunhada, por sugestão do obstetra, havia agendado sua cesária para antes das 37 semanas. Essa criança provavelmente nascerá prematura, precisará passar tempo na UTI neonatal, terá dificuldades iniciando a amamentação, receberá complemento… Enfim, sua vida não terá um começo fácil. O mais triste é que tudo poderia ter sido evitado se seus pais tivessem esperado sua hora de nascer.
Abaixo, ofereço sete motivos para você esperar os primeiros sinais de que o seu bebê esteja pronto para vir ao mundo ao invés de cair no conto do vigário (ou seja, do “lobo cesarista”) e marcar uma cesárea “de emergência” para daqui a uma semana (isso não é emergência – é conveniência, tá?).
1. Saúde
A saúde sempre vem em primeiro lugar, não é mesmo? Toda mãe deseja, antes de mais nada, que o filho seja saudável. Todo obstetra se orgulha em dizer que preza pela saúde do bebê (muitos até usam isso como desculpa para desencorajar o parto normal, o que é uma ignorância e uma covardia sem tamanho, mas isso é outra história). A literatura médica é categórica: cesáreas eletivas feitas antes de completar 39 ou 40 semanas aumentam significativamente (entre 300 e 500%) o risco de problemas de saúde no bebê, especialmente respiratórios (que podem persistir durante toda a infância), mas também de icterícia (que dá ao recém-nascido um aspecto amarelado e está relacionado ao acúmulo de bilirrubina no sangue) e dificuldades para amamentar. Para todo bebê que nasceu “sem sequelas” numa cesárea de 37 semanas (que não é considerado prematuro, mas que poderia ter ido até 40, 41 ou 42 semanas – ou seja, é sim pré-termo), há vários que precisaram de ficar “em observação” por dificuldades respiratórias ou precisaram receber complemento no berçário ou que precisaram de fototerapia por icterícia e achamos isso “normal” porque, infelizmente, a prematuridade tardia (entre 34 e  36 semanas +6 dias) e o a termo precoce (entre 37 e 39 semanas) se tornaram comuns na nossa sociedade. Porém as evidências demonstram algo inconveniente: os males de saúde aumentaram depois que nós começamos a adiantar o nascimento dos nossos filhos. O que me leva, necessariamente, ao próximo ponto.
2. Ética
Clamamos por um mundo com muito mais ética. Demandamos isso dos políticos e dos empresários, mas, por alguma razão, simplesmente acreditamos piamente na ética do nosso médico. De certo modo, faz sentido. Afinal, o médico é alguém que escolheu preservar e proteger a vida e, teoricamente, por uma causa nobre. Fez o milenar juramento hipocrático, onde promete “não causar dano ou mal a alguém”. A verdade, pelo menos na obstetrícia, não é bem assim. A prematuridade iatrogênica (causada pelo procedimento médico e não natural – ou seja, por partos agendados) está aumentando assustadoramente. É por causa dela que os índices de prematuridade são muito maiores nas regiões sul e sudeste (curiosamente, aonde tem mais cesáreas). Infelizmente, a lei do mercado se sobrepôs ao juramento de não fazer mal e muitos médicos (não todos, mas muitos) –  para maximizarem seus rendimentos e para não precisarem acordar de madrugada nem deixarem de viajar no feriado – agendam partos na 37a semana, mesmo conhecendo as estatísticas acima. Há uma falta de punição para esse tipo de comportamento e, portanto, cada vez mais profissionais agem desta maneira condenável. Se você acredita na ética e no que é correto, você pode ajudar o seu médico a não desrespeitar o juramento que fez e não concordar em marcar uma cesárea antes da data. E lembre-se: mesmo que 37 semanas não seja considerado prematuro, a não ser que você tenha feito tratamento para engravidar e saiba exatamente o dia em que ovulou e/ou engravidou, a idade gestacional do seu filho é meramente uma estimativa. Uma gestação a termo é 40-42 semanas (somente depois de 42 semanas é que o bebê é considerado pós-termo).
3. Respeito
Como relatei no post O nascimento, do ponto de vista do sujeito, o bebê não é um mero produto do parto, mas um agente ativo. É ele quem envia os sinais para o cérebro da mãe, assim iniciando o trabalho de parto. O anúncio (ao lado) da ONG americana March of Dimes, instituição empenhada em melhorar a saúde materna e infantil, mostra claramente como algumas semanas fazem uma diferença enorme no desenvolvimento do cérebro fetal. Portanto, fica claro que agendar um parto é desrespeitoso à fisiologia do bebê. Sem contar que, muitas vezes, na hora da cirurgia o bebê está dormindo, totalmente despreparado para “ser nascido”, e, assim, o nascimento se torna um choque e, ao meu ver, uma agressão. Você quer que o primeiro contato do seu filho amado com o mundo fora de você seja assim, um susto e, possivelmente, um trauma? Não é melhor respeitar o tempo dele e deixar que os abraços (contrações) do seu útero o preparem para nascer, mesmo que seja via abdominal?
4. Amor
Você já ouviu falar na ocitocina? Também conhecido como “o hormônio do amor”, a ocitocina é uma das substâncias responsáveis pela sensação de conexão, confiança e empatia. O orgasmo depende da secreção desse hormônio e a amamentação também, mas a maior concentração sanguínea do hormônio do amor na vida de uma mulher ocorre durante o trabalho de parto. Não é incrível? Estima-se que essa é a razão pela qual mulheres que parem naturalmente alegam sentir uma ligação profunda e imediata com o filho (um amor instantâneo) enquanto muitas mulheres que não tiveram esse privilégio admitem que a amor visceral pelo filho foi construído. Calma – não estou dizendo que quem tem parto normal ama mais o filho, por favor! O amor é muito mais do que simplesmente hormônios – é social, espiritual e um esforço diário – mas passar pelo trabalho de parto e sentir pelo menos uma fração dessas substâncias prazerosas e incríveis circulando pelo corpo deve ser o máximo. E pode tornar o conturbado período pós-parto um pouco mais ameno.
5. Paciência
A paciência é uma virtude que está se perdendo. Hoje em dia tudo é urgente, é “pra agora”, e a pressa é quase universal. Até quando estamos entre compromissos, no trânsito ou no metrô, sentimos uma pressão por estar “produzindo” – checando emails no smartphone, lendo jornal, resolvendo um problema no telefone… (In)Felizmente, um bebê chega para mudar tudo isso. Crianças requerem paciência. Elas têm o próprio ritmo e tempo, e testam nossa paciência constantemente, seja com suas constantes necessidades (mamadas, fraldas, choros) ou no processo natural de aprendizado (já reparou como precisam repetir tudo infinitas vezes?). Portanto, ter a paciência para esperar a hora de seu filho nascer, conforme manda a natureza e a fisiologia, pode ser uma boa forma de se acostumar com sua nova realidade como mãe – uma realidade onde a paciência será imprescindível para a sua felicidade e sanidade.
6. Espírito de aventura
Eu adoro ouvir a história de como nasci. Minha mãe acordou de madrugada toda molhada, sentindo somente “umas cólicas” e achando que tivesse feito xixi na cama. Precisou ser convencida pela sogra de que estava em trabalho de parto e que a bolsa havia rompido. Chegou no hosptial com 8 cm de dilatação e pariu algumas horas depois. Deve ter sido uma aventura e tanto! Pessoalmente, acho triste que a grande maioria das crianças sendo nascidas hoje teve essa primeira aventura “roubada” – e suas mães também! As mães não vão deixar uma plateia inteira na expectativa, com cara de “quero mais”, ao contarem como sentiram as primeiras contrações, a dúvida de estarem ou não em trabalho de parto, a saída do tampão, o frio na barriga ao perceberem que chegou a hora, os telefonemas de madrugada, o taxista/marido nervoso… Elementos de uma verdadeira história de ação! Quando a geração de hoje perguntar  como foi seu nascimento, vai ouvir que o parto foi marcado para o dia tal na hora tal e que ponto final. Pode me chamar de romântica, mas eu encaro a vida como uma grande aventura e da mesma forma que não escolhemos o dia da nossa morte, acho que ao escolherem para nós o dia do nascimento, roubamos um pouco da magia de viver. Deixe o seu filho embarcar nessa vida com o espírito de aventura que ele precisará para aproveitar ao máximo sua temporada aqui na terra.
7. Paz
Tem gente que diz que quando nasce um mãe, nasce junto a mãe culpada, sempre se perguntando se está fazendo o certo, cheia de ansiedades sobre a saúde e bem estar do filhote, com mil e uma perguntas para fazer ao pediatra, à sua mãe, às amigas (íntimas e virtuais)… Tudo isso é normal. A insegurança, as dúvidas e os questionamentos fazem parte do processo. Mas o nível pode ser tolerável ou patológico. Quando você adentra a maternidade impondo conveniências alheias ao processo, negando a seu filho o direito de determinar a hora certa para ele, você já começa “brincando com fogo”, mexendo num processo natural e aumentando o risco de ter problemas mais na frente. Você quer acrescentar mais essa culpa? Não é simplesmente mais fácil respeitar a infinita sabedora desse processo milenar e aguardar, paciente e respeitosamente, o dia e a hora que o destino lhe reservou para dar a luz?
Como você pode ver, numa gravidez normal, de um bebê saudável, o melhor mesmo é esperar a hora “P” chegar. Seu médico pode alegar várias coisas – placenta grau 3, feto macrossómico (grande), cordão enrolado, pressão alta (sem pré-eclampsia), cesárea prévia: nada disso é indicação de cesárea, muito menos de cesárea agendada. Exceto em casos de pré-eclampsia, placenta prévia, placenta abrupta e outras (poucas) ocorrências emergenciais, qualquer cesárea pode ser feita durante o trabalho de parto, com melhores resultados para a saúde do bebê.  Enfim, esperar o trabalho de parto é muito mais do que “simplesemente” mais seguro. É sinônimo das virtudes acima: saúde, ética, respeito, amor, paciência, espírito de aventura e paz.

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Tipos de partos e suas vantagens




NORMAL
A analgesia do parto normal é suficiente para dar alívio à dor sem tirar a mulher do comando da situação.
Os obstetras mais atualizados procuram fazer partos naturais sem intervenções. Mas nem sempre isso é possível. Quando se torna necessário usar soro, anestésicos e fórceps, a mulher faz o que se convencionou chamar de parto normal. Se o trabalho de parto estacionar por algum motivo, aplica-se soro com ocitocina sintética par dar ritmo às contrações. É um recurso que evita o sofrimento fetal. Claro que cada parto é diferente, por isso as condutas dos médicos são muito diversas.
A analgesia do parto normal, chamada de duplo bloqueio, é um avanço da medicina. Trata-se da associação da anestesia peridural com a ráqui, o que é suficiente para dar alicio à dor sem tirar a mulher do comando do trabalho de parto. Muitos obstetras só aplicam a analgesia da parturiente. Mas a aplicação pode ser feita precocemente ou mais tardiamente, dependendo de cada caso. “Existe o risco de a analgesia retardar o período expulsivo”, diz o obstetra Jorge Kuhn. Mas há também vantagens. As mulheres que sentem dor de maneira intensa podem se beneficiar da analgesia. A dor faz o colo do útero ficar tenso. Em vez de aumentar ainda mais, ele pode parar a progressão da dilatação. Nesse caso a analgesia dá alívio á paciente e incentivo para que ela prossiga com o trabalho de parto.
Da mesma forma, o uso de instrumentos para a retirada do bebê não pode ser descartado. Tudo depende da evolução do parto. Para trabalhos que estão indo bem e por algum motivo param de evoluir, o fórceps baixo pode ser um recurso para evitar que a criança permaneça numa situação que não lhe é favorável. Outra possibilidade é usar o vácuo extrator, campânula de plástico em forma de sino, que, uma vez encostada na cabeça do bebê, forma uma espécie de vácuo, trazendo-o mais facilmente para o canal do parto.

NATURAL
A mulher que se prepara bem tem condições de vivenciar o parto sem precisar de intervenções.
É aquele que ocorre naturalmente, sem intervenções dos médicos ou de medicamentos. Pode ser feito no hospital, na casa da parturiente ou em casas de parto. Considerando o modelo ideal, esse tipo está ganhando a adesão de médicos e gestantes. “A mulher que se prepara física e emocionalmente para o dia do nascimento, que sente confiança no obstetra e recebe o apoio do marido ou de outra pessoa tem melhores condições de vivenciar o trabalho de parto sem precisar de analgésicos nem outras intervenções, como corte do períneo ou episiotomia”, diz a doutora Ana Cristina Duarte.
O ginecologista e obstetra Eduardo de Souza, da Unifesp, vai além: “Não se deve fazer o corte do períneo de forma sistemática, mas sim quando for necessário”.
Quando a mulher controla a chamada “força final” auxiliada pelo obstetra - que protege o períneo com as mãos na hora da expulsão, evitando que ele distenda demais -, poderá ter pequenas lacerações naturais, melhores do que a episiotomia. Em muitos casos, a parturiente nem chega a ter lacerações. Para evitar que ocorram, os médicos recomendam às gestantes exercitar o períneo, musculatura esquecida durante boa parte da vida. “Fazendo o movimento de parar o xixi 20 vezes durante a noite e 20 vezes durante o dia, já se tem um bom resultado. Outro fator importante é o controle do peso durante a gestação. Bebês menores têm mais facilidade para passar pelo canal do parto”, alerta o obstetra Marcos Tadeu Garcia. Segundo ele, o ideal é a mulher ganhar de 9 a 12 quilos.
NA ÁGUA
A criança respira pela primeira vez no meio líquido e sai dali lentamente. É muito tranqüilo para o bebê.
No Brasil, pouquíssimas mulheres te a chance de vivenciar o parto na água. O obstetra carioca Francisco Vilela é um dos raros médicos brasileiros que acompanham esse método.
Nesta entrevista ele conta como é a experiência de mães e bebês:
Quais os benefícios desse parto?
Francisco Vilela - Ele é menos doloroso para a mulher e menos traumático para a criança. A água propicia um relaxamento tão grande que às vezes o parto estaciona.
Diminui a duração do trabalho de parto?
FV - Sim, a água reduz muito o tempo do parto. No primeiro filho, é comum o procedimento durar de 10 a 12 horas. Dentro da água, a mulher chega a ter o bebê em 6 ou 7 horas. O período expulsivo também é muito melhor, já que a água relaxa bastante a musculatura.
Porque o parto na água não é incentivado?
FV - Existe ainda muita resistência das maternidades para a instalação de banheiras. Além disso, os obstetras estão acostumados a realizar intervenções.
É possível fazer a analgesia na água?
FV - Sim, mas é preciso proteger o cateter com plástico. A intensidade da dor varia muito para cada pessoa, mas eu diria que dentro da água é mais difícil a mulher pedir analgesia.
Qual é a reação do bebê na água?
FV - A criança quase não chora, fica ligada ao cordão umbilical, respira pela primeira vez dentro da água e sai lentamente do meio líquido. A mamãe a segura no colo, e o cordão vai parando de pulsar. Isso demora de 8 a 12 minutos. É um processo bem mais tranqüilo para o bebê.
CÓCORAS
Agachada, a mulher se beneficia da ação da gravidade e de menor compressão dos vasos sanguíneos maternos.
Pesquisas científicas comprovam que ter o bebê na posição de cócoras é favorável à mulher e ao bebê. O obstetra e professor da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) Hugo sabatino é um dos precursores do parto de cócoras aqui no Brasil e prova sua tese por meio de pesquisas efetuadas no Grupo de Parto alternativo da Unicamp, onde todos os anos cerca de 100 mulheres vivenciam a experiência do parto de cócoras. Nesta entrevista, ele explica os benefícios desse tipo de procedimento.
Quais as vantagens da posição de cócoras?
Hugo Sabatino - Agachada, a mulher se beneficia de várias formas. Para começar, existe maior ação da gravidade e menos compressão dos vasos sanguíneos maternos. Isso é comprovado por várias pesquisas, algumas realizadas na Unicamp. E não é só. A mulher respira melhor e tem contrações mais efetivas durante o trabalho de parto e no período expulsivo. Há também fatores importantes para ela, como a menor sensação dolorosa e maior produção de endorfinas, os anestésicos naturais.
É verdade que o parto de cócoras é mais rápido?
HS - Sim, porque as contrações do útero são mais efetivas e a pressão vaginal menor, facilitando a saída da criança pelo canal do parto. No procedimento convencional, o período dura em média de 30 a 60 minutos em mulheres que nunca deram à luz antes. Na posição de cócoras, o período expulsivo dura em torno de 15 a 30 minutos e, mesmo que leve mais tempo, há menos riscos de complicação para o bebê.
Quais as vantagens para a criança?
HS - As pesquisas comparativas feitas na Unicamp provaram que as crianças nascidas de partos tradicionais (na posição horizontal ou deitada) tiveram sete vezes mais depressão do que as nascidas de partos de cócoras. Isso se justifica por uma série de fatores. A posição de cócoras materna faz com que o bebê nasça em melhores condições. Os resultados dos testes de Apgar - que avaliam os reflexos da criança ao nascer - são superiores. E os nenês apresentam também maior nível de hormônio do amor. Em outras palavras, eles chegam ao mundo de maneira muito mais humana.

CESÁREA
É preciso que haja uma soma de fatores e avaliação muito criteriosa para que seja necessária a cirurgia.
Originalmente uma cirurgia de resgate do bebê, esse tipo de parto passou a ser adotado com muita freqüência no Brasil. “As justificativas dos médicos nem sempre são claras. É muito difícil saber se a mulher precisará de cesárea, a menos que ela entre em trabalho de parto e o obstetra tenha paciência para acompanhar a evolução”, afirma a doutora Ana Cristina Duarte. De maneira geral, a cesariana pode ser necessária quando o feto é grande, quando está numa posição ruim e se durante o trabalho de parto não ocorreu nenhuma alteração dessa posição. Pode acontecer também a desproporção entre o tamanho do bebê e o da bacia da mãe. Nesse caso a criança não conseguirá passar. “A idade da gestante, hipertensão e diabetes não são por si só indicações de cesárea. É preciso que haja uma soma de fatores e avaliação muito criteriosa, porque, mesmo nos casos de doenças prévias, é possível induzir o parto normal”, diz o obstetra Eduardo de Souza.
Como é a cesárea

Primeiro faz-se a raspagem na região da incisão. Em seguida, a gestante é levada para o centro cirúrgico acompanhada pelo marido ou por outra pessoa da família. A mulher senta na posição de Buda ( com as pernas cruzadas uma sobre a outra) para receber a anestesia peridural ou a ráqui, aplicada da espinha dorsal. Sob o efeito do anestésico, ela é coberta com panos esterilizados. Apenas o local da incisão fica à vista do obstetra. Faz-se, então, assepsia do abdômen e dos genitais e coloca-se uma sonda na bexiga. O obstetra corta a pele, o tecido gorduroso, que tem de 3 a 6 centímetros de espessura, uma outra camada chamada aponeurose, o músculo, o peritônio parietal, o peritôneo visceral e o útero propriamente dito. Em seguida retira o bebê e corta o cordão umbilical imediatamente. O nenê é entregue ao neonatologista para ser aspirado e avaliado.
Enquanto isso ocorre à saída espontânea da placenta. A criança é mostrada para a mamãe por alguns minutos. A seguir o obstetra costura camada por camada do corte. Cada uma é fechada com um tipo diferente de costura. Como a posição é horizontal é incômoda, o bebê, que poderia mamar, dificilmente consegue faze-lo. Tudo isso ocorre em aproximadamente 1 hora. Quando a cirurgia termina, a mamãe é levada para uma sala de recuperação, onde fica de 1 a 3 horas, até redobrar os movimentos das pernas. Aos poucos, passado o efeito da anestesia, algo que acontece entre 10 e 12 horas, ela poderá se levantar. A permanência na maternidade é em média de dois a três dias.
Avalie os riscos

Os especialistas são unânimes em afirmar que todo parto envolve riscos para a mão e o filho. No parto natural r normal, os riscos de complicação são bem menores do que na cesárea, considerada uma cirurgia de médio porte. A mulher que se submete à cesariana pode ter infecção, queda da pressão, hemorragias e complicações relativas à anestesia. Após o parto, há ainda outros riscos de complicação como embolia (obstrução de uma artéria ou veia por coágulo de sanguíneo) e flebites (inflamação de veias superficiais). Para que se tenha idéia, “o risco de morte da mãe é de 4 a 40 vezes menor no parto normal. Já o de morte do bebê é 10 vezes menor do que na cesárea”, informa o obstetra Jorge Kuhn. E mais: na segunda e na terceira cesárea, a anatomia do útero se modifica por causa das cicatrizes que se formam. Por isso aumenta bastante o risco de hemorragia. Há também mais chance de ocorrer aderência, o que pode provocar a dor crônica na região da cicatriz do corte.



Fonte: http://www.anike.com.br/parto.html
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