Mostrando postagens com marcador doulas. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador doulas. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 16 de junho de 2014

Curso de formação de Doulas modo imersão em Porto Alegre


quarta-feira, 23 de outubro de 2013

O que é aromaterapia? O que são óleos essenciais?



Quando você clica na aba "Meu trabalho" vai ler que sou formada em aromaterapia e que utilizo as propriedades de óleos essências nos trabalhos com as gestantes. Mas o que é aromaterapia? Achei uma descrição simples mas pontual no site da Terra Flor, que vende óleos essenciais, e na qual sou revendedora.

"É a terapia do olfato, um tratamento natural que utiliza as propriedades curativas presentes nas moléculas químicas dos Óleos Essenciais, responsáveis por produzirem o perfume das plantas aromáticas.
Usada no dia a dia, é uma forma agradável de manter a saúde e beleza do seu corpo, proporcionando bem estar familiar e profissional. Transforma os pequenos rituais diários de cuidados com o corpo em momentos de prazer e relaxamento, colocando todo o encanto da Natureza em sua companhia.
Tem servido como um importante apoio a tratamentos tradicionais de saúde e na cosmetologia, por sua eficácia e facilidade de utilização."
Agora a dúvida é, o que são óleos essenciais, como são utilizados e quando e qual usar? Bom, para saber isso você deve procurar um aromaterapeuta que ira indicar o melhor óleo e a melhor forma de utilizar no seu caso específico. O uso de óleos essenciais NÃO é brincadeira!! Tipo vou comprar e usar "assim ou assado" . Existem óleos dermo abrasivos,  óleos que podem causar intoxicação e por ai vai.
É importante enfatizar o grande poder de cura que estes óleos possuem, tanto física , mas principalmente emocional, afinal , mente e corpo estão ligados não é?!
Deixo um texto excelente que explica um pouco mais sobre o assunto...
O que são OEs?

São substâncias orgânicas e naturais, a Essência Viva responsável pelo perfume das plantas aromáticas. Podem ser obtidos através da destilação a vapor d’água de certas partes da planta, tais como: flores (lavanda francesa, ylang-ylang), frutos (anis estrelado, may chang), folhas (patchouli, cedro Atlas), folhas e flores (manjerona, alecrim), raízes (vetiver), bulbo e rizoma (gengibre), madeira (sândalo, pau rosa, cedro Virgínia). Também podem ser obtidos por pressão a frio da casca (frutos cítricos: laranja, limão siciliano, bergamota, tangerina).
Os vegetais aromáticos produzem pequenas quantidades de óleos essenciais nas células secretoras a partir dos açúcares advindos do processo de fotossíntese. A medida que as células secretoras vão produzindo o OE, esse vai sendo acumulado. Em seguida, esse óleo é armazenado em minúsculas gotas entre as células de várias partes do vegetal. No processo de destilação as glândulas secretoras são esvaziadas, murchando, sem serem destruidas.
A quantidade de óleo essencial que algumas plantas produzem é às vezes ínfimo, isso explica o fato de alguns óleos essênciais possuírem preços elevados. Algumas vezes é necessário até 1.000Kg de planta aromática para se obter 1 litro de óleo essencial.
Os Óleos Essenciais são voláteis e altamente concentrados, e apesar de serem chamados de óleos, não apresentam nenhuma substância gordurosa. São compostos por moléculas químicas orgânicas responsáveis pela ação anti-séptica, antimicrobiana, relaxante, estimulante, etc...
Função
Cumprem a função de hormônio vegetal, reserva energética, atração de polinizadores, repulsão de predadores, etc...
No organismo humano, agem no nível biológico fortalecendo as defesas naturais do corpo e o equilíbrio do sistema endócrino. No nível psíquico, auxiliam na interiorização, permitindo com isso um relaxamento profundo, proporcionando o processo de auto-regulação.
Podemos dizer que os óleos essenciais representam o espírito, a alma da planta; a forma mais concentrada de energia vegetal.
Modos de usar
Podem ser usados em combinação com a massagem, fricção, inalação, compressas, aromatização, assepsia ambiental, cosmética e banhos.
Sempre que usado de forma correta, os óleos essenciais podem ser aplicados com segurança à família, à amigos, no cuidado com a beleza, no melhoramento da saúde e bem estar. No trabalho, é uma ferramenta valiosa para o relaxamento e alívio do stress
Fonte: Terra Flor
Para saber mais sobre aromaterapia entre em contato comigo!
Namastê!

quinta-feira, 17 de outubro de 2013

Chamada para a Marcha pela Humanização do Parto!

Marcha pela Humanização do parto em 2012 - foto G1
Muitos de vocês devem ter visto no ano passado uma mobilização em rede Nacional a favor da Humanização do parto. Foi veiculado em várias emissoras a marcha e deu muito o que falar. O evento aconteceu também para mostrarmos apoio a profissionais que estão neste caminho de humanização e respeito, mas são agredidos por colegas acomodados e desrespeitosos. 
Como digo no blog aqui, parto humanizado não é uma modalidade de parto ok? É simplesmente trazer o senso "humano", de respeito, de carinho, empatia, zelo, qualidades HUMANAS, de volta ao cenário de parto. O parto foi roubado da mulher que deve se submeter a caprichos de instituições e obstetras que insistem em ignorar DIRETRIZES DA OMS. Sim, a OMS por meio de estudos, evidências cria diretrizes a serem seguidas a titulo de melhor atender os pacientes, sempre primando a saúde do mesmo, e não o bolso e o EGO daquele profissional.
Não é "viajem", "achismo" ou qualquer outra coisa o que NÓS, mulheres , homens e crianças reivindicamos neste ato. Por isso utilizamos o termo "humanizar", que é trazer de volta as qualidades humanas no atendimento as pessoas. É pedir demais? É loucura, frescura? Lógico que não! Receber atendimento digno é direito de qualquer pessoa!
Abaixo um vídeo que mostra o manisfesto em vários locais do Brasil!



Este ano marcharemos novamente por todas NÓS, mulheres perfeitas, que tem potencial para terem partos belíssimos e transformadores! Como a Natureza determina!
Faço um pedido: não pensem na dor, nem lembrem de histórias trágicas.  Até porque a maioria das histórias trágicas acontecem onde os médicos não respeitam o curso natural do parto e fazem uso de intervenções desnecessárias. 
E não, NÃO SOMOS CONTRA CESÁREAS necessárias! Cesárea é uma CIRURGIA maravilhosa que veio para salvar vidas, e deve ser feita com critério rigoroso, porque faze- la sem necessidade verídica, aumenta os riscos de morte materna, do bebê e de complicações pós cirúrgicas para ambos!
Deixo abaixo os horários e locais da Marcha em todo país!


Queremos respeito no atendimento!! Chamem todos que compartilhem desta corrente!!

sexta-feira, 4 de outubro de 2013

Parto de Lotus, você já pensou sobre isso? - por Gisele Leal

Lotus Birth
Há pouco mais de um ano, no curso de Parto Ativo que fiz com a Janet Balaskas, tive o prazer de conhecer um pouquinho sobre o parto de Lotus. A princípio, me pareceu um pouco bizarro, surreal, mas depois fez total sentido pra mim.
No Parto de Lotus, o bebê nasce, a placenta nasce e o cordão não é cortado. A placenta permanece ligada ao bebê através do cordão, até que este se solte sozinho, naturalmente.
O Parto de Lotus é uma prática muito comum em algumas culturas, principalmente indígenas onde o “fazer parte de um todo” é muito significativo, diferente de nossa cultura, onde a individualidade, a privacidade, é um fator marcante. Se pararmos para refletir como a maioria de nós nasceu (sob o efeito de medicamentos, ocitocina sintética, anestesia, isolados de nossas mães e privados da necessidade mamífera básica de acesso ao seio materno e do contato pele-a-pele) talvez seja mais fácil entender as dificuldades que temos em nossas relações interpessoais.
Os benefícios de um Parto de Lotus são melhor abordados em culturas que procuram entender o ser humano como parte de um todo, sob uma visão holística, menos tecnocrática. Países como a India, China e Egito. Conceitos ausentes na ciência biomédica ocidental.
No Parto de Lotus há um entendimento do bebê e placenta como uma única unidade, sendo a placenta um órgão essencial, assim como o coração ou o fígado cujo funcionamento é essencial para a vida. No Parto de Lotus, a relação bebê-placenta é muito forte, tanto que a mãe dá a luz ao bebê e à placenta.
“Não há razões médicas sustentáveis ​​para cortar o cordão umbilical separando a unidade biológica que concebeu, cresceu e nasceram juntos. O Parto de Lotus garante que o bebê recebe o quociente completo de oxigênio no sangue altamente nutritivo que está no cordão. A criança obtém 40 a 60 ml de sangue ‘extra’ a partir da placenta se o cordão não estiver vinculado até pulsações cessar. A perda de 30 mL de sangue para o recém-nascido é equivalente à perda de 600 ml para um adulto. A prática comum de corte imediato do cordão antes das pulsações cessarem, possivelmente, priva o recém-nascido de 60 ml de sangue, o equivalente a um 1200ml em um adulto. Esta é uma explicação provável do estranho fenômeno de perda de peso que a maioria dos recém-nascidos parecem suportar. O novo organismo é colocado imediatamente sob estresse para reproduzir o sangue que lhe foi negado.”   Dra. Sarah Bucley (www.sarahjbuckley.com/articles/leaving-well-alone.htm www.cordclamp.com.)
Janet nos explicou, que na Inglaterra muitas instituições de saúde, já estão preparadas para oferecer este atendimento aos casais que assim desejam, e que mesmo aqueles que não desejam o Parto de Lotus, são orientados a deixar o cordão ligado por pelo menos 3 horas após o nascimento. Ela explicou que alguns estudos demonstram os benefícios de manter a placenta ligada ao bebê através do cordão, como:
- transfusão total do sangue que está na placenta para o bebê, diminuindo os  riscos de anemia na primeira infância;
- o bebê recebe toda vitamina K presente na placenta, o que em tese, diminui a necessidade da aplicação da vitamina K no bebê após o nascimento (a vitamina K é  importante para evitar hemorragia no recém-nascido);
- o bebê recebe muito mais células tronco (presentes na placenta e no cordão umbilical);
- o bebê recebe mais células de defesa presente na placenta, aumentando sua imunidade.
- aumenta o sucesso na formação do vínculo entre mãe e bebê.
- encoraja a mãe a ficar mais  quieta e próxima ao bebê durante os primeiros  dias;
- como o cordão não é cortado, não há risco de infecção;
Você deve estar se perguntando: e o cheiro da placenta…? Não apodrece?
Existem técnicas para se “cuidar” da placenta até que ela seque. Em geral, o cordão solta em 3 dias (diferente de quando é cortado). No site LotusBirht.net encontrei a informação de que quando um cordão é cortado imediatamente após o nascimento, leva em média 9,56 dias para o “coto” secar e cair. Quando é cortado tardiamente (após parar de pulsar), leva em média 7,16 dias para secar e cair. E quando não é cortado, como no Parto de Lotus, leva em média 3,75 dias para secar e soltar.
E o bebê?
“Esses bebês que nascem de um Parto de Lotus são diferentes, são mais “inteiros”,  mais parecidos como bebês costumavam ser. Os bebês de hoje são frequentemente muito preocupados, eles mostram sinais de estresse. Isto é preocupante… Que o estresse esteja aumentando, mesmo em bebês. O exemplo mais marcante de bem-estar que já vi em um bebê nascido de um parto de lótus era um bebê cujo pai havia morrido durante a gravidez. Quando isso acontece, pode-se esperar que a criança vai manifestar sintomas de estresse relacionado ao estado emocional das mães. Porém, esta criança nascida de um parto de lotus estava completamente livre do trauma residual que estes casos costumam deixar. Era muito calmo e centrado. Observando os bebês que atendo, o Parto de Lotus é notoriamente mais benéfico.“ Helma Bak, médica nascida na Holanda, que pratica a medicina antroposófica e homeopatia na Austrália.
Claro que isso é só a pontinha do iceberg. Existem muito mais informações sobre os benefícios do Parto de Lotus e sobre os cuidados  com  a placenta. Vale a pena dar uma lida.
Eu não sei se conseguirei, com duas crianças pequenas, esperar que o cordão se solte naturalmente. Mas com certeza, irei esperar algumas horas após o nascimento do bebê para cortar o cordão.
E você? O que você achou? Conte pra gente.
Mais informações em:
www.lotusbirht.net

quinta-feira, 3 de outubro de 2013

Parto Domiciliar Planejado: algumas coisas que talvez você não saiba - por Ana Cristina Duarte

ANA CRISTINA DUARTE, OBSTETRIZ PELA USP E INSTRUTORA EM CAPACITAÇÃO DE DOULAS, É COORDENADORA DO GRUPO DE APOIO À MATERNIDADE ATIVA (GAMA).


google imagem
Vejo muita gente dando palpite sobre parto domiciliar, especialmente profissionais de saúde, onde demonstram claramente que não fazem a menor ideia do que estão falando. Ouviram um pássaro cantar e já vão falando que é o Galo da Serra, sem nunca terem nem ouvido esse canto, muito menos visto a espécie. Achei por bem enumerar alguns fatos sobre o parto domiciliar planejado (PDP) que podem derrubar alguns mitos.


1) Qual gestante pode ter um PDP?
Gestantes saudáveis, com pré natal sem intercorrências, com um bebê único, posicionado, com mais de 37 semanas, com trabalho de parto espontâneo (não induzido)

2) Até onde vai o PDP? Ou até quando a gestante não pode mais mudar de ideia?
Vai até onde estiver seguro e sem intercorrência ou sem suspeita de possível intercorrência. Batimentos cardíacos fetais normais, mãe em boas condições. A qualquer sinal de possível intercorrência, a opção de retaguarda será acionada e o parto passa a ser hospitalar. A gestante pode mudar de ideia a qualquer momento e ir para o hospital para analgesia ou o que mais quiser.

3) Como se sabe que está tudo bem?
Através dos controles periódicos dos batimentos cardíacos do bebê e dos sinais vitais maternos, o que ocorre durante todo o trabalho de parto.

4) Como esteriliza a casa ou o quarto para o parto?
Isso não existe, nem no hospital, nem em casa. O que se faz no hospital é a limpeza da sala entre um parto e outro com materiais de limpeza, mas a única coisa que é esterilizada no hospital é o que entra em contato com o parto em sim, com as cavidades, cortes, etc. Em casa é a mesma coisa, o que for entrar em contato com "aberturas corporais" estará esterilizado. A questão que preocupa na contaminação hospitalar é o contato da gestante com virus e bactérias que causam doenças e que sempre estão presentes em ambientes hospitalares. Em casa essas bactérias não existem, não houve cirurgias anteriores, tratamento de doentes, nada disso. 

5) Mas e o pós-parto? Como fica a bagunça do parto? Quem cuida do bebê?
Após parto a equipe limpa toda a casa e elimina todos os vestígios do atendimento, materiais com sangue, restos, etc.. Com relação ao bebê, assim como no hospital, após ser examinado e vestido, ele fica sob cuidados dos pais em alojamento conjunto, o mesmo ocorre em casa. Os profissionais farão as visitas pós-parto e estão de prontidão para uma visita imediata durante toda a semana posterior ao parto.

6) Quem é o profissional que atende esses PDP?
Enfermeiras obstetras, obstetrizes e médicos podem atender esses partos. Doulas não podem atender partos, elas podem dar assistência emocional, apoio, mas não atendem os partos. As equipes são compostas pelo menos de um profissional desses anterioremente citados, podendo chegar a três profissionais, sendo que todos são capacitados para o atendimento de emergências obstétricas e reanimação neonatal

7) Quais procedimentos podem ser feitos num PDP?
Nenhum procedimento. Para acelerar, induzir, usar fórceps, etc, a gestante é levada ao hospital.

8) O que esses médicos/enfermeiras/obstetrizes levam para o atendimento em casa?
Todo o material estéril (agulhas, seringas, campo estéril para sutura, agulha de sutura, anestésico local, material de sutura, luvas, antisséptico, etc).
Todo o material de reanimação neonatal (tapete aquecido, ambu, máscara, cilindro de oxigênio, material de aspiração, material de transferência, etc).
Todo o material para emergência pós-parto materna (soro, material de punção venosa, drogas anti-hemorrágicas, etc).

9) Tem ambulância na porta?
Não, nenhum país que tem atendimento de parto domiciliar tem ambulância na porta. Essa é apenas mais uma lenda urbana sobre parto em casa.

10) E se acontecer alguma coisa?
Vamos separar o que seria esse "alguma coisa", para facilitar.

a) Com o bebê: se precisar de reanimação, reanima-se em casa, como numa sala de parto qualquer, com ventilação positiva. São as mesmas técnicas e materiais. Mas e se for tão grave que precisar adrenalina? Bebês saudáveis, de pré natal saudável, em partos naturais de termo sem intervenção não necessitam adrenalina. Olhe retrospectivamente para todos os casos de adrenalina e você verá que eram partos prematuros, ou bebês doentes, ou partos absurdamente medicalizados. Se ele tiver alguma malformação inesperada e grave, ele será mantido sob ventilação e transferido para um hospital com UTI neonatal, tal qual se faz em qualquer hospital ou cidade onde não existe UTI neonatal.

b) Com o parto: se for parto pélvico de surpresa, deixa-se nascer com as técnicas normais de parto pélvico; se for distócia de ombros, resolve-se igualmente com as mesmas manobras hospitalares; se precisa de fórceps é porque já era um parto complicado, transfere-se ao longo do parto; se os batimentos não forem bons, transfere-se; se houver mecônio em baixa quantidade e batimentos normais, aguarda-se o parto; se houver muito mecônio ou batimentos anormais, transfere-se.

c) No pós parto: se houver hemorragia, corrige-se com ocitocina, ergotrate e reposição de líquido; placenta retida, transfere-se para remoção no hospital; atonia uterina não é uma entidade de partos normais sem medicalização, mas em tese tranfere-se também. Se houver laceração, os três profissionais têm autorização, técnica e material para suturar sob anestesia local em casa.

11) E dá tempo de resolver?
Os estudos internacionais sobre PDP com equipe experiente mostram que o risco de mortalidade/morbidade não muda em casa ou no hospital e que o PDP é uma opção segura para gestantes de baixo risco. Isso não quer dizer que nada pode acontecer. Mesmo em países com baixíssima taxa de mortalidade, cerca de 1 a cada 500 bebês não viverá fora do útero. E isso poderá acontecer em casa, no hospital, no Brasil, na Dinamarca, nos Estados Unidos.

12) Mas estar no hospital não faz tudo ser bem mais rápido?
Na prática e em geral não. Tirando raras exceções, uma cesariana "de emergência" vai ocorrer num prazo aproximado de 30 minutos, às vezes até 1 hora, às vezes mais. A maioria dos hospitais brasileiros não possui anestesista de plantão, ou não há um disponível e livre o dia todo, nem mesmo uma sala de cesariana pronta e reservada. A idéia de que o hospital é um lugar onde tudo está pronto e disponível é irreal e mora mais no imaginário popular do que no bloco cirúrgico.

Mais informações sobre PDP:


quinta-feira, 4 de outubro de 2012

Posições para o parto: a escolha é sua


Gente, adorei este texto e as imagens, e fui autorizada a compartilhar! Retirei do site da Casa Moara. Leiam, as gestantes devem ir buscando as posições de alivio, até "treinar" para saber de ante mão o que o corpo consegue fazer.
_________________________________________________________________

Se há um momento na vida da mulher em que a liberdade de escolha se faz decisiva, é a hora do parto. Para garantir que suas preferências serão atendidas, procure se cercar de profissionais conhecidos por respeitar o protagonismo feminino no parto. Durante as contrações, permita-se fazer aquilo que o seu corpo estiver pedindo.
Por Luciana Benatti
Fotos Marcelo Min / Parto com Amor*
Pergunte a qualquer mulher que já tenha passado por um parto natural, sem intervenções, a quem foi garantido o direito de se movimentar livremente: a escolha da posição durante as contrações e o período expulsivo não passa pela razão, é totalmente instintiva. E varia imensamente de mulher para mulher.
É incrível como, em meio a sensações tão intensas, contrações que vêm e que vão como ondas, o corpo sabe exatamente o que fazer para encontrar conforto: se acocorar, como sempre fizeram as índias, ou relaxar na água quentinha da banheira, acessório indispensável nas mais modernas salas de parto normal. Entre tantas outras possibilidades.
Ao longo da história, as mulheres sempre preferiram as posições verticais para dar à luz seus filhos. A cadeira de parto mais antiga de que se tem notícia é da Idade da Pedra.
Foi o obstetra francês François Mauriceau (1637-1709), profissional altamente conceituado entre a realeza da época, quem primeiro pôs em prática a ideia de colocar deitada a mulher em trabalho de parto. Fez isso, diga-se em seu favor, para conforto delas, que tinham quilos demais para se sentar confortavelmente nas cadeiras de parto. Querendo ajudar, cometeu aquele que seria considerado por muitos como o maior erro da história da Obstetrícia.
O fato é que a ideia de Mauriceau se disseminou. E veio mesmo a calhar quando o atendimento ao parto deixou o ambiente domiciliar, onde era realizado principalmente por parteiras, e passou para o hospital: essa era (e ainda é) a posição de maior conforto para a figura que se tornou também a grande protagonista do parto, o médico obstetra.
Hoje a posição deitada de costas na cama com as pernas apoiadas em perneiras está tão arraigada em nossa cultura que continua sendo uma das mais frequentes em nossos hospitais, apesar de todas as recomendações em contrário. Entrou também para o imaginário das próprias mulheres, que, quando não são informadas sobre outras opções durante o pré-natal, acabam sendo pouco receptivas a sugestões de posições alternativas no momento do parto.
Quatro ou seis apoios – A mulher se apoia sobre as mãos e joelhos (podendo usar também os cotovelos). Indicada quando a parturiente sente dores muito fortes nas costas, pois oferece alívio para essa região.

 São muitas as posições possíveis (algumas das mais comuns são mostradas e comentadas nas fotos que ilustram esta reportagem, extraídas do livro Parto com Amor), mas, na prática, poucos profissionais costumam sugeri-las às parturientes.
“O principal é a liberdade de escolha por parte da mulher, tanto no período de dilatação do colo uterino, quanto no período de expulsão do bebê”, defende o obstetra Jorge Kuhn, ressaltando também a importância da deambulação, ou seja, de poder andar durante o trabalho de parto. “O profissional de saúde que atende o parto, quer seja parteira, obstetriz, enfermeira obstetra, médico obstetra ou médico de família, deve proporcionar isso a ela.”
A obstetra Andrea Campos é da mesma opinião. “A mulher tem que ficar na posição em que se sentir mais confortável. Seja para aliviar a dor, seja para fazer força”, acredita.
Parece óbvio, mas não tem sido fácil nem para as mulheres, nem para as equipes de assistência ao parto colocar essa orientação em prática no ambiente hospitalar, com todas as suas regras e protocolos.

Clique para ver a imagem ampliada.
Como jornalista, uma das histórias mais marcantes sobre o assunto que ouvi numa reunião de gestantes, que frequento há quatro anos, desde que comecei a escrever sobre parto, foi a de uma mulher que havia tentado um parto normal num hospital universitário de São Paulo. Ela contou que, sentindo contrações, viu na parede o quadro “Caminhando para o parto normal”, com algumas sugestões de posições (veja imagem ao lado).
Sozinha na sala, passou a procurar sua posição de conforto. Encontrou alívio “de quatro”, em cima da cama. Surpreendida nessa posição por uma enfermeira, levou bronca: “Onde você pensa que está para ficar desse jeito?”, perguntou rispidamente essa profissional.
Quem conhece um pouco a fisiologia do parto – um processo natural muito delicado, que, entre outras coisas, requer tranquilidade, intimidade e apoio –, consegue imaginar o fim dessa história: o trabalho de parto “não evoluiu” e ela teve uma cesárea, que não desejava. Quando a conheci, essa mulher estava grávida pela segunda vez e procurava se informar melhor sobre suas opções para o parto, numa tentativa de recuperar o que lhe havia sido negado no nascimento do primeiro filho.

Cócoras na banqueta – A banqueta serve como um apoio que ajuda a mulher a se manter nessa posição. A ação da gravidade facilita a saída do bebê, porém aumenta a chance de rotura do períneo.
Esse caso mostra que em muitos hospitais, mesmo nos de ensino, onde as boas práticas deveriam ser a regra, a liberdade de escolha de posição continua apenas no cartaz pendurado na parede. No dia a dia desses hospitais, todas as parturientes são deitadas de costas na cama, em posição horizontal, que sabidamente dificulta a chegada de oxigênio para o bebê e provoca mal-estar na mãe. Por que isso acontece? Boa pergunta!
Tempos depois de ouvir esse relato, ao ler o livro Parto Ativo, da inglesa Janet Balaskas, criadora do movimento de mesmo nome que mudou a realidade obstétrica na Inglaterra, soube que a censura contra mulheres que optam por posiçoes ditas alternativas durante o parto também aconteceu na Inglaterra, na década de 1980. E foi o estopim de uma passeata que levou seis mil pessoas a protestar nas ruas de Londres.
Por outro lado, nas entrevistas que fiz para o livro Parto com Amor, várias mulheres atendidas por equipes humanizadas relataram que em certo momento do parto se sentiram desconfortáveis, sem conseguir encontrar posição, até que alguém sugeriu… Ir do quarto para a sala e agachar apoiada na rede. Sair da banheira e usar a banqueta de parto. Ou ainda ir da cama para a banheira. E funcionou! O trabalho de parto engrenou e o bebê nasceu algumas contrações depois. Isso mostra que cada mulher, quando deixada livre para escolher – amparada por profissionais que acreditam em seu protagonismo – encontra o seu jeito de dar à luz, aquele que é o melhor para ela e o seu bebê naquele momento.
Quando tem liberdade de movimentos durante o trabalho de parto, a mulher vai mudando de posição conforme o corpo pede. O profissional também pode sugerir uma mudança, quando percebe que a parturiente está desconfortável. Ou, por exemplo, se ela reclama de cansaço. “Nesse caso, ela não pediu para mudar de posição, mas deu uma dica de que algo não está bom. Então podemos sugerir outra posição”, recomenda Kuhn.
A influência da posição da mulher no sucesso do trabalho de parto é tão grande que este pode ser também um recurso adotado pelo profissional para superar uma dificuldade no parto. “Quando o bebê está com o dorso à direita (o mais comum é à esquerda), por exemplo, o ideal é a mulher deitar do lado esquerdo, o que ajuda o bebê a virar. Mudando a mulher de posição, conseguimos corrigir alguns vícios de apresentação do bebê”, explica Andrea Campos. “Mas, em princípio, não sugerimos, deixamos a mulher assumir a posição em que se sente mais confortável”.
Lateral (posição de Sims)As posições laterais são muito confortáveis para a mulher, que assim pode apoiar o peso da barriga na cama. Durante as contrações, puxa um joelho em direção ao corpo, podendo assim fazer força durante o período expulsivo. Nessa posição o bebê sai de forma mais controlada, o que protege o períneo.

“Nós profissionais é que temos de nos adequar. Lógico que estamos falando de um parto natural, em que não se está fazendo nenhuma intervenção. Se houver necessidade de um procedimento – fazer um toque vaginal, romper a bolsa, aplicar fórceps, vácuo-extração ou mesmo numa cesárea – a comodidade tem de ser do profissional”, pondera Kuhn.
Para desfrutar plenamente dessa liberdade de escolha, o ideal é que a gestante se informe das possibilidades durante o pré-natal e converse sobre suas preferências com o profissional que vai atendê-la. Tudo isso deve ser registrado por escrito no plano de parto, um documento que consolida tudo o que foi combinado entre paciente e profissional.
O ápice da liberdade de posição e de movimentos durante o parto é quando a própria mulher consegue “pegar o bebê”. Partos em que isso aconteceu ficam registrados na memória da equipe. “Gosto muito das posições que permitem que a mãe receba o bebê. E algumas favorecem isso, como a de cócoras com um joelho apoiado, por exemplo”, afirma Andrea.
Para sentir a força de uma experiência como essa, vale a pena assistir o vídeo do nascimento de Waira, filha do casal Caroline e Nicolás. Imagens do parto, que aconteceu em 2009 na casa da família, em Barcelona, sobre a cama do casal, foram usadas num comercial de colchão cujas cenas ganharam o mundo pela internet.
A primeira vez que presenciou uma mulher receber seu próprio filho foi tão marcante para Kuhn, que ele ainda é capaz de descrever a cena em detalhes. “Ela estava numa banheira bem grande e eu sugeri que tocasse a cabeça do bebê – muitas mulheres nessa hora não querem fazer isso, têm uma certa aflição. Ela foi deixando a mão lá, se acostumando com a saída da cabeça, uma coisa incrível, instintiva, ninguém falava nada para ela! A cabeça saiu, ela ficou olhando para o nenê, não perguntava nada. Viu o filho rodar e continuou segurando a cabeça por baixo. Quando saiu o bracinho, colocou a mão sob a axila dele e foi trazendo, trazendo…”, conta. Uma cena, segundo ele, muito rara de acontecer.
“Outras fazem diferente: fecham os olhos ou não querem olhar no espelho a saída do bebê. Preferem sentir, mais do que ver. Cada parto é um parto”, conclui.

Posição obstétrica - Mais utilizada quando é necessário fazer alguma intervenção médica. O dorso da cama deve ser elevado, evitando a compressão de vasos sanguíneos importantes que poderia prejudicar a oxigenação do bebê.
*As fotos desta reportagem fazem parte do livro Parto com Amor, de Luciana Benatti e Marcelo Min, lançado em maio de 2011 pela editora Panda Books.

quinta-feira, 24 de maio de 2012

As 50 Intervenções Desnecessárias durante a gravidez, parto e pós-parto - por Ingrid Lotfi

LEIAM COM ATENÇÃO!

As 50 Intervenções Desnecessárias durante a gravidez, parto e pós-parto (por Ingrid Lotfi com supervisão técnica de Melania Amorim e Maíra Libertad)

1) Exames pré-natais não incluídos na rotina preconizada pelo Ministério da Saúde do Brasil (os exames recomendados são: grupo sanguíneo e fator Rh, sorologia para sífilis - VDRL, hemoglobina e hematócrito para rastreamento de anemia, exame de urina tipo I, sorologia para HIV e hepatite B - AgHBs, glicemia de jejum, teste para toxoplasmose-IgM, colpocitologia oncótica se necessário).

2) Exames de efetividade discutível sem prévia discussão com a gestante sobre riscos e benefícios (p.ex. pesquisa de EGB (Estreptococcus do Grupo B)).

3) Prescrição de complexo vitamínico, sem uma indicação clara.

4) Ultrassonografias sem indicação clínica.

5) Dopplerfluxometria em gestação de baixo risco ou sem indicação clínica.

6) Ecodopplercardiografia (exame para avaliar o coração) fetal em gestação de baixo risco ou sem indicação clínica.

7) Cardiotocografia em gestação de baixo risco ou sem indicação clínica.

8) Teste oral de tolerância à glicose (TOTG) em gestação de baixo risco ou sem indicação clínica.

9) Cesariana eletiva sem indicação clínica e/ou sob falsos pretextos (ver lista das "Indicações das desnecesáreas).

10) Exames de toque antes do trabalho de parto, sem indicação clara.

11) Descolamento de membranas antes de 41 semanas de gravidez.

12) Descolamento de membranas sem prévia discussão e autorização da gestante.

13) Restringir a escolha do local de parto.

14) Desencorajar ou proibir o acompanhante/doula no parto da escolha da mulher, ou permitir a entrada de pessoas não autorizadas.

15) Internação precoce.

16) Exames de toque/remoção de rebordo de colo abusivos durante o trabalho de parto e de rotina.

17) Exames de toque/remoção de rebordo SEM o prévio consentimento da gestante.

18) Toque Retal.

19) Jejum, tricotomia (raspagem dos pêlos) e enema (lavagem intestinal).

20) Qualquer restrição à deambulação/liberdade de movimentos.

21) Estabelecer limites rígidos para a duração da fase latente, ativa e do período expulsivo.

22) Atrapalhar o processo fisiológico do parto, desconcentrando a gestante.

23) Monitoração fetal contínua ao invés de intermitente (onde o profissional ausculta o bebê de tempos em tempos com o sonar).

24) Uso rotineiro de soro com ocitocina/indução com misoprostol.

25) Uso rotineiro de analgesia de parto.

26) Oferecer ou insistir na analgesia de parto sem que a mulher a tenha solicitado.

27) Amniotomia de rotina (rompimento da bolsa).

28) Puxos precoces (treinar fazer "a" força, antes que a mulher possa sentir os puxos).

29) Puxos dirigidos ("faça força agora", "força comprida", etc).

30) Manobra de Valsalva (orientar a "trincar os dentes e fazer força").

31) Desestimular a escolha pela mulher da posição/ambiente em que quer parir.

32) Manobra de Kristeller (empurrar o fundo do útero)/pressão de qualquer intensidade no fundo uterino/"só uma ajudinha".

33) Manobra de "divulsão" perineal e/ou massagem perineal sem consentimento da mulher.

34) Episiotomia.

35) Não permitir o nascimento espontâneo.

36) Aplicar fórceps e vácuo de rotina e/ou sem autorização da mulher.

37) Sutura rotineira das lacerações.

38) Revisão instrumental do canal de parto de rotina (fórceps, vácuo extrator).

39) Cesariana intraparto sem indicação precisa e sem caráter de emergência.

40) Ligadura precoce do cordão, sem aguardar parar de pulsar.

41) Entregar um bebê vigoroso ao neonatologista para secar e aquecer, afastando-o da mãe.

42) Aspiração de rotina das vias aéreas do recém-nascido.

43) Passagem de sonda de rotina no recém-nascido, para pesquisar atresia de coanas, atresia de esôfago e ânus imperfurado.

44) Uso rotineiro de Credé (colírio de nitrato de prata).

45) Levar bebês saudáveis para o berçário.

46) Fazer qualquer procedimento com o RN sem consultar e obter autorização dos pais.

47) Não permitir o delivramento (saída da placenta) espontâneo.

48) Revisão manual da cavidade uterina de rotina, mesmo em casos de cesárea anterior.

49) Oferecer bicos, chupetas, mamadeiras, com leite artificial para o recém-nascido.

50) Aplicar vacinas sem o consentimento e autorização dos pais.

Compartilhado no facebook

quarta-feira, 23 de maio de 2012

Postagem coletiva: Criação com apego, mais amor menos preconceito!





Nossa contar como é minha vida depois que me tornei mãe, de uma forma inesperada aproposito, vai ser difícil! São tantas experiências, lagrimas, sorrisos, carinho, tetão gostoso...mas vou tentar ser breve, rsrsrsrs. Sou mãe de duas crianças lindas. O Bernardo, nascido de cesárea e amamentado até quando ELE quis, até 2 anos e 4 meses. E da Sofia, nascida de parto normal hospitalar, e que ainda mama, ela  esta com 2 anos e 4 meses.


Quando meu primeiro filho nasceu, passei por muitas dificuldades devido a uma Depressão Pós Parto. Foram alguns meses não querendo cuidar de meu filho, sendo tomada por um sentimento horroroso, insano... Mas o que me "salvou" neste período foi a amamentação, que diga se de passagem foi muito difícil no 1º mês. Quando pegava meu filho, a cada hora, para amamentar voltava a mim, ficava sã novamente. Neste momento percebi que não só ele precisava desse colo, como eu também precisava. Depois que superamos essa DPP me vi uma Super Mãe!! Eu instintivamente sabia tudo que meu filho precisava e não precisava. Tinha algumas informações sim. Lia e leio muito. Mas era o meu instinto materno que falava mais alto.


Recebi varias dicas de como criar meu filho..."deixa chorar, não dá colo, dá uma mamadeira para  tu descansar, amamenta a cada 3 horas, não mima!". Aff!! Quando ouvia este tipo de coisa ficava louca. Até tentei por 2 dias o "deixa chorar", mas para que??? Para meu filho perceber que esta sendo ignorando pela própria mãe? NÃO! Me neguei a acreditar que isso, essa distancia entre nós, era o melhor. Sem saber do método da Cama compartilhada, comecei a pratica- la com meu filho (instintivamente). Foi maravilhoso, com noites tranquilas, de descanso  para toda família.


Criei (e crio) meu primeiro filho totalmente o contrário do que a sociedade acha melhor! Dava muito colo, muitos beijos, cheiros, brincava de montão, Bê mamava a vontade. E creio  que foi essa criação com apego, que facilitou a nossa vida em muitas etapas. Bê saiu com 2 anos e 4 meses das fraldas, decidiu parar de mamar nesta mesma época, pediu com 2 anos para dormir na própria cama. Todos estes "mimos" fizeram meu filho ser confiante e destemido para enfrentar cada etapa, cada mudança da vida dele.


Quando minha filha nasceu, já tinha muito mais informação do que com o Bê. Sabia que tudo que havia feito (instintivamente) com o 1º filho tinha base, estudos que mostravam quão 'acertiva' estava. Com a Fifi ainda pude me beneficiar do sling, das fraldas de pano....


Hoje os 2 vão em escola normal. Sofia no jardim e Bernardo na pré escola. A adaptação deles foi difícil, mas não deixei-os sozinhos até que criassem um vinculo com aquele ambiente. Fiquei 1 mês, todas as tardes, observando e auxiliando cada um deles, com suas limitações. Não forcei nada. Os dois sempre pegavam a mochila e iam para a escola. Devia ter feito o contrário? Devia ter deixado chorar?? NÃO! E nunca vou fazê-lo. Muitas pessoas me olhavam torto por estar ali na escola, mas eu não me importava. Fiquei com eles  até perceberem o quão legal é vivenciar esta experiência, já que queriam ir a escola. Fifi em 2 semanas já estava enturmada e amando as atividades. Bê precisou um pouco mais de atenção, mas em quase 1 mês percebeu que não havia por quê temer,que eu sempre voltaria.


Vou estar sempre ao lado deles se eles precisarem. E não me arrependo de criá-los com apego! De "abrir mão" por eles!





quarta-feira, 16 de maio de 2012

Das dores - por Ana Cris Duarte (parteira)

Texto ótimo escrito pela parteira Ana Cris! TODAS as mulheres deveriam ler, grávidas ou não!

PESSOAL - TP DA SEGUNDA GESTAÇÃO


Eu acho que qualquer convera sobre parto (e qualquer realidade), deveria começar com: “você tem direito a analgesia de parto quanto e quando você solicitar. tudo bem? tranquila? agora vamos falar sobre dor do parto?” 
Nossa sociedade e a maioria das sociedades ocidentais fazem grande alarde sobre a dor do parto, insistindo que é praticamente insuportável. existem até comparações feitas por anestesistas (via de regra homens), dizendo que a dor do parto se assemelha à dor de arrancar um dedo. acho incrível que alguém possa comparar dores, para começar. a não ser que a pessoa tenha parido e tenha tido um dedo arrancado, essa comparação é, antes de tudo, uma piada de mal gosto, tanto do ponto de vista das mulheres quanto dos mutilados sem um dedo. 
a dor do parto se assemelha à dor de dar à luz e a nenhuma outra. ela pode ser insuportável para umas e perfeitamente manejável para outras. não tem como saber antes de experimentar a sensação. mas antes que você enlouqueça e contrate um anestesista no dia em que seu noivo te peça em casamento, vão aqui algumas dicas para tranquilizar seu coração:
1. as contrações começam fracas e curtas, com a sensação de uma cólica em geral leve, que começa fraca, tem um pico mais forte e fica fraca novamente, até desaparecer. isso dura por volta de 30 segundos no início. elas vão ficando mais fortes, mais longas e mais frequentes à medida que o parto evolui. o máximo a que elas chegarão será numa frequência de uma a cada três ou quatro minutos. vão durar até 60 a 90 segundos. e nos intervalos você poderá respirar, descansar e até dormir.
2. as dores que em geral conhecemos são as dores negativas de algo que não está certo, um dente inflamado, um ligamento distendido, uma pancada, uma queimadura. a dor do parto é diferente de todas as outras porque ela vai te trazer um bebê, seu filho. a sensação dessa dor é portanto positiva, a não ser que chegue a níveis muito fortes da metade para o fim.
3. embora em geral estejamos acostumados a ligar o termo “dor” com “sofrimento”, a verdade é que nem toda dor é sofrida. quando fazemos um exercício mais puxado e no dia seguinte sentimos dores musculares do esforço, não tomamos medicamentos nem nos sentimos sofredoras, pelo contrário, enchemo-nos de orgulho. a dor do parto também pode ser vivenciada da mesma forma.
4. a parte mais intensa é a da dilatação. quando o bebê começa a descer pelo canal de parto, a tal “passagem”, em geral a dor é substituída por uma incrível sensação de pressão e uma vontade incontrolável de fazer força. para a maioria das mulheres, o nascimento em si, a passagem do bebê, é bem mais fácil de lidar do que a fase da dilatação em si.
5. para as mulheres que desejam um parto sem dor, a analgesia peridural é uma opção disponível a partir do momento em que a mulher deseje não sentir mais dor. quanto mais tarde se usa a anestesia, menos ela atrapalha o parto. mas lembre-se que é melhor um parto atrapalhado por analgesia do que uma cesariana porque você acha que
não vai dar conta. no entanto a analgesia de parto é longa, o anestesista precisa estar presente o tempo todo, o que faz com que em algumas cidades e em alguns hospitais ela não seja uma opção para as mulheres. quanto melhor a equipe de anestesistas, melhor a disponibilidade para quem precisa do recurso.
6. não existe muito cedo nem muito tarde para se solicitar analgesia de parto. o procedimento leva cerca de dez a quinze minutos para ser feito e pode durar até muitas horas, de acordo com a conveniência da parturiente.
7. a anestesia de parto não passa para o bebê, ela fica restrita ao espaço da coluna vertebral onde é aplicada. no entanto ela pode provocar vasodilatação, baixa pressão arterial e reflexos desses problemas na placenta e na oxigenação do bebê. portanto ela não é isenta de riscos. no entanto a anestesia da cesariana é ainda mais forte e também pode dar os mesmos problemas, com frequência ainda mais elevada, dada a quantidade maior de anestésicos que é aplicada.
8. antes do recurso da analgesia, existe outros bastante eficientes que ajudam a diminuir a sensação de dor, como as massagens localizadas, bolsas de água quente, banhos de chuveiro e de imersão em água à temperatura do corpo. uma doula experiente também pode ser de grande ajuda, oferecendo dicas de conforto, massagens eficazes e palavras de apoio que são como bálsamo para uma mulher determinada a um parto natural.
9. as equipes que trabalham com parto natural e analgesia se necessário relatam taxas de cesariana de 10 a 15%, e taxas de analegesia nos partos normais entre 5 e 30%. em outras palavras, mesmo que as drogas estejam disponíveis, a maioria das mulheres consegue lidar bem com as contrações do parto e acabam não necessitando do
recurso.
10. as sensações naturais do parto provocam a produção de uma incrível cascata de “hormônios do bem”, que afetam igualmente a mãe e o bebê. abrir mão desse coquetel de hormônios é perder a oportunidade de uma experiência transcendental incrível, inédita e só replicável no próximo parto. não deixe de conhecer essa sensação e de testar os seus limites. experimente, conheça seus recursos e acima de tudo, escolha uma boa equipe para te auxiliar nesse processo.


Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...

MundoBrasileiro