quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

A confusão de bicos: porque a mamadeira não deve ser utilizada

Compartilhando um texto muito bacana sobre confusão de bicos do site Acalmma. Este texto foi escrito pela fonoaudióloga Cristiane Gomes. Acompanhem o texto, reflitam ...


É de conhecimento geral que o aleitamento materno é a estratégia que, isoladamente, possui a capacidade de evitar morbimortalidade infantil, especialmente pelas substâncias presentes no leite que favorecem a saúde geral, pelo contato entre mãe e bebê que permitem o estabelecimento e manutenção dos vínculos afetivos, pela capacidade do leite materno promover adequado crescimento e desenvolvimento da criança, dentre muitas outras vantagens.
Também é de conhecimento geral que a mãe deve amamentar seu bebê exclusivamente por 6 meses e com alimentação complementar por 2 anos ou mais e que é desaconselhável o uso de bicos artificiais, no entanto, este último tema não tem sido esclarecido à população e o uso de bicos é uma realidade impactante nos índices de aleitamento materno em nosso país, especialmente no sul do Brasil.
É importante salientar que, em geral, as gestantes já recebem mamadeiras como presentes nos chás de bebê, “no caso de haver necessidade”. Parece um ato inocente e de apoio, porém com terrível possibilidade de favorecer o desmame precoce.
Apesar do Ministério da Saúde desaconselhar o uso de bicos artificiais e o nono passo da Iniciativa Hospital Amigo da Criança indicar que não se deve oferecer bicos artificiais a crianças amamentadas, a cultura da mamadeira está arraigada e, mesmo com as ações de proteção ao aleitamento materno, especialmente por meio da NBCAL, ainda há uma falsa sensação de que os bicos artificiais são inofensivos.
Na realidade, o uso concomitante de bicos artificiais e aleitamento materno pode causar a chamada “confusão de bicos”, termo utilizado inicialmente por Neifert, Lawrence e Seacat (1995). A partir do momento em que o bebê recebe alimentação por meio de bicos artificiais, a ação das estruturas orais se modifica de tal forma que, ao retornar ao aleitamento materno, não haja condições de realizar a ordenha da mama, visto que tais estruturas sofreram mudanças de tônus, mobilidade e função.
O que decorre dessa disfunção motora oral é uma sequência de situações que, cedo ou tarde, levarão ao desmame: bebê não se alimenta o suficiente, chora, a mãe oferece complemento, por não haver estimulo mamário para a produção de leite há uma redução de seu volume, o que se torna um ciclo vicioso que termina por favorecer a alimentação exclusiva por mamadeira.
Para explicar melhor as diferenças estruturais, de tônus muscular e de função oral apresento o quadro abaixo, que mostra as diferenças básicas entre a sucção no aleitamento materno e na mamadeira:

ALEITAMENTO MATERNO

MAMADEIRA
- o peito da mãe se conforma à boca do bebê, o que nenhum outro tipo de bico permite;a boca do bebê tem que se adaptar ao bico, o que afeta a posição da língua, lábios e céu da boca;
- a língua do bebê consegue vir para fora para pegar o leite e leva-lo ao fundo da boca para a criança engolir;- Em todos os bicos, (comum ou ortodôntico) a língua do bebê vai para trás porque é empurrada pelo bico, que é rígido, e isso muda a sucção do bebê;
- o bebê faz quatro movimentos com a mandíbula (queixo): para baixo (abertura), para frente (protrusão), para baixo (fechamento) e para trás (retrusão). Esses quatro movimentos são importantes para o crescimento da face e para dar espaço na arcada dentária para o nascimento e alinhamento dos dentes;- o bebê faz apenas dois movimentos com o queixo: para baixo (abertura) e para cima (fechamento). Com apenas esses dois movimentos, o crescimento da face será direcionado para a vertical e o crescimento horizontal ficará prejudicado;
- o bebê faz pressão positiva, chamada de ordenha, ou seja, a mandíbula (queixo) massageia o peito e o leite é coletado pela língua.;- o bebê sempre faz pressão negativa (formam-se furinhos na bochecha) e isso faz com que haja uma alteração no crescimento da face, arcadas dentárias e consequente alinhamento dos dentes;
- o bebê exercita os músculos que serão responsáveis pela futura mastigação (masseteres, temporais e pterigoideos);- o bebê não exercita os músculos que serão responsáveis pela futura mastigação, mas exercita o músculo da bochecha (bucinador), que não deve ser tão exercitado e poderá provocar problemas no alinhamento dos dentes;
- os músculos da mastigação são exercitados e permitem com que o céu da boca se desenvolva corretamente, ou seja, que fique mais horizontal, favorece a respiração pelo nariz e o fechamento dos lábios;- o músculo da bochecha fará uma pressão sobre o céu da boca, que com o tempo se tornará mais alto. Esse formato mais alto dificultará a respiração pelo nariz e o fechamento dos lábios e favorece a respiração pela boca, que traz inúmeros prejuízos para a criança.

Com a leitura atenta do quadro acima, pode-se concluir que não existe compatibilidade entre o aleitamento materno e o uso da mamadeira, pois a forma de sucção é totalmente diferente.
Para evitar os problemas decorrentes dessa confusão de bicos (desmame, alterações motoras orais, alterações ortodônticas, desvios do crescimento ósseo facial, alterações de tonicidade, mobilidade e funções orais, com possibilidade de desenvolvimento de respiração oral, deglutição atípica, alterações de fala e mastigação, entre outras, as mães devem ser encorajadas, apoiadas e incentivadas a manter o aleitamento materno exclusivo até seis meses, iniciar a alimentação complementar aos 6 meses com mudanças graduais de consistências e dar continuidade ao aleitamento materno até 2 anos ou mais, não oferecer mamadeiras ou chupetas e, se houver necessidade de complementação, dar preferência à utilização do copo como método alternativo e temporário.
 Dra. Cristiane Gomes
Fonoaudióloga
CRFa 7771
 Especialista em Motricidade Orofacial (CFFa)
Mestre em Educação (UNESP – Marília)
Doutora em Pediatria (UNESP – Botucatu)
Pós-Doutorado em Saúde Coletiva (UEL – Londrina)
Docente do Centro Universitário de Maringá (CESUMAR)

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

Parto Domiciliar Planejado: algumas coisas que talvez você não saiba - por Ana Cristina Duarte

ANA CRISTINA DUARTE, OBSTETRIZ PELA USP E INSTRUTORA EM CAPACITAÇÃO DE DOULAS, É COORDENADORA DO GRUPO DE APOIO À MATERNIDADE ATIVA (GAMA).

google imagem
Vejo muita gente dando palpite sobre parto domiciliar, especialmente profissionais de saúde, onde demonstram claramente que não fazem a menor ideia do que estão falando. Ouviram um pássaro cantar e já vão falando que é o Galo da Serra, sem nunca terem nem ouvido esse canto, muito menos visto a espécie. Achei por bem enumerar alguns fatos sobre o parto domiciliar planejado (PDP) que podem derrubar alguns mitos.


1) Qual gestante pode ter um PDP?
Gestantes saudáveis, com pré natal sem intercorrências, com um bebê único, posicionado, com mais de 37 semanas, com trabalho de parto espontâneo (não induzido)

2) Até onde vai o PDP? Ou até quando a gestante não pode mais mudar de ideia?
Vai até onde estiver seguro e sem intercorrência ou sem suspeita de possível intercorrência. Batimentos cardíacos fetais normais, mãe em boas condições. A qualquer sinal de possível intercorrência, a opção de retaguarda será acionada e o parto passa a ser hospitalar. A gestante pode mudar de ideia a qualquer momento e ir para o hospital para analgesia ou o que mais quiser.

3) Como se sabe que está tudo bem?
Através dos controles periódicos dos batimentos cardíacos do bebê e dos sinais vitais maternos, o que ocorre durante todo o trabalho de parto.

4) Como esteriliza a casa ou o quarto para o parto?
Isso não existe, nem no hospital, nem em casa. O que se faz no hospital é a limpeza da sala entre um parto e outro com materiais de limpeza, mas a única coisa que é esterilizada no hospital é o que entra em contato com o parto em sim, com as cavidades, cortes, etc. Em casa é a mesma coisa, o que for entrar em contato com "aberturas corporais" estará esterilizado. A questão que preocupa na contaminação hospitalar é o contato da gestante com virus e bactérias que causam doenças e que sempre estão presentes em ambientes hospitalares. Em casa essas bactérias não existem, não houve cirurgias anteriores, tratamento de doentes, nada disso. 

5) Mas e o pós-parto? Como fica a bagunça do parto? Quem cuida do bebê?
Após parto a equipe limpa toda a casa e elimina todos os vestígios do atendimento, materiais com sangue, restos, etc.. Com relação ao bebê, assim como no hospital, após ser examinado e vestido, ele fica sob cuidados dos pais em alojamento conjunto, o mesmo ocorre em casa. Os profissionais farão as visitas pós-parto e estão de prontidão para uma visita imediata durante toda a semana posterior ao parto.

6) Quem é o profissional que atende esses PDP?
Enfermeiras obstetras, obstetrizes e médicos podem atender esses partos. Doulas não podem atender partos, elas podem dar assistência emocional, apoio, mas não atendem os partos. As equipes são compostas pelo menos de um profissional desses anterioremente citados, podendo chegar a três profissionais, sendo que todos são capacitados para o atendimento de emergências obstétricas e reanimação neonatal

7) Quais procedimentos podem ser feitos num PDP?
Nenhum procedimento. Para acelerar, induzir, usar fórceps, etc, a gestante é levada ao hospital.

8) O que esses médicos/enfermeiras/obstetrizes levam para o atendimento em casa?
Todo o material estéril (agulhas, seringas, campo estéril para sutura, agulha de sutura, anestésico local, material de sutura, luvas, antisséptico, etc).
Todo o material de reanimação neonatal (tapete aquecido, ambu, máscara, cilindro de oxigênio, material de aspiração, material de transferência, etc).
Todo o material para emergência pós-parto materna (soro, material de punção venosa, drogas anti-hemorrágicas, etc).

9) Tem ambulância na porta?
Não, nenhum país que tem atendimento de parto domiciliar tem ambulância na porta. Essa é apenas mais uma lenda urbana sobre parto em casa.

10) E se acontecer alguma coisa?
Vamos separar o que seria esse "alguma coisa", para facilitar.

a) Com o bebê: se precisar de reanimação, reanima-se em casa, como numa sala de parto qualquer, com ventilação positiva. São as mesmas técnicas e materiais. Mas e se for tão grave que precisar adrenalina? Bebês saudáveis, de pré natal saudável, em partos naturais de termo sem intervenção não necessitam adrenalina. Olhe retrospectivamente para todos os casos de adrenalina e você verá que eram partos prematuros, ou bebês doentes, ou partos absurdamente medicalizados. Se ele tiver alguma malformação inesperada e grave, ele será mantido sob ventilação e transferido para um hospital com UTI neonatal, tal qual se faz em qualquer hospital ou cidade onde não existe UTI neonatal.

b) Com o parto: se for parto pélvico de surpresa, deixa-se nascer com as técnicas normais de parto pélvico; se for distócia de ombros, resolve-se igualmente com as mesmas manobras hospitalares; se precisa de fórceps é porque já era um parto complicado, transfere-se ao longo do parto; se os batimentos não forem bons, transfere-se; se houver mecônio em baixa quantidade e batimentos normais, aguarda-se o parto; se houver muito mecônio ou batimentos anormais, transfere-se.

c) No pós parto: se houver hemorragia, corrige-se com ocitocina, ergotrate e reposição de líquido; placenta retida, transfere-se para remoção no hospital; atonia uterina não é uma entidade de partos normais sem medicalização, mas em tese tranfere-se também. Se houver laceração, os três profissionais têm autorização, técnica e material para suturar sob anestesia local em casa.

11) E dá tempo de resolver?
Os estudos internacionais sobre PDP com equipe experiente mostram que o risco de mortalidade/morbidade não muda em casa ou no hospital e que o PDP é uma opção segura para gestantes de baixo risco. Isso não quer dizer que nada pode acontecer. Mesmo em países com baixíssima taxa de mortalidade, cerca de 1 a cada 500 bebês não viverá fora do útero. E isso poderá acontecer em casa, no hospital, no Brasil, na Dinamarca, nos Estados Unidos.

12) Mas estar no hospital não faz tudo ser bem mais rápido?
Na prática e em geral não. Tirando raras exceções, uma cesariana "de emergência" vai ocorrer num prazo aproximado de 30 minutos, às vezes até 1 hora, às vezes mais. A maioria dos hospitais brasileiros não possui anestesista de plantão, ou não há um disponível e livre o dia todo, nem mesmo uma sala de cesariana pronta e reservada. A idéia de que o hospital é um lugar onde tudo está pronto e disponível é irreal e mora mais no imaginário popular do que no bloco cirúrgico.

Mais informações sobre PDP:


domingo, 3 de fevereiro de 2013

Notícia: Doula a quem doer - Apesar da resistência de hospitais, as acompanhantes de parto têm papel fundamental


Compartilhando notícia do Estadão de São Paulo. Texto escrito pela obstetriz Ana Cristina Duarte
Ana Cristina Duarte
Quando em 2001 o primeiro curso de formação de doulas teve lugar no Brasil, por iniciativa de um médico obstetra, ninguém poderia imaginar a importância que essas profissionais teriam num futuro tão próximo. Naquela época raras pessoas sabiam o que era uma doula e sua função. Apesar de ainda hoje se fazer muita confusão, muita gente já conhece as funções a elas atribuídas, sua importância e seu papel no cenário da assistência ao parto.
A doula Maíra Duarte ajuda a mãe Alcione Agnes uma hora após o nascimento de Giulia - www.carlaraiter.com
www.carlaraiter.com
A doula Maíra Duarte ajuda a mãe Alcione Agnes uma hora após o nascimento de Giulia
Doulas são mulheres treinadas para dar suporte durante o parto. Embora elas não possam executar a parte técnica da assistência, têm papel importante durante o processo, o que faz a maior diferença nos resultados. Em outras palavras, pensando num mesmo público, mesma maternidade, mesma equipe de médicos e enfermeiras, são as mulheres acompanhadas por doulas as que serão mais beneficiadas. Os estudos mostram redução de 20% nas taxas de cesariana e de 30% nos nascimentos de bebê com baixa nota nos primeiros minutos de vida, para citar alguns parâmetros, tudo isso sem nenhum efeito deletério.
Os dois modelos de atuação são as doulas do setor privado, remuneradas por seu trabalho de atendimento a clientes que as contratam, e as doulas voluntárias, que trabalham no sistema público sem conhecer anteriormente as gestantes que vão atender. Nos países do primeiro mundo, como Estados Unidos por exemplo, as doulas já estão ativas na assistência há mais de 30 anos.
No Brasil existem entre 2 mil e 4 mil doulas atuantes entre os dois setores, embora não haja um número oficial ou um cadastro único. Neste 31 de janeiro, o Ministério do Trabalho lançou a nova versão da Classificação Brasileira de Ocupações onde figura, pela primeira vez, a ocupação de doula. Não existe uma profissionalização oficial, tal qual ocorre em outras ocupações em que não há execução de procedimentos de risco para a população. Tal qual fotógrafos e cinegrafistas que adentram o recinto do parto, as doulas não executam procedimentos médicos ou de enfermagem, não oferecendo, portanto, riscos à população. As funções básicas da doula são: acompanhar, acalmar, oferecer suporte emocional e físico, realizar massagem localizada, sugerir movimentos, respirações, atitudes, enfim, uma miríade de ferramentas que ajudam a mulher a atravessar o intenso processo que é dar à luz um bebê.
Uma grande polêmica ocorreu essa semana quando dois grandes hospitais privados da capital paulista proibiram a presença de doulas nos partos, alegando risco de infecção, e recuaram após imensa repercussão na mídia e nas redes sociais. A questão, no entanto, passa longe dos alegados riscos.
Estamos falando de relações de poder, de interesses econômicos, de falta de gerenciamento do setor privado.
Uma boa parte dos hospitais privados do Brasil apresenta taxas de cesarianas superiores a 90%. As cesarianas marcadas são o pilar de sustentação financeira das maternidades privadas. Partos normais, apesar de mais seguros, causam prejuízo, ocupam imprevisivelmente o leito por muito tempo, dão trabalho à enfermagem, não têm hora para ocorrer e não podem ser controlados. Doulas, acompanhando mulheres em trabalho de parto que querem muito um parto natural, perturbam a ordem natural de um centro cirúrgico estruturado para cesarianas pré-agendadas. Doulas pedem água, alimentos e explicações. Mulheres acompanhadas de doulas desobedecem às regras da instituição, questionam, desafiam. Pais acompanhados de doulas são mais protetores e questionadores. Doulas incomodam, partos normais incomodam.
Enquanto todos os setores do nosso país não assumirem que as mulheres estão sendo roubadas em seus partos, tanto no setor privado, com suas cesarianas agendadas, quanto no setor público, com seus partos altamente medicalizados e violentos, não poderemos avançar de fato nas crises profissionais. O problema não são as doulas e sua regulamentação. O problema não são as alegadas infecções provocadas pela presença de mais um acompanhante. Estamos falando de um processo de violência coletiva que vem se perpetuando há décadas em nosso país, sob os olhos semicerrados do governo, da Agência Nacional de Saúde Suplementar, do Ministério da Saúde, das secretarias.
Se nem a Lei do Acompanhante é obedecida em mais da metade das instituições paulistas, o que se dirá de uma iniciativa que deve ser tomada de livre e espontânea vontade pelas instituições para melhorar a assistência às mulheres que desejam um parto suave, prazeroso, positivo, acolhedor? Ainda temos um longo caminho a percorrer, e as doulas continuarão a ter um papel fundamental nesse processo.
ANA CRISTINA DUARTE, OBSTETRIZ PELA USP E INSTRUTORA EM CAPACITAÇÃO DE DOULAS, É COORDENADORA DO GRUPO DE APOIO À MATERNIDADE ATIVA (GAMA) E AUTORA DE PARTO NORMAL OU CESÁREA? O QUE TODA MULHER DEVE SABER - E TODO HOMEM TAMBÉM (UNESP) 

terça-feira, 29 de janeiro de 2013

Vídeo: Parteira Ina May Gaskin fala sobre parto natural

Fiquei conhecendo estes vídeos, com a palestra da parteira Ina May Gaskin, pelo blog Doula em Campinas e achei muito proveitoso. Como diz Ina May, os esfincteres são tímidos e não obedecem ordens, o que me faz lembrar da Mariana que ganhou o Samuel a quase 1 ano atrás. Na ultima consulta pré natal estava com 2 cm, foi para o hospital e chegou com 1 cm de dilatação,  em 30 minutos foi para 9 cm, e em seguida 10 cm, graças a conversa grosseira do plantonista, e a possibilidade de cair em uma cesárea sem necessidade. Samuel nasceu super saudável e Mariana não recebeu intervenção alguma que não quisesse, recebendo só analgesia, que nem deu tempo de fazer efeito. Confira o relato AQUI.
Assistam os vídeo e já peguem as dicas de como relaxar e aproveitar o trabalho de parto e parto.




segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Lista de assinaturas do abaixo-assinado pelo direito da Gestante ser acompanhada por uma doula durante o trabalho de parto, parto e pós parto em qualquer hospital brasileiro.

Lista de assinaturas do abaixo-assinado pelo direito da Gestante ser acompanhada por uma doula durante o trabalho de parto, parto e pós parto em qualquer hospital brasileiro.

Assinem! Toda mulher deve ter o direito ao acompanhamento de uma doula, independente de estar presente um familiar!!

sábado, 26 de janeiro de 2013

NOTÍCIA: Amamentação exclusiva salva cerca de seis milhões de crianças no mundo a cada ano, estima OMS.

Minha filhota com 4 meses


Leite materno deve ser a única alimentação da criança até os seis meses de vida.

A amamentação deve ser a alimentação exclusiva da criança até os seis meses de vida, de acordo com a recomendação do Ministério da Saúde e da Organização Mundial da Saúde (OMS). Depois disso, o bebê pode começar a receber outros alimentos saudáveis, mas a orientação é que seja mantida a amamentação até os dois anos de idade ou mais, decisão que fica a critério da mãe. 

Estima-se que o aleitamento materno seja capaz de diminuir em até 13% a morte de crianças menores de 5 anos em todo o mundo por causas preveníveis. Nenhuma outra estratégia isolada alcança o impacto que a amamentação tem na redução das mortes de crianças nessa faixa etária.
Segundo a OMS e o Programa das Nações Unidas para a Infância (Unicef), em torno de seis milhões de vidas de crianças estão sendo salvas no mundo, a cada ano, por causa do aumento das taxas de amamentação exclusiva. 

Contudo, no Brasil, dados da II Pesquisa de Prevalência de Aleitamento Materno — realizada nas capitais brasileiras e no Distrito Federal, em 2008 — revela que somente 41% das crianças menores de seis meses de vida estavam em aleitamento materno exclusivo. As demais tinham experimentado outro alimento já nas primeiras semanas ou meses de vida.
— A amamentação é uma estratégia natural de vínculo, afeto, proteção e nutrição para a criança. O recomendado à mãe é que ela amamente seu filho até dois anos ou mais — afirma Paulo Bonilha, coordenador de Saúde da Criança do Ministério da Saúde.
Alimentação complementar
Muitos pais e mães se sentem inseguros quando chega a hora de introduzir novos alimentos à dieta das crianças que completam seis meses de idade.
— O profissional de saúde tem um papel fundamental na orientação e no auxílio à família da criança. E o sucesso da alimentação complementar depende de paciência, afeto e apoio de todos envolvidos nos cuidados da criança — afirma Patrícia Jaime, coordenadora de Alimentação e Nutrição do Ministério da Saúde.
Como destaca Patrícia Jaime, os hábitos alimentares são formados nos primeiros anos de vida. A oferta de alimentos não saudáveis contribui para o desenvolvimento um modelo de nutrição que favoreça o excesso de peso, deficiências nutricionais e diversas doenças.
Incentivo à alimentação saudável
A partir do próximo mês, o Ministério da Saúde promoverá novas ações de incentivo à alimentação saudável para crianças menores de dois anos, como parte da estratégia da Rede Cegonha, programa que busca dar assistência à mulher e ao bebê. 

Por meio de oficinas de formação, o governo federal pretende capacitar mil profissionais de saúde que atuam em Unidades Básicas de Saúde (UBS) para que sejam multiplicadores de informações que incentivem, também, o aleitamento materno até o segundo ano de vida da criança.
O objetivo é que o aumento da qualidade dos alimentos consumidos até os dois anos de idade — complementados com leito materno, quando possível — influenciem para a melhoria dos indicadores de saúde das crianças nesta faixa etária.
Para 2013, estão previstas 50 oficinas de capacitação de tutores em todo o território brasileiro. Os cursos vão ocorrer em todos os estados e os profissionais formados terão a responsabilidade de replicar a estratégia a outros profissionais de saúde.

segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

Vídeo: Muito além do peso...



A obesidade infantil é um problema gravíssimo, que atinge milhares de crianças no Brasil. Resultado da péssima alimentação e por vários outros fatores. É o fim da picada o que a preguiça pode fazer. Hoje em dia não temos tempo para preparar as refeições em casa e fazer alguma atividade física.... não temos tempo????? Ou estamos muito preguiçosos? Podemos fazer uma caminhada, um alongamento, brincar com os filhos, usar a bicicleta para trabalhar, usar as escadas....

Precisamos de politicas que incentivem realmente a alimentação saudável e a atividade física assistida. Precisamos de Informação REAL!!!! O povo precisa saber o que esta comendo! O Brasil precisa de Vergonha na cara!! Mudar, tirar a preguiça da cabeça, fazer, acontecer, pararmos de ser egoístas (sim egocêntricos) e ver o que estamos fazendo, principalmente para as nossas crianças.

Não, não estou dizendo que a mudança acontece da noite para o dia, e nem que vai ser fácil... mas é NECESSÁRIO. Tentem todos os dias, não parem, vocês irão conseguir melhorar a alimentação, e perceber que o que "parece" gostoso´e saudável, só parece, mas não é. Como eu digo aos meus filhos, deixa a cenoura (ou qualquer outra verdura) te mostrar como ela é gostosa de várias formas, e ela vai te dar muita saúde!

Assumam que estão errando e corram atrás do prejuízo!! Assistam o vídeo!


segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

Relato da cesárea intra parto de Tatiana pela doula




Tatiana entrou em contato comigo pelo facebook. Eu havia sido indicada pela doula Cris de Melo. Começamos a conversar, e ela perguntou se eu atendia a cidade dela Osório, disse que sim, e começamos a combinar algumas coisas. Ela foi me contando um pouco da sua história, que havia passado por uma gestação ectópica, e que depois de algum tempo engravidou novamente, com ajuda da técnica in vitro.
Depois de algum tempo marcamos o primeiro encontro aqui em casa. Tati já sabia muita coisa sobre o parto, e confessou que tinha muito medo da cesariana  Expliquei como era meu atendimento, e ela me contou como estavam as consultas no pré natal. Qualquer dúvida que ela tinha, me perguntava. Fizemos mais alguns encontros e muita conversa pelo facebook.

Chegando perto das 40 semanas, Tati começou a sentir ansiedade e medo, pois ela havia lido que bebê in vitro não poderia passar das 40 semanas. Tentei tranquiliza-la explicando que não era bem assim, e Tati se acalmou em relação a DPP.

No dia 19 conversamos muito pelo face, e Tati me comentou que estava com algumas contrações mais próximas, que vinha em intervalos regulares, mas paravam até por hora. Deixamos combinado que se não engrenasse as contrações, nos encontraríamos no Divina no dia seguinte para avaliação e talvez uma indução.
No mesmo dia pela noite Tati me pede para ir a casa dela, que as contrações estavam presentes, mas com intervalos desregulares e que estava ficando com medo. A felicidade era enorme, mas o medo bateu. 

Cheguei já no dia 20, nos primeiros minutos do dia. Papai Daniel me recebeu, e fui ver como estava Tatiana. Estava no quarto, na cama, com uma carinha cansada, mas feliz por sentir que era a hora tão esperada.
Conversamos muito, e decidimos de ir para o hospital fazer o exame para ver como estava Milena de qualquer forma, e torcendo para termos dilatação. Conversamos mais um pouco, o sono estava batendo em todos até que decidimos tentar dormir. Daniel foi descansar em outro quarto para estar apto a dirigir mais tarde. Tati se acomodou e tentou descansar, mas não conseguia . Eu sentada na poltrona, também não consegui dormir, rs.

Até que vimos o sol raiar e decidimos usar o chuveiro. Sua mãe havia chegado e estava preocupada com a filha. Tati sentia um alivio muito grande no chuveiro, mas tinha medo de ficar tonta e cair. E o friozinho da manhã estava incomodando também. Ficamos assim entre bolsas de água quente, massagens, chuveiro até perto da hora de sair.  No carro as contrações se mantiveram em 5-5 minutos, as vezes um pouco mais, um pouco menos. E Tati conseguiu dar umas cochiladas boas no carro, assim como a doula, rs.

Chegamos no Hospital Divina Providência, Daniel e eu esperamos um pouco, até que fui autorizada pela Dra. Ana Claudia a entrar e ficar com a Tati que já estava com 5 cm!! Estávamos felizes por chegar com algum sinal de progresso. Fiquei com ela no Bloco de recuperação até vagar o quarto PPP. Nesse meio tempo foram algumas apertadas de mão, massagem na lombar, doula comendo barrinha de cereal (já era meio dia, e tinha que ficar em pé mesmo sem fome) até irmos para o quarto.



No quarto foram feitas as perguntas de sempre, avaliação da Tati e do bebê, e depois entrou o pai e começamos os trabalhos. Muito chuveiro, aguá morninha junto com a bola no box, gemidos, cromoterapia, com a luz verde no quarto e banheiro, massagens, posições, rebolados, apertos de mão, chuveiro, bola, massagem.... algumas avaliações, conversa, até que foi feita uma avaliação a noite e Tati continuava com 7 cm. Mais bola, chuveiro, rebolados, agachamento junto com o marido, que não saia de perto, até que o cansaço era demais para suportar.




















Já havíamos passado de 24 horas de trabalho de parto. Tati aceitou tomar um remédio para relaxar possibilitando que descansasse e ficasse recarregada para continuar. Nesse meio tempo ela comentou que a Milena estava posicionada de maneira estranha, que ela sentia algo errado, mas a bebê estava bem pelos exames. O remédio foi dado, mas deu o efeito contrário, raro, ela ficou ligadona, a mil, não conseguia parar, andava de um lado para o outro, rs. Demos boas risadas!



Mais um tempo se passou entre chuveiro, bola, massagem, caminhada, banheiro, até que Tati decidiu pedir analgesia.  Foi aplicada a analgesia, mas minha doulanda não sentiu um grande alivio, estava incômodo, dolorida, e depois da analgesia Dra. Ana decidiu fazer outra avaliação, que constataram os mesmos 7 cm. Conversamos, e a Dra. sugeriu para Tati colocar ocitocina, para diminuir o intervalo da contrações que ficaram de 4-4 minutos, as vezes menos, e ver se teríamos progresso. Tati aceitou. Passado um pouco mais de hora, Tati pediu que a Dra. fizesse uma avaliação do quadro, e o que poderia ser feito, pois estava cansada, dolorida, com medo, e não sabia mais o que fazer.

Depois de conversarem Tati optou pela cesárea. Eu não pude assistir, então decidi ir para casa, dormir para voltar recarregada e ajuda -la com a amamentação e no que fosse necessário. Logo fui informada que Milena havia nascido bem, no dia 21/10, pesando 3.855 gramas e medindo 51 cm. Uma bonequinha como a mãe! E a doula mega feliz por tudo ter ficado bem!




Bem vinda Milena!
Tatiana, te agradeço de coração por me escolher para acompanhar este belo momento, o Nascimento de uma mãe junto ao seu bebê. O que dizer do teu trabalho e dedicação para trazer a Mileninha ao mundo...és Guerreira, não só por passar mais de 1 dia em trabalho de parto, mas por tudo que passou antes disso também. Gratidão minha linda!

Daniel, te agradeço por te manter firme e forte ao lado da Tatiana, sem ti teria sido mais difícil para ela. Grata!

Ana Luisa
Mãe do Bê e da Fifi
Doula
Lembrando que toda criança ÚNICA!


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