sexta-feira, 4 de outubro de 2013

Os alimentos orgânicos, as gestantes, os bebês, sua família! Você pensa no que anda ingerindo? - por Shana Gomes

Gente, este texto é demais, maravilhoso!! Shana parabéns pelo texto, simples, claro e informativo. Com dicas e sugestões. Eu já superei as desculpas, agora é só agir! Vamos lá, vamos mudar e evoluir! Leiam o texto!
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Quando um bebê está no útero, ele se alimenta de tudo que comemos, de nossas emoções, da nossa energia. Isso inclui as conversas que temos, o que vemos na televisão, o que lemos, pois essas também são formas de alimentar o nosso corpo e espírito. Por isso, até mesmo os médicos mais tecnocráticos e não-humanizados assumem que a mulher deve manter-se tranquila, comer coisas saudáveis e pegar leve nos “desejos” pelas guloseimas. Muitas gestantes se agarram nesta justificativa do desejo e acabam se entupindo de porcarias. Na minha opinião, (você é livre para discordar completamente) vontade de comer alguma coisa precisa ser moderada pelo bom senso, claro, sem radicalismos.
Já ouvi gente dizendo “Quando grávida eu só tinha vontade de comer cachorro quente e brigadeiro, comia todos os dias.”. Que lindo, não? Seu bebê, que ainda é indefeso, não tem poder de escolha, tendo que ingerir junto toda essa “preciosidade”. Quanto mais comermos esse tipo de produto, pois como bem diz a minha nutricionista preferida e amiga, a Soninha, o que não vem da terra ou não é preparado exclusivamente com alimentos naturais não é comida de verdade é produto, mais estaremos nos contaminando, suscetíveis a doenças físicas e psicológicas. E assim o mundo vai adoecendo e a indústria farmacêutica lucrando bilhões. Você percebe? É um ciclo vicioso pelo qual somos engolidos ingenuamente e assim vamos vivendo como gado, como diz a minha amiga Amanda, aqui do Parto Alegre. Cabe a você sair desta roda.
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CLIQUE NA IMAGEM PARA VER A PRÉVIA DO DOCUMENTÁRIO!
Estamos num momento crítico com relação ao cultivo de alimentos em nosso planeta. A própria palavra “cultivo” vem sendo totalmente denegrida, pois quando pensamos no seu significado, nos vem a idéia de dedicação, amor, como cultivar uma amizade. Atualmente, a grande maioria das coisas que estão no supermercado são literalmenteproduzidas. Sim, são produtos que passam por máquinas, banhos de químicos altamente tóxicos, radiação e levam quantidades astronômicas de conservantes, espessantes, acidulantes e outros “antes” piores ainda.
Por outro lado, a força do bem também está atuante e o cultivo dos orgânicos vem crescendo cada vez mais no nosso Brasil-sil. Sim, isso é motivo de grande alegria, as feiras estão cada vez mais cheias, existe um movimento bacana acontecendo e a imprensa que fica fora dos grandes veículos vem denunciando o perigo dos agrotóxicos que são derramados nas plantações. Além disso, ainda tem o problema dos transgênicos…sim, mais essa! Aquele arroz clássico que você comeu a vida toda, aquela farinha de milho da polenta do domingo, sim, pode ser tudo feito com sementes geneticamente modificadas, além de quase tudo que leva soja. Por que será que muitos bebês têm apresentado alergia à proteína da soja? Porque além de ser muito difícil para o organismo humano digerir, ainda mais um recém nascido, a grande maioria da soja que chega até nós é transgênica. Nem os animais escapam, quase todas as rações contém transgênicos – vide o símbolo “T” (Por que será que muitos animais domésticos desenvolvem câncer? Bom, isso já é outra discussão.)
Falando por experiência própria, já achei muito difícil a idéia de ter que ir à feira de orgânicos. Sempre vem aquela desculpa: Ahhhh, mas sábado é o único dia que eu tenho para dormir até mais tarde, é muito caro, blá blá blá. Raramente eu ia à feira de orgânicos. Acabava comprando tudo no supermercado mesmo, até durante a gravidez.
Eu ainda não havia sido convencida do tamanho do problema e infelizmente acabei alimentando minha filha, ainda na barriga, com um monte de frutas e verduras envenenadas pelos agrotóxicos. Já vi gente aqui em casa pegar uma abobrinha orgânica e dizer: É igual a do supermercado! Santa ignorância.O que você queria? Que as abobrinhas e outros legumes não orgânicos tivessem verrugas, vermes parecidos a alienígenas? Não, né! A grande indústria alimentícia faz de tudo para enganar a todos e lucrar, lucrar, lucrar. É esse o único objetivo. E consegue isso graças às propagandas ridículas na televisão que fazem você acreditar que um caldo de carne é cheio de “amor”, que quem come margarina tem um casamento de sucesso, quem toma cáca-cola é feliz e outras bizarrices mais. Graças aos deuses e às redes sociais, comecei a
dar-me conta que o buraco é bem mais em baixo e mesmo antes de a minha filha começar a comer sólidos entramos no ritmo da feirinha, como carinhosamente chamamos, aqui em casa. Aí, além da conscientização, foram brilhando as opções além-feira. Calma, vou listar todas elas (as que conheço) no final deste post!
feira-organica-placa2O movimento de inserir a ida à feira orgânica na rotina trouxe junto a quebra de vários tabus. O primeiro deles foi o “é difícil”. Tudo que nos é desconhecido e fica fora do lugar comum, soa como dificultoso. Entretanto, quando conseguimos avançar e mudar, nos damos conta do benefício que estávamos perdendo. Ao longo das semanas, a ida à feira tornou-se muito prazerosa (eu freqüento a do bairro Menino Deus). Encontramos vários amigos, fizemos novos amigos, conhecemos face a face de quem produz o alimento que vem para as nossas panelas. Isso é realmente muito gratificante. Conversamos com as pessoas, descobrimos em quais cidades são cultivados esses alimentos, vamos ensinando para a nossa filha o que é cada coisa, mesmo que ela ainda nem saiba falar, tenho certeza que compreende. Além disso tudo, ainda degustamos vários quitutes deliciosos como café da manhã, tomamos um suco maravilhoso feito na hora. Quem serve o suco é um dos próprios agricultores que plantam as laranjas. Não sei para vocês, mas para mim isso é muito bom, essa relação afetiva com os alimentos literalmente não se compra no supermercado!
Agora você deve estar pensando, ou já pensou antes: Estou num blog sobre parto e gestação, por que estão falando em comida? Simples de responder. Como disse a minha querida amiga Luísa, também aqui do Parto Alegre, a humanização começa na gestação e no parto, mas se estende por muitos outros aspectos da nossa vida. Alimentar bem seu bebê é humanizar, ter uma gestação tranquila e consumir bons alimentos durante esse período tão maravilhoso e transformador, é humanizar.
Voltando ao assunto da quebra de paradigmas da ida à feira orgânica: “é caro”. Muitas pessoas dizem isso, mas muito “inteligentemente” sem saber. Sim, existem coisas caras na feira, assim como existem no mercado e você não é obrigado a comprá-las se não quiser. Falando em preços, é só dar uma consultada rápida em um site de uma grande rede de supermercados, analisando os produtos da estação, disponíveis nas feiras.
Pão do supermercado: um mais baratos custa por volta de 4 ou 5 reais. O da feira, feito com farinha orgânica custa a mesma coisa.
Suco de caixinha de Uva, custa por volta de 4 reais também e além de ter mais açúcar que um refrigerante é cheio de outras porcarias. O da feira de 500ml concentrado, que rende o dobro, custa o mesmo.
Iogurte: Os de litro no mercado custam por volta de R$ 4,50. Com mais 2 reais você compra a versão orgânica… pense rapidamente em quantas coisas desnecessárias você gasta 2 reais!
Cenoura: Com R$ 3,50 você adquire um lindo “ramalhete” de cenouras cheirosas e frescas, que ainda vêm com a rama bem linda, que muitos aproveitam para fazer omeletes, usar no feijão. No mercado o quilo vale aproximadamente isso ou mais. É só olhar aqui!
Couve manteiga: Tcharam!!!! Mais barato na feira, custa R$ 2! No supermercado custa R$ 2,40 (estou vendo os preços do Nacional, é o único que disponibiliza online).
Beterraba: Estou vendo aqui que 700 gramas de beterraba embalada custa R$3, na feira com R$ 3,50, assim como a cenoura, se compram lindas beterrabas.
Alho-poró: Pasmem. No supermercado custa o DOBRO do preço da feira, onde se compra por R$ 1.50 a unidade.
Arroz: Aquele clássico Tio João custa R$ 2,88 (o quilo) no mercado citado acima, o da feira custa R$ 3. Comprando na feira você está ajudando muitas famílias que resolveram sair do ciclo das grandes plantações e resolveram agir de forma mais ética e ecológica.
Veja aqui uma tabelinha do Greenpeace sobre as marcas que vendem arroz transgênico.
Feijão: Alguns feijões custam no supermercado R$ 7 o quilo e nem são os “top”. Na feira, o quilo do feijão custa 6 reais. Lembrando que estou tendo como base os valores da feira do bairro Menino Deus, em Porto Alegre, porém esses valores costumam regular com as demais feiras e entrepostos de produtos orgânicos.
Estes, entre outros itens, não são caros, não têm valores abusivos e estão milhas e milhas de qualidade a frente do que se compra no supermercado. As bananas, laranjas, bergamotas, todas têm preços ótimos na feira, ou seja, mais um mito derrubado. Comprar orgânicos NÃO É CARO PESSOAL!!!
248177_310304692392687_504801105_nUma última questão: Se você é daquelas que se orgulha em dizer que amamentou seu filho, que pratica a amamentação prolongada etc., parabéns, mas você já parou pra pensar no que o seu filho anda ingerindo além do seu leite? Que qualidade tem esse leite que você produz? Ele é produzido pelo seu organismo tendo como base uma alimentação saudável? O leite materno é o alimento mais completo que existe para humanos, então, quando seu filho deixa de mamar, deve consumir alimentos que cheguem pelo menos aos pés do leite materno! Por isso e por outros vários motivos, comer orgânicos se torna essencial.
Durante o último ano minha alimentação tem sido quase 100% orgânica. Vi muitos benefícios nisso ao longo do tempo. Fui ficando muito mais seletiva com tudo que como, me alinhei com o que está disponível em nossa terra na estação, peguei menos resfriados, entre outras coisas.
Car@ leitor(a), se você chegou até esse ponto neste texto, agradeço muito a paciência e a disposição, creio que tenha sido válido. Esse assunto poderia continuar se prolongando ainda mais, mas é bom ir parando para não assustar possíveis leitores com o tamanho do post.  Abaixo vou listando várias possibilidades de lugares para se comprar orgânicos na cidade.
Aproveite, mude, evolua e ajude o mundo a mudar!
Um abraço com carinho e esperança
Shana Gomes Mãe da Anahí, doula e fotógrafa.
Mundo dos Orgânicos – Globo Repórter
LISTA DE LOCAIS ONDE SE PODE COMPRAR ORGÂNICOS EM PORTO ALEGRE E REDONDEZAS (Se você quer colaborar com esta lista, envie um e-mail para partoalegre@gmail.com que colocaremos a sua contribuição aqui).

- Feira Ecológica do Bom Fim
Av. José Bonifácio (em frente ao parquinho infantil da Redenção)
Porto Alegre |RS
Somente aos sábados, das 7h às 12h30.

- Feira Ecológica do Bairro Menino Deus
Av. Getúlio Vargas (no pátio da Secretaria Estadual da Agricultura)
Quarta-feira das 13h às 19h.
Sábados das 7h30min às 13h.

- Feira Ecológica Tristeza
Av. Otto Niemeyer esquina com a Av. Wenceslau Escobar (perto do Zaffari, em frente à igreja)
Sábados das 7h às 12h30min.

- Feira Mulheres da Terra
Campus central – Av. Paulo Gama, 110 – Bairro Farroupilha – Porto Alegre – Rio Grande do Sul
Terças-feiras das 15h às 18h30min e Quarta-feira no campus do Vale.

- Viverde Orgânico
Cestas de orgânicos entregue em casa
(51) 8223.7124
viverdeorganico@hotmail.com
www.facebook.com/viverde.organico

- Loja Seleção Natural
Venâncio Aires, 531  - Porto Alegre
Fone/Tele-entrega: 3026.7070
E-mail: selecaonatural@terra.com.br
Seg. a Sexta. Das 9hs às 19h30minh
Sábados das 9hs às 18hs.

- Restaurante Nova Vida
Rua Demétrio Ribeiro, 1182 – Centro Histórico – Porto Alegre / RS
Telefones: (51) 3226-8876
Horário de atendimento: De segunda a sexta, das 8h às 19h.
Sábado, das 8h às 15h.

- Viver Bem Alimentos Macrobióticos
Rua Doutor Armando Barbedo, 269 – Tristeza – Porto Alegre / RS
Telefones: (51) 3012-3020
De segunda a sexta, das 9h às 19h. Sábado, das 9h30 às 18h.

- Mercado Público de Porto Alegre
Banca da Reforma Agrária

- Mesa Natural – Alimentos Orgânicos Certificados
Avenida Caçapava, 551 – Bairro Petrópolis – Porto Alegre
Telefone: 51 9813-9913 / 3388-5400

- Paz da Mata – Alimentos Naturais
https://www.facebook.com/cristinapazdamata/media_set?set=a.121664091346306.20673.100005081473610&type=1
Falar com Cristina Pazdamata, ela também tem uma Kombi que passa aos sábados pela cidade, modelo feira itinerante.

- Feira ecológica em Morro Reuter
Todas as quartas e sábados pela manhã.

- Feira ecológica em São Leopoldo
Todas as quartas pela manhã.

- Feira ecológica na Lomba Grande, NH
Todos os sábados pela manhã.

Links e vídeos interessantes:

Teste do microondas 

Crianças de escolas municipais de SP terão alimentos da reforma agrária e sem agrotóxicos

Thrive Movement – Documentário interessante que também fala dos orgânicos, vacinas, etc. (com legendas em PT)

- Brasil orgânico
www.facebook.com/brasilorganico

Documentário Muito Além do Peso

Sete alimentos transgênicos que você deveria evitar

Os tipos de alimentos mais prejudiciais à saúde

Alimentos infantis proibidos pela Anvisa

Matéria sobre a riqueza da couve

Coluna de alimentação do site Vila Mamífera

Orgânicos possuem mais nutrientes do que alimentos convencionais

Globo Ecologia sobre orgânicos

Daqui

quinta-feira, 3 de outubro de 2013

Parto Domiciliar Planejado: algumas coisas que talvez você não saiba - por Ana Cristina Duarte

ANA CRISTINA DUARTE, OBSTETRIZ PELA USP E INSTRUTORA EM CAPACITAÇÃO DE DOULAS, É COORDENADORA DO GRUPO DE APOIO À MATERNIDADE ATIVA (GAMA).


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Vejo muita gente dando palpite sobre parto domiciliar, especialmente profissionais de saúde, onde demonstram claramente que não fazem a menor ideia do que estão falando. Ouviram um pássaro cantar e já vão falando que é o Galo da Serra, sem nunca terem nem ouvido esse canto, muito menos visto a espécie. Achei por bem enumerar alguns fatos sobre o parto domiciliar planejado (PDP) que podem derrubar alguns mitos.


1) Qual gestante pode ter um PDP?
Gestantes saudáveis, com pré natal sem intercorrências, com um bebê único, posicionado, com mais de 37 semanas, com trabalho de parto espontâneo (não induzido)

2) Até onde vai o PDP? Ou até quando a gestante não pode mais mudar de ideia?
Vai até onde estiver seguro e sem intercorrência ou sem suspeita de possível intercorrência. Batimentos cardíacos fetais normais, mãe em boas condições. A qualquer sinal de possível intercorrência, a opção de retaguarda será acionada e o parto passa a ser hospitalar. A gestante pode mudar de ideia a qualquer momento e ir para o hospital para analgesia ou o que mais quiser.

3) Como se sabe que está tudo bem?
Através dos controles periódicos dos batimentos cardíacos do bebê e dos sinais vitais maternos, o que ocorre durante todo o trabalho de parto.

4) Como esteriliza a casa ou o quarto para o parto?
Isso não existe, nem no hospital, nem em casa. O que se faz no hospital é a limpeza da sala entre um parto e outro com materiais de limpeza, mas a única coisa que é esterilizada no hospital é o que entra em contato com o parto em sim, com as cavidades, cortes, etc. Em casa é a mesma coisa, o que for entrar em contato com "aberturas corporais" estará esterilizado. A questão que preocupa na contaminação hospitalar é o contato da gestante com virus e bactérias que causam doenças e que sempre estão presentes em ambientes hospitalares. Em casa essas bactérias não existem, não houve cirurgias anteriores, tratamento de doentes, nada disso. 

5) Mas e o pós-parto? Como fica a bagunça do parto? Quem cuida do bebê?
Após parto a equipe limpa toda a casa e elimina todos os vestígios do atendimento, materiais com sangue, restos, etc.. Com relação ao bebê, assim como no hospital, após ser examinado e vestido, ele fica sob cuidados dos pais em alojamento conjunto, o mesmo ocorre em casa. Os profissionais farão as visitas pós-parto e estão de prontidão para uma visita imediata durante toda a semana posterior ao parto.

6) Quem é o profissional que atende esses PDP?
Enfermeiras obstetras, obstetrizes e médicos podem atender esses partos. Doulas não podem atender partos, elas podem dar assistência emocional, apoio, mas não atendem os partos. As equipes são compostas pelo menos de um profissional desses anterioremente citados, podendo chegar a três profissionais, sendo que todos são capacitados para o atendimento de emergências obstétricas e reanimação neonatal

7) Quais procedimentos podem ser feitos num PDP?
Nenhum procedimento. Para acelerar, induzir, usar fórceps, etc, a gestante é levada ao hospital.

8) O que esses médicos/enfermeiras/obstetrizes levam para o atendimento em casa?
Todo o material estéril (agulhas, seringas, campo estéril para sutura, agulha de sutura, anestésico local, material de sutura, luvas, antisséptico, etc).
Todo o material de reanimação neonatal (tapete aquecido, ambu, máscara, cilindro de oxigênio, material de aspiração, material de transferência, etc).
Todo o material para emergência pós-parto materna (soro, material de punção venosa, drogas anti-hemorrágicas, etc).

9) Tem ambulância na porta?
Não, nenhum país que tem atendimento de parto domiciliar tem ambulância na porta. Essa é apenas mais uma lenda urbana sobre parto em casa.

10) E se acontecer alguma coisa?
Vamos separar o que seria esse "alguma coisa", para facilitar.

a) Com o bebê: se precisar de reanimação, reanima-se em casa, como numa sala de parto qualquer, com ventilação positiva. São as mesmas técnicas e materiais. Mas e se for tão grave que precisar adrenalina? Bebês saudáveis, de pré natal saudável, em partos naturais de termo sem intervenção não necessitam adrenalina. Olhe retrospectivamente para todos os casos de adrenalina e você verá que eram partos prematuros, ou bebês doentes, ou partos absurdamente medicalizados. Se ele tiver alguma malformação inesperada e grave, ele será mantido sob ventilação e transferido para um hospital com UTI neonatal, tal qual se faz em qualquer hospital ou cidade onde não existe UTI neonatal.

b) Com o parto: se for parto pélvico de surpresa, deixa-se nascer com as técnicas normais de parto pélvico; se for distócia de ombros, resolve-se igualmente com as mesmas manobras hospitalares; se precisa de fórceps é porque já era um parto complicado, transfere-se ao longo do parto; se os batimentos não forem bons, transfere-se; se houver mecônio em baixa quantidade e batimentos normais, aguarda-se o parto; se houver muito mecônio ou batimentos anormais, transfere-se.

c) No pós parto: se houver hemorragia, corrige-se com ocitocina, ergotrate e reposição de líquido; placenta retida, transfere-se para remoção no hospital; atonia uterina não é uma entidade de partos normais sem medicalização, mas em tese tranfere-se também. Se houver laceração, os três profissionais têm autorização, técnica e material para suturar sob anestesia local em casa.

11) E dá tempo de resolver?
Os estudos internacionais sobre PDP com equipe experiente mostram que o risco de mortalidade/morbidade não muda em casa ou no hospital e que o PDP é uma opção segura para gestantes de baixo risco. Isso não quer dizer que nada pode acontecer. Mesmo em países com baixíssima taxa de mortalidade, cerca de 1 a cada 500 bebês não viverá fora do útero. E isso poderá acontecer em casa, no hospital, no Brasil, na Dinamarca, nos Estados Unidos.

12) Mas estar no hospital não faz tudo ser bem mais rápido?
Na prática e em geral não. Tirando raras exceções, uma cesariana "de emergência" vai ocorrer num prazo aproximado de 30 minutos, às vezes até 1 hora, às vezes mais. A maioria dos hospitais brasileiros não possui anestesista de plantão, ou não há um disponível e livre o dia todo, nem mesmo uma sala de cesariana pronta e reservada. A idéia de que o hospital é um lugar onde tudo está pronto e disponível é irreal e mora mais no imaginário popular do que no bloco cirúrgico.

Mais informações sobre PDP:


segunda-feira, 30 de setembro de 2013

Rifa Book Fotográfico com Graziela Portalette - PD da Doula Analu

Papai, mamãe e bebê. Ja com 20 semanas de gestação!
Olá meus queridos que me seguem e os que gostam de vir aqui dar uma olhada nos post novos!

A maioria de vocês sabem que eu estou gestando novamente, depois de ter me despedido do meu 3º anjinho na 7ª semana de gestação. Naquela gestação nossos planos já eram de um Parto Domiciliar, já havíamos feito uma vakinha e o que foi arrecadado esta na poupança. Agradecemos a todos que colaboraram naquela ocasião. 

Queremos agradecer desde já também a todos que estão nos auxiliando, seja por vakinha rifas e doações de outro tipo. Deus é muito bom conosco e damos graças por ter vocês em nossas vidas! Pessoas de bom coração, de amor imenso e que não fazem julgamento das escolhas do próximo.

Para quem quiser fazer uma doação espontânea na vakinha, aqui esta o link, é rápido e fácil de doar:  http://www.vakinha.com.br/VaquinhaP.aspx?e=214001

Esta postagem vem com o proposito de divulgar a rifa de uma querida amiga, fotografa, talentosíssima que doou um book em DVD de 50 fotos, externo, para rifarmos e arrecadarmos fundos para o parto. 

Como funciona?
Entre no link do evento. Se você não conseguir me mande uma msg in box no facebook.
https://www.facebook.com/events/503854803041933/
Lá você ira encontrar tudo explicadinho de como concorrer a este book maravilhoso!

Não posso deixar de fazer um agradecimento especial a Grazi Portalette pelas fotos. E nem a Ana Paula Maciel que fez a arte para esta rifa. Meninas, gratidão pela ajuda, mesmo!




domingo, 29 de setembro de 2013

Relato de parto da Letícia- nascimento da Alice.

Arte na Barriga!
Segue o relato da Letícia, mamãe da Alice, esposa do Robinson. Lindo e marcante!

"41 semanas.
Acordei às 3hs da madrugada para ir ao banheiro, senti algumas fisgadinhas no pé da barriga. A essa altura, já desconfiei que pudesse ser o tão esperado momento que estivesse começando. Voltei para cama e não durmi mais. Passava de tudo pela minha cabeça, não tinha certeza se era trabalho de parto começando, mas desejava muito que fosse.
Até as 5:30hs as coliquinhas vinham em intervalos de 10 minutos. Acordei o Robinson e contei que alguma coisa estava começando. 
Fui tomar banho e fiquei mais ou menos uma hora no chuveiro, rebolando na bola suíça. Olhava para o barrigão e não acreditava no que estava acontecendo, eu estava feliz, pois já tínhamos começado a falar em indução com 42 semanas e eu queria muito que tudo acontece naturalmente. Ali no chuveiro imaginava mil coisas, me despedi da barriga e chamei Alice. Estava tudo pronto e o papai estava em casa com a gente.
Esperei as 8hs e liguei para minha mãe. Disse que Alice queria nascer, mas que pelo visto ia demorar, pedi que não falasse para ninguém ainda. Minha mãe veio para minha casa, trouxe um cafezinho...
Avisei a Analu, nossa doula. Eu já sabia que ela estaria no hospital com a mãe que faria uma cirurgia. Por um tempo temi que ela não pudesse estar comigo, mas ela logo respondeu minha mensagem me pedindo para avisar quando a coisa apertasse.
Não procurei descansar e não dormi. Não sabia que tínhamos longas horas pela frente.
Até o meio dia as contrações eram super tranquilas e vinham em intervalos irregulares de 5, 6, 7 minutos, até que parou tudo. Fiquei apreensiva, seria um alarme falso??
Eram quase 14hs quando as contrações voltaram. Tudo muito tranquilo, a dor era mínima.
Eu tinha um certo receio quanto a distância que estávamos do hospital e que quanto mais se aproximasse das 18hs, pior ficaria o trânsito. Também queria a Analu comigo, e como combinamos que nos encontraríamos no hospital, decidi ir logo. Na última consulta eu estava com 3cm e sempre achei que pudesse ter um parto rápido (há há há).
Às 17hs liguei para a dra Ana Claudia, conversamos um bom tempo, ela disse que eu decidiria a hora de ir ao hospital, mas ficou na dúvida se eu estava mesmo em trabalho de parto, pois conversei normalmente com ela durante as contrações.
Eu achei que poderia ser cedo ainda, mas tinha plena confiança na equipe que iria me acompanhar, sabia que não seria pressionada quanto ao tempo e que poderia ficar à vontade no hospital na companhia das pessoas que escolhi para estarem comigo.
Chegamos às 18hs no hospital. Pedi para Dra Ana esperar uma avaliação antes de ir. Me examinaram, 3cm como já estava antes.
Opaaa... o dia todo com contrações e nada? Aiaiaiaia...
A Dra Ana pediu a internação e foi ao nosso encontro.
Entrei na sala de pré parto sozinha, logo chegou a Analu. Que alívio vê-la ali. Em seguida entrou o Robinson e Dra Ana.
As dores eram como cólicas menstruais fortes, bem suportáveis.
Ficamos um tempo na bola, recebi massagem da Ana, o Robinson segurava minha mão. A Dra Ana saia da sala, às vezes aparecia para dar um espiada.


Fui para o chuveiro com minha bola, a água quente aliviava bastante. Ríamos e conversávamos.


Até que começou a perder a graça (rsrsrs). Já não tinha vontade de rir nem conversar.
Às 21hs Dra Ana fez um toque, 6cm. Hoje eu acho ótimo, mas na hora achei pouco. Sabia que o pior estava ainda por vir.
Agora o bixo tava pegando, comecei a andar e vocalizar. Me agarrava no Robinson e me inclinava nas contrações. Tava doendo!! Muitoo! Comecei a me sentir cansada. Por quê mesmo que eu não dormi quando podia???
Senti muito cansaço e sono. Queria fechar os olhos, deitar.  Ana me trouxe chá docinho e bolacha. Comi um pouco, mas a dor já não me deixava ter vontade de nada.
Às 23hs conheci a Partolândia, daí em diante não tenho certeza sobre a hora ou a ordem dos acontecimentos.
Senti náusea, vomitei, não tinha mais forças. Comecei a falar para o Robinson que não aguentava mais, que precisava de analgesia ou anestesia. Ele tentava me convencer de que não precisava, assim como tínhamos combinado.
Dra Ana fez outro toque, 8cm. Senti receio. Estava no meu limite (só que não), não conseguia ter esperança de que iria acabar. Não imaginava a Alice chegando e a dor indo embora. Perdi o foco por alguns instantes.
O cansaço me dominou, pedia para o Robinson avisar a Ana que estava lá fora que eu queria a anestesia, ele tentava mudar de assunto, pois nós tínhamos conversado e eu disse que não queria, mas que provavelmente eu pediria. Ana entrou e eu olhei para ela e disse que eu estava falando sério, que não aguentava mais. Ela me sugeriu um medicamento que não diminuiria a dor, mas espaçaria as contrações, tornando o intervalo entre elas maior, já que quase não tinha mais intervalo e, assim, eu talvez conseguisse descansar um pouco.
Aceitei. Deitei e as contrações espaçaram. Dormia profundamente entre uma e outra. Analu e Robinson se revezavam nas contrações e me davam apoio, massagem, a mão, o carinho.


Fiquei mais ou menos uma hora assim, até que a medicação se foi e a Partolândia voltou com tudo.
Me deu muita vontade de ir ao banheiro, fazer o número 2. Parece que eu não ia segurar. Eram puxos.  Uma vontade de fazer força indescritível. O meu corpo inteiro queria fazer força.
Era a Alice descendo, se encaixando.
Não sentia mais dor, só muita vontade de fazer força.
Ana pediu para examinar, dilatação total e Alice bem embaixo. Me disse para escolher uma posição que eu me sentisse à vontade para o expulsivo.
Sentei na cama e apoiei os pés. Me senti muito confortável assim, me dava impressão de conseguir algum controle quando vinha a contração.


Eu tinha medo de fazer força. É, o medo que até então não tinha dado as caras, apareceu.
O expulsivo foi longo. Eu segurava o que podia. Alice descia e mostrava o cabelinho e voltava. Todos me incentivavam dizendo que Alice estava ali, aparecendo já, que faltava muito pouco.
Resolvi soltar o corpo e empurrar.
Senti que era isso que deveria fazer.
 Empurrei, empurrei e nasceu a cabecinha às 6:40hs. Soltei um grito com vontade, o único grito, não de dor, de alívio. O maior alívio que senti na minha vida.
O corpinho resbalou quentinho. Senti tudo. A sensação é indescritível.


Acabou.
O mundo parou.
Ela veio para mim cheirosinha, quentinha. Me espantei com a bochechuda que ela era. Moreninha, cabelinho preto, totalmente diferente do que eu imaginava. Cabeluda, muito cabeluda.


3,980kg. Era toda minha. Eu não conseguia acreditar. Chorei muito, soluçava. Olhava para o Robinson, olhava para a Analu, fitava a Alice.
Meu Deus! Consegui! Tanto chamei pelo meu Deus durante todo tempo, tantas vezes pedi forças para Ele, pedi ajuda e agora estava ali o presente que Ele nos mandou.
Perfeita, saudável, linda. Demorou um pouco para chorar. Ana não esperou para cortar o cordão, pois meu sangue é negativo e ficou combinado assim. Robinson não quis cortar, estava emocionado como eu nunca tinha visto.



Nada mais doía em mim. Ana verificou uma pequena laceração, meu deu 2 pontinhos.
Deitei meu corpo e parece que nada tinha acontecido. Nenhuma dor. Agora eu tinha minha família, minha herança.
Agradeço as Anas da minha vida pelo apoio e respeito.
Ao Robinson que foi onde encontrei força para ir até o fim. Minha maior emoção foi ver a felicidade dele quando conhecemos a Alice.

Tudo quanto Deus faz é perfeito. Minha família é prova do amor e fidelidade Dele."

segunda-feira, 23 de setembro de 2013

O que são contrações de Braxton Hicks ou de treinamento?

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Você esta gravida, lá pelas 15 semanas, talvez ainda tenha enjoos, um pouco de azia, aquele medo inicial já quase nem aparece, e você de repente sente algo novo e inesperado. Subitamente uma cólica leve aparece e sua barriga começa a se contrair, endurecer...o que é isso? Trabalho de parto? Calma, calma, são as contrações de treinamento. Contrações que preparam a mulher para o trabalho de parto em si. Elas fazem com que a mulher saiba mais tarde identificar um TP real. Vem com um leve endurecer da barriga, nada doloroso, ficam por alguns instantes e passam. Acontecem poucas vezes ao dia, sem ritmo, e geralmente aparecem quando você fica muito tempo em uma posição, ou sentada ou em pé. 
Eu como trabalho muito sentada, pintando e escrevendo, quando me levanto vem uma, bem suave e tranquila. As vezes até a movimentação do bebê pode fazer com que elas apareçam. E o meu anjinho se mexe muito.
Então nada de pânico! Contrações de treinamento então, são poucas ao dia, irregulares, duram menos de 1 minuto, e não são doloridas. Se ocorrer algo diferente, elas vierem cada vez com mais ritmo, doloridas, ligue para seu médico. Pode ser indicio de trabalho de parto e dependendo do seu tempo de gestação, seja trabalho de parto prematura e requer atenção imediata.

Ana Luisa - Doula
Mãe do Bê e da Fifi

quarta-feira, 11 de setembro de 2013

Alimentação infantil - O que é o BLW?

Para aprendermos um pouco mais sobre alimentação infantil, trouxe este texto traduzido pela Simone que é consultora em aleitamento. Este texto esta disponibilizado em um grupo do facebook " Falando sobre Introdução Alimentar", o qual ela administra. Leiam!



BLW ou "Baby Led Weaning" ou algo como o Desmame conduzido do bebê é uma terminologia americana similar ao termo brasileiro "alimentação complementar", em alguns países no Reino Unido o termo também é assim empregado. Embora seja empregado o uso da palavra desmame (weaning) ele não significa que o desmame seja abrupto, mas o "start" do começo do desmame natural pelo bebê à partir da introdução alimentar. A autora sugere também o significado do termo como "auto alimentação". Acredito que seja o mais coerente.

Queremos reforçar que concordamos com a técnica e a praticamos, mas defendemos o aleitamento materno até os dois anos ou mais e principalmente, incentivamos e apoiamos o desmame natural pelo bebê, pois o desmame pertence à ele.

BLW significa deixar que seu filho se alimentar desde o início da introdução alimentar a partir dos seis meses, de acordo com a Organização Mundial de Saúde, baseada em evidências sobre o momento de maturção do intestino do bebê e à conquista da capacidade de sentar, mantendo o esôfago ereto. O termo foi originalmente cunhado por Gill Rapley, uma profissional de saúde e ex-parteira. 

O Método consiste em oferecer os alimentos em dimensões adequadas livremente, em um prato ou até na própria mesinha do cadeirão para que o bebê possa experimentar o alimento independente. Incentiva-se a prática de uma alimentação rica e balanceada o mais possível neste processo.

Essa é a essência do BLW. Sem alimentos batidos, processados ou amassados. O conceito é seu filho comer a comida da família, juntamente com a família e desfrutar junto deste momento prazeroso.

Bebês franceses são incentivados a comer porções reduzidas da alimentaçao familiar desde o começo da complementação. Não é à toa que a França é um dos maiores países de referência gastronômica do mundo. Apreciar e apurar o paladar começa por lá muito cedo. É um bom exemplo!


Por Simone de Carvalho

terça-feira, 3 de setembro de 2013

ROTEIRO ALIMENTAÇÃO COMPLEMENTAR

Encontrei este texto muito bom no grupo do facebook "Falando de introdução Alimentar". Um guia para as mamães e os papais participarem e cuidarem da alimentação de seus filhos.



A escolha dos ingredientes:

Os alimentos que compõem a papinha do bebê devem sempre ter um bom aspecto, uma procedência confiável e estar no prazo de validade. Legumes, verduras e frutas precisam ser bem lavados para retirar vestígios de agrotóxicos. (melhor é investir em produtos orgânicos de boa procedência). Na hora de cozinhar, lave as mãos e evite espirrar ou tossir sobre os ingredientes.

Como fazer a papinha:
Pique os ingredientes escolhidos e coloque em uma panela comum - alguns especialistas acreditam que o cozimento na panela de pressão retira nutrientes importantes. Se utilizar água para cozinhar, perdem-se nutrientes importantes na evaporação e desprezando a água. Cozinhe sempre no vapor para garantir o máximo de aproveitamento. Não bata no liquidificador, no processador ou no mix. Apenas amasse e deixe numa consistência agradável para o bebê. A partir de nove meses ou com os primeiros dentinhos, passe a oferecer o alimento em pedaços e bem cozido. Tempere com ervas, alho ou cebola refogado em um pouco de azeite (sem saturar) e sirva morno. O tempo de preparo é de mais ou menos 40 minutos. Leve isso em conta para administrar a fome do bebê.

Tempo de validade:
A papinha que não foi tocada pode ficar na geladeira por até 24 horas. Mais do que isso, há o risco de a comida estragar. Caso passe desse limite jogue fora. Quando sobrar muito ou você fizer grandes quantidades, prefira congelar.

Como congelar:
Escolha potes do tamanho da porção que seu filho come para facilitar na hora de descongelar. Coloque a papinha no pote, feche, cole uma etiqueta com o sabor e a data, e leve ao freezer. A papinha pode ser consumida em até três meses. Na hora de descongelar, aqueça o conteúdo no fogão, mexendo sempre para não queimar. Evite o uso de microondas. Ele corrompe a molécula de DNA do alimento, de maneira que o corpo não consegue reconhecê-lo como um alimento. O microondas agita as moléculas para se moverem mais rápido e mais rapidamente. Este movimento causa fricção que altera a natureza, deturpando a composição original da substância. Isso resulta na destruição de vitaminas, minerais, proteínas, gerando uma nova substância chamada de compostos radiolíticos, coisas que não são encontradas na natureza. Assim, o corpo fracciona essas substâncias em células de gordura para se proteger do alimento morto ou na busca de eliminá-lo rapidamente.

06 MESES
O primeiro alimento:
A introdução às papinhas começa, na verdade, no momento de oferecer a papa de fruta. Ela pode ser oferecida entre as mamadas da tarde (ou, frutas da época). Escolha frutas molinhas e doces, como polpa de maçã e banana amassada. Observe como o organismo do bebê reage a cada alimento. Depois de uma semana, você já pode introduzir a papinha salgada na hora do almoço.

Ingredientes:
Comece com a papinha salgada também feita com um ingrediente só, como a batata, a mandioquinha, o arroz. Após sete dias, você já pode combinar dois ou três ingredientes.

Tempero:
Nesse primeiro mês de transição, faça as papinhas sem usar nenhum tempero. Evite o uso de sal, e mais tarde, introduza o sal marinho, sem refinamento, em pouca quantidade.

Consistência:
As primeiras papinhas podem ser pastosas como um purê. Depois com o nascimento dos dentinhos, ofereça em pedaços, ora cozido, ora assado ou cru. O processo realizado dessa maneira estimula, no tempo certo, a mastigação, a deglutição, o paladar e a musculatura facial. E com o tempo, irá identificar qual a preferência da criança por determinado alimento, construindo assim um gosto peculiar do paladar pelos alimentos.

Quantidade:
Até quatro colheres de sopa por refeição - mas isso pode variar bastante entre os bebês.

Roteiro do dia

Manhã:
Leite Materno (livre demanda)
Almoço:
Papinha salgada + papinha de fruta
Lanche da tarde:
Leite Materno (livre demanda)
Papinha de fruta
Jantar:
Leite Materno (livre demanda)
Ceia:
Leite Materno (livre demanda)
As primeiras papinhas podem ser de um ingrediente só. Além de a criança conhecer os sabores individuais e já descobrir o que gosta, também fica mais fácil observar quais são os itens capazes de deflagrar alguma reação, como alergia ou diarreia.”
07 MESES
Ingredientes:
Agora que o bebê já está mais acostumado com a papinha salgada, chegou a hora de incrementar as refeições. Primeiro você deve conhecer os três grupos alimentares que precisam aparecer no prato da criança:

· Alimentos energéticos (carboidratos): fornecem energia para o organismo do bebê. São encontrados na batata, arroz, macarrão, mandioquinha, batata-doce, mandioca...

· Alimentos construtores (proteínas): responsáveis pelo crescimento. São encontrados em carnes de boi, de frango ou de peixe, feijão, ovos, lentilha, grão-de-bico etc.

· Alimentos reguladores (verduras e legumes): fornecem vitaminas importantes para o desenvolvimento. São encontrados na abóbora, alface, beterraba, brócolis, espinafre, cenoura, chuchu, abobrinha...

Para montar uma boa papinha você deve escolher:

1 ingrediente do grupo dos energéticos;
1 ingrediente do grupo dos construtores;
2 ingredientes do grupo dos reguladores.

É possível bolar muitas combinações usando a criatividade e, mais para frente, você pode aumentar o número de ingredientes escolhidos, sempre respeitando esse mínimo. Varie bastante para o seu filho experimentar o maior número de alimentos possível.

Tempero:
Continue colocando pouquíssimo ou nenhum sal. Prefira combinar temperos mais suaves para deixar a papinha saborosa. Você já pode introduzir cebola, alho e salsinha, sempre observando as reações da criança. E use os temperos in natura: nada de versões industrializadas, que apresentam excesso de sódio e outras substâncias químicas.

Consistência:
Caso o bebê aceite bem o purê, que tal experimentar deixá-lo mais consistente? Assim, seu filho dá mais um passo no treino da musculatura facial, o que também ajudará na fala.

Quantidade:
De quatro colheradas a uma xícara - isso pode variar de bebê para bebê.

Roteiro do dia

Manhã:
Leite Materno
Almoço:
Papinha salgada + papinha de fruta
Lanche da tarde:
Leite Materno Papinha de fruta
Jantar:
Papinha salgada + leite materno
Ceia:
Leite Materno

08 MESES

Ingredientes:
Não há mudança de ingredientes nessa fase. O ideal é continuar seguindo com o esquema de um alimento energético, um alimento construtor e dois alimentos reguladores para garantir uma papinha balanceada. Aproveite para variar bastante.

Tempero:
Não use sal.. Prefira dar sabor aos alimentos usando temperos como cebola, salsinha e alho. Você já pode arriscar outras combinações temperando com cebolinha, tomilho, salsão... Observe as preferências do pequeno.

Consistência:
Já é o momento de deixar a papinha mais grossa. Amasse os alimentos com o garfo, mas deixe alguns, como a batata que é molinha, picadinha para a criança já se habituar a alimentos mais sólidos.

Quantidade:
De quatro colheradas a uma xícara - essa quantidade pode variar de bebê para bebê.

Roteiro do dia

Manhã:
Leite Materno Almoço:
Papinha salgada + papinha de fruta
Lanche da tarde:
Leite Materno Papinha de fruta
Jantar:
Papinha salgada + papinha de fruta
Ceia:
Leite Materno
“Quanto mais alimentos o bebê conhecer, mais chances de gostar deles no futuro e ter uma alimentação sempre bem variada. Lembre-se de que nem sempre ele apreciará o sabor na primeira vez que experimentar. É preciso oferecer uma comida pelo menos oito vezes para ter certeza de que ela não agrada o paladar do bebê.”

09 MESES
Ingredientes:
Continua valendo o esquema de um alimento energético, um construtor e dois reguladores. Mas você pode colocar mais ingredientes nas refeições, claro, desde que conte, pelo menos, com esse mínimo. Agora é um bom momento para oferecer a papinha com os alimentos separados. O arroz e feijão ficam juntos, cozidos e bem molinhos. Mas a carne moída, por exemplo, pode ficar disposta do outro lado do prato. Assim, a criança começa a se acostumar com uma refeição de verdade.

Tempero:
Continue apostando em cebola, alho, salsa e cebolinha, tomilho, salsão, cominho, orégano, alecrim e o que mais sua imaginação mandar.

Consistência:
Aos nove meses, já é hora de oferecer os alimentos picadinhos. Cozinhe todos para ficarem moles, amasse uma parte e deixe outra em unidades bem pequenas. As carnes podem ser moídas, picadinhas ou desfiadas. Veja o que mais atrai o seu bebê.

Quantidade:
Uma xícara - essa quantidade pode variar de bebê para bebê.

Roteiro do dia

Manhã: 
Leite Materno Almoço:
Papinha salgada + papinha de fruta
Lanche da tarde:
Leite Materno Papinha de fruta
Jantar:
Papinha salgada + papinha de fruta
Ceia:
Leite Materno
10 MESES
Ingredientes:
Capriche na escolha de verduras e legumes. Tradicionalmente, eles são os alimentos mais difíceis para o bebê apreciar - diferente, por exemplo, do macarrão, como você já deve ter notado, que todos gostam. Opte pelas massas orgânicas ou integrais. Ofereça vários tipos para aumentar as chances de apreciação. Outra ideia é mudar a forma de apresentação: um dia in natura picadinho, outro dia misturado ao molho, outro em forma de bolinho. A comidinha agora pode ficar separada no prato, não precisa mais ter a aparência de papinha para valer.

Tempero:
Vale a pena repetir: não há necessidade de usar sal para preparar as refeições. Experimente colocar outros tipos de temperos para realçar os sabores. Outra ideia é usar queijo ralado de boa qualidade e azeite, como fazem os italianos.

Quantidade:
Uma xícara cheia - essa quantidade pode variar de bebê para bebê.

Roteiro do dia

Manhã: 
Leite Materno Almoço:
Comida salgada + fruta
Lanche da tarde:
Leite Materno Fruta
Jantar:
Comida salgada + fruta
Ceia:
Leite Materno
“Para abrir o apetite, uma novidade: deixe o bebê comer sozinho, com as mãos. Eles vão adorar pegar no pratinho pedacinhos de legumes picados, pão, frutas, milho, queijo. Qualquer coisa que possa ser servido em pedacinhos pequenos.”

11 MESES

Ingredientes:
A partir daí, os médicos tradicionais liberam a ingestão de peixe - a polêmica de quando começar a oferecer esse tipo de alimento existe porque ele possui proteínas que causam alergias. Mas, nessa fase, o organismo já está mais preparado para lidar com elas. As versões com sabor suave, como a pescada, são as melhores para a introdução. Sempre fresco e não congelado. O peixe precisa ser muito bem limpo e não ter espinhas. O lanche da tarde também pode virar um lanche de verdade, com direito a pão, torradas e cereais.

Tempero:
Continue experimentando usar ingredientes diferentes em cada refeição para testar o que seu filho gosta. Existem crianças que não simpatizam com o sabor do alho, por exemplo, enquanto outras adoram. E policie o uso do sal.

Consistência:
Os alimentos picadinhos continuam no prato. Isso não impede que, caso o bebê não consiga comer algo, você amasse para ele. Use o bom senso para ver o quanto seu filho está se adaptando e não tenha medo de dar um passo para trás, se for preciso.

Quantidade:
De uma xícara cheia a um prato infantil.

Roteiro do dia

Manhã:
Leite Materno Almoço:
Refeição salgada + sobremesa (fruta da época e evite industrializados com conservantes, corantes e açúcar).
Lanche da tarde:
Lanche Leite Materno
Jantar:
Refeição salgada + sobremesa (fruta da época e evite industrializados com conservantes, corantes e açúcar).
Ceia:
Leite Materno


12 MESES

Ingredientes:
O organismo do bebê de um ano já está preparado para comer a mesma comida da família. Mas sempre é bom adaptar, pois ele não vai apreciar certos sabores. No dia em que o cardápio tiver frango ao curry, por exemplo, separe um filé temperado apenas com sal e salsinha para a criança. E continue oferecendo o alimento picado e mais mole se preciso, para incentivar seu filho a comer. A clara de ovo, agora, é liberada por todos os médicos.

Tempero:
A ideia é continuar temperando a comida da criança como antes, sempre cuidando para a quantidade de sal ser mínima. Quando a refeição da família levar algum tempero mais picante, separe uma parte para seu filho e use apenas temperos suaves. Ou, é uma boa hora para readaptar a alimentação familiar, tornando-a um hábito saudável.

Quantidade:
Seu filho comerá cerca de um prato infantil em cada refeição, mas isso não significa lotar o prato. O estômago da criança é pequeno - a capacidade gástrica de um bebê de um ano, por exemplo, é de 250 ml, enquanto a de um adulto é de 1300 ml.

Roteiro do dia

Manhã:
Leite Materno
Suco Natural ou fruta (você pode, em um final de semana, por exemplo, picar as frutas da semana, bater e congelar na grade de gelo, tendo cubinhos de suco para preparar com mais facilidade e praticidade).
Almoço:
Refeição salgada + sobremesa
Lanche da tarde:
Lanche Leite Materno
Jantar:
Refeição salgada + sobremesa
Ceia:
Leite
Lanche:
Alguns bebês tem necessidade de comer algo a mais antes de dormir, como um biscoito integral ou um mingau de aveia.
“A partir de um ano, você pode começar a oferecer mel ao bebê. Antes disso, a criança corre o risco de contrair botulismo, caso o mel esteja contaminado pela bactéria clostridium botulinum, nociva apenas aos mais sensíveis”. 

Adaptação: Simone de Carvalho

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