quarta-feira, 17 de setembro de 2014

Relato do parto natural da Raquel pela doula

Raquel e eu nos conhecemos através de nossa querida instrutora de yoga, a Ana Mello. Marcamos de nos encontrar na casa dela para conversarmos e, desde aquele momento eu era a doula dela. O tempo estava apertado, pois Raquel já estava entrando no 9º mês e Daniel mostrando que queria vir! Nos encontramos mais algumas vezes e conversamos, e assim nos preparamos tudo o que foi possível. Logo Raquel recebeu instruções da Dra. Ana Claudia para ficar de repouso e ela assim o fez, pois ela queria que ele viesse depois das 38 semanas.

Assim foi, Daniel se comportou direitinho, e no dia 08 de novembro de 2013 a bolsa estourou bem no meio da aula de Yoga. A Ana Mello me ligou avisando e pedi que dissesse a Raquel para ir para casa que eu estava indo também. Um tempinho depois com a Raquel já em casa, começaram as contrações constantes e intensas. Ela já esta com colo bem apagado e com pouca dilatação, então não quis esperar muito em casa, já que íamos pegar estrada de Gravataí a Porto Alegre.

No carro, em cada contração, Raquel respirava e deixava fluir. Quando chegamos ao hospital Dra Ana já estava lá, a avaliou e a dilatação estava completa! Agora era colocar esse anjinho pra fora. Aos poucos Raquel foi se sentindo, se entregando mais e achando a melhor posição em cada contração. Decidiu ficar sentada na maca, agarrada na barra de ferro. O maridão deu todo apoio ficando ao lado, sem esmorecer.


Aos poucos, sem pressa Daniel foi descendo, até que pouco mais de hora ele nasceu, grandão e lindão, com chorinho gostoso de ouvir!! Nasceu pesando 3485 gramas e medindo 50 cm. Raquel e o marido se apaixonaram de cara pelo pequeno. Momento lindo e marcante!









Depois ficamos um tempinho ainda na sala de parto esperando leito na recuperação. Eu segurei o Dani para a mamãe descansar um pouquinho, e babei muito imaginando meu pequeno Joaquim que estava em meu ventre naquele momento, rs. Peguei emprestado o bebê! Depois de um tempinho mais, me retirei e deixei mais uma linda família que acabara de se formar!

Raquel, gratidão por me deixar te acompanhar no momento mais especial da vida de uma mulher! Foste incrível!
Papai também foi maravilhoso apoiando a mulher neste momento!

Daniel é um lindão!!
<3

quinta-feira, 28 de agosto de 2014

DICAS DE LEITURAS

Este Post de hoje é para dar dicas de leituras sobre gestação, partos, nascer e afins:

Memorias do Homem de Vidro - Reminiscências de um Obstetra Humanista -  Ricardo Jones - O obstetra mostra no livro um modelo de médicos em colaboração com parteiras, enfermeiras e doulas, apoiando as mulheres enquanto estas reivindicam para si o poder e a majestade do parto.

Entre as orelhas - Histórias de Parto - Ricardo Jones - " O parto e seus mistérios se escondem ao olhar superficial, à analise tímida e ao investigador amedrontado."

Parto Normal ou Cesárea? O que toda mulher deve saber (e homem também) - Simone G. Diniz e Ana C. Duarte. Guia prático para usuários que expõe as evidências científicas e as opções para o atendimento ao parto.

Parto com Amor - Em casa, com parteira, na água, no hospital: Histórias de nove mulheres que vivenciaram o parto humanizado / Luciana Benatti e Marcelo Min - Relatos comoventes com fotos de extrema delicadeza e sensibilidade.

Parto Ativo - Guia prático para o parto natural - Janet Balaskas - Os exercícios apresentados neste livro, baseados no Yoga para a gravidez, vão conduzir a mulher aos seus próprios instintos naturais para o trabalho de parto e para o parto

Mulher, Parto e Psicodrama - Vitória Pamplona - Este trabalho pioneiro apresenta a possibilidade de realização de partos criativos, espontâneos e tranqüilos através de uma metodologia de preparação de gestantes que se utiliza de técnicas psicodramáticas. A quebra de tabus como o da dor e do medo do parto coloca uma nova realidade para as mulheres e oferece-lhes uma opção e uma qualidade de vida mais saudáveis. Especialmente recomendado para doulas e profissionais que assistem pré-natal e parto.

Humanizando Nascimentos e Partos, Daphne Rattner & Belkis Trench - Médicos, psicólogos, pediatras, parteiras e educadores analisam os partos e nascimentos sob uma ótica pouco comum nos dias atuais, privilegiando o aspecto humano numa sociedade dominada pela técnica.  Especialmente recomendado para doulas e profissionais que assistem pré-natal e parto.

A Doula no Parto - O papel da acompanhante de parto - Fadynha - O livro traz as informações mais importantes sobre o papel dessas mulheres e técnicas importantes para o seu trabalho. Especialmente recomendado para Doulas.

O Renascimento do parto- Michel Odent - Odent conta como foi sua experiência em assumir a direção do setor de maternidade do hospital da pequena cidade de Pithiviers em Paris.

A Cesariana - Michel Odent - Levantar questões fundamentais como: Por que o índice de cesarianas é de 10% em alguns lugares e de 50% em outros? Por que devemos adotar uma postura diferente em relação às cesarianas sem trabalho de parto, cesarianas com trabalho de parto e cesarianas de emergência? Quais são os primeiros micróbios que entram em contato com o bebê que nasce por cesariana? Quais as conseqüências a longo prazo de nascer por cesariana? O que a mãe e o bebê perdem por não terem um parto vaginal?

Shantala - Massagem para bebês - Frederic Leboyer - Shantala tornou-se um livro famoso em todo mundo, editado em inúmeros países. Além do aspecto científico, Leboyer conciliou poeticamente as explicações da técnica de massagem com a sabedoria milenar de seu uso. Um livro belo e importante para a mãe e o bebê.

Meditações para Gestantes, O guia para uma gravidez saudável, plena e feliz- Fadynha. São apresentadas diversas técnicas que promovem paz e harmonia à gestante e, conseqüentemente, ao seu filho. O livro vem acompanhado de CD com exercícios de mentalização e meditação especiais para a gestante. Ele ensina, passo a passo, a relaxar, a entrar em maior contato com a criança em formação, a conversar com o bebê e a preparar a mãe para o parto da maneira mais tranqüila e positiva. Especialmente recomendado para grávidas.

Yoga para Gestantes - Fadynha - Numa linguagem clara e inteligente, acompanhada de muitas imagens, Fadynha celebra o yoga com sabedoria e intuição, apresentando dezenas de posturas selecionadas ao longo de seus 30 anos de trabalho com gestantes. Especialmente recomendado para grávidas.

Gravidez Natural - Janet Balaskas. Um guia holístico para o seu bem-estar desde a concepção até o parto . O livro aborda de forma clara e muito bem ilustrada as emoções, nutrição, ioga e exercícios, massagem, terapias naturais e cura holística para os desconfortos da gestação. Especialmente recomendado para grávidas.

A Vida do Bebê no útero - Petter Nathanielsz - Como a alimentação e o estado emocional materno influenciam a saúde do bebê por toda a vida.

segunda-feira, 11 de agosto de 2014

Já pensou em plantar uma horta com o seu vizinho e trocar alimentos com ele? É possível!

Já pensou em plantar uma horta com o seu vizinho e trocar alimentos com ele? É possível!

sábado, 2 de agosto de 2014

Vamos falar sobre Depressão Pós Parto?

Estou há um tempinho querendo escrever este texto (na verdade escrevo ele de pouquinho em pouquinho, quando as crias liberam, (hehe) e queria também compartilhar outro texto com, na minha visão, boas maneiras de se combater a DPP. Depressão pós parto pelo que percebo é meio Tabu. Não falemos para não pegar a doença, ou, isso não existe é frescura da mãe, entre várias outras coisas que se falam sobre. Mas não se fala muito, não se explica o que é, o porquê de acontecer, do que se trata. Não vejo nem em blogs sobre maternidade que acompanho se abordar o assunto, no que ao eu ver é fundamental, faz parte do universo da maternidade para muitas de nós. Já abordei este assunto aqui no blog, quando falei da minha DPP que tive com o meu primeiro filho. Foi triste, mas superado, graças a Deus!

Pois bem, agora passando por outra DPP, há qual me trouxe sentimentos, pensamentos e vivências intensas, e a qual esta praticamente superada (uhuuuuu), toco novamente no assunto. Sim, DPP existe, é chato, não é frescura, tem haver com os hormônios e você experimenta pensamentos que te deixam transtornada, abatida, triste, sem forças, sem rumo, sem esperança em alguns momentos... Em algumas mulheres ela vem com mais força, são os casos que levam a mulher a ter pensamentos de machucar seu bebe. Em outras é uma tristeza pura, uma insegurança, sentimento de incapacidade de cuidar do seu bebê e também vontade de não cuidar do bebê. Muitas vezes acompanhada por medo e ansiedade enormes!
O tratamento para algumas é simplesmente psicoterapia, para outras medicamentos, para outras (no meu caso) medicamento e psicoterapia. Existem tratamentos alternativos, que podem ser feitos junto com os tratamentos convencionais, e que serão abordados no texto que compatilharei a seguir. Além dos tratamentos convencionais, eu faço tratamento com Reiki, florais, e fui liberada do acupunturista há alguns dias (eeeeeeeeh).

Segundo meu psiquiatra, o que aconteceu foi um apanhado de acontecimentos, que me demandaram bastante durante a gestação do Joaquim, junto com o episódio da internação dele com 13 dias de vida no hospital, devido a uma pneumonia (que me pegou totalmente de surpresa, que teria me causado um estresse pós traumático), mais a desregulação hormonal, tudo junto, me abateram muitissimo, me deixando no estado de “trapo humano”. Com 30 dias de vida do Joaquim, comecei a me perceber estranha, muito chorona, abatida, medrosa, com medo de cuidar do meu filho (afinal, como não percebi que ele estava com pneumonia, a culpa e incapcidade eram minhas (era o que eu pensava)),  não conseguia ouvir o chorinho do Kim que entrava em pânico, cheguei a cogitar dar uma mamadeira pra ele para não ouvi-lo chorar seguido e me dar tempo para descansar, enfim... Com os pensamentos de negligenciar meu filho, de não querer troca-lo, amamenta-lo, dar banho, vinha a culpa por ter estes pensamentos, que já aviso, são totalmente involuntários, não são nossos! Claro que cuidava dele, até porque já conhecia o que a doença fazia e tentava seguir em frente, mas era um desafio.
Nesse momento busquei ajuda, fui falar com uma psicóloga, que me encaminhou para o psiquiatra. Comecei com a medicação e nos primeiros dias já senti uma melhora significativa e, junto com a terapia comecei a me sentir aos poucos mais calma, mais segura, mais capaz. Tenho que ressaltar que tive muita ajuda da minha mãe no período “negro”, ela me lembrava de trocá-lo, olhava ele por mim para me deixar descansar algumas vezes no dia (o que me fazia muito bem, a propósito). Sem minha mãe, não sei como teria sido. Com ajuda, compreensão, acolhimento, fica muito mais fácil enfrentar esta doença, e dar tempo ao tempo para que as coisas voltem ao lugar. E acho que foi isso que me desestabilizou também, achar que tinha o CONTROLE de tudo (gente, NÃO controlamos quase nada nessa vida, isso é FATO) e tive que aprender da pior maneira.

Devido a doença me conheci mais a fundo, descobri que não tenho controle de nada, que não tenho culpa de nada, que tenho que ir mais devagar e viver o AGORA, viver o meu presente, a minha maternidade, ESTA maternidade. Se vier uma doença, enfrentamos, se vier um problema, enfrentamos, devemos seguir sempre em frente. Com esta doença encontrei, reafirmei minha Fé! Orações vazias, por obrigação, não é indicativo de Fé, temos que sentir, que creer com o coração. Aprendi a amar, e aprendi que este é um aprendizado diário, que requer foco e disciplina todos os dias, e não é fácil amar. Amar a Si mesmo, com seus defeitos e virtudes. Amar ao próximo, tolerá-lo, respeitá-lo, entende-lo e o mais dificil, não julgá-lo. Aprendi que Viver é um novidade todo dia, tem dias bons e outros não tanto. E que o medo existe, mas que ele não deve nos paralizar, devemos seguir. Como é a sábia mensagem do face: “Vai! E se der medo, vai com medo mesmo!”.

Bom gente, quis deixar este relato aqui para poder dar uma pontinha de Luz, de esperança para aquelas mulheres desesperadas, que não sabem pelo o que estão passando, ou que tem vergonha de se abrir e falar sobre sua doença (não tenham vergonha), ou que estão esperando passar, e não esta passando (busquem ajuda sim!)... Vocês vão conseguir superar isso. A dica que dou é: tentem se conhecer mais, usem essa doença para mergulhar dentro de si e resgatar o que é preciso. Eu acredito em vocês! Tenham Fé!!! E qualquer coisa, deixem uma mensagem que assim que os filhos permitirem, eu respondo (hehehehe). 

Beijos Analu
Segue o texto...

45 dicas para vencer a depressão pós parto


Confira as indicações de cinco especialistas em diferentes áreas para superar a vulnerabilidade emocional típica do período

O que é a depressão pós-parto?

Após o nascimento de seu filho, muitas mulheres sentem-se mais instáveis emocionalmente. Elas podem sentir-se tristes, preocupadas ou enraivecidas. Esse fenômeno é chamado de melancolia pós-parto, sendo leve e transitório (dura até uma semana).

A depressão pós-parto dura mais tempo e os sintomas são mais graves. Entre 10% e 20% das mulheres acabam desenvolvendo formas mais graves, principalmente as mães mais jovens.

Como ocorre esse tipo de depressão?

A depressão pós-parto pode ocorrer dentro de alguns dias ou semanas após o parto ou após a ocorrência de um aborto. Para 60% das mulheres, esse é o primeiro episódio depressivo de suas vidas. Enquanto as alterações hormonais características dessa fase parecem desempenhar um papel, a totalidade das causas desse fenômeno não é conhecida.

Os fatores de risco que aumentam a chance de desenvolvimento de depressão pós-parto são:

História familiar de depressão, principalmente se essa ocorreu após a gestação; 
História de depressão após gestação prévia; 
História de depressão no passado, em qualquer época da vida; 
Vivência de relacionamento difícil ou muito estressante; 
Dar à luz um filho com problema de saúde ou que chore frequentemente; 
Ocorrência de aborto ou nascimento de bebê morto. 
Gravidez não-desejada. 
Quais os sintomas da depressão pós-parto?

Além da sensação de tristeza e do desinteresse pelas atividades normais do dia-a-dia, os seguintes sintomas caracterizam esse tipo de depressão:

Sensação de incapacidade ou falta de vontade de cuidar do filho; 
Ter pensamentos freqüentes sobre coisas ruins que podem acontecer com a criança, ou sensação de que vai machucar o filho; 
Irritabilidade; 
Apresentar problemas com o sono: em excesso ou insônia; 
Sensação de cansaço extremo relacionado a atividades diárias, como tomar banho e lavar a louça; 
Redução ou aumento excessivo do apetite; 
Sentir-se cansada e sem energia; 
Redução do desejo sexual; 
Sentir-se sem valor; 
Sensação de culpa; 
Problemas de concentração e de memória; 
Sentir-se desolada ou simplesmente não se preocupar com nada; 
Dor inexplicada nas costas ou no abdome, dores de cabeça; 
Sensação de que nunca vai melhorar. 
Algumas pacientes ficam bastante ansiosas, apresentam alucinações ou ilusões. Se a pessoa desenvolve alucinações (escuta vozes ou sons, ou vê coisas que não existem) ou ilusões (interpretação errônea da realidade), o transtorno é chamado de psicose pós-parto.

Como é feito o diagnóstico?

O médico assistente ou um profissional de saúde mental pode definir se os sintomas são devidos a um quadro de depressão pós-parto. Pode ser necessária a realização de alguns exames, para avaliar a presença de desequilíbrios hormonais. No entanto, não existem exames capazes de diagnosticar a depressão pós-parto.

Como é feito o tratamento?

Não se deve tentar vencer a depressão pós-parto sozinha, um profissional capacitado pode ajudar. Ela pode ser tratada com sucesso com o emprego de medicamentos, psicoterapia ou ambos.

1) Medicamentos

Vários medicamentos podem ser usados no tratamento da depressão pós-parto. É importante conversar com o médico, para que seja escolhido um medicamento que não afete o aleitamento materno. Esses medicamentos devem ser tomados por um período de três a seis semanas, para que se obtenha benefício total dos mesmos.

2) Psicoterapia

A consulta com um profissional especializado em saúde mental é bastante útil, na abordagem da depressão pós-parto. A terapia pode durar um curto período de tempo ou por vários meses. A terapia cognitivo-comportamental permite à paciente identificar e mudar processos mentais que levam à depressão. A troca dos pensamentos negativos por pensamentos positivos, pode ajudar a melhorar o quadro depressivo.

3) Tratamentos Alternativos e Naturais

Vários produtos naturais foram sugeridos para o tratamento da depressão pós-parto, porém apenas a erva de São João demonstrou benefício, nos estudos já realizados. Deve ser discutido com seu médico a possibilidade de uso dessa medicação, caso você esteja amamentando.

Vários tratamentos alternativos podem ajudar no tratamento da depressão:

Biofeedback: com essa técnica a pessoa aprende a controlar as funções corporais, como a tensão muscular e as ondas cerebrais. Ajuda no controle da ansiedade, da tensão e na melhora da capacidade de concentração. Deve ser empregada apenas em associação à psicoterapia e aos medicamentos. 
Massagem: ajuda a reduzir o estresse, mas não cura a depressão. 
Técnicas de relaxamento: incluem yoga e meditação. Ajudam a controlar os sintomas depressivos. 
Musicoterapia: pode ser útil para algumas mulheres. 
O que fazer para me ajudar ou a quem eu amo?

A manutenção de um estilo de vida saudável é crucial. Tenha uma vida ativa física e socialmente, especialmente com seu parceiro, pois isso é muito importante. Manter um bom padrão de sono e de alimentação é bastante útil. Adquira o hábito de ter alguns momentos curtos de sono durante o dia, já que você terá que passar boa parte da noite acordada cuidando do bebê; isso ajuda a manter seu nível de energia adequado.

Certas dicas para ajudar na prevenção da depressão pós-parto:

Pratique atividade física adequada para sua condição, antes e após o parto; 
Participe de atividades em companhia de seu parceiro e do bebê; 
Converse com familiares e amigos; 
Peça ajuda se sentir algo; 
Evite consumir álcool e cafeína; 
Tenha uma alimentação saudável; 
Mantenha um bom padrão de sono; 
Empregue técnicas de relaxamento, para reduzir o estresse. 
Monica Martinez

Três dias após o nascimento de Gabriel, sua mãe, Ana, começou a ter crises de choro. Num momento, olhava os pezinhos perfeitos do garoto e chorava porque se sentia a mais feliz das mulheres. No outro, se debulhava porque temia não dar conta de criar um filho. A jovem de 28 anos enfrentou esses altos e baixos até que a criança completou 10 dias, quando os sinais de ansiedade desapareceram do mesmo modo como surgiram: do nada.


Na verdade 80% das mulheres que dão à luz têm depressão, em maior ou menor grau. A condição é temporária e não afeta a habilidade de cuidar do nenê. Contudo, se a tristeza imperar por mais de duas semanas, é preciso buscar orientação médica.

Acupunturista
Agulhas ajudam a combater o baixo-astral

Para a medicina chinesa, a depressão é conseqüência de alterações energéticas causadas pela raiva, frustração e mágoa em lidar com a nova situação. Quem dá as dicas para vencer o problema é Paulo Farber, presidente da Associação Brasileira de Medicina Complementar:

1. Não deixe a depressão se instalar. Há muita perda de líquidos durante o parto e é normal a sensação de calor nos dias seguintes. Contudo, se você se sentir mais irritada e ansiosa do que o normal, busque auxílio.

2. Tente uma sessão. A acupuntura é tão eficaz quanto as drogas antidepressivas, sem apresentar efeitos colaterais. É o que garante estudo chinês realizado com mais de 600 pacientes. 

3. Veja-se como mãe. O conflito emocional pode tirar o equilíbrio energético. Se necessário, busque apoio psicoterápico para se sentir mais tranqüila com o novo papel. 

4. Busque auxílio na natureza. Há ervas, como o hipérico, que são antidepressivos naturais e ajudam a superar essa fase. De qualquer forma, antes de usá-las, fale com seu médico. 

5. Pratique exercícios físicos. Sobretudo os realizados ao ar livre. 

6. Refresque-se. Para a medicina chinesa, a depressão pós-parto tem uma relação direta com excesso de calor. Assim, tudo o que esfria o corpo é bom, como chá de menta. 

7. Acerte na alimentação. Vegetais picantes, como agrião e rúcula, tonificam o fígado e diminuem o bloqueio energético. Já cravo, canela e gengibre geram calor. Evite-os. 

8. Hidrate-se bem. Beber bastante água, chás e sucos é importante para repor as perdas energéticas ocorridas durante o parto. 

9. Medite. A prática ajuda a pessoa a se harmonizar.

Ginecologista
Conversa com o médico previne problemas

O obstetra tem um papel fundamental nessa fase da vida da mulher. Ele pode interceder junto aos familiares em diversas situações e ajudá-la a se sentir melhor. Veja aqui os conselhos de Abner Lobão, chefe do setor de Pré-Natal da Universidade Federal de São Paulo:

1. Prepare-se para a alta. A depressão começa a se manifestar cerca de três dias após o nascimento do bebê, o que coincide com a saída da maternidade. Aproveite esses dias para tirar as dúvidas com médicos e enfermeiros. 

2. Informe-se. A tristeza pós-parto desaparece rápido. Saber disso torna mais fácil tolerá-la. 

3. Você não está sozinha. Oito entre dez mulheres têm algum sentimento negativo em relação ao momento pós-parto. Portanto, saiba que seu sentimento não tem nada de anormal. 

4. Sensibilize a família. Se você sentir que não vai dar conta do recado sozinha, não deixe o parceiro e os parentes acharem que se trata de frescura. 

5. Peça socorro. O apoio não está chegando espontaneamente? Converse com o médico e peça que ele explique ao pai da criança ou aos familiares tudo o que você precisa. 

6. Dê atenção ao vestuário. Nada de ficar de camisola o dia todo. Mesmo em casa, use roupas que a deixam feliz consigo mesma. 

7. Olho vivo nos cuidados pessoais. No início você pode não ter tempo para usar todos os cremes, mas preserve os rituais essenciais de beleza. 

8. Providencie ajuda. É importante ter uma ajuda profissional para cuidar do bebê. Não dê uma de supermãe. 

9. Evite a automedicação. Não tome medicamentos de qualquer tipo sem receita. A maioria dos remédios passa para o leite e pode trazer prejuízo ao bebê se tomados sem orientação.

Psiquiatra
Tratamento imediato é bem mais eficaz

Rubens Pitliuk, neuropsiquiatra do Hospital Israelita Albert Einstein, enfatiza: não existe depressão sem cura. Se o distúrbio não estiver deixando a mamãe cuidar do filho, é o momento certo de procurar auxílio médico.

1. Não rotule os sentimentos. Neuras e insatisfações pessoais nem sempre são sinais da depressão. Portanto, fique atenta a suas sensações para não distorcer seus próprios sentimentos. 

2. Procure se tratar na hora certa. O instante adequado é quando a depressão impede as atividades normais. 

3. Identifique os fatores de risco. A predisposição genética é forte, e a gestação, fator desencadeante. Fique atenta se você tiver casos na família. 

4. Previna novos eventos. Quem sofreu de depressão na gravidez anterior tem mais chances de enfrentar a situação novamente. O uso de antidepressivos nos últimos dias da gravidez, desde que utilizados com recomendação médica, evita 100% dos casos. 

5. Use com segurança. A quantidade de antidepressivos que passa para a criança durante a gravidez e após o parto é insignificante, se o tratamento for feito com um profissional especializado. 

6. Gerencie o estresse. Fatores traumáticos podem funcionar como gatilhos para a doença em pessoas predispostas. Mas não entre em paranóia. 

7. Busque o médico certo. O psiquiatra confirma o diagnóstico clínico e inicia a prescrição medicamentosa. Como saber se a dose está certa? Os sintomas devem passar após 25 dias. 

8. Escolha um bom profissional. Peça a recomendação de amigos, parentes ou do médico da família. 

9. Pense positivo. Depressão é ruim, mas não existe caso que não passe, se bem tratado. E mais: a doença pode ser evitada nas próximas gestações. 

Homeopata
É preciso combater o medo e enfrentar os fatos

Para o homeopata Carlos Roberto Brunini, presidente da Faculdade de Ciências da Saúde de São Paulo, a tristeza está ligada à preocupação com a idéia de não dar conta da situação. Tomar contato com a realidade é o melhor remédio contra receios e inseguranças.

1. Prepare-se bem. O acompanhamento prévio com o homeopata ajuda a ter um melhor estado emocional. 

2. Caia na real. Muitas mulheres têm a fantasia de sair do hospital com um filho meigo e comportado. E se espantam ao levar para casa uma criança que chora e não tem hora certa para nada, como são de fato os bebês.

3. Aceite a situação. Não faça de conta que o sentimento de impotência, de achar que não vai conseguir cuidar da criança, não existe. Ele é real. Mas não fique paralisada. Busque saídas. 

4. Resgate suas histórias de sucesso. Uma ótima forma de lidar com a insegurança é se lembrar das situações difíceis que você já superou na vida. 

5. Envolva o parceiro. A responsabilidade da criança não é exclusiva da mãe. O pai precisa participar de todas as atividades. Se ele não conseguir passar essa segurança para você, recorra a um serviço de aconselhamento. 

6. Confie na natureza. Ela é sábia. Você nasceu com tudo o que precisa para lidar com sua cria. Vá com fé! 

7. Conheça a si mesma. Se sabe que é mais insegura do que a média, invista em acompanhamento psicológico com profissionais habilitados. 

8. Simule situações. Acompanhe o que as outras mães fazem ao lidar com assaduras, cólicas e fraldas. 

9. Marque consulta com o pediatra. Não espere os 15 dias de praxe para fazer todas as perguntas que você tem na cabeça. Agende agora um encontro com o especialista em crianças.

Nutricionista
Alimentos certos dão a energia necessária

A nutricionista Tânia Rodrigues, da RGNutri Consultoria Nutricional, explica como compor a alimentação para minimizar os desconfortos. 

1. Coma carboidratos. Pães, massas e cereais aumentam no cérebro a entrada de triptofano, transformado pelo organismo em serotonina, uma substância calmante. 

2. Modere no açúcar. A sacarose causa a liberação de endorfinas, que se relacionam ao bem-estar, o que explicaria a tendência de consumir doces nos períodos de estresse. Não abuse, pois em excesso o efeito pode ser contrário! Uma pequena porção diária, como 30 g de chocolate, basta. 

3. Fracione as refeições. Um cardápio saudável, distribuído em café da manhã, lanche, almoço, lanche da tarde e jantar, aumenta a disposição.

4. Fuja das gorduras. Alimentos com alto teor de gordura são de difícil digestão, dando indisposição e moleza. 

5. Evite os estimulantes. Álcool, bebidas com cafeína e cigarros contêm substâncias que podem aumentar a sensação de nervosismo. Prefira chá de ervas, leite desnatado ou suco. 

6. Inclua maracujá na dieta. Além de ser fonte de minerais como cálcio, ferro e fósforo, vitaminas A e C, a fruta possui propriedades sedativas. 

7. Aposte nas proteínas. Frango, peixe, carne vermelha, ovos, leite e derivados, como iogurte e queijos, são importantes para a produção do leite materno e possuem triptofano, substância que melhora o humor. 

8. Abra alas para frutas e sucos. Fontes de vitaminas e minerais, eles são importantes para o bom funcionamento do organismo. 

9. Abuse dos líquidos. Água-de-coco e suco de frutas natural fazem o intestino funcionar melhor

Fonte do texto: http://cantinhodamamaeamandica.blogspot.com.br/2009/07/45-dicas-para-vencer-depressao-pos.html

sábado, 26 de julho de 2014

A Hora do Mamaço em Porto Alegre!!


Meus queridos leitores! Um convite especial...


"Mamães de Porto Alegre que amamentam seus filhotes, estão todas convidadas a participar da HORA DO MAMAÇO em Porto Alegre no dia 02/ 08 no Parcão! 
Esse evento acontece em comemoração à Semana Mundial do Aleitamento Materno em várias cidades do Brasil, e tem como objetivo reunir muitas mães para amentarem juntas seus bebês! 
Tenho o enorme prazer de organizar o Mamaço juntamente com a Paloma Fantini! 
Vamos fazer bonito e mostrar que as mamães gaúchas são amamenteiras de plantão! 
Compartilhem e convidem suas amigas!"


Rosane Baldissera - Consultora Internacional em Aleitamento


Em vou!! Quem vai?


sábado, 12 de julho de 2014

Relato do parto Humanizado da Paula e nascimento da Helena pela doula



Conheci Paula através do meu marido. A mãe dela era colega do meu marido no banco onde eles trabalhavam. Assim fiquei sabendo que Paula estava sendo acompanhada pela Dra. Ana Claudia, e depois de nos conhecermos, fechamos o acompanhamento. Paula é uma mulher muito tranquila, bem informada e objetiva. Sabia que seu limiar de dor era um, e já foi me avisando que se fosse demais a dor pediria analgesia. Me perguntou se eu me opunha, e claro, disse que não, afinal o parto era dela, e eu estava ali somente para informa-la e a partir disso apoia-la.

Dia 10 de outubro, meu telefone toca, era a Dona Neida avisando que eles estavam saindo de Sto Antonio rumo a POA, que as contrações da Paula estavam vindo a cada 5 minutos, e que foi feita uma avaliação no hospital da cidade onde foi constatado 3 cm de dilatação. Comecei a me arrumar e segui para POA também, rumo ao Hospital Divina Providência.
Fiquei aguardando na porta da emergencia do Hospital, e em alguns minutos depois eles chegaram. Logo vi a Paula no banco da frente, com semblante preocupado, mas assim que me viu deu um sorriso lindo. Tinha um olhar apreensivo, mas sabia o que queria.

Depois de acomodados na sala PPP iniciamos os trabalhos com uma ducha quente. Paula aparentava muita tranquilidade e nenhum desconforto a cada contração. E a cada contração ela solicitava massagem na lombar, se não estivesse no chuveiro, e agradecia dizendo que o alivio era grande. Seu corpo foi se abrindo rápido e logo havia chegado nos 7 cm de dilatação. Mas a partir dai ela pediu, com toda a certeza, a analgesia porque a dor estava intensa e difícil de lidar. A Dra. Ana Claudia explicou a ela que estava indo muito bem, e que nesse ritmo Helena logo estaria nascendo. Que a analgesia podia diminuir o ritmo do trabalho de parto e até parar por algum tempo. Mas Paula estava certa de que a analgesia era necessária, e estava muito tranquila em tomar esta decisão.





Depois de aplicada a analgesia, e a sensibilidade dos pés e pernas voltarem, ela saiu da cama e foi para bola voltando a se movimentar. Ela estava bem tranquila, sentindo as contrações sim,  mas muito mais amenas, e assim pode curtir mais o parto. Rimos, conversamos e ela pode descansar também. Um tempinho depois Helena já se mostrava no canal de nascimento, a dilatação estava completa. Paula ficou sentada na maca e começou a empurrar. No expulsivo a ajudamos e orimentamos, pois ela não sentia as contraçéos começarem e nem onde tinha que empurrar, mas se saiu maravilhosa e minutos depois, de muita coragem e perseverança, Paula deu a luz a pequena Helena, linda e bochechuda. Um pacotinho de gente! Papai Alencar foi muito corajoso e acompanhou a maior parte do processo, não desgrudando da amada até ver sua filhota nascer!





















Depois de se reconhecerem Paula deu o seio a filha começando um belo processo de amor e aprendizagem! Amor em forma líquida nutrindo a bebezinha. Realmente emocionante presenciar a primeira mamada. Depois da família acomodada, e de ter babado um pouquinho a pequena Helena, me despedi da família, cheia de ocitocina e muito feliz por ter tido a oportunidade de presenciar mais um nascimento!



Paula e Alencar gratidão por me convidarem a participar desse dia tão lindo, emocionante e especial! A Helena é linda demais!

Ana Luisa- Doula

Mãe do Bê, da Fifi e do Kim

segunda-feira, 7 de julho de 2014

Dúvidas sobre o parto normal? Leia a entrevista com o médico obstetra Mauro Casanova - por Você Saudável

Foto: Mais Você
Uma ótima entrevista, feita por Você Saudável. Acompanhem!!
________________________________________________________________O Espaço Você Saudável entrevistou o médico Mauro Casanova, coordenador da equipe de obstetrícia e do curso para gestantes do Hospital e Maternidade Santa Isabel, em Jaboticabal, para esclarecer algumas informações que são usadas como justificativas para a realização de parto cesáreo, mas que não tem evidência científica para o caso. Mauro Casanova é um defensor do parto normal humanizado e encoraja mulheres para serem protagonistas e assumirem o papel de destaque durante a chegada do bebê.
Espaço Você Saudável – A gestante que opta pelo parto normal terá que sentir todas as dores, sem contar com ajuda medicamentosa para amenizá-las?
Infelizmente, o próprio nome diz: trabalho de parto. Há um grande desconforto com cólicas e endurecimento do útero. Existem os métodos não farmacológicos (como massagens, acupuntura, aromaterapia, posicionamento livre com apoio, banhos de chuveiro, exercícios na bola, banheira de imersão, entre outros) e farmacológicos para aliviar a dor do parto. Primeiro esgotamos os métodos não farmacológicos,  mas não sendo suficiente entramos com a segunda opção que é a analgesia. A Organização Mundial de Saúde (OMS) recomenda que os métodos não-farmacológicos devam estar disponíveis e privilegiados em relação aos métodos farmacológicos, por terem menor risco. É muito importante que seja discutido com a gestante ainda no pré-natal todos estes métodos, para que ela defina no seu Plano de Parto quais gostaria de utilizar em seu trabalho de parto.
Espaço Você Saudável – A cesárea dói menos que o parto normal?
Pode até ser que sim. Cada pessoa tem um limiar de dor, a sensação dolorosa é algo particular e varia de pessoa para pessoa. O mais importante para ser tranquilo no parto é abrir a porta para o parto. Deste momento em diante tudo fica mais fácil, lembrar que o trabalho de parto é doloroso sim mas quando nasce o bebê passam todas as dores. Já na cesariana, o desconforto pode ficar por dias ou até mesmo anos pois tem grandes chances de formação de aderências, de uma cicatrizarão não adequada, pois trata-se de uma cirurgia com o corte de terminações nervosas, vasos e estruturas do corpo. Mas o corpo humano é sábio, no momento que uma série de neurosubstâncias são liberadas na cascata dolorosa, outras tantas substâncias anestésicas e relaxantes naturais também são produzidas.  Ao mesmo tempo que o corpo produz a dor também produz substâncias que a tornam mais tolerável.
Espaço Você Saudável – Se pelo parto normal o bebê demora a nascer, isso pode gerar complicações na saúde da mãe e do próprio bebê?
Jamais, a não ser que exista uma complicação de risco de vida com indicação de realizar uma cesariana. Vai acontecer o momento certo do nascimento, o bebê sabe o seu momento de ser expulso, essa conquista pelo canal do parto é muito importante para o amadurecimento do bebê, seu crescimento como indivíduo. Quanto à mãe, ela sabe o momento certo de realizar a expulsão, de deixar acontecer o abaulamento do perineo naturalmente.
Espaço Você Saudável – O tamanho da bacia da mãe pode impedir o parto normal?
Existem quatro tipos de bacias.  A mais comum das mulheres é a chamada ginecoide. Sim, pode existir um impedimento dessa passagem, o que nós obstetras chamamos de desproporção cefalo pélvica. Mas existem meios de identificar a situação antes ou durante o trabalho de parto.
Espaço Você Saudável – O cordão umbilical enrolado no pescoço do bebê é evidência para desistir do parto normal?
De jeito nenhum, enrolado no pescoço ou no braço, nunca deve ser indicação de cesariana. Infelizmente muitos obstetras ainda usam esse argumento para justificar uma cesariana.
Espaço Você Saudável – A partir da 41a semana de  gestação, o que fazer se a futura mamãe não entrou em trabalho de parto?
Atingindo essa idade gestacional, confirmada pela data da última mesntruação ou ultrassom de primeiro trimestre, a gestante passará por consulta na referida data das 41 semanas. Muito casos, a gestante da saúde suplementar já está em acompanhamento semanal ou, em alguns casos, consultas diários. O médico avalia a vitalidade fetal, se o feto está em condições boas; o colo uterino, se está em condições favoráveis para indução do parto normal através do índice de Bishop; e se já existe ou não atividade uterina. Se estiver de acordo as indicações e as condições favoráveis listadas acima, nós seguimos o protocolo para indução de parto. Caso a gestante não queira indução e prefira aguardar as 42 semanas, gestação prolongada, respeitamos e avaliamos diariamente a vitalidade fetal. Em nosso protocolo em nenhum momento deixamos de estimular o parto normal. Porém deixamos a gestante livre e bem informada sobre todas as possibilidades.
Espaço Você Saudável – Se o bebê estiver sentado ou atravessado é motivo para parto cesáreo?
Não, existe o que chamamos em obstétrica de versão externa, um pouco deixado de lado por conta dos riscos existentes, mas é uma prática que tem motivado muitos obstetras a resgatar. A polêmica do parto pélvico sempre será motivo de discussão, mas temos vários estudos que demonstram as condições para realizar um parto pélvico, com riscos de mortalidade e morbidade iguais ao parto cefálico.
Espaço Você Saudável – Se a mulher já tiver realizado cesárea ou alguma cirurgia no útero ela está impedida de ter um filho por parto normal?
Somente se a incisão no útero for longitudinal, ou uma cesariana há menos de um ano, nesse depende muito do engajamento da equipe e da gestante.  É outro ponto polêmico, mas todas as atuais evidências científicas nos mostram que não existe necessidade de uma cesariana após uma cesariana anterior ou mais.
Espaço Você Saudável – Quando a episiotomia (corte para ampliar o canal do parto) é indicada ?
Atualmente, estamos em uma grande discussão sobre a episiotomia, corte realizado para ampliar o canal do parto. Na verdade, se verificarmos a história da episiotomia ela nunca foi indicada de rotina. O que vem acontecendo desde o século XVIII é o uso rotineiro do procedimento. Porém, todas as evidências nos mostram que não há necessidade do tal “pic” na vagina e que devemos selecionar muito bem os casos necessários para não torná-lo de rotina, seguindo recomendação da própria OMS. Sabe-se que os bebês nascem muito bem sem episiotomia, e não há necessidade de realizá-la rotineiramente. Vale esclarecer que: a episiotomia não protege o assoalho pélvico materno, não protege contra incontinência urinária ou fecal e, tampouco, contra o prolapso genital, associando-se com redução da força muscular do assoalho pélvico em relação aos casos de lacerações perineais espontâneas. A perda sanguínea é mais volumosa (em torno de 800ml contra 500ml no parto vaginal espontâneo), utiliza-se uma maior quantidade de fios para sutura e há mais dor perineal quando realizada a episiotomia. A episiotomia é uma laceração perineal de segundo grau, e quando ela não é realizada pode não ocorrer alguma laceração ou surgirem lacerações anteriores, de primeiro ou segundo grau, mas de melhor prognóstico. A episiotomia aumenta a chance de dor no pós-parto e dispareunia (dor durante a relação sexual). A episiotomia pode cursar com complicações como edema, deiscência, infecção (até fasciíte necrosante) e hematoma. O ideal é que a taxa de episiotomia seja inferior a 30%, o que já é realidade em muitos países europeus. Já em nosso país, a situação é ainda mais crítica, porque o procedimento é realizado em cerca de 94% dos partos vaginais.
Espaço Você Saudável – Quando é indicada a aplicação de ocitocina (hormônio para aumentar a contração uterina)?
Se possível nunca, mas infelizmente é realizado quase que rotineiramente a instalação do soro glicosado com ocitocina. A ocitocina é um hormônio sintético cuja finalidade é potencializar a contração uterina, aumentando sua intensidade e frequência. O problema é que ela é mal utilizada, usada em mulheres que já estão em trabalho de parto com contrações efetivas, sem necessidade do seu uso. A sua aplicação nessas situações potencializa em muito a dor e aumenta a chance de complicações como hipertonia uterina (quando o útero contrai e não relaxa) e taquissistolia (número excessivo de contrações), complicações estas que podem levar ao sofrimento fetal. O uso da ocitocina deve ser criterioso, com indicação precisa (indução do trabalho de parto,  parada da progressão durante o trabalho de parto por diminuição substancial das contrações) e deve ser sempre informado para a gestante.
Espaço Você Saudável – A falta de dilatação durante o trabalho de parto é uma  indicação para gestante fazer o parto cesáreo?
A grande maioria das gestantes consegue parir nessa situação (falta de dilatação ou parada de dilatação), cerca de 80%. A falta de dilatação não é uma indicação de cesariana, existem meios de estimular o trabalho de parto normal.Devemos sempre lembrar das causas que podem nos levar a realizar uma cesariana desnecessária nessa situação, como: diagnóstico incorreto do trabalho de parto, admissão hospitalar precoce e, com isso, aumento dos riscos da administração de ocitocina, analgésicos e peridurais com consequente aumento de distocia e iatrogenia, restrição ao leito (o que torna o trabalho de parto mais lento), monitoramento eletrônico continuo fetal.
Medidas que estamos adotando para prevenção de cesarianas desnecessárias:
- maior integração entre equipe (médicos e enfermeiros),
- iniciar amadurecimento cervical com prostaglandinas e uso posterior de ocitocina se houver necessidade,
- apoio emocional continuo com doulas, quando disponível e, cumprir com a Lei do acompanhante,
- uso de medidas alternativas no controle da dor (banhos mornos, deambulação, apoio físico e emocional) deve ser preferido à anestesia peridural,
- evitar posicionar parturiente muito cedo em posição de decúbito dorsal, bem como, evitar solicitar à mesma que realize o puxo precocemente no segundo estágio do parto (medidas que só exaure a paciente e contribui para prolongar o período expulsivo),
- incentivo a realizar um plano de parto,
- revisar os prontuários e reavaliar a indicação de cesariana, para não cometer mesmos erros.
Espaço Você Saudável – O parto normal humanizado no hospital necessita de instalação física adequada?
Um centro de parto normal é um espaço onde a mulher recebe assistência totalmente natural, sem intervenções cirúrgicas e não medicamentosas.
Parto normal humanizado também é monitorado, mas a mulher grávida é mais protagonista. É aquele que deixa a natureza agir e a mulher é a principal atuante, sem muita intervenção dos médicos. Queremos que este tipo seja mais utilizado porque é melhor para a saúde do bebê. Precisamos sim de algumas instalações mais humanas, um local mais aconchegante, não tão hospitalar, como por exemplo, uma parede de coloração mais suave, uma plotagem, camas confortáveis, banheira e, etc, mas principalmente, uma equipe também engajada desde a recepção do hospital.
Espaço Você Saudável – Qual é a melhor posição para o parto normal humanizado?
A que a parturiente se sentir confortável, seja qual ela for devemos respeitar. Mas infelizmente não é o que acontece nas maternidades do nosso país.
Espaço Você Saudável – Qual o papel do pai no hora do parto normal humanizado?
Além de ser um direito por Lei, desde 2005, o pai deve participar deste momento que é único e mágico. O carinho do pai, o seu consolo ao segurar a mão da mulher, fazer massagens ou incentivar podem ser cruciais no desempenho da mãe. A participação ou não do pai no nascimento do filho tem de ser um assunto conversado no decurso da gravidez. Eu acredito que o pai participativo torna o parto mais fácil e a mulher sente-se mais segura. Para não tornar a situação embaraçosa o homem deve ficar à cabeceira da cama, para apoiar a mulher e não ter que visualizar diretamente o parto. Se for um pai que encara a situação com mais descontração pode até cortar o cordão umbilical. Estes momentos são inesquecíveis e fortalecem os laços, entre pai, mãe e filho, e entre o casal.
Espaço Você Saudável – O que fazer logo que o bebê nasce?
Entregar para quem é de direito, a família. É neste primeiro momento que a mãe inicia o contato pele a pele, imediatamente, por no mínimo uma hora após o nascimento. É uma das grandes vantagens sobre o binômio mãe e bebê, atuando na regulação térmica, estabilidade cardio-respiratória, estabelecimento do vínculo, início da amamentação e colonização bacteriana, vantagens que só conseguimos com o parto normal. As nossas grávidas são estimuladas a realizar o plano de parto, onde é listado todos os desejos do casal na hora do nascimento. Nosso hospital tem um engajamento e também com o cumprimento dos passos da Iniciativa  Hospital Amigo da Criança, que são:
- aspiração de vias áreas não rotineira, selecionados os casos;
- nitrato de prata, ainda rotina por se tratar de uma recomendação do decreto lei 9713/77. O que temos evitado é a utilização do nitrato de prata na primeira hora de vida, para não irritar o olho do bebê e, com isso, evitar o contato olho no olho entre mãe e seu bebê;
- lavagem gástrica: abolido no hospital, apenas recomendado seu uso em casos muito selecionados;
- estímulo a amamentação ou pelo menos o reconhecimento com o seio materno;
- vestir o bebê  mais tardiamente possível e sempre após a primeira hora do nascimento, para prolongar o contato pele a pele.
Espaço Você Saudável – Como deve ser o primeiro contato da mãe com o filho?
De preferência em um ambiente tranquilo e aconchegante. Após passar nove meses sonhando com o rostinho do bebê, o maior desejo e pegar no colo assim que ele nasce, o toque, contato olho a olho e amamentação.  O primeiro contato entre mãe e bebê é fundamental para estabelecer o vínculo afetivo entre os dois. Eles se reconhecem e inicia o maior vínculo afetivo, com isso desenvolve o sentimento de proteção, segurança e amor.
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