sexta-feira, 31 de julho de 2015

A Hora do Mamaço 2015!!

Em mais um ano, na Semana Mundial de Aleitamento Materno (1 a 7 de agosto), teremos o Mamaço em Porto Alegre!! O tema este ano é "Retorno ao Trabalho e a Manutenção da Amamentação". 

Venham, participem, prestigiem, apoiem!!! O leite materno é o único alimento necessário ao bebe nos primeiros 6 meses, e pode e deve ser oferecido ate 2 anos ou mais. Muitas mulheres são obrigadas a voltar a trabalhar antes do 6º mês, mas a amamentação pode e deve ser mantida!

Busque orientação de profissionais da área atualizados! Fale com um consultor em aleitamento materno. Eu sou consultora e atendo em Gravataí, próximo a Porto Alegre!


terça-feira, 28 de julho de 2015

Relato de parto da Thays

Thays foi minha doulanda, e depois de 3 anos conseguiu relatar seu parto. Assistida por péssimo profissional, o "obstetra" Derly Fofonca, humilhou e submeteu ela a diversas intervenções que não foram autorizadas. Leiam o relato:


Era 6:38 da manhã, eu estava de bobeira na cama, estava cedo, frio e a preguiça não deixava nem abrir os olhos direito.
De repente aquela colicazinha veio.
Meus pensamentos voaram: “Ué o que foi isto?!?!?”
Continuei deitada na cama.... 15 minutos depois mais uma colicazinha..... “Ai meu Deus”
Levantei fui caminhar na sala.....mais 15 minutos e outra colicazinha... “É hoje!!!!”
O sorriso estampou meu rosto de orelha a orelha.
O marido foi atrás de mim saber o que foi “É hoje, já põe as coisas no carro.” eu disse
Era uma mistura de ansiedade, medo, felicidade, amor.... Difícil explicar o que estava sentindo, mas era muito bom...
Meia hora mais tarde, as contrações tomaram ritmo de 5 em 5 minutos.
Caminhei, rebolei, agachei, fazia tudo àquilo que o meu corpo mandava, estava literalmente me abrindo para uma nova era...

La pelas 8:30 liguei para minha Doula AnaLu, “Aninha é hoje, vem para ca”
Também liguei para a minha medica Dra Ana Claudia Codesso (mais uma Ana na minha vida)“ Dra Ana, contrações de 5 em 5 mas bem curtinhas ta, então acho que vai demorar”
Continuei no mesmo ritmo, quando a AnaLu chegou eu estava de quatro na sala e estava sentindo que tudo estava diferente.
Comecei a vocalizar, não conseguia mais segurar, era uma vontade de gritar “Aaaaaahhhhhh”
A cada contração, vinha lá de dentro do meu ser um grito, que não podia ser parado.
Logo a caminhada, agachada, rebolada, os gritos, as massagens, nada aliviavam aquela dor. Perguntei a AnaLu “Que horas vamos no hospital” E com toda aquela calma do mundo ela respondeu “A hora que você quiser”.“Então vamos porque a coisa apertou”. Ela me deu um sorriso e disse “Tu já estas diferente, as contrações estão de 3 em 3 minutos, vamos la”.

No carro, fui no banco de trás, tentando ficar sentada (que posição horrível) era de quatro que aliviava, AnaLu foi fazendo massagens em minhas costas. Nossa como ficar em um local pequeno e quase sem possibilidades de movimento foi ruim, a dor aumentou e com ela veio o medo. Tadinha da AnaLu fiquei pensando que ela iria ficar surda, eu vocalizava muito alto no carro, mas era meu primitivo falando, ela dizia “Não te preocupas a Doula agüenta”.

No trajeto tentávamos ligar para a Dra Ana, mas o telefone dela não estava pegando! Eu só pensava “Respira, calma.....” Faltando pouco para chegar ao hospital, começou a vontade de fazer força “Ai meu Deus, esta guria vai nascer no carro” AnaLu só falava “Calma, respira, deixa as contrações virem”
Eu tinha vontade de chorar, mas as lagrimas não saiam, era uma mistura de sentimentos e também o medo de não saber o que vinha pela frente.
Chegamos ao hospital, fui direto para a avaliação “Já esta com 8 centímetros, colo apagado e ela já esta aqui” disse a enfermeira, com um belo sorriso.
No corredor indo para uma sala, encontramos o plantonista, a enfermeira passou as informações para ele, e ele perguntou “É cesárea?” Eu gritei “NÃO”
Quando cheguei a sala de parto, AnaLu e o meu marido apareceram logo em seguida.

Colocaram-me deitada numa maca, o plantonista me avaliou “Já esta com 10, vamos romper a bolsa” “Não quero” eu disse “Deixa ela romper sozinha”, mas foi em vão. Ele enfiou a comadre embaixo de mim e estourou a bolsa.
As dores pioraram e eu só dizia “Quero anestesia, não aguento” ficar deitada, deixava tudo pior.
Fui levada para outra sala, agora na maca pude ficar semi-deitada.
“Põe as pernas nas perneiras, mãezinha” Falou a enfermeira. Eu disse “Não quero” e o plantonista revidou “Tu não é índia para ganhar de cócoras”
Naquele instante meu mundo desabou, entendi que aquele plantonista era o tipo de “medico” de quem eu fugi a gravidez inteira. Ele era mais um que não sabe tratar as mulheres com respeito na hora mais preciosa e sensível delas.
Contra minha vontade colocaram minhas pernas “naquilo”.
Tentava respirar, tentava me ajeitar, tudo estava errado, não foi assim que imaginei, e não era assim que deveria ser.
Logo apareceu uma enfermeira tentando pegar minhas digitais para o cadastro do hospital, acho que ela entendeu que não era a hora certa quando ela pegou minha mão e ganhou meu olhar fuzilador!!!
Na outra mão, outra enfermeira me colocando um acesso com soro, eu dizia “ Precisa mesmo disto?” e ela “Sim”.
Aquele acesso caiu da minha mão direita DUAS vezes. Então colocaram na esquerda, com uma fita bem firme.
Naquela altura as contrações eram insuportáveis, e a minha vocalização estava no auge até que o plantonista me mandou calar a boca “Tu ta fazendo escândalo, fica quieta”.
“Meus Deus, o que faço? Senhor só me da forças” eu implorava em pensamento.
AnaLu e o marido, cada um de uma lado. AnaLu com aquela mão leve e suave era a minha fortaleza que não me deixava desabar e desistir, hora com a mão no meu ombro, hora colocando aquele paninho gelado na testa. Como um simples pano molhado e gelado teve tanto impacto naquele momento.
Agora foi a hora de fazer força, e o plantonista me explicou como fazer. “Queixo no peito, segura a respiração e faz força para baixo, segura nestas barras e “puxa” para trás.
Mas como a Thays sempre foi delicada (hahah), tentava fazer tudo aquilo, mas teimava em puxar as barras para cima, e como elas são só encaixadas, saiam nas minhas mãos, as enfermeiras pegavam, colocavam novamente e eu tirava. Ate que eu desisti de segurar aquilo e me agarrei as barras das perneiras.
“Olha aqui paizinho” disse o plantonista “Já da para ver os cabelinhos”. E lá vai o marido olhar!!!!
Logo em seguida veio “Tu ta fazendo força errado, assim não da”
Eu tentava não olhar para o plantonista, mas eis que sinto umas picadas. Fui obrigada a olhar e la estava ele segurando uma seringa. “Não quero episio” Falei bem certa de que ele estava me dando anestesia local.
“Vamos ver” disse ele em tom irônico.
Novamente ele disse “Assim não adianta, vou ter que .....” Não consegui entender o que ele falou, ele se levantou deu dois passos para traz e pegou das mãos da enfermeira um utensílio. Eu sabia o que era um fórceps, mas não acreditava que era tão grande. Quando ele veio na minha direção, eu só fechei os olhos, virei a cabeça de lado. Não lembro se só pensei ou se falei “Deus me ajuda”

Não lembro de sentir o ferro entrando, mas lembro muito bem de sentir saindo e junto levando minha filha, pequena e indefesa. Nada bom.
Colocou ela em cima de mim, toda ensangüentada, não pude ver seu rosto, estava de costas.Ela logo chorou e eu dei graças por ter terminado aquele horror, ilusão minha.

Ela nasceu as 12:40 da manhã, com lindos 2.730Kg e 49,5 cm, uma bonequinha.
Ao piscar os olhos “Cadê minha filha?” eu perguntei a AnaLu e ela respondeu “calma teu marido ta junto dela”. Eu tremia tanto, era tanta adrenalina correndo em minhas veias, que eu não conseguia nem respirar direito.

Logo a enfermeira a trouxe, toda enroladinha. E pôs no meu colo, pedi ajuda a AnaLu para me ajudar a segura-la, a tremedeira estava forte, tinha medo de deixar cair.

Tiramos uma foto. Outra enfermeira abriu minha roupa e fez a minha pequena Giulia colocar a boca no meu seio e lógico ela nem abriu a boca, não sabia de quem era aquilo. Ficou ali comigo uns 5-10 minutos e logo levaram para dar banho.E o plantonista ainda estava lá, me costurando, ele fez a episio, foram 7 pontos. Quando ele terminou, falou a frase de ouro “Vou tirar a placenta” e eu ainda tentei e rebati “Não da para esperar ela sair naturalmente?” mal terminei a frase ele puxou e ali veio uma ultima e dolorosa contração.

AnaLu ainda me disse “Olha a placenta” eu não estava com animo para nada, eu estava me sentindo num show de horrores, sabendo que tudo aquilo não deveria ser daquele jeito. Mas olhei, mentalmente agradeci por ela ter nutrido minha filha.
Graças aos céus aquele plantonista sumiu da minha vista. E minha princesa veio finalmente para ficar comigo. Ela estava dormindo, eu penso que quase hibernando, para ela também foi sofrido e doloroso, sentir tudo que sentimos, não foi fácil. Então ela assim permaneceu até que fomos para o quarto as 19h. La estava minha mãe e a AnaLu, consegui tomar banho, com ajuda da enfermeira, aqueles pontos "ui", enquanto Giulia era paparicada pela nova Vovó.
Consegui sentar na poltrona e ela veio, cheia de fome, se agarrou no seio e lá ficou mamando, as vezes abria os olhos, ficamos assim quase uma hora, nos reconhecendo. Tínhamos que nos reconectar. Não foi fácil amamentar, mas eu sabia que era necessário, era somente aquilo que Giulia precisava. Meu calor, meu colo, meu seio, meu leite, meu cheiro.

E assim terminamos a primeira de muitas aventuras.
Agradeço de todo o coração a AnaLu por estar comigo me dando forças. Ao meu marido e parceiro por acreditar na minha força. E a Deus por sempre saber o que eu preciso passar. Nunca nada é por acaso.
Hoje a minha razão de viver completa 3 anos. E eu acabei virando DOULA, para principalmente passar informações de qualidade às pessoas, dar apoio emocional e físico.

Nada nunca é por acaso, eu precisei passar por tudo aquilo. Hoje agradeço a Deus, por colocar em meu caminho as pessoas certas e no tempo certo.





domingo, 14 de junho de 2015

Fisiologia do Parto

No último encontro de gestantes, falamos sobre a Fisiologia do Parto. O tema foi conduzido pela enfermeira obstetra e também doula, Adriana de Lima Mello. Para quem não pode comparecer ou quer relembrar um pouquinho do que foi discutido, segue um resumo feito por ela com carinho para você!!

Fisiologia do Parto

por Adriana de Lima Mello
 Enfermeira Obstetra, Doula e Educadora Perinatal

O parto é um processo involuntário conduzido por partes “arcaicas” do cérebro portanto, quando uma mulher está em trabalho de parto, a parte mais ativa de seu corpo é o cérebro - primitivo, o sistema límbico: hipotálamo e a hipófise, que nós compartilhamos com todos os mamíferos. O neocórtex (parte racional de nosso cérebro) é quem é capaz de nos inibir durante este processo.

Para parir a mulher libera um coquetel de hormônios; ocitocinaresponsável pela contração uterina e ejeção de leite - HORMÔNIO DO AMOR; endorfinas responsáveis pela diminuição da sensação dolorosa; prolactina; responsável pela produção de leite; ACTH (hormônio adreno - corticotrófico) em reposta aos hormônios que o feto libera, mostrando que está pronto e desencadeando as ações hormonais do corpo materno;prostaglandinas que preparam o colo uterino e o útero para responder a ocitocina com a dilatação.

Qualquer situação que estimule a produção de hormônios da família da adrenalina, estimula a atividade do neocórtex e pode inibir o processo do parto. O que pode desencadear a produção de adrenalina?? Frio, mau humor, medo, auto piedade, conflitos situacionais, dúvidas e inseguranças, distrações, falta de privacidade, vergonha, excesso de toques, expectativas, internação precoce, preocupações, conversas excessivas (incluindo perguntas), ambiente muito iluminado, barulhento.

Podem existir dois ciclos rondando este processo de trabalho de parto e parto: 

NEGATIVO – Medo – Dor – Tensão
POSITIVO – Aceitar – Aproveitar –Relaxar


Portanto a mulher em trabalho de parto necessita do respeito a fisiologia de seu corpo, precisa ser permitida e permitir seu corpo agir. Para isso é necessário: sentir-se protegida, segura e apoiada, confortável, relaxada, estar em um ambiente aconchegante, quente, agradável com penumbra e silêncio, ter privacidade, não sentir-se observada e ter liberdade.

A dilatação e o nascimento acontecem em diversas fases e forma progressiva, é comum mulheres terem contrações que podem se manter durante horas e depois passar, podem ser incômodas ou tão fracas que você pode continuar fazendo as atividades do dia a dia, chamamos isso de “falso trabalho de parto” ou “pródomos de trabalho de parto” O importante neste momento é descansar, se alimentar, segurar a ansiedade, aproveitar os últimos momentos de barrigão e... NÃO ficar triste pois estas contrações são importantes e úteis para: a centralização do colo, o amolecimento do mesmo, a insinuação e descida do bebê na pelve materna , etc.

Podem ocorrer também: perda do tampão mucoso – secreção espessa, consistente com ou sem raias de sangue – pode acontecer no início do TP ou durante o TP. As vezes depois da perda do tampão o trabalho de parto pode demorar alguns dias para ser efetivo; rompimento da bolsa – uma grande ou pequena quantidade líquido escorre pelas pernas, um rompimento cedo da bolsa (fora de trabalho de parto) ocorre em 6 – 19% dos partos a termo ( idade gestacional maior que 37 semanas) e então 70% dessas mulheres darão a luz em até 24h e outras 30% em 48h,importante comunicar o médico e/ou sua parteira; uma dor contínua e maçante na região lombar, que pode ser causada pelas contrações uterinas ou uma diarréia, pois existe uma tendência natural de esvaziar o intestino no período que antecede o início do trabalho de parto.

O trabalho de parto se divide “didaticamente” em duas fases:

FASE LATENTE: dilatação entre 2 a 3 cm; o colo do útero mais afina do que dilata, com duração média de 8 horas em mães de primeira viagem e 5 horas em mães com mais de um parto. As contrações acontecem a cada 20 ou 30 min com duração de 20 a 30 segundos.
O que fazer neste momento?? Conversar com sua doula, obstetra ou parteira, alimentar-se, descansar, passear, enfim...aproveitar e economizar energia para a próxima etapa.

FASE ATIVA: dilatação maior ou igual a 4cm, aumentando progressivamente; o colo do útero mais dilata do que afina; com duração média 6 a 12 horas, as contrações aumentam  progressivamente até que na fase final de dilatação chegam a ter intervalos de um minuto e meio e podem durar cerca de 60 a 90 segundos.
O que fazer na fase ativa do trabalho de parto?? Ter a companhia de sua doula, familiares de seu desejo, estar em um ambiente calmo, familiar, aquecido, aconchegante, tomar uma ducha gostosa, ficar na banheira, dançar, ouvir música, se alimentar, fazer exercícios na bola, caminhar, receber massagens, gritar, enfim... o que você tiver vontade: permita o seu corpo!!!

O parto é dividido “didaticamente“ em 4 períodos:
Dilatação que é trabalho de parto, o expulsivo que inicia-se com 10 cm e presença de vontade de empurrar (puxos) e se entende até saída do bebê; a dequitação que inicia-se após o nascimento do bebê até o término do desprendimento da placenta e o período de Greenberg que é um período de recuperação e contração do útero, para que não aconteça hemorragia, se estende a 1 hora após o término do parto (saída da placenta), momento em que se procede os cuidados como medicações e sutura se necessário. Portanto como podemos ver o parto só termina quando a placenta sai.

A adrenalina que nós queríamos lá no início do trabalho de parto, agora é muito bem vinda pois, têm um papel de interação entre mãe e bebê após o parto e durante as últimas contrações antes do nascimento, seu nível de adrenalina se eleva bruscamente, é por isso que assim que se iniciam os PUXOS as mulheres ficam ALERTAS, tendem a optar pela posição vertical, cheias de energia e com uma súbita necessidade de se agarrar a alguém ou algo. Para o bebê o afluxo de noradrenalina possibilita que se adapte a privação de oxigênio, e que esteja alerta ao seio da Mãe. O bebê ativo abre os olhos e busca o contato com a Mãe, o que libera mais ocitocina, fundamental para os momentos seguintes do processo como dequitação da placenta e amamentação.

O coquetel de hormônios necessário para o nascimento está em nosso corpo e quando protegemos a fisiologia permitindo o corpo atual, percebemos o quão é importante para o nascimento, desenvolvimento do bebê e vínculos afetivos. Atualmente a rotina hospitalar atual é caracteriza por um violência ( frio, luz forte, manuseio grosseiro, isolamento). O bebê é induzido desnecessariamente a um estado estresse, que provoca a liberação de cortisol que pode prejudicar o desenvolvimento cerebral. Em contra partida no processo de nascimento fisiológico a Mãe secreta endorfinas e hoje sabemos que o bebê também, portanto logoapós o parto o cérebro dos dois estão impregnados de opiáceos e dopaminas que induzem dependência e vínculo.

Optar e se preparar para um trabalho de parto e parto ATIVOS e de forma NATURAL é ser respeitada, permitir-se fazer o que tiver vontade; ser instintiva; mudar de posições, entregar-se, assumir posições verticais que ajudam a aumentar a dimensão da pelve, a gravidade ajuda a descida do bebê, rotação interna do bebê e circulação sanguínea útero-placentária. E acima de tudo ter autonomia sobre o seu corpo e ter co-reponsabilidade no processo do nascimento de sua família.

Optar por intervenções é assumir riscos, começando pelo risco de precisar de mais de uma intervenção, o uso de hormônios sintéticos (ocitocina), medicações (anestésicos ou analgésicos) e condições de atendimento e ambiente não adequadas podem interferir e/ou interromper a rede fisiológica hormonal e a sequencia do trabalho de parto e parto. Os hormônios sintéticos causam efeitos físicos em determinadas partes do corpo, mas não comportamentais como os produzidos pelo próprio cérebro. A ocitocina materna atravessa a placenta e entra no cérebro do bebê durante o trabalho de parto, agindo para proteger as células cerebrais fetais “desligando-as” e diminuindo o consumo de oxigênio, em um momento em que os níveis de oxigênio disponíveis para o feto são NATURALMENTE baixos. A ocitocina sintética, porém, não têm a capacidade de ultrapassar a parede placentária portanto, não atingirá o organismo do bebê.

Acredite no seu corpo, dedique-se a você, leia, participe de grupo e busque os melhores profissionais e alternativas para o seu parto. VOCÊ PODE!!!


Bibliografia:

- Parto Ativo - Janet Balaskas. Ed. Ground

- WorkShop: “ Parto como escapar das armadilhas” – Michel Odent.Julho de 2011, São Paulo. Anotações pessoais: Adriana de Lima Mello

- A cientificação do Amor – Michel Odent

- Parto, aborto e puerpério – Ministério da Saúde.

Retirado do blog do Grupo Vinculo

sexta-feira, 12 de junho de 2015

As 50 intervenções desnecessárias durante a gravidez, parto e pós parto !

As 50 Intervenções Desnecessárias durante a gravidez, parto e pós-parto (por Ingrid Lotfi com supervisão técnica de Melania Amorim e Maíra Libertad)


1) Exames pré-natais não incluídos na rotina preconizada pelo Ministério da Saúde do Brasil (os exames recomendados são: grupo sanguíneo e fator Rh, sorologia para sífili...s - VDRL, hemoglobina e hematócrito para rastreamento de anemia, exame de urina tipo I, sorologia para HIV e hepatite B - AgHBs, glicemia de jejum, teste para toxoplasmose-IgM, colpocitologia oncótica se necessário).

2) Exames de efetividade discutível sem prévia discussão com a gestante sobre riscos e benefícios (p.ex. pesquisa de EGB (Estreptococcus do Grupo B)).

3) Prescrição de complexo vitamínico, sem uma indicação clara.

4) Ultrassonografias sem indicação clínica.

5) Dopplerfluxometria em gestação de baixo risco ou sem indicação clínica.

6) Ecodopplercardiografia (exame para avaliar o coração) fetal em gestação de baixo risco ou sem indicação clínica.

7) Cardiotocografia em gestação de baixo risco ou sem indicação clínica.

8) Teste oral de tolerância à glicose (TOTG) em gestação de baixo risco ou sem indicação clínica.

9) Cesariana eletiva sem indicação clínica e/ou sob falsos pretextos (ver lista das "Indicações das desnecesáreas).

10) Exames de toque antes do trabalho de parto, sem indicação clara.

11) Descolamento de membranas antes de 41 semanas de gravidez.

12) Descolamento de membranas sem prévia discussão e autorização da gestante.

13) Restringir a escolha do local de parto.

14) Desencorajar ou proibir o acompanhante/doula no parto da escolha da mulher, ou permitir a entrada de pessoas não autorizadas.

15) Internação precoce.

16) Exames de toque/remoção de rebordo de colo abusivos durante o trabalho de parto e de rotina.

17) Exames de toque/remoção de rebordo SEM o prévio consentimento da gestante.

18) Toque Retal.

19) Jejum, tricotomia (raspagem dos pêlos) e enema (lavagem intestinal).

20) Qualquer restrição à deambulação/liberdade de movimentos.

21) Estabelecer limites rígidos para a duração da fase latente, ativa e do período expulsivo.

22) Atrapalhar o processo fisiológico do parto, desconcentrando a gestante.

23) Monitoração fetal contínua ao invés de intermitente (onde o profissional ausculta o bebê de tempos em tempos com o sonar).

24) Uso rotineiro de soro com ocitocina/indução com misoprostol.

25) Uso rotineiro de analgesia de parto.

26) Oferecer ou insistir na analgesia de parto sem que a mulher a tenha solicitado.

27) Amniotomia de rotina (rompimento da bolsa).

28) Puxos precoces (treinar fazer "a" força, antes que a mulher possa sentir os puxos).

29) Puxos dirigidos ("faça força agora", "força comprida", etc).

30) Manobra de Valsalva (orientar a "trincar os dentes e fazer força").

31) Desestimular a escolha pela mulher da posição/ambiente em que quer parir.

32) Manobra de Kristeller (empurrar o fundo do útero)/pressão de qualquer intensidade no fundo uterino/"só uma ajudinha".

33) Manobra de "divulsão" perineal e/ou massagem perineal sem consentimento da mulher.

34) Episiotomia.

35) Não permitir o nascimento espontâneo.

36) Aplicar fórceps e vácuo de rotina e/ou sem autorização da mulher.

37) Sutura rotineira das lacerações.

38) Revisão instrumental do canal de parto de rotina (fórceps, vácuo extrator).

39) Cesariana intraparto sem indicação precisa e sem caráter de emergência.

40) Ligadura precoce do cordão, sem aguardar parar de pulsar.

41) Entregar um bebê vigoroso ao neonatologista para secar e aquecer, afastando-o da mãe.

42) Aspiração de rotina das vias aéreas do recém-nascido.

43) Passagem de sonda de rotina no recém-nascido, para pesquisar atresia de coanas, atresia de esôfago e ânus imperfurado.

44) Uso rotineiro de Credé (colírio de nitrato de prata).

45) Levar bebês saudáveis para o berçário.

46) Fazer qualquer procedimento com o RN sem consultar e obter autorização dos pais.

47) Não permitir o delivramento (saída da placenta) espontâneo.

48) Revisão manual da cavidade uterina de rotina, mesmo em casos de cesárea anterior.

49) Oferecer bicos, chupetas, mamadeiras, com leite artificial para o recém-nascido.

50) Aplicar vacinas sem o consentimento e autorização dos pais.

domingo, 24 de maio de 2015

Relato do parto humanizado da Cíntia pela doula



Cíntia entrou em contato comigo através do meu e-mail em outubro de 2014, me dizendo que acompanhava meu Blog, A Doula Nutri, e queria uma consulta nutricional, pois estava grávida e queria se alimentar melhor. E também saber como funcionava o acompanhamento como doula. Marcamos nossos primeiro encontro em minha casa e ali ela deixou claro que gostaria de ser respeitada em seu parto e que a médica que a acompanhava na gestação não parceia em prol do parto normal. Dei indicações de obstetras humanizados para que ela entrasse em contato.

Foi um pouco difícil, mas ela conseguiu marcar uma primeira consulta com a Dra Karla Browers, e ficou radiante de conseguir um profissional humanizado, pois as alternativas da nossa cidade não estavam boas. Durante o pré natal passei todas as informações atualizadas, sobre fisiologia do parto, emoções durante o parto, passei visualizações, informações sobre aleitamento materno, enfim, tudo que fosse necessário para deixar Cíntia segura de si e de suas decisões. Também elaboramos o plano de parto, que é um documento no qual se coloca todos os desejos do casal no trabalho de parto, parto e pós parto, juntamente com os cuidados com recém nascido. Papai Éder participou dos encontros e sempre apoiou a mulher nas decisões.

Cíntia teve que ficar de repouso uns dias, pois tinha dilatação e algumas contrações, não estava no tempo ainda do JP nascer. Com o repouso ficou tudo bem e JP esperou ainda a doula voltar das férias para começarmos os trabalhos. No dia 04/03 fui a casa deles para fazermos um ritualzinho para se despedir da barriga. Fiz a Eco de doula, que nada mais é que uma pintura intuitiva do bebê. Massageei as costas e pés da Cíntia e rolou um escalda pés gostoso. Dia 06 fecharia as 40 semanas e estavam todos ansiosos.

Dia 08 pela madrugada, Cíntia me manda um wats dizendo que havia começado. Cheguei  na casa deles lá pelas 9 hs, as contrações estavam entre 7 minutos, durando as vezes mais, as vezes menos que 1 minuto. Ela estava lidando bem com o desconforto das contrações e muito ansiosa para ver seu bebê. Assim como o papai, que sempre a incentivou. Durante o tempo que ficamos em casa, Cíntia foi para o chuveiro, se agachava, usava a bola, comeu, tentou dormir.






Pelas 15 hs com contrações ritmadas, de 5 em 5 minutos, e com a dor incomodando, saímos para o Hospital Mãe de Deus. Durante o trajeto elas espaçaram um pouco. Quando chegamos ao hospital entrei junto com ela no CO, enquando Éder aguardava a avaliação da Cíntia. Foi avaliada e estava com 3 cm, o que a desanimou um pouco, mas pedi que ela mantivesse o foco, que agora era o momento de se entregar. Papai foi fazer a internação já que a Dra pediu para ela ficar, morávamos em outra cidade.

Cíntia foi acomodada na sala de parto, ficou do jeito que se sentiu mais comoda, de top e calcinha. Depois de respondidas todas as perguntas, pedimos a bola e podemos ficar tranquilas, trabalhando. Logo papai chegou e começou a apoiar sua mulher em cada contração.

Tempinho depois Dra Karla chegou e fez um exame de toque, 6 cm de dilatação! O que deu  um animo em todos! Cíntia ia pra bola, caminhava, voltava pra bola. Dra Karla pediu que preparassem o chuveiro na sala de exames e Cíntia foi relaxar na água quente. Ficou bastante tempo no chuveiro recebendo apoio do marido. Durante o trabalho de parto recebeu 3 doses de antibiótico para a bactéria streptococcus B, isso a deixava incomodada, pois tinha que manter a veia e cuidar, não tendo muita liberdade para se posicionar.




A noite foi feito outro exame de toque que constatou 8 cm de dilatação, mas Cíntia já estava exausta. Não conseguia, relaxar, dormir e qualquer coisa a irritava. Então ela pediu analgesia. A lembramos que ela não queria, conforme estava no plano de parto, mas ela insistiu. Foi combinado que ela tentaríamos mais um pouco, mudamos posição, chuveiro, mas nada a fazia relaxar. Foi feito novo exame e estavam os mesmos 8 cm. O anestesista foi chamado, e a Dra Karla a lembrou que uma intervenção levava a outras. Ela deu o “ok” para continuar, foi dada a analgesia e aplicado ocitocina. Ela conseguiu descansar bastante, dormiu.

Acordou renovada e disposta a trazer seu filho. Foi para bola, para banqueta, e um tempo depois 9-10cm, um rebordo atrapalhando, que a Dra Karla ajudou a sair dali. JP continuava alto, então tínhamos que fazer ele descer. Bola, banqueta, banqueta, faz força na contração, muda de posição e o menino começou a descer. Cíntia teve que ser guiada, pois não sabia onde fazer a força, devido analgesia. Decidiu que iria ficar sentada na maca, ali ficou, força, relaxa, força, relaxa... Dra Karla sugeriu de fazer episiotomia para a cabeça sair e Cíntia deu seu consentimento.



Mais força e JP nasceu, as 5:14 do dia 09/03, pesando 3580 gramas e medindo 50 cm, bochechudo como a doula tinha intuído! Foi posto direto no colo da mãe, pele a pele e acarinhado pelo pai, chorando gostoso. Depois levado para avaliação, não foi posto colírio de nitrato de prata (Cíntia havia feito exame de gonorreia para não haver a possibilidade de aplicarem “preventivamente” o colírio) e nem aspirado, como constava no plano de parto. Em seguida voltou para o colo da mamãe, foi posto ao seio, mas ele só deu umas lambidas. Foi para o colo do papai. Depois veio um pouquinho com a doula babona, para mamãe descansar.




Quero agradecer a Cíntia e Éder por esta maravilhosa volta as doulagens. Foi intenso, cansativo, compensador e lindo. JP é um anjo lindo! Muito amor e leitinho para vocês. Contem comigo sempre que precisarem.

Gratidão a Dra Karla pelo respeito que teve com a Cíntia em todos os momentos.


Gratidão ao Universo por esta missão maravilhosa!

quarta-feira, 1 de abril de 2015

Massagem Perineal + Exercícios para o Assoalho Pélvico

Massagem Perineal


Fonte: http://pregnancy.about.com/library/weekly/aa103199.htm (Tradução da Bart) 

Quando pensamos em como se pode evitar a episiotomia no parto normal, raramente pensamos em alguma coisa além do que os médicos ou as enfermeiras podem fazer por nós.

Há muita coisa que podemos fazer por nós mesmas! 
  


A massagem no períneo no período pré-natal tem se mostrado eficaz na prevenção da necessidade da episio e na diminuição das lacerações que a mulher pode ter durante o parto. Esta massagem é particularmente eficiente em mulheres com idades próximas aos 20 anos. 

Essa técnica é usada para ajudar no alongamento/flexibilidade e preparar a pele do períneo (parte de pele, músculos etc. entre a vagina e o ânus) para o parto. 

Essa massagem não vai apenas preparar o tecido do seu corpo, mas vai também permitir que você conheça e aprenda sobre as sensações do parto e como controlar esses poderosos músculos. Este conhecimento irá lhe auxiliar e preparar-lhe para dar à luz o seu bebê. 

O conhecimento do que você sente nessa região do corpo vai lhe ajudar a manter-se relaxada e relaxar o períneo no parto e também durante outros exames vaginais que você tenha que fazer em sua vida.

INSTRUÇÕES: 

  • Encontre um lugar onde você possa se sentar e estar sozinha, ou com seu parceiro, ininterruptamente.
  • Tente ver seu períneo com ajuda de um espelho, note como ele é... Nem sempre será necessário um espelho para essa tarefa! 
  • Você pode usar compressas com toalhas mornas no períneo por 10 minutos, ou usar um banho morno (de banheira, assento, ou chuveiro, em último caso), caso precise relaxar. 
  • Lave suas mãos e peça ao seu companheiro para fazê-lo, caso ele vá lhe ajudar nas massagens. 
  • Lubrifique seus dedos polegares e o períneo. Você pode usar muitos tipos de lubrificantes: KY Gel®, óleo de vitamina E, óleo vegetal puro (óleo de semente de uva é uma boa indicação!) etc.
  • Coloque seus dedos polegares um pouco dentro de sua vagina, empurre-os para baixo e pressione para os lados. Você deve sentir um leve estiramento, formigamento, ou uma leve queimação, mas nada que seja dolorido. Mantenha esse movimento por 2 minutos ou até que região fique levemente adormecida. 

  • Se você tem episiotomia ou lacerações prévias, esteja certa de prestar especial atenção ao tecido de cicatrização que, geralmente, não é tão estendível e onde a massagem deve ser feita mais intensamente, com cuidado. 
  • Massageie em volta e por dentro da região mais externa da vagina e seus tecidos, onde ela se abre, e mantenha sempre a lubrificação. 
  • Use seus polegares para puxar um pouco os tecidos, forçando-os a abrirem-se, imagine como seria se a cabeça do seu bebê estivesse fazendo esse movimento na hora do parto. 
  • Se seu parceiro estiver fazendo a massagem, pode ser muito útil que ele use os polegares. A sensação pode ser mais bem percebida por você, mas não deixe de guiá-lo com suas sensações para que ele saiba qual a pressão que deve utilizar. 
  • Nessa massagem, quando ela está sendo feita pelas primeiras vezes, é comum que seja possível usar somente um dedo, até que a musculatura seja trabalhada e possa ser estendida.

    ATENÇÃO:
    • Evite mexer no ou abrir o orifício da uretra (logo acima da vagina) para evitar infecções urinárias
    • Não faça massagens no períneo se você tiver lesões ativas de herpes (isso pode causar o aumento da área das lesões).
    • Você pode começar essas massagens em torno da 34a semana de gravidez. Se você já passou da 34a semana e ainda não começou, não desista! A massagem pode trazer-lhe benefícios ainda assim. Você pode fazê-la pelo menos uma vez por dia.
    • Lembre-se que a massagem sozinha não vai proteger seu períneo, mas ela é parte de um grande esquema. Escolher uma posição vertical para parir (de cócoras, de joelhos, sentada etc.) favorece a distribuição de pressão no períneo. Se você escolher parir deitada de lado, isso também reduz muito a pressão no períneo. Deitada de costas, totalmente na horizontal, é a posição para parir em que há mais chances de se provocar lacerações e necessidade de episiotomia.

     

    Exercícios para o Assoalho Pélvico

    Fonte: Women's Health Library. Em: Fique amiga dela: dicas para entender a linguagem de suas partes mimosas; Simone G. Diniz - São Paulo: Coletivo Feminista Sexualidade e Saúde, 2003. 32p. Obtido em: http://www.mulheres.org.br/fiqueamigadela

    Como fazer os exercícios e manter uma vagina poderosa 

    Esses são, esquematicamente, os músculos que compõem o que chamamos de "o oito do assoalho pélvico"...


    Para localizar os músculos do assoalho pélvico faça o seguinte: 

    • Tente parar o fluxo de urina quando você estiver sentada na privada. Se você conseguir, está usando os músculos certos.Não se preocupe se não consegue parar a urina no começo. À medida que você vai fazendo os exercícios, eles vão ficando mais fortes.
    • Imagine que você está tentando evitar de soltar gases. Aperte os músculos que você usaria.
    • Deite-se e coloque um dedo dentro da vagina quando contrai a vagina ou segura a urina. Sinta a contração do músculo para conferir que está contraindo o lugar certo. 
    Tente não apertar outros músculos ao mesmo tempo. Muitas vezes, contraímos os músculos da perna ou da barriga, ou mesmo prendemos a respiração. 

    Agora que você já sabe como contrair, vamos aos exercícios básicos. 

    Para começar, você pode fazer em casa, em sua cama, etc. Mas quando você se acostuma, pode fazer em qualquer posição ou lugar: enquanto espera numa fila, no seu trajeto de ônibus, parada no trânsito, enquanto ouve música, durante a transa, enfim, use sua imaginação. 

    Exercício número 1 - contração e relaxamento básicos 
    • Deite-se de costas, de lado, ou de bruços, com as pernas e o peito relaxados. Imagine o "oito" do assoalho pélvico. Faça uma contração e sinta os esfíncteres ficando mais apertados e as passagens internas (vagina, uretra, ânus) mais fechadas. Relaxe.
    • Concentre-se no esfíncter da frente, o que fecha a vagina e a uretra.
    • Coloque a ponta dos dedos em cima do osso da púbis (mais ou menos onde começam os pêlos, indo da barriga para a vulva) e contraia bem forte a vagina. Dá para sentir a contração nos seus dedos também, pois o osso se move do lugar dele. Conte até cinco e relaxe. Repita 10 vezes.
    • À medida que você vai ficando mais forte nessa área, vá aumentando as repetições. O ideal é chegar a 50 vezes, três vezes ao dia.

    Exercício número 2 - o elevador 
    • Coloque-se em uma posição confortável. Imagine que você está subindo em um elevador. À medida em que você sobe os andares, tente imaginar os músculos cada vez mais contraídos, sem perder a contração que vai se acumulando. Quando estiver bem contraído, vá descendo os "andares" aos poucos, até relaxar completamente os músculos.
    • Sempre termine o exercício com uma contração.

    Nesses exercícios, a qualidade é tão importante quanto a quantidade. 

    E o bom é que esses exercícios podem ser feitos durante praticamente qualquer atividade, e ninguém precisa saber que você está se exercitando.


      *Fonte: INFO Brasília


    Texto retirado daqui

    sexta-feira, 27 de março de 2015

    Relato de parto normal da Cíntia- nascimento do João Pedro



    Minha gravidez do JP sempre foi muito tranquila, descobrimos por volta de 7 semanas, desde então comecei a ler e me informar sobre tudo que rodeia o mundo da maternidade. Já havia lido sobre parto humanizado, mas somente quando me vi grávida que resolvi pesquisar mais, e fui percebendo que é bem difícil aqui no RS encontrar bons profissionais que atuem nessa área.
    Iniciei meu acompanhamento com uma GO e tive que trocar porque a minha DPP compreendia o período de férias dela. Fui fazendo meu pré-natal com uma segunda GO, porém não me sentia confortável, certa vez comentei com ela sobre o que eu havia lido de não haver corte do períneo, o bebê vir direto para o meu colo, não ser aspirado e etc, basicamente ela riu da minha cara e disse que isso era um modismo que a criança nasce cheia de secreção e precisa daquilo.
    Continuei o acompanhamento mas ciente que não seria ela a minha GO escolhida, pois acabaria caindo numa "desnecesarea". A essa altura já havia lido sobre doulas e decidi que precisava de uma para me acompanhar e me auxiliar até mesmo na busca de um GO que não fosse cesarista. Googleando por ai, encontrei uma doula da minha cidade, e resolvi fazer contato, foi quando conheci minha querida Analu, marcamos para conversar e a grata surpresa é que ela morava super perto da minha casa.
    Avisei então via email a GO que havia encontrado uma doula para me acompanhar, o que ela respondeu com um seco "ok". Tive certeza que estava com a profissional errada. Junto com a ajuda da Analu iniciava  minha busca pelo GO que fosse realizar meu parto, tentei com alguns profissionais que foram as indicadas, mas as agendas estavam lotadas. Tentei consultar com a GO que era da minha mãe, mas ela não atendia mais gestantes, já estava pensando em continuar o acompanhamento com a GO cesarista que por sinal já tinha pedido para agendar  o parto no moinhos, e na hora acabar indo para o o Dom João Becker, hospital da minha cidade, que estava montando um novo CO humanizado e ser atendida pelo plantonista mesmo. Até que uma noite depois de muito rezar e chorar, pensando que meus desejos não seriam respeitados resolvi apelar e abordar de uma maneira nada convencional uma das GOs que antes me haviam sido indicadas.  Na cara dura implorei por uma consulta, já que a agenda dela é lotada. Deus ouviu minhas preces, e conheci a outra mulher que seria essencial no meu parto, a dra. Karla Simons, ela me agendou uma consulta, sabia que agora sim conseguiria fazer meu parto de forma respeitosa.
    Nessa época meu ritmo de trabalho estava intenso, o site para qual trabalho estava virando para Amazon, e fiquei várias noites sem dormir, trabalhando na virada, sobre muito stress e eu já por volta das 30 semanas. Na minha primeira consulta com a Karla, tive uma supresa estava com 1 cm de dilatação e ela me pediu repouso. Por duas semanas fiquei afastada do trabalho e mesmo após as duas semanas, meu gestor achou melhor que eu continuasse trabalhando somente remota. De certa forma isso acabou quebrando o ritmo intenso em que eu vinha e acabei não fazendo exercícios aos quais havia me proposto a fazer, como pilates e ioga.
    Conforme ia chegando perto das 40 semanas a ansiedade ia aumentando, as pessoas que tinham mais ou menos o tempo que eu de gestação já tinham ganho de cesárea, e eu estava morrendo de medo dele não chegar nas 42 e ter que induzir.
    Completei as 40 semanas dia 06 de março, um dia antes minha doula esteve aqui e nos despedimos do barrigão com uma bela pintura e um delicioso escalda pés. Parecia que as horas e os dias não passavam e eu queria me manter ocupada, mas não achava jeito. Sábado fui fazer as unhas dos pés que eu já não conseguia fazer a muito tempo, e deixei as das mãos para eu mesma fazer no domingo. Quando o maridão chegou pedi para sairmos para dar uma caminhada e espairecer um pouco. Fomos ao shopping comi um frango frito com bastante pimenta. Combinamos de domingo sair passar o dia em algum lugar legal porque ficar em casa à espera do JP estava me deixando doida. Dormi assim que chegamos devia ser umas 23:00, as 01:00 do dia 08 domingo, acordei sem sono, depois de muito revirar-me na cama fui no banheiro e o tampão que já vinha saindo aos poucos a algumas semanas saiu com sangue. Nesse momento tive certeza estava começando. Voltei a deitar e comecei a ter contrações elas estavam em intervalos curtos hora de 5 hora de 3 mas não muito doloridas, avisei o marido que levantou e me chamou para um banho, curtimos o barrigão no banho, e depois fui arrumar as coisinhas do bebê, porque sabia que assim que as contrações estivessem bem fortes não conseguiria fazer. Fomos dormir por volta das 4:00, entao mandei mensagem para minha doula que por acaso estava acordada em meio a mamada do seu bebê e respondeu. Combinamos de pela manhã ela vir para cá se as contrações continuassem. Deitei e o sono não vinha, a ansiedade era muito grande e cada vez que estava quase pegando no sono vinha uma contração, rezei, contei carneirinhos e nada!!! Até que as 8:00 não aguentei mais ficar deitada sem dormir e levantamos, avisei a dra. Karla que estávamos em preparação e que achava que ele chegaria hoje. As 09:00 a Ana chegou fomos para a bola e as contrações estavam controladas, tomamos chimarrão, comemos, usamos óleos, só não dava para caminhar o sol estava muito forte. As 15:00 a pelas minhas expressões de dor a Ana sugeriu que fôssemos para o hospital e assim fomos. Chegando ao hospital tive uma contração no saguão, logo um segurança ofereceu a cadeira de rodas, fala sério!!!!!? Havia combinado com a Karla que ao chegar lá a plantonista me examinaria e entraria em contato com ela. Quando a plantonista me examinou veio o balde de água fria estava somente com 3 cm de dilatação. Mesmo assim fui para a sala de parto, a minha GO já havia me falado que não havia chuveiro e que eu teria que ir para outra sala para usar o chuveiro, mas optei pelo mãe de Deus porque poderia ficar com a minha doula e o meu esposo durante o TP. Fui logo tirando a roupa colocando o roupão e fui fazer o antibiótico devido ao streptococus positivo. Pedimos a bola para as enfermeiras. Ficamos ali um tempo na bola e assim que a minha GO chegou fizemos um exame e estava com 6cm. Da bola fui para o chuveiro  e o meu marido maravilhoso ficou lá comigo, enquanto as contrações vinham e eu vocalizava e o Dinho me acalmava. Lá pelas onze novo exame de toque e eu estava com 8cm. Nesse ponto o cansaço e a exaustão de uma noite não dormida começaram a pesar. Não era a dor que trazia o problema era a vontade incontrolável de tirar uma soneca, que não era conseguida devido as contrações nesse ponto comecei a pedir, a implorar por analgesia, embora meu plano de parto deixasse bem claro que eu não iria fazer. Meu marido, minha doula e minha GO tentaram me engambelar a todo custo, sugeriam posições, inclusive posições em que eu pudesse tirar uma soneca nos intervalos, trouxeram a banqueta, fui pro chuveiro, recebi massagem com óleo da Ana, mas nada aplacava minha imensa vontade de descansar. Minha única vontade era dormir e eu sentia que aquilo estava me travando e eu não conseguia mais relaxar durante as contrações. Implorei analgesia, comecei a pensar de onde veio essa ideia louca de querer parto normal, ainda mais natural, podia ter continuado com a go cesarista e aquilo já teria acabado. Duas horas depois a Karla fez um novo exame de toque e como eu havia imaginado não estava dilatando mais. A Karla então cedeu ao meu apelo, e chamaram o anestesista, ah!!! O bom anestesista! Lá pelas 01:00 do dia 09 tomei a peridural e a dor cessou. Óbvio eu sabia que uma intervenção levaria a outra, que eu teria que receber um pouco de oxitocina, que não saberia como fazer as forças certas e etc, mas eu não queria nem saber, só queria dormir. Assim que a anestesia fez efeito dormi. Foi um soninho tão bom!! Assim que acordei começamos de novo: bola, banqueta, posições na cama... A bolsa rompeu, fui para 9 e 10, mas tinha um rebordo e o bebê estava alto, fiz muita força, fiz número dois alguma vezes, estava muito difícil o bebê descer e eu não sabia onde fazer a força. Estávamos todos cansados, eu principalmente. Meu bebê começou a coroar, força, muita força, troca de posição, mas estava muito difícil sem conseguir fazer a força certa, tivemos que fazer episiotomia porque não aguentava mais, uma intervenção leva a outra, e as 05:14 depois de mais de 24 hrs em TP, meu João Pedro chegou ao mundo, escorregou quentinho e veio direto para o meu colo lindo, calmo, tranquilo. Falei para ele: "chora filho, chora filho" e ele chorou um chorinho lindo, lindo. Tão gostoso! Meu maridão que ficou o tempo todo ao meu lado, cortou o cordão e acompanhou para fazer a pesagem, e demais procedimentos. Nasceu com 3580 kg e 50,5 cm. Ele não foi aspirado, nem recebeu colírio. Assim ele voltou ao meu colo minha Doula foi me ajudar a dar de mama. Estava pegando meu peito e sugando mas senti o mundo girar e sabia que podia desmaiar, pedi para pegarem ele pois fiquei com medo de deixar-lo cair. Logo depois na recuperação quando fiquei melhor coloquei ele no peito e ele sugou!!! Mamou e mamou!!! Não tenho palavras para agradecer a Ana e a Karla! Duas mulheres abençoadas que acima de tudo respeitam a mulher e suas vontades. Todo esse episódio de pedir anestesia e tudo mais me ensinou muito, principalmente a ver que nem tudo está no nosso controle, me ensinou a ter humildade!
    A dra Karla, só posso dizer que gostaria que existissem mais profissionais como ela, será que consegues te multiplicar? É tão difícil encontrar profissionais que se importam somente com a mulher e não com seus próprios interesses, te recomendaria 1001 vezes.
    A Ana, me ensinou muitas coisas, principalmente a acreditar em mim, sempre apontando caminhos, trazendo soluções, fostes essencial para mim Ana!! Se não tivesse te conhecido provavelmente seria tudo bem diferente. Eu não teria ido atrás da Karla, não teria insistido em me empoderar. És uma mulher iluminada!!!! Gratidão amada!
    E o que dizer do meu marido "doulo"? Se eu já te amava antes te amo ainda mais! Meu amor renasceu de uma forma nova depois dessa experiência linda pela qual passamos juntos! Obrigado pela mão, pelo apoio, pelo amor, zelo incondicional, quem dera todas as mulheres tivessem um maridão como eu tenho! Te amo muito, obrigado por estar ao meu lado e por ser um pedacinho daquele lindo pedacinho de nós! Me deste o maior presente! Te amo infinitamente!

    Por último e mais importante a Deus! Que fez as coisas a seu tempo, sempre conforme a vontade dele é sempre tão perfeito!!!!




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